Não apenas um bromânce

14 Intimidade eu tenho com o meu uniforme


Notas iniciais
Descuuuuulpem a demora e desculpem se houver algum erro, ficou meio grandinho então eu posso ter dado uma de louca em algum momento! Não tenho muito o que dizer, qualquer coisa podemos nos comunicar por mensagens ou nos comentários.

Intimidade: uma relação entre dois tolos, providencialmente atraídos para a sua mútua destruição.

(Ambrose Bierce)

Depois dos acontecimentos tumultuados entre mim e Wade, decidi que o melhor que eu poderia fazer era dormir. Na verdade, minha única alternativa.

Virei para o lado onde Wade não estava, fechei meus olhos e tentei ao máximo não enlouquecer. Seu corpo a centímetros do meu era algo bom e incomodo ao mesmo tempo. Eu admito que realmente era uma coisa que eu apreciava, mas não era certo. Isso me tirava o foco, e isso era tudo o que eu precisava manter naquele momento.

Em minha cabeça milhões de pensamentos lutavam para conseguir um espaço maior, para ganhar o foco da minha pessoa. Mas eram tantas coisas que eu não conseguia me concentrar em nada.

Todavia, a pergunta de um milhão de dólares era: Como eu e Deadpool acabamos com intimidade o suficiente para estarmos deitados juntos na minha cama?

Eu poderia passar a noite toda pensando em uma resposta, mas NENHUMA seria coerente o suficiente para encaixar-se em uma desculpa para aquela cena.

Não havia razão, motivo e nem circunstâncias que eu pudesse dizer: Mas você tem que levar em conta que isso não é o que você está pensando.

É, é exatamente o que você está pensando.

Não, não exatamente, mas quase.

Não tardou muito para Wade aproximar seu corpo do meu e me abraçar. Senti que todo o meu ser e minha alma se arrepiaram, mas fingi costume.

Porque eu estava completamente acostumado a dormir com um assassino imortal.

Não me mexi nem um centímetro. Deixei que ele encostasse sua cabeça perto da minha nuca e partisse para o começo do seu sono.

Eu não tinha certeza se eu deveria fazer algo a não ser dormir. Com os meus olhos fechados, com a minha pele em contado com o uniforme de Wade e minha respiração tentando sair normal, eu podia ouvir os meus batimentos cardíacos.

Eles estavam acelerados.

Respirei fundo e disse a mim mesmo que aquilo era ridículo. Wade e eu não tínhamos nada de verdade, já era estranho o suficiente para que eu digerisse o que estávamos fazendo, se eu fosse rotular isso, tudo poderia ruir.

— Não vai dormir, não? – Deadpool pergunta, tirando-me de meus raciocínios.

— Ãh? Ah... Claro, só estava pensando. – Respiro fundo mais uma vez e aperto minha cabeça contra o travesseiro.

— Pensando se deveríamos transar ou não?

— Pesando se eu expulsava você ou expulsava você.

— Gosto mais da minha ideia – murmura contra a minha nuca dessa vez, fazendo sua respiração me atingir de jeito, junto com o leve toque de seus lábios. Sinto o meu corpo toda se arrepiar, mas ignoro esse fato.

— Shhhh, está atrapalhando minha produtividade sonífera. – Encolho-me mais ainda na cama, e Wade aproxima ainda mais seu corpo do meu. – Eu disse que eu queria dormir, não morrer sufocado!

— Shhhh, está atrapalhando minha produtividade sonífera – Wade responde dando um riso baixo. Reviro meus olhos, mas um sorriso escapa dos meus lábios. – Boa noite, Pete.

— Boa noite, Wade.

Fecho meus olhos, e ainda com um pequeno sorriso no rosto, vou adormecendo aos poucos. Deixando todo o cansaço e o estresse do dia apagarem-me. Mas só as coisas boas entrarem nos meus sonhos.

. . .

Algo se choca contra as minhas costas.

Respiro fundo, ainda estava ligado ao meu sono.

Algo se choca novamente contra as minhas costas.

