Não há outro amor para mim.

48 Emma recebe uma proposta irrecusável.


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Como prometido essa é a continuação do capítulo anterior. O que ocorreu no último foi doloroso para todas nós, claro, então vamos saber como Regina vai ajudar sua mulher. Façam uma boa leitura.


Adormeci olhando para ela, esperando que despertasse de repente me pedindo carinho. Mas, seu sono foi pesado assim como o meu. Emma se levantou antes de mim na manhã seguinte, não estava mais na cama quando abri os olhos e a procurei.

Desci as escadas até a sala correndo, atrás dela e a vi conversando com alguém no telefone.

— Pode colocar na revista que por enquanto não estou grávida. — dizia Emma, segurando o aparelho. — Eu e minha mulher não vamos dar entrevista alguma sobre esse assunto. Eu é quem agradeço. Bom dia. — desligou, bufando insatisfeita.

— Quem era? — perguntei, atrás dela.

— Uma revista. Queriam saber se eu estava esperando um bebê, porque alguém da clínica espalhou que eu havia feito a inseminação. — ela colocou o telefone no lugar. Depois passou uma das mãos pelos cabelos, jogando-os para trás.

— Mas eles não perdem uma. — comentei.

— Claro que não, é dinheiro para eles.

— Você levantou tem muito tempo?

— Não muito. — ela estava mais disposta ao que parecia. — Obrigada por ter me levado pra cama ontem. Eu estava tão cansada. — ela me olhava naturalmente.

— Por isso mesmo não te acordei. — toquei em seus ombros. — Eu sei como está se sentindo e tudo o que quero que saiba é que eu te amo. Me desculpe ter dito o que disse ontem, mas eu não podia deixar que você sofresse pelo exame.

Emma tomou ar e fechou os olhos, encostando sua testa na minha, de um jeito que ela e eu sempre fizemos com carinho.

— Quando você diz coisas que doem é porque são verdades. Ontem nós estivemos prestes a brigar por uma coisa que eu queria muito e deu errado. Porém, de tudo o que você me disse, ter ouvido falar que queria essa criança me fez muito bem. Não tive tempo de dizer ontem, mas eu gostei de saber. Você quer ser mãe pra valer.

Peguei em suas mãos as aquecendo nas minhas e sorri doce, emocionada.

— É claro que eu quero. Por você, por nós, por não ter dado certo ontem. Sei que é ruim se recordar, só que eu quero pra provar a você que temos que tentar de novo.

Ela puxou meu rosto para o seu e me beijou. Um beijo de verdade, daqueles que dava vontade de logo ir pulando no colo, pois acendia uma chama por dentro.

Acho que tínhamos feito as pazes ali, e nem precisamos brigar para acontecer. Foi um entendimento. Emma estava conformada enfim. Mas ainda precisávamos evitar falar sobre esse assunto, e se alguém de fora descobrisse, daria um burburinho e tanto.

Durante o café da manhã, Emma me lembrou que no sábado tínhamos uma première de um filme para ir, coisa que eu havia esquecido completamente e ela já havia me feito o convite no mês passado. Enquanto eu admirava seus novos/velhos cabelos loiros, ela me contava sobre como foi gravar o comercial e que estava até tonta de lembrar como jogou suas madeixas de um lado para o outro na sessão de fotos. Foi a primeira vez desde que fez o teste de gravidez que a vi rindo com sinceridade. Mesmo eu não querendo estragar seu clima mais bem humorado e conformado, contei sobre Killian e Ruby, o que a deixou muito impressionada. Emma deu novamente uma esfriada em seu humor e eu me arrependi de ter falado do nosso casal de amigos. Eu estava bem mais com pena do Kill do que de Ruby, e no caso, Emma claramente sentia mais pena de Ruby do que de Killian. Eu via como ela estava intrigada com a notícia, até me falou que iria ligar para a amiga no final do dia.

Mais tranquila, deixei minha mulher em casa com nosso animal de estimação e fui para a MBC. Novamente os olhares me rondavam desde os corredores até o estúdio de filmagens do jornal. Por mais que eu quisesse não dar bola para isso, era difícil não me sentir incomodada.

Nada de anormal aconteceu no restante do dia, a não ser o fato de eu ter levado flores para Emma na hora de voltar para casa. Queria que Emma se sentisse amada e que entendesse que eu estava com ela para o que desse e viesse. E, para a minha sorte ela não reagiu diferente dessa vez. Ficava acanhada quando recebia presentes, e aquele rosto corado de alegria, valia milhares de vezes mais do que vê-la triste.

