Não apenas um bromânce

19 E a tão forte paixão


Notas iniciais
E foi no octogésimo sétimo dia que Bruna criou o capítulo 19. GRAÇAS A MERLIN! QUERIDOS, CHEGUEI! Sim, sou eu mesma, em icon da Margot e palavras confusas! Vou ser breve e sucinta aqui, temos coisas mais importantes para ler. Mil desculpas, meus amores, mas acho que vocês já notaram que esses lapsos de sumiço são parte da minha natureza! Foi mal aé pelo vacilo! Mas então, quero deixar claro aqui que imagino o Peter morando em Manhattan, porque tá tudo lá! Torre dos Vingadores, Hell’s Kitchen, o bonde todo. Então, é isso muchachos. Esse capítulo começa melancólico, mas começa a pegar um foguinho lá no final. Hihi. Apenas leiam.

A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.

(Roger Bussy-Rabutin)

Arrependimento.

Uma das coisas que eu mais odeio nesse mundo é arrependimento. E com certeza se ele matasse, eu não estaria aqui para contar essa história. O que eu nem sei mais se seria tão ruim assim. Odeio me sentir mórbido, mas não é como se eu tivesse muita escolha ultimamente.

Nem se o colchão onde eu estou deitado agora fosse dez vezes mais confortável, ou o travesseiro onde está minha cabeça fosse como uma nuvem, eu me encontraria em um estado que pudesse ser catalogado de “bem”.

As imagens de Beck se matando não saíam da minha cabeça, elas ficavam se repetindo e se repetindo. Porém não era só isso que meu cérebro rebobinava, eu gritando com Wade era outra das cenas favoritas da minha mente agora.

Eu sabia o porquê havia feito aquilo, eu estava com raiva, confuso e assustado. Também me sentia pressionado e posto a prova ali. E mesmo parecendo que o que eu mais precisava naquele momento era ajuda, na verdade era exatamente ao contrário.

As palavras de Beck calaram fundo em mim. E talvez eu realmente não devesse levar tão a sério as palavras de um criminoso com problemas psicológicos a beira da morte. Mas isso era mais fácil de falar do que de fazer. Quando há vidas em jogo, tudo se torna mais complicado e difícil.

E eu não sentia mais nenhuma vontade de ler os arquivos que eu trouxe, eu não sentia mais tanta raiva ou desespero. Só arrependimento.

Arrependimento.

Não, não tinha mais nenhum vestígio de mim que quisesse gritar com Wade, agora eu apenas queria abraçá-lo. Queria que ele estivesse aqui comigo, queria que ele tentasse me animar ou falasse algo idiota. Ou só ficasse em silêncio. Na verdade eu queria que ele realmente apenas ficasse aqui comigo.

Acho que as pessoas não notam quando acontece de alguém se tornar tão importante para a sua vida, simplesmente em algum segundo do seu dia você repara no quanto a pessoa faz falta. Quanto você se acostumou com ela e quanto você a quer perto de si.

Alguns meses atrás eu não derramaria nenhum lágrima por sentir falta de Wade ou por arrependimento a algo que eu fiz a ele.

Mas nesse instante isso aconteceu.

E como o fato de ele se tornar alguém importante para mim, eu também não notei quando ocorreu. Quando eu me dei conta, já estava com o meu rosto molhado e minha visão embaçada.

Eu não sabia se eu estava fragilizado demais nesses últimos meses, bom, eu sabia na verdade, e estava, mas não sabia se esse era o motivo por estar sentindo esses sentimentos por Wade.

Talvez fosse um dos motivos. Mas não importava, eu poderia passar décadas tentando entender sentimentos, entretanto nunca obteria um resultado. São sentimentos!

E desde quando eu me tornei tão sentimental?

Mais uma pergunta para a lista de Perguntas que Nunca Serão Respondidas.

Eu apenas queria Wade aqui, não queria pensar em nada, não agora.

Já era noite, já estava escuro e pouca luz da cidade entrava pelo meu quarto pela janela. Havia pouco barulho na rua, como se todo mundo decidisse ficar silencioso hoje. Era uma sensação de vazio e frieza que havia se apossado de mim e de tudo ao meu redor.