Suspiro dessa vez, abrindo os meus olhos. Sento na cama e olho para o lado. Deadpool estava deitado rolando de um lado para o outro na cama. Apenas Wade para conseguir a proeza de fazer cenas ridículas e sem sentido como aquela.

— O que você está fazendo? – pergunto tentando manter a calma. Meus olhos ainda não haviam se acostumado muito bem com a claridade que entrava no quarto pela janela. E meu cérebro ia se ligando aos poucos, ou seja, eu não estava feliz.

— Eu fiquei entediado e você não acordava. Como eu sei que você ficaria bravo se eu acordasse você, eu só fiquei me distraindo – explicasse sentando na cama virado para mim, fazendo pernas de Índio.

— E você não me acordou agora? – questiono o olhando feio.

— Seu sono ser leve não tem nada a ver comigo. – Reviro meus olhos.

— Que horas são? – Esqueço esse assunto por agora e olho ao redor procurando o meu celular.

— São nove horas em ponto! – Olho para Deadpool e vejo-o sorrindo com o meu celular em suas mãos. Olho para ele, olho para o aparelho, olho para ele de novo e arqueio minha sobrancelha.

— Por que pegou o meu celular?

— Porque eu quis – responde simplesmente, dando de ombros.

— Porque quis?

— Sim.

— E por que você quis?

— Porque sim, Watson. Está fazendo as perguntas erradas, como de costume. – Wade sorri largamente diante de sua fala com referência à Sherlock. Eu teria que dar meu braço a torcer, ele sabia ser engraçado quando queria.

— E qual pergunta eu deveria fazer, Sherlock? – Entro na vibe, mas não deixo de dar uma pequena revirada em meus olhos, só para não perder o costume.

— O quê eu procurava e o quê eu encontrei... – diz misterioso, balançando o celular à minha frente. Tento raciocinar o que ele poderia querer com o meu celular, e o que ele poderia ter achado, mas nada concreto vêm à minha mente.

— Se acha que eu tiro fotos pelado, só lamento – digo sorrindo.

— Bom, além disso. — Deadpool vira meu celular para ele e o desbloqueia. Não, eu não tinha senha, eu não tinha o porquê ter, mas agora começava a pensar que talvez fosse uma boa. – Sabe, sempre achei que você fosse mais comportado, Spidey, mas até que levando em conta o seu uniforme, eu deveria suspeitar que você tinha um lado mais... Interessante, digamos assim – fala depois de pensar bem em algo não ofensivo, o que é um avanço.

— É, digamos assim.

— Mas olha só, parece que alguém gosta de flertar pelo celular... – Deadpool balança mais uma vez o celular em minha frente.

— Como assim? – pergunto cauteloso. Já estava com receio de onde aquela conversa iria dar, e arrependido de não ter pego o celular logo e esquecido tudo isso.

— Vamos apenas dizer que você e o Johnny parecem bem “próximos”. – Deadpool faz aspas com as mãos, enquanto ainda segurava meu celular em uma delas. Reviro meus olhos. Já sabia exatamente o motivo de tudo isso.

— Sabe, você deveria admitir logo que está com ciúmes e vamos acabar logo com tudo isso – digo sem rodeios. Nós não éramos mais adolescentes, principalmente ele. Esse negócio de ficar enrolando, tendo ciúmes e briguinhas era muito idiota.

— Para um super-herói eu estou achando você muito prepotente.

— É porque você ainda não conhece Tony Stark.

— Conheço sim, já até o roubei. – Encaro Wade e ele parece normal, mas havia acabado de admitir que já havia roubado Tony Stark! O Homem de Ferro! — Mas o foco do assunto não é esse...

— Como você o roubou?

— Quem é Harry? – Wade pergunta e eu congelo. Já sinto meu coração parar por um segundo, só para depois ele começar a bater mais desesperado.

— Como assim?

— Vi que você e um tal de Harry pareciam muito íntimos pelas conversas aqui... – Levanto o pulso direito, onde eu tinha um lançador de teia, miro certeiramente no meu celular na mão de Wade e jogo a teia, a puxando de volta logo em seguida. – Hey!

