Não apenas um bromânce

20 O início do fim


Notas iniciais
É um pássaro? É um avião? É um embuste? NÃO, É O CAPÍTULO 20! OLHA EU AQUI DE NOVO!! Olá, chuchus! Voltei mais cedo dessa vez! Era para eu ter postado ontem, tanto que disse isso a algumas pessoas, porém, como eu e o destino temos alguns problemas, sempre que falo demais, acabo me ferrando. Mas está tudo okay, os trabalhos que tinha que fazer já estão prontinhos. Acho que não tenho muito a dizer aqui, então vamos ao capítulo. Cuidado, ele é o começo da sessão de dor e sofrimento!

Dizem que o tempo ameniza

Isto é faltar com a verdade

Dor real se fortalece

Como os músculos, com a idade

É um teste no sofrimento

Mas não o debelaria

Se o tempo fosse remédio

Nenhum mal existiria

(Emily Dickinson)

— Melhores amigos pra sempre?

— Melhores amigos pra sempre!

Era essa frase, emitida com vozes suaves de crianças, que ressoava pela minha cabeça agora. Meus olhos estavam presos aos olhos da pessoa a minha frente, que uma vez havia sido Harry Osborn, o garoto mimado, arrogante e também meu melhor amigo.

Por um momento, apenas um segundo, eu pude ver em seus olhos um vislumbre de Harry. Ele parecia assustado, triste e cansado. Ele parecia pedir uma ajuda silenciosa, mas também demonstrava uma perda de esperança que me doeu olhar.

Mas isso sumiu rápido, deixando para trás o olhar raivoso e fora de si que ele possuía agora.

Eu sabia que esse momento seria decisivo, queria acabar com tudo isso, porém, também queria voltar uma semana e fingir que tudo estava bem. Quando Demolidor começou a investigar, achei que seria como das outras vezes, acabaríamos andando em círculos e não chegando a lugar algum. Entretanto, eu deveria sentir que depois de tudo, uma notícia como aquela não era mais um problema.

. . . 2 dias antes . . .

E parece que não haverá nem um pouco de tranquilidade para os moradores, e principalmente joalheiros, de Manhattan. Hoje foi confirmado que o criminoso Adrian Toomes, conhecido como Abutre, fugiu da prisão.

Absorvo as palavras do jornalista e depois não ouço mais nada. Fazia pouco tempo que Toomes havia sido preso, e agora ele já estava solto de novo. E mesmo que ele não seja um assassino em série, ele também não é apenas um ladrão como a maioria das pessoas acreditava.

Sexteto Sinistro.

Isso ecoava na minha cabeça. Ele com certeza faz parte disso.

— Pete? – Volto minha atenção para fora dos meus pensamentos e fito Wade que está sentado ao meu lado.

— Oi?

— Tudo bem com você? – pergunta com um tom um pouco preocupado.

— Sim, sim, só estava... pensando.

Agora vinha a culpa. Desde que eu e Wade havíamos quase feito um acasalamento aranha-mutante, eu havia criado uma bolha ao nosso redor, onde tudo estava perfeitamente tranquilo. Eu ignorei minhas responsabilidades e minhas preocupações e fiquei apenas com Wade. O que na verdade soa assustadoramente estranho.

Quando eu o conheci e aceitei montar uma “equipe” com ele, eu estava concentrado em outras coisas. Minhas prioridades eram os meus problemas e Deadpool ficava meio de lado. Agora era exatamente ao contrário. Minha prioridade era Deadpool e os meus problemas estavam totalmente de lado.

Isso não podia estar certo.

Eu não sabia quando tinha acontecido, mas em algum momento desses últimos meses, Wade havia se tornado umas coisas mais importantes da minha vida.

Isso claramente não podia estar certo.

E agora, vendo que Abutre estava à solta, minha bolha havia estourado. Eu tinha que retornar para realidade. E isso é dolorido.

— Precisamos fazer alguma coisa, Wade – digo já levantando do sofá e indo em direção ao quarto. – Não acho que Adrian Toomes tenha saído da prisão sozinho, e eu já estou demorando tempo demais para acabar com isso.

Pego meu uniforme e vou para o banheiro, quando começo a me vestir, escuto Wade perto da porta:

— Não sei se você deveria se meter mais ainda nessa história... – sua voz ressoa com incerteza e angústia. Paro por um momento e encaro a porta.

