Not With These Eyes With Mouth Devour Me
13 Capitulo 13: Dia de... Conversar...
Notas iniciais
Tenho que falar que não pensei que a fic chegaria à tantos capítulos, mas fico feliz sabendo que vocês gostam dela, e ainda a acompanham.
Esse capitulo eu dedico ao autor que me fez inicialmente escrever essa fic, Rubens Alves, com o Livro: O Retorno e Terno (recomendado viu). Se vocês lerem, verão que este capitulo tem tudo a ver com a crônica de "Até que a morte" Principalmente por que foi depois de lê-la que decidi escrever essa fic. Um beijo enorme para todos os meus leitores e até o próximo.
Capitulo 13: Dia de... Conversar...
“ Não menospreze o poder do sadismo. Ah! A suprema felicidade de fazer o outro infeliz.”Livro O retorno e Terno, “Até que a morte”, Rubens Alves.
Os olhos de Ciel iam-se abrindo devagar, seu corpo ‘humano’ estava levemente dolorido. Seus olhos pararam no lado da cama que faltava uma figura, mas esta estava de pé prontamente arrumado e esbelto.
– Tive um sonho tão bom essa noite... – disse com um sorriso travesso.
– Deveríamos voltar para a mansão, jovem mestre... – disse aproximando-se do ex-conde, sentando na espaçosa cama e aproximando-se de seu rosto.
–Ah! – suspirou, levantando parte do tronco e mantendo a manta preta cobrindo da cintura para baixo.
Sebastian levou a mão até o queixo do garoto e lhe beijou calmamente e sem pressa. Adorava realmente as sensações que aquele garoto lhe proporcionava. Ele havia mudado tanto, mas ainda sua arrogância e sadismo eram as mesmas. Tão presentes e tão vividas.
Separaram-se e o mordomo pegou a roupa do mestre e vestiu-o adequadamente. Pegou-o no colo e os dois voltaram para o mundo dos humanos.
Assim que chegaram à mansão, foram recepcionados por uma outra empregada. E Sebastian quase pode sorrir na certeza de que aquela mulher imunda estava longe, mas infelizmente, ao entrar na sala deparou-se com a mesma de braço enfaixado e algumas ataduras pelo corpo devidamente cobertas é claro com o vestido. Torceu o nariz suavemente, enquanto uma figura alta, morena e máscula, vinha a sua direção.
– Oh! Robert! – exclamou Ciel – Já voltou de viagem, e vivo! – comentou fazendo piada da ida do rei para Amateu.
– Pelo menos, em partes sim! – comentou, mostrando o braço também enfaixado e antes coberto. – O príncipe quis me desafiar e não tive como recusar.
– E ainda saíste machucado? Que inútil rei arranjaram, que os Deuses protejam teu povo! – disse num riso sádico.
– Bem, pelo menos não sou eu que estou sem um dos punhos. – disse num sorriso sincero. — Adoraria um jogo de xadrez, mas ainda tenho assuntos a tratar sobre o governo, não é nada fácil comandar um país.
– Não deve ser mesmo. Boa sorte.
– Vou precisar...
Passou pelos demônios, sentindo os olhos vermelhos do mais velho lhe seguirem até ultrapassar a porta. Suspirou pesado, e assim que estava para entrar na carruagem, olhou para uma das janelas, a única ainda fechada até as cortinas. Suspirou e entrou, indo até a Câmara resolver os problemas deixados no país.
Ciel virou-se para a criança que lhe lançava um olhar um tanto quanto ameaçado, Keehl virou o rosto e voltou a brincar com seus bonecos junto de Matilde. Ciel passou por ela sem lhe encarar, e ia subindo as escadas, indo até o quarto do jovem príncipe Nathan.
Sebastian deu meia volta, atirando uma faca na direção do rosto da empregada, cortando-lhe a bochecha. A faca, porém, foi parada pelos dedos finos de Ciel, que a agarrou e lambeu o sangue que ali estava.
– Horrível! É pior do que alma de prostituta... – comentou em desgosto, largando a faca no chão.
Voltou a subir as escadas e Sebastian saiu da casa. Keehl suspirou pesado, vendo o machucado da empregada e indo logo socorrê-la.
Ciel bateu na porta, coisa que não fazia, de Nathan, mas não escutou nada. Mais três batidas, e nada. Bateu com o cajado na porta, fazendo-a se abrir e acordar o corpo dorminhoco na cama.
– Que diabos...?!
– Bom dia, jovem príncipe! – comentou Ciel, sorrindo falso – Vamos caminhar um pouco, estou ficando entediado demais dentro dessa casa! – disse entrando no quarto.
– Ah! – cobriu-se até a cabeça – Só me deixe em paz, demônios!
Ciel suspirou, sentando-se na mesa de leitura do príncipe. As cortinas se abriram, e sol entrou direto no quarto, iluminando-o mais do que deveria. Ciel mantinha-se sentado na mesa, apreciando da luz forte que vinha do lado de fora.
