Não apenas um bromânce
22 Sobre mim
Notas iniciais
E se você deve partir
Parta como se fogo queimasse sob seus pés
Se você tiver que falar
Diga cada palavra como se ela fosse única
E se você tiver que morrer, querida
Morra sabendo que sua vida foi a melhor parte da minha
Se você tiver que morrer
Lembre-se da sua vida
Se você tiver que lutar
Lute consigo mesma e seus pensamentos à noite
Se você tiver que trabalhar
Trabalhe para deixar parte de você nesta terra
E se você tiver que viver, querida
Apenas viva
Abri meus olhos. Eu estava deitado na grama, em um campo gigante. A grama era de um verde claro e lindo. Tudo no lugar parecia reluzir. O céu era azul e havia algumas nuvens brancas o pintando. Havia também flores e árvores ao redor. Eu podia sentir uma brisa leve passar e tocar meu rosto. Fechei meus olhos.
― Peter ― uma voz suave e rouca falou. Uma voz que eu conhecia bem e estava com saudades de ouvir. Abri meus olhos novamente e me deparei com ela.
― Gwen.
Ela estava linda e conseguia brilhar mais que o lugar. Seus lábios formavam um sorriso terno, que combinava com seus olhos. Seus cabelos loiros caiam sobre os seus ombros e logo vinha um vestido delicado e de um verde muito claro, quase branco.
Levantei com cuidado e fiquei de frente para ela. Vê-la daquele jeito enchia meu coração de uma torrente de sentimentos. Tristeza, felicidade, saudade, melancolia, amor...
― Eu sinto sua falta ― digo olhando fundo em seus olhos. Ela deixa que seu sorriso aumente e chega mais perto de mim. Ela toca meu rosto com a mão direita de forma suave e me fita com intensidade.
― Eu também sinto sua falta, Peter.
Seu toque em meu rosto me causa uma sensação de calmaria. Fecho meus olhos e apenas a sinto, ali e comigo. Logo ela tira sua mão do meu rosto e antes que posso abrir meus olhos ela chega perto de mim e me envolve com os seus braços. Sinto-a junto a mim, seu corpo contra meu, seus cabelos em meu rosto e sua pele em contato com a minha. Então eu passo meus braços ao seu redor e a puxo ainda mais para perto. Afundo meu rosto em seu pescoço e não consigo segurar as lágrimas que escapam dos meus olhos.
― Eu sinto muito a sua falta, Peter ― sua voz sai um pouco abafada, mas consigo entendê-la perfeitamente. ― E eu sei que você sente a minha, mas você precisa continuar sua vida. Sabe disso, né?!
― Eu quero você de volta, Gwen – digo e a seguro mais forte ainda.
― Mas não pode me ter, Peter. O meu tempo já passou, você precisa superar e seguir em frente. – Ela se afasta de mim e me encara, olho para ela apesar das lágrimas que ainda insistem em sair. ― Prometa para mim, Peter, prometa que vai seguir em frente.
― Gwen...
― Lembre-se do que eu disse, Peter. Não desperdice tempo vivendo a vida de outro. Faça a sua valer alguma coisa. Agora prometa.
Olho diretamente para os seus olhos e sinto neles amor e paz. Eu daria qualquer coisa para vê-los todos os dias. Mas eu não podia, não mais. E Gwen estava certa, como quase sempre estava. Eu precisava seguir em frente. Por ela e por mim.
― Eu prometo.
O sorriso de Gwen cresceu, mas seus olhos logo se desviaram dos meus para algo atrás de mim. Virei e me deparei com Harry, então o meu coração se apertou.
Ele me olhou e eu vi o Harry que eu sempre amei lá. O Harry que sempre riu comigo, me abraçou, me apoiou, foi meu melhor amigo e esteve em alguns dos melhores momentos da minha vida. Momentos que já tinham passado e eu sabia que não voltariam mais.
Harry caminhou na minha direção e sem esperar por nada me abraçou. Me abraçou de uma forma forte e desesperada, e eu correspondi do mesmo jeito.
