Notas iniciais
Oi meninas, eu sei que eu demorei, mas agora estou de volta.
Eu falei no capítulo anterior que este seria o ultimo, mas como ficou muito longo eu dividi em duas partes.
Espero que gostem....na próxima semana espero estar postando a outra fic. Bjinhos lindas e comentem.

FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR

— E sobre a ligação que ele tem com o Secretário Volturi? Como você descreveria?

— Era para se autopromover. Ele achava o Volturi um idiota. Meu pai gosta de tratar com idiotas por que ele os usa. – Então Thomas começou a chorar. – Desculpa, eu não posso mais. Eu preciso esquecer, preciso estar com minha mulher.

— Tudo bem. Sem problemas. Eu vou cuidar para que seu pai seja vigiado vinte e quatro horas por dia. Você não vai conseguir chegar até ele sem ser visto, portanto não tente fazer isso.

— A senhora acha que eu vou tentar matar o meu pai? – Ele olha para suas mãos e sorrir. – Bem que eu gostaria por tudo que ele teve coragem de fazer com minha filha, com a minha irmã e com as nossas vidas, mas eu não tenho coragem.

Bella saiu da casa acompanhada por Edward e não trocou uma palavra sequer com ele. Ela foi em direção ao carro pensando seus próximos passos.

*******

— Edward, você já suspeitava dele? – Bella perguntou já dentro do carro.

— De quem, Stanley? Sim, eu já suspeitava.

— Mas não quis me falar nada.

— Não. – Edward a prendeu com o cinto de segurança antes que ela pensasse em sair do carro. – Eu apenas tinha uma suspeita, Bella. Eu não imaginava nada dessa história sórdida que aconteceu com Nichole. Isso nunca passou pela minha cabeça. Eu simplesmente suspeitava que existia um caso entre Stanley e Jéssica.

— Esse é um termo muito limpo para o que existia entre os dois. – Bella falou com sarcasmo.

— Eu comecei a suspeitar pela forma que ela se referiu ao avô naquele jantar que eu tive com ela no Chile. Mas isso era só uma espécie de pressentimento, eu não tinha nenhum tipo de prova. Um pressentimento que não teria nenhuma utilidade no seu caso sem a existência de provas. Ainda existe o fato – Ele fez com que ela olhasse para ele segurando levemente seu rosto. – de que eu passei a conhecer você intimamente. Eu resolvi guardar comigo essas suspeitas por que eu não queria te machucar. – Bella puxou o rosto das mãos dele e pacientemente ele o segurou novamente. – Você nunca teve ninguém para te ajudar e agora tem.

— Tudo isso não se trata de mim ou dos meus problemas. – Ela suspirou – Eu não posso pensar no que aconteceu comigo, Edward. Simplesmente não posso. Se eu começar a pensar eu vou acabar estragando tudo e se eu estragar tudo Stanley pode sair ileso de tudo isso. Ele pode escapar dos estupros e dos assassinatos. Ele pode fugir dos abusos que ele cometeu contra uma criança que ele deveria ter protegido. Eu não vou deixar que ele fuja.

— Você disse para a Nichole que a única maneira para lutar contra isso era contar tudo.

— Eu tenho muito trabalho a fazer.

Ele tentou disfarçar a raiva que sentiu por ela querer se manter fechada sobre o assunto.

— Eu acho que você vai querer ir até o aeroporto onde o Stanley guarda sua aeronave?

— Vou sim. – Ela relaxou no banco enquanto ele dirigia. – Você pode me deixar na estação mais próxima e ir para casa.

— Eu vou com você, Bella.

— Como quiser, eu vou precisar mesmo de você para entrar lá.

Enquanto ele dirigia pelas estradas agora não tão mais rápido como antes, ela fez uma ligação para Charlie.

— Consegui algo poderoso nesses diários. – Ele falou antes mesmo que ela ousasse abrir a boca. – Estou indo para Washington. Você conseguiu algo bom pra ai gente? Swan, eu nem precisei ler todos os diários para ter algo quente. O último registro feito por ela foi feito na manhã do assassinato. Só mesmo Deus sabe por que ela teve a brilhante ideia de levar o diário para o banco nesse dia. Foi muita sorte a nossa. Ela tinha um encontro às onze da noite com um cliente. Você nunca vai adivinhar quem era. – Ele falou quase sorrindo.

— Com o avô dela. – Bella falou sem animo.

— Poxa vida, Swan, você sempre ganha. Como você ficou sabendo?

