Nudez Mortal
30 O motivo de tudo.
Notas iniciais
Mas uma vez eu queria lembrar para vcs que essa fic é baseada no livro de uma escritora que eu amo de paixão, Nora Roberts.
Agradeço todos os elogios de vcs e quero que mentalmente vcs agradeçam a ela por ter uma mente tão brilhante.
Nesse capítulo vcs vão saber todos os mistérios da família Stanley.
Vou logo adiantando para vcs que essa fic vai terminar no próximo capítulo, mas ela vai terminar de uma forma que é meio diferente do fim de outras fics que eu já li aqui no Nyah. Não vamos ter casamento no fim, nem gravidez, mas vamos ter sim o fim desse caso.
Já comecei a escrever a outra fic que vai ser a continuação dessa, teremos lá um novo caso, e continuaremos nos apaixonando mais ainda pela vida da nossa Tenente Bella e do nosso lindo e sombrio Edward Cullen.
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
- Eu sinto tanto – Nichole colocou as mãos em volta da xícara quente para esquenta-las. — Sinto muito. Eu achei que já tinha acabado. Pensei que tudo tivesse parado. Não poderia continuar a viver se pensasse que tudo continuava.
— Está tudo bem. – Com o rosto sem vida Elisa foi para perto do marido.
— Senhora Stanley, preciso que a senhora conte-me tudo. Deputada Stanley... – Bella esperou com toda paciência do mundo até que Nichole voltasse sua atenção novamente para ela. – A Senhora entende que essa nossa conversa está sendo gravada?
— Ele vai parar você. Ele vai impedir você de seguir em frente.
— Não. Ele não vai me parar. Foi por essa razão que você me ligou, por que sabia que seria eu quem o pararia.
*********
— Sabe de uma coisa, ele tem medo de você. – Nichole confessou com um sorriso sem graça. – Eu percebi isso, o medo que ele tem de você. Ele tem medo de todas as mulheres. Acho que é por essa razão que ele as machuca. Acho que ele fez alguma coisa com minha mãe, algo que a quebrou por dentro. Ela sabia.
— A sua mãe sabia que seu pai abusava de você?
— Sabia sim, mas fingia não saber. Eu via nos olhos dela que ela sabia. Ela não queria saber, queria que tudo na nossa família fosse perfeito para ela poder organizar suas festas e dar uma de esposa feliz do Senador. – Nichole cobriu o rosto com as mãos. – Quando ele aparecia no meu quarto à noite eu via tudo nos olhos dela no outro dia pela manhã. Sempre que eu tentava falar com ela sobre o que acontecia, ela não parava para me ouvir, ela fingia não saber sobre o que eu estava falando. Eu pedia para ela fazê-lo parar com aquilo, mas ela dizia para eu parar de inventar coisas e me mandava ficar quieta e dizia que eu tinha que respeitar a família.
Ela abaixou as mãos e novamente pegou a xícara de chá, mas não o bebeu.
— Quando eu era criança, devia ter por volta de seis ou sete anos, ele vinha à noite e me tocava. Dizia para mim que estava tudo bem, que eu não ficasse com medo por que ele era o papai e eu tinha que fingir que era a mamãe. Ele dizia que era só uma brincadeira, mas era uma brincadeira que só nós dois poderíamos brincar. Ele dizia que eu tinha que fazer coisas, que eu tinha que tocar nele... Tinha que...
— Tudo bem, tudo bem. – Bella interviu quando notou que ela começou a tremer e a ficar mais pálida do que nunca. – Você só precisa contar o que conseguir, não precisa ser tudo.
— Nós tínhamos que obedecer a ele. Éramos obrigados a isso. Ele era o mais forte em nossa casa. Você lembra Thomas?
— Sim. – Thomas segurou a mão da irmã e a apertou com força como se pudesse fazê-la transferir toda dor para ele. – Eu lembro sim.
