Nudez Mortal
25 Quebrando Regras.
Notas iniciais
Mas temos ai um novo capítulo onde a Bella está indo cada vez mais fundo para conseguir suas respostas...
No próximo capítulo a gente sabe se ela vai obter essas respostas.
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
— Então seria mais correto pedir que o Senador deixe todo o trabalho nas mãos da policia.
— Tenente... Bella – Com um charme que causou nojo nela – gostaria de convencê-lo quanto a isso, mas isso seria tão impossível quanto faze-la deixar Jéssica em paz.
— Você pode ter certeza quanto a isso.
— Então... – Ele segurou a mão dela – Temos que fazer o possível para acertar as coisas. Foi bom revê-la.
Bella fechou a porta e ficou avaliando o caso. Stanley tinha um temperamento que poderia muito bem levar a violência. Quase se entristeceu por também ter notado que ele não tem estrutura e nem força para planejar três assassinatos.
*********
Ela continuava avaliando as possibilidades do caso. Talvez o Senador estivesse resguardando sua família ou apenas estivesse protegendo seu aliado político.
Não. Isso era horrendo demais. Ele poderia proteger o Volturi pelas mortes de Lua Star e de Lucinda Bekers, mas não o assassino da própria neta.
Infelizmente ela não estava procurando por dois assassinos. Mas mesmo assim ela continuaria arranhando os pés do Secretário Volturi.
Podia ser também que o Senador nem desconfiasse que seu amigo estivesse sendo chantageado por sua neta. Ela teria que descobrir isso rápido.
Mas no momento ela estava com um pressentimento que precisava seguir. Procurou em seus arquivos o número de Damon Salvatore e ligou para ele.
O rosto dele estava todo amassado e a voz estava rouca por que tinha acabado de acordar com o telelink tocando.
— Você costuma passar o tempo todo em cima de uma cama dormindo, Damon?
— Em cima de uma cama sim, agora dormindo só às vezes. – Ele coçou os olhos para ver se o sono ia embora e sorriu para ela. – É que eu fico pensando em você Tenente Delícia.
— Pois trate de apagar esses pensamentos. Tenho alguns questionamentos.
— Ora Tenente, você pode vir aqui e eu tiro todas as suas duvidas. Eu estou só, quentinho e o mais importante, nú.
— Você ainda não sabe da existência de uma lei que proíbe assedio contra uma policial?
— Estou me referindo a um trabalho autônomo Tenente. Seria melhor para sua investigação se mantivéssemos um nível pessoal.
— Vamos manter do jeito que está, em nível impessoal. Você tinha uma colega de profissão chamada Lucinda Bekers. Você a conhecia?
— Eu conhecia sim. – O sorriso sumiu do rosto e deu lugar a um ar de tristeza. – Não éramos amigos muito intimos, mas eu a conheci em uma festa a mais ou menos um ano atrás. Ela tinha acabado de entrar na profissão. Era super alegre e muito bonita. Legal... A gente deu certo.
— Deu certo como?
— Nós ficamos mais proximos. A gente saia para beber de vez em quando. Teve uma vez que Jéssica estava com um tempo curto para atender alguns clientes e então eu dei um jeito dela passa-los para Lucinda.
— Então elas já se conheciam? – Bella ficou em alerta – Jéssica e Lucinda?
— Não. Acho que não. Pelo que sei Jéssica ligou para Lucinda e perguntou se ela não poderia aceitar novos clientes e ela aceitou, isso é tudo o que sei. Ah, certa vez Jéssica comentou que tinha recebido flores de Lucinda como forma de agradecimento pelos clientes. Jéssica ficou encantada com a atitude. Ela gostava de gestos à moda antiga.
— Oh sim, ela era uma jovem a moda antiga. – Bella falou frustrada.
— Quando eu fiquei sabendo que Lucinda tinha morrido, fiquei muito triste. Fiquei mal mesmo, pode acreditar. No caso da Jéssica eu fiquei assustado, mas não fiquei muito abalado por que era meio que esperado pela forma que ela vivia. Ela vivia de causar danos às pessoas, mas Lucinda não. Ela era centrada.
— Tudo bem. Pode ser que eu precise de você depois para mais coisas, Damon. Fique pela área.
— Se você quiser...
— Ai Damon, dá um tempo. – Ela falou séria, mas com muita vontade de rir. – O que você sabe sobre os diários de Jéssica?
— Jéssica nunca me deixou vê-los. Eu tinha o costume de fazer piadas com ela sobre isso. Uma vez ela me contou que escrevia diários desde que era criança. Você achou algum? Ei... Eu apareço em algum deles? – perguntou divertido.
