Nothing Planned
13 Problems
Notas iniciais
“Streisand.” Sue gritou no megafone, assustando Rachel, Santana e Kurt que caminhavam para fora do ginásio. “Peitos e Porcelana, deem o fora que o assunto é só com a Rachel.”
“Boa sorte.” Os dois murmuraram juntos para a melhor amiga, apressando o passo antes que Sue tacasse o megafone neles, do jeito que a mulher é doida, não duvidavam de nada.
Assim que o ginásio estava completamente vazio, exceto pelas duas, a mulher mais velha se pronunciou. “Streisand eu vou direto ao ponto, não sei o que está acontecendo com você, mas nos últimos dias você está distraída, sem o menor foco, errando toda a coreografia e isso ignorando as caretas de dor e os grotescos erros em saltos que você fazia praticamente de olhos fechados.”
“Treinadora Sue...” Rachel abriu e fechou a boca sem saber o que falar.
“Olha Rachel, não vou perguntar o que está acontecendo porque não dou á mínima e não é da minha conta, mas é bom você resolver o que estiver te incomodando ou serei obrigada a retirar sua posição de capitã.”
“Mas treinadora...” A Berry abriu a boca para reclamar, mas Sue a interrompeu.
“Não tem mas treinadora, resolva seus problemas ou vai perder o posto.” Dando uma última olhada firme para sua capitã, como se desse ênfase no que dissera, a mulher mais velha se virou e deixou o ginásio. Tinha algumas coisas para pensar e um novo posto para preencher, caso Rachel não lidasse com seus problemas.
“Merda!” A morena xingou frustrada tacando sua garrafa de água longe. Que diabos ela deveria fazer? Amava as cheerios, mas cada vez que precisava seguir a coreografia ou dar um salto, seu corpo inteiro doía e a tortura que Brody lhe infringia não parecia ter fim tão cedo, como se não bastasse o que fizera na casa dele, agora ele vinha para sua casa também.
Pelo menos ela podia encher a cara antes e não ter que sofrer na hora, apenas depois com os estragos que o desgraçado fazia.
Balançou a cabeça para espantar os pensamentos e seguiu para o vestiário, precisava de um banho urgente e alguns minutos de paz para colocar os pensamentos em ordem.
~~
“Eu falei que a treinadora não ia matar ela Lady Hummel, você está paranoico demais para seu próprio bem.” Santana falou, assim que Rachel entrou no vestiário.
“Eu estava sendo realista, quantas erram pela semana inteira no treino das cheerios e sobrevivem para contar história?” Ele deu de ombros e continuou. “Mas então, o que ela queria?”
“Apenas uma bronca.” Mentiu a morena. “Pensei que já tinham ido.” Desconversou. Com eles ali não tinha a menor possibilidade de tirar seu uniforme sem correr o risco de verem o estado de seu tórax que estava coberto de hematomas roxos, azuis e verdes, e ela realmente precisava de um banho.
“A gente quis te esperar, colocar o papo em dia, parece que exceto no glee e no treino, você está nos evitando.” Santana falou. Nos últimos dias Rachel parecia sempre sumir quando eles chegavam perto, sempre algo importante aparecia e ela não podia encontra-los e já era a segunda vez que desmarcava as festas do pijama porque já tinha compromisso.
“Eu estou lotada de trabalhos e dever de casa, e isso sem falar nos estudos. As provas estão chegando e preciso das melhores notas possíveis para Julliard me considerar, é só isso.” Mentiu novamente. Parecia que nos últimos dias era só isso que fazia. “E tem as seletivas do glee e das cheerios chegando, como eu disse muita coisa.”
“Tudo bem Hobbit, a gente entende.” Santana balançou a mão como se não fosse nada demais. Sabia que Rachel assumia muitas responsabilidades e isso exigia muito de seu tempo, agora tudo que ela precisava era seu espaço. “Mas nos avise quando você relaxar. Sinto falta das nossas festas do pijama.”
“Serão os primeiros que vou avisar.” Respondeu, pegou suas coisas do armário e seguiu para os chuveiros antes que qualquer um dos dois fizessem perguntas. Geralmente os três trocavam de roupa um na frente do outro sem a menor vergonha e infelizmente não poderia mais fazer isso, duvidava que os dois deixariam o vestiário, e se pedisse soaria estranho e poderia deixa-los desconfiados.
Retirou suas roupas com certa dificuldade já que tudo doía e ligou o chuveiro o mais quente que pode. Sua rotina era esfregar sua pele até que se sentisse limpa, infelizmente ainda não tinha alcançado tal sentimento, mas continuaria até chegar lá. Esperava que um dia pudesse tomar banho ou se olhar no espelho sem a sombra de Brody lhe perseguindo e atormentando.
