Nudez Mortal
15 Sessão de Teste
Notas iniciais
Vocês vão conhecer também um novo personagem que vai está muito presente na vida da Bella.
Boa Leitura!
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
- Tenente eu sei que deixei minha filha se afastar de mim, massa eu nunca fui uma mãe que ficasse olhando escondido o diário da filha.
— Diário? – Bella sentiu a esperança surgir – Jéssica tinha um diário?
— Sim. Sempre teve. Vivia mudando a senha dele para caso alguém o descobrisse.
— E adulta, sua filha ainda mantinha esse hábito?
— Sim. Ela soltava algumas coisas sobre ele. Dizia que as pessoas que estavam nele ficariam com medo das coisas que ela escrevia sobre eles.
Bella repassava a informação pela mente em uma velocidade inacreditável. Não havia nenhum registro sobre diário nos arquivos feitos sobre as coisas dela. Um diário podia ser tão pequeno quando um estojo de maquiagem e se a policia não havia encontrado na primeira vez, onde ele estava?
******
— Senhora Forbes você tem guardado com você alguns desses diários?
— Não. – Elisa ficou intrigada com o interesse repentino da Tenente. – Se eu não me engano, minha filha os guardava em cofres de um banco. Todos eles.
— Ela comentou com a senhora se usava algum banco daqui da cidade?
— Não. Mas vou verificar para você e se eu achar alguma coisa eu informo rapidamente pra você. Quem sabe ela deixou algo nas coisas dela que tem aqui em casa.
— Obrigada por cooperar. Se a senhora em algum momento lembrara-se de qualquer coisa, mesmo que você ache banal, entre em contato comigo e me informe.
— Pode deixar. Ela não era de falar comigo sobre os amigos, acho até que ela não tinha nenhum e por algum momento pensei que essa solidão dela fosse fazer com que ela voltasse pra gente. Cheguei até a pedir a um de meus amigos que tentasse falar com ela. Pensei que ele ia saber lidar com ela.
— Posso saber quem era esse amigo?
— Edward Cullen. – Elisa limpou as lágrimas que novamente começaram a escorrer. – Poucos dias antes de tudo acontecer eu falai com ele e pedi para que ele viesse aqui. Eu e meu marido somos amigos dele há anos. Pedi que ele desse um jeito de ela receber um convite para uma festa que ele estaria e lá ele podia conversar um pouco com ela, sem que ela percebesse que fui eu que pedi. Ele a principio não quis. Meu amigo não gosta de se envolver em assuntos de família. Pedi que ele mostrasse para Jéssica que ela não precisava usar de sua beleza para ter o que quer. Que existem outras maneiras de ser feliz.
— A senhora pediu que ele se envolvesse com sua filha? – Bella perguntou com cautela tentando esconder a revolta que sentiu dentro do peito.
— Eu apenas pedi que ele se tornasse amigo dela. – Ela corrigiu o pensamento da Tenente – Queria que ele estivesse presente quando era estivesse precisando. Era a única pessoa para quem eu podia pedir isso. Eu confio nele mais do que em qualquer outra pessoa que não seja da família. Ele nunca seria capaz de magoá-la. Ele jamais magoaria alguém importante para mim.
— Por que ele a ama?
— Por que ele se preocupa com ela. – Thomas Stanley falou da porta. – Edward se preocupa muito comigo e com Elisa, além de outras poucas pessoas que se pode contar nos dedos. Amor? Ele não se meteria com um sentimento que ele acha tão instável.
— Thomas! – Elisa levantou-se da cadeira. – Eu achava que você iria demorar um pouco mais.
— Fomos bem rápidos hoje. – Ele foi até onde a esposa estava e tomou a mão dela entre as suas. – Por que você não me chamou Lisa?
— Eu não queria... – Ela olhou para o marido. – Eu achava que podia tratar desse assunto sozinha.
— Você não precisa resolver nada sozinha. – Ele segurava a mão da esposa com carinho. Olhou para a Tenente. – Você deve ser a Tenente Swan.
— Sim. Não quis de forma alguma incomodar, mas eu tinha algumas perguntas para fazer e achei que fosse melhor vir pessoalmente.
