Nudez Mortal
9 Uma conversa franca.
Notas iniciais
Talvez eu não poste nada esse final de semana, mas é só talvez.
Bjinho e boa leitura.
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
Antes que pudesse fazer qualquer coisa que indicasse que ela estava ali à porta se abriu e ela viu um homem que aparentava ter na faixa de sessenta anos de idade trajando um uniforme impecável.
Ela olhou impressionada para ele. Ela nunca em sua vida tinha visto um mordomo de verdade, somente em filmes. Hoje em dia as pessoas usavam androides para trabalhar para si e era raro ver um ser humano trabalhando nas casas das pessoas.
- Tenente Swan. – Ele falou olhando bem para os trajes dela.
- Oi. Eu vim falar com Edward Cullen.
- Pode entrar. Ele a espera. – Falou dando espaço para que ela entrasse.
Bom, pensou ela, estou no dentro do reino de Edward Cullen. Vamos ver o que isso me reserva.
******
POV Bella
O mordomo que abriu a porta fez com que ela o seguisse até um salão largo com paredes muito altas, que parecia mais a entrada de um museu famoso, daqueles que ela só via em revistas.
Havia um lustre magnifico na sala que iluminava todos os cantos do salão. O piso era todo em madeira coberto por um tapete vermelho rico em detalhes, parecia que havia sido feito à mão especialmente para aquele piso. Uma escadaria curvada seguia para a direita da casa e a ponta de cada corrimão que seguia a escada era talhada em marfim.
Havia quadros em quase todas as paredes. Nenhum holograma, apenas telas e quadros verdadeiros.
— Tenente, se me permite. Eu posso pegar seu casaco?
— Oh sim. Obrigada.
Ela entregou o casaco para ele e viu quando ele o segurou apenas com a ponta dos dedos. Mas que droga, pensou ela, eu consegui tirar todas as manchas de sangue. Ou será que eu não tirei todas? Ela se perguntava enquanto continuava passando o olhar por toda a casa.
— Por aqui Tenente Swan. Vou leva-la até a sala de visitas. Se a senhora não se importa de esperar um pouco, o Senhor Cullen está em uma ligação importante.
— Tudo bem. Eu aguardo.
Aquela sala também apresentava uma beleza estonteante. Havia ali uma lareira acesa com madeira de verdade. Os sofás eram aconchegantes até de se ver. Ela sentiu uma vontade enorme de se jogar em cima deles e deitar. Ali havia vários objetos espalhados harmonicamente. Tigelas, vasos, esculturas, era sim um verdadeiro museu.
— A senhora aceita algo para beber enquanto espera?
Ela olhou para ele e viu que ele ainda segurava o seu casaco com a ponta dos dedos, como se estive segurando algo muito tóxico.
— Claro. O que você tem para me oferecer, Senhor...?
— Richard. Pode me chamar apenas de Richard. O que você desejar beber eu providenciarei.
— Café. Ela adora café. – Edward falou ao entra na sala. – Mas creio que a ocasião pede que você traga aquele Châteu Lafite, da safra 39.
Richard por um momento perdeu a voz e olhou com cara assustado para o patrão.
— Aquele da safra trinta e nove? O Senhor tem certeza?
— Sim. Obrigado Richard.
Bella olhou para a cara de espanto que ele manteve ao passar por ela para sair da sala. Ele mantinha o casaco o mais afastado possível do seu corpo e andava mais reto do que uma tábua.
— Desculpe se eu a fiz esperar, mas estava resolvendo uns assuntos de trabalho. – Ele falou, mas na mesma hora seus olhos ficaram sombrios.
— Não tem problema. – Ela falou tentando ser simpática. – Eu é que peço desculpas por... Ei! Qual o seu problema?
Ela afastou o rosto no momento em que ele tentou tocá-la, mas ele foi mais rápido e segurou com firmeza o queixo dela. Ele fez com que o rosto dela fosse iluminado pela luz.
— Você está com o rosto machucado Tenente. – A voz dele se tornou fria ao afirmar isso. Seus olhos ainda sóbrios avaliavam o machucado, mas não indicavam nada que explicasse a repentina preocupação.
Os dedos deles se mantinha firme segurando o rosto dela, mas ao mesmo tempo eram gentis e quentes. E fizeram com que o coração dela falhasse uma batida.
— Eu andei brigando por uma barra de chocolate. – Ela tentou explicar.
Nesse momento ele fez com que seus olhares se encontrassem. Ele ficou perdido naqueles olhos e perguntou:
— Posso saber quem saiu vitorioso nessa briga?
— É claro que fui eu. Eu ganho sempre de quem tenta me afastar de algo que eu pretendo comer.