Não movi um músculo enquanto tentava dormir. Mesmo sem saber ao certo, tinha quase certeza que ficara acordado naquela posição por horas. Até que os meus olhos pesaram e os fechei.

E depois os abri. Havia a claridade da manhã, mas era como se eu apenas tivesse piscado.

Uma dor em meus olhos me fazia acreditar que eles estavam inchados. Ótimo.

Sentei na cama e senti todo o meu corpo dolorido, desde as minhas pernas até a minha cabeça. Dei um gemido baixo e olhei para os lados. O quarto estava exatamente igual a como eu o havia deixado.

Vazio, frio e solitário. Mas agora com luz.

Tudo o que eu queria ouvir agora era algum barulho ou voz pela casa que indicasse que Wade estava aqui. Mas não ouvi. Parece que ele sempre faria o contrário do que eu queria e esperava.

Mas mesmo que eu dissesse para mim mesmo que eu queria virar um vegetal até que tudo estive resolvido, isso não iria acontecer. Então apenas levantei da cama e fui em direção ao chuveiro.

Tomei banho, me sequei, me vesti e sentei na ponta cama. Achei que se eu tivesse coragem de me levantar e fazer algo, isso me daria algum ânimo. Mas não foi o que aconteceu.

Dei um longo suspiro e olhei ao redor, meus olhos pararam então na minha mochila. Senti um aperto no coração por saber qual era o conteúdo dela. Mesmo assim me levantei e fui em sua direção, sentei no chão e a abri, encontrando vários papéis um pouco amassados lá.

Peter Parker

Homem-Aranha.

Duende Verde.

Harry Osborn.

Não aguentei ler nem uma frase inteira das folhas. Joguei-as para um canto do quarto e fui vestir meu uniforme. Não me importei se alguém veria que era o Homem-Aranha saindo pela minha janela, isso não era algo que me incomodava agora.

Era possível sentir um pouco de vento em meu rosto, mesmo com a máscara. Isso era bom. Mas era algo que vinha com um peso, estar com esse uniforme, assumir meu papel de Homem-Aranha, tudo isso vinha com uma bagagem. Estava sendo pesado demais para mim nos últimos dias, mesmo assim o vento era bom.

Recuperei a bolsa de uma mulher que havia sido assaltada, evitei um acidente de trânsito, ajudei a recuperar feridos de outro acidente. E o tempo passou. Mas a verdade era que os meus olhos e os meus sentidos não estavam procurando por pessoas para ajudar, eles estavam procurando uma pessoa em específico.

Eu procurava Wade.

Olhava para prédios, ruas, becos, qualquer lugar, mas ele parecia ter desaparecido hoje. Eu realmente queria que o fato de ele não ter aparecido não tivesse envolvimento com o que eu fiz ontem. Mas tinha, eu sabia disso.

Quando senti uma dor em meu estômago e um cansaço que abateu todo o meu corpo, voltei para casa. Comi algumas rosquinhas que eu ainda tinha e saí novamente.

Não queria ficar sozinho. Na verdade, nesse instante o que eu queria era poder gritar para que Wade voltasse e me desculpasse. Mas fiquei quieto, apenas olhando pela cidade.

O sol foi se tornando mais forte e depois mais fraco. Fui para os arredores da cidade, onde era mais calmo, e achei um prédio alto logo ao lado de uma igreja. O lugar era calmo e quase vazio. Sentei no parapeito do prédio e observei o pôr-do-sol. Ou parte dele. Uma voz atrás de mim me despertou do meu torpor:

— Homem-Aranha. – Virei meu rosto para trás, estranhando a voz, porém achando ela um pouco familiar também. Quando bati meus olhos em uma figura de vermelho, meu coração se acelerou por míseros segundos – fato decorrido pela maldita associação de cores -, mas logo analisei bem a pessoa e notei de quem realmente se tratava.

— Demolidor. – Dirijo minha visão para frente de novo, porém com um sentimento de extrema curiosidade se apossando de mim. Não havia ouvido nem sequer um barulho que fosse traduzido para minha cabeça como anormal ou perigoso. Não tinha certeza se era porque eu estava efetivamente distraído ou em razão da sua clara habilidade em ser rápido e discreto. Creio que seja os dois.