— Nunca mais mexa nas minhas coisas! – falo irritado, já levantando da cama e indo para o banheiro.

— Hey, como assim? – Ignoro Deadpool, mas logo que estou na porta do banheiro, ele vem e puxa meu braço, fazendo com que eu me vire para ele. – Quem é Harry?

— Ninguém! – respondo ríspido e puxo meu braço. Mas logo Deadpool pega o meu braço de novo, dessa vez quando estou de frente para ele, sinto sua outra mão agarrar meu outro braço.

— Por que está agindo assim? Quem é Harry? – Wade parece mais sério do que de costume, sem tom de voz denuncia um misto de irritação, confusão e preocupação.

— Eu já disse que não é ninguém! Por acaso sua ignorância está te deixando surdo? – Sinto suas mãos afrouxarem um pouco, parecia que eu o havia magoado um pouco. Solto um longo suspiro. – Vou me arrumar agora, depois podemos tomar café fora. A única coisa que eu tenho que fazer é estar às dez no Reed.

— A única coisa que nós temos que fazer, você quis dizer. – Seu tom volta a ser o animado de antes. Mesmo que fosse estranho a sua mudança de emoções ser tão radical em tão pouco tempo, era bom saber que eu não o magoava com a frequência que eu “tentava”.

— Tá, okay, okay. Me espera lá na sala. – Wade me solta e vai em direção à sala como eu havia dito. Entro no banheiro e fecho a porta atrás de mim, respirando fundo.

Olho para o celular em minhas mãos e meu coração pesa. Eu nunca tinha tido coragem para apagar as mensagens que eu havia trocado com Harry. Não importava o quanto ele havia me feito sofrer, ele sempre seria o meu melhor amigo. Ou a pessoa que ele era antes do Duende Verde.

Eu sei que eu estava agindo fracamente, guardar aquelas memórias era a melhor forma de acabar surtando. Mas eu não estava no auge da minha sanidade e saúde para tomar decisões desse tipo.

Deixei o celular no balcão da pia enquanto eu me arrumava. Vesti meu uniforme, ajeitei o outro lançador de teia no meu pulso e por fim ajeitei meu cabelo no espelho.

Voltei para o meu quarto, vesti uma calça jeans e uma blusa de maga comprida, tudo que fosse mais confortável e bom para esconder meu uniforme. Coloquei meu tênis, arrumei minha mochila com meu celular, carteira, luvas e máscara.

Depois de tudo pronto, coloquei minha mochila em meu ombro e fui para à sala. Quando olho para a mesa vejo Deadpool com uma arma na mão, ele passava um pano nela com uma delicadeza estranha.

— Quando é o casamento entre você e essa arma? – zombo me aproximando.

— Nós já nos casamos, não é, meu amor?! – Deadpool olhar a arma e dá um beijo nela. Franzo minha testa olhando para a cena.

— Espero não ter atrapalhado o momento íntimo então, mas precisamos ir. – Viro de costas para Wade e começo a ir em direção à porta. Abro-a e espero Deadpool terminar de ajeitar suas armas e depois me seguir. Fecho a porta atrás de nós e sigo na frente. – Se alguém me atacar, você já sabe o porque.

— Ninguém vai atacar você, eu estou do seu lado.

— Vamos ver então.

— E se atacarem, eu te protejo. – Deadpool sorri malicioso e abaixa sua máscara.

Enquanto caminhávamos para a cafeteria, todas as pessoas, sem exceção, olhavam para nós. Mais especificamente para pessoa com a roupa vermelha super discreta ao meu lado.

— Você é tão comum quanto um carro alegórico passando pelo Antártico – comento sarcástico, dando uma risada.

— Esse é um dos meus charmes, por acaso está com inveja da atenção que estou recebendo?

— Na verdade, é bom não ser o alvo de inúmeros olhares. Às vezes gosto de pensar que eu não sou um super-herói, só um garoto normal.

— E qual a graça de ser um “garoto normal”? – Deadpool pergunta quase como se me repreendesse.