— Preciso dizer que adorei ganhar flores? — ela perguntou, me olhando por cima do buquê.

— Não. Eu já vi que gostou só pela forma que as segura. — andei em sua direção e nos beijamos de novo daquele jeito intenso, quase amassando o embrulho com as flores. — Quero dizer um milhão de coisas, mas tudo me foge a cabeça nesse instante.

— Tudo isso para me ver sorrir?

— Não só para vê-la sorrir. Eu quero arrancar a tristeza de você, não tem direito nenhum de baixar essa cabecinha para nada. — segurei seu queixo.

Ela lambeu os beiços e ia me dizer qualquer coisa quando senti algo tocar a barra da minha calça.

Olhei para baixo e vi Pongo impaciente com sua tigela de comida na boca.

— Ah, acho que alguém está com fome. — falou minha loira (agora que posso chama-la assim de novo), enquanto começamos a rir, interrompidas pelo cão velho mais inteligente que eu conhecia.

Eu estava mais tranquila tendo aquele cachorro em casa, ele era um bom mascote, fazia companhia para Emma toda vez que eu ia trabalhar. Segurei as flores de Emma enquanto ela resolvia o problema da comida de Pongo e as coloquei em um bonito vaso que Mary Margaret fez para a decoração da casa quando nos mudamos. Quando voltou, me abraçou por trás.

— Quero que vá bem bonita para a première do filme do De Palma comigo amanhã.

Eu meio que me virei para olhá-la.

— Mas não é a première de um filme seu. Por que quer que eu esteja tão bonita?

— Porque eu gosto de exibir você para os meus amigos e fotógrafos. — ela disse, pousando o queixo em meu ombro.

Revirei os olhos.

— Pensei que quisesse se aproveitar da ocasião para se aproveitar de mim. — falei.

— Também é uma boa ideia. Mas olha, de verdade, acho que precisamos estar bem para aparecer pra imprensa.

— Tem a ver com o que aconteceu antes de ontem? — questionei, me virando de uma vez.

— Tem. Não quero que ninguém desconfie.

Fiz que sim.

— Tudo bem. Concordo com você.

Então, se queríamos enganar os jornalistas, devíamos camuflar as olheiras e pentear bem os cabelos, além de escolher a roupa certa para ir à première do filme que eu nem sabia o nome. Talvez eu tenha perguntado à Emma o nome umas dez vezes, mas por alguma razão eu sempre me esquecia.

Consultei meu armário de roupas de sair que há meses eu não conferia. Escolhi algo como uma saia cor de berinjela e uma camisa Dudalina branca da minha coleção. Eu estava farta de Louboutins, mas na parte dos sapatos, me dei conta de que eles eram noventa por cento do que eu tinha de calçado. Não deu outra.

No dia seguinte, acordamos tarde. Mal almoçamos e já era hora de se arrumar. Fiquei pronta em menos de uma hora, incluindo a maquiagem que quase sempre era a parte mais demorada.

Quem demorou foi Emma, que apesar de ter roupas mais simples nunca sabia o que vestir nessas ocasiões, ironicamente, pois a atriz e estrela convidada era ela.

— Meu bem, já está pronta? — perguntei do andar de baixo, ajeitando um relógio de prata no pulso. — O carro que vai nos levar já vai chegar.

— Espera só mais um pouco. — ela gritou do andar de cima.

— Emma você está aí há horas, ainda não se decidiu?

— Só mais um minuto. — gritou de novo.

Eu a esperava no pé da escada, começava a ficar tarde e ainda precisaríamos parar para tirar fotos para a imprensa que estivesse no evento. Quando decidi subir para chamar minha mulher uma última vez, não precisei dar meio passo.

Quando a vi, fiquei de queixo caído. Parece até novidade.

Ela usava um vestido de cetim negro com tons mais escuros no meio e os cabelos caíam em cascata de cachos. Estava pouco, mas suficientemente maquiada. Sorriu para mim e se não estivesse exagerando muito, eu morreria feliz naquele instante. Imagina a atriz mais bonita que você já conheceu. Emma estava mais bonita que ela.

— Então, que tal? — perguntou. — Acha que exagerei?

Coloquei meu queixo no lugar e fiz que não.

— Ahm, não. Está ótima. Não mude nada.

Estendi minha mão e ela veio, descendo como princesa. Há quanto tempo não vivia um momento como esse de ficar embasbacada com minha mulher e sua beleza. Desde a última crise, evitamos ir a eventos juntas e essa sensação de encanto deixou de acontecer.