— O quê? – questiono sem entender.

— Sempre que você se aproxima mais disso, acaba mais machucado. O corpo pode se curar muito bem, mas a mente não. Acredite em mim, eu sei bem disso.

Assimilo suas palavras e sinto uma pontada. Eu sabia que Wade tinha razão, pelo menos com relação a eu estar me machucando. Era perceptível e tangível. Eu realmente não sabia o que restaria de mim no final de tudo. Porém, não é algo que eu possa escapar.

— Você sabe que eu não tenho escolha – murmuro voltando a pôr meu uniforme e depois minha roupa por cima. Calça, blusa, casaco e tênis.

— Eu sei... – sussurra em resposta depois de algum tempo. Abro a porta e vejo que Wade está lá. Ele me encara e eu sustento seu olhar. Ou o olhar da máscara, para ser mais sincero. – Eu tenho um serviço para fazer hoje, encontro você aqui de noite, okay?!

— Com serviço você quer dizer matar alguém?

— Pode ser que sim, pode ser que não... – Wade dá um sorriso torto e eu balanço a cabeça. Eu não gostava que ele fizesse isso, mas eu não tinha como mudá-lo. E até onde eu sabia, ele só matava pessoas que não eram lá muito legais, o que fazia dele quase um tipo de justiceiro. Ou era isso que eu preferia acreditar. – Tome cuidado, baby boy.

Não tenho tempo de revirar os olhos, logo os lábios de Wade tomam os meus em um beijo delicado demais para os seus princípios. Sei que é porque ele está chateado e dividido. Ele sabia que eu não estava bem, mas também sabia que não podia me impedir de continuar indo em busca de Harry.

Seus lábios se afastam dos meus e eu permaneço de olhos fechados, apenas tentando manter por mais alguns segundos a ilusão de um mundo perfeito. A ilusão de um felizes para sempre. Ou apenas a ilusão de uma vida normal.

Quando abro os olhos, Wade já saiu e eu volto à realidade mais uma vez.

Abutre está solto.

É nisso que me concentro. Pego minha mochila, com minha câmera, meus documentos e mais algumas coisas e saio do meu apartamento. No momento em que estou terminando de descer as escadas, ouço meu celular começar a tocar. Pego ele, que estava no bolso da minha mochila, e vejo que é o Clarim Diário. Faço uma careta e atendo:

— Alô...

VENHA URGENTEMENTE PARA CÁ! — O grito de Jameson faz com que eu afaste institivamente minha cabeça do aparelho, apenas para trazê-lo de volta depois e notar que ele já havia desligado.

— Maravilha – resmungo guardando meu celular e começando a ir em direção ao jornal.

Chego lá em alguns minutos e enquanto o elevador sobe para o meu andar, sinto uma aflição crescente. Eu não sei qual o motivo para ter sido chamado, mas sei que não é bom. E eu tinha noção que tinha culpa no cartório. Não dava sinal de vida fazia alguns dias, mais do que estivera com Wade. Nada de fotos e nem sequer havia respondido os e-mails que me mandaram. Então sim, eu estava com medo.

As portas se abrem e eu adentro no local tentando manter uma postura normal, o que não funciona totalmente. Paro em frente à mesa de Betty e a observo, ela estava absorta em seu computador. Porém, logo ela nota minha presença e seus olhos se arregalam.

— P-Peter!

— Oi, Betty. O Jameson me ligou, quer falar comigo. Você sabe sobre...

— Sim, ele está esperando você na sala dele – Betty me corta e responde de modo curto. Seu semblante abatido me faz temer mais ainda o que ouvirei naquela sala.

— O que aconteceu, Betty? – insisto.

— Apenas vá, Peter. – Assinto com a cabeça e vou rumo à sala de Jameson. Olhei o nome J. Jonah Jameson que lá havia e bati na porta. Ouço um grito de consenso para que eu entre e não tardo em fazê-lo.

Quando adentro na sala, vejo Jameson com um olhar ríspido e cortante. Fecho a porta com cuidado atrás de mim e arrisco alguns passos para perto de sua mesa.

— Olá...

— Está demitido – seu tom fora taxativo e irredutível.

