Nossa Primeira Série
7 Aventuras à Vista
Notas iniciais
– Crianças, por favor, prestem atenção em mim agora – a voz de Momoi fez as crianças se calarem de imediato. Faltava pouco menos de uma hora para a saída. – Daqui duas semanas teremos um passeio! – gritos, muitos gritos animados. – Nós iremos numa fazenda, onde vamos conhecer a rotina do lugar. Lá tem muitos animais e plantações, além de um guia que vai nos mostrar e explicar sobre tudo. Passaremos dois dias lá: no primeiro dia vamos aprender e observar, no segundo dia formaremos grupos e cada grupo vai fazer aquilo que achou mais interessante na fazenda, na parte da manhã. E, de tarde, andaremos de cavalo. Voltamos pra casa no segundo dia a noite. Nessas autorizações está tudo explicadinho para seus pais e também coloquei meu telefone, caso eles desejem mais informações. Alguma pergunta?
– Professora, a gente tem que ir de uniforme? – perguntou uma menina, olhando para Momoi que distribuía as autorizações.
– No primeiro dia, sim. No segundo dia, vocês usarão roupas confortáveis e que vocês possam sujar.
– E onde a gente vai dormir? – foi a pergunta de Kouta.
– Numa pousada dentro da fazenda. Meninos em um quarto e meninas no outro. Mais alguma pergunta?
– Lá tem onde comprar doces? – todos riram da pergunta de Noa.
– Não, mas você pode levar alguns na viagem. Alguém mais? – ninguém tinha mais dúvidas. – Certo, agora peguem seus cadernos e tragam até minha mesa quando eu chamar. Vou corrigir a lição de casa. Pensaram que eu tinha esquecido? Ayumi.
Enquanto a professora corrigia a lição de casa dos alunos, estes se viram livres para conversar animadamente sobre o passeio. Especialmente um grupo de seis garotinhos que, durante os primeiros dias de aula tinham se tornado quase inseparáveis.
– Espero que meu pai me deixe ir – comentou Seitarou.
– Porque você não faz alguma coisa pra ele? – sugeriu Yoshiki. – Sempre que eu quero alguma coisa, eu faço um desenho pro meu pai. Sempre funciona.
– Compra doces pra ele! Todo mundo gosta de doces! – foi a ideia de Noa.
– Isso só funciona com você – replicou Kouta, rindo. – Eu sei que meu pai vai deixar, o duro é convencer minha mãe.
– Comigo é igual – concordou Hikaru. – O que acha que devemos fazer, Masaki?
– Se não conseguirem convencer seus pais sozinhos, podem pedir pra Momoi-sensei conversar com eles – foi o conselho do ruivo e todos assentiram.
– Seus pais vão deixar você ir? – questionou Seitarou. – Meu pai me contou que seu pai é bem bravo...
– Minha mãe vai deixar eu ir, então meu pai não pode fazer nada. E eu não me importo com o que ele diz mesmo.
– Seu pai é aquele que veio lhe trazer hoje? — questinou Hikaru e o ruivo assentiu. — Ele é bem assustador mesmo.
– Você não gosta mesmo do seu pai? – Yoshiki não conseguia acreditar nisso. Ele tinha medo do maior, mas o amava.
– Masa-chin só está com medo de magoar Furi-chin – afirmou Noa.
– Noa! Do que você está falando?! – as bochechas de Masaki se tingiram de vermelho.
– Mas é verdade! Masa-chin tem medo de aceitar o Aka-chin e Furi-chin ficar magoado.
– Noa!
– Então Masaki-kun no fundo gosta do seu pai? – tentou entender Hikaru.
– Não é verdade!
– É sim! Por isso Masa-chin é mau com Aka-chin.
– Como você sabe disso, Noa? – perguntou Kouta, muito interessado.
– Porque Masa-chin sempre disse que nunca precisou de um papai, mas sempre quis um.
– Noa! – Masaki não sabia onde se enfiar de vergonha. Noa não estava a par da história toda, mas o que ele disse estava certo: ele começara a simpatizar com Akashi e sempre quisera ter seu pai por perto, porém não o demonstrara por medo de machucar sua mãe. Tinha a sensação de que o castanho ficaria magoado ao perceber que ele estava feliz com seu pai, sendo que por muito tempo sua mãe era a única pessoa que cuidava dele. Não queria parecer ingrato.
– Não precisa ter medo, Masaki – foram as palavras de Yoshiki. – Meu papai dá muito medo, mas é ele é demais e eu amo ele. E também amo minha mãe.
– É verdade – confirmou Seitarou. – Meus pais às vezes são chatos e brigam comigo, mas isso é porque eles me amam. E querem cuidar de mim.
– Eu não poderia escolher entre minha mãe e meu pai, eu amo muito os dois – foi o que Hikaru disse, Yoshiki concordando com a cabeça. Masaki olhou para seus amigos e sorriu.