— Eu só preciso saber se isso esta documentado no diário. Se ela citou o nome dele na descrição do encontro.

— Ela usa dois termos para se referir a ele, sendo um "O Senador" e o outro "O velho babão" que é o avô dela. Ela fala também, com muita alegria por sinal, dos dez mil que ela cobra dele por cada encontro. Abre aspas: “Quase vale a pena deixar que o velho babe em cima de mim, eu disse quase! Olha que o velho ainda tem energia de sobra. Meu avôzinho safado. Dez mil dólares a cada três semanas não é tão ruim assim. Não é igual como quando eu era criança e ele fazia o que queria de mim. Virei o jogo. Não vou me tornar uma fraca como a tia Nichole. Estou me dando bem e no dia que cansar de tudo isso, mando meus diários para a imprensa. O canalha sempre se borra de medo quando eu digo isso. Talvez hoje à noite eu dê mais um susto no meu querido Senador. É muito bom vê-lo tremer de medo depois de tudo que ele fez comigo”.

— Isso já vinha acontecendo há muito tempo, Swan. – Charlie falou – Eu olhei vários registros. Ela ganhava muito dinheiro com chantagem, ela cita vários nomes e fornece provas. O que está escrito nesse diário coloca o Senador dentro do apartamento dela na noite do crime. Ele está bem na mira, Swan.

— Você pode conseguir para mim um mandado de prisão? – Bella perguntou.

— As ordens que eu recebi do comandante era para emitir um mandado e envia-lo no momento que você me ligasse. Ele mandou que você fosse pega-lo. Assassinato em primeiro grau, três mortes.

— Onde vou acha-lo? – Bella perguntou.

— Ele está nesse momento no Senado Federal defendendo sua lei sobre moral e bons costumes.

— Olha só que ironia! Isso vai ser perfeito. Eu estou indo para lá agora. – Ela desligou e virou-se para Edward. – Isso aqui não anda mais rápido não?

— Vamos descobrir isso agora.

Se junto com o mandado de prisão não viessem ordens para ser discreta, Bella teria entrado naquele salão e o teria algemado na frente de todos os seus aliados políticos. Mesmo assim ela ficou feliz pela forma como tudo se passou.

Bella esperou o que pareceu uma eternidade até que ele terminasse seu discurso poderoso sobre a derrocada moral do país, a corrupção que nasce da promiscuidade, da engenharia genética e do controle que deve ser feito da natalidade. Ele falou da falta de moral dos jovens e da morte da religião nos lares, nas escolas e nos locais de trabalho. A nação está sem a proteção divina. O direito de portar armas havia sido destruído pela direita liberal. Apresentava vários números sobre o crescimento da violência, do contrabando de drogas ilegais, tudo isso um resultado do descaso por conta da nossa falta de moral, da nossa tolerância com criminosos, nossa indulgencia com a liberdade sexual sem nenhuma responsabilidade.

Bella ouvia tudo calada e estava começando a sentir enjoo de tudo aquilo.

— No ano de 2018 – ela falou baixinho – no final das Guerras Urbanas, antes das armas serem proibidas, tinha havido mais de vinte mil mortos e feridos por armas de fogo, somente em Manhattan.

Ela continuou vendo Stanley fazendo seu discurso quando sentiu Edward colocando a mão nas suas costas.

— Antes de a prostituição ser legalizada, acontecia um estupro ou a tentativa dele a cada cinco segundos. É claro que ainda existem casos de estupro, mas os números baixaram. As prostitutas hoje em dia não possuem mais cafetões, então elas não sofrem mais abusos, nem são espancadas por eles. E elas não podem usar drogas. Existiu um tempo em que as mulheres iam a qualquer lugar para conseguir um aborto. Arriscavam suas vidas e a de seus filhos. Bebês nasciam surdos, mudos, cegos, antes de a engenharia genética melhorar e tornar possível a operação in vitro. Não é um mundo completamente perfeito, mas ouvir a maneira que ele fala, faz a gente ver um mundo muito pior. — Edward falou só para ela ouvir.

— Você imagina o que a mídia vai fazer com ele quando eles souberem o que ele fez? Eles vão crucifica-lo e espero de verdade que ele não se torne uma espécie de mártir por conta disso. – Ela falou.

— Tornar um mártir um homem suspeito de incesto, que negocia com prostitutas e comete assassinatos? Não, acho que não. É o fim para ele. – Edward sorriu. – De todas as formas é o fim.