— Eu não contei nada para você por que eu não podia. Eu tinha vergonha, medo e a mamãe sempre virou a cara para essa história então eu simplesmente achei que tinha que aceitar tudo o que ele fazia comigo. – Ela limpou as lágrimas do rosto. – No dia do meu aniversário de treze anos, foi feita uma festa em casa. Estava cheia de gente, meus amigos, os cavalos. Lembra-se dos cavalos, Thomas?
— Lembro. – Ele começou a chorar silenciosamente. – Lembro sim, querida.
— Naquela noite ele veio até o meu quarto e me disse que eu já estava bem grandinha. Disse que ia me dar um presente, um presente especial por que eu já era uma mocinha. Ele me estuprou. – Ela tirou sua mão das mãos do irmão e tapou o rosto para se esconder e começou a se embalar. – Ele me falou que aquilo era o meu presente. Oh Deus! Eu pedia para ele parar por que aquilo estava me machucando, ele fazia com força e ele não parava. Eu pedia para que ele parasse por que eu já tinha idade para saber que tudo aquilo era errado, que eu iria para o inferno se ele continuasse. Mas simplesmente ele não parou e continuou indo ao meu quarto sempre quando podia depois daquela noite. Isso aconteceu durante vários anos até eu conseguir me ver livre daquilo. Eu fui para uma faculdade bem longe de casa, onde ele não pudesse me tocar, onde nada mais acontecesse. E tentei colocar na minha cabeça que nada daquilo tinha acontecido. Que jamais aconteceu.
Ela parou por alguns minutos e tomou um gole do chá que já estava frio.
— Tentei ficar forte depois de tudo. Refiz minha vida. Pensei em me casar por que achava que assim não correria mais riscos. Jymme era um homem gentil. Nunca me machucou, me tratava com carinho. Eu nunca contei nada a ele, não tive coragem. Eu pensei que se ele soubesse ia me odiar, sentir nojo de mim e me abandonar, eu não ia aguentar se ele fizesse isso. Então continuei com a mentira que eu inventei para mim mesma, que nada havia acontecido.
Ela olhou pela primeira vez para Bella.
— Eu chegava a creditar na minha imaginação às vezes. Na maior parte do tempo sim. Eu conseguia me envolver com minha família, com meu trabalho. Mas então eu abri meus olhos para a realidade e vi que ele estava fazendo a mesma coisa com Jéssica. Eu queria ajuda-la, mas eu não sabia como. Então eu virei à cara para o problema da mesma forma que a minha mãe fez comigo. Ele matou Jéssica e agora vai querer me matar também.
— Por que você acha que foi seu pai quem matou a Jéssica? – Bella perguntou para ela.
— Por que ela não era fraca como eu. Ela não tinha medo. Ela passou a usar tudo aquilo que ele fazia contra ele mesmo. Ouvi os dois brigando uma vez no dia de Ação de Graças. Era um dos dias em que íamos todos para a casa dele para fingirmos sermos uma família que não somos. Vi os dois indo em direção à biblioteca e resolvi segui-los. Empurrei um pouco a porta e fiquei observando. Ele estava com muita raiva de Jéssica por que ela zombava dele publicamente pelas coisas que ele defendia. Ela respondeu para ele que ele que a tinha feito daquela forma. Ouvi-la gritar aquilo para ele me fez bem. Eu tive vontade de gargalhar. Ela o ameaçou, disse que contaria tudo para a imprensa se ele não pagasse para ela uma boa quantia em dinheiro. Ela disse que tinha tudo registrado, cada detalhe sórdido. Então ele teria que jogar o jogo com as regras dela. Eles gritavam, lançavam ameaças um para o outro e então...
Nichole olhou para o irmão e para a cunhada e desviou o rosto logo depois.
