Nudez Mortal

29 Segredos Revelados.


Notas iniciais
Oi meninas, voltei.
Esse capítulo vai revelar um segredo que vai ajudar a descobrir o assassino. Esse capítulo talvez seja o penúltimo...
Queria agradecer imensamente a recomendação de
ineidathomaspattinson, valeu flor, achei linda suas palavras.
Sejam bem vindas novas leitoras...

FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR

- Muito bem. Obrigada Damon. Agora você vai ficar calado sobre esse assunto. Nada de comentar sobre bancos, cofres ou diários.

— Que diários Tenente delicia? – Ele perguntou e deu uma piscada sensual para ela. Depois mandou um beijo antes que Charlie o empurrasse para longe na tela.

— Estou voltando agora para a Central, Bella. Mantenha contato comigo.

— Ok. Tchau. – Bella desligou e guardou o comunicador no bolso.

Edward esperou uns instantes antes de perguntar.

— Tenente delicia?

— Não me amola, Edward. – Ela fechou os olhos tentando ignora-lo, mas sem tirar o sorriso do rosto.

*******

Quando o avião aterrissou, Bella foi obrigada a concordar que o nome Cullen tinha mais poder do que seu próprio distintivo. Em poucos minutos eles estavam dentro de um carro super possante indo velozmente para o destino que os trouxeram até o estado da Virginia, a residência dos Stanley. Ela ainda pensou em reclamar com ele por ter sido obrigada a ir no banco do carona, mas logo se calou quando viu que ele estava indo o mais rápido que podia.

— Você já correu em Formula 1, Edward?

— Nunca. – Ele olhou para ela e sorriu enquanto dirigia como um raio pela Rodovia 87. – mas eu já participei de alguns pegas.

— É, deu para notar. – Ela segurou com força a barra que ficava na lateral acima da porta quando ele acionou os controles e fez o carro alçar voo por cima do trânsito que estava formado a sua frente, mesmo isso sendo ilegal. – Você havia me falado que Thomas era um ótimo amigo. Como você o descreveria para mim?

— Calmo, esperto, amigo. Ele não é muito de conversar, mas quando precisa falar só diz o necessário. Ele está sempre atrás de seu pai e sempre que acha que é necessário torna-se contrario a ele.

— Como é a relação deles dois, pai e filho?

Edward fez o carro retornar novamente para a estrada e tocou os pneus do veiculo levemente no chão quando aterrissou o carro.

— Eu escutava pouco, mas através desse pouco que ele me contava e também do que a Lisa me dizia, era uma relação de disputa, uma relação triste.

— E como era entre ele e a filha?

— As escolhas de vida feitas por ela iam contra as ideias do pai, contra a moral dele. Ele é um grande defensor do direito à liberdade de escolha, mas eu não consigo imaginar nenhum pai feliz quando sua filha escolhe ganhar a vida vendendo seu próprio corpo.

— Ele não era o responsável pela segurança do pai dele na última campanha para o Senado?

Edward fez o carro levantar voo mais uma vez e entrou por uma rua lateral. Ele ficou passando por cima de casas e ruas movimentadas e logo depois aterrissou em uma rua com pouco movimento e desligou o carro, mas mesmo assim permaneceu em silêncio.

Bella já havia parado de contar a muito tempo quantas infrações ele havia cometido.

— A lealdade que existe na família é muito mais forte do que qualquer assunto de política. Um homem como Stanley, que pensa como ele só atrai dois tipos de sentimento, o respeito ou o ódio. Thomas podia até ir contra o pai em algumas coisas, mas não queria o ver morto. Como ele tem certa experiência nesses assuntos, é claro que ele ajudou seu pai na sua segurança durante a campanha.

Um filho sempre tem que proteger seu pai, Bella pensou.

— E se fosse o contrário? Até onde Stanley iria para proteger seu filho?

— Proteger de que? Thomas é um homem que faz parte dos moderados. Tem por habito se manter quieto e defende suas causas sem fazer alarde. Ele... – Finalmente ele compreendeu o que ela estava querendo dizer com a pergunta. – Não. Você esta muito longe do assassino se for por este caminho. – Edward falou nervoso.

— Isso é o que vamos ver.

A casa que ficava em cima de uma colina parecia estar calma. Mostrava-se até mesmo acolhedora.

Bella realmente constatou que as aparências enganavam. Ela sabia que naquela casa não reinava uma paz familiar, nem uma felicidade tranquila e muito menos vidas ajustadas. E estava mais certa disso tudo ao saber o que acontecia entre aquelas quatro paredes revestidas por janelas brilhantes.