Bella presenciou o momento em que os aplausos soaram forte na galeria, pelo jeito havia gente trabalhando na campanha do Stanley no meio daquele público.

Que se exploda a descrição, ela pensou enquanto o presidente da assembleia dava uma hora e meia de recesso até o inicio da próxima sessão. Ela desviou-se na multidão de vários assessores, políticos, auxiliares até chegar onde estava Stanley. Ele estava sendo congratulado por seu ótimo discurso.

Bella esperou que ele notasse sua presença e viu o momento em que ele passou o olhar dela para Edward e ele fez cara de tédio.

— Tenente, se a senhora deseja falar algo importante comigo eu concedo a você quinze minutos do meu tempo, a sós. Vamos para a minha sala.

— O Senhor vai precisar de mais de quinze minutos Senador Stanley. O Senhor está sendo preso pelas mortes de Jéssica Stanley, Lua Star e Lucinda Bekers. – Quando ele começou a protestar ela elevou a voz para que se fizesse ouvir. – Nas acusações contra você consta também abuso sexual de Nichole Stanley, sua filha e Jéssica Stanley, sua neta.

Ele ficou calado, sem forças para revidar quando ela colocou a algema no seu punho direito e virou-o para prendê-lo ao punho esquerdo nas costas.

— O senhor tem o direito de permanecer calado neste momento. – Ela continuou a falar.

— Isso é um absurdo. – Ele gritou enquanto ela continuava a recitar seus direitos e deveres quanto a permanecer calado. – Eu sou um importante Senador dos Estados Unidos. Nós estamos em território federal.

— Por falar nisso, esses três agentes federais vão acompanha-lo. O Senhor tem direito a um advogado ou representante.

Enquanto ela efetuava a prisão ela fez cara feia para as pessoas que tentavam se aproximar para ver de perto.

— O senhor entendeu corretamente todos os seus direitos?

— O que eu vou conseguir no final disso tudo é o seu distintivo sua vagabunda. – Ele falou enquanto ela o condizia através da multidão.

— Vou aceitar essa resposta como um sim. Oh, Senador fique calmo, ninguém aqui quer que você tenha um problema cardíaco. – Ela se inclinou e falou bem baixo no ouvido dele. – Você não vai encostar no meu distintivo seu canalha imundo. Eu é que vou estapear seu traseiro gordo. – Ela o empurrou para os braços dos agentes federais. – Ele está sendo aguardado em Nova York. – Ela falou aos federais.

Bella não conseguia mais ser ouvida, por que agora Stanley berrava a plenos pulmões pedindo para ser solto imediatamente. Todo o Senado entrou em colapso querendo entender o que estava acontecendo. No meio de toda a balburdia ela viu Michael, o assessor de Stanley. Ele veio para cima dela com o rosto transformado em raiva e um ódio frio.

— Está cometendo um grande erro, Tenente Swan.

— Eu não estou. Você que cometeu um erro ao prestar uma declaração falsa e se não me falha a memória isso o torna cumplice nos crimes. Vou trabalhar nisso assim que chegar a Nova York.

— O Senador Stanley é um homem de caráter e você não passa de uma marionete nas mãos do partido liberal nesse plano sórdido de destruí-lo.

— O Senador Stanley é um homem sem escrúpulos que abusou sexualmente de sua filha e sua neta. É um estuprador e um assassino frio. E quanto a mim, meu caro, eu sou a policial que o está colocando atrás das grades. Se eu fosse você, arranjaria um advogado rapidinho antes de afundar nesse barco junto com ele.

Edward teve que se segurar para não agarrar Bella e coloca-la nos braços e tira-la do meio daquela multidão que se colocava envolta dela. Muitos políticos de partidos contrários ao do Senador se colocavam a frente dela, mas ela se desvencilhava deles rapidamente.

— Sabe de uma coisa? Eu gosto do seu modo de trabalhar, Tenente Swan. – Ele falou para ela enquanto lutavam para chegar ao carro e entrar nele. – E eu não acho mais que estou apaixonado por você, simplesmente agora eu tenho certeza disso.

Ela engoliu seco e se encolheu no carro, por que seu estômago deu duas voltas com essa declaração.

— Vamos embora daqui, Edward. Quero dar o fora daqui.

