Nothing Planned

18 The Truth Truth...


Notas iniciais
Eu não vou nem pedir desculpas mais pela demora ksokokoksosko, mas gente minha vida tá uma loucura e é por isso que demora tanto, mas pelo menos está aqui. Para compensar o cap. anterior que foi uma bosta, quase 4.000 palavras, acho que bati um novo recorde com NP okoakoskoak Espero que gostem :*

“Eu senti tanta sua falta minha pequena.” Shelby falou com a voz embargada enquanto abraçava sua filha apertada, fazia tanto tempo que desejava fazer tal coisa que não tinha certeza se era real ou apenas um sonho.

“Não tanto quanto eu senti a sua.” A morena respondeu, escondendo o rosto do tórax da mulher e aspirando o cheiro dela. Foram anos ansiando pela presença dela, por fazer um simples gesto como tocar e abraçar a mulher.

“Agora chega.” Hiram as afastou bruscamente e empurrou Rachel na direção das escadas. “Para o seu quarto e não desça até que eu mande.”

“Não!” Ela respondeu, encarando seu pai como se ele tivesse ficado louco. Tinha todo o direito de ficar ali e ouvir tudo, afinal ela fora a única enganada ali vendo que seu tio e pai não estavam nem um pouco surpresos com a mulher esta ali viva.

“Rachel não me desobedeça.” O homem a encarou com seus frios olhos negros. “Vá agora!”

“Não!” A Berry insistiu. Tinha o pressentimento que se deixasse seu pai com a mulher, ele iria se livrar dela de alguma forma e novamente ficaria órfã de mãe com apenas um pai biológico que não dava à mínima.

Vendo que Hiram estava prestes a perder a paciência e Shelby assistia tudo com um sorriso vitorioso no rosto, Leroy resolveu interferir antes que aquilo fugisse mais ainda do controle deles. “Rachel, por favor, faça o que seu pai pediu.”

“Mas tio Leroy...” A garota tentou brigar, mas o olhar suplicante do homem venceu. A contragosto subiu as escadas e bateu com força a porta de seu quarto deixando claro que não gostara nem um pouco daquilo. Jogou-se na cama e com o travesseiro sobre o rosto soltou um grito de irritação.

Iria dar o beneficio da duvida aos três adultos, mas assim que saísse do quarto iria questiona-los até que lhe contassem toda a verdade.

~~

“O que diabos você quer aqui Shelby?” Leroy questionou irritado encarando a mulher friamente, quando pensara que estava livre daquele tormento, voltava para aterrorizar sua vida.

“Eu vim buscar o que é meu por direito!” A mulher respondeu sem tirar o tom de nojo de sua voz. “Não que eu precise explicar meus motivos para você.”

“Ah eu deveria saber, você quer mais dinheiro! Mas precisava disso tudo? Precisava se mostrar para Rachel?”

“Eu não preciso de seu dinheiro nojento, eu vim pela minha filha.” Shelby respondeu virando-se para Hiram deixando claro que a próxima coisa que diria era para ele, mesmo que já tivesse ouvido minutos atrás do escritório. “Rachel vai vir para a França comigo.”

i.

“O que você quer Santana?” Rachel questionou sem nem olhar para a latina, mas sentindo o olhar penetrante dela sobre si. Tacava suas coisas de forma bruta no armário fingindo nem ouvir o barulho e fuzilando com o olhar qualquer um que a encarasse por estar incomodado.

Dizer que estava puta de raiva era um eufemismo.

Leroy, Hiram e Shelby tinham sumido da mansão na tarde anterior. Com tudo que estava acontecendo com ela nos últimos meses e por ficar tanto tempo ‘trancada’ do quarto acabara caindo no sono e quando acordou os três adultos tinham sumido e é claro, nem seu pai ou seu tio Leroy atendiam telefone.

Shelby, estranho demais chama-la de mãe ou algo do tipo, pelo menos deixara um bilhete avisando que logo iriam conversar e ela deveria apenas ser paciente, mas Rachel Berry nunca fora uma pessoa paciente. Ela queria respostas e as queria agora. Mais do que ninguém merecia saber por que a manipularam todos esses anos. Por que de tantas mentiras e por que, só agora resolveram ‘acabar’ com aquela farsa.

