Nothing Planned
16 Without enough evidence
Notas iniciais
“Vamos começar os ensaios.” Cassandra ordenou, batendo palmas para chamar atenção dos alunos. Dividindo novamente o palco em duas partes, mandou alguns alunos para um lado e outro para o outro. “Maria 2 e Anita, em suas posições.”
A cena em questão era entre Rachel e Santana e era a primeira vez que as duas iriam ensaiar algo desde sua briga, na verdade que teriam qualquer interação em mais de duas semanas, e a maioria dos alunos presentes estavam apreensivos com o que sairia.
“Por favor, Anita. Deixe o decote mais baixo.” Maria pediu segurando a tesoura.
“Pare Maria.” A mulher ordenou, terminando de ajeitar o vestido da jovem.
“Um dedo. Quão mal um dedo pode fazer?” A jovem questionou brava.
“Até demais.”
“Anita, esse é um vestido para dançar e não um vestido de se ajoelhar em frente ao altar.” Maria insistiu.
“Com os rapazes de hoje, você começa dançando e termina de joelhos.” Anita respondeu, balançando a cabeça negando o pedido.
“Querida, um dedinho. Uno poca poca...” A jovem tentou, usando seu perfeito espanhol esperando que assim pudesse convencer Anita.
“Bernardo me fez prometer...” Anita a interrompeu explicando o porquê, por ela teria feito um decote melhor, mas seu homem era protetor demais com a irmã e ela não ousava ir contra sua opinião.
“Ai Bernardo! Estou á um mês nesse país, mas posso experimentar a excitação de um lugar novo? Claro que não! Eu costuro o dia todo, fico sentada a noite inteira. Para que meu querido irmão me trouxe para cá?”
“Para casar com Chino.” Anita respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
Maria suspirou tristemente. “Quando olho para Chino, nada acontece.” Admitiu.
“O que você espera que vá acontecer?”
“Eu não sei. Alguma coisa. O que acontece quando você olha para Bernardo?”
“É quando eu não olho para ele que acontece.” Anita respondeu de graça.
“Eu acho que vou contar a mama e papa sobre você e ‘Nardo no balcão de filmes.” A jovem falou calmamente olhando em volta tentando segurar a risada ao ver Anita arregalar os olhos.
“Eu vou rasgar esse vestido em pedaços!”
“Não, mas talvez você possa abaixar o decote...” Maria tentou, mas foi interrompida pela mulher.
“Ano que vem.” A mulher respondeu convicta, rolou os olhos ao ver a jovem cruzar os braços e resmungar como uma criança birrenta.
“Ano que vem estarei casada e ninguém vai ligar se o decote estiver lá embaixo.”
“Lá embaixo onde?”
“Aqui embaixo.” Maria apontou para sua cintura e cruzou os braços novamente. “Eu odeio esse vestido!”
“Então não o vista e não venha para a dança.” Anita falou, rolando os olhos para o som indignado que a jovem fez.
“Não ir!” Ela repetiu como se fosse algo absurdo. Segurando o vestido ela tentou propor outra coisa. “Podemos pintar de vermelho, pelo menos?”
“Não, não podemos.” Anita respondeu, removendo o vestido das mãos de Maria e ajudando-a a colocar.
“Branco é para bebes. Serei a única lá de branco...”
“E? Anita questionou, esperando que Maria notasse.
“Ahhhhhhh sí.” A jovem sorriu animadamente. “Esse vestido é maravilhoso, eu te amo.” Maria praticamente se jogou sobre Anita abraçando-a apertadamente. Era obvio o desconforto das duas, assim como Santana quase empurrando Rachel para longe, assim que Puck entrou na cena, seguido de um envergonhado Rory interpretando Chino.
“Estão prontas?” Bernardo questionou impaciente.
Girando em seu vestido, a morena ia questionar se não estava bonita, mas foi interrompida por uma brava Cassandra.
