Notas iniciais
Oi galera, não demorei né?
Eu fiquei super indecisa em relação ao Jimmy e a reação de vocês quanto à isso. Mas, eu já tinha tudo tão montado na minha cabeça, tenho até o desfecho desta história pronta (na minha mente), e eu não imaginava os acontecimentos dessa história sem que essa tragédia acontece. Me desculpem. Uma quantidade considerável deixou de comentar, talvez tenham abandonado, mas tudo bem, o que é importa são você vocês que estão aí agora, sendo fantasmas ou não. Se chegaram até aqui é porque gostaram!

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Acordei com batidas na porta de meu quarto seguido de um Michael, adentrando sorrateiramente pelo mesmo.

– Bom dia, Sunshine. – Papai sorriu. Passei a mão nos olhos e espreguicei-me em seguida. Ele sorriu mais largo quando eu finalmente me levantei.

– Está bem, o que você está aprontando pai? – perguntei a ele.

– Sabe que dia é hoje? – ele perguntou sugestivo.

– Dormi tanto que já é o meu aniversário de dezenove? – perguntei, olhando-me no espelho, passando as mãos nos meus cabelos desgrenhados em uma falha tentativa de arrumá-los.

– Bem, sei que atrasei dois anos. Afinal, eu te prometi isso no seu aniversário de 16 e, como você estava afogada no trabalho nem teria tempo de usá-lo e, bom, que tal você ir lá embaixo e ver com seus próprios olhos? – Papai começou a dizer e no mesmo instante eu entendi do que se tratava.

– Não brinca? – perguntei com os olhos arregalados. – Oh, Meu Deus! – sorri, e desci as escadas correndo em direção aos fundos da casa. Deparei-me com o carro de meu pai, e ao seu lado o meu. Um lindo Mustang Shelby 1969. Papai havia prometido consertá-lo para o meu aniversário de 16, mas estava o fazendo agora. Esse carro fora meu avó quem dera ao meu pai, e assim o carro seria passado para mim quando tivesse idade para poder dirigi-lo, mas era tudo muito corrido naquela época, e então, aos 18 eu finalmente o teria. Sempre fui apaixonada por esse Mustang, – que se chamava carinhosamente Bob – carros antigos sempre me fascinaram. Eu nem conseguiria descrever a animação que sentia, se tentasse.

– E então, aonde pretende ir com ele primeiro? – Michael perguntou, apontando para o carro com a cabeça.

– Não sei ainda. – respondi sincera me recostando no meu mais novo automóvel.

– Que tal fazer, uma viagem. Para um lugar que você goste de estar com alguns amigos, ou poderia ir para Los Angeles, mais precisamente para o chalé na colina. – Ri. O chalé em Los Angeles pertencera aos meus avós, era um lugar magnífico, havia um rio, e subindo a colina era possível ver o mais lindo pôr-do-sol. Fora de lá que papai tirara a ideia do meu apelido, Sunshine. Em um pôr-do-sol no chalé, era especial. Porém, não era o que eu queria no momento. Na verdade a ideia havia sido boa, e um lugar em que eu queira estar, me lembrava a Califórnia, e que faziam dois anos que eu não via os caras do Avenged Sevenfold. Eu não queria que eles simplesmente fossem embora da minha vida como se não significassem nada. Eles representavam a parte que me fizera feliz, que me fizera sorrir. E eu precisava resgatar aquilo que tínhamos, mesmo dois anos depois de eu ter dado um salto para fora de suas vidas. E eu não deixaria que isso acontecesse novamente. Eu iria para Huntington Beach, e consertaria a grande merda que fiz, ao fugir naquele maldito dia.


Era ótimo estar finalmente dirigindo o meu Bob, a animação tomava conta de mim. A viagem era longa e cansativa, tive que parar para dormir em algum hotel três noites, e por fim, finalmente cheguei na cidade. A estrada a beira-mar era linda, tive que parar alguns minutos para apreciar o sol se por juntamente das ondas se quebrando no rochedo. Acabei ficando em um hotel ali perto, tudo o que eu queria era tomar um banho e ligar para algum dos meninos e avisá-los que estava na cidade. Precisava vê-los, apesar do cansaço, me sentia impaciente. Precisava vê-los agora.


