Nothing Planned
20 Just the beginning...
Notas iniciais
Tudo após a luta no cemitério passou como um borrão para Rachel.
Policiais, médicos, diversas perguntas, pessoas estranhas lhe tocando sem sua permissão, seu tio Leroy chorando, enquanto Hiram prometia que tudo iria ficar bem e implorava seu perdão por não ter percebido antes.
Mas a cada pergunta e a cada toque, ela fechava os olhos e implorava que parassem. Parte de si sabia que eles só queriam ajudar, mas seu cérebro parecia não entender essa informação e lhe mostrava flashbacks de minutos atrás e do que Brody fizera nos últimos meses e seu pânico por escapar impedia qualquer pensamento racional.
Por fim, tiveram que sedá-la, nada muito forte, apenas algo que a acalmasse e permitisse que os profissionais fizessem seu trabalho e eles tinham muito que fazer. Meses de hematomas mal curados e ou não curado ao todo.
Scans mostravam que uma das três costelas quebradas tinha perfurado um pulmão e a morena logo foi levada para cirurgia para saber se dava para salvar o órgão ou teriam que coloca-la na lista de transplantes.
Foi uma luta e por horas os Berry, Quinn, Sam, Kurt, Santana, Puck que teve apenas uma concussão e ficaria para observação pela noite e Finn como um nariz, costela quebrados, um olho roxo e diversos hematomas no rosto ficaram esperando por noticias.
“Como deixamos isso passar Hiram?” Leroy murmurou para o companheiro. “Nossa mais preciosa joia e não notamos seu sofrimento.”
“Temos sido negligentes. Eu tenho sido um péssimo pai, me deixei levar pelo ódio por aquela monstra e acabei descontando em Rachel.” Hiram admitiu envergonhado. “É minha culpa, se eu estivesse presente, se tirasse cinco minutos para ouvir, para conhecer Rachel... Sou um estranho para minha própria filha.”
Por fim, a cirurgia fora um sucesso e a Berry estava no quarto descansando. Como protocolo apenas os pais poderiam passar a noite e depois de muita briga, os pais finalmente conseguiram levar seus teimosos filhos para uma boa noite de descanso, afinal eles mereciam. O pesadelo finalmente tinha acabado.
Pelo menos para eles.
i.
Quatro batidas na porta lhe chamaram a atenção. Ela largou o controle da TV desistindo de achar algo que prestasse e relaxou na cama, avisando que quem quer que fosse podia entrar, imaginou que fosse Penny, sua enfermeira desde que fora instalada naquele quarto, para trocar seu curativo ou trazer algo para ela comer pela terceira vez.
Então imagine sua surpresa quando ao invés de Penny entrar, a feição sorridente de Shelby apareceu.
“Vim te visitar!” A mulher exclamou sorridente, fechando a porta atrás de si e aproximando-se da cama. “Como você está?”
“Melhor.” Rachel respondeu encarando a mulher seriamente. O que ela sabia? Será que tinha sido informada de tudo que acontecera? E se fora, seria a razão pela qual estava visitando-a dois dias depois de sua cirurgia?
“Que bom.” Shelby respondeu sentando na ponta da cama e encarando a adolescente. “Rachel, nós temos que conversar, é um assunto delicado.”
“Olha, se meus pais te mandaram para tentar me fazer falar sobre tudo que aconteceu...” A morena começou, mas foi interrompida por Shelby.
“Não, eles... eles não sabem que eu vim.” Ela deixou claro aproximando-se mais da garota. “Eu não sei como fazer isso delicadamente, então vou fazer como se arranca band-aid. Estou indo embora, de volta para a França.”
“O-o que?” A judia questionou confusa. “Mas você acabou de aparecer e eu... eu preciso de você... mãe.” A palavra soou estranha para ambos os ouvidos, mas Rachel culpou sua falta de uso, uma hora iria se acostumar a falar para a mulher.