— Ok então. Vou procurar me lembrar disso. – Ele retirou a mão do rosto dela e colocou dentro do bolso, isso por que queria continuar tocando nela.
Ele se preocupou com a enorme vontade que sentiu de fazer com que aquela mancha arroxeada sumisse daquele rosto. Um rosto que começava a atormentá-lo.
— Espero que você aprove o cardápio que eu escolhi para o nosso jantar.
— Como assim jantar? Eu não vim aqui para jantar Cullen, eu vim olhar sua coleção de armas.
— Eu sei, mas nós podemos fazer as duas coisas. – Ele falou e viu quando Richard voltava com a garrafa de vinho e duas taças de cristal.
— Pode deixar Richard, eu mesmo sirvo. Obrigado.
Ele servia as duas taças enquanto falava de todas as qualidades que o vinho continha. Entregou a taça para ela e ficou observando enquanto ela bebia o vinho.
Deus, como ela tinha um rosto lindo. Todos aqueles ângulos, aquela pele que o queimou no memento que ele a tocou. Quanto controle e força ela transmitia naquelas expressões. Naquele instante ele notou o prazer que ela tentava esconder com o sabor do vinho. Ele imaginava o sabor daquele vinho se unindo à língua dela. Ele mal podia esperar o momento em que o sabor dela se uniria à língua dele.
— O que achou do vinho?
— Muito bom. – Ela queria falar maravilhas daquele vinho, mas não queria dar esse gostinho a ele.
— Esse foi o primeiro vinho que eu produzi, quer dizer, minha vinícola. – Ele falou sorrindo enquanto levava sua taça aos lábios. – Se você quiser podemos aproveitar e nos sentar aqui um pouco para nos esquentarmos ao calor da lareira.
— Escuta Cullen, isso aqui não é uma visitinha social. Isso aqui é uma investigação de assassinato.
— Se é assim então, você pode me investigar enquanto nós jantamos. – Ele pegou-a pelo braço e sentiu quando ela ficou rígida com a corrente elétrica que passou entre eles. – Tenho absoluta certeza de que você vai apreciar o filé de cinco centímetros de altura que nos espera.
— Como assim filé? – Ela perguntou assustada. – Filé de verdade? Vindo de uma vaca de verdade?
— Uhum. Acabou de chegar do Brasil. – Ela hesitou e ele insistiu. – Ah Tenente. Não acredito que um jantarzinho vai fazer você perder seu poder de investigação.
— Sabia que alguém tentou me subornar recentemente?- Ela perguntou lembrando-se de Damon Salvatore e daquele corpão.
— Sério. Posso saber com o que ele tentou te subornar?
— Nada que te interesse e nem tão bom quanto um filé vindo de uma vaca de verdade. – Ela parou e encarou Edward Cullen friamente. – Escuta aqui Cullen. Se todas as provas que eu conseguir indicarem você como o assassino, eu vou acabar com você.
— Não esperaria outra coisa vinda de você. – Ele falou friamente.
Ele a conduziu até a sala de jantar e lá ela viu mais um pouco da beleza e do requinte que reinavam naquela casa. Na sala de jantar existia mais uma lareira só que esta era toda feita com mármore. Tinha uma mulher toda uniformizada que estava esperando somente para servi-los.
Bella se sentiu um peixe fora d’água com aquela roupa que estava. Uma calça jeans velha e um suéter de cor escura.
— Então Cullen. Como você conseguiu toda essa riqueza?
— De várias maneiras. – Falou olhando enquanto ela comia. Ele acabara de descobrir que adorava vê-la comer.
— Me conte uma dessas maneiras.
— Desejo. – Falou com convicção.
— Ah Cullen. Conta outra. – Ela falava enquanto comia. – Todo mundo tem desejo de ficar rico um dia e nunca conseguem.
— Elas não querem verdadeiramente. Não correm atrás desse desejo.
— Ah tá. E você correu. Correu muito.
— Sim. Sabe, eu não gostava de ser pobre. Era, como posso dizer, desinteressante. Ser rico é bem melhor. – Ele admirava a forma que ela comia a salada e o prato de entrada, mas se mantinha atenta a tudo o que ele dizia.
— Nós dois somos parecido Bella.
— É? Em que sentido?
— Você quis ser policial e lutou por isso, você correu atrás do que queria. Você gosta de seguir as leis e se vê alguém as quebrando você destrói essa pessoa. Você faz justiça e eu faço dinheiro. E nenhuma dessas duas coisas é fácil. Tenente, você sabe o que Jéssica Stanley queria?
Bella parou o garfo que levava até a boca e o colocou no prato.
