Nothing Planned
17 Brody and someone else?
Notas iniciais
Por dias Santana tentou se reaproximar de Rachel, mas cada vez que chegava próximo da morena ela surtava e saia de perto.
O bullying com outros alunos também aumentara gradativamente, agora não poupando nem as cheerios que ela se aproximara nos últimos dias. Claro que a morena não jogava slushie ou mandava os jogadores taca-las nas lixeiras, mas os gritos e humilhações verbais doíam da mesma forma.
Os treinos das cheerios se tornaram um inferno, além de Sue gritando e implicando com a coreografia agora a Berry também sempre encontrava algo para reclamar e gritar sobre, chegando ao ponto que três cheerios desistiram depois de saírem chorando.
Tiras as fotos também se tornara algo bem mais complicado do que imaginaram. Depois do incidente no vestiário, a Berry se tornara bem mais cautelosa. Por dias ela evitou tomar banho no vestiário, optando por ir para casa e lá, em paz e segurança o fazê-lo.
Mas Brody não estava gostando nem um pouco de ter de esperar que ela tomasse banho e se ele não gostava de algo, significava uma surra épica e atualmente a morena tentava fazer o máximo para evitar isso e por isso que se viu de volta ao vestiário, esperando esvaziar.
A maioria dos treinos eram tão cansativo que as cheerios não enrolavam com conversas fiadas, entravam e tomavam seu banho para então irem embora.
Todas, exceto Santana.
A latina permanecia sentada no banco entre os armários, mexendo freneticamente em seu celular e qualquer um que ousasse perguntar o que tanto fazia, ela lançava um olhar maligno para calar tal pessoa.
Rachel não podia nem desconfiar que estava se escondendo ali ou o plano iria novamente por água abaixo.
Esperou diversos minutos e quando o vestiário estava completamente vazio, também saiu. Como imaginou, a Berry checou cada canto dali se certificando que ninguém ficara para trás e relaxada, começou a retirar suas roupas. Foi quanto a latina voltou e com a câmera já pronta tirou dúzias de fotos. Também não pode deixar de pensar no quanto sua melhor amiga estava sofrendo por baixo daquela feição de vadia e palavras duras, cada hematoma era mais feio que o outro e sem duvidas doera pra cacete!
Também não conseguiu evitar o sentimento de culpa, Rachel estava sofrendo embaixo de seus olhos e por causa de uma besteira, resolveu ignorar os sinais tão claros. Não mais. Era hora de fazer o que sua amiga não tinha coragem, por um fim a todo aquela tortura e acabar com o desgraçado que infligia tal dor em sua Hobbit.
A morena rapidamente se dirigiu aos chuveiros e a latina foi embora, não precisava checar para saber se tinham ficado boas, ela sabia que tinha e pra falar a verdade, todos aqueles hematomas e seus significados estavam lhe deixando nauseada e irritada.
Missão diabla completa. Encontrem-me na casa do Franketeen em cinco minutos.
~~
“Vocês estão fazendo uma acusação gravíssima! Ficaram loucos?” Kurt praticamente gritou levantando da cadeira e andando de um lado para o outro. “Acusar alguém de algo assim tão... tão sórdido e nojento é grave, ainda mais sem provas!”
“A gente tem provas Kurt, tudo o que contamos não é suficiente?” Finn perguntou frustrado. Depois de um amplo debate na noite anterior ficou decido que deveriam contar para o Hummel toda a verdade, mas o garoto estava cético duvidando e questionando a veracidade dos fatos, algumas vezes até criando desculpas esfarrapadas.
“Ah pelo amor de Deus Petúnia!” Puck exclamou levando as mãos para o céu. “Tudo bem que você está em negação, não é algo fácil de aceitar, agora dizer que a gente não tem provas? Por favor, né. A gente não tem provas físicas ainda.”
“E isso significa exatamente o que?”
“Que nunca se dever mandar criança fazer trabalho de gente grande.” Santana respondeu, entrando no quarto e olhando superiormente para a loira, era obvio que aquela indireta fora para ela. Empurrou Finn da cadeira ignorando o grunhido quando ele deu cara no chão e sentando no lugar, conectando seu iPhone e selecionando as fotos . Abriu a primeira, onde era bem nítido os hematomas e se virou para Kurt. “Agora você acredita Lady Hummel?”