— Você sabe onde ela costuma guarda-los?
— Eu acho que ela guardava dentro do apartamento. Onde mais seria?
— Se você lembrar algo mais sobre Lucinda ou sobre os diários entre em contato comigo.
— Em qualquer horário Tenente Delícia. Pode contar comigo sempre.
— Ok. – Ela riu quando encerrou a ligação.
*********
O sol já havia se posto quando Bella chegou à casa do Edward. Ela ainda não se considerava fora de serviço. Ela ficara pensando no favor que iria pedir para ele quase o dia todo. Decidia pedir, mas logo depois desistia e isso foi assim até se sentir enjoada, mas decidida a pedir.
Por fim ela saiu do trabalho pela primeira vez em muitos anos na hora exata do fim do seu expediente. Não tinha avançado em nada nas investigações, então não adiantava permanecer ali.
Charlie não conseguiu sair do lugar em sua procura por um segundo cofre que escondesse os outros diários de Jéssica. Havia trago para ela a lista que ela havia pedido com os nomes dos policiais que colecionavam armas. Ela tencionava fazer uma pesquisa abrangente sobre cada um deles quando tivesse mais tempo.
Com um pouco de dúvida borbulhando em sua mente, se sentia horrível por ter que usar Edward em um trabalho.
Richard abriu a porta com o mesmo ar de desdém de sempre.
— A senhorita chegou antes do momento previsto, Tenente.
— Se ele não estiver em casa eu posso esperar sem problemas.
— Ele está em casa. Na biblioteca mais precisamente.
— E onde fica a biblioteca?
Richard bufou em impaciência o que não passou despercebido por ela. Se Edward não tivesse ordenado que a levasse até ele assim que ela chegasse ele a teria colocado em uma sala pequena com pouca iluminação para esperar.
— Por favor, me acompanhe.
— O que exatamente eu fiz de tão horrível para o seu santo não bater com o meu, Richard?
— Não tenho a menor ideia do que está falando Tenente. – Continuando no seu andar ereto ele a conduziu por um corredor longo e parou em frente a uma porta larga. – A biblioteca.
Quando ele abriu a porta para ela, Bella deu de cara com uma quantidade absurda de livros. Ela nunca viu tantos livros juntos fora de um museu. A sala que possuía dois andares estava repleta de livros até o teto, lotando estantes que revestiam a parede.
No centro da sala, em um sofá longo e escuro estava Edward sentado com um livro nas mãos e o gatinho no colo.
— Bella, você chegou. – Ele largou o livro e ao levantar colocou o gatinho nos braços.
— Minha nossa, Edward, onde você arranjou tudo isso? – Perguntou impressionada.
— Os livros? – Ele olhou por toda a extensão da sala. – Outro dos meus prazeres. Você gosta de ler?
— Sim. Às vezes, mas eu prefiro os discos.
— Que tiram o prazer de segurar um livro. – Ele fez carinho no gato que quase morre de prazer. – Quando quiser ler, sinta-se a vontade para escolher qualquer título.
— Acho que não.
— Quer beber algo? Um drinque talvez?
— Isso eu aceito.
O telelink dele começou a tocar.
— É a ligação que eu estava aguardando. Sinta-se a vontade e nos sirva do vinho que eu deixei em cima da mesa esperando por nós.
— Tudo bem. – Ela pegou o gato do colo dele e foi servir o vinho, como estava curiosa sobre a conversa se colocou em um lugar estratégico para ouvir.
Ela aproveitou o momento para dar uma olhada nos títulos dos livros que ele tinha. Alguns eram escritores que ela já tinha conhecimento. Os anos que passara em escolas públicas a apresentaram a autores como Shakespeare, Stephen King e Dickens.
Mas havia muitos autores ali que ela nem sonhava que existiam. Ela não conseguia imaginar como alguém conseguia organizar tantos livros, ou melhor, ler tantos livros.
— Me desculpe, Bella. – Ele falou após desligar o telelink. – Era um assunto que não poderia esperar.
— Sem problema.
— Esse gato está se apegando muito a você Bella. – Ele falou enquanto tomava o vinho que ela serviu.
— Não acredito que ele possa se apegar a alguém. – Mas ela pensou no quanto gostava da forma que ele se aquietava em suas mãos quando ela o acariciava. – Eu pedi que a filha de Lucinda viesse pega-lo, mas ela me falou que não teria coragem. Ela começou a chorar quando eu insisti. Não sei o que vou fazer com ele.