Tantas perguntas sem respostas estavam deixando-a completamente louca!

“Pare de me chamar assim!” Exclamou irritada quando Santana a tirou de seus devaneios chamando-a de Hobbit.

“Você sabe muito bem o que eu sei.” Santana falou lentamente e baixo, olhando em volta preocupada que alguém indesejado ouvisse. “E antes que você negue, eu tenho provas.”

“E-eu não sei o que você está falando Lopez.” Rachel negou encarando de olhos arregalados os livros em seu armário. Isso não pode ser verdade!

“Sim, você sabe. Olha Hobbit, eu tenho provas e você querendo ou não, vou mostra-las a policia. Agora, a meu ver temos duas opções, você pode negar tudo o que não vai adiantar muita coisa porque conseguimos ótimas provas.” Uma mentirinha básica, mas necessária. Sim, eles tinham ótimas provas, mas nenhuma que culpasse Brody especificamente e se a morena negasse o grupo não tinha ideia de como provar que aquele desgraçado era quem fazia aquelas barbaridades. “ou você pode vir com a gente e contar toda a verdade.”

“Santana...” Rachel abriu e fechou a boca diversas vezes sem saber o que falar.

“Olha, eu só posso imaginar o inferno que você está passando e tenho certeza que não é nem metade do que você realmente tem que aguentar e eu sei que é difícil, mas Hobbit você precisa dar o primeiro passo.” Santana delicadamente a virou, ficando frente a frente com a morena e pegando nas mãos dela. “Nós estamos aqui para o que der e vier e pode ter certeza que vamos te proteger com nossas vidas se for necessário, apenas nós deixe ajudar.” Naquele ponto as lágrimas desciam livremente pelo rosto da Berry, já Santana tentava manter-se firme sabendo que se chorasse não iria parar tão cedo. Respirou fundo e continuou, com o polegar limpando as lágrimas do rosto da cheerio. “Você tem até a hora do almoço para decidir.”

Apertando uma última vez a mão da cheerio e forçando um sorriso, Santana se juntou a multidão de alunos que caminhavam para suas salas.

Agora só podia torcer que Rachel tomasse a decisão correta.

~~

“Santana para de andar de um lado para o outro, está me deixando louca!” Quinn exclamou irritada. Desde que batera o sinal do intervalo e eles se reuniram na sala do coral, a latina andava de um lado para o outro. Todos estavam nervosos, Rachel deveria dar a decisão dela agora e já passara quinze minutos e ela não tinha aparecido.

“Eu juro que estou tentando ser positivo, mas meu lado realista está gritando que a Berry não ter aparecido até agora significa que ela não vai contar a verdade.” Puck comentou o óbvio que ninguém queria admitir e recebeu cinco olhares feios de resposta. Ergueu os braços em rendição e voltou a cruza-los em seu peito encarando a porta.

Mais cinco minutos e nem sinal da morena, todos já estavam quase perdendo toda a esperança e então tímidos passos soaram pelo corredor parando em frente à porta da sala do coral.

“Rach...” Finn foi o primeiro a murmurar ao vê-la ali parada timidamente no vão da porta. Rapidamente se pôs de pé, assim como os outros a sua, mas todos se manterão em seus lugares.

“E-eu ainda não me decidi.” Ela deixou claro entrando na sala. Passara todos os horários pensando bem em suas opções, mas não conseguia decidir qual. Estava tão assustada, tantas coisas passavam em sua mente que não dava para escolher. “Eu preciso de mais alguns dias.”

“Não.” Kurt foi quem respondeu. “Para que? Ele te machucar mais? Te fazer mudar de opinião através da força? Nem pensar.”

“Desculpa Rachel, mas eu concordo com o Kurt.” Quinn falou e ao seu lado Sam concordou. Já tinham esperado demais. Enough!

“Então vão! Será sua palavra e algumas fotos contra a minha.” Ela exclamou se exaltando.