― Desculpe, Peter, desculpe, desculpe, desculpe... ― ele pedia de forma aflita, ainda agarrado a mim.
― Tudo bem, Harry... Não importa o que aconteça, você sempre será o meu melhor amigo. ― Ele diminui o aperto, mas continua abraçado a mim e eu a ele. Eu conseguia realmente senti-lo e sentir a nossa amizade, como se nunca tivesse acontecido nada.
― Você também sempre será o meu melhor amigo, Pete.
Eu sentia como se tudo estivesse em paz e no lugar. Tudo estava como deveria ser.
E então eu acordei, mas permaneci com os olhos fechados. Meu corpo parecia dormente e eu ainda pensava no sonho que acabara de ter. Eu ainda sentia os abraços e toques com vivacidade. Mas foi tudo apenas na minha cabeça.
Eu não tinha coragem de abrir os olhos, porque no momento em que fizesse isso eu teria que encarar os fatos, teria que encarar a verdade, teria que encarar a vida real. E eu não sabia como fazer isso.
Mas mesmo que tenha sido apenas um sonho, ainda sim ele carregava uma veracidade que eu não podia ignorar. Eu precisava seguir em frente. Eu não posso alterar o passado, o que foi feito já passou. E também não posso perder o presente e ter medo de encarar o futuro. Eu já perdi realmente muitas coisas na minha vida, entretanto, havia ganhado várias outras no lugar.
Respiro fundo e abro os meus olhos, dando algumas piscadas para me acostumar com a claridade.
― Petey! – ouço uma voz do meu lado direito e movo meus olhos para ver de quem é. Avisto sua roupa vermelha e preta e vejo que a voz é de Wade. ― Graças a Dumbledore você acordou! Achei que tinha virado um urso e ia hibernar.
Não respondo Wade, apenas o encaro. Ele havia levantado e agora estava ao lado da maca onde eu estava deitado. Wade... Mais um dos fatos que eu tenho que encarar, e mais um dos fatos que eu não tenho coragem para encarar.
― Olá para você também ― finalmente digo, ignorando meus pensamentos. Minha voz sai rouca e noto que minha boca e garganta estão secas. Começo a me sentar com cuidado e sinto uma pequena dor no lado esquerdo do meu corpo, mesmo assim concluo minha ação.
― Eu vou chamar a enfermeira, mas é só porque ficaram repetindo para eu fazer isso quando você acordasse. Não sai daí, Arainha. – Deadpool após dizer isso começou a se dirigir para fora do quarto onde estávamos.
― Por que pombas eu iria embora daqui? – murmuro quando ele sai e então começo a analisar o lugar onde estou. Era um típico quarto de hospital, mas parecia um pouco mais moderno e tecnológico.
Havia uma televisão de tela plana presa à parede à frente da maca onde eu estava. Do meu lado esquerdo havia uma porta, na mesma parede da televisão, provavelmente para um banheiro. Também havia uma janela com cortina, em uma parede ao meu lado esquerdo. Já do direito havia uma mesinha e um monitor, e logo depois uma poltrona, onde Wade antes estava sentado. E também a porta por onde ele saiu.
Após apenas alguns minutos, uma mulher com cabelos castanhos curtos, vestida com um jaleco entrou na sala. Ela segurava em uma mão um copo e um remédio e na outra uma prancheta.
― Boa tarde, Peter ― cumprimentou ela se aproximando, ela me alcançou o copo e o remédio e depois checou o monitor ao meu lado. ― Certo ― disse e anotou algo em um papel na sua prancheta, depois voltou o seu olhar para mim e sorriu. ― Pode tomar, Peter, esse é um comprimido para a dor. Provavelmente o seu machucado irá se curar logo e você não sentirá mais muita coisa, porém ainda pode sentir algum desconforto nesses próximos dias. O corte foi profundo, mas não tanto. Ele não atingiu nenhum dos seus órgãos internos, mas por pouco. Você também perdeu sangue, mas não foi nada muito grave.