— Você poderia ficar com ele.
— Não. Eu sei que bichos de estimação precisam muito de cuidados e atenção.
— Os gatos são diferentes. Eles são independentes. – Edward sentou-se no sofá e esperou ansioso que ela fosse sentar ao seu lado. – Me conte como foi o seu dia.
— Meu dia não teve muitas novidades. E o seu?
— Muito produtivo.
— Aqui tem muitos livros. – Ela falou tentando evitar o assunto do qual veio tratar.
— Gosto muito deles. Eu mal conseguia ler o meu nome quando tinha sete anos. Então eu achei um exemplar antigo de um livro do escritor russo Dostoievski, ele é bastante conhecido. Eu queria entender o que estava escrito e então comecei a prender sozinho.
— Você não ia para a escola? – Ela perguntou surpresa.
— Não enquanto eu podia evitar. Eu estou vendo pelos seus olhos que você está cheia de problemas.
Ela bufou derrotada. Como ela podia continuar evitando o assunto se ele tinha o poder de ver através dela.
— Eu tenho sim um problema. Quero descobrir tudo o que for possível da vida do Secretario Volturi. Eu não posso fazer isso do meu trabalho e muito menos do computador da minha casa. Se eu fizer qualquer movimento de procura eu serei descoberta.
— E então você quer saber se eu tenho um sistema seguro que possa ajuda-la. Tenho sim.
— É claro que tem. – Ela ficou emburrada. – Um sistema de dados não registrado pela policia e pelo governo é uma violação do código 345 – C, paragrafo 53.
— Você não imagina o quanto eu fico excitado quando você começa a falar esses códigos e regras decorados, Tenente.
— Isso não tem a menor graça. O que eu vou pedir a você é ilegal. É um crime grave violar por meios eletrônicos a vida de uma policial do estado.
— Depois que nós terminarmos você pode prender a nós dois. Seria legal se fosse à mesma algema.
— Isso é muito sério, Edward. Eu que sempre sigo as regras estou pedindo para você me ajudar em algo contra a lei.
— Bella, meu anjo. – Ele levantou e a puxou para que ela ficasse de pé também. – Você não conseguiria imaginar a quantidade de leis que eu já violei. – pegou a garrafa de vinho que estava próxima a eles e com o braço livre a enlaçou pela cintura a conduzindo para fora da biblioteca. – Aos onze anos de idade eu já tomava conta de um jogo clandestino de cartas. Uma pequena herança do meu pai que acabou com a cabeça arrancada em um beco sujo de Dublin.
— Oh Edward... Eu sinto muito.
— Não sinta. Nós não nos dávamos bem. Ele era um safado e ninguém gostava dele e eu, claro, encabeçava a lista. Richard, sirva o jantar às oito. – Edward acrescentou ao mordomo quando passava por ele ao cruzar o corredor em direção à escada. – Mas ele me ensinou muita coisa através das surras constantes que ele me dava. Eu aprendi a trabalhar com os dados, as cartas, a trabalhar com as probabilidades. Ele era um ladrão, não muito bom, o que ficou provado com o fim que teve. Eu era muito melhor do que ele. Eu roubava, enganava, trapaceava sempre que tinha oportunidade. Aprendi também a lidar com o contrabando. Então, Bella, como notou você não está me corrompendo com esse pedido tão bobo.
Ela não conseguiu encara-lo quando ele digitava o código para abrir a porta onde eles pararam. Então ela perguntou.
— Você ainda continua?...
— Você quer saber se eu continuo roubando, trapaceando e enganando, ou até mesmo trabalhando com contrabandos? – Ele virou-se para olha-la nos olhos. Tocou o rosto dela com a ponta dos dedos. – Minha querida você detestaria que fosse assim, não é? Eu adoraria dizer que sim e acrescentar que eu mudaria minha forma de viver por você, mas sinto dizer que existem formas mais excitantes de se ganhar a vida, e todas elas estão dentro da lei. – Ele beijou os lábios dela de leve. – Ganhar dos outros é muito melhor quando você não rouba no jogo. – Ele a puxou para dentro da sala. – Porém minha querida, temos que nos manter sempre em forma.
Comparada com os outros cômodos da casa que ela já conhecia aquela sala não tinha nada de antiguidades. Nada de quadros ou estátuas. Uma mesa enorme em forma de U estava repleta de equipamentos para pesquisa e informação. Cheio de controles e pontos para conexão de monitores.