— Ah, sei lá, quem sabe não ter assassinos na sua cola, pessoas para salvar e vilões para enfrentar?

— Desse jeito a gente não teria se conhecido, e além do mais, não desdenhe dessa vida e inveja o cotidiano sem graça dos outros. – Wade realmente parecia querer me mostrar o lado bom da nossa vida, mas eu já havia pensado tempo demais no assunto para saber que eu realmente desejava uma parada.

— Eu queria só um descanso, uns dias sem ter que me preocupar com nada e lutar com ninguém – desabafo suspirando.

— Você já está viciado em adrenalina, não aguentaria nem um dia sem a emoção de fazer o que você faz. E isso é um fato, os seres humanos se adaptam rápido e perfeitamente a qualquer situação, você se adaptou à essa, mudar radicalmente seria um choque. – Wade termina sua explicação com alguns gestos de mão. E eu fico calado absorvendo o que ele havia dito.

Estranha e surpreendentemente, o que ele dizia fazia todo o sentido. Esse fator não havia entrado em meus devaneios.

— Além de tudo, o que você faz e passou transformou você no que é hoje. Se você mudasse, não tivesse nada disso, é como se enterrasse o Peter que você é hoje.

— Eu sei... – murmuro. Mas eu não sabia. Esses fatores passavam bem longe da minha cabeça, só o que eu fazia era reclamara e me lamentar mentalmente. Nunca havia parado para refletir mesmo o que significava uma parada, eu não ter poderes, as pessoas que eu gosto estarem vivas... E realmente Wade tinha ração, se eu voltasse no tempo e impedisse que eu fosse picado por aquela aranha, eu automaticamente mataria o Peter de agora.

Mas a questão era: eu gostava do Peter de agora?

— E eu gosto do Peter de agora, então nem pense mais em bobagens – Wade falou como se pudesse ler minha mente. Assinto levemente com a cabeça.

Chegamos à cafeteria logo que a conversa termina. Entro seguido de Wade. Pedimos Donuts e dois Cappuccinos. Depois de os pegarmos, nos sentamos em uma mesa ao lado da janela.

— Esses Donuts são incríveis! – Wade elogia animado, logo depois enviando mais das rosquinhas em sua boca.

— Que visão agradável estou tendendo... – comento cínico.

— Eu também. – Wade sorri malicioso e eu coro de leve, fazendo com ele ria. – Mas então, há quanto tempo você e o Tochazinha são amigos?

— Quer realmente falar sobre isso? – questiono sarcástico enquanto sorrio.

— É claro, tenho que conhecer o inimigo.

— Inimigo?

— Inimigo! Ele pode achar que você pertence a ele, mas eu vou garantir que ele saiba que você é meu. – Coro mais ainda e desvio meu olhar. Mas logo em seguida eu suspiro e volto a encará-lo.

— Primeiro, eu pertenço a mim mesmo, muito obrigado. Segundo, você vai se comportar enquanto estivermos lá. E terceiro, você tem sérios problemas, Wade! – termino minha fala e coloco um dos Donuts em minha boca.

— Eu sei, Peter, e isso é o que você mais ama em mim. – Wade coloca sua mão na boca e me lança um beijo, fazendo um coração com as mãos depois.

— Come logo, vamos nos atrasar – repreendo, mas sorrio mesmo assim.

Wade era um caso sério a ser estudado.

. . .

Quando estamos em frente ao Edifício Baxter, viro para Wade.

— Prometa para mim que você não vai dar uma enlouquecida lá dentro e falar mais palavras do que tem na Bíblia! – peço olhando diretamente os olhos da máscara de Wade.

— Senhor, sim senhor! – Wade responde batendo continência, rindo é claro.

— Okay. –Suspiro e entro com Deadpool logo atrás.

Encontro o porteiro, que sorri para mim. Falo onde quero ir, ele faz uma ligação e logo estamos liberados. Entramos no elevador e escolho o andar, parando ao lado de Wade enquanto esperamos.

— A gente bem que podia se pegar agora – diz casualmente como alguém que comenta sobre o clima.

