Nychtas Aeterna - Entre Deuses e Reis
3 Capítulo II - Batalha sob a luz do crepúsculo
Notas iniciais
ENTRE DEUSES E REIS
A poderosa infante já se preparava para avançar juntamente de seu irmão, utilizando sua magia para ampliar e avançar com os raios criados pelos soldados arcanos que a acompanhavam naquele momento. A energia que emanava da mesma era incrivelmente forte, mas poderia prejudicá-la e também a seus aliados se não conseguisse usá-la corretamente.
—”O que tá esperando, Kei?” — pergunta o príncipe, observando a canalização de sua irmã de uma distância considerável.
—”Vamos com tudo, Luce!”
—”Certo”
—A princesa pretende se lançar em meio a tantos soldados assim? Ela pode se prejudicar se for… -comentou um dos soldados, antes de ser interrompido por um parceiro de batalha.
—Shiu! Silêncio! Você nunca viu a princesa lutando antes?! — perguntou surpreso.
—Na verdade, é a primeira vez que eu venho a campo...
—Então faça silêncio e observe-os! — forçou o colega a focar na mulher a sua frente. — Será em um segundo… Poder ver o Relâmpago Escarlate e a Princesa dos Raios em batalha é uma dádiva. Talvez você nem consiga acompanhá-los com os olhos…
E como dito, em um segundo o príncipe já havia avançado rapidamente em meio ao exército inimigo, canalizando sua magia criando uma grande explosão que emanava puro fogo, sendo seguido de sua irmã, que avançou em um de seus portais em meio aos soldados, lançando cada um de seus raios para todos os lados, levantando várias ondas de explosões causadas pela sobrecarga daquelas metalizadas máquinas de combate.
A ponte de terra que ligava a cidade fronteira e o exército inimigo estava completamente liberada. Haviam vencido aquela luta.
Alguns dos soldados em campo ousaram comemorar precocemente a vitória, mas muitos sentiram que talvez aquilo não fosse o suficiente.
Os monstros que estavam dentro da fronteira começaram a ficar mais agressivos, e os lutadores espadachins já estavam ficando cansados de lutar. Aquilo com certeza abriria uma brecha para o império poder avançar mais uma vez, e dessa vez, a barreira não poderia mais protegê-los.
—”Temos que recuar! Já está anoitecendo!” — Afirmou o general inicialmente responsável pela missão.
—Senhor! — a informante da central de comunicações voltou a se manifestar — estamos calculando uma grande quantidade de massa se reunindo no solo a 300 metros. As aeronaves já estão se reunindo a nossa frente. Suponho que eles realizarão um ataque por terra em conjunto com sua força aérea!
—Argh! Não importa o que façamos, ainda estão em maior número!
—"Lucian, eles estão se aproximando!" — apontou para o outro lado da fronteira, vendo grandes quantidades de soldados montados em grandes demônios de quatro patas, que mais pareciam grandes panteras, tão escuras quanto a noite, mas que claramente eram treinadas para matar tão facilmente quanto qualquer explosão.
—Recriem a barreira! Soldados, bater em retirada! Não tentem lutar contra os demônios! — ordenou o general Yates.
E assim, todos seguiram as ordens. Porém, ao invés de o exército inimigo avançar com os demônios por terra, suas aeronaves passaram a sobrevoar a ponte que ligava a cidade fronteira, liberando consecutivamente diversos mísseis em potencial, e assim que atingiram o solo, iniciaram-se as explosões, levando toda a ponte ao fundo do precipício.
-Ah meus deuses! — gritaram alguns soldados que ainda estavam próximos a beira da ponte, do lado contrário de onde se iniciaram as explosões.
—”Alteza, essa é uma alerta de perigo máximo, todos os soldados devem bater em retirada imediatamente!” — a informante voltou a confirmar a ordem de recuo.
—Vocês ouviram as ordens, bater em retirada!
—Corram para dentro da muralha! — o príncipe reafirmou a ordem, reunindo seu exército e retornando apressadamente para dentro de Altaire.