“Que idiotice foi aquela?” Questionou olhando para as duas cheerios. “Você está com nojo de abraçar o ornitorrinco, peitos falsos?”
“Na verdade estou sim, preferia mil vezes fazer essa cena com a olhos puxados ali.” Santana respondeu de cara feia e cruzando os braços.
“Pobre coitada, talvez devêssemos fazer tudo que ela quer afinal essa é a peça da Santana Lopez não é?” Cassandra questionou ironicamente. “Acho bom você deixar de infantilidade se não quiser perder seu papel e fazer essa parte bem. Gostando ou não da pessoa que você contracena, sempre aja profissionalmente ou deixe o palco.”
Querendo se livrar do sermão desnecessário, a cheerio se aproximou de Rachel e deu um abraço apertado, não notando quando Rachel mordeu o lábio e fechou os olhos tentando esconder a dor que sentira quando a latina apertara suas costelas ainda doloridas.
A latina também não notara, encarando Cassandra com cara de superior, questionou se aquele abraço a satisfizera, o resto estava tenso esperando a reação de Cassandra.
Já Finn percebera muito bem e trocara olhares preocupados com Quinn e Sam.
“Alguém está bem engraçadinha hoje, não é? Acho que quer repetir a coreografia de América, não é? Na verdade, todo mundo que faz parte para essa cena venham para o palco, vamos ensaiar até que não haja erro algum. Podem agradecer a queridinha aqui.” A loira explicou, deixando o palco e voltando a mesa ao lado de Schue e Beiste que lhe encaravam feio. Ignorou os dois e mandou que começassem a coreografia.
i.
“Então?” Quinn questionou cruzando os braços ansiosamente.
“Tá Quinn, eu acredito em você agora.” O quarterback rolou os olhos ao ver o sorriso vitorioso da loira e continuou. “Mas a gente não tem nada como prova ou que Brody é quem está fazendo essas coisas.”
Quando Quinn e Sam vieram com suas suspeitas, ele acreditou que aquela fosse uma forma da loira de se vingar pela humilhação que sofrera com o slushie, afinal rumores corriam como vento naquela escola e algo mesmo que falso podia detonar com a reputação de alguém. Sabendo que ele não iria acreditar, Quinn pediu que ele ficasse de olho, especificando algumas coisas que já tinham notado.
Por dias ela encarava Finn quando algo suspeito acontecia e apesar de achar estranho, custava a acreditar que Rachel Berry, a garota de nariz em pé e forte personalidade tinha sido rebaixada a saco de pancadas de um carrapato como Brody, mas ao observar com bastante atenção Rachel e até as bizarras interações entre o Weston e Rachel, começou a notar que infelizmente Quinn estava certa.
“Mas a gente tem suspeitas!” A loira exclamou. “Isso tem que ser suficiente.”
“Q. ela não contou pra ninguém até agora e sabe-se lá quando isso começou, se a gente contar para alguém sem provas, ela vai negar e vai tentar esconder.” Sam explicou entendo o lado de Finn.
“E não sabemos o que o Brody pode fazer se isso cair em seus ouvidos.” Finn continuou e Quinn estremeceu só de imaginar. Sam passou os braços pela namorada e beijou sua testa enquanto pensavam no que fariam em seguida. “Quinn, você precisa dar um jeito de ficar sozinha com a Rachel depois do treino das cheerios.”
“O que?” Sam questionou bravo. “Nem pensar, aquela garota está atrás do sangue da minha namorada, não vou arriscar a vida da Quinn e do nosso bebê para isso, me desculpe.”
“Sam é a Rachel, o que você acha que ela vai fazer? Empurrar sua namorada na privada?” Finn perguntou ironicamente. “Aliás, ela não pode ser vista!”
“Explique-se.” Sam pediu curioso com o plano.
“Bem, se o Brody bate nela, com certeza tem marca, hematoma, alguma coisa do tipo.” Os três estremeceram ao pensar na cena, mas o quarterback continuou. “Infelizmente Brody é esperto e com certeza bate em lugares que dá pra esconder com o uniforme das cheerios...”