“Rachel, por favor, eu sei que você está assustada e com medo das consequências de contar a verdade, que está com vergonha de outros descobrirem e colocarem a culpa em você, que não quer os olhares de pena sobre si ao andar pela escola ou na rua, mas se você não fizer alguma coisa, nada disso vai importar. Brody vai te matar, uma hora ou outra e nenhum desses medos vai importar mais.” Finn falou calmamente sabendo o peso de suas palavras. Aquilo era uma inevitabilidade e todos sabiam disso. “Rach, eu sei o que você ta passando...”

“Não! Vocês não sabem de nada do que eu estou passando. Vocês só podem imaginar e não chega nem perto da realidade.” Rachel o interrompeu piscando as lágrimas em seus olhos e respirando fundo. “Me deem só alguns dias e eu prometo que conto a verdade.”

Os adolescentes se encararam por alguns segundos indecisos. Se dessem o tempo e ela mudasse de opinião? Ou então Brody a machucasse mais ainda? Nenhum deles queria lidar com as consequências de tal decisão.

“Hobbit...” Pelo tom de voz da latina, Rachel sabia que eles não estavam convencidos, mas ela precisava... Não, necessitava de alguns dias.

“Shelby está viva.” Revelou. A maioria a encarou confuso, exceto por Santana, Kurt e Finn que arregalaram os olhos surpresos. “Eu encontrei ela e meu pai discutindo no escritório dele. E-eu não sei o que aconteceu anos atrás que levaram os três a inventarem tal mentira para mim, mas eu preciso descobrir e talvez, pela primeira vez em dezessete anos, eu posso ter uma mãe, mas isso não vai acontecer se ela e todo mundo descobrir que eu estou danificada!”

“Você tem uma semana, e nada mais. Você vai ficar sobre nossa proteção e em hipótese alguma vai ficar sozinha com aquele desgraçado ou eu juro que vou mata-lo com minhas próprias mãos.” Puck tomou a decisão final. “E assim que acabar seu prazo, todos nós vamos a policia e contamos toda a verdade, trato?”

Alguns minutos de um tenso silêncio e então a tímida resposta da morena.

“Sim.”

ii.

Após três horários entediantes em que Rachel teve que lutar para se manter acordada, finalmente estava livre. Ainda teria glee e ensaio para peça, mas essas partes eram as melhores de seu dia. Mesmo com Brody vigiando cada passo seu não era o suficiente para estragar.

E agora sabendo que seus amigos estavam de olho e lhe protegeriam a deixava bem mais aliviada e até segura.

Enquanto caminhava pelo corredor notou que Brody vinha mais atrás e não tinha uma feição nada boa, ali entre os diversos alunos sabia que ele não faria nada, mas tinha medo que ele tentasse lhe puxar para um banheiro ou sala vazia como fizera antes, e por isso apressou o passo desviando de vários alunos que seguiam na direção contraria.

Olhando para trás se certificando que seu tormento não estava perto, acabou sem querer esbarrando em alguém e com a força, caiu de bunda no chão.

“Querida, você está bem?” O tom materno e doce a surpreenderam e ao mesmo tempo lhe acalmaram. O dom que apenas uma pessoa tinha. Shelby.

“S-sim. Desculpe, eu estava distraída.”

“Sem problemas querida. Você está muito ocupada, será que teria cinco minutos para mim?” A mulher perguntou esperançosa.

“Claro, eu tenho glee agora, mas Mr. Schue não vai se preocupar se eu chegar um pouco atrasada.” Rachel deu de ombros e seguiram para uma sala vazia.

Inesperadamente, Shelby passou os braços pela filha abraçando-a apertadamente. Fazia anos que esperava tal abraço e não iria desperdiçar mais nenhum segundo. Meio sem jeito, Rachel retribuiu, era bizarro e reconfortante ao mesmo tempo e se deixou relaxar por alguns minutos.

“Você é tão linda. Exatamente como imaginei.” Shelby falou enquanto suas mãos acariciavam delicadamente o rosto da Berry. “Eu fiquei com algumas fotos suas quando era um bebê e ás vezes conseguia uma ou outra foto do jornal, quando conseguia uma copia do Lima News. Mas infelizmente nenhuma atual, então tinha que ficar imaginando.”