— Eu vou ignorar...

— Iria ser bem legal.

— ...para não eu não acabar me estressando à toa – termino minha frase enquanto me abstenho do que Wade fala.

Alguns segundos se passam em completo silêncio, com nós dois parados dentro daquela caixa. Mas a paz não durou muito, logo sinto a mão enluvada de Deadpool tocar a minha mão, tentando a pegar.

Chacoalho minha mão, a libertando, e depois dou um tapa na mão do homem de vermelho.

— Para! – brigo irritado.

— Por que você não quer ficar de mãos dadas comigo? – questiona fazendo voz de magoado.

— Por que você não para de ser idiota? – imito sua voz, só que com um teor enorme de sarcasmo.

— Como você está bravinho, parece até que não quer que vejam que somos um casal.

— Deve ser porque nós não somos!

— Somos sim! – responde teimoso, mas ainda sim animado.

— Não somos não! – retruco nem um pouco a fim de dar o braço a torcer, nem que isso parecesse infantilidade.

— Somos sim!

— Não!

— Sim!

— Não!

— Sim!

— NÃO! – grito e vejo as portas do elevador se abrirem, revelando Reed e Johnny parados nos esperando. Respiro fundo e ignoro a vermelhidão que sei que estou, tanto por vergonha quanto por raiva. – Olá, pessoal!

Johnny dá um sorriso malicioso.

— Olá, Peter Parker! Há quanto tempo, não é mesmo? – Sorrio e saio do elevador indo em sua direção. Johnny abre seus braços e logo me abraça, forte o suficiente para me tirar um pouco do chão. Fico um pouco surpreso, não retribuindo no mesmo tom. – Não precisa se conter, sei que sentiu falta da minha pessoa maravilhosa.

— Mas é claro – respondo sarcástico enquanto reviro os olhos. Viro para Reed e ele estende sua mão, faço e o mesmo e nos cumprimentamos. – Tudo bem, Reed?

— Tudo sim, e com você, Peter? – Reed pergunta amigável, com um sorriso amistoso nos lábios.

— Sim, está tudo bem sim – respondo e ouço uma risada vinda de Wade. Continuo sorrindo, mas agora mais parecia uma careta. – Tenho certeza de que já conhecem Deadpool – aponto para Wade, e ele logo vem mais para frente.

— É o assassino imortal, não é? – Johnny pergunta, mas soa mais como uma piada.

— Bom, sei mais do que assassinar e ser imortal, mas é isso mesmo. – Olho para Johnny e para Wade. Eles se encaram, Johnny com um sorriso presunçoso, e Wade também, provavelmente. Mas eu não podia ter certeza já que o mesmo estava com a sua máscara tapando todo o seu rosto.

Depois de alguns segundos, o sorriso de todos estava começando a ficar estranho. Pigarreio e mordo os meus lábios.

— Mas então, conseguiram o que eu pedi? – questiono mudando o foco de tudo.

— Sim! Digamos que foi bem fácil comparado ao que nós fazemos aqui – Reed respondeu sorridente, parecendo bem feliz de ter ajudado, ou ter tido mais algum projeto para fazer. – Venha, deixa que eu lhe...

— Não! Deixa que eu mostro! – Johnny se pronuncia de supetão, fazendo todos tomarem um leve susto. Nós três o encaramos, mas Johnny apenas abre mais o seu sorriso. – Reed, você está ocupado com o seu projeto com o Tony, deixa que eu ajudo o Peter. Afinal de contas, temos vários assuntos para pôr em dia. Não é, Peter? – Johnny olha para mim, e logo Reed e Wade também.

— C-claro. É... – respiro fundo e ignoro o fato de ser uma situação estranha. Também tento me abster do fato de eu quase poder sentir o olhar de Wade sobre mim. – Temos muita coisa para conversar, sim! Faz tipo... Séculos que eu não venho aqui e falo com o Johnny...

Tento sorrir o máximo possível, Johnny faz o mesmo. Os olhares que ele lança para mim me confundem. Esses olhares são de quem tem algo para falar ou perguntar, mas não posso ter toda a certeza.

