Não apenas um bromânce
13 "Nossa" brilhante teoria
Notas iniciais
"Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido."
(Vinicius de Moraes)
— Nem sei o que perguntar primeiro... – Suspirei e passei a mão livre em meu rosto. – Há quanto tempo você sabe que eu moro aqui?
— Ah, então você mora aqui? – perguntou fingindo surpresa. – Eu não sabia, só vi você passando aqui perto e decidi descansar nesse apartamento. Mas até pensei que talvez fosse o caso, sabe como é, joguei verde para ver se colhia maduro.
Não soltei nenhum resquício de que eu pudesse dar uma risada de sua atuação. Talvez se eu não tivesse tão acabado, fosse o caso, mas em uma situação como a minha, eu só pensava o quanto a voz de Deadpool podia ser chata.
— Vejo que alguém aqui está de mau-humor... – Wade brinca virando para mim e apoiando sua mão na cabeça. Sua posição em cima da minha cama era engraçada, mas não o suficiente para que eu relaxasse.
— Eu só estou cansado, então se você pudesse responder as minhas perguntas logo, seria ótimo – falei seco e comecei a me dirigir para a cozinha. Ouço os passos de Deadpool vindo atrás de mim.
— O que houve com você?
— Nada. – Peguei dentro da geladeira uma garrafinha de água e tomei quase metade dela sendo observado pelo homem de vermelho de preto.
— Aham.
— Sim.
— Posso ver.
— Que bom.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, encarando um ao outro. Nesse momento eu quis arrancar aquela máscara idiota de sua cabeça. Eu queria realmente vê-lo, eu sentia eu estava em desvantagem ali. Meu rosto exposto, eu exposto. Isso não era algo legal.
— Por que você nunca tira a sua máscara? – pergunto sem conseguir frear meu eu interior.
— Por que você não quer transar comigo? – pergunta no mesmo tom. Semicerro meus olhos e olho para os lados.
— Eu acho que não entendi...
— Vamos fazer assim, responda a minha pergunta. – Deadpool aponta para mim com as mãos enquanto coloca seu rosto mais para à frente.
— Mas, mas... – tento falar algo, mas meu cérebro não trabalha rápido o suficiente, então eu simplesmente suspiro. – Porque eu não quero!
— Exatamente. Acho que essa resposta engloba bem os nossos questionamentos de agora – diz cínico.
Sinto apenas minha irritação crescer.
Tá que eu não era um poço de educação e carisma, mas ele estava na minha casa! O mínimo que ele tinha que fazer era ser legal comigo. Porque ele havia invadido a minha casa. E agora incomodava meu ego.
— Eu odeio você – digo e vou em direção ao meu quarto, mais especificamente meu guarda-roupa. Abro-o e sinto uma presença do meu lado.
— Você pode repetir isso o quanto quiser, mas não vai se tornar verdade. – Deadpool se recosta em meu roupeiro e posso sentir o sorrisinho cínico brincando em seus lábios.
— Não precisa se tornar, já é verdade. – Pego uma calça de moletom e uma camiseta branca de manga curta, indo para o banheiro logo depois.
— Pete, Pete... Está para nascer alguém mais iludido que você – Wade comenta dando uma pequena risada.
— Cale a boca, por favor. E pare de me seguir – digo o impedindo bem a tempo, antes que ele entre junto comigo no banheiro.
— Se eu não posso seguir você, por que eu estou aqui? – perguntou cruzando os braços.
— É essa a pergunta que eu estou me fazendo. – Bato a porta e a tranco rápido. – Tenha uma resposta boa para essa e a outra pergunta que eu fiz, quero saber depois que eu sair!
Respiro fundo e me recosto na porta. Eu estava sentindo que o mal-estar de antes estava começando a voltar. Eu sentia que por dentro e por fora eu estava tremendo, pouco, de uma forma sutil, mas tremendo.
Bom, por fora eu podia ter a prova. Levei minha mão até à frente do meu rosto e tentei deixá-la parada. Sem sucesso. Eu tremia. Ri sem humor e baixei meu braço.
— Nessas horas sinto inveja do Demolidor... “O homem sem medo” — murmuro.
