Nova geração, nova turma
2 C.J. e Roseli
Notas iniciais
Uma garoa leve começava a cair pelas ruas. E pela janela da sala de estar, um garoto contemplava cada gota que tocava o chão, como se pudesse contá-las. Quem o dera poder sair para apreciar um pouco aquela chuva, mas sua mãe não o deixaria, por conta do clima frio que estava.
– Júnior! O café está pronto! — Ouviu a doce voz de sua mãe o chamar.
– Já vou!
Quando chegou a cozinha, revirou os olhos. Já na mesa, ao lado de seu pai, sua irmãzinha Roseli atacava os mini-pães franceses, como se fossem fugir do prato se ela não os comesse logo.
– Bom dia, Júnior. — Magali cumprimentou, sorrindo docemente para ele.
"Quem disse que não existem madrastas boazinhas?"– Pensou o garoto, devolvendo o sorriso.
Cascão e Cascuda (seus pais biológicos) se divorciaram quando ele tinha três anos. Desde então, seu pai começou a sair com Magali, que terminara com Quim uns meses antes. Em pouco tempo os dois estavam namorando, e antes de qualquer sinal de casamento, Roseli já estava pra chegar. Eles se casaram às pressas, mas hoje (C.J. sabia) não poderiam estar mais felizes.
Enquanto ele puxou mais a aparência do pai (exceto pelas manias já que adorava água), Roseli era uma miniatura de Magali.
– Mais... que cheiro é esse? — A mulher reclamou, e o garoto viu a irmã congelar com um pão na boca.
Quer dizer, algumas coisas do pai ela também tinha.
– Cascão, você tomou mesmo banho ontem? — Magali questionou para o marido.
– Claro que sim, Magali! Esqueceu de como eu tomei banho ontem a noite? — Cascão deu um sorriso malicioso, fazendo a esposa apenas baixar o rosto completamente vermelho.
– M-mas então, de onde está vindo esse cheirinho? — Magali perguntou mais uma vez.
– Não querendo ser dedo-duro, mas já sendo — Cj comessou, chamando a atenção de todos. — Eu não vi a Roseli sequer passar pela porta do banheiro ontem.
– CJ, SEU DEDO-DURO! — Roseli gritou, quase se engasgando com um pedaço de pão.
– Roseli! O que nós combinamos? No minímo, três banhos por semana! — Brigou Magali.
– M-mas, mãe... — A garotinha começou a balbuciar.
– Deixe a garota, Magali. — Cascão se intrometeu, pouco interessado. Afinal, aquilo já era normal.
– Deixo uma ova...!
O telefone da sala começou a tocar, e Cj deu graças por isso. Não aguentava ver essas discuções entre mãe e filha. Atendeu e logo reconheceu a voz de Theo do outro lado.
– E aí, cara? Alguma nova?
– Nada demais. É só que a chuva tá começando a apertar e como você é o único doido que jogaria bola nesse tempo, precisamos ver outra coisa pra fazer.
"Putz, o jogo!" — Cj deu um tapa na própria testa. Tinha se esquecido completamente. E depois seu pai e Roseli diziam que chuva só fazia bem pras plantas. Hump!
– Tá, e você tem alguma outra ideia?
– Você e a Roseli bem podiam vir pra cá. Não vai dar pra jogar futebol no brejinho, mas ainda temos o futebol no videogame.
Um sorriso enorme se abriu em seu rosto com a proposta que o amigo fez. Uma oportunidade de sair naquela chuva, nem que fosse por alguns minutos? Como recusar!
– Está bem, então. Já estamos indo praí. — Nem se despediu do amigo, só enganchou o telefone no lugar e voltou correndo para a cozinha. — Mãe, pai, O Theo convidou a Roseli e eu pra passarmos o dia lá. Nós já vamos, tchau! — Pegou a irmã pela mão e começou a arrastá-la.
– Calma aí, mocinho. — Magali interrompeu aquela afobação. Ela foi até o andar de cima e logo voltou com capas de chuva e galochas. — Não quero que fiquem ensopado.
Roseli nem acreditou que tinha escapado da continuação da bronca de agora a pouco. Assim que Cj pegou as coisas com a mãe, os dois não esperaram mais nem um segundo para saírem.
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