Not With These Eyes With Mouth Devour Me

14 Capitulo 14: Dia de... Chegada...


Notas iniciais
Depois de seculos sem atualização, aqui está o capitulo. Estou sem internet em tempo útil para postar fic então vou demorar a atualizar, como sempre ><'
Ainda não está revisado e qualquer erro, por favor, avise!
Um beijão, e até mais!!

Capitulo 14: Dia de... Chegada...

“Se meus olhos vissem além dos céus, e encontrassem ali o castelo divino, seria você quem eu veria. E para profanar tuas lindas asas de anjo, beijaria os teus lábios, tocar-te-ia todo o corpo, e faríamos amor ali mesmo, nas gramas límpidas do jardim do Senhor.”

A carruagem do príncipe mais velho e governante estacionava em frente a Câmara, onde estavam os ministros e conselheiros reais. Foi até sua sala, encontrando-a recheada de papeis, todos, porém, muito bem dispostos à mesa. Sentou-se na poltrona, acomodando-se próximo à mesa. Suspirou, lembrando-se do irmão trancado em casa.

- Bem, vejamos o que esta pilha tem de interessante...

Robert havia acabado de pegar um monte de papel, os quais ele deveria ler e assinar posteriormente. Porém, antes de começar tal ato, ouviu-se uma batida na porta, e logo depois de o governante mandar que entrasse, um jovem rapaz entrou, segurando algumas folhas em mãos.

- Seja bem vindo majestade... – disse o pequeno, em reverencia.

- O que deseja ter comigo, Joel? – disse Robert, sorrindo de leve pelo garoto ter ficado vermelho. Ele tinha 1,65 de altura, os cabelos eram castanhos, curtos e repicados. Envergonhava-se fácil, e apesar de ter seus 24 anos, parecia menos pela aparência e personalidade.

- B-Bem, esta carta... – disse ele pegando com o rosto abaixado – Chegou ontem para o senhor... – entregou-a para o rei – Veio de Ramona...

Os olhos de Robert mostraram duvida, e as sobrancelhas levemente frisaram. Ele tentava se lembrar de algo que sabia ser importante. Joel, vendo a confusão do rei, decidiu intervir lembrando-lhe do ocorrido passado.

- Há dois anos viajou para Ramona e conheceu sua então noiva... – ele disse, vendo que o rei já começava a se lembrar de algo – Ela voltou de Gathea, onde estava estudando, por obrigação do pai se bem me lembro, há aproximadamente um mês. Foi decidido entre sua majestade e o Rei Louis Garalian, que na volta da princesa os dois vão se casar e selar, finalmente, a amizade de fronteira dos povos... – o menino terminou num suspiro. – E a hora chegou, eu suponho...

- Nossa sequer me lembrava disso... – Robert descansou as costas na cadeira, suspirando – Não me lembro muito bem dela... – ele disse, abrindo o envelope.

Um aroma de maresia misturado com avelã veio com a carta. A letra cursiva e muito bem delicada tomava espaço no papel levemente amarelado. Robert não leu de primeira, jogou a carta na mesa, suspirando, forçando a memória a se lembrar de moça, mas nada lhe vinha.

- Com sua licença... – Joel fez uma reverencia, virando-se de costas para o príncipe e indo para a porta. Porém, quando ele estava com a mão na maçaneta, o rei lhe chamou:

- Você a conheceu? Poderia me falar como ela era? – pediu o rei.

- Sim. Bem... – ele apertou a mão – Ela é bonita, gentil...

- Sua fisionomia...? – insistiu o rei.

- Alta, cabelos liso... – dizia ainda de costas – Morena...

- Era bonita? – perguntou Robert, com a mão no queixo – Quantos anos ela tinha?

- Deve ter a minha idade hoje. E sim, era linda... – sorriu triste.

- Ainda não me lembro... – disse mais para si que para o garoto.

- Posso ir? – pediu sem se virar.

- Ah, sim, claro. Desculpe te prender. – sorriu para o garoto, que se virou de rompante.

- Não! – ele disse com o rosto vermelho e os olhos levemente aguados – Eu que peço desculpas, majestade...! – disse numa reverencia.

- Pode ir pequeno... – riu – Pelo visto, tem muito trabalho... – apontou para os papeis em sua mão.

- Com a sua licença...

Joel saiu da sala sob o sorriso divertido de Robert. Assim que fechou a porta, Robert voltou as costas para a cadeira, retirando o sorriso do rosto. Joel ficou um tempo parado na porta, olhando para a maçaneta. Levou a mão direita até a porta, suspirando, e depois voltou a andar, rezando pelo bem estar de seu rei.