Medo é uma ansiedade irracional, uma apreensão incontrolável, mas eu não podia me permitir sentir isso. Não sentir a ponto de me atrapalhar.
— Seu amigo da vizinhança... O Homem-Aranha – sussurro com um pequeno sorriso em meu rosto. Como eu sentia falta de dizer essa frase, de salvar as pessoas, dos sorrisos sinceros de alívio e felicidade que eu recebia logo que cumpria a minha missão.
Em contraposto, eu sentia ódio por esse poder que me fora dado.
Minha dádiva? Para o inferno que é isso é um presente na minha vida, já tirou muito mais do que trouxe.
No momento em que eu vesti esse uniforme, eu passei a salvar vidas.
No momento em que eu vesti esse uniforme, eu acabei com a minha vida.
Era difícil de aceitar, mas que tipo de vida eu teria salvando vidas, arriscando outras e nunca parando? Eu não tinha escolha. Se eu não salvasse as pessoas, eu sentiria uma culpa que não me permitiria viver. Se eu salvasse, eu automaticamente não poderia mais me relacionar direito com as pessoas, por medo.
Eu não tinha escolha, eu tinha que fazer o certo.
Isso nunca havia me afetado tanto quanto agora. Só, talvez, quando Gwen morreu.
— Que grande herói eu fui. – Dou uma risada sem humor e começo a tirar meu uniforme.
Quando sinto a água cair sobre minha cabeça e meu corpo, relaxo. Respiro fundo.
Eu não podia começar a desviar meus pensamentos para esse lado. Eu gostava de ser herói, era bom, era algo que eu me orgulhava, era algo que daria orgulho aos meus pais.
É uma das únicas coisas que eu faço certo na vida, não poderia desistir.
O que eu precisava era de férias, férias de ser Peter Parker e Homem-Aranha. Sem culpa ou medo, apenas ser uma pessoa normal descansando.
Talvez daqui a cinquenta anos eu consiga.
— Nem é tanto assim – comento.
Depois de tomar um banho rápido, saio do chuveiro e me seco, colocando minha roupa logo depois.
— Muito melhor... – murmuro sorrindo. A roupa, comparada ao meu uniforme apertado, era uma nuvem.
Enquanto vou abrindo a porta, o sono vai acertando o meu corpo. O cansaço e o estresse do dia haviam me pegado de jeito.
— Que demora, baby boy, estava aqui já começando a sonhar com nós dois juntos... – Wade começa a falar logo que saio do banheiro.
— E eu estava sonhando com você bem longe daqui. Bem longe...
— Sonhos nada inocentes – Wade termina sua fala, sem se importar comigo. Tento olhar feio para ele, mas sei que estou fazendo cara de chapado.
— Ah, foda-se. – Vou para o outro lado da cama e me deito, ignorando a presença de Deadpool. Mal deito e já sinto que Wade se aproxima.
— Pete, Pete— Deadpool sussurra cutucando minhas costas. – Hey, Pete, você está me ouvindo?
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...
Calma, Peter, só o ignore que ele vai embora.
— Peter Parker, Peter Parker, Peter Parker...— continua sussurrando cada vez mais próximo de mim. Continuo ignorando. – HOMEM-ARANHA!
— AH! – dou um grito de susto e pulo da cama, me virando rapidamente para o lado onde Deadpool estava.
— Ah, vejo que você está acordado. – Wade dá um sorriso, que consigo ver já que sua máscara havia sido levantada até o nariz.
— QUER CALAR A BOCA? – grito bravo, mas recebo apenas o sorriso de Wade se alargando.
— Não quer vir calar para mim?
— Se eu ir ai, eu vou te matar – ameacei o olhando irritado. Dessa vez nem tão chapado já que seu grito havia feito o favor de me despertar.
— Eu gostaria muito de ver você tentar.
— Eu não vou tentar, vou conseguir, agora fique quieto.
— Só se você me der um beijo – propôs dando um sorriso malicioso.
— Não.
— Vai, só um, por favor!