— O quê? – questiono, apesar de Jameson ter sido bem claro em suas palavras.

— Está demitido – repete da mesma forma. Ele estava calmo demais, apesar de seu olhar quase mortal. – Agora saía da minha sala e não volte nunca mais!

— Mas, Jameson... – tento falar algo, mas acabo sendo cortado.

— Sem mas, agora saía.

— Espera, só um minuto...

— Saía.

— Jameson, eu posso compensar...

— Saía.

— Mas...

— PETER PARKER SAÍA DA MINHA SALA AGORA OU EU MESMO VOU JOGAR VOCÊ PARA FORA DAQUI PELA JANELA! – Dou um pequeno pulo de susto com a explosão do homem a minha frente, mas já no segundo seguinte trato de assentir com a cabeça e obedecê-lo, saindo de lá.

Já fora da sala de Jameson, dou um suspiro frustrado. Vejo Betty me olhar com semblante triste, vou até ela.

— Você já sabia, não é? – questiono.

— Sim – ela responde de forma deprimida, mas mantêm seu olhar junto ao meu. – Você não aparecia e nem falava nada há dias, Peter! Andava mais atrapalhado e avoado do que de costume, não tinha mais o que fazer. Ele gosta do seu trabalho, mesmo que não pareça. Eu não sei o que está havendo com você, Peter, mas eu espero que você fique bem.

— Eu também espero, Betty – murmuro desviando o olhar para baixo.

Eu não estava muito surpreso de acabar tendo sido demitido, mesmo assim, era algo totalmente frustrante e ruim. Afinal, era onde eu ganhava dinheiro.

Volto para casa, sem mais tanta animação para sair investigando por ai. Mas como não podia deixar isso de lado, resolvo pegar o notebook e ver algumas coisas sobre Adrian Toomes.

Como esperado, recebo uma enxurrada de reportagens sobre sua fuga. Muitas delas apenas com uma foto de Abutre e pouquíssimas informações, apenas palavras rasas e com o título gigante ABUTRE ESCAPA DA PRISÃO ou algumas mais tendenciosas como NOVO VILÃO À SOLTA. Tudo por mais visualizações, sem realmente uma notícia substancial.

Abro o Word e começo a anotar os dados que eu tenho. Fazendo isso lembro das folhas que peguei na Oscorp, que continuam na minha mochila. Mesmo com o estomago embrulhado com as memórias que aquelas folhas me trazem, obrigo-me a pegá-las e lê-las.

Infelizmente – e previsivelmente – não há nada lá que me ajude muito. Mesmo assim, escrevo no Word os nomes e codinomes de Adrian Tomes, Quentin Beck, Zoltan Drago e Harry Osborn.

O que mais havia em comum entre eles era o ódio.

Quentin Beck por causa de sua carreira e como o mundo o desprezou. Adrian Toomes, pelo que dizia seus registros e mais algumas notícias na internet, tinha um parceiro com quem tinha uma empresa ou algo do tipo. Ele fora traído por ele e mandado embora, fazendo com que Toomes, com raiva, projetasse suas assas sozinho e as usasse contra ele e depois para obter lucro próprio. Zoltan ainda era um dos mais misteriosos, seu nome na internet aparecia por diversas vezes ligado a um museu com estátuas de cera, porém nada esclarecedor. Talvez mais uma alma frustrada com relação ao seu trabalho. E por fim havia Harry, onde eu não escrevera nada. Não havia necessidade.

Não havia nada nos papéis que remetesse a mais algum nome. Eu não tinha como saber se havia mais pessoas envolvidas ou não. Como parecia que eles haviam abandonado de vez o prédio da Oscorp, procurei na internet outros lugares onde eles poderiam estar.

Descartei logo a possibilidade de pesquisar mais alguma coisa sobre Quentin Beck. Sempre que esse nome retornava era uma dor de cabeça. Só de pensar em seu corpo, seu sangue, se já o acharam e o que aconteceu, minha vontade é me encolher na cama e desaparecer.

E eu tinha que aceitar o fato de que parecia que eu havia criado um tipo de gatilho. Sempre ficava mais ansioso, com medo e um mal-estar quando as memórias me atingiam. Iria evitar isso por agora. Iria evitar como eu fazia com todas mortes ao meu redor.