– Vamos, jovem príncipe, estou de bom humor hoje. Não quero usar de força com você... –ameaçou.
– Droga! – jogou a coberta para o lado – Por que você não simplesmente vai embora?
– Estamos presos por um contrato. — disse apontando para o céu da boca, onde tinha uma estranha tatuagem — Além do mais, você está apático. – fez uma pausa, descendo da mesa – Quero que me conte o que aconteceu ontem...
– Ontem? Você nem estava aqui... – disse num bico.
– Bem, não me importa. Quero sabe o que houve naquele dia. Sebastian se recusa a me falar e eu pensei que você seria um bom garoto... – foi caminhando até ele, deixando o cajado encostado na mesa.
Subiu na cama, vendo o humano se afastar e sorriu. Sentou-se em seu colo, rápido, segurando seu rosto e lhe fazendo carinho na bochecha.
– Saia de perto... De mim... – sussurrou para ele, afastando o demônio.
– Por quê? – perguntou ainda investindo nele, quase o beijando.
– Porque você já tem o Sebastian. Por que faz isso comigo se o ama? Vai acabar magoando ele... — ofegou, afastando novamente o demônio que vinha para cima de si.
Ciel desatou a rir no mesmo instante, como se tivessem lhe contado a piada do ano. Caiu para o lado, agarrando a barriga e escandalosamente rindo. Nathan corou não gostando do jeito como o menor ria de sua cara.
Depois de alguns segundos, ele parou de gargalhar, mas mantinha um sorriso zombeteiro no rosto.
– Eu? Amar Sebastian? – riu mais um pouco – Eu o odeio!
– Mentira! Todos percebem os olhares de vocês! – cruzou os braços – Eu não sou mais uma criança, Ciel!
– Mas você não entende nada, Nathan... – deitou-se em meia posição fetal para o lado – Não amo Sebastian, eu o odeio. Odeio-o do fundo do meu ser.
– Bom, mas ele te ama. – respondeu convicto, o príncipe.
– Errado de novo. – virou-se para ele, sentando-se na cama. – Ele também me odeia.
– Você não beija nem transa com quem odeia Ciel! – gritou com o garoto.
– Ai, ai, ai! – pos a mão no ouvido – Sempre barulhento, como uma criança... Supões, então que eu te ame por eu ter te beijado? Que Sebastian o ama apenas por que vocês transaram? Isso é apenas luxuria, pequeno príncipe.
– Mas eu não entendo, então por que vocês... – começou o príncipe.
– O amor é cola fraca, pequeno príncipe... O ódio segura, mantém perto. – começou o pequeno demônio mais sério que o de costume. Lembrava-se das passagens de um livro.
– Não é verdade, pelo amor você é capaz de tudo. – rebateu ele.
– Justamente, até mesmo abandonar a pessoa que ama para a felicidade dela. No ódio não, você se segura àquela pessoa, você a mantém por perto para fazê-la sofrer e afundar-se no inferno junto contigo. O ódio segura, o amor liberta.
– Mas, você não quer ser amado? – perguntou.
– Amar dói... – abaixou o rosto – No ódio você sente prazer. Odeio Sebastian tanto que não sou capaz de libertá-lo de nosso contrato. E ele me odeia por isso. –sorriu largo, lembrando-se dos primeiros anos com o demônio. O olhar de escárnio e desgosto, e a aura venenosa lhe entrando pelas narinas.
– Mas se solta-lo, ele não te amaria? – perguntou o príncipe confuso.
Ciel voltou a sentar-se no colo de Nathan, sendo empurrado pelo mesmo logo depois. Riu um pouco, deitando-se entre suas pernas.
– Sabe príncipe, já pensei em solta-lo diversas vezes, mas sou incapaz de fazê-lo. Não sou como vocês humanos. – disse virando e encarando os olhos azuis claros do príncipe, passando a mão nos seus fios dourados – Um demônio não é capaz de amar. Por que se amasse, não seria um demônio, seria um anjo.
– Mas Ciel, você sabe não é mesmo. Você o ama. – disse com os olhos levemente lacrimejados.
– É difícil dizer quem odeia mais, se sou eu ou ele. – fechou os olhos. – Não o amo. O odeio. Ele sabe disso. Nunca disse que o amava, jamais saíram tais palavras de minha boca.
– Mas você já o amou, não é mesmo? – disse, vendo que já começava a chorar.
– Talvez, eu não me lembro. – disse com o olhar vago – Faz tanto tempo que não me lembro mais...
– Como você pode ser tão burro?! – gritava, chorando tudo o que podia finalmente – Por que você simplesmente não fala que o ama?! Droga! Você é tão idiota! Por que está me falando isso, afinal?! Já não basta o estado deplorável em que estou?! Não está satisfeito?! – virou-se para o travesseiro, soluçando alto.