“Ok, eu não posso continuar com isso.” A morena se afastou da mulher mais velha e colocou os braços em volta do corpo numa espécie de abraço “Shelby eu necessito saber, o que diabos aconteceu que fez você me abandonar?”

“Isso não foi o que aconteceu Rachel.” A mulher exclamou entre indignação e tristeza. “Eu não quero contar sem seu pai presente, mas eu te juro querida, a culpa não foi sua.”

“Eu não quero seu juramento, eu quero a verdade! Chega de esperar, eu fiz isso por dezessete anos! Não é justo.” Rachel praticamente gritou, estava farta de tantas mentiras e enrolação.

“Rachel, por favor, tente entender. Eu combinei de contar de contar com seu pai, não quero me apressar e ele dizer que eu tentei te manipular e nos impedir de nos vermos novamente.” Ao ver o que contara sem querer, a mulher mais velha arregalou os olhos e colocou a mão sobre a boca.

“N-novamente?” A Berry repetiu confusa. “Você tentou contato comigo e ele te impediu?”

“Ai Deus, eu sinto muito querida, mas preciso ir ou vou falar o que não devo e piorar as coisas.” Shelby tentou passar pela cheerio para sair da sala, mas a baixinha foi mais rápida e bloqueou seu caminho.

“Você não sai daqui sem me contar tudo.” Ameaçou, encostando-se a porta deixando bem claro o quão seria estava sendo.

“Rachel eu não posso...”

“Sim você pode! Shelby eu passei dezessete sem você na minha vida, dezessete anos com meu pai me ignorando e sendo criada por babás e o tio Leroy, eu me culpei por sua morte, achando que tinha feito alguma coisa para tirar sua atenção do carro e por consequentemente causando sua morte. Sabe quão horrível é isso? Eu precisei de você, eu precisei de alguém que me amasse e me desse carinho e você não estava lá! E agora, novamente eu só consigo pensar que algo em mim te fez desistir, que você ficou... sei lá, decepcionada comigo e preferiu ir embora e isso está me consumindo. Eu preciso saber a verdade, mesmo que eu esteja certa e que isso vá me doer, mas eu preciso, por favor!” As lágrimas desciam com força pelo rosto da Berry nublando parcialmente sua visão, mas ainda conseguiu enxergar Shelby e sua feição de puro choque e culpa.

“Meu amor não! Você foi a melhor coisa que me aconteceu e se eu tivesse alguma escolha, jamais teria te deixado para trás.” Respirando fundo e limpando as lágrimas do rosto da adolescente, Shelby continuou. “Seu pai e Leroy tinham um caso. Na verdade, eu acho que eles têm um caso.”

“O-o que?”

“Eu peguei eles na cama. Eu e você voltamos de umas comprinhas algumas horas mais cedo do que planejado e lá estavam eles. Todo meu casamento foi uma farsa, Hiram só precisava de alguém para agradar o pai e assim ficar com a herança e empresa da família e eu burra cai como uma pata nas mentiras e fantasias que ele criou.” O tom de desprezo e magoa eram bastante claros na voz da Corcoran.

“E foi por isso que você foi embora e me deixou para trás? Não conseguia me olhando sabendo que eu fui fruto de uma farsa?” Rachel murmurou em lágrimas. Não só toda sua vida fora uma mentira atrás da outra, mas sua concepção também.

“O que? Não!” Shelby respondeu horrorizada. “Rachel eu sempre te quis e isso não mudou nada. Da minha parte você foi feita com muito amor e eu tenho certeza que da parte de Hiram também, mesmo do jeito estranho dele, ele te ama.”

O arfar em tom irônico vindo da baixinha não lhe agradou, mas Shelby sabia que era uma reação natural. Era muita coisa para ela processar de uma vez só.

“Então... O que aconteceu?”