– Acho... Acho que vou conversar com minha mãe sobre isso – a alegria tomou conta do grupo. Todos tinham ouvido seus pais comentarem sobre como Akashi estava mal por que Masaki não gostava dele. Eles sentiam que tinham ajudado alguém e isso era muito bom. – Mas voltando a falar do passeio, quem senta com quem no ônibus?
– Eu quero sentar com o Kouta! – Seitarou logo disse, um grande sorriso no rosto.
– Eu sento com Yoshiki – exclamou Hikaru.
– Masa-chin – Noa estava bem seguro de sua decisão.
– Mas sempre é assim – reclamou Masaki. – Vamos jogar Pedra, Papel e Tesoura pra fazer diferente.
Com os outros cinco concordando, eles começaram a jogar. A medida que iam ganhando, iam saindo do jogo e formando duplas. No fim, Masaki sentaria com Seitarou, Kouta com Yoshiki e Hikaru com Noa.
– Só tenha cuidado com sua lancheira, Hikaru. Ou o Noa vai comer tudo – brincou Yoshiki, provocando a risada de todos.
Algumas mesas adiante, Momoi se segurava para não ter uma hemorragia nasal ali mesmo. “Tão fofos!” Após terminar de corrigir a lição de todos, o sinal de saída tocou e os alunos foram saindo para o pátio, encontrar seus pais. Noa e Masaki se depararam com o grande Murasakibara esperando-os e não demorou muito para entrarem no carro e irem embora. Yoshiki recebeu um beijo na testa de sua mãe e saiu caminhando de mãos dadas com este. Hikaru, por sua vez, pulou nos braços de seu pai, que o carregou como se este não pesasse mais que uma pena. Kouta sorriu para sua mãe e se foi no carro junto com ele. Já Seitarou correu pra perto da mãe ao perceber que um cara loiro conversava com ele.
– Querido! — o moreno se abaixou e abraçou seu filho. — Quero lhe apresentar o Miyaji-san. Ele foi meu senpai na Shutoku.
– Muito prazer, pequeno — se apresentou o loiro.
– Muito prazer, Miyaji-san. Meu nome é...
– Seitarou! — o pequeno se virou e saiu correndo até o portão da escola, onde Midorima aparecera. O maior o pegou no colo, olhando fixamente para os outros dois. — Miyaji?
– Midorima, quanto tempo sem nos vermos! — a voz do loiro parecia animada, mas seu olhar tinha um ar de desafio que o esverdeado não gostou nem um pouco. Se aproximou, assentindo e beijou os lábios de seu esposo, causando um rubor na face de Kazunari, enquanto Seitarou tampava os olhos. E a resposta do loiro ante tal demonstração de posse foi um sorriso largo e muito falso.
– Desculpe interromper o reencontro, mas eu vim busca-los para jantarmos fora hoje — disse Midorima, passando o braço pela cintura do moreno e segurando seu filho no colo com o outro.
– Mesmo, Shin-chan? Que alegria! Miyaji-senpai, nosso jantar lá em casa pode ficar para a próxima? — esta vez quem sorriu largamente foi Midorima. Miyaji, por sua vez, assentiu.
– Eu vou ligar amanhã para você e marcamos alguma coisa. Bom, eu vou indo. Até mais — se despediu o loiro e a familia também começou a se afastar.
– Eu e ele esbarramos quando eu estava vindo pegar o Seitarou na escola. Lembra que ele tinha se casado com uma moça do exterior e foi morar fora do país? Então, eles se divorciaram e ele voltou pra Tóquio, pra recomeçar a vida. Foi tão nostálgico conversar com ele! Ele disse que mantém contato com o treinador e também com... — enquanto seu Kazunari tagarelava ao entrar no carro, Midorima colocava Seitarou no banco de trás, fechando a porta e olhando para a rua antes de entrar. Ao longe, Miyaji tinha se encostado numa parede e o encarava com um sorriso confiante. O esverdeado entrou no carro e se afastou o mais rápido possível.
Não era nenhum segredo que Miyaji estivera apaixonado por Takao na época da escola, o único que não percebera fora o próprio moreno, mas isso porquê ele estava muito concentrado em conquistar Midorima. Aqueles sorrisos e provocações eram normais entre eles naquela época, quando brigavam pelo amor de Takao, então se isso estava acontecendo de novo...
Não. Nunca ia permitir que Miyaji tocasse em seu Kazunari. Se o loiro se atrevesse a tentar alguma coisa, não podia sequer imaginar como aplicaria nele cada um de seus conhecimentos médicos até que aquele maldito sumisse da face da terra e...
– Shin-chan! — os olhos verdes finalmente se focaram no homem ao seu lado. — Está tudo bem? Certeza que não quer ir descansar em casa? — sorriu, mais calmo. Só aquela voz conseguia acalma-lo tão facilmente.
– Hoje tenho tempo livre. Vamos jantar juntos. Ou preferem ir pro parque de diversões?
– Parque de diversões! — exclamaram seus dois amores. A felicidade de ambos era a sua própria e a protegeria com todas suas forças.
E acabaria com qualquer um que tentasse afastar o homem que amava e o filho que tiveram juntos. Mesmo que fosse seu antigo senpai.
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