Por força de vontade ela se manteve firme até chegarem ao avião. Conseguiu manter a voz firme enquanto fazia um breve relatório ao seu Comandante. Logo depois ela sentiu-se tonta e livrando-se dos braços do Edward que a amparava, ela correu até o banheiro do avião e colocou para fora tudo o que tinha e o que não tinha comido.

Do lado de fora do banheiro, Edward esperava por ela sem saber o que fazer. Se ele já a conhecia tão bem, sabia que ela não suportaria que ele a confortasse. Enquanto ele esperava ele resolveu voltar para sua poltrona e dar algumas instruções para a aeromoça.

Quando ela saiu do banheiro, ele notou que ela estava mais pálida do que o costume. Seus olhos estavam sem foco e com grandes olheiras. Seu andar que antes era firme agora estava rígido e sem força.

— Desculpe, Edward. Acho que tudo isso me deixou mal. – Ela sentou ao lado dele e ele lhe ofereceu uma xícara.

— Beba isso, vai te fazer bem.

— O que é isso?

— Chá... Com um pouco de uísque.

— Eu estou trabalhando, não posso... – Ela começou a falar, mas a cortada dada por ele a fez se calar no mesmo instante.

— Beba logo essa droga antes que eu enfie isso goela a baixo em você. – Ele apertou um pequeno botão ao lado da poltrona e ordenou a decolagem.

Ela achou melhor beber logo do que manter uma discussão com ele. Ela levantou a xícara em direção aos lábios, mas suas mãos tremiam muito e dificultava o trabalho. Ela mal tomou um gole e colocou a xícara de lado. Ainda tremia absurdamente e seu estomago ainda dava voltas dentro dela.

Quando Edward levantou da sua poltrona para tentar ajuda-la, ela se encolheu na poltrona tentando fazer seu enjoo parar. Sua cabeça doía mais do que nunca.

— Meu pai me estuprava. – Ela mesma se assustou ao ouvir sua voz falando daquele assunto. – Ele me estuprava repetidas vezes. E me batia muito também. Não importava para ele se eu tentava fugir ou se lutava contra, ele sempre me estuprava e me batia. Não existia nada que eu pudesse fazer para pará-lo. Não existe nada a se fazer quando uma pessoa que devia cuidar de você e te proteger, abusa de você da maneira que ele fazia.

— Bella. – Edward segurou as mãos dela. E ele as apertou para prendê-la quando ela tentou se soltar. – Eu sinto muito. Sinto muito mesmo.

— Eles contaram para mim que me encontraram com oito anos perdida e machucada em um beco escuro da cidade de Dallas. Eu sangrava muito e meu braço e a minha perna estavam quebrados. Ele deve ter me jogado ali. Eu não sei direito, eu não lembro. Talvez eu tenha conseguido fugir dele. Só o que sei é que ele nunca me procurou. Ninguém jamais me procurou.

— E quanto a sua mãe?

— Eu também não sei. Eu não me lembro dela. Talvez estivesse morta ou talvez fosse igual à mãe de Nichole que fingia não saber de nada. Tudo o que eu consigo lembrar, são através de pesadelos, visões, imagens que surgem dos piores momentos. Eu nem mesmo lembro o meu verdadeiro nome. Não conseguiram me identificar quando me encontraram e me deram esse nome.

— Mas você estava então em segurança.

— Eu acho que você nunca esteve perdido dentro do sistema. Você nunca se sente segura. Só sente que você não pode fazer nada para lutar contra. Eles tiram tudo de você, mas sempre com boas intenções. – Ela baixou a cabeça e fechou os olhos. – Eu não queria prender Stanley, Edward. Eu queria mata-lo. Eu queria estraçalha-lo com as minhas próprias mãos pelo que aconteceu comigo. Eu deixei as coisas se tornarem pessoais, eu não podia ter deixado.

— Você só fez o seu trabalho.

— É. Eu fiz o meu trabalho e eu vou continuar fazendo. – Porém ela não pensava em seu trabalho. Ela pensava na sua vida. Na sua vida pessoal e na vida dele. – Edward, você precisa saber que existe dentro de mim algo muito ruim. É como uma espécie de doença que se manifesta quando minhas defesas estão baixas. Eu acho que eu não sou uma aposta boa para você.

— Eu adoro correr riscos grandes. – Ele levantou as mãos dela e beijou cada uma. – Por que a gente não faz assim. Vamos deixar acontecer e vamos ver se nós dois saímos ganhando nessa.

— Eu nunca falei disso para ninguém.

— E ajudou agora contar?