Noto que ele passou os segundos em que eu me encontrava pensando em um silêncio, silêncio que parecia de análise. Sentindo-me um pouco incomodado com isso, decido começar a falar:

— Há algum motivo para você vir de encontro a minha pessoa ou estava pulando por uns prédios e decidiu me presentear com a sua ilustre presença?

Silêncio.

Após alguns segundos começo a me achar um idiota por fazer uma piada para o Diabo de Hell’s Kitchen. Mas agora já tinha ido.

— Eu já queria falar com você, ver que estava por esses arredores fora uma coincidência – Demolidor responde com sua voz grave e rouca, porém, com amenidade.

— Ah – é a única coisa que consigo responder. Não estava me sentindo em um momento muito comunicativo. E seja lá o que é que ele queria me falar, não deve ser de natureza agradável. Volto a olhar o pôr-do-sol e vejo já seus quase últimos resquícios.

— Você conhece um homem de nome Zoltan Drago? – Giro meu pescoço tão rápido para trás que tenho a impressão que ele irá quebrar. Claro que sinto uma pontada de desconforto, porém ignoro.

— Como você o conhece? – Ouço minha voz sair desesperada e vacilante e me martirizo com isso. A impotência e controle do homem atrás de mim é tão grande que me sinto minúsculo, e perdido. Não era necessária essa cena para diminuir minha autoestima e imagem mais ainda.

— Enquanto estava investigando, me deparei com alguns depoimentos, de pessoas não muito aprazíveis, que me levaram a alguns nomes. Zoltan Drago era um deles – sua voz sai grave e acentuada, o que causa inúmeros efeitos sobre mim e meu corpo. – Homem-Aranha era outro.

Levo meu olhar de encontro ao seu, que na verdade era apenas mais uma parte da sua máscara. Sinto meus olhos um pouco maiores e uma quase careta em meu rosto. Saio do parapeito onde estava sentado e fico de frente para Demolidor, mantendo uma distância segura.

— Mas o que... Eu não fiz nada ilegal! Eu acho... – Recapitulo as últimas semanas da minha vida e sinto uma pontada me atingir. A ignoro. Mas tenho quase certeza de que ainda não estou realmente metido com a escória. – O que você estava investigando?

— Isso não lhe interessa – responde indelicadamente grosseiro.

Na verdade, me interessa muito! Sinto vontade de expressar meus pensamentos, todavia, aquele homem realmente tinha uma presença e sabia se impor. Apenas suspiro.

— Okay, então o que ouviu sobre Zoltan Drago? E o que ouviu de mim?

— Nada muito concreto, ainda. Parece que começaram a circular rumores de que um homem chamado Zoltan Drago estaria recrutando pessoas com alguma competência e interesse para fazer algum trabalho ilegal. – Demolidor dá uma pausa de alguns segundos para ver se tenho algo a comentar, mas fico em silêncio, então ele prossegue. – Logo esse ilegal tornou-se uma missão específica. Montar um grupo de pessoas formado pelo melhor da escória local que estivesse disposta a enfrentar o Homem-Aranha.

Fecho meus olhos e suspiro, o nome Sexteto Sinistro veio como um raio na minha cabeça.

Não dá para acreditar que não importa o que eu faça ou onde eu esteja, tudo sempre volta para o mesmo assunto. E também era assustador saber as proporções que isso havia tomado.

— Você não me parece exatamente surpreso.

— Eu não estou exatamente surpreso.

— Você está ansioso. – Isso não havia sido uma pergunta, era uma constatação! – Você está nervoso, estressado e agitado, o que indica que você sabe precisamente do que eu estou falando. Contudo, ficou atordoado ao saber que eu sabia disso. Então creio que isso tenha realmente uma ligação direta com a sua pessoa, algo que você acreditava ainda não havia tomado proporções tão grandes. Logo devo deduzir que você tem algum problema ou rixa com Zoltan Drago, ou alguém próximo a ele, ou tenha feito algo que esteja merecendo uma vingança do mesmo. Acho que já tendo concluído isso, podemos ser diretos agora: o que há entre você e Zoltan Drago?

Calado e mudo como Deadpool nunca ficaria na vida era como eu estava agora. Uma parte de mim pasma, uma outra assustada, outra ainda irritada e uma última delas confusa.