Depois de algumas pesquisas, não acho nada relevante, mais uma vez. Não há casas, empresas, lugares secretos e nem nada. Mas eu sabia que eles não eram tão cuidadosos. Demolidor havia deixado isso bem claro quando falou comigo. Entretanto, ele estava lá nas ruas interrogando e espancando bandidos, enquanto eu estava no “conforto” da minha cama mexendo no notebook. Acho que fazia sentido eu me encontrar quase na estaca zero.

O que me fazia pensar se Demolidor já descobrira alguma coisa. Queria poder chamar ele aqui, por telefone, mensagem de fumaça ou até um Bat Sinal. Mas em vez disso, aceitei meu posto de inútil no momento e deitei minha cabeça para trás enquanto fechava os olhos.

— Sentiu muita saudade, Arainha? – ouço a voz de Wade e levanto minha cabeça. Quando abro os olhos noto que ele está na porta do quarto, de braços cruzados.

— Ah, você tinha saído, é? Nem notei – comento fechando o notebook e o colocando embaixo da cama. Escondendo o fato de na verdade estava feliz de ele estar aqui e que agora, toda vez que o via, podia sentir o meu coração bater mais rápido.

— Tá bom então, como se eu não fosse o seu raio de sol em um dia nublado. Sua sombra em um dia muito ensolarado. Seu copo de água quando está morrendo de sede. Seu bote salva-vidas quando está se afogando. Seu vibrador quando...

— Tá, tá, pode parar por aí, já entendi o recado – corto Deadpool antes que eu seja obrigado a ouvir coisas que não pudesse esquecer nunca mais.

— Mas então, coração – Wade deita na cama ao meu lado e me abraça pela cintura. -, descobriu algo?

— Nada, só que fui demitido do Clarim Diário. – Minha notícia parece ter surpreendido Wade, pois o mesmo levanta um pouco sua cabeça para me encarar.

— Opa, sério?

— Seriamente sério.

— Por quê?

— Acho que porque eu não estava mais trabalhando. Deixei eles a verem navios lá e me esqueci totalmente de que se você não trabalha, é demitido – comento deixando que o meu braço passe por cima da cabeça de Wade e pare em suas costas, onde os meus dedos deslizam e sentem livremente a textura da sua roupa.

— Faz sentido. Melhor assim, aquele lugar era uma espelunca.

— Espelunca ou não, era onde eu ganhava dinheiro – suspiro.

— Quem precisa de dinheiro quando se têm a mim?

— É realmente para responder? – questiono cínico, com um sorriso no rosto.

— Se a resposta vier em forma de um beijo, sim. – Dou uma risada e ouço alguém bater na minha porta. Franzo o cenho, estranhando, já que ninguém — e com ninguém eu me refiro a minha ilusão de cuidado, já que o mundo todo já sabia onde era o meu cafofo — sabe onde eu moro. – Pizza!

— Pizza? – pergunto e vejo Wade saltar da cama e ir em direção à porta. Reviro os olhos e o sigo. Quando Deadpool abre a porta, o entregador estufa um pouco os seus olhos. Analisa sua roupa e depois me olha. Sinto meu rosto corar.

— S-são trinta dólares – o entregador fala receoso. Wade pega um dinheiro que estava em um dos bolsos com munição e dá ao garoto.

— Aqui. Valeu, cara! – Wade pega a caixa de pizza e logo depois fecha a porta. – Com fome?

Eu poderia começar um discurso dizendo o quanto essa situação havia sido uma pachorra. Por que raios ele havia pedido para ser entregue uma pizza na minha casa sem nem me falar? E por que ele sempre agia como se todas as maluquices dele fossem completamente normais?

Não sabia se era porque já estava me acostumando com o seu jeito ou porque estava com preguiça, mas no fim acabei apenas respondendo:

— Sim.

Comer. Dormir. Acordar. Tomar café. Investigar mais. Tudo com Wade ao meu lado, o que de certa forma deixava tudo mais leve. Porém esse tom leve foi deixado de lado quando, já perto do fim da tarde do outro dia, eis que surge em meu cafofo ninguém mais, ninguém menos do que Demolidor.

Sem cerimônia — ou quem sabe um convite – ele adentra em meu apartamento pela minha janela do quarto. Eu e Wade estávamos sentados na cama e levantamos a cabeça na mesma hora.