Enrolei-me em uma toalha assim que saí do banho, pegando meu celular e sentando-me na cama. Disquei o número de Zacky, impaciente pelo mesmo demorar tanto à atender. Batia meu pé irritantemente contra o chão, como se isso fosse fazer Zee atender o telefone mais rápido.

– Alô. – uma voz feminina atendeu, mas eu a reconheci imediatamente. – Quem é?

– Gena, é a Taylor. – respondi. – Onde está o Zacky? Todo mundo?

– Ah, oi Taylor, como vai? Bem, o Zacky e todo mundo estão no Johnny’s Bar agora. Ele esqueceu o telefone celular em casa, é um irresponsável. – Gena respondeu calmamente.

– E vou bem, obrigada, hum, Gena você acha que seria incomodo para eles se uma pirralha que sumiu de uma hora para outra aparecesse de repente lá? – perguntei apreensiva.

– Tay, você está na cidade? – perguntou ela entusiasmada.

– É, eu estou. Então, o que você acha? – disse.

– Eu acho que eles irão pirar. Está maluca? Você já devia estar lá, eles vão ficar muito felizes em ver você. – Me senti aliviada por isso, na verdade. Despedi-me de Gena, e saí correndo a procura de alguma coisa para vestir. Quando finalmente encontrei alguma algo que ficasse apresentável, vesti meu casaco de couro e saí correndo do hotel. Entrei em meu carro e liguei o rádio.

“Essa noite promete calor em todo o estado... Fiquem agora com Red Hot Chili Peppers – The Adventures of Rain Dance Maggie”

Dirigi rapidamente até o bar, meu coração batendo descompensadamente a cada metro percorrido. Finalmente, então, parando em frente ao local. Saí as pressas de Bob, não antes de passar as mãos pelo meu vestido floral um pouco amassado e tentar ajeitar os cabelos. Olhei pela vidraça, meus olhos atentos a qualquer movimentação conhecida. Abri a porta fazendo as sinetas de aviso, tocarem. O ambiente era bem familiar e acolhedor, apesar de ter vindo apenas uma vez antes. Girei minha cabeça para o lado esquerdo verificando cada detalhe. Nada. Girei meus calcanhares para o lado direito, onde logo vi as mesas de sinuca e uma movimentação um pouco tumultuada. Sorri largo. O mesmo sorriso infantil de uma criança quando abre seus presentes de natal. O tumulto era devido a alguns fãs que pediam autógrafos aos meus procurados. Tocava Dog Days Are Over do Florence and The Machine, e isso dava um clima tão trilha sonora que me contive para não rir. Me aproximei da pequena multidão. Meu coração martelava, a cada passo que eu dava. Esperei até que todos os fãs fossem atendidos e finalmente me postei na frente deles para dizer:

– Esqueceram de uma. Será que podem assinar alguma parte indecente de meu corpo? – Dei meu melhor sorriso torto. Zacky foi o primeiro a se virar e finalmente me ver, a boca se decidindo em sorrir ou ficar aberta. Os outros finalmente se viraram e sorriram.

– Taylor! – Johnny exclamou, vindo em minha direção e dando-me um abraço de quebrar os ossos. Ele podia ser menor do que eu, mas era bem forte. Pelo visto, altura era a única coisa que tinha de ‘pouco’ nele.

– Não... Precisa... Acabar... – balbuciava as palavras, enquanto ele me apertava cada vez mais forte, a sensação era de que meus olhos saltariam das órbitas. – Com a minha estrutura óssea. – consegui terminar quando ele finalmente me soltou.

Os outros três me abraçaram igualmente. Eles não tinham noção da força que possuíam, isso era fato. Mas eu adorei, admito. Eu senti meu coração falhar por um minuto, enquanto eu esperava pela quinta pessoa que me abraçaria. Mas eu sei, que aquele abraço eu não teria novamente, em uma vida mortal.