Bella já ouvira uma vez que o CIPC (Centro Internacional de Pesquisas Criminalistas) possuía o maior e mais moderno banco de dados do país. Ela achava que o banco de dados que existia naquela sala não ficava atrás.
Ela não era nenhum tipo de gênio do computador, mas ela sabia que aquela aparelhagem era muito mais evoluída do que todos os computadores da policia de Nova York e de toda a Secretaria de Segurança. Até mesmo a DDE onde Charlie trabalhava não tinha nada daquilo.
A parede a sua frente estava tomada por sete grandes telas. Uma bancada próxima das telas exibia uma aparelhagem auxiliar repletas de telelinks, aparelho de fax de ultima geração e uma unidade de recebimento e envio de hologramas. Havia outros aparelhos que ela nunca tinha visto em sua vida.
Os quatro telões de comunicações possuía seus telelinks individuais supermodernos.
Uma única e grande janela mostrava a cidade lá fora em sua total força e vitalidade. Parecia a ela que mesmo dentro daquela sala, Edward gostava de demostrar que sabia impressionar a quem quer que fosse.
— Nossa Edward! Quanto equipamento.
— Não muito confortável como a que eu tenho no meu escritório, mas eu me viro com o que tenho aqui. – Ele espalmou a mão em um console que possuía o aparelho de identificação. – Edward. Ligar equipamento.
O aparelho soltou alguns zumbidos e como um passe de magica todas as luzes dos aparelhos se acenderam. As telas ligaram no modo de espera.
— Esse é um equipamento de identificação bem recente. Ele utiliza a identificação conjugada da voz e das digitais. – Ele falou orgulhoso. – Liberar dados em nível de segurança azul.
Com um leve aceno de cabeça feito por ele, Bella se aproximou do console e espalmou sua mão, onde sentiu um leve calor com os raios de identificação passando por ela.
— Swan.
— Pronto. – Edward convidou-a para sentar na cadeira ao lado da sua em frente às maquinas. – Agora o equipamento está programado para receber seus comandos também.
— O que significa nível de segurança azul?
— O suficiente para acessar tudo o que você precisa saber. – Ele sorriu torto para ela – porém sem passar por cima dos meus comandos.
— Ok. – Bella olhou para todas aquelas luzes e todos aqueles comandos e desejou que Charlie estivesse ali com a sua inteligência. – Quero uma pesquisa completa sobre Aro Volturi, Secretário de Segurança de Nova York. Todos os dados financeiros.
— Curta e rápida. – Edward falou.
— Não gosto de perder tempo em nada que eu faço. Esse equipamento todo pode ser rastreado?
— Não só não pode, como não deixa rastros da pesquisa feita.
— Volturi, Aro. – o computador falou com uma voz sexy e feminina – Dados financeiros em pesquisa.
Ao escutar a voz, Bella levantou a sobrancelha e Edward riu da expressão dela.
— Prefiro trabalhar com vozes femininas. – Ele explicou.
— Não queria saber isso, o que eu quero saber é como você consegue acessar dados de outras pessoas sem aparecer a pesquisa no Compuguard, o programa de proteção do sistema.
— Nenhum equipamento é completamente seguro, nem mesmo o onipresente Compuguard. Qualquer hacker de nível médio que possuir o equipamento certo consegue ultrapassar as barreiras. Eu tenho o equipamento certo e agora tenho as informações solicitadas. Tela dois.
Bella olhou para a tela onde surgiam todos os dados financeiros solicitados. Estavam ali todas as movimentações usuais feitas pelo Volturi. Extratos de cartões, financiamentos, aluguel de carros, e todas as movimentações eletrônicas do usuário.
— A conta que ele tem do Cartão Platinum é alta. E acho que ninguém imagina que ele tenha uma residência no Brasil. Só que isso não é motivo para matar ninguém. Ele mantem um padrão A, o que quer dizer que paga todas as suas contas regiamente. Extrato bancário na tela três.
Bella olhava os números, mas não ficava satisfeita com o que via.
— Não existe nada fora do padrão aqui. Ele faz depósitos e retiradas na medida normal, pagamentos por transferência tudo batendo perfeitamente com o relatório de crédito dele. O que é Tomynus?
— Roupas masculinas. – Edward falou com um leve tom de desdém – Roupas de segunda classe por sinal.
— É muito dinheiro gasto com roupas. – Ela fez careta.
— Meu anjo, assim vou ter que começar a corromper você. Essa quantia só é grande por que são roupas de baixa qualidade. – Ele fez cara de pouco caso e se pôs de pé. – E aqui estão os dados de investimentos. Tela quatro. Nenhuma personalidade.
