Notas para um novato
1 Prologo: Os mares do sul de Rudin
Navegavam pelos mares em direção ao forte Rudin, eram quatro na comitiva, estavam munidos de poucas armas, cada um apenas com o básico, seguiam lentamente, porem era o mais rápido que conseguiam, não buscavam guerra ou tratados, muito menos possuíam intenções de comercio, eram aventureiros, andarilhos, podiam facilmente ser confundidos com piratas, o que não seria anormal já que nessa região é comum se encontrar mercenários dos mares em busca de algum trabalho ou simplesmente querendo furtar alguma mercadoria para revende-la. O líder se colocava ao centro do barco, ajustava as velas e observava as estrelas, diferente das noites anteriores essa era bela, o céu reluzia como um tesouro diferente de tudo o que os humanos já viram em suas miseráveis vidas, ele sentia prazer ao notar o toque suave do vento frio em sua face, acariciando-o com leve gentileza, tal como uma mãe faria em seu amado primeiro filho, seus olhos reluzentes possuíam uma luz única, uma beleza inumana notada apenas pelos que enxergam alem do comum, sentava para pensar na rota que estava tomando e no rumo que levou sua vida, ele, que estava contente de ter a comitiva a seu lado, alegrava-se muito mais quando olhava ao redor e percebia que ela não era formada de soldados armados ou grandes feiticeiros consagrados, tão pouco por mercenários conhecidos e gatunos do deserto, ao encarar cada um dos três outros passageiros via em seus rostos uma motivação diferente, enxergava neles o semblante que cada um possuira, sorria como uma pequena criança inocente, pois eles eram muito melhores que qualquer outra gigantesca comitiva que o poderia acompanhar, eles eram amigos, amigos valiosos, não se moviam nela por ganância, vingança ou por obrigação, cada um deles estava seguindo seu próprio caminho, cada um deles visava seus próprios objetivos, ele não poderia decepciona-los, por isso sorria, acreditava e confiava em cada um deles, seu melhor amigo e guardião, seu talentoso gatuno de confiança e a mais forte das cavaleiras de seu reino, o príncipe Runy reluzia um brilho misterioso, um misto de confiança com otimismo, e por alguns dias seguiram viagem nesse pequeno barco pensando apenas em como cada um deles fora parar ali por alguma conhecidência do destino.
Aos poucos, com sua rota já determinada, Runy puxou de sua pequena bolsa lateral um pequeno caderno com algumas anotações escritas em Waasser antigo, por sorte ou por estudo ele sabia essa língua tal como conhecia e falava a sua nativa, o idioma comum em Loonya era o Feier, uma língua que se diferenciava apenas na escrita. Ele se pôs a ler alguns trechos escritos em forma de crônica, lia em baixo tom, porem ainda audível para o guardião que não se encontrava muito distante dele.
" Hoje, nós viajamos pelos mares selvagens, dizem que existe uma fortaleza de grande poder bélico do outro lado, Rumble esta impaciente como sempre, enjoado e vomitando de horas em horas, Crow colocou ele pra dormir faz pouco tempo, apesar deu não considerar dopar um colega de viagem como ajuda-lo a descansar... Enfim, eu continuo narrando essa jornada para você, o caminho que estamos seguindo é sangrento demais, eu não gostaria que chegasse ao ponto desse diário chegar em suas mãos, tão pouco que soubesse da existência dele, mas caso chegue eu quero que saiba que os mares são traiçoeiros, não confie neles, confie na sua tripulação, como pai, é o melhor que eu posso fazer para ajudar meu futuro filho..."
As palavras sutis e simples de suplica tocavam o coração do guardião, que mantinha seu posto observando o leste, porem continuava a pensar no que ouvira, conhecia muito da família de Runy, mas nada a respeito do passado de seus pais, enquanto o príncipe encarava aquilo com grande determinação, acreditava que estava seguindo para a direção certa, em busca do paradeiro de seu pai, buscando as respostas para todas as suas perguntas, buscando os cadernos que Nighty, fundador do reino de Loonya batizara como " As notas para um novato ".
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