— Não sei, Edward. Eu não sei. Oh Deus, eu estou tão cansada.

— Pode descansar encostada em mim se quiser. – Ele passou o braço envolta dela e a puxou para o seu colo, aninhando a cabeça dela em seu ombro.

— Só serão alguns minutinhos. Só até a gente chegar a Nova York. – Ela murmurou baixinho.

— Só alguns minutinhos então. – Ele beijou os cabelos dela e pediu aos céus que ela conseguisse dormir.

******

Stanley não queria falar uma palavra sequer. Os advogados que ele solicitou colocaram uma mordaça nele e a deixou bem apertada. O interrogatório foi devagar e sem graça. Havia momentos em que Bella faltava morrer de raiva. A raiva que ela sentia só a deixava com mais força para ataca-lo.

Ela colocou de lado o seu envolvimento pessoal. Ela não queria que a imprensa tivesse motivos para dançar em cima dela e ainda por cima correr o risco de não pegar o Senador de jeito. Ela queria apenas uma confissão.

— O Senhor teve um envolvimento incestuoso coma sua neta, Jéssica Stanley?

— Meu cliente não confirma essa alegação. – Ela simplesmente ignorou o advogado e continuou encarando Stanley.

— Tenho em minhas mãos um trecho do diário de Jéssica Stanley, datado na noite de seu assassinato.

Ela colocou o papel sobre a mesa e um dos advogados de Stanley o pegou para analisa-lo. Qualquer reação tida por ele, ele conseguiu esconder muito bem sobre um frio olhar.

— Isto aqui não prova nada, Tenente. Você sabe isso tanto quanto eu. Eram somente fantasias de uma mulher morta. Uma mulher de reputação duvidosa que já havia se afastado do seio de sua família há muito tempo.

— Existe um padrão aqui, Senador Stanley. – Ela continuava a se dirigir ao Senador. – O senhor já havia abusado sexualmente de sua filha Nichole Stanley.

— Isso é um absurdo! – O Senador gritou antes que seus advogados o calassem.

— Tenho aqui também uma declaração assinada e confirmada em cartório, pela Deputada Nichole Stanley. – Ela colocou na mesa e antes que Stanley pegasse as folhas os advogados o fizeram.

Lendo cuidadosamente os documentos o advogado principal cruzou as mãos sobre ele.

— Se você não notou Tenente, existe aqui um caso claro de problemas mentais. Inclusive, a esposa do Senador Stanley está internada por conta de um ataque de nervos.

— Eu sei disso. – Ela olhou para o advogado. – E pode ter certeza que vou investigar o que causou esse mal súbito nela.

— A Deputada Stanley também já recebeu tratamentos contra a depressão, paranoia e estresse.

— Se esse é o caso, isso pode ter sido acarretado pelos constantes abusos que ela sofria quando era criança. O Senhor estava em Nova York na noite da morte de Jéssica. – Ela mudou o assunto rapidamente para confundi-lo. – Não estava em Washington segundo sua declaração anterior.

E antes que o advogado pudesse impedir, ela se inclinou e ficou cara a cara com o Senador.

— Deixe eu lhe contar a história de como tudo aconteceu. O senhor pegou o seu avião particular e deu dinheiro ao piloto e ao engenheiro de voo para adulterarem o diário de bordo. Foi até o apartamento de Jéssica Stanley, fez sexo com ela como qualquer cliente, filmou tudo para seu próprio interesse. Levou com o senhor uma arma, uma Smith & Wesson, calibre 38. E como ela continuava a brincar com o senhor, zombar da sua posição politica, como você não aguentava mais toda a pressão imposta por ela, você a matou. Atirou nela três vezes. Na cabeça, no peito e na genitália dela.

Bella continuava a falar rápido com o rosto colado ao dele. Ela estava amando até mesmo sentir o odor do suor que transpirava dele.

— O ultimo tiro que você deu foi uma ideia muito boa. Acabou com qualquer possibilidade de verificarmos se houve atividade sexual e analisarmos os fluidos de esperma. Você a partiu ao meio, bem entre as pernas. Talvez um ato simbólico, talvez para se proteger. Por que o senhor levou a arma com você? Já tinha planejado mata-la para acabar com tudo?

Os olhos de Stanley começaram a demonstrar medo. Eles iam da esquerda para a direita tentando se desprender do olhar dela.

— O meu cliente não afirma a posse da arma em questão.

— O seu cliente é um exemplo sujo da nossa sociedade.