— Não, mas me fale. O que Jéssica queria?
— Poder. Única e exclusivamente poder. Poder que ela conseguia através do sexo. Era através dele que ela conseguia o dinheiro que compraria esse poder. Ela queria poder sobre os homens que dormiam com ela e principalmente poder sobre a família dela.
— Para uma mulher que você diz que conhece pouco até que você falou demais sobre o que ela desejava.
— Uma mulher como ela só precisa que um homem como eu a olhe apenas uma vez para conhecê-la por completo. Ela não é como você Bella, ela não tinha o seu autocontrole.
— Eu não sou o foco dessa investigação. – Ela queria que ele parasse de falar dela assim e que ele parasse de olhá-la como se a quisesse despi-la. – Em sua opinião ela estava com sede de poder, mas não conseguiu saciá-la e morreu por conta dela.
A mesma mulher que serviu os pratos de entrada estava agora servindo o prato principal. Imensas travessas com filés enormes cercados por batatas fritas.
Bella esperou que a mulher saísse para começar a comer.
— Sabe Cullen, quando um homem possui muito dinheiro ele também tem muito a perder.
— Então agora estamos falando de mim. – Falou sorrindo. – Então a teoria é de que ela descobriu algo podre sobre mim e começou a me chantagear. Então como eu não queria me livrar da minha riqueza decidi me livrar dela.
— Gostei dessa teoria. – falou ela e o olhou seriamente. – Foi isso que aconteceu?
— Supõe-se que eu aceite essa teoria, há algo que a deixa meio desconexa. Eu detesto qualquer tipo de violência contra mulheres.
— Seria mais correto se você abominasse qualquer tipo de violência contra qualquer pessoa.
— Claro, mas esse é apenas um detalhe. Tenente eu detesto quando a luz das velas desvia da marca roxa que está em seu rosto. – Ele esticou a mãos e tocou levemente o rosto dela. – Seria altamente desagradável para mim matar Jéssica Stanley. – Ele afastou a mão. – Mas às vezes tenente, eu tenho que fazer coisas que eu considero desagradável de vez em quando. Só quando necessário. O que você está achando da comida?
— Está maravilhosa. – Ela olhou de forma questionadora para ele. – Quem de fato é você Edward Cullen?
— Pensei que a policial aqui fosse você. – falou rindo. – Descubra se for capaz.
Eu vou descobrir, pensou ela, nem que seja a última coisa que eu faça na vida, eu vou descobrir quem é você.
— Me fale um pouco mais do que você pensava sobre Jéssica Stanley. – Ela pediu.
— Ela gostava do perigo. Gostava de causar embaraço para os que se envolviam com ela. Além do mais ela era... Deixa pra lá. — Falou ele pensativo.
— Não. Continue por favor.
— Digna de pena. Ela era triste e estava sem vida por dentro. Usava o corpo para ferir as pessoas.
— E ela tentou usar o corpo dela com você?
— Sim. Ela pensou que eu não resistiria.
— E por que resistiu? – Ela esperou a resposta olhando para aquelas orbes verdes.
— Você sabe a resposta. Prefiro outro tipo de mulher e eu gosto de tomar iniciativa e ir atrás do que eu quero. – Respondeu a pergunta sem desviar o olhar do dela.
— Você quer mais filé Tenente?
— Não. Obrigada. Quero agora ver sua coleção.
Ele esticou a mãos para ajuda-la a levantar, mas ela apenas o olhou com os olhos semicerrados e afastou a cadeira da mesa. Levantou sem precisar de ajuda. Ele achou a atitude encantadora e então a conduziu para a saída da sala de jantar em direção à escada.
— Você não acha que essa casa é muito grande para um homem sozinho? – Ela perguntou interessada.
— Não acho. Eu acho que o seu apartamento é que muito pequeno para uma mulher como você. – Ele olhou para a cara de assustada que ela fez. – Tenente, você sabe tanto quando eu que eu sou o dono do prédio em que você mora, não faça essa cara de desentendida.
— Você precisa mandar alguém dá uma olhada nos elevadores de lá, detesto quando fico presa naquele forno.
— Vou providencia isso o mais rápido possível.
— Você não tem elevadores por aqui?
— Tenho mais prefiro usar as escadas. Os meus empregados é que o usam mais.
— Ainda não vi nenhum androide por aqui.
— Tenho sim alguns, mas eu prefiro humanos. Chegamos.
Ele colocou a palma da mão esquerda em um scanner e digitou um código no painel. As portas foram liberadas e o que Bella viu lá dentro não era nem um terço do que imaginava.
Aquilo era um lugar que cultuava a violência.
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