— Demolidor! – exclamo surpreso. Ver a imagem daquele homem em meu quarto era incrivelmente estranho.

— Peter. – Quando ele fala o meu nome sinto duas coisas: um arrepio e um sentimento de frustração. Faço uma careta. Eu já sabia que ele tinha conhecimento de onde eu morava, e até já deveria ter uma ficha completa minha. Mesmo assim, tendo a certeza de que você é um completo incompetente em manter sigilo, é impossível não ficar incomodado.

— Mas olha se não é o Belzebu de Hell’s Kitchen em pessoa – Deadpool comenta ao meu lado, parecendo extremamente incomodado e até um pouco irritado. Reviro os olhos. Apesar de rir internamente pelo que ele disse.

— Wade – Demolidor fala com seu tom de voz normal. Ou seja, seco e austero. Aparentemente, ele tinha conhecimento de todo mundo. O que era foda, porém, assustador.

— Anda vendo muita coisa interessante por ai, Azazel? – Wade pergunta e eu olho de canto para ele, sem mover minha cabeça. Okay, eu ouvira falar que o Diabo de Hell’s Kitchen acabava com seus inimigos sem nem precisar os enxergar. Primeiro achei que fosse algo tendencioso, mas depois de algum tempo e conversas, comecei a achar que ele realmente fosse cego. Com essa piada, Wade faz com que eu quase confirme isso e, ao mesmo tempo, queira jogá-lo pela janela pelo que disse.

— Preciso falar com você, Peter. – Ignorando Wade, Demolidor olha para mim. Ou não olha. Não sei.

— O que quiser falar pode ser na minha frente, Satã de camelô. – Dou um pequeno tapa no braço de Wade, que resmunga. Depois fecho o notebook que está no meu colo, colocando ele para baixo da cama depois, como sempre.

Levanto da cama e me aproximo um pouco mais de Demolidor, meio nervoso com o que vou falar nesse momento.

— Ele pode ouvir o que você tem a dizer. – Idiota, idiota, idiota. Me sinto um completo idiota por dizer isso. Estava na cama com Wade e agora venho concordar com ele, essa situação é um fiasco.

— Ouviu essa, Mefistófeles?

— Tem certeza? – Demolidor questiona como se concordasse comigo em me achar um idiota. A contragosto, assinto com a cabeça.

— Tenho. – Ele pondera por alguns segundos e depois concorda.

— Sei onde Drago e Osborn estão.

Calma. Respira. Inspira. As palavras tomam seu sentido rapidamente na minha cabeça. Ele sabe onde eles estão. Eu vou saber onde eles estão. Vou ter que enfrentar sem mais delongas algo que já se procrastina há meses.

Eu queria sim confrontar de uma vez por todas o motivo pelo inferno que estou passando. Porém, isso não fazia a situação se tornar mais fácil.

— Foi rápido... – murmuro.

— Eu tinha minhas suspeitas e continuei a achar pessoas com algumas informações pertinentes. Depois que Toomes saiu da prisão, com o que eu tinha, consegui ter a certeza.

“Eu estava atrás de um homem, queria informações dele e de onde ele escondia seus armamentos e drogas. Um dos homens que interroguei indicou um local em Manhattan, bem afastado do centro da cidade. Um local onde antigamente, na época da segunda guerra, havia uma fábrica de munições. Mas o homem disse que ele não usava mais aquele local, que agora pertencia à outra pessoa, e que muitos evitavam a todo custo até passar perto de lá. Depois que Toomes fugiu da prisão, achei alguém que disse que ele foi levado para lá. Pessoas com certos dons ou como Toomes, com certas armas, estão bem mais em evidência agora. Não são difíceis de achar quando sabe com quem falar.”

Absorvo suas palavras aos poucos, com o coração batendo mais rápido a cada segundo mais.

— Você... Você já foi até lá? – pergunto com um pouco de dificuldade.

— Só observei o lugar de longe, nada de muito suspeito. Mas o lugar é grande o suficiente apara abrigar muita gente e muitas coisas. Achei melhor vir falar diretamente com você antes de entrar lá.

— Obrigado – agradeço e depois respiro fundo. – E vou me arrumar e já saímos.