Muito para se processar em um momento onde eu não queria processar absolutamente nada.

Revoltado e querendo encobrir a parte que ficou fragilizada depois de toda essa averiguação por parte do homem de vermelho a minha frente, digo a primeira coisa que me vem à mente:

— Isso não lhe interessa!

Só depois que as palavras saem que noto que já está escuro. Nada mais de sol está presente no céu e luzes fracas que iluminam ao redor. Sinto uma pontada de nervosismo, era impossível negar. Eu estava dando uma de irritadinho na frente do Diabo de Hell’s Kitchen! Não que eu ache que ele fará algo comigo, porém, novamente, é necessário frisar sua impotência, que transborda e deixa o ar ao nosso redor parecendo mais denso.

— Não creio que essa seja uma resposta adequada.

Nem eu! Mas eu não queria dar o braço a torcer, parecia pessoal demais para despejar tudo em cima de um desconhecido de espanca pessoas por ai.

Okay, não necessitava ser tão pessoal, eu podia responder sem contar nada. Mesmo assim, parecia que eu tinha uma trava com esse assunto.

A imagem de Quetin Beck volta a minha mente.

Fecho os olhos e respiro fundo. Isso me causa um mal estar, mas ao mesmo tempo, me faz querer dizer logo o necessário para que eu tivesse alguma ajuda.

— Não é exatamente com Drago que eu tenho um... problema — isso soa tão evasivo que sinto a impaciência pela parte do homem a minha frente. – Olha, eu não sei tão mais que você. E os motivos exatos de por que isso está acontecendo não são relevantes. Minha complicação é com alguém chamado Harry Osborn, e isso acabou se estendendo a Drago. Também há o fato de eu não ser tão querido para os malfeitores, junte o útil ao agradável e eu acabei com um alvo no meio da cara.

O homem parece pensativo, apenas absorvendo tudo o que eu disse. Mas não por muito tempo.

— Sabe alguma coisa sobre Sexteto Sinistro?

— Além de que é um nome muito cafona e horroroso, que se deveria causar medo falha miseravelmente, não muito. Só sei que tem a ver com Drago e Osborn. Na verdade eu tenho algumas folhas relativas a essa... “Missão”, mas não analisei tudo ainda, e sei que não há informações tão relevantes nelas, se não eu não as possuiria – falo tudo com tanta calma e ironia que me impressiono. Apesar de eu demonstrar desprezo pelo nome Sexteto Sinistro, não eram sensações boas que passavam pelo meu corpo ao me deparar com ele.

Mais uma vez o homem fica apenas em silêncio, analisando a mim e o que eu disse. Ele assente levemente com a cabeça.

— Entendo. Você acha que eles representam um perigo muito grande?

Essa pergunta me pega um pouco de surpresa. Eu queria, desejava, tencionava, ansiava e estimava responder um alto e sonoro NÃO! Porém, eu tinha que aceitar a dura e triste realidade.

— Sim – respiro fundo, penso em tudo o que já aconteceu e sinto um gosto amargo em minha boca. – Muito.

Talvez essa resposta esteja intimamente ligada a mim. Eles representavam um perigo enorme a minha sanidade. Em pouco tempo eles já me tinham quase como um lunático homicida. Não seria aconselhável eu desdenhar do poder que eles, infelizmente, exerciam em mim.

— Eu vou ajudá-lo com isso. Não quero que essa situação se agrave, ela já está sendo comentada em Hell’s Kitchen, se passar disso, eles terão um problema comigo em particular – sua voz atinge um tom mais profundo e tenso ainda, que faz o meu corpo se arrepiar.

Mesmo suas palavras não tendo uma mensagem de “vou ajudar meu amiguinho herói da vizinhança porque me preocupo com ele!”, já me sinto um pouco mais reconfortado. E também desconfortável de certa forma, já que era mais uma pessoa metida nessa história. Mesmo assim, deixo meu sentimento de gratidão transparecer.

— Obrigado.

— Eu os encontrarei rápido agora, esse Zoltan acabou não sendo tão cuidadoso quanto deveria. Muita gente já sabe o que está acontecendo e parecem não querer fazer parte.

— Beleza.

