Nova geração, nova turma
3 Mauro de Sousa
Notas iniciais
– Pronto, eles já vem. — Theo falou, encerrando a chamada em seu celular.
– Quem vem? — Lúcia perguntou, sentando ao lado do irmão na mesa da cozinha.
– O Cj e a Roseli.
– E quem mais?
– Como assim quem mais? Só eles dois. — Theo estranhou.
– Mas só? — A garota resmungou. — Quanto mais gente melhor!
– E quem você sujere, heim espertinha?
– A Mielly e o Maulo?
O garoto ficou sem argumentos. Tinha de admitir, eram boas sujestões... Por fim, só bufou irritado e passou o celular para sua irmã.
– Muito bem. — Lúcia começou. — Plimeilo o Maulo.
–*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Em outra casa no Bairro:
O quarto azul, cheio de desenhos feitos em computador, estava o mais completo silêncio. Os únicos sons que se podiam ouvir eram o das gotas da chuva na janela e o de alguém chamando.
Mas graças aos fones de ouvido conectados ao notebook, a única coisa que o garoto ouvia era sua playlist de rock.
– Maurinho! Maurinho! — Marina já estava ficando cheia de chamar.
Adentrou o quarto do filho, e embora meio brava pela demora, ela sorriu ao vê-lo tão concentrado. Por um segundo ela se esqueceu da raiva, e ficou só admirando seu menino apertar os botões do note com a mesma destresa que ela desenhava no papel.
– Maurinho. — Chamou de novo, se aproximando do filho e retirando os fones de ouvido dele. Só assim o garoto a notou.
– Ah, oi mãe. — Mauro cumprimentou, meio sem graça. Para sua mãe ter entrado em seu quarto, ela já estava o chamando a muito tempo.
– O café está na mesa, mocinho. — Marina se fingiu de brava.
– Ok, eu já desço. Deixa só eu salvar esse desenho...
– O que está desenhando?
– Nada! — O garoto fechou o note com tudo, antes que sua mãe visse algo.
Marina analisou bem as reações do filho. Para qualquer outro, ele teria sido grosso, mas ela sabia que seu filho era um doce de menino. As únicas vezes que Mauro não a deixava ver seus desenhos era quando esses eram para uma pasta especial e particular dele.
– Está bem, já entendi. — Ela fingiu desinterece. Queria muito saber o que tinha naquela pasta, mas não iria forçá-lo a mostrar. — Desça logo, certo?
Mauro assentiu, e soltou um suspiro aliviado quando sua mãe saiu do quarto. Ele abriu novamente o note para ver se não havia perdido sua obra. Ainda bem, estava intacta!
Vocês devem estar querendo saber o que era aquele desenho, não? Pois bem, eu lhes digo. O desenho de Mauro, e todos os outros de sua pasta particular, eram de seu primeiro amor: Lúcia Menezes.
Sim, ele era apaixonado pela irmã de Theo, um de seus melhores amigos. Se ele e todo o resto da turma sabiam? Sim. Se a própria Lúcia sabia?... Não.
Termindando de salvar o desenho, Mauro fechou o note e se deu una rápida olhada no espelho. Os cabelos loiros (NATURAIS) estavam ótimos, principalmente sua franja, identica a de seu pai. Seus óculos estavam limpos limpos, sem uma poeirinha. Acabando a checagen, ele finalmente desceu.
– Bom dia, 42. — Cumprimentou o velho cão, que estava deitado numa almofada bem detonada na sala.
42 apenas deu um latido em resposta.
– Bom dia, Bidu. — Cumprimentou o cão azul. Esse mordia uma bolinha sem se importar com mais nada.
– Maurinho, seu pai acabou de ligar. — Marina contou, assim que o garoto sentou à mesa. — A invenção dele foi um sucesso! Ele só vai ficar mais dois dias para rever o contrato e depois volta pada casa
– Legal. — Mauro repondeu, sem muito ânimo.
Estava orgulhoso de seu pai, lógico, mas já fazia um mês que não o via. E saber que teria de esperar mais dois dias não lhe agradou muito. Ás vezes era difícil ser filho de um gênio.
Os pensamentos melancólicos do garoto foram quebrados pelo toque do celular em seu bolço.
– Oi, Theo. — Atendeu desse jeito, vendo o nome do amigo no identificador.
– Hehe, não é o Theo.
Aquela voz fez o coração de Mauro bater frenético no peito! Lúcia estava, realmente, ligando para ele?
– L-Lu-Lúcia?
– Sim, sou eu. — A garota riu do outro lado da linha. — Olha, o Theo chamou o Cj e a Loseli pala vilem aqui. Você não quer vir também?
– Ahn... um momento, por favor. — Tapou a boca do aparelho. Mãe, posso ir na casa do Theo? — Indagou quase em desespero.
– Pode. Mas só depois do café.
– Eu vou assim que acabar o café. — Avisou para a garota do outro lado da linha.
– Então tá, até daqui a pouco. — E desligou.
Foi só soltar o celular que Mauro começou a comer feito um esfomeado. Ele tinha que se apressar.
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