“Oh minha Gaga.” O garoto exclamou chocado colocando as mãos sobre a boca e piscando as lágrimas que surgiram em seus olhos. A maioria dos hematomas estavam esverdeados sinais que começavam a desaparecer, exceto o que estava acima das costelas, esse continuava roxo, mas num tom mais claro.
“Isso não é nada bom.” Puck e Finn exclamaram juntos ao observar o maior. Por serem atletas estavam bastante acostumados com hematomas e aquele era bastante familiar para eles.
“Você acha que esse é o mesmo que viu naquela tarde Q.?” Sam perguntou antes que qualquer um pudesse se pronunciar.
“Eu acho que sim, está no mesmo lugar que o anterior, mas pode ser um novo que está começando a sarar agora. Eu não tenho certeza.”
“Pelo bem dela é bom que seja.” Sam comentou seriamente e os dos jogadores concordaram, já Santana, Kurt e Quinn os encaravam confusos.
“Quando cansaram de falar em códigos e resolverem falar em inglês conosco, serei extremamente grato.” O Hummel comentou ironicamente e as duas concordaram de braços cruzados.
“Isso parece bastante com o hematoma de algo quebrado. A pele parece inchada e o hematoma continua bastante visível se for o mesmo daquela tarde. Hematomas duram poucos dias, não tudo isso.” Sam calmamente começou a explicar.
“Obviamente a gente não tem certeza, não somos médicos. Mas se estivermos certos, a cada treino das cheerios, ensaio para o glee ou a peça, ela corre o risco de perfurar um pulmão ou qualquer outro órgão.” Finn continuou. “E como sabemos Rachel não vai procurar ajuda já que corre o risco de alguém desconfiar.”
“Oh minha Gaga.” O Hummel exclamou novamente.
“Oh cuando conseguir por mis manos em ese bastardo.” Santana murmurou furiosamente em espanhol. Por ela já tinha mostrado todo seu Lima Heights em Brody e depois desapareceria com o corpo. Ninguém em sã consciência daria falta desse canalha.
“Então não vamos perder mais tempo. Já temos todo o necessário, hora de levar isso a policia.” Quinn afirmou e os garotos concordaram. Já Santana negou.
“Ainda não, eu preciso fazer algo antes.”
i.
Ainda tonta e bastante confusa, Rachel foi lentamente retornando a realidade.
Abriu com dificuldade os olhos e viu uma sombra andando de um lado para o outro, aos poucos foi reconhecendo os barulhos como alguém murmurando ao telefone e quando sua vista foi lentamente clareando pôde reconhecer a silhueta de Brody olhando pela janela e falando com alguém pelo celular.
“Ainda estou em casa, onde você está?” Ele acenou concordando e continuou. “Não, não tenho ideia de quando vou poder te encontrar, estou preso em casa.” O soco contra a parede fez a Berry pular na cama, mas ao perceber que ele não tinha notado que ela estava acordada, continuou imóvel. “Obvio que não estou te trocando, não seja estupida! A piranha desmaiou e nada do que eu faça a acorda.” Explicou “É obvio que me certifiquei que ela estava viva, acha que sou burro?”
Era claro que ele e a pessoa na linha estavam falando sobre ela, assim como era obvio que a pessoa sabia de pelo menos uma parte do que Brody fazia com ela. Mas quem poderia ser? Alguém que ela conhecia? Alguém da escola?
Fazia bastante sentido. Brody sempre sabia de tudo que ela fazia mesmo quando não parecia estar por perto e realmente não estava e sim seu “parceiro”. Teria sido o tal parceiro que correra dos vestiários um tempo atrás? E a razão que nos últimos dias ela sentia como se estivesse sendo vigiada todo tempo na escola?
Provavelmente.
Merda. Teria que ser mais cuidadosa ainda, como se já não tivesse coisas o suficiente para se preocupar.
“A culpa é sua, você me irrita tanto que às vezes preciso soltar a frustração nela e olha o que acontece!” O garoto exclamou putíssimo. “Um dia desses vou acabar matando-a e você vai ter que me ajudar a descartar o corpo sem que ninguém perceba.”