— Acharei alguém que tenha as informações necessárias e depois procurarei você em seu apartamento, vamos resolver com o máximo de rapidez e controle. Se o Sexteto Sinistro realmente se tornar real, o nome não vai ser mais assim tão cômico.

— Tá bom, eu vou reunir as informações que eu tenho e... Pera aí! Me encontrar no meu apartamento? Como assim? Você sabe onde eu moro? – questiono alarmado e pasmo, já imaginando cenas desse indivíduo pelos arredores da onde eu moro, me vigiando.

— Você não está sendo propriamente discreto nos últimos tempos. O que você, com certeza, deveria ser – a resposta vem com o mesmo tom grave, acompanhado agora de uma pequena repressão. Torço o nariz e finjo que essa não é a realidade. – Eu estou com os meus ouvidos atentos, sugiro que deixe os seus olhos da mesma forma, Homem-Aranha.

. . .

O jeito com que Demolidor falou Homem-Aranha ainda ressoava na minha cabeça, sua voz e sua presença eram de deixar qualquer pessoa nervosa e ao mesmo tempo instigada.

E com tudo o que ele disse sobre Zoltan, Sexteto Sinistro e me ajudar, era impossível que ele saísse da minha cabeça por um bom tempo. Ou era isso que eu achava. Mas foi apenas eu pôr o meu corpo para dentro do meu apartamento, que qualquer informação que não fosse um nome em específico se tornou irrelevante e inexistente.

— Deadpool.

Na minha frente, no meio do meu quarto, em carne, osso e uniforme vermelho sangue estava o motivo do provável ataque cardíaco que eu teria. Eu senti meu corpo travar, congelar. Eu me tornara uma estátua de Michelangelo. E o meu coração também. Só para ele em seguida voltar a bater tão rápido e forte que doía.

Eu nem sequer conseguia respirar direito.

Será ele está irritado? Havia errado de cafofo e entrou no meu sem querer? Ou veio aqui para jogar na minha cara o quanto eu fui babaca?

— Pete.

Pete? Pete! Então ele não está irritado, né?! Ou chateado. Mas eu fui um idiota completo, e ele pode ser louco, mas acho que não tem Alzheimer. O que eu digo? O que eu faço?

— Pete?

Ai Minha Nossa Senhora das Pessoas Ferradas da Cabeça, o que eu faço?

— Peter?

— DESCULPA! – não consigo me controlar e acabo gritando, o que assusta até a mim. – Desculpa.

Sinto minhas bochechas queimarem e puxo o ar com força, dando uma folga para dor nos meus pulmões. Se eu dissesse que estava com vergonha e me sentindo um idiota, eu estaria sendo extremamente carinhoso comigo mesmo.

O silêncio que se segue depois desse meu pequeno vexame só piora a situação. Já começo a achar que fiz algo muito errado, quando Wade finalmente se pronuncia:

— Não precisava gritar não, eu sou louco, não surdo, meu coração – seu tom de voz irônico e brincalhão é um bálsamo para os meus ouvidos. Sinto uma sensação tão boa de bem-estar que sorrio e tenho vontade de correr em direção a Wade e me atirar em seus braços.

Porém, dessa vez, me controlo.

— Eu sei, desculpa.

E mais silêncio. Mas em vez de estar travado eu estava inquieto. Passava meus dedos uns nos outros ao lado do corpo e esperava ansioso por algo.

— Você não está bravo comigo? – pergunto de forma que o meu receio era palpável.

— Eu não tenho a capacidade para ficar realmente bravo com você, Pete. – Sinto um peso grande ser tirado de mim e a sensação de bem-estar aumentar mais ainda. – Mas eu acho que essa minha benevolência toda merece ser recompensada. Aceito em forma de beijos sim.

Deixo uma risada escapar da minha garganta e balanço minha cabeça para os lados levemente. Wade realmente estava de volta, e agora eu notava realmente o quanto eu sentia falta dele.

E eu não podia negar seu pedido, porque seria o mesmo que negar o meu próprio desejo. Eu estava quase vibrando. Tiro a minha máscara e jogo ela em cima da cama, indo depois em direção a Wade. Aproximo-me dele e não espero por sua reação para puxar sua máscara para cima. Não toda, é claro. Ainda.