– Então, o que vocês têm feito nos últimos dois anos? – perguntei, encerrando meu monólogo.

– Bem, deve saber que fizemos uma turnê grande parte de 2010, e esse ano, folgamos até agora. – respondeu Matt, sentando-se em uma cadeira sendo acompanhado por todos nós. Eu me senti culpada, novamente. Já estávamos na metade de agosto e o afastamento era minha culpa, apenas minha.

– E você Taylor, o que tem feito? – Brian pronunciou tomando um longo gole de sua cerveja.

– Trabalhando. – respondi apenas, pedindo um refrigerante para mim. Eu não estava muito confiante em beber, apesar de o ambiente ser, aparentemente, confiável. Até hoje não lembrava-me o que havia acontecido na festa de Halloween e isso me deixava aflita. Não era como se eu tivesse perdido a virgindade ou coisa assim, mas quando eu tentava me lembrar, a única coisa que me vinha á cabeça eram clarões, refletores de luzes e minha jaqueta de couro perdida. Nada mais. Enfim, minha bebida chegara.

O bar foi ficando cada vez mais cheio, e conforme o tempo passava percebi que ali se formava uma boate anos 60. As pessoas dançavam do outro lado, onde estávamos era calmo, pois tinham as mesas de sinuca e algumas mesas. Aquilo parecia realmente muito divertido. Sorri observando as outras pessoas, parei de prestar atenção na conversa dos homens ao meu lado.

Estava sendo divertido. Claro que não era nada comparado quando se estava com Jim, mas aquilo era o máximo de diversão que se poderia atingir sem Jimmy, ali. Mas eu estava enganada. Acabara de melhorar. Afinal, acabou de começar a tocar I Wanna Be Sedated do The Ramones.

– Ah, agora a gente vai ter que ir dançar. – Zacky disse, animado com a música.

– Sem dúvida. – concordou Brian, já se levantando seguido de Zacky. Observei os dois começando a dançarem ridiculamente engraçado.

– Me daria a honra? – nem percebi Matt se postando a minha frente, se curvando enquanto falava e estendia a mão. Não me contive e ri do seu falso sotaque britânico.

– Matt... Eu não acho uma boa ideia. Sou uma péssima dançarina. – tentei me explicar. Eu não queria pagar um mico na frente de todas aquelas pessoas.

– Ótimo, porque eu também sou péssimo. – Ele já me puxava para o meio da pista de dança, esperei pelo apoio de Johnny, mas ele já havia se dissipado e estava no meio de Zee e Brian.

Fomos bem para o meio da aglomeração, a pouca iluminação, vinha de um refletor acima.

Matt me girou em volta do meu próprio corpo, enquanto eu lutava para não rir de mim mesma, ele começou a dançar e concluí que Matthew era um filho da puta, mentiroso. Ele dançava bem demais. Fazia com que um John Travolta parecesse um amador. Notei que estava parada olhando para ele, quando a música chegou na minha parte favorita. Tive que me soltar. Balancei meus ombros e cantei.

Ba-ba-baba, baba-ba-baba I wanna be sedated. – Matt riu com isso, mas fez o mesmo. Ele pegou minha mão e girou-me novamente, me puxando de volta para ele, fazendo com que meu braço se enrolasse sobre meu busto. A música terminara e eu estava ofegante.

– Eu é quem estou ficando velho, e é você quem está com os sintomas? – Matt disse, com um sorriso divertido nos lábios.

– Haha, que tal você calar a boca? – eu respondi, mas não me contive e dei risada. Uma nova música começara. Twist And Shout, The Beatles. Recomeçamos a dançar. As músicas que se seguiram foram What a Wonderful World, What I like about you, Do you remember Rock N’ Roll Radio e todo o tipo de músicas antigas de sucesso. Foi uma noite memorável.

– Quanto tempo pretende ficar? – Matt perguntou enquanto nos caminhávamos para o estacionamento.