— Eu demorei porque perdi tempo com o cabelo. — explicou.

— Se eu soubesse que ficaria assim, eu nem teria reclamado. — disse a ela.

Peguei em sua mão e quando ela desceu completamente pude vê-la de perto. Nem parecia que por dentro andava abalada emocionalmente.

— Você está tão bonita. — disse ela. — Do jeito que eu esperava. — estendeu a mão até a gola da minha blusa.

— Vamos dobrar aqueles repórteres, bonitona. — pisquei.

— Vamos. — Emma me deu um novo sorriso.


Nós chegamos pouco depois das sete da noite, ainda estava claro do lado de fora do evento e muitos artistas circulavam pelo tapete vermelho. Pela décima primeira vez Emma me lembrou o nome do filme, mas dessa vez ela mesma foi quem fez eu me distrair, cruzando aquelas pernas no banco do carro que veio nos buscar para levar à première e passando um pouco de batom com a ajuda de um espelho.

O carro nos deixou na entrada do evento e assim que saímos os flashes das câmeras pipocaram na minha cara. Era algo extremamente desconfortável, mas um mal necessário, especialmente para Emma que já acenava para quem gritava seu nome. Enrosquei meu braço ao dela e caminhamos até o centro onde haviam cartazes enormes do filme para pousarmos na frente deles. Swan mais do que depressa abriu seu sorriso de estrela de cinema e eu pifiamente tentei a imitar, mas não devo ter me saído tão mal pois os fotógrafos estavam quase subindo uns em cima dos outros para pegar aquela pose.

Não era apenas essa a nossa missão, tínhamos que passar obrigatoriamente pela ala dos jornalistas para falar das expectativas sobre o filme, e lá fomos nós duas. Caminhando, fazendo pose, caminhando, parando para outra foto, caminhando e nos abraçando para as câmeras, caminhando e esquecendo um dos meus brincos no cabelo de Emma... Epa.

Tirei meu brinco de volta de seus cabelos tentando ser discreta, mas todo mundo viu e achou engraçado. Percebi que eu estava nervosa, mais do que minha mulher.

— Emma Swan, atriz vencedora do Oscar, está aqui para conferir mais um trabalho de seus colegas. Como se sente sobre esse filme? É verdade os boatos que dizem que você será a nova protagonista do diretor De Palma? — perguntou logo um repórter que se esgueirava com o microfone na grade que dividia o tapete dos jornalistas para pegar um depoimento de Emma.

— Acho que o filme vai ser excelente. Na verdade não estou sabendo de absolutamente nada sobre esse papel. Preciso conversar com o diretor. — minha mulher respondeu prontamente.

— E você gosta de suspenses? Pretende atuar em algum filme com esse tema? — outra repórter sugeriu ao lado.

— Na verdade, eu já atuei em dois suspenses e posso dizer que foram experiências incríveis... — Swan ia falando enquanto eu começava a sentir meus lábios doerem de tanto forçar sorrisos.

— E você, Regina? O podemos esperar sobre o filme? Você gosta de suspenses? — a repórter se virou para mim.

— Eu?! Ahm... é... acho que sim.

— Como se sente quando Emma aparece na tela do cinema ou na TV como tem acontecido atualmente? Você sente ciúmes? Gosta de ver sua esposa atuando?

Parecia que eu nunca havia respondido aquelas perguntas, embora eu já tivesse feito isso uma centena de vezes, mas hoje a reposta havia me sumido da cabeça.

— Ah... Olha, é difícil dizer... Eu não faço ideia... — gaguejava.

Emma notou meu problema e me abraçou de lado, alisando meu braço.

— A verdade é que Regina é bem ciumenta. Odeia ver cenas de beijos, mas é quem mais me incentiva. — disse ela, me olhando como se dissesse que estava tudo bem.

Sorri para ela e tiraram de nós umas mil fotos nesse momento. Contudo, alguém tinha de estragar aquele momento como suspeitávamos.

— Ora, veja só quem está aqui, a mais nova grávida de Hollywood! — Era o diretor do filme, um cara alto e grisalho com um estilo esquisito para roupas, mas dava para entender, já que ele era diretor de filmes de terror e suspense. — Emma, há quanto tempo. — Ele tocou em seu ombro e literalmente a levou para seu lado. Fiquei atrás deles completamente assustada, sem entender o que aquele homem falava com ela. — Uma pena que você esteja esperando um bebê, Emma. Caso contrário eu iria chama-la para ser a protagonista da sequência do meu filme, um sucesso com certeza. Você está grávida, todos estão comentando.