— Tenente Swan – o advogado se revoltou – a senhora está falando de um Senador dos Estados Unidos.

— Isso o torna um exemplo sujo eleito pela população. Aquilo o deixou transtornado não foi Senador? Aquele sangue, o barulho do tiro, a forma como o seu braço foi lançado para trás. Você talvez achasse que não havia passado por aquilo, não até sentir o impulso e apertar o gatilho. Depois que você fez não havia mais volta, não é? Você agora tinha que limpar tudo. Ela nunca o teria deixado em paz. Ela não era como Nichole. Jéssica nunca ficaria calada aceitando toda essa sujeira. Ela não tinha medo. Ela usou tudo isso contra o senhor e você teve que acabar com ela. Depois limpou toda a sujeira.

— Tenente Swan...

Bella não ouvia mais ninguém e continuava atacando.

— Aquilo foi algo maravilhoso, excitante não foi? Você era um Senador importante e além de tudo avô da vítima, ninguém ia saber. Quem iria contra você? Então você a ajeitou na cama e satisfez seu ego sujo. Podia fazer tudo aquilo de novo. Por que não? Você gostou de ter o poder de decidir sobre a vida de uma pessoa. O ato de mata-la despertou algo em você. E que maneira melhor existia do que fazer parecer que ela tinha sido morta por alguma espécie de maníaco.

Ela esperou até que Stanley pegasse o copo com água e bebesse um gole.

— E realmente existia um maníaco. O senhor escreveu a pequena nota e colocou por baixo dela. Então o senhor se vestiu. Estava mais calmo, estava excitado com tudo o que tinha feito. Programou o telelink para fazer a chamada para policia às quatro da manhã. Você precisava de certo tempo para tratar das câmeras de segurança. Então voltou para o seu avião, voou de volta a Washington e esperou para poder bancar o avô triste e revoltado.

Durante todo o discurso de Bella, Stanley não falou uma palavra sequer, mas suas mãos tremiam, e seus olhos não paravam quietos um segundo.

— Esta é uma história muito boa Tenente. – O advogado falou. – Mas ai está o que quero dizer. Isso é apenas uma história. Uma atitude desesperada da policia de tentar fugir da revolta da população e da imprensa quando souberem o que estão fazendo com um representante deles. É claro que também vale ressaltar que vocês o acusam de toda essa sujeira logo agora quando ele está lançando seu projeto de lei sobre os valores morais.

— Como o senhor escolheu as outras duas? Por que Lua Star? Por que Lucinda Bekers? Já tem em sua mente a quarta, a quinta e sexta? O senhor acha que iria para depois delas? O senhor acha que pararia depois de se sentir tão poderoso, tão justiceiro?

Stanley de repente começou a ficar cinza, e a respiração dele estava difícil. Quando tentou pegar o copo suas mãos teve um espasmo e ele deixou o copo cair.

— O interrogatório chegou ao fim. – O advogado falou e ajudou seu cliente a se levantar. – Meu cliente está precisando de cuidados médicos.

— Seu cliente é um assassino e terá todos os cuidados necessários na Colônia Penal, pelo resto da vida. – Ela apertou um botão e a porta da sala de interrogatório se abriu para a entrada de um guarda. – Chame um médico, o Senador está se sentindo mal. E ele vai piorar. – Ela virou-se para encarar o Senador. – Eu estou apenas começando.

Três horas depois, depois de preencher vários relatórios e de ter uma reunião com o promotor, Bella enfrentava um trafego complicado. Ela já havia lido uma boa parte dos diários de Jéssica Stanley. Ela tinha que colocar aquele assunto de lado. Colocar de lado a imagem de um homem desequilibrado que abusa de uma criança e a transforma em uma pessoa também desequilibrada.

Precisava colocar de lado por que ela sabia que aquela poderia ter sido a sua própria história. As escolhas existiram, mas Jéssica eliminou todas elas.

Ela precisava conversar com alguém, repassar todos os detalhes com alguém que a ouvisse e a compreendesse. Alguém que pudesse se colocar entre ela e seus fantasmas do passado.

Ela foi direto para a casa de Edward.

Quando o telelink do carro tocou ela pediu aos céus para não ser uma chamada de trabalho.

— Swan.

— Oi menina. – O rosto de Charlie apareceu na tela. – Acabei de ver a gravação do interrogatório. Bom trabalho garota.

— Não consegui ir até onde queria. Ele estava cercado por aquele bando de advogados. Eu vou quebra-los Charlie. Juro que vou fazer isso.