— Eu e minha esposa estamos sempre dispostos a ajudar nesse caso. – Ele continuava de pé. Demonstrando poder e força.
Bella via claramente que ele estava protegendo a esposa. Via o quanto ele tentava ser forte por ela.
— Você estava fazendo perguntas a respeito de Edward Cullen para minha mulher? Por que o interesse?
— Eu contei para ela que eu pedi pra ele se tornar amigo de nossa filha. Talvez ele conseguisse algo... – Elisa falou com a voz embargada.
— Lisa. Meu amor! – Ele por fim mostrou o quanto estava cansado e triste. – por que você o colocou dentro dessa história toda?
Elisa se afastou do marido tão rapidamente e tão cheia de desespero que Bella ficou com pena.
— Eu sei Thomas que você queria que eu a deixasse para lá. Que a esquecesse, mas eu tinha que tentar, ela era e a minha filhinha. Ela poderia sim ter entrado em contato com ele para conversar depois que eles se tornassem amigos. Ele ia fazer isso por ela. – Ela falava nervosa se atropelando nas palavras. – Edward poderia ter conseguido se eu tivesse feito esse pedido há mais tempo. Mas ele não teve tempo e nem a minha filha.
— Tudo bem. – Ele tentava acalma-la – Tudo bem meu anjo.
Ela ia se acalmando aos poucos. Ela podia contar com o apoio e amor do marido.
— O que posso fazer agora. Somente esperar pela Justiça. – Elisa falou.
— Eu vou conseguir essa justiça para a Senhora. – Bella prometeu.
— Eu sei que vai. Antes eu não confiava muito nisso, mas depois que o Edward me falou de você e passei a acreditar.
— Ele falou com a senhora... Falou do caso com a senhora?
— Ele me ligou há uns dias atrás para saber como eu e Thomas estamos e também para dizer que talvez a senhorita viesse me visitar quando tivesse tempo. – Ela riu um pouco. – Meu amigo dificilmente se engana com as coisas. Ele me falou que eu ia acha-la organizada, competente e muito dedicada. E eu vejo que você é. Estou feliz por ter percebido essas qualidades com meus próprios olhos. Agradeço muito por ser você que esteja cuidando do caso da minha filha.
— Senhora Forbes. – Bella pensou um pouco, mas decidiu arriscar essa informação. – Se eu contar para você que Edward é um suspeito?
Elisa ficou tensa por alguns segundos, mas logo se acalmou.
— Eu falaria que a Senhorita está perdendo seu tempo em um caminho que não vai dar em nada.
— Por que ele seria incapaz de cometer um assassinato?
— Não. Não por essa razão. – Elisa pensava agora como uma advogada. – Mas sim por que ele é incapaz de um ato insensato. Ele poderia matar sim, mas jamais alguém indefeso. Não me surpreenderia se eu soubesse que ele matou alguém, mas fazer o que fizeram com a Jéssica? Não. Edward não.
Edward Cullen não seria capaz disso, Bella pensava enquanto seguia com o táxi até a estação do metrô.
Por que ele não contou para ela que tinha sido a pedido da mãe de Jéssica que ele se encontrasse com ela? Por que ele escondeu isso dela? O que mais ele está escondendo?
Ele podia está sofrendo chantagem dela. Mas ela não conseguia vê-lo como vítima de chantagem.
Porém com esses diários tudo muda. Ele deve ter ficado sabendo dos diários. Onde estavam esses malditos diários?
******
— Foi moleza despista-lo. – Charlie falou enquanto encarava o que achava ser um café da manhã na Central de polícia. – Eu sacava que ele estava atrás de mim, aí depois ficou procurando por você em todos os lugares, então eu aproveitei a distração dele e entrei no avião.
Charlie comia os ovos com café sem reclamar enquanto continuava seu discurso.
— Ele foi no mesmo avião que eu, mas só que foi de primeira classe. Quando eu desci ele já estava lá fora esperando e foi só então que ele notou que eu estava só. Ele ficou com raiva e fez algumas ligações. Então depois eu que comecei a segui-lo. Ele foi até o Hotel Luxor. Eles não gostam muito de apoiar a polícia por lá. Eles ficam irritados quando a gente mostra o distintivo.