Terminou o banho, já que não tinha muito tempo antes do sinal do primeiro horário bater, passou um creme sobre os hematomas, fazendo uma nota mental de que teria que comprar mais, visto que esse já estava no final do tanto que usava, colocou o novo par de uniforme das cheerios e voltou para onde Santana e Kurt, lhe esperavam.
Show time!
i.
“A gente se vê no terceiro horário então.” Kurt falou, se despedindo de Rachel e seguindo para sua sala. O sinal acabara de bater e precisava correr antes que não pudesse mais entrar em sua aula de matemática.
Fechando a porta de seu armário, a morena ia seguindo para a aula de literatura quando viu Brody no fim do corredor. A última coisa que queria era falar com ele, por isso seguiu na direção oposta fingindo que não o vira.
Estava no meio do caminho quando notou que ele lhe seguia e em pânico, entrou no banheiro feminino, esperando que alguém estivesse ali.
Vazio.
“Que merda eu fiz?” Murmurou para si mesma, em pânico.
“Eu pergunto o mesmo.” A voz claramente masculina questionou e irritada questionou. “Você realmente achou que poderia escapar Rachel?”
“E-escapar? Claro que não, e-eu nem te vi Brody. S-só vim chegar a aparência.” Falou, mas era obvio para os dois que ela estava mentindo.
“Vadia mentirosa.” Brody falou irritado, dando um murro certeiro no estômago da morena, que se curvou em dor. “Quem você pensa que é para me ignorar piranha? Tentar fugir de mim?” Sua mão direita se envolveu no pescoço dela e a empurrou com força na parede. “Claramente ainda não te domei como deveria.”
“Eu não sou um animal Brody e muito menos um que pode ser domesticado.” Ela respondeu, arrependendo-se no mesmo instante quando outro soco foi dado em seu estômago. Brody era louco, um completo psicopata ou algo do tipo, como não percebera antes?
“Vadia! Você vai se arrepender mais tarde. E nem pense em tentar fugir, ou sua punição será pior ainda.” Ele respondeu furioso, estava louco para apertar aquele pescoço, mas deixaria marcas e não poderia se arriscar a isso. Pelo menos trancara a porta do banheiro e não corria o risco de alguém entrar.
“Não. Chega disso! Eu vou contar, eu vou te denunciar e você vai apodrecer na cadeia Brody.” Mesmo tonta, por causa de sua cabeça batendo na parede, Rachel conseguiu força o suficiente para empurra-lo e se afastou. Uma semana de abuso físico e ela sentia como se pudesse morrer a qualquer momento, não aguentava mais aquilo, mas antes que pudesse correr para a porta, ele agarrou seu braço e lhe jogou no chão, o primeiro e segundo chutes vieram em seguida e por alguns minutos a respiração lhe falhara.
“E quem vai acreditar em você Rachel? Seu papai que nunca está em casa? Finn? Sua mamãe morta? Será sua palavra contra a minha. Você só tem a mim Rachel, ninguém mais se importa, ninguém vai acreditar.” Brody respondeu sadicamente. Deu mais alguns chutes e parou, agachou-se até seus lábios encontrar o ouvido dela e murmurou. “Além disso, se contar para alguém eu mato você Rachel.”
Satisfeito, se levantou e caminhou para a porta.
“Levanta vadia.” Ordenou, e como uma boneca conduzida por alguém, Rachel o fez. Aos poucos estava quebrando Rachel Berry e logo ela seria seu perfeito animalzinho dominado. “E não se esqueça, um pio e você já era.” Destrancou a porta e olhou em volta, o corredor estava vazio e por isso deixou o banheiro feminino sem problemas.
Já Rachel agarrou suas coisas e correu para um cubículo, fechando a porta e abaixando a tampa do vaso. Sentou sobre, puxando as pernas até o peito e deixou as lágrimas caírem, colocando a mão sobre os lábios para abafar os soluços.
Brody estava certo, ela não tinha ninguém. E para quem contasse, ainda correria o risco de não acreditarem ou disserem que era sua culpa. Talvez fosse sua culpa, com certeza tinha sido sua culpa. Todo esse inferno era sua culpa e agora ela tinha que viver com isso.
Viver não. Sobreviver.
“Tem alguém aqui?” A voz do outro lado perguntou preocupada.
‘Oh god.’ Rachel pensou de olhos arregalados. Ninguém podia lhe ver naquele estado, a fofoca logo chegaria a ouvidos indevidos e viriam perguntas que ela não poderia responder com sinceridade e estava tão cansada de mentir.