— É e eu estou torcendo por você, é só que... Tenho que falar algo que você não vai gostar muito. Stanley teve um problema no coração.

— Droga. Ele não vai cortar o nosso barato. Ele não pode acabar a brincadeira assim.

— Não. Ele não vai não. Ele já foi medicado. Parece que vão conseguir um coração novo para ele na próxima semana.

— Ótimo, muito bom. Quero que ele fique vivo ainda por muito tempo. Atrás das grades que é o lugar dele.

— Temos uma história bem forte, as pontas estão bem amarradas e o promotor está quase te promovendo a Comandante, mas por enquanto ele ainda está solto.

Bella apertou o freio com força e parou o carro. Uma sonora buzina fez com que ela saísse da pista principal e fosse para a outra via e lá parou.

— Que porcaria é essa que você disse? Stanley está solto?

Charlie já fez cara feia por que também não gostava nem um pouco disso.

— Ele foi liberado por conta da sua importância. É um Senador dos Estados Unidos com muitos anos prestados a serviço da população. Sabe como é... Ele é o sal da terra, um homem justo e com um juiz no bolso.

— Ah! Corta esse. – Ela gritou e mordeu o pulso com força até que a dor fosse tão grande quanto a sua raiva. – Nós o pegamos. Ele cometeu três crimes. O promotor garantiu que ele não seria solto nem sob fiança.

— Só que o juiz foi derrubado. O advogado de Stanley fez um discurso tão emocionado que até mesmo as paredes verteram lágrimas. Um defunto levantou de sua cova e saldou a bandeira americana. Stanley está em Washington agora com ordens para descansar. Setenta e duas horas até o próximo interrogatório.

— Merda. Inferno! – Ela socou o painel do carro com a mão. – Mas tudo bem. Não vai fazer nenhuma diferença pra mim. Ele pode fazer o papel de velho doente, pode até cantar o hino americano em chinês, mas eu já o agarrei.

— O Comandante tem receio de que durante esse tempo ele reúna forças. Ele quer que você se certifique de que isso não vai acontecer. Quer você reunida amanhã as oito com o promotor.

— Ok. Estarei lá. Ele não vai escapar do laço que eu estou preparando para ele, Charlie.

— Então trate de amarrar bem forte garota. Te vejo amanhã as oito.

— Até amanhã. – Com a cabeça prestes a explodir ela voltou para a avenida principal. Pensou em ir para casa, mas ela estava a apenas dez minutos da casa de Edward e ela decidiu que ele seria perfeito para ouvir suas queixas.

Ele serviria para apontar algumas falhas que viessem a existir na sua acusação contra Stanley. Ela admitiu também que precisava dele para se manter calma depois de toda aquela confusão que estava acontecendo. Ela não podia deixar que aquele sentimento vencesse dentro dela. Ela não podia deixar espaço para lembrar-se do rosto de Nichole enquanto contava todas aquelas coisas.

Ela só queria uma coisa agora acima de qualquer coisa. Colocar Stanley atrás da grade. Por Nichole e por aquelas três mulheres mortas.

Ela passou pela segurança da casa e seguia pela rua que levava até a entrada. Sentia-se ridícula ao subir a escada e anunciar sua presença. Ela se imaginava como uma adolescente indo na casa do garoto por quem estava apaixonada, mas mesmo assim manteve o sorriso quando Richard abriu a porta.

— Preciso falar com Edward. – ela falou e passou direto por ele entrando na casa.

— Sinto muito Tenente, mas ele não está.

— Ah... – a tristeza que a invadiu veio forte como um soco. – Onde ele está então?

— Ele está em uma reunião importante. – Ele fechou sua expressão para ela. – Pelo motivo de ele ter cancelado sua viagem para a Europa agora ele tem que trabalhar até tarde.

— Ok então. – O gato veio descendo a escada e se enroscou nas pernas de Bella até que ela o pegou no colo. – Quando ele volta?

— Ele precisa de todo seu tempo para tratar de seus negócios. Não cabe a mim saber o horario do seu retorno.

— Escuta aqui meu querido, eu não estou fazendo o Edward perder o precioso tempo dele comigo por que quero. Então por que raios você não arranca logo dessa sua bunda magra esse cabo de vassoura e me fala logo por que você me trata como se eu fosse algum bicho asqueroso toda vez que eu venho aqui?