Assimilo as palavras da doutora enquanto coloco o comprimido na minha boca e logo depois tomo a água para engoli-lo. Tomo mais um pouco de água depois, para aliviar a secura que estava minha boca e garganta.
― Obrigado – agradeço após terminar. ― Quando eu vou ter alta?
― Bom, como fisicamente não houve nada de muito grave, provavelmente se não tivermos aumento ou diminuição de temperatura ou alterações no seu quadro, você poderá ir embora amanhã à tarde. Mas, Peter, você tem que entender algumas coisas antes. Você desmaiou ontem não pela facada e sim porque teve um colapso nervoso. Você atingiu um nível muito grande de estresse e o seu cérebro não conseguiu lidar com a situação. Um colapso nervoso é causado por uma doença mental, como ansiedade ou depressão. Sendo assim, é meu dever alertá-lo a procurar o mais rápido possível um psicólogo ou psiquiatra. Se você estiver com problemas, o melhor é procurar ajuda, Peter, antes que os sintomas piorem.
Olhei para a médica, mas não consegui dizer nada. Era um pouco complicado assimilar tudo aquilo. Não é como se eu não tivesse pensado nessas coisas, mas quando elas são jogadas na sua cara, você simplesmente é incapaz de ignorar.
― Precisa de mais alguma coisa, Peter? ― Nego com a cabeça, mas continuo em silêncio. ― Tudo bem, deixarei você agora, qualquer coisa é só apertar esse botão ao lado da cama que eu virei. Quer ficar sozinho ou eu posso permitir que entrem pessoas? Seu amigo de vermelho é um pouco impaciente, ele estava bem preocupado com você, acho que ele pode ter um ADP se tiver que esperar mais.
Dou uma pequena risada.
― Pode deixar ele entrar.
― Tudo bem. Até mais, Peter! – Com um sorriso a doutora saiu da sala e logo em seguida entra Wade.
― Que demora, vocês ficaram tricotando ou o quê?
― Parece que alguém estava sentindo muito minha falta, não é mesmo? ― questiono o encarando com um sorriso.
― Você sabe que eu não consigo viver sem a azeitona da minha empadinha ― responde irônico e logo puxa a poltrona mais para perto e senta. Nisso um silêncio toma conta do local.
Meu sorriso se desmancha e eu noto que não poderei me enrolar muito, terei que encarar as coisas a partir de agora. Eu vou ter que recomeçar. E para isso eu preciso dar um fim em algumas coisas, por isso logo pergunto:
― O que aconteceu depois que eu quase empacotei?
― Bom, o de sempre, enquanto você tirava uma soneca a S.H.I.E.L.D chegou e pegou o Projeto de Pombo e o Doutor Caveira e deu um jeito de prender eles em uma das suas prisões. Eu e o Belzebu Ninja demos um jeito de apagar eles, mas logo que o pessoal do Tapa Olho chegou o Belzebu deu um jeito de sair pela tangente. Acho que ele não tem um relacionamento muito bom com pessoas. Então trouxeram você aqui para a S.H.I.E.L.D e você ficou aí dormindo.
― E o... Harry? ― Eu já sabia o que tinha acontecido, mas precisava de uma certeza. Quando se fala em voz alta tudo se torna mais real, tangível e m casos como esse, mais doloroso. Mas eu precisava saber.
― Ele morreu... Sinto muito, Pete. ― Sua voz sai com ternura e tristeza. Eu lembro então do meu sonho e sinto um nó se formar em minha garganta. ― Mas, vamos pensar pelo lado positivo, acabou! A S.H.I.E.L.D investigou todos os locais que eles passaram e pudessem ter pistas. Já limparam tudo, apreenderam algumas armas, projetos e até dinheiro que eles tinham. Tiraram todos os seus dados daquele site maldito e também pegaram todas as suas informações e guardaram ou tacaram fogo, sei lá. Eles estão tentando falar com o Pombo e o Caveira, mas o Pombo é só um velho ranzinza e o Caveira é um louco, total. Então acabou. Você está livre, leve e solto.