— Como assim?
— Preste atenção nos investimentos. Estão todos ai presentes. Todos eles são de baixo risco. Tudo aqui mesmo no planeta.
— Qual o problema então?
— Nenhum se você gostar de deixar seu dinheiro parado criando mofo. – Ele olhou para ela – Você gosta de investir seu dinheiro, Bella?
— Claro. – Ela continuava de olho na tela tentando achar erros. – Dou uma olhada nos índices de ações uma vez ao dia.
— Não é uma boa escolha – Ele queria mais pra ela.
— E como devo agir com o meu dinheiro?
— Coloque em minhas mãos que eu triplico o valor em cinco meses.
— Não estou aqui para aumentar os meus lucros. – Ela franziu os olhos tentando entender as contas na tela.
— Meu anjo. – Falou com o sotaque irlandês – todos nós estamos aqui pra isso.
— Eu não consigo ver contribuições à política e ao social. Ele não faz isso? – Ela perguntou cheia de duvidas.
— Acesso à lista para isenção fiscal. Na tela um. – Ele ordenou.
Bella esperava impaciente batendo a mão na perna. Então os dados começaram a surgir na tela.
— Ele coloca o seu rico dinheiro onde o seu coração mora. – Ela murmurou enquanto via os pagamentos feitos ao Partido Conservador e também a grande quantidade doada para a campanha do Senador Stanley.
— Além desses dados não temos nada que demonstre a bondade dele. – Edward ergueu levemente a sobrancelha. – Olha só... Aqui temos uma doação para a União dos Valores Morais.
— Isso é um grupo extremista não é verdade? – Ela perguntou curiosa.
— Eu vejo assim, porém seus membros acham que são servos heróis de pessoas perdidas como nós, pobres e errados mortais. Stanley é um dos membros principais desse grupo.
— Não foi esse grupo que invadiu os bancos de dados de todas as clinicas de fertilização e natalidade? – Ela perguntou lembrando-se do fato.
— Sim. Não posso nem imaginar um bando de mulheres querendo decidir quantos filhos quer ter ou se querem ou não engravidar. – Ele falou irônico – Alguém precisa mostrar para elas a realidade, o caminho correto.
— Eu sei. – Ela sorriu com a piada dele e levantou da cadeira ainda insatisfeita. – Essa é uma união perigosa para o Volturi. Ele gosta de se mostrar neutro quanto a esses temas...
— Faz isso para disfarçar suas tendências conservadoras. É quase imperceptível, mas nos últimos anos ele vem acabando com a parcela radical da população. Ele quer muito o cargo de governador e ele acha que Stanley vai coloca-lo lá. A politica é um jogo de trocas.
— Política. – Bella sussurrou. – O disco que conseguimos com a agenda de Jéssica estava repleto de políticos. Sexo, política, assassinato. Quanto mais o tempo passa...
— Mas as coisas continuam como sempre foram. Os casais ainda usam rituais para se envolverem, os homens continuam se matando e os políticos continuam pegando nas mãos de mendigos para se dar bem.
Tinha algo errado ali. Um crime do século XX, cometido com um armamento do século XX. Nada mudava e isso incluía a cobrança de impostos.
— A gente consegue ver a Declaração do Imposto de Renda dele nos últimos quatro anos?
— Bom. Isso é um pouco mais complicado. – Ele sorriu com o desafio lançado.
— E também é um crime federal. Edward, não precisa...
— Aguarde alguns instantes. – ele apertou um botão que fez surgir um teclado digital embaixo do console. Enquanto ele fazia seus dedos dançar pelas teclas, ela o admirava.
— Onde você aprendeu a fazer isso? Mesmo eu com todo treinamento que tive não chego perto disso.
— Peguei um pouco de aprendizado aqui, outro tanto ali. Minha juventude perdida não foi tão perdida assim. Preciso ultrapassar algumas barreiras aqui querida, isso vai demorar um pouco, pegue um pouco mais de vinho para nós.
— Escuta Edward, eu não devia ter pedido isso para você e eu não estou a fim de vê-lo se complicar por minha causa...
— Caladinha Bella... – Ele se empolgava com as barreiras que surgiam e ele ia traspondo.
— Edward, por favor...
— Bella, nós ultrapassamos as barreiras e abrimos a porta. Cabe a você decidir se a gente segue em frente ou recuamos pelo caminho que não nos dará as respostas. Você escolhe.
Agora estava feito... ela havia quebrado regras e que Deus a ajudasse.
Fale com o autor