Novos Começos
8 Almoço
Notas iniciais
Àqueles que pediram que a fic se estendesse um pouco mais: A viagem me deixou super inspirada! (escrevi já três cenas dos próximos capítulos) Talvez tenha mais do que seis capítulos afinal...
Espero que vcs gostem da reação dos Berry, escrevi isso em um bloquinho de anotações do hotel e digitei tri rápido pra poder publicar então desconsiderem erros de português!
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O carro atravessava Lima devagar e as três mulheres no banco de trás olhavam para fora da janela, Rachel sentava entre Quinn e Santana, que se encontravam silenciosas e imersas em suas próprias preocupações. A cantora também tinha problemas em que pensar, mas todo aquele silencio a estava deixando agoniada. Ela podia entender o que Quinn estava sentindo, principalmente depois da conversa que elas haviam tido durante o banho, mas Santana não tinha motivos para parecer tão triste.
Claro que as circunstancias da morte de Judy haviam tido um impacto na vida as três, mas San estava grávida e (pelo menos há quinze dias atrás) parecia tão feliz. Talvez ela só esteja cansada... Pensa a diva, estudando a lateral do rosto de sua amiga. Não sei se é uma boa ideia perguntar o que está havendo, não acho que ela seja muito receptiva a mim ainda, por mais que sejamos quase amigas agora... Nesse momento, Rachel sente algo vibrar e uma musica semelhante a uma canção de ninar preenche o carro. A latina se move, visivelmente desconfortável e desvia os olhos da janela.
"Seu celular está tocando." Murmura a cantora, como se não fosse óbvio.
"Eu sei." Responde ela, pescando o aparelho dentro da bolsa e suspirando ao ver a foto no identificador.
"É Brittany." Continua a diva, espiando por cima do ombro da latina. "Você não vai atender?"
"Não." Ela rejeita a chamada e joga o celular de volta na bolsa.
Rachel franze a testa e abre a boca para perguntar o que está havendo quando a mão de Quinn aperta sua perna e a loira se vira para encarar a latina.
"San..."
"O que?"
"Você ligou para ela ontem?"
"Eu avisei que chegamos bem."
"Você não deveria fazer isso com ela S."
"Isso o que Q?" Ela não parece brava ou irritada, mas sim magoada e Rachel percebe que ela está se contendo para não chorar. A diva estava acostumada com o choro histérico da latina, mas essa situação parecia diferente e ela se sentiu alarmada.
"Quantas vezes ela já te ligou hoje?" A loira continua perguntando, lembrando da conversa que teve com Santana alguns momentos antes de receber o telefonema sobre sua mãe.
"Não é da sua conta e nós duas sabemos que ela não quer falar comigo." A latina morde o lábio quando termina de falar e seu celular começa a tocar novamente.
"Santana..."
"Não Quinn. Eu vou conversar com ela quando voltarmos para Nova York, agora nós duas precisamos de um tempo."
"Desculpa perguntar, mas o que está acontecendo?" Rachel atrai a atenção das duas de volta para si.
"Estou casada há quase seis anos Berry, isso está acontecendo!" Exclama Santana, um pouco exasperada, correndo uma mão pela barriga e usando a outra para soltar os cabelos. "B está agindo diferente e eu não sei exatamente o porquê. "Ela se interrompe e lança um olhar para Quinn. "Na verdade, eu acho que sei por que. Mas não faz sentido pra mim, ela está agindo de forma tão distante em um momento aonde o que eu mais quero é tê-la por perto..."
Quinn e Rachel trocam um olhar, nenhuma delas esperava que a latina fosse se abrir de verdade.
"Eu quero minha esposa de volta..." Ela termina em voz baixa, secando com a manga uma lagrima que havia escapado e escorrido por sua bochecha.
"Eu sei que ela te ama." Rachel prende uma porção dos cabelos negros atrás da orelha de Santana e o gesto faz a latina levantar o rosto. "Muito. Tenho certeza que vocês vão resolver isso." Ela ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas isso parecia a coisa certa a dizer. Esboçando um sorriso, ela aguarda por uma resposta, mas a neurocirurgiã não tem tempo de reagir, pois o motorista anuncia a chegada a casa dos Berry.