Tento absorver as informações de forma clara e limpa, mas é complicado. São muitas coisas para eu pensar e lidar, e tudo é muito pessoal. E Wade estava errado, eu não estava livre. As memórias ainda iam me perseguir e me machucar, assim como eu teria que conviver para sempre com as cicatrizes de tudo o que aconteceu. De tudo o que houve desde que eu fui picado por aquela aranha. Até antes. Quando os meus pais morreram por causa do trabalho deles.
― Desse jeito você pode voltar aos eixos, se tratar e então subir no meu cavalo branco para irmos em direção ao pôr-do-sol e sermos felizes para sempre!
Se tratar. Pelo jeito Wade sabia exatamente tudo o que havia acontecido comigo. Por um lado isso era bom, eu me sentia mais próximo dele e ele parecia me compreender e apoiar. Mas por outro lado isso era um pouco estranho e incómodo. Eu não queria que as pessoas soubessem que eu estava com problemas assim. Eu me sentia fraco e constrangido.
E lá eu tinha mais um fato para encarar: felizes para sempre.
Isso me remetia a passado, presente, futuro e a pergunta: O que eu tenho com o Wade?
Com os meus problemas já “solucionados” esse era outro lado da minha vida que eu precisava entender e dar um jeito. Mas eu não sabia como, eu não me sentia preparado para tentar desvendar e aceitar isso.
Eu precisava de um tempo, precisava de espaço para respirar e pensar, analisar. Nesse momento eu não sinto quase nada relacionado ao Wade. Eu não conseguia sentir direito. Só conseguia pensar em Harry e em Gwen. Isso não era justo com ninguém.
― Pete? Tudo bem com você? ― Wade perguntou preocupado. Olhei novamente para ele e respirei fundo.
― Wade, eu preciso de um tempo.
― Como assim “um tempo”?
― Olha, eu não vou ser hipócrita e idiota a ponto de dizer que nós não temos e nem tivemos nada, e nem que eu não quero você na minha vida. Mas nesse momento eu preciso de um tempo e um espaço. Aconteceram muitas coisas e eu simplesmente não estou sabendo lidar com essa bagunça. Eu não sei o que eu vou fazer agora e nem o que eu quero. Eu estou completamente perdido. Principalmente desde que toda essa bagunça começou. Agora eu só tenho os escombros de tudo. Eu realmente preciso respirar, colocar os meus pensamentos em ordem e descansar. Nesse momento eu não tenho certeza de nada ― desabafo tudo o que estava preso em mim, mas não me sinto mais leve, me sinto um pouco tenso. Eu sabia que Wade ficaria um pouco chateado, e eu não queria fazer isso com ele, eu ainda me importava em como ele ficaria.
― Mas... Eu achei que meio que a gente... Meio que... Ãhn... Estava meio que de acordo, sobre o que estava acontecendo ― Wade diz com a voz um pouco abatida.
― As circunstâncias mudaram. Não seria justo manter você por perto nessa situação.
― Mas eu não me importo com isso, Peter. Você sabe que eu gosto realmente de você. Eu disse que estava com você se precisasse, estava do seu lado. Não importa se você quer ajuda para bater em um bandido, ou um ombro para chorar ou alguém para fazer um chazinho para te acalmar. Até alguém para fazer dupla com você em uma festa a fantasia. Eu faria qualquer coisa por você, Peter, eu acho que nessa altura você já deve saber disso. Eu adoro passar meu tempo com você, é infinitamente melhor e mais divertido. Eu adoro só estar com você, mesmo no silêncio, ou quando você vira uma rainha do drama ou quando fica se fazendo, que vamos concordar, é sempre. Mesmo com todo o circo que virou sua vida ou o fato de você não ter dó ao falar comigo e ser quase o meu oposto. Mesmo com tudo e todas as coisas atrapalhando. Mesmo com todos os defeitos. Mesmo com todos os problemas. Eu amo estar com você e eu gostaria de passar cada minuto da minha vida ao seu lado, e isso é brega e meloso, eu sei, mas é que eu sou um romântico incrível. ― Wade fala tudo isso e respira fundo. ― Peter Parker, Homem-Aranha, Baby boy do meu coração, isso está na cara, até o Stan Lee consegue ver, mesmo assim eu vou dizer, porque acho que você não entende isso de verdade e eu também já demorei tempo demais para dizer. Peter... Eu te amo.