Reed olha para nós dois, e posso jurar que por uma fração de segundo a seguinte palavra passou pelos seus olhos: idiotas.

— Tudo bem, Johnny tem razão, preciso mesmo me concentrar em meu projeto com Tony, Hank vai querer saber se tivemos progressos.

— Hank Pym? – pergunto.

— Sim, ele mesmo.

— Que projeto é esse que evolve as três maiores mentes da terra? – questiono com um misto de surpresa e empolgação. Professor Xavier que me perdoe pelo que eu disse, mas Tony Stark, Reed Richards e Hank Pym eram fodas.

— Ah, é só mais um projeto, nada demais. – Reed dá uma risada fraca e passa as mãos no cabelo como se estivesse nervoso. – Acho que vamos nos despedir por aqui. Foi ótimo ver você, Peter! Espero mesmo que o Embaralhador de Ondas Magnéticas o ajude.

— Okay, muito obrigado, Reed. – Estranho suas reações, mas apenas ignoro.

— Até! – Reed abana para mim e para Deadpool, depois nos dá as costas e volta para uma sala.

— Estranho... – Deadpool comenta.

— Reed é estranho, ponto final. Vamos lá, Peter! – Johnny passa um braço pelos meus ombros e me puxa em direção ao corredor. – O Embaralhador de blá blá blá está na sala onde Reed guarda as invenções menores.

— Embaralhador de Ondas Magnéticas.

— Eu sei o nome, Peter, só acho grande e idiota demais para eu falar. – Reviro os olhos e sorrio.

— Que saudade de você, Johnny! – comento irônico.

— Eu sei, eu sei... – Johnny dá uma risada e depois deposita um beijo em minha bochecha. Olho para ele rapidamente, com o olhar de “Que porra você está fazendo?”. O integrante do Quarteto Fantástico apenas sorri malicioso e faz um sinal para eu ficar quieto.

— O que...

— Deadpool! Nos espere aqui rapidinho, eu e o Peter vamos só ali na sala e já voltamos.

— Mas o que vocês vão fazer ali na sala? – Wade questiona com sarcasmo na voz.

— Os seus melhores sonhos ou piores pesadelos. – Johnny dá uma piscada para Wade e depois me puxa para dentro de uma sala, fechando a porta logo em seguida.

Vejo o Tocha me fuzilando e depois me prensando contra a parede com o seu corpo.

— Vamos devolver essa intimidade que eu não te dei? – pergunto tentando manter meu coração, minha respiração e o meu ser normais.

— Posso te dar mais do que isso... – Johnny levanta sua sobrancelha e me olha malicioso. Suas mãos vão para a minha cintura, e as minhas ficam levantadas. Parecia que eu estava com medo ou nojo do homem à minha frente, mas eu apenas não sabia bem o que fazer.

— Olha, nós já passamos por situações assim, porém não me lembro de ter permitido que isso continuasse.

— Você adora estar perto de mim, Pete. Admita. – Storm quase sussurra aproximando seu rosto do meu. – Pertinho...

Sua aproximação e contato com o meu corpo me fazem queimar. Eu não precisava olhar em um espelho para saber que eu estava completamente vermelho.

— TÁ BOM! Afasta! – digo autoritário, dando um empurrão de leve no loiro, que à essa altura gargalhava.

— Você fica muito fofo quando está corado, Pete. – Johnny ri mais ainda, afastando-se de mim. – Você sempre fica do mesmo jeito quando eu faço isso, é demais... – Reviro os olhos e bufo.

— Então eu acho que você deveria parar de fazer isso!

— Mas nem pensar que eu vou perder de ver você desse jeito, todo irritadinho e com vergonha. – Trinco os dentes. Johnny era um cara bem legal, um amigo divertido, mas uma pessoa extremamente irritante. Wade e ele deveriam fazer um concurso para saber quem é o mais idiota.

— Tá, tá legal, muito engraçado, há há, agora pode parar de escândalo. – Johnny respira fundo, logo parando de rir, mas mantendo o seu sorriso de sempre.