— Acho que seus milhões de anos nessa terra deixaram você meio esquecido. Caso não se lembre, não significa negação, quer dizer que eu não vou fazer nada que eu não quero, e que é para você fazer silêncio!
— Acho que você é que anda esquecido. Caso não se lembre, eu não costumo desistir tão fácil do que eu quero. – Reviro os olhos e bufo.
— Você é impossível.
— Não mais do que levar você para a cama.
— Cale. A. Boca!
— Só. Depois. De. Um. Beijo! – Fuzilo os olhos de sua máscara, e Wade sorri.
Sorri.
E sorri.
Ele sempre sorri, porque não importa o quanto ele esteja sendo idiota, e de quão longe ele está de conseguir o que quer, ele sempre vai estar bem. Sempre vai estar seguro. Sempre vai estar animado e louco.
Talvez eu tenha uma super inveja dessa habilidade.
— Você não vai ficar quieto, não é mesmo? – pergunto já suspirando.
— Só depois daquele tal beijo que a gente estava combinando.
Dou uma pequena risada e o encaro.
Se não se pode lutar contra o Diabo, aproveite, não é mesmo?!
Com movimentos rápidos, empurro seu corpo para que se deite completamente na cama, permitindo assim que eu ficasse por cima do mesmo. Sem esperar por qualquer reação, o beijo.
Wade havia ficado tão surpreso que arfou assim que nossos lábios se encontraram. O barulho que havia feito saiu mais para um gemido, o que me fez rir um pouco.
Mas logo ele se recuperou do susto e correspondeu ao beijo, deixando que eu explorasse sua boca, e ele a minha. Suas mãos apertaram minha cintura de forma bruta e desesperada, ele me prendia e me puxava cada vez mais para seu corpo.
Não seria mentira dizer que eu estava gostando daquilo. Wade era bom no que fazia, praticamente em tudo que fazia.
Coloquei uma das minhas mãos em sua nuca e outra em sua cabeça, puxando elas para mais perto. Meu corpo aparentemente queria esse contato mais do que eu imaginava. E minha mente também.
Era bom não se preocupar com Oscorp, Harry, medo, heroísmo, humanidade e tantas outras coisas, pelo menos só por alguns minutos.
Depois de um tempo, o ar começava a faltar, pelo menos para mim. Cessei o beijo e afastei meu rosto alguns centímetros.
— Pronto, já pode ir embora agora – digo tentando me afastar, mas seus braços me prendem mais ao seu corpo.
— Depois desse beijo é que eu não vou.
— Você disse que depois de um beijo, ia embora, recebeu o seu beijo, pode ir! – aviso colocando minhas mãos ao lado da sua cabeça, usando a cama para tentar me empurrar para longe.
— Eu estava falando de um beijo, um beijinho e tal, mas isso... Você praticamente abusou da minha boca. – Faço cara de nojo e fecho os olhos.
— Por que você diz coisas desse tipo?
— Eu sou louco e não tenho filtro entre meu cérebro e minha boca. Logicamente, não posso controlar o que falo e penso.
— Logicamente... Eu tenho poderes estranhos e você é imortal, onde está a lógica? – Sorrio e olho para Wade, vendo-o sorrir também.
— A lógica está no fato de eu gostar de você. Tipo, você é lindo, legal inteligente, um bom samaritano às vezes, e outras vezes um menino levadinho... Por que você ainda está sozinho? – Minhas bochechas coram seu comentário, meu coração acelera, mas ao mesmo tempo sinto-me um pouco mal por seu comentário me trazer lembranças não tão legais.
— Acho que é porque eu costumo matar, mesmo que indiretamente, as pessoas ao meu redor – comento dando um sorriso. Humor negro, não muito usado por mim, mas quem sabe não fosse bom aderir?
— Isso não vai ser um problema comigo – fala e sorri. E gosto desse sorriso. Suas palavras saíram rápido, e isso era bom. O que ele pensa, ele diz, mesmo que fosse ruim em outros momentos, era bom para horas como essa, onde você descobre como a pessoa se sente.
— Eu deveria ficar feliz por você ser imortal ou não?