“Por favor, não me chame assim.” A mulher pediu. “Rachel, como você sabe eu sou sua mãe biológica, mas eu não sou sua mãe. Nunca fui e... eu não acredito que possa acontecer um dia, não acredito que eu venha querer ser.”
“Mas você voltou por mim, eu não entendo. Por que está fazendo isso?”
“Na sua atual... situação... não acredito saber como te ajudar, é muita coisa para mim, já tenho meus próprios problemas sabe? Mas você tem seus pais, vai ficar bem.” Rachel encarava-a incrédula, não conseguia assimilar o que estava ouvindo, como aquela mulher podia ser tão insensível?
Uma raiva foi crescendo em seu peito ao vê-la caminhando para fora do quarto de hospital e antes que pudesse segurar, as palavras começaram a vomitar de sua boca.
“Você não vale nada!” Gritou. Um sentimento de contentamento se instalando quando a mulher se virou chocada. “Como pôde fazer isso comigo? Como pôde fazer isso agora? Eu preciso de você Shelby! Eu preciso da minha mãe! Você não tem esse direito, você me abandonou quando eu era pequena e mais precisava de você e tem a coragem de fazer novamente?” A cada palavra a adolescente ia gritando mais alto ao ponto que o médico de plantão e algumas enfermeiras aparecessem para ver o que estava acontecendo.
Todos passaram a rodear a paciente ao ver que os batimentos cardíacos tinham aumentado consideravelmente, junto com a respiração criando uma pressão enorme sobre o pulmão ferido e por mais que pedissem a garota não conseguia entender que deveria relaxar.
Piorou quando o médico pediu que Shelby se retirasse e ela foi rapidamente e de bom grado, Rachel começou a lutar com eles para ir atrás, lágrimas descendo por seu rosto enquanto continuava a gritar que a mãe voltasse.
Não teve jeito, Penny injetou o sedativo e aproximou-se da adolescente fazendo carinho em seus cabelos e murmurando que tudo ficaria bem, aos poucos Rachel foi relaxando até que por fim a escuridão lhe tomou por completo.
~~
“Os médicos nos contaram o que aconteceu.” Leroy começou próximo de Rachel na cama de hospital.
Ela tinha acordado um tempo atrás e agora que estava mais desperta, Hiram e Leroy resolveram conversar sobre o que tinha acontecido.
“Não tínhamos ideia que ela ia fazer isso querida, jamais teríamos ido para casa se soubéssemos.” Hiram tentou se explicar, sentando-se no mesmo local que Leroy, mas no lado oposto.
“Eu sei, ela deixou claro que só aparecera porque vocês não estavam aqui.” Rachel explicou, era a primeira frase que falava desde que tinha acordado e sua voz estava um pouco rouca por causa dos gritos.
“Tenho certeza que você deve estar cheia de perguntas.” O Corcoran tentou incentivar, a garota deveria estar confusa e sem entender nada. Mentalmente xingava sua irmã por causar mais esse problema.
“Só uma.” Rachel se calou por alguns minutos e então, num fio de voz perguntou o que realmente queria saber. “Ela realmente voltou por mim?”
“Não.” Hiram foi quem respondeu, sua vontade era mentir e criar toda uma história que não magoasse sua filha como sabia que a verdade o faria, mas era hora dela saber quem era Shelby Corcoran. “Ela veio por dinheiro, como me neguei a dar, ela resolveu te usar. Shelby sabia que se tivesse você sobre a guarda dela, eu daria pensões e todo o dinheiro que precisasse. Você era a galinha dos ovos de ouro para ela.”
“Essa história fica melhor e melhor a cada momento.” A judia ironizou, puxando as pernas até o peito e abraçando-as. “O que realmente aconteceu?” Quando os dois a encararam confusos, explicou. “Para vocês inventarem que ela morreu.”
“É uma longa história querida e nada fácil de ouvir, tem certeza que quer saber agora?” Leroy perguntou preocupado. Talvez fosse melhor se ela ouvisse quando estivesse mais forte.