— Desculpe, Pete, mas é quase uma tradição isso, você vai ter que se acostumar. – Com “isso” ele se referia ao fato de ele dar umas loucas e decidir me agarrar de brincadeira. Mesmo com os meus protestos, ele continuava com essa brincadeirinha.

— Espero que você se acostume a apanhar então.

— Só se for de você. – Novamente Johnny sorri malicioso. Reviro os olhos, cruzo os braços e mostro a língua para ele como uma criança.

— Você é um chato e desocupado, é isso. Agora me mostre logo onde está o Embaralhador de Ondas Magnéticas que eu tenho muito o que fazer.

— Eu mostro sim, desde que você não diga esse nome de novo. – Johnny revira seus olhos e vai em direção à um balcão que havia dentro da sala onde estávamos.

Dou uma olhada e vejo que o lugar era como uma pequena oficina. Mas mais limpa e modelada à uma forma que pudesse ficar dentro de casa como um cômodo qualquer.

— Você e o Deadpool... Devo dizer que fiquei meio surpreso – comenta chamando minha atenção.

— Meio surpreso por que?

— Eu sempre achei que você tivesse fortíssimas tendências homossexuais, isso não é surpresa. Afinal, sua voz, seu corpo, sua roupa, seu modo de agir, pensar, se expressar, seus precedentes...

— Tá, tá, já entendi, vai para a segunda parte. – Respiro fundo quando Johnny ri.

— Mas estar com o Deadpool... Isso eu não estava esperando. Peter Parker, sempre dá um jeito de me impressionar – Johnny diz e volta para perto de mim. Seu sorriso é largo. – Aqui está sua engenhoca high-tech, espero que faça bom uso.

— Muito obrigado – agradeço pegando o aparelho na mão e dando uma olhada nele. Ele era pequeno e parecia um celular prateado antigo. – E não tem nada entre mim e Wade para que você fique surpreso.

— Então quer dizer que eu já deveria esperar?

— Quer dizer que não tem nada entre nós!

— É claro que não tem nada entre vocês, é por isso que podem ficar juntos! – Passo a mão no rosto e dou uma risada.

— Essa foi péssima!

— Eu digo que foi verídica. – Johnny dá mais uma risada e depois me encara, um pouco mais sério. – Mas me conte, Peter.

— Cara de sério? Isso me dá muito medo vindo de você, Johnny, por favor, não faça!

— Agora é sério, Menino-Teia, o que há entre você e o Deadpool? Nem tente negar, Parker! Você mostrou sua identidade para ele, pareciam bem amigo, na verdade, bem íntimos agora há pouco e você já o chama de Wade.

— Mas é sério, não tem nada! – respondo firme, mesmo sabendo que era mentira.

— Nada tem na cabeça do Coisa. Comece a falar ou pode se arrepender, sabe que posso fazer escândalo se eu quiser.

— Ah, o Ben está por aqui? Faz tempo que não o vejo, seria legal vê-lo de novo – tento desconversar e mudar o rumo da conversa. Porém, a recíproca é verdadeira, eu não via Bem há tempo e estava com saudades.

— Nem tente fugir das suas responsabilidades, Parker! – Johnny me repreende e me fuzila, seu olhar é quase assustador. – O que você e Deadpool estão fazendo?

— Nada – respondo rápido e claro, mas mantendo meu tom de voz firme. Ponto para mim.

— O que vocês estão fazendo? – continua no mesmo tom, chegando cada vez mais perto. — Somos melhores amigos, tenho o direito de saber.

— Mas nós não estamos fazendo nada!

— Parker!

— Storm!

— Wilson! – Wade grita e abre a porta, nossos rostos viram para ele. – Achei que precisava fazer isso. E creio que isso responda a sua pergunta: estamos dormindo juntos.

— Peter! – Johnny grita e sorri com sua boca aberta. Ele parecia surpreso, empolgado e com a cara de alguém que inventou uma nova piada para usar sempre. De certa forma era isso mesmo.

— Não estamos dormindo juntos! – falo alto.