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"Elas chegaram!" Exclama Leroy, expirando o ar com força e soltando as cortinas com a primeira visão do carro escuro estacionando em frente a casa. Hiram não responde verbalmente, apenas assente com a cabeça sem levantar os olhos do jornal que estava lendo. "Hey!" O homem mais alto remove o jornal das mãos de seu marido e lhe lança um olhar reprovador. "Isso é importante para Rachel e o senhor vai se comportar!" Ele joga o jornal em cima da mesa de centro e força o médico a se levantar.
"Se fosse realmente tão importante para ela, nós teríamos sido informados sobre tudo isso bem antes." Ele responde um tanto friamente.
"Tenho certeza que ela teve seus motivos e vai nos explicar tudo direitinho, ela não é mais uma criança, querido. O mínimo que podemos fazer é respeitar suas escolhas, incluindo a de não nos contar tudo."
"Ela nunca manteve nada em segredo de nós Lee..."
"Nós não sabemos se isso é verdade ou não, aparentemente, ela é melhor em guardar segredos do que nós imaginávamos." Ele tenta amenizar o clima com uma brincadeira, mas não tem muito sucesso e Hiram faz uma careta.
"Eu só não entendo por que ela esconderia uma coisa dessas da gente. De todas as pessoas, era de se esperar que ela confiasse em nós." Agora ele soa magoado e Leroy deposita um pequeno beijo em seus lábios no mesmo instante em que a campainha toca.
"Seja gentil. Especialmente com a Quinn, ela está passando por um momento difícil agora." Diz o homem mais alto, apertando a mão de seu marido e abrindo a porta.
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Depois das apresentações iniciais e dos cumprimentos estranhos e relativamente desconfortáveis, o grupo se encontrava em volta da mesa, tomando sopa de abobora em um silencio tenso. A mesa era redonda de forma que todos pudessem se ver melhor e isso só tornava as coisas ainda mais desconfortáveis para Quinn e Rachel, já que os olhos de Hiram não pareciam deixá-las e cada vez que elas se tocavam, fosse de forma sutil ou não, a expressão em seu rosto mudava.
Quase vinte minutos haviam se passado quando Rachel decidiu que isso era demais. Ela baixou a colher e cruzou as mãos em frente ao prato, lançando um olhar significativo para seus pais.
"Sim, estrelinha?" Pergunta Leroy, parando de comer e já sabendo o que esperar de sua filha.
"Eu amo vocês e eu vim aqui hoje para visitá-los, mas todos sabemos que existe um propósito maior por trás da visita e acho que o conhecimento disso está impedindo que nosso almoço seja verdadeiramente agradável." Ela faz uma pausa e respira fundo. "Talvez se esclarecermos de uma vez a grande questão que paira no ar... E eu não estou tentando ser dramática..." Ela continua quando seu pai arqueia uma sobrancelha. "Acho que todos nos sentiremos mais confortáveis depois que isso estiver resolvido e eu sei que vocês dois estão morrendo para fazer essa pergunta e eu acho que vou surtar se papai não parar de fazer caretas toda a vez que Quinn se move." A diva se inclina para frente olhando para Hiram com um ar reprovador.
Os dois homens trocam um olhar e se endireitam em suas cadeiras. Quinn morde o lábio e Santana coloca uma mão sobre a da loira em um gesto reconfortante.
"Eu acho que você tem algumas explicações para fazer, Rachel." Quem fala é Hiram.
"Nós... Ficamos um pouco chocados em descobrir certas coisas de uma maneira tão impessoal, mas não estamos bravos com você..."
"Eu estou..."
"Hiram!" Leroy revira os olhos. "Você é adulta e não precisa nos dar satisfação o tempo inteiro, mas existem certas coisas que um pai precisa saber, então, se você puder nos explicar o que aconteceu e como aconteceu... Eu ficaria feliz. Eu e seu pai não vamos julgar nada você sabe disso." Ele sorri para ela e para Quinn também.
Rachel respira fundo, se preparando para falar e sem saber exatamente por onde começar. "Eu sempre soube que gostava de meninas também, desde antes do ensino médio..."
"Por que você nunca nos falou sobre isso?" Interrompe o oftalmologista. "Nós poderíamos ter te ajudado e..." Leroy coloca uma mão sobre o braço de seu marido quando vê o rosto de sua filha ficar triste de repente.
