Notas para um novato
2 Capitulo 1- O céu cintilante de Loonya
As noites são claras e as tardes reluzem levemente pelo carmesim refletido por detrás das pequenas nuvens, os habitantes nativos costumam viver sob o calor do deserto, negando a civilização que veio para essas terras, os colonizadores foram gentis e criaram cidades de todos os tipo, trouxeram a facilidade do comercio e a benção das águas, alguns dizem que "ELE" foi a salvação desse pequeno povo abandonado pelos grandes reis e sábios dessa era, hoje é possível ver o legado de NIGHTY e seu bando, mercenários que vagavam pelas terras de Layka sem rumo, buscavam apenas uma coisa, ninguém sabia ao certo o que era, apenas se especulava bastante sobre as intenções deles, até o dia que o utópico reino do deserto surgiu, seu nome é um mistério, dado pelo líder dos mais fortes e pelo misterioso que se tornara um monarca, vindo de raízes plebeias e ascendendo ao trono de seu império, desaparecendo da noite para o dia, o maior mistérios das terras desérticas do continente, deixando para trás apenas uma pequena criança, criada pelos servos do castelo como o próximo rei, o príncipe Runy, ele, cuja criação fora solitária e repleta de mimos sempre questionou a si mesmo sobre seus pais, a vida da realeza pode ser a mais nobre e de melhor qualidade, porem traz consigo a maior das solidões, um vazio que nunca é preenchido, um sentimento nunca compreendido, e aos poucos, o jovem aceitou seu destino como príncipe, mas a solidão guardava surpresas para ele, pouco tempo após completar seus nove anos de idade decidiu vagar pelos bosques ao redor do castelo, e assim, se iniciou um corrente de eventos que criariam o maior laço já presenciado por sua geração.
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A periferia de Loonya nunca fora tão animada quanto hoje, todos comemoravam o Festival da Criação, cujo homenageava o deus responsável pela criação e proteção de toda Layka, Feier, comerciantes vindos de todas as partes do continente, cidadãos de todo o mundo vieram prestigiar o maior dos evento, o que diferenciava a comemoração em Loonya de outros reinos era bem simples na verdade, enquanto o foco do festival sempre fora, e será, as dádivas garantidas pelos deuses que protegem os quatro cantos do mundo, diversos lugares se limitavam a cânticos religiosos, oferendas em forma de moedas e alimentos, casualmente bebidas típicas criadas em nome dos deuses, aqui nesse grande reino desértico ocorria diversas atrações, artistas eram contratados para realizar performances de todos os tipos, apresentações repletas de explosões da mais refinada e bela magia, iluminações criadas pelas maiores e mais belas criações da humanidade e das outras raças inteligentes, seres de todos os tipos, tamanhos e formas se reuniam aqui durante uma semana todos os anos para festejar nesse evento mágico e de beleza indescritível, os olhares dos adultos, incrédulos na magia, brilhavam como esmeraldas refinadas pelos mais gloriosos ferreiros élficos, a beleza em suas vestimentas, que eram distribuídas pelos arautos para toda a população, não era das mais deslumbrantes, porem ainda atraia os olhares de todos os estrangeiros, que os fitava com admiração, não havia uma única pessoa que vivesse nessa prospera e milagrosa cidade que deixava de aproveitar esse evento, tavernas eram facilmente preenchidas por todo o reino, bardos e cronistas colocavam-se a trabalhar como nunca, ferreiros e estilistas transitavam pelas ruas em busca de material para suas criações, comerciantes balbuciavam e pechinchavam seus produtos por preços abusivamente altos, era fácil de ser enganado por algum deles caso não tentasse negociar, na verdade era quase como uma ofensa se negar a negociar com os famosos "Andarilhos da Caravana do Escaravelho Azul", você poderia facilmente ser expulso por esse falta de conduta com eles.
Aos poucos se via no horizonte um digno e magnífico castelo, um forte na realidade, não fora construído para beleza, porem foi muito bem aproveitado para chamar a atenção, chamativo e belo, porem em comparação a outros reinos o forte de Loonya era pequeno e pouco gracioso, como um filho que se conforta nos braços de sua mãe os habitantes sempre elogiaram a singela beleza diferenciada de seu castelo.
