Notas iniciais
Me desculpem por demorar tanto para postar, mas aconteceu que eu me mudei e fiquei sem internet por um tempão.
Enfim, voltei e com alguns capítulos dessa fic já concluídos!
Espero que ainda estejam aí e que não abandonem a fic.

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Ah. Meu. Deus.

Era a única forma de expressar o que eu senti, assim que vi o meu fofo ‘presente’. Era um filhote de Labrador. Um filhote. E ainda, de Labrador. Pensei comigo mesma, idiotamente.

Ele estava na casa de Brian, com um laço – pelo menos um dia fora – no pescoço, porém devido ao óbvio tédio que o cachorrinho deveria estar sentindo ao ficar sozinho, ele despedaçou o pobre laço de presente, rasgou os jornais que estavam no chão, e fez ‘necessidades’ no tapete.

De qualquer forma, a primeira coisa que tive vontade de fazer, mas não fiz, assim que o vi, foi querer mordê-lo. Era a coisa mais fofa do mundo.

Mas optei por pegá-lo no colo e agradecer os caras. Eu realmente havia amado. E então, depois de tanto acariciá-lo – e ele ter lambido o meu rosto, ao que me pareceu, pela décima vez – Zacky lembrou-me:

– Já pensou em um nome? – indagou, sentando-se em uma das cadeiras de sol dos fundos da enorme casa.

Hum. Na verdade, eu tinha algumas ideias, mas nada saia do quesito livros e filmes favoritos. Pensei em Harry Potter, Castiel, Constantine, Lincoln, Malfoy, Salvatore, Peeta, Marley, Rex e até mesmo Scooby-Doo. Nada original, tsc tsc.

Virei a carinha dele para mim. Ele tinha cara de que?

Eu teria que pensar mais sobre isso.

Minha cabeça voou longe por alguns minutos, mas então, voltou para algo que eu preferia não lembrar agora para que não ficasse envergonhada, corasse com pensamentos ou me constrangesse com o olhar dele.

Matt. Ele queria falar comigo sobre algo que não dissera antes, e pelo modo como as palavras saíram de sua boca, supus que deveria ser importante.

Grande merda!

Eu estava morrendo de curiosidade, mas esperaria para abordar o assunto em um momento próprio para ambos, mas devo admitir que, por vezes quase perguntei sobre aquilo na frente de Zacky, Johnny e Brian. Eu teria de me segurar ao máximo para que aquilo simplesmente não escapasse da minha boca enquanto estivéssemos conversando. Levantaria suspeitas desnecessárias, afinal.

Por fim, decidi que era hora de ir e levar o meu mais novo amiguinho para casa – se é que um hotel poderia ser chamado de casa.

E algo se passou pela minha cabeça de súbito quando me levantei.

– Eu acho que preciso ir – disse, com um filhote de labrador completamente inquieto em meus braços. – Matt, hum, pode me ajudar com a saída?

– Tudo bem, eu te ajudo – Johnny disse, porém, foi repreendido por um Matt mais rápido.

– Pode deixar comigo – ele disse, se postando ao meu lado lançando-me um olhar cúmplice.

Seguimos até perto da entrada, quando ele finalmente me parou:

– E então...? – perguntei, pedindo para que ele começasse a dizer, afinal, a minha curiosidade – que se manterá calma até agora – começara a dar sinais de que iria enlouquecer se ele não dissesse alguma coisa logo.

– Quando, hum, Jimmy – ele passou a língua nos lábios – pediu para que você fosse na casa dele depois daquele dia no bar, eu acho, na verdade tenho certeza, que não foi por acaso.

– V-você acha que ele sabia de alguma coisa? – perguntei com as mãos ligeiramente tremulas – Quero dizer, sobre... Ele? Como se soubesse o que aconteceria?

– Nada disso, eu acho, hum, eu duvido muito. – ele respondeu, minha respiração ficou um pouco mais leve. – Vem. – ele me chamou, puxando-me pelo braço e abrindo a porta para que fossemos para fora.

– Então, o que é? – perguntei, tentando acompanhar o seu ritmo com um pequeno Labrador em meu colo.

– Acho que aqui não é um bom lugar. – ele falou, me fazendo lembrar repentinamente do que meu pai me dissera pela secretária eletrônica: “Cuidado com a proximidade que você mantém com homens como seus amigos. Pode ser interpretado de uma maneira errada, e ninguém quer isso, quer?”. Revirei os olhos com o pensamento, afinal não havia motivo algum para que eu ficasse próxima demais de Matthew agora, teria?

– Matthew – o chamei, achando que ele poderia ter se esquecido que queria me falar algo, e que eu estava bem atrás dele, e ele andava praticamente correndo. – Onde estamos indo?

Só então percebi que estávamos no estacionamento bem a frente da casa de Brian, e apesar do lugar ocupar a cidade inteira – Não vamos exagerar, mas o lugar era enorme – não havíamos andado tanto assim.

– Não fica muito longe. – não era exatamente o tipo de resposta que eu esperava.

– Você parece nervoso. – pensei em voz alta – Não vou conseguir acompanhar seu ritmo, portanto, vamos com o meu carro. – disse. A minha curiosidade subindo em cima de qualquer outro sentimento, até mesmo do que eu sentia quando ficava sozinha com ele. Ou não. Porém, ele ficou pensativo por tempo suficiente para que eu dissesse em voz alta, apesar de odiar dizer – Você dirige.