Elisa abriu a porta. Se ainda fosse possível, ela ainda estava mais abatida e cansada do que a última vez que Bella havia falado com ela. Os olhos vermelhos de tanto chorar e a roupa um tanto larga por conta da perca de peso.

— Oh, Edward! – Quando ela se jogou nos braços do amigo, Bella pensou ter ouvido o som de ossos se quebrando. – Eu não devia tê-lo feito vir até aqui. Não queria ter te incomodado.

— Isso é bobagem. – Ele levantou o rosto dela com tanta delicadeza que Bella se emocionou, mas tentou disfarçar – Você não esta se cuidando direito Lisa.

— Parece que eu não tenho mais forças para nada. Não consigo comer direito, pensar direito. Tudo parece estar desabando em cima de mim e eu... – Parou de falar de repente ao perceber que os dois não estavam sozinhos. – Tenente Swan, como vai?

Bella notou o olhar de acusação que Elisa deu para o Edward quando esta olhou para ele.

— Não foi ele que me trouxe, senhora Forbes. Na verdade eu o trouxe. Eu recebi hoje cedo uma ligação de uma mulher vinda desta casa. Foi à senhora que me ligou?

— Não, não fui eu que a fiz. – Ela recuou um passo e torceu as mãos por conta do nervosismo. – Deve ter sido Nichole. Ela chegou ontem aqui, já era noite e ela me pareceu um tanto nervosa, transtornada. A mãe dela foi hospitalizada e o diagnostico não foi muito positivo. Acho que o estresse das ultimas semanas foi ruim não só para mim, mas para todos. Foi por esse motivo que eu pedi para que você viesse, Edward. Thomas não aguenta mais e eu tenho medo de que ele adoeça. Eu não consigo ajuda-lo, precisamos de ajuda.

— Por que nos não entramos e sentamos, a gente pode conversar melhor.

— Eles estão lá na sala. – Ela virou para olhar na direção indicada. – Ela esta nervosa e se nega a tomar tranquilizantes. Não quer falar por que está assim. Ela se recusa até a comer. Ela só pediu para que avisássemos a seu filho e a seu marido de que ela estava aqui, mas ela pediu que eles não viessem para cá. Ela teme por eles, acha que estão em perigo. Eu acho que o que aconteceu a Jéssica a tenha deixado preocupada com o filho. Ela colocou na cabeça que precisa salva-lo, mas ninguém sabe do que ou de quem.

— Se foi ela mesma que me ligou hoje cedo, talvez queira falar comigo. – Bella falou.

— Sim, é verdade.

Ela os levou pelo saguão até a sala onde os outros estavam

Nichole estava sentada em um sofá abraçada ao irmão, não se sabe se para conforta-lo ou para receber o apoio dele.

Thomas olhou para Edward com os olhos inchados de tanto chorar.

— Foi muito bom você ter vindo Edward. Estamos arrasados. – A voz dele tremeu por alguns instantes, mas ele procurou se recompor – Esperamos que um pouco da sua força passe para nós.

— Elisa. – Edward se abaixou em frente à Nichole e segurou as mãos dela. — Por que você não providencia um pouco de café para nos acalmarmos.

— Oh sim, vou providenciar.

— Nichole. – A voz dele saiu tão ou mais suave do que a forme como ele segurava as mãos dela. Porém a voz a despertou de um transe e ela o empurrou para longe.

— Não... O que você está fazendo aqui?

— Vim a convite de Elisa para uma visita. Sinto muito pelo estado de sua mãe. Ela vai ficar bem.

— Bem... – Ela soltou uma gargalhada para logo depois começar a soluçar com o choro. – Ninguém nunca mais vai conseguir ficar bem novamente nessa família. Como faremos isso? Estamos todos sujos. Somos culpados por tudo.

— Culpados pelo que?

— Não posso falar para você. Não devo... – Ela se afastou mais ainda dele e ficou encolhida no canto do sofá.

— Deputada Stanley, sou a Tenente Swan. A senhora me ligou hoje.

— Não. Eu não liguei. – Ela ficou em pânico e cruzou os braços em volta do corpo como forma de proteção. – Eu não liguei e nem falei nada.

Ao notar que Thomas se inclinava na direção da irmã, Bella lançou para ele um sinal de advertência e antes que ele fizesse algo ela sentou entre os dois e segurou as mãos frias de Nichole.

— A senhora pediu minha ajuda e eu estou aqui para isso. Eu posso te ajudar.

— A senhorita não vai poder me ajudar, aliás, ninguém vai poder fazer isso. Eu não deveria ter ligado. Temos que manter na família todos os segredos. Eu tenho meu marido e um filho que precisa de mim. – Ela recomeçou a chorar – Preciso mantê-los a salvo. Eu preciso fugir com eles para bem longe.