— O quê? – Deadpool pergunta como se tivesse perdido alguma parte da conversa.

— Vamos até a fábrica, vai vir também? – Olho para Wade e ele parece divagar alguns segundos.

— Sim – ele responde em um tom sério. Isso só conseguia me deixar mais aflito.

— Tá legal – murmuro e pego meu uniforme, me dirigindo para o banheiro.

Em questão de minutos já estamos todos prontos para sair. O fato de nós três estarmos com uniformes vermelhos no meio do meu quarto foi um ato um pouco engraçado, que me permitiu relaxar um pouco.

— Beleza então, Team Red pronto para sair. Só espero que você esteja certo hein, Lúcifer. Agora saí primeiro, não vou deixar vocês dois sozinhos no quarto. – Sinto meu rosto corar, de raiva e vergonha.

— Pelo amor de Odin! Cala a boca, Wade – falo entredentes antes de sair pela janela. Ao sair, vejo que o sol já está quase se pondo.

Como estávamos um pouco espalhafatosos, nos esgueiramos por ruas mais desertas em direção à fábrica. Alguns becos e se fosse necessário, acabávamos por escalar algum prédio.

O lugar era um pouco distante da cidade, mas já estávamos quase chegando. Ao sairmos de beco, porém, fomos parados por alguém. Olhei bem para a figura a minha frente e senti um mal estar por todo o corpo.

Era alguém alto que vestia uma roupa totalmente preta. Possuía uma capa com um capuz sobre a cabeça que remetia a capa da Morte. O que combinava com sua máscara em forma de caveira, que parecia feita de metal ou aço.

Antes que eu pudesse questionar algo, apareceu Abutre, que pousou ao lado do homem mascarado. Logo depois chegou Harry. Ele estava como Duende Verde, estava exatamente como na noite em que Gwen morreu.

E tudo o que eu queria era voltar no tempo. Mas não podia. E mesmo se eu pudesse, para quando voltaria? Uma semana? Quando eu fingia que estava tudo bem, mas não estava? Mais de um ano? Para quando Gwen ainda estava viva e Harry me odiava?

Talvez eu quisesse voltar para quando aquela frase foi dita.

Melhores amigos pra sempre!

Eu queria acabar com tudo isso, eu tinha que acabar com tudo isso. Mas eu me perguntava a que custo isso seria realizado.

Mesmo estando há tempos nesse jogo doentio, agora que estava à frente deles eu notara que não estava preparado. Talvez nunca estivesse.

Não queria mais mortes, não queria mais dor.

Senhor Medo puxou uma arma e a disparou contra nós, liberando um gás que eu já conhecia. Gás do medo. E com isso começou a luta que já me esperava há meses.

Notas finais
Dor e sofrimento... Queria dizer que achei essa imagem no Pinterest e adorei ela, representa bem o Senhor Medo (o nomezinho brega para caramba). Todos os sites de hospedar imagem bugaram, então aqui está o link: https://static.comicvine.com/uploads/scale_medium/0/77/583301-dd_marko_djurdjevic105cf.jpg O próximo capítulo vai ser realmente dor no core e para quem não viu O Espetacular Homem-Aranha 1 e principalmente o 2, sugiro que veja, vai ter referências diretas. Acho que os dois estão na Netflix. E eu vou usar essa amizade do Peter com o Harry sim, obrigada! Um pouco de licença poética aqui. Uma das minhas partes favoritas foi o Wade chamando o Demolidor de tudo que é nome do demônio. Hihi. Como dizia o Cap, posso fazer isso o dia todo! Team Red!!!!!! Mas é isso por hoje, pessoal! Muuuito obrigada pelos comentários lindos no último capítulo!! Cada palavra que fez eu me emocionar!! Fofos, fofos, fofos!! E é claro, me contem o que acharam e não me escondam nada! O nome do capítulo simboliza tanto o contexto da história do Peter quanto o contexto da própria fic, já que esse é o primeiro capítulo do terceiro ato! Não querendo enfrentar o destino, mas, o próximo capítulo já está pronto, só falta algumas arrumações e alterações. Então, acho que daqui umas duas semanas, vai ter capítulo novo!! Que delícia hein. Seguimos todos surpresos comigo. Até lá, muchachos! Beeeeeijocas!!