Não deveria haver ninguém fora dos muros da cidade, mesmo mercenários e bandidos das areias estavam aproveitando o festival, como se o mundo escolhesse exatamente aquele semana para realizar uma trégua anual, guerras territoriais eram encerradas exclusivamente para o proveito dos soldados e magos em suas cidades natais, ironicamente, diversos tratados de paz surgiam após esse festival, como uma benção dos deuses para os seres pensantes que habitavam essas terras. Nesse dia, um garoto estava fora de cidade, depressivo e triste como nunca ficara antes, caminhava lentamente por dentre as longas arvores que se erguiam no bosque litorâneo ao redor da cidade, vestia trajes maltrapidos, cortados como que por felinos de médio porte, sangrava ligeiramente pelo abdômen, seus braços repletos de cortes e cicatrizes demonstravam uma grande dor, seu rosto estava pálido, se encontra razoavelmente longe de sua casa, precisaria caminhar, se nessa velocidade, por alguns bons quarenta minutos até avistar seu caloroso lar, andava arrastando uma pequena bolsa, nela não havia muita coisa, mas se notava que a mesma estava intacta, como se ele tivesse se ferido para protegê-la. Aos tropeços chegou até a base de uma árvore com um longo tronco, sentou-se com muita dificuldade, notava seu sangue escorrendo por sua face, em um misto de emoções, o jovem não sabia dizer o que sentia, enquanto pensava em tudo o que vivera em sua vida até aquele ponto, uma tristeza forte, diferente da depressão que o mesmo já estava a sofrer, golpeava-o com força em sua mente, sua visão lentamente ia escurecendo, passava a mão por dentre seu curto cabelo negro, seu rosto não derrubava lágrimas, pelo contrario, sorria firme, como alguém que avista seu primeiro amor, uma paixão inocente e a observa caminhar por campos verdes e floridos, um sorriso puro e honesto, não trazia felicidade consigo mas sim satisfação, naquele momento o garoto havia aceitado que sua vida chegara ao fim, que não haveriam capítulos maiores em sua biografia, naquele momento, Runy, haviam aceitado sua morte.
Abria lentamente a bolsa, com todas as suas forças, dentro dela revirou as mãos o mais forte e rápido que aguentava até retirar um pequeno caderno, ele cuja capa esta forrada com couro e escrito a um tipo muito forte de tinta, seu rosto nunca ficara tão contente em ver algo quanto naquele momento, desamarrou o laço em torno do mesmo e observou o que estava escrito nas primeiras paginas, o que sua visão pode entender até escurecer-se por completo...
"Os ventos fortes me guiaram por todo o caminho até aqui, eu perdi muitos dos meus amigos, eles eram minha família, porem não devo chorar por seus corpos ou almas, tão pouco rezar, eles deixaram seus legados em minhas costas, aonde eu jurei que os honraria enquanto minha vida durasse, Rumble e Crow, nunca os esquecerei...
....
A jornada continua, os ventos estão fortes como sempre, hoje eu avistei algo interessante, um viajante caído nas areias gélidas da noite, eu o salvei e o estou carregando, ainda esta dormente, espero que ele melhore, jamais envolveria um inocente nessa chacina que esta para acontecer aqui... Espero que eu realmente esteja tomando as decisões certas... Loove e todos os outros do Crepúsculo anseiam pelas minhas ordens... Bom, é hora de voltar a estrada, que FEIER esteja comigo em minha viagem..."
Não entendia muito do que lera, e antes mesmo que acabasse a segunda página, caiu em um sono profundo, como um recém nascido no leito de sua mãe, Runy adormecera nos braços da morte certeira, afinal de contas, quem estaria naquele local para salva-lo? Todo o reino se entristeceria por completo, mesmo o regente se abalaria na manha seguinte. seus batimentos cardíacos aos poucos iam diminuindo, sua respiração cessava lentamente, e em seu ultimo fôlego tentou dizer algo para si em voz alta, mas falhou, estava enfraquecido de mais para sequer pronunciar algo em um tom audível, e por fim, sua consciência escureceu por completo, no primeiro dia do Festival da Criação, o príncipe de Loonya realizara seu ultimo suspiro...