— Então o que foi aquilo ontem? – Wade questiona, posso ver seu sorriso malicioso e sacana do tipo “ferrei você, queridinho” estampado em seus lábios, já que o mercenário decidiu levantar um pouco de sua máscara.

— É, Peter, o que foi aquilo ontem? – Johnny me encara da mesma forma.

— Okay, ontem nós dormimos juntos, mas não é o que você está pensando – admito uma parte da história, porém não importava a forma como eu dissesse, sempre saía estranho.

— É da forma que você está pensando mesmo – Deadpool afirma.

— Não é não! – protesto irritado.

— É sim, Peter, pare de chilique!

— Não é não, e pare você de falar, Deadpool!

— E que forma eu estou pensando então, Peter? – Johnny questiona e levanta sua sobrancelha. Olho irritado para ele, mas não posso evitar de dar uma pequena corada.

— Não importa, não é!

— Mas eu só estava pensando que vocês apenas dividiram a cama para acabar com o cansaço e sono do dia, nada demais. Se não foi isso, o que houve?

— É, Peter, o que houve então? – Wade e Johnny agora me encaram com tons “inocentes”. Sorrio irônico e passo meu olhar de uma para o outro.

— Vão. Se . Foder! – apenas digo isso e dou as costas aos dois, saindo do cômodo e indo em direção à saída.

Quando já estou no elevador, Wade aparece.

— Olha o Santo Potter ai. – Wade entra no elevador comigo e as portas se fecham. – Ou no seu caso, Santo Parker.

— Isso foi uma referência a...

— Harry Potter. Foi sim, nada melhor do que Harry Potter. Ai, ai... – Wade fala de uma maneira que realmente demonstra que ele gosta, e isso me pega de surpresa.

— Não sabia que você gostava de Harry Potter

— Há muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim, Spidey. – Wade me encara e eu sustento. – Eu joguei uma piscada para você.

— Obrigado por avisar. – Dou uma risada curta e desvio o olhar. Mais alguns segundos e as portas do elevador se abrem.

Eu e Deadpool saímos do edifício Baxter e começamos a caminhar pela calçada. Só percorremos alguns metros e eu vejo algo que me chama à atenção. Volto alguns passos e encaro a vitrine à minha frente, ela esbanjava algumas televisões HDs, todas passavam a mesma coisa, um jornal.

Abutre ataca novamente. Loja de diamantes é vítima.

— Abutre? Esse nome foi rápido... – Vejo que as imagens que estão sendo mostradas eram ao vivo, olho para o Embaralhador em minha mão e dou um sorriso. – Wade, está a fim de acabar com um criminoso?

— Tudo por você, amor. – Deadpool murmura passando seus braços ao meu redor e me abraçando. Tiro seus braços e me afasto.

— Sem agarramentos e nada de “amor”!

— Mas nós nos amamos e já somos íntimos!

— Intimidade eu tenho com o meu uniforme e amor eu tenho pela minha câmera – respondo curto. Wade abre sua boca em um O perfeito e põe a mão sobre o peito.

— Pesado, extremamente pesado, Peter. Você é muito rude.

— Eu sei, uma das coisas que você ama em mim – imito Deadpool com a voz irônica enquanto dou uns suspiros. Wade ri e ajeita sua máscara.

— Vamos à luta então, docinho.

— Vamos mesmo, antes que eu me arrependa de ter te convidado. – Viro de costas e começo a caminhar, logo Wade já está ao meu lado. Ele caminha comigo ao mesmo tempo em que canta e dá uma dançadinha. O número de olhares lançados para nós triplica. Suspiro alto. – O que eu fiz a Odin para merecer isso?

Notas finais
Quero saber o que acharam *0* Até o próximo capítulo!!!! Lembrem-se que a Bruna ama vocês ♥ (sério, gente, seus comentários me fazem ficar muito feliz e dar muitas risadas às vezes!!!) Beeeeeeeeeeeeijos s2 P.S. Estava escrevendo e lembrei de Harry Fucking Potter, não pude deixar de colocar.