"Exatamente por isso pai." A diva fala em voz baixa. "Nunca falei nada por que quis evitar exatamente essa situação. Eu não queria ouvir vocês me perguntando se eu tinha mesmo certeza, nem que vocês iriam me ajudar, ou ouvir vocês jurarem que não iriam me julgar e que iria ficar tudo bem. Nunca precisei de nenhum tipo de reafirmação nesse sentido, sempre soube que estava tudo bem e sempre aceitei meus... minha opção sexual sem problema nenhum, nunca precisei de ajuda nesse sentido, vocês sempre me ensinaram que o amor independe de gênero." Ela levanta os olhos para os dois homens. "Mas por algum motivo, ouvir vocês dizerem todas essas coisas iria significar exatamente o contrario para mim. Significaria que vocês estavam desapontados e o que dói mais é saber que vocês tem todo o direito de estar. Eu sou um fracasso."
Os dois homens fazem uma careta e Quinn os imita, não gostando de ouvir o que Rachel acabou de dizer. Ela se vira para a diva. "Rach, você não é – "
"Vocês fracassaram e eu me encaixo na grande estatística de homossexuais criados por casais homossexuais." Ela interrompe a loira, mas deixa sua mão direita deslizar por baixo da mesa e encontrar sua perna. "Eu sei quem sou, sempre soube e não tenho medo disso ou do que os outros vão pensar sobre as minhas escolhas, mas a opinião de vocês significa demais pra mim. Não quero desapontá-los ou magoá-los e desculpem se não contei sobre isso antes, mas eu realmente não podia suportar a ideia de ver vocês tristes comigo." Ela termina de falar todo o quase discurso que havia preparado dentro do carro e sorri para seus pais, ambos sorriem de volta e Hiram olha para Quinn, abrindo a boca para falar.
"E antes que vocês perguntem," Recomeça Rachel, impedindo que seus pais digam qualquer coisa e se inclinando em direção a loira, beijando seus lábios carinhosamente. "Sim, eu sei que ela é Quinn Fabray e eu sei tudo o que ela fez para mim, minha memória ainda funciona muito bem e eu não preciso de nenhum lembrete com relação a isso." Hiram fecha a boca e encara as duas mulheres e o modo como sua filha afasta uma mecha de cabelos loiros dos olhos de Quinn e como Quinn sorri de volta pra ela. "Mas pessoas mudam e ela me mostra isso todos os dias. Ela me faz tão feliz e eu a amo de uma forma que..." Ela suspira, tentando encontrar palavras, mas falhando. "Não existem palavras para explicar como e por que, mas é a coisa mais forte e verdadeira que já senti." Seus olhos brilham e Santana sorri consigo mesma ao captar a expressão estampada no rosto dos Senhores Berry, ninguém poderia contestar Rachel depois do que ela havia acabado de dizer. "Peço que respeitem minha decisão e aceitem que ela agora é parte de mim, parte da minha vida. Tanto quanto vocês, ela é minha família." A morena pontua seu depoimento com um sorriso amável em direção a assistente social, que por sua vez, tentava evitar que lagrimas extravasassem de seus olhos. "Eu te amo..." Murmura ela, levando a mão da loira aos lábios.
Era tão fácil para elas entrar em uma bolha e se isolar do resto do mundo. O som de Leroy limpando a garganta faz com que as duas se voltem para ele.
"Vou ser sincero com você Rach, estou feliz que tenha encontrado um amor assim. Não poderia contestar o que você me falou de forma alguma, o jeito como ela olha para você é simplesmente..." Ele sorri para elas antes de ficar sério novamente. "Mas não estou exatamente feliz que seja com outra mulher. Tenho certeza que Quinn é ótima e que ela realmente te ama, mas se eu pudesse escolher, ou interferir na sua decisão, eu o faria." Suas palavras são como uma facada para Quinn e Rachel e Leroy se sente mal por dizer o que está dizendo, mas ele não pode mentir para sua filha. "Nenhum pai quer ver um filho sofrer. Muito menos um pai gay que sabe exatamente pelo que a sua pequena estrelinha vai passar..." Ele se interrompe e seca uma lagrima que começava a escorrer, olhando para seu marido em busca de ajuda.