Rachel estremeceu ao ouvir aquilo, mais ainda ao ouvir a frieza na voz do garoto. Ele se livraria dela num piscar de olhos e sem a menor culpa ou peso na consciência.
‘Ele te espanca diariamente Imbecil! Você realmente acha que vai ter peso caso isso leve a uma morte?’ Pensou ironicamente.
“Puta que pariu, tá bom. Eu vou acordar ela e vou pra sua casa, na porra do caminho compro uma garrafa de tequila já que não vai ter outra coisa pra te relaxar e...” Para a surpresa da Berry, o garoto se virou de uma vez não dando tempo dela fechar os olhos e fechou a cara. “Te ligo depois, tenho que cuidar de umas coisas aqui.” Desligou a chamada antes de ouvir a resposta e largou o aparelho na mesa a sua direita, caminhou lentamente na direção de Rachel e brutalmente a arrancou da cama. “Estava espiando, não é vadia?”
“N-n-não.”
“Não minta pra mim.” O garoto gritou, socando-a na barriga. “O que você ouviu?”
“N-nada eu juro!” Rachel gaguejou tentando recuperar o fôlego perdido. “Eu acordei confusa e desnorteada, e-e-estava tentando me lembrar onde estava e n-não estava te espiando.”
“Para o seu bem Rachel, é bom mesmo.” Ele ameaçou, jogando-a de volta na cama e indo na direção de seu armário a procura de algo para vestir. “Agora limpa essa cara nojenta e cai fora.”
~~
Com dificuldade a Berry entrou em casa, aliviada por não estar mais sobre as garras de Brody, pelo menos por algumas horas.
Entrou esperando a calmaria e silencio de sempre, mas encontrou algo completamente oposto. Apesar da porta do escritório fechada, os gritos de Hiram eram ouvidos da porta de entrada, assim como a pessoa que gritava de volta.
“Você não é bem-vinda nessa casa, vá embora antes que eu mande a segurança te jogar para fora.” O homem gritou e algo sendo arremessado na parede foi ouvido, assim como o recomeço da gritaria.
“Tio Leroy.” Rachel gritou ao ver o homem parado a alguns metros da porta do escritório, também notou como o Corcoran empalideceu ao vê-la. “O que está acontecendo?”
“Rachel meu amor, é tão bom te ver.” Por crescer sendo praticamente criada por ele, a morena logo notou ele tentando desviar a conversa, mas a gritaria e coisas quebrando tornavam impossível de fazer tal coisa.
“Tio Leroy o que está acontecendo? Não seria melhor chamar os seguranças? A polícia? Alguém?!”
“Está tudo sobre controle princesa, mas eu preciso que você me faça um favor.” Leroy segurou os braços de Rachel firmemente, mas sem machuca-la e a olhou nos olhos querendo mostrar o quão seria estava sendo. “Vá para seu quarto e não desça até eu te chamar.”
“Mas tio...”
“Rachel eu realmente preciso que você faça isso.” Ele insistiu, virando-a a dando um leve empurrão na direção das escadas. Sem entender nada, Rachel começou a subir, mas a porta do escritório abriu e sua curiosidade foi maior, fazendo-a parar no segundo degrau.
Hiram saiu soltando fogo pelas ventas e não notou a filha ou o cunhado apontando para a escada e discretamente negando com a cabeça, tentando impedir o que estava por vir, mas era impossível.
O barulho de saltos foi a primeira coisa que Rachel ouviu, seguido por seu coração se partindo e sua visão ficando turva por causa das lágrimas.
Atrás de seu pai estava uma versão mais velha e elegante dela, com saltos altos e um belíssimo vestido roxo que deixava todos os atributos da mulher bem definidos.
A mulher que ela tanto sentia falta e precisara nos últimos dezessete anos de sua vida estava a sua frente e lhe encarava igualmente chocada e um pouco surpresa. Era obvio que nenhum dos três adultos contava que Rachel aparecesse em casa naquele momento e nenhum deles sabia como agir na atual situação.
“Mamãe?” Perguntou em um fio de voz, orando para que se aquilo fosse um sonho, ela jamais acordasse.
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