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Um jovem aspirante a soldado caminhava pelo ardiloso deserto, suas vestimentas eram nulas, com exceção de uma longa e larga calça de um pano muito fino e um turbante de mesmo material, aparentava estar exausto, e de fato isso era verdade, pois estava a treinar durante três dias e duas noites naquele local, apesar da aparência de garoto jovial seu vigor era acima da média, comparando-o com os cavaleiros mais treinados do reino. Gotejava um suor grosso e sua pele se enegrecia pelo calor do grande sol tardio de Loonya, cambaleava e lentamente se aproximava da cidade, um sorriso era facilmente visível em sua face, não conseguia esconder o quão alegre estava por retornar a seu lar, afinal, recrutas não costumam passas por provações tão extremas quanto o Caminho das Areias. O sorriso logo cessou, pois notara que os portões estavam trancados conforme se aproximava dos mesmos, sua face foi ao chão em uma queda indescritível, seu corpo fraco e exaurido não possuía mais nenhuma energia, conhecia o terreno e sabia que só sobreviveria descansando nos bosques perto do litoral, afinal, sabia que lá era um local fácil para a arranjar alimento o suficiente para sobreviver e hidratar novamente seu corpo.
Caminhou de forma razoável ate chegar a um pequeno lago no centro do bosque, cada gole era como se sentisse o sopro da vida enchendo seus pulmões novamente com uma força inacreditável, depois de gozar da própria sorte de ter sobrevivido, o garoto parou para observar a local a seu redor, marcas de pequenas pegadas humanas, dois pares de pegadas felinas, sabia que havia alguém alem dele trancado para fora de Loonya naquela tarde, pensou por instantes qual deveria ser sua ação, todos os soldados de seu batalhão deviam achar que ele estava morto assim como não havia muito o que fazer agora que estava para fora, então como entretenimento decidiu investigar o cenário.
Cada passo que dava era um olhar diferente, de fato não possuía muito expectativa sobre o que acharia, até que alguns minutos se passaram e ele encontrou um rastro de sangue, se iniciava quando as pegadas do felino seguiam direção oposta, em sua mente, teorizou que o humano fora perseguido e atacado pela fera, que recuou por algum motivo que não saberia explicar, pelo tamanho dos pés humanos sabia que era de uma criança menor que ele, ou seja, considerou que acharia um cadáver no final de sua trilha. Andou por poucos metros até avistar o corpo inerte de Runy, estava caído ao chão encostado nos restos de algo que já fora uma bolsa de viagens, um pequeno caderno de anotações em sua Mao semi aberta e algo semelhante a um tipo de pó dourada ao redor do corpo. O jovem soldado olhou aquilo estupefato, conhecia as lendas do bosque tão bem quanto conhecia aquele garoto, o que o príncipe do meu reino estaria fazendo aqui nesse estado deplorável? era o que provavelmente ele estava pensando.
Existe uma lenda contada de geração em geração pelos descendente de um grande herói, sobre as fadas do bosque de Loonya, em algum ponto ele passou a ser chamado de Bosque Fairtorn, lá viviam fadas, criaturas fantasiosas criadas pelos bardos para serem personagens em histórias sobre grandes heróis em mundos repletos de fantasias, dragões e calabouços, porem elas de fato existiam no mundo, alguns relatos de caçadores diziam que em suas noites mais difíceis em florestas e bosques fechados avistavam pequenos seres de luz, que deixavam perto deles algo que estivessem precisando e uma grande quantidade de pó dourado, sabia-se que esse pó curava qualquer tipo de ferida física e que elas nunca puderam ser tocadas por ninguém, todos os relatos são sobre silhuetas pequenas e o pó dourado. Essa e a lenda das fadas de Fairtorn, que será contada em futuras gerações, mas por agora nos foquemos no presente.
As lendas que conhecia desse bosque eram sobre as criaturas misteriosas que viviam ali, monstros vindos de terras distantes, criaturas selvagens que caçavam humanos e híbridos entre formigas-leão e panteras gigantescas. Suspirou fundo diversas vezes até recobrar a calma, logo em seguida segurou com força o corpo de Runy e o levantou, notou como era leve, mesmo com seus pertences ainda era um peso formidavelmente leve para ele, os carregou até uma clareira e lá notou que os locais aonde este pó estava cicatrizaram muito rapidamente, e assim pôs a passar isso no corpo do príncipe. Assim que terminou o colocou em uma confortável posição e fora descansar um pouco, encostou em uma arvore adjacente a Runy e fechou seus olhos, por segundos seu corpo se lembrou dos dias que andara no deserto escaldante, nas noites congelantes, e antes que conseguisse pensar em um motivo racional para o garoto a seu lado estar ali desmaiou num longo sono.