Foi então que o enxame de fotógrafos se direcionou aos dois no meio do tapete. Emma sorria, mas eu via em seu jeito que estava mais confusa, e ia ficando pálida conforme ele falava o que ela sabia que não era verdade.

— Senhor, eu... eu não sei do que está falando. — disse Emma ao lado do homem.

Aquilo foi me dando agonia, vontade de pegar minha mulher e ir embora. Por que diabos aquele diretorzinho tinha de comentar sobre a gravidez? Comecei a imaginar o pesadelo se formando novamente na cabeça de Emma. E, para piorar, os jornalistas começaram a bombardear Swan de perguntas: Emma, é verdade que está grávida? Emma, é verdade que esteve em uma clínica de fertilização? É verdade o que os jornais dizem sobre estar esperando um bebê? Emma, dê uma declaração sobre como se sente. Quais os seus planos agora que espera seu primeiro filho?

Ela estava perdida. Olhava em todas as direções fugindo dos flashes das câmeras, tentando não se desesperar. Abanou a cabeça e não disse mais nada. Sua salvação foi o ator principal do filme ter chegado, e as atenções dos fotógrafos e jornalistas se voltaram para ele. Houve uma correria atrás da grade da imprensa para falar com o cara. Com o diretor não foi diferente, o homem deu um leve afago no braço de Swan e a deixou para cumprimentar seu astro protagonista.

Swan me olhou e de novo eu vi aquele olhar de decepção. Eu a peguei pela mão e saímos sem que nos vissem. Nós não vimos o filme.

Levei Emma de volta para casa sem dar uma palavra com ela sobre o assunto. Tinha tudo para ser uma noite agradável com colegas de Hollywood e o filme que devíamos assistir, mas aquele diretor havia estragado tudo. Eu não o perdoaria tão cedo. E agora de nada adiantava esconder, Emma teria de explicar a todos que não estava esperando um bebê se não continuariam nos perseguindo. Só de pensar em quantos “Não estou grávida” Emma teria de dizer, eu sentia o quão penoso seria tanto para ela quanto para mim em vê-la chateada.

Eu devia estar bastante braba pois minha testa doía porque eu não conseguia desfazer as sobrancelhas franzidas e Emma notou isso quando se deitou ao meu lado antes de dormir.

— Ele não fez por mal. Ele não sabia. — ela disse.

— Ele podia ter falado mais baixo. — eu repliquei.

— Deixa pra lá. Não tem volta. Besteira a gente querer esconder o que houve se cedo ou tarde ficariam sabendo.

Eu assentia.

— Só estou preocupada com você, Emma.

— Eu me viro. Deve ser que eu precise lidar com esse exame. Está com medo que eu me sinta triste? Uma hora passa. Eu digo às revistas que não estou grávida mas que vou estar em breve e eles ficam quietos. E se eu não engravidar de novo, volto a dizer que vou tentar e ir tentando, assim sucessivamente. — notei cansaço na voz dela.

— O discurso mudou de lado.

— É, você me convenceu. E a verdade é que não há outra solução para o nosso problema. Ou há e eu ainda não sei? — ela procurou meu olhar.

Ao seu lado não sabia se a fitava diante da pergunta.

Engoli em seco.

— Se existe, nós ainda não descobrimos. — e finalmente a mirei. Houve um silêncio entre nós, atrás da solução.

A solução existia, ela estava bem na nossa frente há um bocado de tempo para dizer a verdade, Emma sempre quis fazer isso antes de pensar na inseminação. Ela queria ser mãe, e adotar foi a primeira ideia que mencionou. Acabamos focando demais no tratamento em que ela se submeteu e esquecemos completamente que nosso filho ou filha podia muito bem já estar pronto para adotarmos.


Demorei para me dar conta de que não nos lembramos da adoção. Eu devia falar com minha mulher sobre adotar, contudo, dois dias se passaram e era segunda-feira. Emma tinha saído para fazer compras com o meu cartão de crédito que ofereci e eu provavelmente não a veria em casa assim que chegasse. Eu estava na minha sala na emissora, olhando para nossa foto da praia no porta retrato em cima da mesa. Devia arriscar, devia ir para casa, ou devia esperá-la, o que custaria esperar só mais um pouco para falar com ela?

Peguei minhas coisas e fui embora assim que deu a hora de sair.