— Então, você espeto como é, explicou carinhosamente sobre o dever cívico.
— Exatamente. – Charlie terminou de comer e colocou a xícara e o prato dentro do aparelho de reciclagem. – Ele ligou para Washington e para Virginia, onde você estava. Depois ligou para o nosso querido chefão, o Secretário de Segurança.
— Droga!
— É uma droga mesmo. O Secretário Aro Volturi está ajudando Stanley nesse assunto.
Antes que Bella pudesse pensar em um palavrão enorme o seu comunicador tocou. Ela atendeu e viu o Comandante.
— Swan, desça para a seção de Testes em dez minutos.
— Senhor. Tenho um encontro agora com um informante do caso Lucas.
— Marque para outra hora. – O Comandante estava sério ao desligar.
— Acho que sei que espécie de ajuda o Senador está pedindo ao Secretário. – Bella falou com raiva.
— Parece que o Senador está bastante focado em você. – Charlie sabia que era muito complicado para qualquer policial encarar a Seção de Testes. – Foi vai ficar bem com esses Testes?
— Vou sim. Só que vou perder metade do meu dia. – Ela bufou. – Mas você vai agitando as coisas enquanto eu estiver ausente. Quero que você pesquise os bancos de Nova York para saber se Jéssica Stanley tinha contas neles. Se não encontra nada estenda a procura para cidades vizinhas.
— Pode deixar. Tenente boa sorte lá.
— Obrigada. – Ela saiu em direção ao sofrimento.
******
A Seção de Testes era um andar cheio de corredores que mais parecia um labirinto. Corredores todos de vidro e alguns pitando com cores que em vez de acalmar só deixavam as pessoas mais nervosas. Vario médicos passavam com seus jalecos brancos e isso assustava qualquer um, inclusive a corajosa Tenente Swan. Quando Bella passou pela primeira ala, ouviu o computador solicitar que deixasse a arma em uma bandeja que estava ao lado. Ela tirou a arma e viu quando esta estava sendo levada por uma esteira.
Sentir que estava sem sua arma perto de si a deixava mais desconfortável do que quando tirou a roupa na Sala de Testes L-A.
Ela colocou a roupa no local designado e procurou não pensar nos técnicos que a estavam vendo naquele momento sem roupa. Eles a avaliavam com suas máquinas enquanto varias luzes passavam por ela.
Ela passou facilmente pelo exame físico. Tudo o que precisou fazer foi ficar parada dentro de um cilindro e ficar olhando fixamente para as luzes que piscavam enquanto seu órgão e osso eram avaliados a procura de algum problema.
Depois disso ela vestiu um macacão verde e sentou em uma cadeira enquanto uma máquina avaliava seus ouvidos, olhos e os seus reflexos. Um médico entrou e tirou uma amostra do sangue dela.
Ela ouviu o comando do computador que solicitava que ela se dirigisse para a sala L-B. A primeira fase dos testes estava completa.
Na outra sala pediram para que ela deitasse em uma maca onde um aparelho ia verificar o cérebro dela.
Bella conseguia ver os movimentos dos médicos atrás das paredes de vidro, então o capacete foi baixado até encostar-se à sua cabeça.
Então os verdadeiros testes começaram.
A maca em que ela estava inclinou-se para que ela ficasse sentada. Ela ainda estava com o aparelho na cabeça. Ela foi presenteada com uma pequena sessão de realidade virtual. O simulador a colocou em um veículo que estava em alta velocidade. Ela ouvia vários barulhos de sirenes, ordens que vinham do painel do carro. O carro era um veiculo padrão da polícia e ela tentava desviar dos pedestres e ambulantes que o computador faziam aparecer na frente dela.
Ela sabia que estava sendo avaliada. Sua pressão sanguínea, e até mesmo o suor que saia de seus poros eram avaliados. Ela passou rapando por um trabalhador da zona portuária, local que reconheceu através do cheiro de peixe morto.
Ela ouviu o simulador informar: Suspeito armado com explosivo caseiro e arma de atordoar. Procurado por tráfico e homicídio.