Robert pegou a carta, analisando-a de cima a baixo, vendo que a escrita se perdia no final da primeira e terminava na metade da segunda folha. Ele começou a ler, tentando se lembrar a partir do que ela contava quem era sua ‘noiva’.

Ele se perdeu no meio das doces palavras escritas da jovem, que nem percebeu que o envelope ainda continha algo. E mesmo depois de ter lido aquela carta, ele não percebeu. Guardou-a de volta no envelope, e colocou na gaveta. Sua atenção voltou aos papeis que antes ele lia.

Durante aquela tarde uma carruagem entrou nas terras cidade. Ele ia devagar e parava algumas vezes devido aos animais que por ali passavam. Assim que saíram da estrada de terra na floresta, encontraram os portões da entrada da cidade. O cocheiro logo informou aonde iam, quem estava indo e para que fins estavam na viagem, e tão logo eles entraram.

Lá dentro, o transporte chamou um pouco de atenção, mas logo que tomou as ruas comerciais, tornou-se invisível. Depois de um pouco andar, estacionou em frente a câmara. De lá, saiu um homem de batina negra e cabelos prateados, preso em um rabo baixo no lado esquerdo. Estendeu a mão para a jovem que ainda estava lá, e ela tomou-me a mão.

Era alta, morena, dos cabelos também prateados. Vestia um vestido em estilo barroco no tom de azul escuro. Nas mãos iam luvas, junto de uma pequena bolsa. Acompanhada do padre os dois entraram na câmara, atraindo os olhares tanto de quem estava do lado de fora quanto do de dentro.

Assim que tomaram a entrada da Câmara, Joel prontamente lhes recepcionou.

- O que desejam?

- Diga ao seu rei que Hannah, sua noiva, está aqui... – disse o padre.

- E você seria?

- É meu irmão, Frau... – comentou, sorrindo.

- Mas é claro... Por aqui, por favor...

Joel os levou até a sala de Robert. Depois de bater na porta e ser concedida a entrada deles, Joel abriu a porta para os convidados, e pode ver no rosto de Robert um brilho apaixonado. Sorriu, deixando os três sozinhos na sala.

- É um prazer revê-la, Hannah...

- O prazer é meu, Robert... Quero que conheça Frau, meu irmão...

- É um prazer, majestade...

Robert estava encantado com a mulher. Não se lembrava dela antes e agora via que ela era linda. Era gentil e carismática, e fácil reconquistou o coração do rei.

Conversaram durante o restante da tarde e no fim dela, mesmo com insistência por parte de noivo Hannah foi para um hotel local. A cerimônia do casamento seria no dia seguinte, e agora o que afligia o coração de Robert era como iria contar aos seus irmãos sobre o casamento repentino.

No hotel, porém, os dois terminavam de colocar as malas, uma ao lado da cama que lhe pertencia, e logo a moça sentou-se. Desfazendo o espartilho do vestido que muito lhe apertava os seios.

- É um bom homem, pena que tu não sejas boa mulher... – comentou rindo, Frau, retirando a batinha.

- Que tal poupar suas palavras para a missa, padre... – Hannah se virou para ele – Dentro de dois dias terei o que quero daqui e você poderá finalmente ir embora...

- É uma lastima, gosto de ti, irmã... – riu, com o comentário falso.

- É, mas você é velho demais para mim... – voltou a tirar a roupa.

- Por que tu só gostas de crianças... – comentou rindo – Afinal, veio aqui para buscar teu filho, não é mesmo...

- Já é hora de se calar, Frau... – ameaçou, saindo do quarto.

Enquanto isso, no castelo dos príncipes. Matilde preparava junto à Keelh um bolo de chocolate. O menor ficava todo o tempo junto da empregada, que lhe era como mãe.

Matilde, porém, não parava de pensar no passado. Durante o ritual que fizera em Ciel pode ver as memórias do demoniozinho, e sentia-se tentada a devorar a alma daquela criança. Mas lembrava-se sempre que a alma que habitava aquele corpo não era a do ex-conde, não era uma alma tão pura.

No campo de rosas, estavam Nathan e Ciel desde cedo. Depois de algum tempo ali sem falar nada, o demônio começou a caminhar lentamente entre as rosas de variados tons. Sentia como se estar naquele lugar lhe lembrasse alguma coisa, mas sua mente estava confusa demais. Eram memórias que não conhecia, eram sentimentos que nunca quisera sentir. Era uma consciência humanizada que aterrorizava o ex-conde.

- Por que estamos aqui, Ciel? – Nathan perguntou.