Então silêncio. O que consigo ouvir é o meu coração, que está batendo muito rápido, mas isso só me deixa mais nervoso. Ele disse! Ele realmente disse! Com todas as malditas três palavras!
Eu sentia todos os sentimentos dele explícitos ali, pairando por todo o quarto, me atingido com força. Não era realmente uma surpresa, mas, de novo, quando se fala em voz alta, é impossível ignorar.
Mas esse não era o momento. Eu não estou ignorando, e sim aceitando.
― Como eu disse, eu não tenho certeza de nada agora, Wade ― aquela frase saiu e usou quase toda a força que eu tinha. O nó na minha garganta estava presente e dificultava meu serviço. Meus olhos começaram a arder e eu sentia o meu coração partido. Mas principalmente, eu sentia o coração do Wade partido.
O silencio perdurou por um tempo que pareceu longo e foi dolorido. Eu queria que tudo ficasse bem, que ninguém saísse machucado e que realmente existisse felizes para sempre. Mas a realidade não era essa. E nesse momento eu era incapaz de dizer qualquer coisa. De fazer qualquer coisa. Eu estava cansado demais. Machucado demais.
Como se tivesse assimilado a situação, Wade levantou e me encarou de pé, eu encarei de volta, mas rezei para que ele fosse embora logo, eu não aguentaria muito tempo, iria começar a chorar logo.
― Eu entendo, Peter. ― Wade foi em direção à porta, mas antes de sair me olhou mais uma vez. ― Mas saiba que eu vou esperar por você.
E então ele foi embora.
Uma lágrima escorreu pelo rosto e eu esfreguei ela, colocando as minhas duas mãos em meu rosto. Parecia que eu estava cometendo um erro, e isso me corroía. Mas ao mesmo tempo, eu não tinha como fazer outra coisa, eu não estaria sendo sincero, verdadeiro, não conseguia corresponder tudo o que Wade sentia. E isso doía, doía muito.
― Tudo bem, Pete? ― Tirei a mão do meu rosto e vi Johnny entrando no quarto. Ele tinha uma preocupação no tom de voz e em seu rosto. Tentei me recompor da melhor maneira possível.
― Sim.
― Obviamente não. ― Mal terminei minha de falar e Johnny já falou. ― Mas agora eu quero saber exatamente como você está e o que aconteceu, e nem tente mentir para mim, Cabeça de Teia, eu te conheço melhor que o seu uniforme. E eu vi o Deadpool saindo meio rápido e calado daqui.
― Tudo aconteceu, Johnny! ― Quase gritei. Passei a mão no meu rosto e desatei a falar: ― Aquela aranha aconteceu, a morte do tio Ben aconteceu, o Homem-Aranha aconteceu, Harry aconteceu, a morte da Gwen aconteceu, Zolton aconteceu, Deadpool aconteceu, Abutre aconteceu, a morte do Harry aconteceu e eu ser um idiota desde o começo aconteceu!
Parei de falar e olhei para baixo.
― Eu só... não sei mais o que fazer, não sei mais o que eu quero... Parece que eu faço tudo errada o tempo todo. Eu não aguento mais isso. Eu só quero voltar para a casa da tia May, quero voltar a estudar e trabalhar, quero voltar a querer ter um futuro... Quero voltar a ser eu mesmo.
Deixei mais uma, duas, três lágrimas escaparem dos meus olhos e me senti um idiota por isso. Mas eu não queria mais segurá-las. Eu não tinha mais forças para isso.
Johnny ficou em silêncio, mas logo veio em direção à cama, sentou e me puxou para um abraço. Que eu aceitei de bom grado e retribuí. Lembrei do abraço de Harry e de Gwen em meu sonho e o segurei mais forte.
― Vai ficar tudo bem, Peter. Eu prometo.
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