“Nem sempre, Rachel ficou um bom tempo sem vir e tem dias que ela aparece com a jaqueta das cheerios e sabemos que é impossível sentir frio nessa estação.” Quinn o interrompeu, lembrando ás vezes que a cheerio apareceu com a jaqueta das cheerios, não tinha a menor possibilidade a garota sentir frio, mesmo com o ar condicionado nas salas de aula, a jaqueta fora feita para ser usada no inverno, ou seja, no calor virava um forno.
“Sim, por isso mesmo. Depois do treino das cheerios, ela com certeza toma banho no vestiário, é o momento perfeito para você entrar e conseguir provas.” Finn explicou sua ideia ignorando o olhar safado dos dois loiros.
“Continuaremos de olho no corredor, nas aulas e em qualquer momento que tanto Rachel ou Brody sumirem por muito tempo. Em algum momento a gente vai conseguir provas.” Sam concordou com o garoto.
‘E eu vou deixar o Weston irreconhecível. ’ Finn prometeu mentalmente.
ii.
Naquela tarde, Quinn colocou o plano em ação.
Sentou na arquibancada e fingiu fazer seu dever de casa, mas de relance observava as cheerios e os jogadores treinando. Sentiu os olhares de Rachel e outras cheerios e por alguns minutos ficou envergonhada, mas apenas ignorou e passou a se concentrar naquele dever de filosofia, afinal ainda tinha meia-hora para ficar sentada esperando.
Trocou mensagens com Finn e Sam e discretamente tirou algumas fotos de Rachel. Para qualquer um a cheerio parecia estar bem, mas para ela que estava observando cuidadosamente era claro que não estava. A cada pulo, movimento e até respiração, Rachel colocava a mão sobre as costelas do lado direito e mordia o lábio, provavelmente tentando impedir algum grito ou gemido de dor. Algumas vezes era tão dolorido que a morena não conseguia esconder as caretas de dor, Quinn não perdia tempo e tirava fotos com seu celular entre os grossos livros, mas também não deixava de se preocupar, se algo estivesse quebrado ou deslocado, cada movimento e pulo era um perigo para a saúde da cheerio.
No final do treino, Quinn esperou que todas seguissem para o vestiário e caminhou mais atrás, ficando em seu armário e esperando mais alguns minutos. Depois que teve a certeza que todas as cheerios tinham saído, exceto Rachel, entrou cuidadosamente no vestiário.
Rachel estava de costas para onde estava e graças a Deus não tinha ouvido a porta abrir e fechar, escondida entre os armários a loira observou enquanto a cheerio abria o zíper do uniforme e retirava a blusa.
Quinn teve que tampar a boca para abafar o ofegar que escapou de seus lábios. Toda a lateral e costas de Rachel estavam em diferentes tons de roxo, azul e verde, deixando claro que havia hematomas antigos e novos.
Estava tão chocada que quando foi pegar o celular para tirar algumas fotos, deixou o aparelho cair no chão, fazendo um barulho enorme e alertando Rachel.
“Q-quem está ai?” A cheerio questionou, cobrindo seu tórax com a blusa e olhando em volta, seus olhos castanhos arregalados e cheios de medo. “Quem está ai?” Demandou, num tom mais alto.
Enquanto colocava seu uniforme de volta, ouviu a porta do vestiário abrir e fechar e passos que rapidamente iam ficando cada vez mais distantes pelo corredor . Ainda tentou alcançar a pessoa, mas quando chegou ao corredor, ela tinha desaparecido.
‘Merda!’ Pensou em completo pânico. ‘Merda, merda, merda. ’
~~
Alguns metros á frente, Quinn repetia as mesmas palavras mentalmente.
Por pouco não estragara todo o plano, mas não só isso, por burrice perdeu uma oportunidade única.