- Encontrei o homem que procura... Porém... Ele está morto...

- O que?!

- Há fortes indícios de que sua empregada, Matilde, o tenha assassinado...

- Mas o que...!

- Não temos nada confirmado e Sebastian está analisando a veracidade dos fatos, mas é melhor que se prepare caso a rapariga seja quem procura... – sorriu – E caso seja, finalmente terá sua vingança, príncipe...

- É... É brincadeira não é? – disse Nathan em desespero – Co — como poderia, ela, ser a assassina?!

- Bem, além de Scott ela era a única que conhecia toda a casa. – Ciel disse simplesmente.

- Ma – mas por quê? – perguntou choroso.

- Que importa o motivo... – Ciel aproximou-se do príncipe, levando consigo uma rosa vermelha – Assim que eu tiver a confirmação, irei matá-la... E finalmente terei sua alma...

- Não pode fazer isso...! – ele dizia, recuando os passos enquanto Ciel se aproximava.

O comentário de príncipe fez Ciel fechar a cara. A flor em suas mãos apodreceu em um piscar de olhos. No rosto do pequeno nasceu um sorriso malévolo, seus olhos vermelhos brilharam e uma aura negra e maligna fez-se presente em volta dele.

Em segundos, Ciel estava de frente para Nathan. Da mesma altura que o príncipe, Ciel agarrou-lhe o pulso, trazendo o corpo do outro para si. Com a outra mão envolveu a cintura do garoto que tremia em desespero.

- Estou cansado de esperar... – a voz saiu grossa. – Posso tirar sua vida agora mesmo se eu quiser... – encarou o fundo dos olhos do príncipe – Você é só um inútil humano, de alma pútrida e fétida...

- Me solta... – pediu, tentando se afastar.

- Imagine príncipe... – Ciel direcionou seu rosto ao ouvido do príncipe, levando a mão que agarrava ao pulso até o pescoço de Nathan.

Ele se debateu, mas Ciel era muito mais forte na forma demoníaca. O príncipe tentou desesperadamente gritar, mas sentia que não conseguia mais respirar a cada segundo que Ciel aumentava a força.

- O desespero que está sentindo é pouco... Pouco para a minha fome... Pouco até para a morte da sua mãe...

Ciel então soltou o garoto, segurando-o ainda pelo braço. Nathan estava ofegante, chorava e não tinha forças nas pernas para se manter de pé.

- Você é tão fraco quanto ela...

- Não fale dela... – ele disse, com a garganta doendo – É uma ordem...

- Você não me dá ordens... – disse, sentindo o gosto de sangue invadir a sua boca e um formigamento no céu da boca – É por isso que agora ela queima no inferno. Humana idiota, miserável... Foi tão fraca que nem seus filhos, o que jurou proteger com a vida, conseguiu...

Ciel cuspiu o próprio sangue, sentindo uma dor dilacerante no corpo. Era quase insuportável, deixava todo o seu corpo fraco. O sangue saia de sua boca como se ele fosse um vampiro e ele começou a tossir.

- Você e ela... São todos fracos... Imundos e miseráveis!

- Cala-te! É uma ordem, cala-te! – gritou em meio ao choro.

Ciel pegou Nathan pelo pescoço novamente suspendendo o garoto. Todo seu corpo formigava e sentia-o pesado demais para ficar em pé, e por isso estava quase caído.

Aproximou seu rosto do príncipe, indo tomar-lhe os lábios para tirar dele a vida, mas sentiu um vento forte. Seus sentidos seguiram para a mata atrás de si, mas o que podia ser visto estava à sua frente. O príncipe desmaiou depois de a ventania baixar.

Ciel levantou-se, sentindo o corpo ainda um pouco pesado. Ainda em sua forma meio demoníaca, ajeitou o cabelo, mostrando a marca do contrato viva em seu olho. Pegou o corpo do príncipe e em um salto, levou-o para o quarto.

Mas o corpo de Ciel caiu junto do príncipe na cama. Voltou à forma humana após desmaiar. Quando Sebastian chegou a casa, já era tarde. E novamente ele se atrasou. Quando saia do quarto de Nathan, com o ex-conde nos braços, uma voz feminina foi ouvida no escuro.

- Você está atrasado de novo, Sebastian...

Sebastian ignorou a mulher que lhe falava em tom de desafio, continuando a andar calmamente. A mulher riu, soltando logo depois.

- Não pode mais protegê-lo, Sebastian.

Sebastian continuou a ignorá-la, caminhando até o quarto, na casa, deles.

- Sua vontade é pífia perto da dela... – pensou consigo, Matilde.