Ciel foi novamente jogado para o lado. E dessa vez o demônio subiu até encontrar o rosto de Nathan e vi-lo-á para si. Sorriu, vendo o rosto inchado e molhado do príncipe.
– Pensei que ficaria feliz sabendo que eu não o amo. – suspirou, ainda sorrindo – Vê como o amor dói...? Vamos passear um pouco pelo jardim.
Ciel saiu da cama, olhando em volta até encontrar o guarda roupa. Retirou de lá varias peças de roupa, mas que compunham apenas um conjunto. O príncipe secou o rosto e se virou sério para o menino.
– O que está havendo com você, Ciel? Você não é do tipo que vem desabafar, muito menos comigo. Você me odeia, lembra. – disse rindo – Ou será que me ama? Você me deixou bem confuso... – disse num muxoxo baixo.
– Há há há... – riu, virando o rosto para que ele não visse sua careta de desgosto – Estou agindo como humano... Não gosto dessa sensação. – pensou consigo, sem pronunciar nada. – Vamos logo, logo a manha estará terminada tamanha sua lerdeza. – riu sádico novamente. – Com um corpo tão feminino e magro, me surpreende não ter vestidos no seu armário.
– Por que, você queria algum emprestado? – riu também, pegando a roupa escolhida por Ciel.
– Na verdade, queria sim... – sussurrou, cogitando a idéia de vestir-se de mulher para seduzir Sebastian mais uma vez.
– Céus! Era apenas uma brincadeira! – disse virando Ciel para si com os olhos surpresos.
Parece que o demônio havia dito alto o suficiente para o príncipe escutar. Vendo o rosto despreocupado de Ciel, Nathan riu, voltando a se vestir.
– Louco...
Ciel voltou para a mesa, sentando-se e pegando seu cajado. Cruzou as pernas e ficou a observar Nathan se vestir. Assim que estava finalmente pronto, calçando apenas as botas, Ciel pulou silencioso da mesa, parando em frente ao rosto do príncipe, com seus narizes se encostando e suas respirações se misturando.
– Você tem um belo corpo, príncipe. – deu-lhe um demorado beijo de língua, o qual o príncipe meio que retribuiu. – Parece que alguém está se apaixonando por mim... – sussurrou sem eu ouvido, mordendo-lhe a orelha.
– Se — Seu grande i-idiota! – empurrou-o sob uma risada gostosa do demônio.
– Não se preocupe príncipe, você beija bem! – disse rindo e indo para a janela. – Estou te esperando no campo de rosas, My Lady.
Ciel pulou da sacada, fazendo príncipe correr até lá e ver Ciel lhe encarando do chão há mais de quatro andares. Ele tinha um sorriso divertido dos lábios e voltou a caminhar calmamente para o campo de rosas. Nathan sorriu e ficou observando-o ir para longe. E só agora percebeu, onde estava Sebastian que não estava com o menino?
Enquanto isso, na funerária, Sebastian estava de pé, enforcando o Shinigami que estava prensado na parede.
– Gwi shi hi hi... – riu estranho, o Sinigami – Ainda não entendeu Sebastian?
– Não vejo nada com nexo saindo de sua boca imunda. – rosnou para ele.
– Vou facilitar... Não é apenas a alma de Ciel que está naquele corpo. O jovem Trancy também está naquele corpo.
Sebastian apertou mais o punho no pescoço do Shinigami, com raiva.
– Como é possível?
– Você pode ser o mais exigente demônio, mas não o mais velho, Sebastian. Existem coisas que até você desconhece. – disse, olhando-o sério e sem graça.
Sebastian o soltou, suspirando e ajeitando a roupa que já estava levemente bagunçada.
– Você deve ter percebido, na personalidade, na forma de agir, falar, se insinuar... – riu da ultima parte – Não é o Conde... Ou melhor, não por inteiro...
– Ele não tem mais alma, Undertaker. Como pode Allois ainda estar ali?
– Não está, Sebastian. O que restou do herdeiro no corpo do Conde foram apenas lembranças. Quando foi transformado em demônio, sua alma foi corrompida por Hannah. – começou o agente funerário – A transformação ocorreu ainda com a alma do loirinho no corpo de Ciel, então, parte dela ainda está lá.
– E como eu faço para tirá-la? – questionou rindo da própria pergunta.
– Não precisa. Alguém já está encarregado de fazer isso. Gwi shi hi...
– Matilde... — rosnou o nome da mulher, torcendo a cara.
– Só temo eu que não sobre mais demônio para você, Sebastian.
Notas finais
Um beijo, e até o próximo.
P.S.: Ultimamente, tenho tipo muita vontade de fazer um lemon entre o Nathan e o Ciel. Estou gostando muito deles juntos... *medoooo* Mas Sebby e Ciel reina *o*
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