‘Merda!’ Xingou, correndo até o estacionamento, onde Sam e Finn a esperam ansiosamente. Balançou a cabeça negativamente e pediu que entrassem no caminhão de Finn, eles tinham marcado de ir para continuar o plano, mas agora teriam que inventar algo rapidamente.
No caminhou contou tudo que viu e a besteira que cometeu, como esperado Finn soltou xingamentos e até esmurrou o volante do carro, mas depois de um grito vindo de Sam para que ele se controlasse antes que matasse os três, o quarterback se controlou e dirigiu em segurança até a casa dos Hud-Hummel.
Lá ela mostrou as fotos que tirou antes do vestiário e separaram as que eram evidentes o desconforto de Rachel, até formarem um novo plano era tudo que tinham.
Enquanto pensavam num novo plano, Quinn notou que o quarterback não parava de olhar para uma determinada foto.
“Você tem algo em mente?” Perguntou esperançosa.
“Talvez.” Finn respondeu, dando zoom na foto. “Santana”
“Santana Lopez?” Sam perguntou descrente. “Mas elas estão brigadas.”
“Todo mundo sabe que é uma briga estupida, além disso, com raiva ou não, ela ainda se importa. Olha a preocupação estampada na feição dela.” Finn virou a tela do computador para os loiros e mostrou, em uma das fotos era claro que Santana encarava Rachel e tinha notado o desconforto de Rachel.
“E o que a gente vai fazer?”
“Vamos contar para ela. Santana Lopez é alguém que não se mexe, ela com certeza vai criar um plano e vamos conseguir evidências concretas. Amanhã mesmo a gente conversa com ela.” Mesmo temerosos, já que a latina não ia com a cara deles, os dois loiros acenaram. No momento era o melhor que poderiam fazer.
iii.
Naquela noite Finn foi convidado para uma festa na casa de Natan, um dos jogadores dos titãns. Uma parte dele não queria ir, afinal estava no meio de uma semana de aula, mas ele precisava. Desde que Quinn contara sobre Rachel, ela era a única coisa que ele conseguia pensar.
Ela e sua conversa com Marley.
Sua irmãzinha realmente tinha tocado uma corda funda e aberto seus olhos, ele era um completo imbecil. Rachel fora a melhor coisa que acontecera em sua vida em um longo tempo e por causa de sua insegurança e problemas causados por aquela..., não tinha nem palavras para descrever aquela coisa, mas por causa dela perdera Rachel, como se ela fosse um objeto que depois de usado podia ser jogado fora como lixo.
‘Eu sou um completo imbecil.’ Se xingou de novo, jogando-se na cama frustrado.
E era por isso que resolvera ir. Precisava de uns drinks e esquecer todos esses problemas, precisava de uma noite em que pudesse se sentir um adolescente, com problemas banais e de resolução rápida.
~~
Mas é claro que a vida não podia lhe dar break.
A festa estava lotada e por isso que ele não a notou, mas depois de pegar seu terceiro e ultimo copo, afinal iria voltar para casa dirigindo, foi que a viu.
Rachel.
Encostada a parede como animal enjaulado e assustado, olhando para o chão como se fosse à coisa mais interessante do mundo, ao redor dela estava Brody e diversos jogadores fazendo piadas e brincadeiras, mas a morena parecia estar aleatória a eles e eles a ela.
Não parecia a garota cheia de vida e social que ele conhecera meses atrás, ali estava apenas uma casca oca. Como não notara isso antes? Como deixara passar? Agora que sabia era tão obvio seu sofrimento que sua vontade era de agarra-la e protege-la de todo o mal, sua vontade também era quebrar a cara de Brody, apertar as mãos no pescoço daquele desgraçado e não soltar até ele morrer. Até se assustava com o quão violento seus pensamentos eram com relação ao Weston, mas era só olhar para Rachel que meio que justificava. Pelo menos ele queria acreditar que sim.
Sentindo alguém com o olhar fixo sobre ela, Rachel ergueu a cabeça e encontrou olhos âmbar encarando tão profundamente que pareciam enxergar sua alma. Finn...