Porém, antes de voltar completamente, ele ouviu o clamor de uma voz pedindo por socorro. Foi ouvido como um sussurro, mas compreendeu claramente. Alguém precisava de ajuda.
Foi quando viu que um de seus soldados havia ficado para trás, com uma perna lesionada pelo fato de ter sido atingido por uma rocha de tamanho considerável.
—Por favor… alguém… me ajude…!
Analisou o avanço das explosões e, em um curto período de tempo, avançou entre teletransportes e saltos em direção ao soldado ferido.
—LUCIAN! O QUE ESTÁ FAZENDO?!?! — gritou em alto e bom som a princesa, que pode vê-lo abandonar a ordem de retirada para ir em direção a aquele que ficou para trás. — Droga, você não tem jeito mesmo!!! — reclamou a princesa, acompanhando-o para talvez, trazê-lo com vida para o local de encontro.
Assim que alcançou o soldado, puxou o mesmo pelo braço, tentando encontrar uma forma de levá-lo consigo para a muralha.
—A… alteza?!... O senhor… não…
—Lucian, se abaixa!!! — a princesa, em um avanço causado pelos seus portais, saltou sobre os homens a sua frente, fazendo com que os mesmos fossem levados ao chão, mas com isso, evitou que eles sofressem os danos que viriam junto com o impacto da explosão que estava próximo deles. Depois de ter evitado tal tragédia, a mulher, em um movimento rápido, criou um portal em sua frente que os levaria para uma distância segura e assim os três saltaram sobre ele, onde puderam chegar ao outro lado sem sofrer danos físicos, além de terem que levar um soldado debilitado no trajeto.
—Conseguimos?... — perguntou o soldado, ainda ao chão.
E assim, o príncipe virou-se e observou os estragos que foram causados pelo ataque do império de Yohtunheim. Sua surpresa foi que, depois de um período de tempo estando imóveis, todas as aeronaves e os soldados montados em seus respectivos demônios recuaram de seu lugar em direção às suas bases ou a seu país, também pode perceber que os demônios com quem os lutadores espadachins estavam enfrentando se foram, juntamente com a ponte que foi completamente destruída.
—Devemos enviar no relatório como uma vitória por desistência? — perguntou o tenente ao general sobre o ocorrido, que não passou despercebido por nenhum dos combatentes.
—Não. Estão claramente brincando com a gente! — afirmou a princesa, claramente insatisfeita com o resultado daquela batalha.
—Diga que foi um resultado indefinido. Ao menos, até conseguirmos entender o porquê dessa “desistência”. — ordenou o general.
—Sim senhor, general Yates.
E a batalha concluiu-se ali. Os combatentes feridos foram socorridos, e os que permaneceram em boas condições ajudaram a levar os feridos para receberem atendimento.
O príncipe estava descansando encostado em uma das vans, quando foi retirado de seus pensamentos por alguns de seus soldados.
—Príncipe Lucian! — encarou o homem deitado sobre a maca. Era o soldado que havia salvado durante a ordem de retirada. — Alteza… Muito obrigado por salvar a minha vida. Eu devo muito ao senhor.
—Não me agradeça. É o meu dever defender o meu povo, seja onde ou como for. — disse calmamente ao homem.
—O… o senhor não devia se arriscar por um mero soldado como eu!
—Eu não seria capaz de deixar alguém para trás sem ao menos tentar. Apenas… descanse, certo?
—Obrigado, vossa alteza. — despediu-se o homem.
Lucian percebeu a aproximação de sua irmã, e já imaginava o que ela poderia dizer.
—Você desobedeceu uma ordem direta de retirada.
—Eu pagarei pelas consequências, se elas vierem até mim.
—Você sabe que não pode se arriscar daquela forma em batalha, mesmo se fosse por mim. É o nosso dever proteger o futuro regente, não o contrário!
—E você vai contar ao nosso pai? — virou-se para a princesa, esperando uma resposta, quase como se ela estivesse lhe respondendo com o olhar.
—Alguma vez eu já contei? — franziu o cenho, como se a resposta fosse óbvia a aquela altura.
