Nothing Left To Lose
6 Live and Let Die
Notas iniciais
Meu coração estava quebrado. A cada batida que ele dava, parecia que era dilacerado de novo e de novo. Jimmy havia quebrado a sua promessa. Ele prometeu nunca me deixar. Então por que mentiria?
Ele havia me ligado no dia 27, logo após ter chego em sua casa. Disse que precisava falar comigo sobre algo realmente importante, alguma coisa sobre a festa de halloween, então eu tinha de estar lá na manhã seguinte. Eu fui até lá, no dia 28, às 11:00 da manhã, quando encontrei uma ambulância e quatro amigos grandes e tatuados chorando como bebes. Ninguém sabia o que estava acontecendo na verdade, mas sabiam que Jimmy era quem estava na ambulância. Os para-médicos não davam respostas as nossas perguntas, nos ignoravam, andando apressados em busca de ferramentas. Exatamente como eu já havia visto em filmes, quando era caso de vida ou morte. Quando toda esperança se vai, nada faz com que ela volte. Ninguém estava me convencendo na verdade, de que ficaria tudo bem. Nem Matthew com os braços me envolvendo, nem as promessas que Jimmy havia feito, “Vou estar aqui, para vê-la mudar de ideia e se casar um dia”. Até podem dizer que eu sou uma pessimista, mas eu sei que só estava sendo realista comigo mesma. Sem expectativas, sem decepções. Quando saiu um pára-médico de dentro do veiculo, tudo que ouvimos foi um silêncio angustiante, até ele falar, “Ele não resistiu, sinto muito”. Era fácil para ele falar, não era? Simples dizer um ‘Sinto muito’, quando pessoas quebradas esperavam ouvir a voz dele dizendo, “Está tudo bem, seu bando de fracassados”. Sim, porque ele era o único que me faria acreditar que estava realmente tudo bem. Mas não estava, e tampouco ficaria algum dia.
Eu era fraca. Estava indo embora, fugindo. Logo após o adeus definitivo à James. Era realmente difícil ver caras grandões e tatuados chorando e vestidos de terno, ainda mais quando se conhece eles. Eu estava sentada no último banco da igreja empoleirada, onde lá na frente, no altar, Matt, Brian, Zacky, Johnny e os familiares prestavam suas últimas homenagens. As lágrimas escorriam silenciosas pela minha face, meu olhar vago e o coração destroçado.
Assim que, em passos apressados, fui para fora da igreja, recebendo uma lufada de ar no rosto. Caminhei entre as árvores devagar, o lugar era tão majestoso. A minha presença não era digna.
– Taylor.
Me virei abruptamente, reconhecendo a voz na mesma hora. Fiquei apenas o encarando, sem ter vontade de falar, na verdade. Matthew se aproximou, os olhos tão inchados quanto os meus deveriam estar. Ele estava irreconhecível, tão sério. Mas o que eu estava falando? Meuvestido preto e com algumas rendas na manga, chegando próximo aos joelhos não era o que eu costumava usar, de fato.
– Aonde está indo? – ele perguntou, próximo o suficiente para encarar-me nos olhos.
– Está na hora de ir para casa. – falei.
– Quer dizer no hotel? – Matthew perguntou, franzindo o cenho.
– Quero dizer, em New York.
– E pretendia fazer isso sem se despedir? – as palavras dele me atingiram como facas afiadas, pois sua voz era intimidante. Por que ele faz isso?
– Matt – repreendi.
– Você pretendia. – confirmou consigo mesmo.
– Eu preciso ir, agora. – disse com a voz embargada, e cabisbaixa.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou com os braços grandes para si. Abraçando-me fortemente, e eu fiz o mesmo. Meus braços quase não se fechavam em suas costas largas, mas eu dei meu máximo para que ele sentisse o quanto eu precisava dele perto de mim. Sei que ele não se afetava com o esforço que eu estava fazendo para abraçá-lo o mais forte que podia. Eu estava onde queria estar – em seus braços, e definitivamente, não queria sair nunca mais. Porém, em algum infeliz momento, tivemos de dar adeus. Ele depositou um beijo no alto de minha cabeça, aquele pareceu um ‘Até nunca mais’. Eu quero estar errada.
Era hora de voltar para casa. Era incrível como mamãe e papai, mesmo quando eu fazia uma coisa que os aborrecessem, me aceitavam com os braços abertos. Eu sentia falta deles e além disso, era preciso espairecer. New York era o lugar perfeito para isso, com todas aquelas luzes da cidade grande e onde ainda tinham meus antigos amigos. Eu ligaria para Blake e Leighton e nós sairíamos como nos velhos tempos.
Pensar no Avenged Sevenfold me dava uma sensação de nostalgia, e a ideia de não vê-los nunca mais era insuportável. Mensagens de texto, ligações perdidas, recados na secretária eletrônica eles me mandaram no ano novo e no decorrer daquele longo mês de janeiro. Não respondi a nenhuma. Estava trabalhando a beça e isso tomava muito o meu tempo, cheguei a dormir uma hora por noite, o que me impedia de pensar em tudo, isso era uma coisa boa. Talvez fosse mesmo um adeus definitivo, nós iríamos nos ver em premiações mas, nada além disso. Então nunca mais ligaram. Tudo o que eu fazia era trabalhar, trabalhar e trabalhar e, quando estava sozinha em meu quarto, eu chorava. Jimmy deixara saudades e eu não conseguia mais esconder o quanto me afetava. Eu estava sufocando, como se estivesse em baixo d’água a horas.