Ficaram diversos minutos se encarando intensamente, quase uma troca de palavras por olhares que só foi interrompido quando ela sentiu alguém apertar seu pulso tão forte que ela acreditou que fosse quebrar.
Olhando para o lado, ela encontrou os frios olhos de Brody e sabia que tinha se metido em confusão com o garoto. Nos últimos dias qualquer coisa, que ela tenha feito ou não, tiravam ele do sério e sobravam para ela.
Brody rapidamente deu uma desculpa qualquer e a arrastou para fora da casa, tirou a chave de seu carro do bolso, destravando o veículo e abrindo a porta, jogando-a para dentro e entrando em seguida.
As lágrimas desceram com força enquanto Brody puxava seu vestido para cima e abria a calça, estavam numa parte escura e no meio de uma festa, qualquer um que passasse acreditaria que era apenas um casal transando e não... sua dura realidade.
Como nas últimas vezes, Rachel deixou sua mente vagar e por isso não ouviu os xingamentos e reclamações de Brody sobre ela se engraçar com Finn ou sentiu os socos em seu estômago, foi só quando ele atingiu uma parte fragilizada de sua costela que ela voltou á realidade.
Brody gozou na camisinha, abriu a porta do carro e a jogou para fora, fechando a porta e indo embora com o carro, provavelmente indo comer alguma outra vadia, mesmo que fingisse que ela era a 'única'.
Mesmo em dor, se sentindo humilhada e jogada no fundo do poço, ela se sentiu aliviada. Que Brody tinha ido e a largado ali, que pelo menos naquela noite não iria mais sofrer nas mãos dele. Sentia-se patética, aquela se tornara sua vida, sentir breves momentos de alivio, quando Brody estava satisfeito em usa-la e a jogava fora como lixo.
‘Como me tornei patética.’ Admitiu mentalmente, ajeitando sua calcinha de volta e em pernas bambas ficando de pé. Sentiu braços segura-la gentilmente pela cintura e gelou acreditando que fosse Brody de volta, mas a gentileza e voz suave a acalmou.
“Vem, eu te levo para casa.” Finn murmurou alto o suficiente para que só ela ouvisse. Com medo que ela se machucasse mais do que já estava, pegou-a no colo e começou a andar em direção ao seu carro, todo o tempo foi falando suavemente, certificando-a que estava segura e que ele não iria machuca-la.
Não, sua vontade era de machucar Brody.
“Finn...” Rachel começou, mas como explicar tudo aquilo? O quanto ele tinha visto?
“Apenas descansa, logo a gente chega a sua casa.” O quarterback respondeu, sorrindo calmamente para a morena. Ele não precisava de explicações e sim de ações e amanhã era exatamente o que ia fazer.
iv.
“Vocês estão loucos.” Santana falou descrente, cruzando os braços e levantando da cadeira que estava sentada, ao seu lado Puck soltou algumas gargalhadas claramente forçadas.
“Se isso for uma brincadeira, é uma de muito mau gosto.” O garoto de moicano falou, encarando Finn e o par de loiros esperando que eles sorrissem, quando isso não aconteceu ele voltou a encara-los seriamente.
“Rachel não iria deixar isso acontecer.” Santana negou veemente. “Isso é uma historia criada pela vadia atrás de você Franketeen, ela quer se vingar da Rachel pelos ataques de slushie. Qual é isso é tão obvio que até alguém com um cérebro pequeno como o seu iria saber.”
“Primeiro, vai se fuder Santana.” Finn começou, não estava com a menor paciência para aturar a latina os insultando. “Segundo, você sabe que é verdade!” Finn mostrou as fotos tiradas por Quinn naquela tarde e depois o vídeo que ele gravou na festa, ele viu quando a latina e Puck encararam incrédulos, Rachel sendo jogada do carro. “A antiga Rachel jamais deixaria isso acontecer, ser usada e jogada fora dessa forma, então algo tem de estar muito errado para ela aceitar.”