— Ela tirou o vestido e ficou só de lingerie. – O som do choro de Elisa fez Nichole tremer mais ainda. – Ela disse que ele poderia fazer sexo com ela como qualquer cliente. Só que ele pagaria um preço mais caro, muito mais caro. Ele olhava para ela com fome. Eu conhecia aquele olhar, um olhar vidrado que não olhava mais nada além do corpo de uma mulher. Ele começou a beijar o pescoço dela então ela me viu. Ela percebeu que eu estava ali há muito tempo e sorriu para mim com desprezo. Talvez com ódio, por que ela sabia que eu não faria nada para parar aquilo. Fechei a porta. Fechei a porta e fugi dali. Eu estava com nojo dele, dela e de mim mesma. Oh Elisa! Perdão, perdão.
— Você não teve nenhuma culpa nisso tudo. Ela deve ter de alguma forma tentado falar comigo e eu não parei para ouvir. Nunca vi nada, nunca escutei nada. Nunca passou isso pela minha cabeça. Eu que era a mãe dela e eu não a protegi.
— Eu tentei falar com ela. – Nichole apertou uma mão na outra. – Quando eu fui à Nova York para um evento para arrecadar dinheiro para a minha campanha. Ela me falou que eu já havia escolhido o meu caminho e ela o dela, só que o dela era muito melhor, ela me disse. Ela me disse que eu brincava de ser politica e tinha meus olhos vendados. Já ela brincava com outro tipo de poder e tinha os olhos bem abertos. No mesmo instante que eu soube de sua morte eu tive a minha certeza. Durante o funeral eu o observei e ele viu que eu o estava observando. Ele foi até onde eu estava e me puxou para um abraço como se estivesse tentando me consolar. Ele falou baixinho para mim que eu deveria tomar mais cuidado na minha vida. Ele pediu para eu guardar bem os segredos de família por que era aquilo que acontecia quando alguém não guardava os segredos. Ele disse que meu filho estava tornando-se um ótimo rapaz e que tinha grandes planos para ele. Falou que eu devia me orgulhar muito dele, mas também devia cuidar bem dele. – Ela fechou os olhos e começou a chorar silenciosamente. – De que modo eu podia agir? Ele é meu filho.
— Ninguém vai machucar seu filhou ou seu marido. – Bella segurou firme as mãos de Nichole. – Olhe para mim, eu prometo que ninguém fara mal a sua família.
— Eu nunca vou saber se poderia ter ajudado Jéssica. Nunca vou ter certeza de que podia ter salvado sua filha, Thomas.
— Mas saiba que você está fazendo tudo o que pode agora. – Bella apertou a mãos dela transmitindo segurança. – Vai ser uma luta difícil que você vai ter que encarar, Deputada Stanley. Terá que ter forças para encarar a imprensa se tiver que encarar e ir aos tribunais se for preciso.
— Ele nunca vai permitir que tudo isso chegue aos tribunais. – Ela falou derrotada.
— Ele não terá escolha quanto a isso. – Bella pensou que ele iria para os tribunais sim, ainda não por assassinato, mas com certeza ela iria coloca-lo na cadeira dos réus por abuso sexual. – Senhora Forbes, agora a sua cunhada precisa descansar um pouco. Pode acompanha-la até o quarto?
— Oh sim. – Elisa foi até onde estava a cunhada e segurando sua mão fez com que ela levantasse. – Venha querida, vamos descansar um pouco.
— Eu sinto tanto. – Nichole se apoiou na cunhada. – Deus me perdoe um dia.
— Temos uma psicóloga muito boa no Departamento de Policia, senhor Thomas, acho que sua irmã vai precisar muito de uma consulta. – Bella falou.
— Sim, claro. – Ele olhava para porta por onde sua irmã tinha passado. – Ela vai precisar de ajuda.
Todos dessa família vão precisar, pensou Bella.
— O Senhor está se sentindo bem para responder algumas perguntas minhas?
— Eu não sei. Ele sempre foi um pai rude, um tirano, mas tudo o que minha irmã disse o transforma em um monstro. Como eu posso agir sabendo que o meu próprio pai é um monstro?