A noite chegou minuciosa como um filhote de um pequeno e ágil felino, antes que percebessem o silencio havia tomado conta do ambiente calmo e sereno, talvez ate mesmo mágico e fantasioso do bosque, o forte verde que contrastava com o dourado das areais e o marrom do liso solo de pouca terra, os sonhos dos pequenos pássaros se extinguiram aos poucos, macacos e micos pequenos transitavam e observavam os corpos inertes dos dois humanos. O céu em especial estava único, cintilante e obscuro, melancólico de uma forma que tocaria o coração do mais carrancudo dos comandantes dos exércitos de Tsu, a terra dos carrascos, as nuvens flutuavam sem rumo ao horizonte, davam a sensação plena de tranquilidade, suas formas abstratas transitavam nos olhos das criaturas, tornando-os frágeis, preparando-os para vislumbrarem as estrelas, eram poucas, os fogos e a iluminação do festival ocultavam muitas delas dentro da cidade, porem, estando no bosque, sob o forte luar cheio que se prostrava no alto, era possível ver quantidades inéditas de estrelas, como se para comemorar o Festival da Criação os deuses colocassem implícito na natureza a mais bela de seus versões.
O soldado fora o primeiro a acordar, seu corpo estava deveras dolorido, afinal, havia percorrido uma maratona de incontáveis quilômetros durantes dias, mas o breve descanso fora o suficiente para acalmar sua mente. Seu sorriso era esbelto, demonstrava a alegria e a animação da vida jovem, acreditava que podia ir alem de suas habilidades, e enquanto espanava lentamente a terra e areia de seu corpo encarou o corpo caído de Runy, que aos poucos se mexia, e com muito resistência levantava, os olhos pequenos de uma criança de nove anos lentamente se abriram, incrédulo de sua situação que, afinal, se encontrava próxima da morte como nas prosas contada pelos melhores bardos. Se aproximou do príncipe com cautela, para não afugenta-lo, como agiria com um filhote de gato assustado, fragilizado ou ferido.
— Ei, você esta bem? Ainda sente algum tipo de dor ou algo assim?
Runy olhava estagnado para ele, como que alguém que tenta entender a situação em que se encontra, como que buscando uma resposta em seu não vasto vocabulário.
— Eu... estou bem... eu acho...
Olhava para o pequeno príncipe com algo diferente de pena, seria mais parecido com o olhar que uma mãe tem ao ver seu filho desamparado nas chuvas fortes da primavera, possuía em seus grandes e expressivos olhos um desejo diferente, não queria ajuda-lo, queria entender o que o levara a aquele encontro estranho.
—Certo... você é o príncipe Runy não? Eu ouvi muito de você de meu capitão, na verdade eu ouvi mais sobre seu pai e seu exercito lendário, Nighty foi aquele que...
Como que interrompendo a si próprio, ele percebeu que as palavras citando o antigo rei feriam ainda mais o pequeno garoto, assim, ele tornou a mudar de assunto de forma rápida, quase imperceptível.
—Prazer em conhecê-lo, eu sou Aenir, não tenho muito o que dizer mas...-falava com as mãos gesticulando, como quem timidamente tenta interagir com algum desconhecido- eu sou um soldado, recruta na verdade... mas eu tenho potencial, eu sobrevivi ao Caminho das Areias e vou me apresentar assim que possível para o capitão Paggo. Eu tenho um sonho sabe.
Enquanto falava sobre si mesmo, Runy de alguma forma decidiu que por algum motivo estava vivo, e, escolheu aproveitar que estava com aquela pessoa e distrair-se um pouco, gostava de histórias sobre pessoas reais, sempre lia os diários de aventureiros que se apresentavam ao regente, sempre visitava os bardos nas praças e se divertia decorando as histórias da criação do mundo. Naquele momento, seus olhos brilharam novamente um estranho brilho carmesim, apesar de castanhos e fortes, seus olhos possuíam um brilho anômalo que se manifestava em diferentes ocasiões, ninguém o soubera dizer o porque disso, mas isso era algo que somente os que tinha coragem de encara-lo notavam, um anômalo brilho real, muito similar ao que Nighty possuía, era assim que ele era descrito pelo regente de Loonya. Aenir focou seus olhos nos de Runy, sorriu, e continuou seu relato.
— Eu, Aenir, filho de Mary e August Purato, vou me tornar um general, eu sempre admirei o exercito, defendendo nosso povo, ajudando os aliados, protegendo o príncipe... Prometi a mim mesmo que assim o faria também, comandaria uma tropa gigante e defenderia meu reino e minha família.
enquanto falava, corou de formas que nem mesmo eu conseguiria descrever, Runy gargalhou, como uma criança ao se deparar com uma cena de estapeamento cômico, lagrimas caiam de seus olhos, talvez um misto de tristeza e felicidade, talvez por não aguentar de ouvir aquilo e rir, o fato daquilo tudo ser dito de forma seria por uma criança de aparentemente onze anos era engraçado demais para ele, mas, finalmente ele decidiu falar, com uma voz rouca que pouco interagia com outras crianças.