Ele ficou tão surpreso com a explosão dela que ficou branco como papel.

— Eu não tenho costume de tratar com pessoas que se utilizam de palavras baixas. Já você tem.

— Ah tenho. E elas combinam comigo como batata frita e ketchup.

— Eu percebi. – Ele se recompôs e continuou em sua postura correta. – Edward Cullen é um homem influente, de bom gosto e tem estilo. Tem ouvidos de reis e presidentes prontos para ouvi-lo e já esteve na companhia de mulheres fabulosas de alta classe.

— E quanto a mim, eu sou uma mulher de educação baixa e nenhuma raça. – Ela teria achado graça se o que ele disse não a tivesse atingindo tão perto do coração. – Mas pelo que eu vejo, até mesmo um homem como Edward Cullen consegue achar uma mulher sem classe como eu atraente. Diga a ele apenas que eu levei o gato comigo. – Ela deu as costas e saiu.

Ajudou muito ela imaginar que estava fazendo Richard pedir desculpas para ela de joelhos, depois de arrancar sem dor nem piedade o cabo de vassoura dele. Ver o gato olhar para a janela interessado lá fora também a acalmou. Ela não precisava do apoio e nem da aprovação de um mordomo esnobe. E como se concordasse com ela o gato foi para o seu colo e começou massagear suas coxas até encontrar uma boa posição e dormir.

Ela olhava para ele e sentia que ele seria um bom companheiro.

— Acho que precisamos achar um nome para você. Eu nunca antes tive um animal de estimação. Eu não sei como Lucinda te chamava, mas temos que começar do zero, eu e você. Não se preocupe, eu não vou colocar em você um nome ridículo como Mimi ou Fofucho.

Chegando em seu prédio ela viu uma luz laranja piscando no local da vaga do seu carro. Um sinal de que precisava pagar a conta da garagem que estava atrasada, se não pagasse a luz ficaria vermelha e um paralelepípedo estaria no meio de sua vaga impedindo-a de guardar o carro.

Ela xingou baixinho, mais por abito do que por raiva. Estava sem tempo até para pagar as contas e pelo jeito ia ter uma noite difícil tentando acertar todas elas.

Ela colocou o gato de baixo do braço e seguiu para o elevador.

— Que tal, Lucky? – Abaixou a cabeça e olhou para o gato que continuava sem nenhuma expressão no rosto. – Não, você não tem cara de Lucky. Ei você é pesado, deve ter uns doze quilos. — Ela colocou a bolsa no outro braço e abriu a porta. – Vamos pensar em um nome que combine com você, Buck.

No instante em que ela o colocou no chão ele correu em direção à cozinha. Como precisava se acostumar com sua nova vida de dona de bichos de estimação ela foi até a cozinha e colocou um pouco de leite em uma vasilha para ele beber. Pegou um pouco de comida que estava com um cheiro esquisito e deu para ele.

Pelo jeito ele não tinha frescura com comida e atacou com gosto a que ela colocou para ele. Ela ficou olhando enquanto ele comia e sua mente viajou. Ela precisava de Edward, como nunca precisou de ninguém antes. Ela teria que pensar direito em tudo que estava sentindo.

Não sabia o que significava ele ter dito que estava apaixonada por ela. Sentimentos como aqueles surgiam diferentes nas pessoas e aquilo não fazia parte da vida dela.

Pegou uma coca na geladeira e ficou pensando naquilo. Ela sentia algo pelo Cullen. Algo novo para ela e muito forte. Mesmo assim ela achou melhor deixar as coisas como estavam. Decisões tomadas rápidas poderiam sair erradas no final.

Por que raios ele não voltou para a casa? Ela se perguntou.

Ela colocou a coca de lado e passou as mãos pelo rosto, cansada. É isso que acontece quando você se prende a alguém, sempre sente falta dela quando ela não esta perto.

Ela tinha muita coisa para fazer. Tinha que parar de pensar nele por que precisava encerrar um caso e arrumar suas contas. Talvez ela fosse tomar um banho quente para se acalmar e relaxar antes da reunião que teria amanhã.

Deixou o gato na cozinha comendo e foi para o seu quarto. Os instintos dela já cansados depois de um dia logo e cansativo, só funcionaram poucos segundos depois.

Sua mão já estava em sua arma quando ela notou o movimento no seu quarto, mas suas mãos baixaram quando ela viu um cano de um revolver apontado para ela.

Notas finais
E ai menias....curiosas. Comeeeeennntem....