“Ela aceitou com você.” Santana jogou na cara dele com raiva. “Será que você fez o mesmo com ela?”
“Sant!” Puck repreendeu a namorada, colocando a mão sobre o ombro de Finn esperando que ele se acalmasse. “Ok, a Berry realmente está agindo estranho. Bastante estranho e... eu realmente não quero admitir, mas ligando os pontos e tudo que vocês falaram, faz sentido e cai exatamente com abuso físico.”
“V-vocês acham que vai além dele bater nela?” Era a primeira vez que alguém via Santana Lopez gaguejar ou murmurar e a maioria ficou em silêncio, surpresos demais para falar alguma coisa.
“Pelo que o Huddy gravou e presenciou, acredito que vai muito além de bater nela.” Puck falou quebrando o silêncio, pausando o vídeo no celular de Finn e colocando sobre a mesa. Ele já tinha visto esse tipo de coisa acontecer antes, já presenciara e se sentia culpado por não ter notado os sinais antes, eram tão óbvios.
“O que a gente faz agora?” Quinn questionou um pouco mais atrás, durante a maior parte da interação, ela e Sam ficaram calados, mas ela já não aguentava. Precisava fazer algo, eles precisavam de um plano urgentemente.
“Eu preciso tirar isso a limpo.” Santana falou surpreendendo a todos e antes que pudessem impedi-la, ela tinha deixado à sala do coral e caminhava a passos rápidos pelo corredor que graças a Deus estava vazio.
Por puro azar ou sorte, eles não sabia no momento, encontraram Rachel parada em frente ao armário. A latina bruscamente fechou a porta, fazendo a morena pular surpresa e começou a questionar.
“O que está acontecendo entre você e Brody? O que ele fez com você ontem á noite? O que ele tem feito com você nos últimos meses, Hobbit, por favor, me diz.”
“Voltei a ser Hobbit para você?” Rachel questionou ironicamente. Ela tinha sido pega de surpresa e ao ouvir todas aquelas perguntas, por um momento quase admitiu a verdade, mas não podia. De jeito algum. Então trouxe sua feição de vadia que criara nas últimas semanas e continuou. “O que diabos você está fazendo com ela?” Perguntou indignada apontando para Quinn. “Você parou de falar comigo e transformou minha vida num inferno por contar algo e agora está andando com ela?”
“Hobbit não muda de assunto!” Santana insistiu. Ela conhecia Rachel Berry e sabia quando a morena tentava fugir de um assunto começando outro. “O Brody está te batendo ou te estuprando? Ou ambos?”
“Não me chama assim!” Rachel gritou afastando da latina e dos outros que ficaram mais atrás e apontando o dedo, continuou friamente. “Vocês não tem qualquer direito de saber nada sobre minha vida, nenhum de vocês! Então vão para a puta que lhes pariu e me deixem em paz.” Com isso, ela se virou e caminhou apressadamente para sua aula, discretamente limpando as lágrimas que desceram por seu rosto.
“Ótimo Santana, você acabou de tornar tudo mil vezes mais difícil.” Finn falou frustrado, passando a mão pelo cabelo e dando um soco no armário.
“Não Finnocence, ela acabou de tirar a limpo.” Puck falou, virando para os três e rolando os olhos quando encontrou três feições confusas, mas antes que pudesse explicar, Santana entrou na conversa.
“Ela nunca negou.” A latina explicou, também limpando as lagrimas que desceram por seu rosto e apontando o dedo para os três. “Vocês nunca me viram chorar ou chuto a bunda dos três daqui até Lima Heights.”
“A gente tem coisa mais importante para se preocupar do que você Santana.” Quinn respondeu friamente, cruzando os braços e fechando a cara. “O que a gente faz agora?”
“Agora a gente planeja. Eu vou botar aquele desgraçado atrás das grades ou a sete palmos embaixo da terra por tocar na minha Hobbit. O que for mais eficiente.”
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