“Eu pedi o divorcio, seu pai não aceitou. Foi discussão, atrás de discussão e enfim, ele aceitou, mas eu não podia te levar. Brigamos na justiça por meses e no final, Hiram ganhou. Ele tinha dinheiro, poder, uma residência fixa e era alguém. Eu tinha minhas roupas e um dinheiro guardado na poupança, não era muito, mas o suficiente por uns meses.” Shelby lembrou a tristeza que foi deixar sua filha, mas que outra escolha tinha? A ‘justiça’ estava do lado de Hiram.

Em lágrimas foi para a França onde tinha algumas amizades do tempo de faculdade e ficou com eles até se reerguer. Tornou-se professora de canto e piano e aos poucos foi se adaptando a vida, mesmo que jamais esquecesse sua preciosidade nos Estados Unidos. Acabou conhecendo Jean Pierre, um francês cortes e charmoso e dois anos depois estava casada com o homem. Apesar da felicidade de um bem sucedido casamento e carreira, Shelby não era completamente realizada e num momento de fraqueza contou ao marido sobre Rachel. Juntos voltaram para os Estados Unidos e tentaram a guarda da pequena, mas ela deveria saber que seria impossível.

Hiram Berry era bem conhecido, tinha amizades em tudo que era canto e com Leroy, não só impediram que ela tivesse a guarda, como alegaram que ela era um perigo para a criança e a impediram de vê-la.

“Eu briguei por você por anos meu amor, mas quando a saúde de Jean decaiu, tivemos que voltar para a França e foi quando o resto do meu mundo se acabou. Jean durou três anos e meses atrás veio a falecer, mas sem me fazer prometer que faria de tudo para te ter de volta e por isso voltei.” Shelby envolveu as mãos no rosto da adolescente e encarando-a no fundo dos olhos continuou. “Eu te amo Rachel, você é e sempre foi a melhor coisa que me aconteceu e jamais desisti de você, mesmo que você não me queira, mesmo que seja tarde demais, eu ainda estou lutando por você.”

“E-eu estou tão confusa.” Rachel admitiu afastando-se da mulher. Era ótimo saber que a culpa não era sua, mas... toda sua vida, tudo que acreditara e vivera foram mentiras! Seu bondoso tio Leroy e seu rígido pai eram monstros, pessoas cruéis e vis e ela tinha nojo de ser relacionada a tais homens, mas ao mesmo tempo ao olhar para Shelby, não sentia nada e não tinha ideia de como agir. “E-eu preciso de um tempo.”

“Eu sei, isso é muito para você processar. Se quiser, posso te levar para casa, onde você vai ter paz para colocar seus pensamentos em ordem e...”

“Não. Eu tenho glee e ensaio para a peça, não quero perder e sei lá, eu penso melhor quando estou cantando.” A morena deu de ombros, não sabia explicar essa ligação com a música.

“Eu também.” Shelby admitiu sorrindo orgulhosamente. “Então vá e se divirta, mais tarde, se você quiser a gente pode conversar.”

“Não sei se aguento mais revelações.” Rachel admitiu exausta. Estava até tentada a ignorar o que tinha para fazer e ir para casa com Shelby, mas provavelmente teria um ataque de raiva se cruzasse com Leroy ou Hiram.

“Não, eu queria apenas conversar. Te conhecer sabe?” Shelby deu de ombros. ”Você que sabe, qualquer coisa me ligue.” Entregou um pedaço de papel com seu número para a cheerio, aproximou-se beijando os suaves cabelos morenos e deixou a sala com um sorriso satisfeito no rosto.

iii.

Depois de se despedir de Shelby e assistir enquanto a mulher deixava o estacionamento da escola, Rachel fechou os olhos e respirou o ar puro que circulava a sua volta.

Sabia toda a verdade, mas e agora?

Ficaria com Shelby? Continuaria com seu pai? Além disso, caso contasse a verdade para a polícia, sua mãe ainda iria querê-la? Queria ficar com o fardo de criar uma adolescente danificada e problemática como ela? Ou teria nojo e a largaria de vez?

Eram coisas que necessitava pensar. Caso não quisesse contar a verdade, como iria destruir as evidencias que seus amigos tinham juntado? E como poderia manter Brody longe?