Que bom. Bella acelerou o carro e torou tinta do para-lama do carro do suspeito. Ela abaixou quando sentiu um raio passar de raspão por sua cabeça.
A Tenente viu quando as pessoas tentavam sair da frente dos veículos que passavam em alta velocidade. Ela ouviu vários palavrões.
Ela bateu mais uma vez na traseira do carro fazendo-o dar uma guinada, aproveitando esse momento ela bateu mais uma vez com força fazendo-o parar. Ela saiu do carro e foi em direção ao veículo perseguido, se identificou e viu quando ele apontou a arma para atirar nela, mas ela foi mais rápida e o atordoou. O choque que ele levou fez com que ele desmaiasse e ela efetuou a prisão.
Mas conseguiu respirar e os técnicos que a estavam examinando a colocaram em outra cena. Ela começou a ouvir os gritos da garotinha.
Eles conseguiram formar a cena quase com perfeição por meio do relatório policial que ela fez e das imagens que foram tiradas da sua cabeça através do scanner feito há pouco.
Bella tentou controlar sua raiva enquanto era transportada para o seu passado. Ela estava novamente subindo as escadas e não mais ouvia os gritos da garota. Parou próximo da porta e se identificou.
— Pode entrar sua puta! Vocês são todas vagabundas. Vem que eu vou matar você.
A porta se partiu como um isopor quando conseguiu arromba-la.
— Eu vou matar você como eu fiz com ela. Vem sua puta, você é igual à mãe dessa vadiazinha aqui.
Bella viu a garotinha, olhando para ela com seus olhinhos já mortos. Parecia uma boneca e tinha tanto sangue.
— Abaixe essa arma. Abaixa essa faca! – Ela gritava. – Fique parado. Não se aproxime. – Ela ordenava, mas ele continuava a ir em direção a ela.
Ela o atingiu com a arma de atordoar, mas ele continuava vindo.
A sala era pequena e fedia a comida estragada. Havia um sofá rasgado com um brinquedo quebrado em cima. As cortinas estavam amareladas e havia uma mesa com um telelink quebrado em cima.
A faca pingava sangue quando ele vinha na direção dela.
— Eu vou te estuprar com isso aqui, vou enterrar dentro de você e depois vou te retalhar.
Ela mais uma vez o atingiu com a arma, mas isso só o fez ficar com mais raiva e vir mais rápido.
Então ela o matou.
O choque da arma primeiro matou o cérebro dele e fez com que o corpo tombasse em convulsão. Ela chutou a faca para longe e olhou para a garotinha. Mais uma vez ela chegou tarde demais para salva-la.
Ela respirou fundo e pensou nos testes que ainda tinha que fazer. A simulação havia acabado e seus sinais vitais foram mais uma vez avaliados. Agora ela faria uma entrevista com a psiquiatra.
A Tenente Swan não tinha nada contra a Doutora Renée Donovan. Ela era uma ótima profissional e se ela trabalhasse em seu próprio consultório ganharia muito mais do que ganhava na polícia.
Tinha uma voz calma com um leve sotaque inglês. Seus olhos azuis eram gentis e penetrantes. Aos cinquenta anos não aparentava tristeza por estar chegando próximo da terceira idade, isso por que com a mágica que era feita nos dias atuais parecia ter seus quarenta anos.
Os cabelos eram dourados, quase vermelhos e estavam presos em um coque bem feito na cabeça. Usava um terninho na cor rosa que caiam com perfeição nela.
Não mesmo. Bella não tinha nada contra ela, apenas detestava médicos e principalmente psiquiatras.
— Tenente Swan. – Renée levantou-se da poltrona branca para recebê-la.
Bella notava que a sala parecia com a sala de uma residência, isso era para que os pacientes não se sentissem desconfortável com a avaliação que estava sendo feita.
— Doutora Donovan. – A Tenente sentou na poltrona indicada pela doutora.
— Estava querendo me servir de um chá, você aceita um também?
— Sim.
Renée andou com graciosidade até o AutoChef para solicitar os dois chás e os levou para a mesa que estava próxima às poltronas.
— Tenente, foi um pouco ruim que seus testes tenham sido adiados. – Sorrindo calorosamente ela sentou e provou seu chá. – Os resultados são mais favoráveis quando feito no período de vinte e quatro horas depois que tudo aconteceu.