— Para noite em que sua filha foi morta ele tinha um álibi. – Bella falou com calma. – Não posso acusa-lo sem ter uma prova concreta.
— Um álibi?
— Seu pai me falou que estava com Michael em Washington até mais ou menos umas três da madrugada. Eles estavam fazendo serão.
— Michael fala tudo o que meu pai ordene que ele fale.
— Até mesmo para encobrir um assassinato?
— Isso é a maneira mais fácil que ele tem para escapar. Quem nesse mundo acharia que meu pai tem alguma coisa a ver com esse crime? A declaração de Michael descarta meu pai de qualquer suspeita.
— Que maneira seu pai usaria para viajar de Washington a Nova York sem levantar suspeita e sem que ninguém saiba?
— Eu não sei. Se a viajem foi feita no avião dele tudo deve estar registrado no diário de bordo.
— Diários de bordo podem ser facilmente adulterados. – Edward falou pela primeira vez depois de ouvir toda aquela conversa.
— É verdade. – Ele olhou para Edward como se só naquele momento lembrasse que ele estava presente ali. – Você entende mais desses assuntos do que eu.
— Ele ainda lembra os meus tempos de contrabando. – Edward explicou para Bella. – Isso já ficou lá no passado. Então, a adulteração pode sim ser feita, mas para isso ele precisa gastar uma boa grana com o piloto, com o engenheiro de voo e talvez com o mecânico do avião.
— Então agora eu tenho mais pessoas para pressionar. – Ela pensava que se conseguisse provar que a aeronave fez aquele voo ela abriria um processo contra o Senador, ela quebraria seu álibi. – O que você sabe sobre as armas que o seu pai colecionava?
— Eu sei mais do que gostaria de saber. – Ele foi até o bar e colocou uma bebida para ele que bebeu de um gole só. – Ele gosta delas, vivia exibindo para os amigos. Quando eu era mais novo ele tentou fazer com que eu gostasse delas tanto quanto ele. Edward pode falar para você que isso não funcionou.
— Thomas acha que armas são símbolos perigosos. Uma espécie de abuso de poder. – Edward falou. – Posso falar para você que vez ou outra Stanley usava o mercado negro para obter suas armas.
— E por que raios você não me falou isso antes? – Ela perguntou tentando controlar sua raiva.
— Por que você não me perguntou. – Ele respondeu sorrindo.
— Seu pai tem conhecimentos sobre segurança? Detalhes técnicos sobre esse assunto? — Bella perguntou.
— Sim. Ele sempre diz que sabe como se proteger. Isso é uma das poucas coisas que nós conversamos sem acabar em briga no final da conversa.
— Você acha que ele pode ser um perito no assunto?
— Não. Não chega a tanto. Ele é apenas um amador inteligente.
— E sobre a ligação que ele tem com o Secretário Volturi? Como você descreveria?
— Era para se autopromover. Ele achava o Volturi um idiota. Meu pai gosta de tratar com idiotas por que ele os usa. – Então Thomas começou a chorar. – Desculpa, eu não posso mais. Eu preciso esquecer, preciso estar com minha mulher.
— Tudo bem. Sem problemas. Eu vou cuidar para que seu pai seja vigiado vinte e quatro horas por dia. Você não vai conseguir chegar até ele sem ser visto, portanto não tente fazer isso.
— A senhora acha que eu vou tentar matar o meu pai? – Ele olha para suas mãos e sorrir. – Bem que eu gostaria por tudo que ele teve coragem de fazer com minha filha, com a minha irmã e com as nossas vidas, mas eu não tenho coragem.
Bella saiu da casa acompanhada por Edward e não trocou uma palavra sequer com ele. Ela foi em direção ao carro pensando seus próximos passos.
Notas finais
Próximo capítulo será o ultimo, mas como falei antes teremos outra fic com um novo caso para a nossa Tenente e vamos em frente.
Comentem meninas e me falem se vcs realmente quiserem que eu continue postando novas fics com a nossa heroína.
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