— Acho que deveria ficar super feliz, como não eu posso morrer, finalmente você tem a chance de transar com alguém – comenta alegre. O que faz meu sorriso morrer aos poucos.
Humor negro, talvez não fosse uma boa começar a aderir. Acho que Wade já não sabia a diferença das coisas.
— Algo muito lindo de se dizer, deixa eu deitar aqui para digerir esse comentário sobre minha vida sexual e a morte das pessoas ao meu redor dito junto como seu fosse algo legal.
— À vontade, meu amor – Wade fala e dá um beijo na minha bochecha, colocando meu corpo ao seu lado na cama.
Impressionantemente, aquele gesto fez com que eu ficasse sem reação. Mais do que o momento de antes, mais do qualquer coisa que ele já tivesse feito. Eu sentia meu rosto quente.
Aquele gesto mostrava muito mais intimidade e carinho do que achei que tivéssemos.
Muito mais do que temos! Minha mente repreendeu.
— Eu acho... Que vou dormir – falo e viro para o outro lado, fechando os olhos fortemente.
— Você não acha que somos como eletromagnetismo?
— Quê? – questiono abrindo meus olhos.
— Digo, o nosso relacionamento – Deadpool continua seu raciocínio maluco. – Você é a eletricidade, eu o magnetismo... Precisa de nós dois para termos a eletromagnética. Saiba que a Física estuda nossas reações. E saiba mais, sabe o que é um campo eletromagnético? Bom, ele é composto de dois vetores campo: o campo elétrico e o campo magnético, ou seja, eu e você, ou seja, podemos chamar nossa relação como Eletromagnetismo, ou Campo Eletromagnético do Amor.
— Eletromagnetismo? Campo Eletromagnético do Amor? Você sabe realmente do que está falan... – Eletromagnética! Paro minha fala.
Vibração como um rádio, barulhos estranhos...
— Ele não voa, flutua com um Campo Magnético! – exclamo animado, sentando na cama.
— An... Quê? – Deadpool senta também.
— Como um velhote daquele teria tanta força nos braços? Ele não possuía o rosto de quem praticava exercícios e levava uma vida saudável. Ele não teria como bater as asas daquele jeito nem que quisesse... Por isso ele usa um Campo Eletromagnético!
— Velhote? Aquele que parecia um abutre?
— Sim! – Levanto da cama e começo caminhar de um lado para o outro, pensando. – Como você mesmo disse, para um Campo Eletromagnético ser um Campo Eletromagnético, ele precisa de vetores campo: o campo elétrico e o campo magnético. Juntos eles criam esse campo que permite que ele flutue, e não precise bater as asas! – Olho com um enorme sorriso para Deadpool, mas ele apenas me encara parecendo confuso.
Sua boca estava entreaberta, mas ele não dizia nada.
— Sabe, eu não sei do que eu estava falando, foi só uma cantada que eu li por ai – explica-se ainda me encarando. Respiro fundo, puxando fôlego para falar.
— A polaridade da Força eletromotriz induzida que provoca o aparecimento de uma corrente elétrica gera um fluxo magnético de sentido oposto à variação do mesmo fluxo, através do circuito fechado. Ou seja, com a redução do fluxo magnético no tempo, a corrente induzida cria um campo magnético com mesmo sentido do fluxo. E com o aumento do fluxo magnético no tempo, a corrente induzida cria o mesmo campo com sentido oposto ao do fluxo magnético...
— Peter, Peter, Peter... – Deadpool chama minha atenção enquanto estala seus dedos a minha frente. Paro minha explicação. – Eu não entendi nem sequer uma palavra do que você disse agora, então poupe o seu fôlego porque a gente pode usar para coisas bem melhores.
— Legal. – Suspiro e vou em direção do meu celular.
— Então você topa? – Wade questiona voltando a ficar animado.
— Topo o quê?
— Gastar seu fôlego com algo melhor!
— Não, preciso ligar para o Reed – digo apenas, concentrando minhas atenções no aparelho em minhas mãos.
— O Senhor Fantástico?
— Se você acha... – falo e abro um sorriso malicioso. Pela primeira vez sinto que Wade dá uma grande revirada em seus olhos.