—Então, você é o garoto que eu deveria confiar minha vida né? Como eu devo reagir a isso se não me apresentando direito? Prazer, me chamo Runy Wandia, sou um garoto que vive no palácio, acho que me chamam de príncipe, mas... eu prefiro que você não se refira a mim assim. Podemos ser amigos?
Ele falava como um adulto, sem gesticular e com o sotaque neutro, apesar de exausto, passava a sensação de tranquilidade com quem conversava, acreditava que podia se tornar amigo de Aenir, afinal, ele também tinha um sonho que era maior do que caberia a ele, o soldado desejava se tornar um grande general, e Runy deseja coisas muito maiores do que cabia a um pequeno e frágil príncipe.
—Amigos? Claro Princ... bom... como prefere que eu te chame?
— Apenas Runy, e o suficiente, se preferir chamar de outro jeito eu não ligo, mas por favor, sem títulos, sem nobreza, não quero que seja meu amigo pelo meu titulo.
— Claro... Runy, não acho que poderíamos conversar nas ruas da cidade, ou em alguma casa por lá, mas, aqui é um ponto perfeito, que tal nos vermos aqui uma vez por semana? Eu me encontro com alguns amigos aqui pra treinarmos e conversarmos.
— Você não deveria fazer guarda semanalmente?
— Bom... talvez guardar o bosque possa ser mais interessante enquanto se pratica com amigos não é verdade?
— Isso foge muito da sua tarefa, eu deveria contar isso ao Paggo...
— Runy, se fizer isso, eu teria que executar a mim mesmo publicamente.
— Regras do exercito?
— Não, condutas abusivas, o capitão é do tipo que mandaria um recruta cruzar o Caminho das Areias apenas por não ter trazido a arma devidamente polida.
—...
—Sim, esse é o homem que vocês colocaram como capitão da guarda.
— Então... quer ouvir uma história interessante?
— Claro, ela é sobre criaturas mágicas, dragões, calabouços ou fadas?
— Não... mas, é sobre a criação do mundo, um bardo me contou alguns dias atrás. ei pensei muito nela de uns dias para ca, meu nome tem origem nela também... e eu acho que poucas crianças já ouviram ela.
— UAU, conte-me conte-me, eu amo essas histórias sobre Feier e seus irmãos.
—Tudo começou...
Eles conversaram sobre histórias e aventuras durante horas interruptas, sorriam e gargalhavam como não os faziam ha tempos, enquanto Runy passava os dias resistindo a depressão, Aenir resistia aos duros treinos na guarda, não possuíam tempo o bastante para serem crianças, a infância fora tirada deles, cada um por um motivo egoísta de alguém, mas isso não tirava sua curiosidade, a persona de cada um induzia-os a buscar mais, saber mais e aprender mais. Aos poucos eles contaram tudo sobre eles mesmos, o soldado que era criado pelos pais e abandonou tudo pra seguir seus sonhos, ainda morava com eles, mas não possuía quase nenhum tempo hábil para ser criança, o príncipe que se ocupava lendo sobre a política do mundo e aprendendo sobre a diplomacia dos antigos, ambos estavam fadados a nunca se encontrarem, mas por algum motivo tornaram a se ver diversas vezes desde então, uma amizade se formava naquela noite de festival. Os fogos iluminavam a noite, tornava-a durante uma semana na Cidade que não descansa, isso cativava o comercio e o povo, mas acima de tudo, cativou dois jovens garotos a formarem os mais fortes laços que ja existiram naquele reino em sua era.
O céu iluminava a íris de todos, os sorrisos das pessoas eram sinceros, a alegria na cidade nunca fora tão verdadeira quanto na semana do festival, as crianças se vestiam como monstros, e algumas como heróis, brincavam e se divertiam durante os sete dias, e durante esse tempo, Runy e Aenir se encontraram no mesmo bosque na mesma hora de sempre, ao cair da noite, conversavam sobre qualquer coisa e competiam para ver quem era o mais forte, rápido e coisas afim, um príncipe que amadureceu cedo demais e um soldado repleto de responsabilidades adultas, voltavam a serem crianças uma vez por semana, uma cena indescritivelmente bela, apenas descrita pelos viajantes em tempos futuros como sendo o renascimento da juventude.
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