— Nós vamos proteger você e sua família. – Bella falou com calma – Era muito tarde para protegermos Jéssica. Você não precisa se culpar por isso.

— Eu nem tentei impedir. – Ela sussurrou. – Eu até mesmo fiquei feliz, por que já não acontecia mais comigo. Ele não me queria mais e sim a ela.

— Senhora Stanley, eu posso e vou te proteger. Vou proteger você e sua família. Agora me conte, quem a estuprou?

— O que? Meu Deus. – Thomas deixou escapar um grito de choque. – O que é que você está falando? Por que você...

— Fique calado. – Bella lançou a ele a advertência junto com um olhar mortal. – Não tem que existir mais segredos aqui.

— Segredo. – Nichole falou com medo. – Isso precisa ficar em segredo.

— Não. Não tem que guardar segredo. Esse tipo de segredo machuca muito. Ele se infiltra por dentro de você e a consome. Ele a deixa com medo e faz você sentir culpa. Aqueles que precisam que o segredo fique guardado usam isso a seu favor, o medo, a culpa, a vergonha. A única forma que você tem para vencer isso é contando tudo. Vamos, me conte quem a estuprou.

Nichole esqueceu por instantes de como respirar, ela olhou para o irmão, mas Bella segurou delicadamente, porém com firmeza o queixo dela para que ela não desviasse sua atenção e nem perdesse a coragem.

— Olhe para mim. Mantenha seu foco em mim. Diga-me, quem a estuprou? Quem estuprou você e Jéssica Stanley?

— Meu pai. — As palavras saíram rasgando sua garganta. – Meu pai. Meu pai. Meu pai. – Então ela começou a chorar.

— Meu Deus. – No outro lado da sala Elisa esbarrou no androide que trazia a bandeja com o café derrubando todo este no chão. – Não pode ser, minha filha.

Thomas levantou-se e foi correndo até sua esposa antes que essa desabasse no chão sem forças. Ele a amparou e ficou com ela segura em seus braços.

— Eu vou mata-lo por ter feito isso. Eu juro que irei mata-lo. – Thomas falou com ódio. – Ele apertou o rosto contra os cabelos da esposa que chorava. – Oh Deus, Lisa.

— Faça o que achar melhor para acalma-los. – Bella falou para Edward enquanto puxava Nichole para junto de si.

— Você pensou que fosse Thomas? – Edward perguntou baixinho para ela.

— Pensei. – Seus olhos estavam frios e sem vida quando ela os virou para olha-lo. – Achei que fosse o pai de Jéssica. Talvez eu não pudesse colocar na minha cabeça que algo tão monstruoso viesse acontecendo por duas gerações.

Edward se inclinou para frente e a prendeu com seu olhar furioso.

— De qualquer forma, Stanley pode se considerar morto.

— Ajude seus amigos. – Bella respondeu no mesmo tom. – Eu tenho um trabalho a fazer aqui.

Bella deixou que Nichole chorasse tudo o que tinha para chorar, mesmo sabendo que todas aquelas lágrimas nunca iriam lavar as feridas que ela carregava. Sabia também que se não fosse com seu apoio ela nunca teria contado nada. Foi Edward quem ajudou a acalmar Elisa e Thomas e foi ele também que ordenou que o androide recolhesse toda a louça quebrada no chão. Foi ele que ficou segurando as mãos de Elisa e Thomas e foi ele também que no momento certo pediu que fizessem um chá calmante para Nichole.

Elisa foi buscar o chá e fechou as portas da sala quando entregou o chá para a cunhada.

— Aqui está querida. Você precisa se acalmar, beba um pouco.

— Eu sinto tanto – Nichole colocou as mãos em volta da xícara quente para esquenta-las. — Sinto muito. Eu achei que já tinha acabado. Pensei que tudo tivesse parado. Não poderia continuar a viver se pensasse que tudo continuava.

— Está tudo bem. – Com o rosto sem vida Elisa foi para perto do marido.

— Senhora Stanley, preciso que a senhora conte-me tudo. Deputada Stanley... – Bella esperou com toda paciência do mundo até que Nichole voltasse sua atenção novamente para ela. – A Senhora entende que essa nossa conversa está sendo gravada?

— Ele vai parar você. Ele vai impedir você de seguir em frente.

— Não. Ele não vai me parar. Foi por essa razão que você me ligou, por que sabia que seria eu quem o pararia.

Notas finais
No próximo capítulo, ainda estou pensando se será o ultimo, vcs entenderão um pouco mais como tudo começou e como Jéssica entra nessa história sórdida. Vamos ver como Bella ira agir daqui pra frente para prender esse monstro e saberemos se foi mesmo ele que matou as três mulheres.