Sim, porque estava exausta de tanto sofrimento e se recusava a receber mais. Chega! Não iria permitir que Brody continuasse usando-a como um brinquedo sexual e saco de pancadas. Iria ter o controle de sua vida novamente. Só não tinha ideia como.

Se pudesse voltar no tempo e seguir o conselho de Santana! Ficaria longe de Brody... e Finn. Por mais que ele estivesse ajudando-a, também a magoara e devido ao seu coração quebrado, não viu o perigo que o Weston representava.

“Rachel.” O rosnado de pura raiva à fez dar alguns passos para trás enquanto seu coração pulava uma batida e ao abrir os olhos e encontrar os azuis frios de Brody, quase gritou. “Quem diabos é ela? E o que vocês tanto conversaram? Além disso, que sumiço foi aquele no almoço? Eu falei para você me encontrar no banheiro!”

“E-eu...” A morena gaguejou extremamente nervosa, olhou para os lados a procura de alguém, qualquer um que pudesse lhe ajudar, mas só encontrou os carros estacionamentos.

Maldito momento que recusou a proposta de Shelby!

“Você o que vadia?” Brody perguntou, segurando-a pelos braços e apertando com força sem se importar em deixar marcas. “Eu espero que você não tenha contado nada para ela sobre nossa diversão Berry ou você sabe muito bem o que vai acontecer.”

“N-não! Ela não s-s-sssabe de nada.” Rachel explicou gemendo de dor. “Brody você está me machucando!”

“É? O que vou fazer com você em casa vai fazer isso aqui parecer brincadeira de boneca!” Ele ameaçou. “Quem era aquela mulher? E onde diabos você estava na hora do almoço? Resolveu abrir as pernas para outro?”

“Não!” Com uma força sobrenatural, ela se soltou de Brody e deu uns passos para trás. “Eu estava com meus amigos e aquela é a minha mãe, mas eu não tenho que me explicar para você, seu... seu traste!”

O tapa veio certeiro em sua face e desequilibrando, Rachel quase caiu de cara no chão, suas mãos impedindo que batesse o rosto no concreto.

“Mentirosa, sua mãe está morta!” Brody gritou não dando a mínima para onde estavam. Quase todo mundo já tinha ido embora mesmo e a maioria estava lá dentro e jamais iria ouvir ele ali. “Piranha, vadia.” A cada xingamento um chute que era acertado a onde desse. “Eu vou te matar! Você contou para alguém, não foi? Aquela mulher era uma policial e você abriu esse bocão. Vagabunda! Eu vou acabar com sua raça.”

Os chutes e socos eram dados à vontade. Não só de raiva, mas também de medo. Se a vadia realmente contara para alguém, era apenas questão de tempo para virem atrás dele... Novamente.

Respirando fundo e se afastou, precisava de um plano urgente, mas no momento nada vinha a sua mente. Puta merda, o que faria agora?

“Isso tudo é culpa sua!” Gritou com ódio, mas não teve resposta. Nem um mísero grunhido. Estranho. Com o pé a empurrou com força e o corpo dela foi um pouco para o lado, mas voltou à posição anterior, novamente completo silêncio. Chutou com força dessa vez esperando uma reação, mas nada.

Dessa vez apenas empurrou e ela virou, ficando de costas contra o concreto. Até gelou ao ver o estrago que tinha feito.

Sangue escorria pela boca, nariz e um corte que olhando de perto parecia bem profundo na cabeça. Essa parte era bem comum, já batera na vadia ao ponto dela sangrar, às vezes fazia de proposito por prazer, queria ver o liquido vermelho escorrendo pelo nariz ou boca.

De graça às vezes até lambia, paro o nojo da cheerio.

Não, isso não era nada. Ok, o corte na cabeça era bem assustador, mas não mais do que o fato que o tórax dela estava completamente imóvel e ao colocar a mão contra o nariz não sentiu o ar sair. Também não sentiu o pulso quando procurou com o dedo polegar e foi o seu sangue que gelou dessa vez.

Ele matou Rachel Berry.

Notas finais
Eu juro que tento, mas esses finais com suspense me perseguem. Então, o que acharam?