— Eu não tive como evitar esse adiamento.
— Eu sei. Seus resultados iniciais foram ótimos.
— Bom saber disso.
— Você se recusa ainda a fazer a auto- hipnose.
— É uma escolha minha. – Bella não gostava daquele assunto.
— Eu entendo e respeito. Você teve alguns momentos difíceis em sua vida tenente. Os exames mostraram alguns sinais de cansaço.
— Eu estou em um caso que é muito complicado e toma grande parte do meu tempo.
— Eu sei. Tenho essas informações. Você está tomando o remédio que lhe foi indicado para dormir?
— Não. Já falei isso antes e vou falar de novo, eu não gosto de remédio, muito menos para dormir.
— Por que eles te enfraquecem e te limitam?
— Exatamente. Não gosto de remédio por que me deixam fraca e também não gosto de estar aqui. Sinto-me invadida com eles.
— Você considera os nossos testes uma espécie de invasão?
— Não é uma coisa que a gente faz por que gosta.
A doutora suspirou.
— Tenente, matar alguém mesmo que por ato de defesa pode mexer com as emoções de uma pessoa. Se um policial for afetado por isso pode ter o seu trabalho afetado e isso é muito perigoso. Temos que corrigir qualquer problema que apareça e isso é feito através dos testes.
— Eu sei de tudo isso e estou aqui cooperando com o seu trabalho, mas não sou obrigada a gostar.
— Não. Você não é obrigada a gostar. Tenente, essa é a terceira morte que você tem nas mãos, eu sei que é bem pouco para o tempo que você já está na polícia, mas muitos policiais nunca passaram por isso. Eu queria saber como você se sente após escolhe matar aquele homem.
Se eu pudesse escolher, escolheria estar morta se aquela garota estivesse viva, pensou Bella.
— Levando em consideração que naquele momento era escolher entre ele e eu, eu me sinto muito feliz com a minha escolha. Eu ordenei que ele parasse e ele não o fez, os meus tiros de atordoamento não surtiram efeito. Eu vi o que ele fez com a garota e sabia que se eu não o parasse ele faria o mesmo comigo.
— Você se sente abalada pela morte da criança?
— Qualquer um se sentiria abalado pela morte de alguém indefeso.
— Você acha que existe semelhanças entre o caso dessa criança com você? – Renée perguntou e viu quando Bella se fechou e se tornou rígida. – Tenente, eu sei de tudo o que você passou na sua infância. Sei dos abusos físicos, morais e sexuais que você sofreu. Você foi abandonada quando tinha apenas sete anos de idade.
— Não vejo o que isso tem a ver...
— Acho que tem a ver sim, com o seu emocional e principalmente seu estado mental. Você viveu três anos de sua vida em um abrigo, só saiu de lá aso dez anos. Seus pais foram procurados por todos os lugares e não foram achados. Você não se lembra de nada da sua vida até os sete anos de idade. Não lembra sua cidade, seu nome verdadeiro e nem do que fez você chegar até o local em que você foi encontrada.
Embora a Doutora falasse isso com toda suavidade de que era capaz, seus olhos eram frios e astutos, prontos para captar quando sua paciente ameaçasse desabar.
— Você ganhou o nome de Bella Swan e enfim foi colocada para ser adotada. Você foi uma criança que dependeu do Sistema por muito tempo e viu muitas vezes esse Sistema falhar com você, mas você não tinha como controlar nada disso.
Bella lutou com todas as suas forças para não desabar na frente da doutora. Ela não queria mais sentir-se fraca por isso, mas não conseguia. O sentimento de angustia por não se lembrar de nada e por ter sofrido tudo o que sofreu sempre procurava formas de derruba-la. Mas ela se manteve forte agora.
— O Sistema falhou comigo, mas eu falhei com ele por ter deixado aquela garota morrer. Você realmente quer saber como me sinto?
Arrasada. Destruída, Bella pensou.
— sinto que fiz tudo que podia. Revivi tudo de novo pelo simulador e fiz a mesma coisa. Se eu pudesse evitar a morte dela eu teria feito, mas não pude.