– Taylor? – mamãe irrompeu da porta, me chamando.
Dei um solavanco e me levantei do chão, limpando rapidamente as lágrimas do rosto, com a palma da mão.
– Não sabia que estava em casa. – eu disse. – Eu só estava...
– Eu sei o que estava fazendo, filha. – mamãe entrou no meu quarto fechando a porta atrás de si. Collette se aproximou, e pegou minhas mãos. – Não precisa se esconder de mim, Taylor Sunshine. Eu a conheço. – Mamãe sorriu, fraternal. Não consegui revirar os olhos com o antigo apelido que papai me dera. Ele dizia que eu era sua luz do sol, e que um dia encontraria alguém que me fizesse sentir exatamente assim.
– Eu estou bem, mãe. Mesmo. – menti.
Collette me analisou, com o mesmo olhar que dava quando sabia que eu estava mentindo, desde criança. Ela sabia que algo estava errado, e sempre que eu falava o que estava acontecendo realmente, eu me sentia melhor. Desabei. Se é que era possível, chorei ainda mais. E com a voz falha, disse:
– É tão difícil suportar. Ele é um mentiroso, prometeu ficar para sempre, ele não... – antes que pudesse continuar, ela me abraçou. Ficamos assim por um tempo. Os meus soluços eram as únicas coisas audíveis.
– Taylor Sunshine, olhe para mim. – ergui meus olhos para ela – Você perdeu um amigo, e está sofrendo. Eu sei que dói, e pode parecer fácil para mim falar, e é na verdade mas, você precisa viver e deixar morrer. Ele está em um lugar bem melhor agora, e com certeza não quer vê-la sofrendo. – Collette disse. – Só peço que não me afaste de você por causa disso. – concluiu.
Limpei as lágrimas do meu rosto e dei uns passos para trás. Pensei sobre o que ela disse, e sobre eu ter me afastado dos amigos que ainda tinha. Johnny, Zacky, Brian e o Matt. Eu os afastei, e estava pagando caro por isso.
– Mas é isso que eu faço mamãe. Eu afasto as pessoas de mim. – respirei fundo – Tenho um ensaio para a Material Girl agora. Tenho que estar perfeita. – E aparentemente feliz. Pensei comigo mesma.
Collette sorriu, e me deixou sozinha novamente. Ela sabia respeitar o meu espaço. Fui em direção ao banheiro e comecei a preparar o meu banho.
Naquela noite, saímos em família. Meu pai, Michael resolveu retomar o antigo apelido, Sunshine. Eu realmente espero que não faça isso na frente de algum amigo meu novamente. Uma vez, papai foi me buscar nos sets de filmagem de Gossip Girl, e me chamou de Sunshine na frente do Chace, Ed e do Pen. Ele precisava fazer isso em público? Sem contar que me chamaram de Luz do Sol o resto daquele período. Mas eles eram bons amigos, e são na verdade, até hoje.
– Pai! – repreendi, pela quarta vez na noite. – Não me chame de Sunshine.
– Querida, você sempre será a minha Luz do Sol. E um dia você enc...
– Encontrará alguém que te faça sentir exatamente assim. – eu e mamãe completamos ao mesmo tempo. Ela não tirou os olhos do menu, um minuto sequer.
– Que bom que sabem. – Michael riu.
O resto da noite foi divertido. Fazia muito tempo que não conversava com meus pais daquela forma. E esquecer um pouco de tudo, me fazia sentir melhor. Os meses se passaram como um flash, tudo que eu passara ao lado dos Avengers parecia-se cada vez mais com um borrão. E isso era ruim. Muito ruim. O trabalho me consumia, ensaios fotográficos e shows em cidades vizinhas tomaram grande parte das nossas semanas. Quando finalmente chegou meu aniversário, no dia 26 de julho. Recebi algumas mensagens de amigos, mas resolvi somente compor no meu quarto, então, perto da meia noite, recebi a única mensagem de voz que realmente queria receber:
“Feliz Aniversário! – gritaram todos eles juntos – Nós teríamos ligado, mas entramos em turnê e está tudo muito corrido. – pude ouvir a voz de Zacky na mensagem, e no mesmo instante gostaria de que aquela, fosse uma ligação de verdade. Queria conversar. – Teríamos ligado antes, se o fuso horário não fosse tão confuso, também. – corrigiu Johnny rindo – Estamos morrendo de saudades Blonde, ah e pode ter certeza que estamos levando um presentinho, e sim, vamos te bater por não retornar nossas mensagens. – Brian disse, e alguém riu atrás dele. Matt. – O Brian disse tudo, estamos com saudades Little T, nós devíamos marcar de sair assim que der e vê se não some mais. Nós te amamos.”
E foi só. Eu sabia que seria impossível nos vermos por um período demasiadamente longo. Eles estavam em turnê, eu trabalhava desesperadamente e estava fadado. Comecei a assistir alguns vídeo clipes da banda. E quanto mais eu assistia, menos eu entendia como Matt conseguia dar aqueles gritos tão, eu sei lá, excitantes. Sim, excitantes, era a palavra certa. Eu poderia engravidar com aquilo, é sério. Bem, aquela mensagem ainda estava na minha cabeça, eles estavam sabe-se lá aonde, mas com certeza em algum lugar bem longe de mim, exatamente como meus pensamentos. Bem, bem longe. Com eles e com Jimmy.
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