Em casa, Pongo e eu esperávamos Emma, sentados no sofá da sala e agora eu entendia o cão pois Emma em seus dias de folga havia acostumado ele a comer naquele horário. Ambos estávamos ansiosos para vê-la, esperando que ela cruzasse a porta cheia de sacolas que serviriam de consolo para seu abalo emocional de quatro dias atrás.

Pongo ouviu o barulho do carro se aproximando e latiu.

— É ela? — olhei para ele depois do susto que levei.

Au!

De novo ele anunciou e olhamos pela janela.

Emma entrou mesmo com as duas mãos cheias de sacolas, jogando tudo em cima do sofá assim que abri a porta para ela.

— Achei que ia demorar para chegar hoje, a estrada está um caos com as obras. Saiu mais cedo? — questionou, vindo me beijar a boca.

— Na verdade vim antes do transito engarrafar. Eu fiquei esperando você chegar, temos que conversar sobre algo que esquecemos completamente. — eu a peguei pela mão e trouxe até o meio da sala.

— Algo que esquecemos? O quê?

— Sim, meu amor, se lembra da conversa que tivemos no sábado? Você me perguntou se havia outra solução para os nossos problemas. Claro que há. Como a gente pôde ser tão boba de esquecer isso?

Não sei até que ponto do que eu disse Emma prestou a atenção pois seu celular havia começado a vibrar no bolso de sua calça jeans e ela se desdobrava para tirá-lo de dentro dela.

— Só um momento, meu bem, eu acho que tem alguém me ligando.

Ela pegou o aparelho e viu um nome no visor. Ficou algum tempo o segurando e pensou se ia ou não atender.

— Alô. — ela atendeu. — Oi. Sim, sou eu... Claro, é claro que me lembro... Sim, senhor... Imagine se eu iria me esquecer... Ahm... É, eu saí da sessão antes, não me senti bem, sabe como acontece... Não... Ah, tudo bem... Os jornais... Pois é... Sim? Não sei... Por quê? ... O senhor me quer no seu próximo filme? ... Espera... Como?! ... Um milhão de dólares??! É muito dinheiro... Bom, eu preciso pensar, senhor... Eu também preciso me entender com os produtores da série... Certo... Está bem... Obrigada, muito obrigada... O prazer foi meu. — desligou.

— Quem era? — foi a primeira coisa que quis saber. Minhas mãos estavam na cintura e minha cara certamente não devia ser das melhores.

— O diretor De Palma. Ele me ligou para fazer um convite. — Emma segurava seu celular com as duas mãos. Ficou animada de repente, mordia o lábio inferior e queria sorrir, eu estava vendo. — Ele disse que leu uma publicação num jornal de ontem em que eu contava que não estava grávida e pensou que poderia me chamar para ser protagonista de um dos próximos filmes dele.

— Co-como é?

— O cachê é de um milhão de dólares.

— Hum... Nada mal. Mas isso é sério?

— Segundo ele sim. Me deu alguns dias para pensar. Só há um problema. — de repente Emma bufou.

— Que problema? — mantive a pose.

— As gravações do filme serão inteiramente em Vancouver, no Canadá.

Trocamos olhares assustados. Ao mesmo tempo que a proposta era quase irrecusável e eu queria apoiar minha mulher a aceita-la, eu estava muito receosa em perguntar quanto tempo levaria para Emma gravar o filme fora. Eu precisei fazer um esforço. Emma entendeu.

— Deixe-me adivinhar. Tem um outro problema, não tem? Quanto tempo você vai precisar ficar fora?

Quem engoliu seco dessa vez foi Emma.

— Ele disse seis meses.

Ela disse seis meses como se estivesse dizendo uma eternidade, como se estivesse me levando para uma sala onde eu fosse torturada. Bom, seis meses. O que são seis meses sem Emma para quem já viveu uma crise de mais de dois anos, em que nem parecíamos mais casadas? Será que seria bom? Não... Óbvio que não. Dessa vez não há crise. Acho que havíamos acabado de selar nossa opção de ter filhos, pois Emma não engravidaria tão cedo se decidisse aceitar o papel que renderia o maior cachê de sua vida.

Notas finais
Parece que quando a ficha de Regina cai para uma solução, há sempre uma barreira ou obstáculo. O trabalho de Emma e a escolha dela podem influenciar? Não se esqueçam de me dizer o que pensam. Para não perder o costume, um agradecimento especial para quem tem comentado favoritado e está também tendo a paciência de acompanhar essa fanfic. O apoio de vocês tem sido muito importante. O próximo está vindo aí. Até lá, um abraço forte e fiquem bem.