“Não, eu preciso saber agora tio.”
Hiram então começou contando sobre como conheceu Shelby e Leroy. Seu pai Joshua Berry deu uma festa de negócio e ele com vinte um anos, quase se formando em administração tinha presença obrigatória e assim que conheceu os irmãos Corcoran, filho de Steve, um dos parceiros e grande amigo de seu pai.
Sua atração por Shelby foi instantânea e logo começaram a conversar, Leroy bastante tímido na época foi para um canto afastado e anos depois, Hiram descobriu que homem tinha ficado lhe observando a noite toda.
A história então pulou para meses depois quando Shelby alegou estar grávida e o bebê era dele, os dois não tinham transado muitas vezes e todas tinham usado camisinha, mas acidentes aconteciam e ele acreditou sem pestanejar. O casamento logo foi marcado por pressão de ambas as famílias já que com a cerimônia, ambas as empresas se uniriam.
“Espera, eu fui um acidente? E eu posso não ser sua filha?” Rachel questionou assustada. Tudo que conhecia de sua vida estava caindo aos pedaços em um só dia e ela não sabia como lidar.
“Não querida, nada disso.” Leroy interviu, levantando e indo sentar ao lado da garota, passando os braços pelo ombro dela e a puxando para si. “Shelby não estava grávida.”
“Ela inventou tudo porque sabia que eu era rico e teria a vida garantida ao meu lado.” O homem explicou secamente.
“Mas ela era rica também...”
“Nosso pai era bem restrito com as finanças, não a deixava gastar mais do que o necessário, além disso, na época nossa família estava passando por dificuldades por causa da economia e ela temeu que perdêssemos tudo.” Leroy explicou.
“Voltando...”
Os dois casaram rapidamente, dois meses depois Shelby ‘caiu’ da escada resultando na perda do bebê. Para Hiram que estava animado foi uma perda devastadora, já a mulher, no dia seguinte já estava agindo como se não fosse nada. Ali começaram as discussões e desentendimentos.
Aos poucos a mulher foi mostrando sua verdadeira faceta, era fria, calculista, grossa e evitada todo e qualquer contato com o marido, gastava demais e queria se exibir para as outras.
“Eu estava prestes a desistir, já planejava pedi-la em divorcio, mas quis fazer uma última tentativa, uma parte de mim amava a Shelby que conheci, doce e meiga, naquela noite ela foi a mulher que conheci e bem, fomos para a cama.” Hiram falou desconfortável. Sexo já não era fácil de falar, ainda mais depois do que aconteceu. “Dois meses depois ela estava grávida.”
Os dois ficaram extremamente felizes, planejaram tudo, a forma de conta para os pais, um chá de bebê só com as pessoas mais próximas, o berçário fazendo duas versões no computador e quando descobrissem o sexo escolheriam uma, em qual escola ela ou ele ira estudar quando crescem.
“Escolhemos até seu nome com antecedência. Shelby escolheu Rachel e eu queria Richard, caso fosse homem.” Ele explicou.
“E você tinha que ver o cuidado que seu pai tinha Ray, em qualquer lugar que Shelby fosse, ele ia atrás para se certificar de que nada de ruim acontecesse.” Leroy contou sorridente.
“Nove meses depois fomos presenteados com uma bela, cabeluda e extremamente escandalosa menininha, tão pequena.” Hiram exclamou lembrando-se do momento. Era uma felicidade que não conseguia expressar em palavras.
Por alguns meses a paz reinou na residência Corcoran. Rachel parecia ter sido a solução de todos os problemas, mas era óbvio que quando se jogava eles para baixo do tapete, uma hora iriam volta, quando menos esperasse.
Apesar de amar a filha, Shelby não tinha a menor paciência ou vontade de ficar na casa cuidando da garota. Contratava diversas babás, sempre mandava Hiram quando a pequena chorava a noite, mesmo que o homem estivesse exausto por ter trabalhado o dia todo e algumas vezes até ignorava a pequena.