~Quebra de tempo~
Cidade Coroada de Somnium — Algum tempo depois…
—Então, este é todo o relatório da batalha?
—Sim, vossa majestade. Isso é tudo.
—E em relação a cidade de Altaire?
—Está completamente de pé. Nenhum cidadão foi ferido.
—Entendo… — suspirou profundamente — então o império recuou, mesmo com recursos em potencial para garantir a vitória?
—Sim, meu senhor. Acredita-se que eles poderiam ter muito mais armamento explosivo, que poderiam facilmente usar contra nosso exército, mas não foi o ocorrido.
—Bom… talvez tenhamos tido sorte dessa vez. — respondeu temeroso o rei. — e quanto aos meus filhos?
—Eles foram formidáveis em batalha, vossa majestade, Porém…
—”Porém” o que? — questionou temeroso o rei.
—O príncipe Lucian repentinamente desobedeceu uma ordem direta de retirada total… Não entendemos muito bem qual foi o motivo.
—Acredita-se que vossa alteza tentou resgatar um aliado ferido em combate.
—Hum, entendo. — o rei suspirou profundamente, antes de levantar-se de seu trono. — Muito bem, estão dispensados.
—Sim, vossa majestade. Obrigado por nos conceder o seu tempo.
—Que Nyx vos abençoe em seu trajeto.
Ao vê-los saírem do salão real, o rei suspirou profundamente, em meio a tantos pensamentos. Algo com certeza estava por vir.
—Peçam para que o príncipe e a embaixadora se apresentem imediatamente.
—Sim, vossa majestade.
E assim, retiraram-se do Salão Real. Algum tempo depois, o príncipe e a princesa embaixadora compareceram, assim como o ordenado.
—Vossa majestade. — curvaram-se perante seu rei. — o senhor nos solicitou...
—Sim. — reafirmou o rei, enquanto se levantava de seu trono e descia a escadaria a sua frente em direção aos seus filhos. — Com de costume, seus feitos em batalha não deixaram a desejar. No entanto… — disse, fitando os olhos do príncipe que já imaginava o que viria a seguir. — me foi informado que você desobedeceu a uma ordem direta de retirada. Pode me dizer o porquê?
—Foi para ajudar um companheiro, senhor. Nada além disso.
—Sabe que, como seu rei, devo lhe informar que essa atitude é passiva de punição dentro das normas dadas pelo exército real e, como combatente, você poderia ter levado outros a fazerem o mesmo, está ciente disso?
—Sim, meu senhor. — de cabeça baixa, respondeu o príncipe.
—Suponho que sua irmã tenha tentado impedir que algo mais grave acontecesse a você, estou certo?
—Sim…
-Você arriscou sua vida e a vida de sua irmã para tentar salvar um soldado?
—Foi para salvar uma vida, meu senhor.
—Lucian, todo o poder que você possui é uma dádiva de Nyx dada pela lacrima. Sua missão em batalha é proteger o nosso povo com esse poder, assim como o de cada um daqueles homens. — o rei o advertiu, apontando diretamente para a torre onde a lacrima foi depositada. — Como futuro regente, você não deve se colocar em uma situação de risco mortal, estamos entendidos?
—Sim, meu senhor.
—Pai… — a princesa pronunciou-se em um sussurro.
—Como seu rei, esta é a minha advertência pela sua atitude. Mas como seu pai… — o rei colocou a mão sobre o ombro de seus filhos, surpreendendo-os de imediato — estou orgulhoso de vocês, meus filhos.
—Pai…? — com surpresa estampada em seu rosto, o príncipe deu um sorriso contrariado.
—Sua atitude foi perigosa, de fato. Mas vocês dois trabalharam juntos, e isso é o mínimo que eu exijo de vocês dois.
—Eu sabia que não seria só isso... — disse a princesa.
—Lucian, Keira… — chamou a atenção dos dois para si, fazendo com que o fitassem naquele momento. — vocês dois são meus herdeiros. Vocês foram criados juntos, cresceram juntos, viveram juntos, como irmãos, e é assim que vocês devem agir durante toda a sua vida. Se algum dia, em algum momento, vocês se esquecerem disso… — o rei mudou seu tom de voz, fazendo com que suas palavras soassem como uma ordem. — … eu mesmo irei me encarregar de lhes dar o devido castigo, fui bem claro?