"Nós não podemos mudar sua decisão Rach," Continua Hiram agora, apertando o ombro de Leroy. "mas de qualquer forma, vou perguntar se vocês duas tem mesmo certeza disso. Sei que o preconceito hoje é bem menor do que foi na nossa época, mas isso não significa que vocês vão sofrer menos..."
"Sei disso." Para a surpresa de todos, quem fala isso não é Rachel, mas sim Quinn. "Mas acho que os últimos acontecimentos são a prova de que podemos enfrentar qualquer coisa, contanto que estejamos juntas." Ela aperta a mão da diva e a de Santana também, a presença de sua melhor amiga significava tanto para ela naquele momento. "Eu amo a sua filha e sei que fiz muito mal para ela no passado, mas já me desculpei e vou continuar me desculpando todos os dias e prometo fazê-la o mais feliz possível, para sempre."
"Você poderia assinar um contrato me garantindo que realmente vai cuidar dela?" Pergunta Hiram, se inclinando por cima da mesa.
Quinn abre a boca sem saber o que responder, "Acho que... Eu..."
"Eu estou brincando Quinn." Ri ele, estendendo uma mão para ela. "Só prometa que não vai deixar nada de ruim acontecer com a nossa estrelinha."
A loira respira fundo e Rachel ri junto com seu pai, abraçando sua namorada. "Acho que posso prometer isso sim." Ela aceita a mão do homem mais baixo.
"Bom..." Hiram sorri e Leroy o imita. "Apesar de não concordarmos totalmente com o rumo que sua vida está tomando, Rachel, você sempre terá o nosso apoio, entendeu? E nunca mais esconda nada de nós!"
"Prometo." Sorri a diva.
"Agora, vocês podem ir contando como foi que isso aconteceu." Ele gesticula entre elas.
"É, eu estou um pouco curioso para saber como vocês se reencontraram e se apaixonaram de repente, e eu não iria reclamar se você quiser falar um pouco sobre os podres de Hollywood..." Pisca Leroy. "E de quantos meses você está? É Santana, não é? Seu nome me é familiar... É menino ou menina?"
...
O resto do almoço foi muito mais tranqüilo e fez com que Quinn esquecesse um pouco sobre os motivos que a haviam levado de volta a Lima e Santana empurrou os problemas com Brittany para o fundo da mente, se focando em Valerie e nos preparativos para sua chegada. Rachel não podia deixar de sorrir ao observar a interação de seus pais com a mulher que ela amava, agora ela teria que explicar toda a situação para seus fãs...
Meg ligou as duas e meia, avisando que a neve havia parado e os aviões estava entrando em atividade novamente. As três mulheres se despediram dos Berry e seguiram até o aeroporto, aonde não foram recebidas por jornalistas. Aparentemente, Meg não estava brincando quando disse que a Fox estava mantendo tudo sobre controle.
Quinn e Rachel se despediram com um beijo nos lábios e a promessa de se verem em breve. Santana se deixou abraçar pela diva e acenou para ela no portal de embarque, antes de seguir a assistente social para a fila do vôo que ia para NY.
"Pronta para voltar a realidade?" Pergunta ela, se acomodando ao lado da loira e utilizando o ombro dela como travesseiro.
Quinn pensa um pouco antes de responder. "Na verdade não..."
"Sabe," Boceja a latina. "Acho que Berry pode ter razão..."
"Serio?" A loira arqueia uma sobrancelha. "No que?"
"Eu e Britt. Nós vamos resolver tudo." Ela muda de posição, se acomodando melhor. "E vocês também vão."
"Espero que sim..." Sussurra Quinn, quando o piloto anuncia a decolagem.
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Notas finais
Proximo capitulo teremos brittana, Fox entra em contato com a Quinn, Quinn tem um plano para o aniversario da Rachel. :) Até lá!
Aleatório: Tive uma ideia para uma short fic, baseada em uma musica chamada Goodbye Earl, basicamente consistiria em Quinn e Rachel conspirando para assassinar um cara (talvez Finn)... O que vocês acham? Gostariam de ler? Já esbocei a cena em que elas decidem o que fazer com o corpo =D
Abraços, A.
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