— É o nome de trabalho dele, Peter, não é motivo para piadinhas.
— Shhh – Faço sinal de silêncio com uma mão enquanto a outra segura o celular em meu ouvido.
Eu já sabia o que precisa, uma nova onda de energia circulava minhas veias agora. Um problema parecia estar perto de ser solucionado.
Tinha que ser eletromagnetismo! Aquele velhote pode não ser forte, mas parecia inteligente. E com certeza estava ligado à Oscorp, que é o número um em criar coisas desse gênero.
— Alô?— Ouço a voz de Reed e sorrio.
— Oi, Reed, é o Peter!
— É Petey!— sussurrou Wade perto de mim. Fiz cara feia para ele e repeti o movimento de silêncio.
— Ah, Peter! Que bom falar com você, tenho feito alguns trabalhos aqui que acho que seria interessante você dar uma olhada. Você tem muito potencial, se conviver mais com esse meio, creio que pode ser melhor que eu!— Dou um sorriso.
— É muito bom ouvir isso Reed, e é sobre um trabalho que eu quero falar com você. Posso pedir para você construir uma coisa para mim? É pequena e fácil, garanto!
— E o que seria?
— Preciso de algo que embaralhe ondas eletromagnéticas.
— Ah, deixe-me ver... Creio que devo ter algo assim por aqui, Peter, é só vir buscar.
— Tudo bem, Reed, muito obrigado! Vou ai amanhã de manhã!
— Okay, Peter estaremos esperando. Johnny vem dizendo que vocês nunca mais se falaram, vai ficar feliz em revê-lo!
— Verdade! Até amanhã, Reed, e avise o Johnny que eu passo ai umas dez.
— Até, Peter.— Desligo o telefone e dou um sorriso olhando para Deadpool.
— O Tocha Humana? – questiona parecendo incomodado.
— Se você gosta de chamá-lo assim. – Sorrio malicioso mais uma vez. Vejo Deadpool bufar.
— Cala a boca, Peter – diz e cruza os braços. Desmancho o meu sorriso e encaro Deadpool.
— O quê? – Okay, eu dizia isso sempre para Wade, mas ele nunca havia me dito algo assim, e muito menos com esse tom.
— Nada – diz descruzando os braços.
— Não, pera... Você mandou eu calar a boca! –
— Não falei nada... – Deadpool parece amuado e constrangido, o que me faz rir.
— Falou sim! Já que você quer que eu cale a boa, farei!
Viro as costas para ele, apago a luz e volto para a cama, deitando virado para o outro lado.
Depois de alguns minutos, achei que Deadpool fosse embora, mas logo ele começou a se aproximar.
— Desculpe, Peter. – Consigo sentir a respiração de Wade em ouvido, o que faz meu corpo se arrepiar. Mas não digo nada. – Eu não quis dizer aquilo, eu só fiquei com...
Suas palavras param e isso chama a minha atenção, viro e fico de frente para ele. Só a luz que temos é a que vem da lua e atravessa a minha janela.
— Ficou com...? – incentivo-o a continuar.
— Com... Raiva! Err, quer dizer, eu fiquei meio irritado, sei lá, só porque você estava dando atenção demais para outra coisa e não para mim.
— Aham, sei. – Dou uma risada e volto a pensar no Campo Eletromagnético. – Foi uma teoria realmente genial que eu tive, não?!
— Que nós tivemos, não é mesmo?!
— Como assim “nós”?
— Fui eu que disse...
— Não, você só recitou uma cantada que tinha lido em qualquer lugar, eu é que tive a parte difícil!
— O quê? Sabe o quanto é difícil lembrar de nomes tão difíceis e ainda dizer com o meu charme? – Dou uma risada e Wade me acompanha.
— Tá, okay, okay, “nossa teoria”.
— Nossa primeira teoria... Sinto uma euforia enorme. – Deadpool sorri e logo em seguida me beija.
Só o que eu conseguia pensar era como é que as coisas tinham chegado a um ponto como aquele.
Mas era bom e eu estava feliz, então acho seguro dizer para todo o resto: foda-se!
Pelo menos por alguns minutos.
Fale com o autor