“A gota d’água foi quando você tinha um ano e meio. Ela te deixou brincando no quintal e foi fofocar ao telefone, você amava engatinhar, mas ás vezes caia e foi exatamente o que aconteceu. Você engatinhou até a piscina, desequilibrou batendo a cabeça na borda e caiu dentro.” Hiram contou olhando a cicatriz no meio da testa da adolescente. “Quando cheguei, a babá estava fazendo massagem cardíaca enquanto ela ligava para os paramédicos.”
Os papeis do divorcio então foram assinados e Rachel ficou sobre a guarda de Hiram, um acordo mútuo dos pais. Foi então que Shelby começou a se distanciar, aparecia raramente para visitar a pequena, não ligava... Simplesmente não se importava.
Também foi quando Leroy e Hiram começaram a se aproximar. O Corcoran assumiu a empresa do lugar de Shelby e passou a trabalhar com o Berry, noites e noites de stress, bebidas para aliviar a tensão gerou uma noite experimental e então um caso.
“Começamos a nos relacionar em segredo já que nenhuma de nossas famílias iria aceitar e foi exatamente quando Shelby começou a nos importunar, ela queria dinheiro e começou a usar das formas mais sórdidas para conseguir, até que uma noite ao invadir a mansão para tentar seduzir Hiram, ela nos pegou na cama.” Leroy falou. “Tirou fotos e nos ameaçou expor para a mídia, além de corrermos o risco de perdemos tudo que tínhamos, Hiram tinha medo de perder sua guarda.”
Depois de discutirem muito que fazer, Leroy vendeu a empresa Corcoran para Hiram tornando-a uma só empresa e todo o dinheiro foi para Shelby, a mulher então desapareceu no mundo sem pensar duas vezes.
“Não ouvimos falar dela até que voltou querendo mais dinheiro. Quando me neguei, ela ameaçou pegar sua guarda.” Hiram explicou.
“Eu estava certa, ela não vale nada.” A morena murmurou piscando as lágrimas que ameaçavam descer por seu rosto. “Vocês podem ir? Eu gostaria de ficar sozinha.”
“Querida, antes eu gostaria de pedir desculpas, eu tenho sido um péssimo pai e...” Antes que pudesse continuar a Berry ergueu a mão pedindo que ele parasse.
“Outro dia, por favor, hoje eu só quero assimilar tudo que ouvi.” Pediu, deitando na cama olhando para o teto, sua cabeça estava rodando e lembranças do que Shelby tinha dito antes de ser atacada por Brody voltaram a sua mente. Ela mentira em sua cara e tudo por dinheiro. A pessoa que lhe pôs no mundo se importava mais com papel verde do que com ela.
Como deveria superar isso?
ii.
“Ok srta. Berry, temos uma série de perguntas e serão bem difíceis, então tome todo o tempo que precisar para respondê-las.” A detetive Spivot informou segurando a mão da garota e dando um sorriso encorajador. Ao seu lado, seu parceiro detetive Stuart não partilhava do mesmo sentimento.
“Conte como você e Brody Weston se conheceram e seu relacionamento com ele.” O detetive Stuart pediu ligando o gravador de voz.
Rachel então contou sobre Figgins pedindo que ela o apresentasse a escola e que eles eram apenas colegas, apesar de que Brody sempre demonstrou que queria algo mais com ela.
“Rachel, quero que você conte como e onde foi o primeiro ataque. Leve o tempo que foi necessário.” A Spivot pediu em seguida.
Como a morena não lembrava muito, pois fora drogada, ela contou mais sobre a manhã seguinte e as marcas e dores em todo o seu corpo.
“Então você não tem uma provas reais de que o Sr. Weston fez isso naquela noite, apenas o que você acha que aconteceu.” Stuart comentou irônico, ganhando uma repreensão de sua parceira.