Sinto suas mãos apertarem minha cintura e estremeço. Sua respiração na minha e a minha na dele. Meu peito colado ao dele faz com que eu experimente as batidas do seu coração com as minhas. E isso só torna minha situação pior. Deliciosamente pior.

Eu vivenciava o começo de uma taquicardia. Tinha certeza absoluta que minha taxa estava acima de cem batimentos por minuto. Coração batendo forte e descontroladamente. Respiração irregular e frenética. Bochechas coradas e ânsia lascivamente dolorosa.

Não tendo mais como esperar, junto meus lábios com os de Wade. Sem mais delongas e nem provocações, sinto sua língua invadir minha boca. A sensação é tão prazerosa que eu emito um gemido baixo e abafado. Mas que foi o suficiente para Wade apertar mais suas mãos na minha cintura, causando uma dor que eu realmente não me importava nem um pouco agora. E nem com o fato de que talvez fosse deixar marcas na minha pele.

Aperto mais ele contra mim, podendo sentir completamente seu uniforme e corpo. E tudo aquilo era um êxtase. Ele estava realmente ali, realmente comigo e nem um pouco bravo ou chateado.

Nós nos separamos para respirar, mas mal se passou um segundo e sinto os lábios de Wade em meu pescoço. Ele parece tão desesperado, ou até mais, que eu. Fato que se comprava mais ainda quando ele me puxa para o seu colo com força, fazendo com que eu enlace minhas pernas ao redor de seu corpo.

Wade dá apenas alguns passos e quase me joga contra a parede do lado da janela. Minhas costas batem com força no concreto e isso só torna as coisas mais excitantes. Era impossível raciocinar com lógica nesse momento.

Os lábios de Wade tomam os meus de novo e mais uma onda de êxtase se espalha pelo meu corpo. Além de sentir suas mãos me apertarem e da sua boca na minha, agora também tenho a sensação do seu corpo no meio das minhas pernas.

Como raios isso se tornou tão intensamente erótico?

Mas um momento de lucidez se propagou de mim e eu notei que eu não queria exatamente terminar a noite do jeito que parecia que ela ia terminar. Mesmo assim, eu não conseguia me afastar, não queria. Era tão bom ter Wade o mais perto quanto a maldita Lei de Newton permitia, que eu sei que não me arrependeria.

Todavia, contrariando a própria lei do universo, quem parou o beijo foi Wade. Ele se afastou alguns centímetros de mim, porém, continuou com seu corpo rente ao meu, o que eu agradeci internamente. Nossas respirações agora estavam pesadas e nossos rostos quentes.

Não só os rostos, eu sentia o meu corpo e o de Wade fervendo, ebulindo e fervilhando.

Abri meus olhos e me deparei com sua máscara, o que foi deveras decepcionante. Eu queria poder olhar diretamente em seus olhos. Olhar sem intermediários em sua íris e ser capaz de transmitir tudo o que eu sentia e também tentar desvendar o que ele sentia.

Wade parece ter notado isso, pois aproximou mais seu rosto, quase encostando seus lábios com os meus.

— Desculpa – murmurou de um jeito dolorido. Senti uma pontada no meu coração com isso, era palpável o quanto ele queria, mas hesitava por causa do receio da sua aparência. Ia dizer algo, porém ele voltou a falar. – Você está bem?

Ele provavelmente viu a pequena confusão em meu rosto e logo completou:

— Por causa de ontem e tal... – ele falava baixo e amavelmente. Dei um pequeno sorriso torto.

Pensei em responder sim, mas repassando tudo o que houve, não parecia a resposta certa. Wade tinha razão, eu não estava bem, e isso era visível. Eu poderia achar que manter a ilusão e as aparências iria me ajudar, mas a verdade era contrária a isso.

— Mais ou menos – respondo no mesmo tom. Não era mentira. Eu não estava bem, mas nesse exato momento, eu estava até mais do que bem. – Eu sei que me encontrava em um estado deplorável e duvidoso ontem, mas não é como se eu não tivesse me fortificado com tudo o que aconteceu – despejo com facilidade os meus sentimentos, o que me deixa surpreso e com uma sensação aconchegante. – Não precisa ficar tão preocupado, eu não estou em meu melhor momento, mas ainda sim sou eu. Vou ficar bem.