—Claro, senhor… Pai.
—Muito bem. Agora podem ir. Teremos uma semana bem conturbada, a julgar pelo resultado dessa batalha.
—O senhor não irá jantar hoje, certo?
—Receio que não, Keira. — respondeu com exatidão em sua voz.
—Está certo… Bom, devemos estar preparados para o caso de sermos convocados. — respondeu Keira.
—Sim, e receio que não demore para que haja um novo ataque, então alerta máximo não será suficiente. Por hora, tentem descansar enquanto ainda estão em segurança.
—Obrigado, senhor. Estaremos atentos a qualquer tipo de ataque. — se pronunciou o príncipe.
—É o que eu espero. — viu seus filhos ao longe, se retirando do Salão Real, em direção ao portão que se encontrava no centro do palácio onde viviam. — e mais uma coisa…
Interromperam seu trajeto para se virarem para o seu rei.
—... Sei que não irão me decepcionar, certo?
—Com toda certeza, meu senhor. — respondeu o príncipe. — Boa noite… Pai. — cumprimentou seu pai antes de retomar seu trajeto até o fim daquele salão e retomarem as suas atividades até o fim daquele dia turbulento. Com certeza, aquela semana seria longa.
—Que a deusa Nyx os abençoem, meus filhos.
*•••••••••••••••••••••••••*
—Eu sabia que ele seria mole com você denovo, Luce.
—Ah, claro. Dessa vez eu achei que não iria me safar! — respondeu com certo medo no olhar, mesmo que estivesse com ar de comédia em sua voz.
—Bom, não foi dessa vez. Hahahahahah! — gargalhou da situação de seu irmão. — mas, na próxima, eu mesma vou dedurar você.
—Você não faria isso… — disse, com os olhos semicerrados, porém com um sorriso irônico.
—E você ainda duvida de mim, Luce?
—Vocês bem que poderiam parar de me chamar assim...
—Ora. Por que, “Luce”? — perguntou, em um tom de sarcasmo para seu irmão.
—Por que esse apelido é broxante!
—Por isso mesmo, princesa~
—É um desafio?~
—Escolha a hora e o lugar! — respondeu, com ironia e superioridade sua irmã.
—Okay, você quem pediu! — e iniciou-se assim, uma corrida pelo pátio, sem nenhuma direção aparente, estavam apenas se divertindo.
—Vamos ver se você merece ser chamado de “Relâmpago Escarlate”. — disse, fazendo aspas com os dedos.
—Não, isso seria injusto com você… — disse o príncipe, com sarcasmo na voz. — vamos competir isso no vídeo-game.
—Certo. Quem chegar primeiro escolhe o jogo!
—Fechado! — e puseram-se assim a alcançar seus objetivos, enquanto os empregados presentes no recinto achavam graça de suas atitudes.
—”Eles são os mesmos de sempre!” — reparou uma das serviçais presentes no momento.
Enquanto isso, o rei Friedrich permanecia no Salão Real, ainda preocupado com o que havia ocorrido a horas atrás. O império com certeza iria se pronunciar sobre sua estranha atitude em meio a uma batalha tão acirrada como a em que foram obrigados a interferir com os seus mais bem treinados soldados.
Aquilo não poderia ser um simples gesto de “boa vontade”, existia algo mais naquilo, com certeza existia, mas nenhuma possibilidade de passou em sua mente naquele momento.
—Eu só espero que não sejamos amargamente surpreendidos. — pensou alto, fitando o céu noturno que podia ser visto bem a frente de seu trono, pela enorme cobertura de puro vidro que estava acima de si. — Espero que você esteja pronto para assumir o seu trono caso tenha que seguir sem mim, meu filho… — e assim, se preparou para sair do Salão, e seguir em direção ao local onde teria de cumprir com seus deveres como regente da cidade de Somnium e como rei do poderoso reino de Synesthia.
Continua. . .
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