Ele havia dirigido até uma campina, que de fato, não era assim tão longe da casa de Brian, porém, era afastada da cidade. Era ao lado oeste da estrada principal, que só quem realmente conhecia o lugar saberia como chegar. Bem, alguém como Matthew Charles Sanders. De longe, dava para ver várias colinas e o Sol bem acima.

Sai de meu Mustang Shelby 1969, carinhosamente chamado de Bob. Encarei Matthew, tentando ler sua expressão que estava, definitivamente, ilegível. Ele que permanecera calado desde que começara a dirigir. Soltei o cachorro de pelos amarelados no chão, que correu como um maluco em direção à uns pássaros que voaram repentinamente. Então, ele começou a pular alto, esperançoso de que conseguiria alcançá-los, o que claro, era impossível. Porém, o cãozinho pulava altíssimo, como se, de alguma forma iria conseguir voar.

Matt riu nasalmente, sendo acompanhado por mim.

O Sol estava se pondo naquele momento, fazendo aquele final de tarde parecer incrivelmente nostálgico.

– Sunshine. – ouvi ele murmurar, mas ignorei – Juro que não diria se tivesse algum modo de esconder isso por mais um tempo. – ele pareceu falar mais consigo mesmo do que comigo, mas isso não impediu meu coração de dar uma cambalhota, e finalmente começar a bater como um louco. Tudo bem, ele estava me assustando.

– O que? – perguntei com a voz falha.

Shadows virou o rosto em minha direção, me analisando antes de prosseguir. Como se tentasse ler minha alma ou encontrar algum vestígio de impaciência em minha expressão. E para falar a verdade, eu estava mesmo começando a ficar impaciente. Antes, eu tentei não pensar sobre isso para que ansiedade não tomasse conta de mim, a ponto de eu falar alguma besteira que o fizesse desistir de falar o que tanto almejava. Estreitei os olhos e o encarei sem vacilar o olhar.

Pigarreei.

– Estou ouvindo, Matt. – falei docemente.

Ele se virou de frente para mim, perto o suficiente para que nossas respirações se cruzassem.

Ele parecia procurar pelas palavras certas. Parecia com medo de que, de repente, eu poderia sair correndo.

– Quando Jimmy te chamou para ir até sua casa no dia seguinte, depois daquele dia no bar, – ele hesitou, porém eu assenti com a cabeça em um pedido mudo para que ele continuasse – ele me chamou também.

– Por que ele faria isso? – indaguei, com o coração batendo tão forte que pensei que ele poderia estar ouvindo.

– Porque ele sabia de uma coisa – continuou.

Ficamos em um silêncio por um momento, minha cabeça trabalhava mais rápido que um foguete. Lutando contra todas as minhas perguntas internas, fiz a mais óbvia delas:

– O que? O que ele sabia Matthew? – soou como uma suplica para que ele continuasse. Dei um passo á frente, à sua direção.

– Ele queria que eu te contasse, que, hum – ele vacilou, mordendo o lábio antes de continuar. Minha cabeça buscava uma resposta plausível para o que ele estava dizendo. E eu achava que sabia exatamente até onde aquela conversa nos levaria. Por fim, ele respirou fundo e olhou bem em meus olhos. Azul e verde se encontraram buscando respostas um no outro – ele queria que eu te contasse que... Eu te amo.

Um choque elétrico se perpassou pelo meu corpo, e eu acho que ele sentira o mesmo. Eu havia mesmo escutado o que achava que havia? Sim, sua própria boca pronunciara aquelas palavras, e a minha volta tudo girou.

Era quase como se estivesse bêbada. Eu oscilava, ofegava, meu coração batia a mil e eu estava inebriada.

Inebriada por Matthew.

Eu estava tão entorpecida pelas palavras dele que não me lembrei de nada mais a nossa volta.

Esqueci-me completamente do que provavelmente pensariam, ou o que viria depois.

Pois o que eu fiz, não poderia ser mais... Insano.

Sim. Insano era a palavra certa.

Eu juntei nossos lábios, mostrando tudo o que eu sentia em um beijo.

Minhas mãos foram até os seus cabelos o trazendo para mais perto de mim, e ele me empurrou até o capô do Mustang. Suas mãos segurando firmemente minha cintura. Estava tudo em câmera lenta, e meus ouvidos conseguiram captar o som de Sweet Child O’ Mine tocando dentro do carro. Nem em um milhão de anos um beijo inesperado pareceria mais com uma cena de um filme dos anos 80.

Funguei.

Aquilo teria durado anos, caso um filhote de labrador não houvesse latido bem abaixo de nós. Encarei o chão, encontrando um pássaro às patas do filhote. Ele havia conseguido, afinal. Ele havia capturado um pássaro, ao que parecia impossível para si. Assim como eu e Matthew. Algo impossível de acontecer, mas, que estava de fato acontecendo. Ri nasalmente.

Matthew encostou sua testa na minha e eu não poderia descrever em palavras o que estava sentindo.

Apenas em como tudo estava tão perfeito, e como não queria sair dali nunca mais.

Shadows me puxou para um abraço, e eu tentei envolver suas costas largas em meus braços.

Fiquei nas pontas dos pés, e com seu pescoço em meu ombro, sussurrei em seu ouvido:

– Nunca me deixe ir.



Notas finais
Dependendo dos reviews, o próximo eu já posto amanhã mesmo. Ou, quem sabe, hoje?
Depende de vocês.
Xoxo