— Tudo estava fora do seu controle. – Renée falou.
— Estava no meu controle a ação de matar o suspeito. Você teve acesso ao meu relatório e sabe que eu agi corretamente.
Renée ficou calada por um tempo. Tentou de todas as formas abalar as estruturas da Tenente Bella Swan, mas não conseguiu nem um pequeno arranhão. Isso a deixou feliz.
— Ok. Tenente Swan você está liberada para reassumir suas funções sem nenhuma restrição por parte do departamento de testes. – Renée fez com que Bella recuasse antes mesmo dela pensar em levantar. – Agora só entre nós...
— Tem mais alguma coisa? – Bella perguntou.
— Em algumas pessoas a mente trabalha para proteger e a sua está trabalhando para ocultar seus primeiros sete anos de vida. Mas nós sabemos que aquele tempo faz parte de você e eu posso ajudar você a trazê-los à tona. Bella, eu posso te ajudar a lidar com eles.
— Eu me transformei no que sou hoje por mérito meu e não preciso de sete anos da minha vida para me sentir melhor. – Bella levantou e foi em direção à porta, mas antes de chegar lá se virou para olhar a doutora. Ela ainda estava sentada com a xícara de chá nas mãos. – Doutora, hipoteticamente falando. – Ela viu quando Renée fez um movimento com a cabeça para que continuasse. –Uma mulher que é rica e tem ótimas relações sociais resolver virar uma prostituta. – Bella viu quando Renée franzir a sobrancelha com o termo usado. – Ok. Ela resolve ganhar a vida com o sexo e decide passar isso na cara da família conservadora e do avô controlador. Por que ela faz isso?
— É difícil dar uma boa resposta com poucos dados. Talvez essa mulher só consiga se valorizar e se sentir bem quando pratica sexo. Ela ama fazê-lo ou simplesmente detesta.
Pensando na resposta Bella se sentiu intrigada.
— Se ela detesta por que trabalha com isso?
— Para machucar.
— A si mesma?
— Provavelmente, e a também quem a cerca.
Machucar. Diário. Chantagem. Bella fazia as ligações rapidamente.
— Se um homem mata alguém doutora, brutalmente. Se o assassinato tem relação com sexo, e é realizado com um padrão próprio. Ele grava tudo e depois corrompe um sistema de segurança. Uma cópia dessa gravação é enviada para o responsável pelo caso. Uma mensagem é deixada na cena do crime. O que é esse homem?
— Eu diria que ele é criativo. Confiante e arrogante. Você falou que existe um padrão nas mortes, isso mostra que ele quer deixar sua marca. Quer que suas habilidades sejam admiradas. Você acha que ele gostou de fazer isso Tenente?
— Sim. Ele adorou cada momento.
— Então provavelmente vai querer agir de novo.
— Já agiu. Dois assassinatos em menos de uma semana entre um e outro. Ele não vai querer esperar algum tempo para cometer o próximo assassinato não é Doutora?
— Duvido que espere. Além do autor e do método o que mais liga os dois casos?
— Sexo puro e simples.
— Sei. Mesmo com toda a nossa tecnologia e os avanços genéticos ainda somos incapazes de controlar nossas virtudes e falhas. As paixões são essenciais para a nossa sobrevivência. Sexo e violência, para muitas pessoas isso é comum e devem andar sempre juntos.
A doutora levantou para colocar as xicaras ao lado do AutoChef.
— Fiquei interessada em saber mais sobre esse homem. Se quiser um perfil completo dele pode me procurar que terei muito prazer em ajuda-la.
— Estamos trabalhando com Código Cinco nesse caso.
— Entendo.
— Se não conseguimos chegar até ele antes que ele chegue até a próxima vítima, talvez eu apareça por aqui para pedir ajuda.
— Estarei esperando.
— Obrigada doutora.
— Bella. Mesmo mulheres fortes e que trabalharam para moldar a si mesma, mesmo ela possuem pontos fracos e ocultos. Não fique com medo de encara-los de frente.
— Vou tentar... – Saiu antes que baixasse a guarda.
Notas finais
Quero muuuuuitos comentários e farei o possível para postar mais amanhã.
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