Not Today
5 Capítulo 4 — Aonde
Notas iniciais
— Mas, em primeiro lugar, o que vocês estavam fazendo aqui?! – Francis perguntou a Emma, que continuava correndo em direção ao supermercado onde deixara a amiga. O trio já estava preparado para sair do esconderijo antes do primeiro raiar do sol para aproveitar o máximo de tempo de luz.
— Eu sei que a culpa é minha! Eu só queria cobrir uma matéria bombástica… E acabei arrastando a Erzsi pra confusão. Agora ela foi mordida e vai morrer! – A belga começava a se desesperar novamente.
— … Deve haver alguma cura. A Erzsi vai ficar bem, você vai ver! – António rapidamente buscou auxílio nos olhos de Francis, a fim de tranquilizar a namorada.
O ex-médico francês suspirou e forçou um sorriso amigável. – Quando chegarmos lá, vou ver o que posso fazer por ela, Emma. Não se desespere ainda.
Se eu ainda tivesse aquelas malditas injeções…
— Estamos quase lá…! – O mercado já podia ser visto. Estava a apenas dois quarteirões dali. – Tomem cuidado. Quando eu vim aqui, havia uma horda inteira aqui.
Mas não havia um zumbi do lado de fora. As ruas estavam desertas e escuras. A luz do sol apenas penetrava por algumas pequenas fendas entre os edifícios. Havia muitos corpos jogados, espalhados sobre o asfalto, já tingido de um vermelho meio decomposto, quase marrom. Era difícil dizer o que era um corpo humano de um zumbi propriamente morto.
Os vidros do estabelecimento comercial estavam quebrados, apesar de barricados com resistentes tábuas de madeira. Fazia quase uma semana que a cidade fora evacuada, portanto alguns alimentos ainda estariam dentro do prazo de validade.
— Esperem… – Francis parou de supetão. Uma figura saía do mercado às pressas. – É o “Fantasma”, escondam-se. – Rapidamente, escondeu-se atrás de um carro queimado. António e Emma encostaram-se às paredes de um edifício.
— “Fantasma”? – Seria ele o mesmo “Fantasma” ao qual as pichações nas casas faziam referência?
— Depois explicamos, Emma. Vamos achar a Erzsébet primeiro.
O trio se reuniu novamente, sorrateiramente correndo em direção à entrada de funcionários do mercado. O espanhol abriu a fechadura trancada com um pedaço de clipe – um truque que aprendera quando mais jovem. Ao entrar, tinham acesso ao depósito: Intacto, longe dos outros sobreviventes.
A jornalista continuou guiando os outros dois sobreviventes até a sala onde a húngara esperava. O corredor da sala estava estranhamente vazio. Emma pegou a chave onde a pendurara antes de sair (já que zumbis não possuem coordenação motora suficiente para utilizar tais objetos) e abriu a porta.
A ex-policial ainda suava bastante, mas conseguiu abrir os olhos para perceber a entrada da amiga e dos dois conhecidos. Rapidamente, Francis ajoelhou-se ao seu lado, checando seu pulso, sua temperatura corporal e o ferimento em sua perna. Que já estava enfaixado e não mais sangrava. Estranho.
— Como está se sentindo… Erzsébet, não é? – O loiro perguntara.
— Não vou nem perguntar o que estão fazendo aqui nesse inferno, mas, sim, estou bem. Só sinto um pouco de dor no local da mordida, mas minha febre abaixou bem, minha cabeça parou de girar…
António virou-se para a namorada e indagou-a. – Tem certeza de que ela foi mordida? Vai ver ela só tropeçou em alguma coisa áspera, só ralou a perna…
— Não! Eu vi o bicho na perna dela! Eu vi a marca da mordida!
— Emma… Pode relaxar. – Erzsébet tranquilizou-a, tocando-a no braço. Sorriu. – Eu disse que ficaria bem.
— Ah, Erzsi… Eu só faço besteira. Desculpa…!
A jornalista já se desfazia em lágrimas, quando o namorado a abraçou. – Já te falamos que a culpa não é sua. Vamos ficar todos bem, tá?
§
O sobrevivente viajava a passos largos enquanto verificava o pequeno mapa no caderno que encontrara há dois ou três dias. O tempo já não existia para ele. E por que ele estava agindo assim? Ora ajudando pessoas, ora matando-as… Quem era ela mesmo? E teria ele agido certo?
Meu punho… Está ardendo. Minha cabeça dói e meu corpo não me responde. Para onde meus pés estão me levando…?
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