– Pode ser alguns dias, ou um mês, eu não sei. – respondi, me recostando em Bob para poder conversar com Shads melhor.

– Espero que possa ficar por muito tempo. – Matthew disse sorrindo. – Taylor, esse é o seu carro?

– É. Bob, Matthew; Matthew, Bob. – apresentei-os.

– É uma relíquia. – ele murmurou, analisando-o. – E o seu carro, se chama Bob.

– Eu sei, ele era do meu pai. Nem o fabricam mais. – sorri. – Bem, eu acho que tenho que ir. Está tarde. – me virei e abri a porta do carro, pronta para ir, mas antes que o fizesse, Matt segurou meu braço.

– Espera! Antes de você ir, eu preciso perguntar uma coisa. – Parei para ouvi-lo, ele parecia sério. Pelo que me conheço, uma ruguinha de preocupação apareceu entre minhas sobrancelhas.

– O que foi?

– Naquele dia, na casa de Jimmy, como você sabia o que estava acontecendo? Sabe o que quero dizer? Por que você foi a casa dele aquela manha? – Eu não entendia, exatamente, aonde ele queria chegar e o porquê dele estar fazendo aquela pergunta, mas respondi a verdade.

– Eu não sabia. Bem, quero dizer, na noite anterior, acho que, após ele chegar em casa, me ligou e me chamou. Disse que era importante, que eu devia estar lá de manhã sem falta. Algo sobre a festa de Halloween, eu não sei, ele balbuciava coisas sem sentido, frases sem nexo algum. – Inspirei profundamente e encarei Matt. O mesmo olhava no fundo de meus olhos. Aquilo era intimidador. E, em seguida, ele balançou a cabeça ainda encarando-me, sorriu de lado e suspirou cabisbaixo. Aquilo visivelmente, ainda o machucava. Como todos nós na verdade. – As vezes, eu me pergunto se ele sabia o que estava para acontecer. – murmurei. Ele, nada disse. Matt virou o rosto para o lado, mas eu entendi o motivo dele ter feito aquilo. Ele não queria que eu o visse lacrimejando, demonstrando fraqueza. Aquele gesto era tão conhecido por mim. Eu mesma me escondia para chorar, para não mostrar que estava sofrendo qualquer motivo que fosse. Lembro-me de minha mãe tentando me reconfortar, e como ela conseguia fazê-lo. Tentei fazer o mesmo. – Eu, hum, quando estou muito chateada ou triste por alguma razão, vou para um lugar escondido... Quando eu era criança, eu costumava ir para um lugar com os meus pais em Los Angeles. Era o chalé do meus avós, e um dia, por alguma razão eu fiquei muito chateada. Então a noite eu fugi e subi uma colina e passei lá a noite inteira. Antes de amanhecer, meus pais perceberam que eu tinha sumido e então, eles me encontraram quando o sol estava nascendo, desde esse dia meu pai me chama de Sunshine. Não ria. – Eu não acredito que contei isso, mas tudo bem, era por uma boa causa. Pelo menos ele sorriu.

– Por que eu riria? – ele perguntou com um sorriso divertido em seus lábios.

– Pelo apelido idiota. – falei óbvia.

– Eu gosto de Sunshine. Sabe, sem luz do Sol, não existem Sombras. – Engoli em seco, afinal eu acho que entendi o que ele quis dizer. Mas, era possível mesmo, ele fazer menção do próprio apelido naquela frase? Tipo, sem Sunshine não existe Shadows? – A gente se vê, Taylor Momsen. – Ele virou as costas e se foi, contive a vontade de chamá-lo de volta para explicar-me o que havia sido aquilo. Poderia muito bem ser coisas da minha cabeça, eu interpretei errado o que ele quis dizer. Sim, isso. Suspirei, antes de entrar em Bob e ver o que faria da minha vida daqui em diante. Aquele frase não saia da minha cabeça, o que diabos ele quis dizer? “Sem luz do Sol, não existem Sombras.”


Notas finais
Reviews, people, reviews.