“Eu já te ouvi, mas pelo visto não quer conversar. Tudo bem.” A voz falou. “Só vou usar o banheiro e sair do seu caminho.”
Dito e feito e logo a Berry estava sozinha no banheiro novamente. Deixou mais lágrimas desceram e temeu a hora que acabasse a escola, Brody iria acabar com ela e não tinha nem como fugir. O imbecil tinha lhe vigiado por dias, ele sabia os horários dos empregados de sua casa e sabia quais dias e horas em que estava sozinha. Era aterrorizante saber que ele estava sempre lhe vigiando, passos a sua frente e que um movimento errado, era seu fim.
ii.
“Tudo bem babe?” Sam perguntou, ao ver Quinn vindo em sua direção com uma feição preocupada. “É algo com o bebê? Você ta sentindo alguma contração ou algo do tipo?” Perguntou preocupado.
“Comigo tá tudo bem, eu só estava pensando em outra coisa.” Quinn respondeu misteriosa. Mas vendo a cara de curiosidade em seu namorado, resolveu perguntar algo que podia ajudar nas suas próprias questões. “O que você sabe sobre Brody Weston?”
“Hm... não muito, ele está no mesmo time de basquete que eu e é bem reservado e ás vezes grosso, mas só isso mesmo.” Ele respondeu. “Por quê?”
“Eu o vi saindo do banheiro feminino, antes deu entrar e lá dentro tinha alguém chorando.” Revelou a loira. “Eu não tenho certeza, por que a pessoa ficou escondida num cubículo, mas eu acho que era a Rachel.”
“Rachel em Rachel Berry, capitã das cheerios? Mas eu pensei que ela estava namorando o Hudson?” Sam questionou confuso, tinha visto os dois se beijando várias vezes no corredor um tempo atrás e tudo bem que não vira mais, mas ainda achava que eles estavam juntos.
“Pelo que eu ouvi, eles terminaram. E nos últimos dias o Brody e a Rachel parecem estar juntos, eu já vi eles indo embora juntos. Enfim, não estou dizendo que era ela, mas é preocupante que um garoto saia do banheiro feminino e a garota fique chorando.”
“Independente de quem seja, pode ter sido apenas uma briguinha de casal, um término. Algo do tipo!” Sam encarou a namorada, preocupado. “Por que tanta preocupação com Rachel Berry? Desde o baile de homecoming eu me questiono, desde quando vocês viraram melhores amigas?”
“Não é exatamente isso.” Olhando em volta, Quinn viu que tinha muita gente que poderia ouvir o que iria contar para seu namorado, por isso o puxou até o final do corredor que estava mais vazio e encostando num dos armários, começou a falar. “Você não pode contar isso para ninguém, entendeu?” Sam acenou que sim e ela continuou. “Eu encontrei a Rachel fazendo um teste de gravidez na escola.” Revelou baixinho.
“O que?” Sam questionou surpreso. “E ai?”
“A gente conversou e eu fiquei apoiando, afinal eu sei a tortura que é passar por isso sozinha.” Falou, olhando para o chão, envergonhada. Só tinha passado pela maioria das coisas sozinha porque não quisera contar para Sam, achando que ele iria abandona-la e agora se envergonhava de pensar assim de alguém tão maravilhoso como o loiro.
“Babe, já conversamos sobre isso e você não tem nada para se envergonhar.” Sam falou, erguendo a cabeça dela com o dedo. “Agora continue.”
“Bem, ela não estava grávida. Mas ficou agradecida por eu estar ali e somos amigas, não melhores amigas.”
“Mas por que ela não contou para os amigos? Por que eles não estavam lá?” Sam questionou desconfiado.
“Acho que ela estava envergonhada que achou que estava gravida do Finn Hudson, o maior galinha da escola.” Quinn deu de ombros, não sabia e não era de seu interesse saber. Tinha a amizade de Rachel e era isso que importava.
“Que história cabeluda em?”
“Nem me fala! Mas Sam, isso não pode sair daqui, em? Contei só porque confio em você, babe.” A loira avisou, seu namorado que nem sonhasse em contar, ou ela o castrava.
“Não se preocupe, meus lábios estão selados.” Ele prometeu, cruzando os dedos sobre os lábios como numa promessa.
O que Sam e Quinn não sabiam era que haviam conversado na frente do armário de Jacob Bem Israel, e dentro do armário estava o próprio, preso por Karofsky no primeiro horário e não só tinha ouvido tudo, como já bolava como iria postar em seu blog.
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