— Você está brincando comigo? É claro que eu preciso ficar preocupado. E mesmo se não precisasse, não é algo que eu tenha escolha. É um sentimento de agonia que eu não consigo controlar. Se algo acontecer com você, eu vou ficar mais louco do que já sou, Peter, eu te... – Wade congela e para. E eu também.

Peter, eu o quê?

Meus olhos aumentam de tamanho e a minha respiração trava. Tento manter a calma e não demonstrar o pânico, mas é impossível.

Ele ia dizer! Ia dizer aquelas três palavras juntas!

Meu coração que já tinha se normalizado volta a bater de forma frenética e dolorosa. Vejo que Wade se encontra na mesma situação que eu.

Ele não planejava dizer, então é...

O que eu sinto por ele?

Só agora essa pergunta me atinge. Meus pensamentos fazem uma revisão em minha situação atual e mais um choque se espalha pelo meu corpo. Eu sinto algo forte, eu sei, porém, nunca nem sonhei em colocar em palavras.

Eu estava completamente perdido.

— Eu... – Volto meu olhar para Wade e dessa vez não escondo o pânico. Ele não pode dizer! Não agora!— Eu... Eu gosto de você! – Solto o ar com uma força controlada.

Wade agora se encontra em um estado de nervosismo que chega a me deixar ansioso também. Mordo o meu lábio inferior e olho para baixo. Eu não queria pensar agora, não mesmo. Mas também não queria me perder em emoções e acabar me arrependendo depois. Por isso opto pela minha verdade de agora.

— Eu também gosto de você, Wade.

Admitir isso para mim mesmo com toda a constância e ainda emitir em voz alta havia sido tão mais fácil do que eu imaginava. E também muito mais prazeroso.

Olho para Wade e há um sorriso nos seus lábios, não consigo me controlar e sorrio também.

Sim, eu gostava de Wade. Muito. E ter esse sentimento compartilhado agora, no meio de todo esse pandemônio, era uma das coisas mais satisfatórias e gostosas que eu já sentira.

Esse sentimento conseguiu me acompanhar por uma semana, mas quando eu tive que encarar de frente a realidade, a dor me atingiu com mais força do que qualquer outra vez.

Notas finais
MAS GENTE O QUE FOI ISSO? Eu estava escrevendo e de repente já estava quase rolando um limão aqui. Mas não rolou. Rá! Devo confessar aqui que eu pensei desde o começo sobre se ia rolar cenas limonadas aqui na fic, e decidi alto e claro que não! Porém, depois desse capítulo eu começo a questionar minha decisão. Não sei. Talvez hein. Alguém mais ai queria mais do Demolindo? sO/ Não sei escrever o Matt direito ainda, mas queria por ele de um jeito mais manso talvez. Alguém notou que ele é mais queridinho com o Peter? Não querendo dizer nada, mas né, já dizendo. Quero saber o que vocês acharam do capítulo! Me contem tudo e não escondam nada. Tragam suas confissões direto para mim! Suspiraram? Gostaram? Amaram? Odiaram? Estão ansiosos? Bom, com esse capítulo chegamos ao fim do segundo ato da fanfic, vamos começar oficialmente o terceiro e último ato no próximo capítulo. Preparem os corações, já vai começar com um tirinho. Sobre Demolidor, perto da igreja, o bagulho é esse: ia rolar outras coisas lá, mas acabou que deu uma marmota aqui no enredo e tive que mudar algumas – várias – coisas. Então já que o Peter já estava lá e o Demolidor é Demolidor, usei esses limões que a vida me deu e fiz uma limonada. Ou quase né. Hihi Mas é isso, perdoem os erros e minha demora! Vou tentar ajeitar um limão aqui em algum capítulo, se vocês quiserem muuuito né. Nunca escrevi nenhuma cena de pegação frenética entre indivíduos! Então tendo a falhar miseravelmente. Ou não né. Muuuuito obrigada pelos mais de 70 favoritos!! Amo! E as 2 lindas, lindas, lindas recomendações! E também pelos comentários! Mesmo que estejam meio sumidinhos, adoro todos! Obrigada, amores! Até o próximo capítulo, nesse mesmo bat-canal, muchachos!! Beeeeeijocas!!