“Eu tinha marcas por todo o meu corpo e dores fortes nas minhas áreas... pessoais. Além disso, Brody admitiu depois. Isso é suficiente para você detetive?” A Berry ironizou apertando o braço que tinha em volta de Santana. A latina estava lhe visitando quando os detetives chegaram e ela já não podia mais dispensa-los. Precisava dar seu depoimento.
Em seguida, pediram que ela contasse as outras vezes e os lugares e a maior riqueza de detalhes possíveis, enquanto Rachel contava, notou o olhar malicioso do detetive Stuart fazendo-a estremecer.
“Deixe-me repassar os lugares dos supostos ataques: Banheiro, sala do faxineiro, salas de aulas vazias, sua casa, casa dele, no carro dele. Não é coincidência todos serem típicos lugares que um casal de adolescentes teria relações sexuais?” O detetive questionou novamente irônico.
“Você está tentando insinuar alguma coisa aqui?” Santana se intrometeu indignada com as coisas que estava ouvindo do homem. “Está tentando insinuar que ela pediu tudo isso? Pediu ser estuprada, pediu apanhar? Costelas quebradas?”
“Estou apenas averiguando as informações Srta. Lopez. É meu dever me certificar que um cidadão de bem não seja preso porque a namorada não aguentou umas brincadeiras safadas.”
“Detetive Stuart, ou você se comporta ou terei de expulsa-lo daqui.” A detetive avisou friamente e com os olhos pediu desculpas pelas atrocidades saindo da boca de seu parceiro.
“Além do abuso sexual, ele fazia alguma outra coisa?” Ela continuou, o quão rápido terminasse isso, livraria a pobre garota dos comentários e olhares infelizes de seu parceiro. Teria uma seria conversa com seu superior sobre aquilo.
“Me batia. Socos, chutes... O que me fizesse calar, ele fazia.” A morena estremeceu ao lembrar.
“Srta. Berry, no seu prontuário consta que você negou o exame para doenças sexualmente transmissíveis e a pílula do dia seguinte, pode explicar por quê? Afinal, quem que se diz estuprada nega duas coisas extremamente importantes?” Stuart perguntou.
“Brody usava camisinha sempre ou então gozava sobre mim, nunca dentro.” A morena respondeu envergonhada. Será que aquela tortura poderia acabar logo?
“Rachel, nos conte sobre a noite que você foi sequestrada por ele e sua ex-professora, Cassandra July.” Spivot pediu.
Rachel o fez, contara o que lembrava com o máximo de informação possível e então o que aconteceu no cemitério, já que entre o espancamento e seu quase enterro, não tinha memória alguma.
“Isso é suficiente, muito obrigado Srta. Berry.” A detetive agradeceu apertando a mão das duas garotas e observando a interação de seu parceiro com elas, o homem olhava de forma predatória e desconfiada. Tentou tira-lo dali o mais rápido possível, mas não foi suficiente.
“Srta. Berry, já pensou que a razão de tudo isso ter acontecido é porque o Sr. Weston tem sentimentos por você? Pense bem, você deu todos os motivos para ele acreditar que tinha uma chance. Ele simplesmente agiu conforme o que sentia.” A forma que o detetive falou deixava claro que ela deveria se sentir lisonjeada por tal ‘sentimento’.
Hijo de una puta!” Santana gritou indignada. “Cómo se atreven hablar así?” Se não fosse Rachel a segurando, a latina provavelmente teria avançado naquele pedaço de lixo humano. “Rachel, isso não é verdade. A culpa é toda e somente do Brody, nada justifica o que ele fez.”
A morena acenou concordando, mas sua mente pensava completamente diferente.
E se o detetive estivesse certo? E se ela estivesse mandando para a cadeia a única pessoa que poderia ama-la. Afinal, quem iria sentir qualquer coisa por uma pessoa danificada como ela? Sua própria mãe tinha lhe abandonado, o que garotos e homens não fariam?
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