Notas iniciais
Um capítulo especialmente AkaFuri + Masaki. Haverão capítulos assim para os casais e também capítulos exclusivos das crianças. É a maneira que encontrei de conseguir abordar todos os pontos importantes da história. Agradeço imensamente a todos aqueles que leem minha fanfic. Boa leitura!

Uma inalação profunda não era o suficiente para acalmar o ruivo. Nunca em toda sua vida ficara tão nervoso em encontrar alguém, nem sequer seu pai fora tão inalcançável para ele. E agora estava suando frio por se encontrar com uma criança. Onde tinha ficado o grande e temível Akashi Seijurou? Bom, aquela criança não era qualquer criança. Era seu filho. Masaki Furihata, um garoto de seis anos que se parecia física e psicologicamente com ele.

Lindos cabelos vermelho sangue e pele imaculada, que ele ainda não descobrira se era suave como seda ou se tal tecido lhe pareceria áspero diante de magnífica suavidade. Olhos brilhantes como joias, o direito castanho e o esquerdo vermelho. Um corpo pequeno para a sua faixa etária, mas que tinha uma presença temerária capaz de derruba-lo com míseras palavras.

Absolutamente belo e cruel. Essa foi a primeira impressão que teve de seu filho, mas que logo foi desmentida por Kouki quando conversaram por telefone um dia depois daquele desastroso primeiro encontro. O castanho descreveu o filho como doce, dedicado, independente e muito, realmente muito protetor. Akashi aprendera da pior maneira possível o quanto seu filho se transformava quando sentia que precisava proteger alguém. Nunca se arrependera tanto de uma ação quanto o fazia com o fato de ter gritado com Kouki na frente de Masaki. Agora, o pequeno o odiava.

Quando o carro estacionou na frente da casa de dois andares de Kouki, ele saiu do carro. Era uma casa simples, mas bonita e com um jardim cheio de flores. Se aproximando do portão pôde ver uma cena adorável: Masaki estava sentado na grama, com uma roupa de jardineiro e um suave sorriso no rosto. Diante dele, um pedaço de terra sem plantas. Com cuidado e cantarolando uma canção qualquer, o pequeno fazia furinhos na terra, colocava uma sementinha e tampava o furo.

Akashi pegou o celular e tirou uma foto, antes que o menino o visse ali e toda a magia daquele momento se perdesse. Para sua sorte, longos minutos se passaram e Masaki terminou de plantar. Regou a terra e se dirigiu para o fundo da casa, onde provavelmente guardava as coisas de jardim. Assim que o pequeno desapareceu de sua linha de visão, alguém abriu a porta da frente da casa. Era Kouki, com um avental vermelho e branco.

– Pode deixar de espiar ai do portão e entrar, se quiser – brincou ele e Akashi se endireitou, passando pelo portão e pelo caminho de pedras que levava até os degraus que davam na varanda.

– Eu só...

– Estava vendo Masaki plantar vegetais – completou o outro, dando um passo para o lado e deixando o ruivo entrar. – Masaki fica radiante quando faz algo que gosta, então eu lhe entendo.

– É bom deixa-lo mexer com o jardim nessa idade? – perguntou Akashi, sendo guiado pelo castanho até a sala e se sentando na poltrona.

– Insinua que não sei o que é bom para Masaki? – um olhar surpreso foi dirigido a ele e Kouki sorriu. – Brincadeira. Não há perigo algum, Masaki sabe reconhecer insetos e não mexe com nada tóxico ou cortante. E acho melhor você se sentar em outro lugar, essa poltrona é do Masaki.

– Normalmente os mais velhos se sentam na poltrona – argumentou o ruivo, mas mesmo assim sentou-se no sofá ao lado.

– Eu tenho um pequeno imperador em casa. O que esperava?

– Mamãe, já plantei o alface – a voz de Masaki parou na porta da sala, junto com ele. Furihata sorriu.

– Muito bem. Você está suado, suba e tome um banho.

– Porque ele está aqui? – Akashi sentiu aquele olhar nada bom sobre ele de novo e tentou não encarar o pequeno. Se mostrar agressivo na casa de Masaki seria sua queda absoluta.

– Akashi-san veio almoçar conosco. Como lhe disse antes, ele só quer conhecer você melhor e agora será muito mais educado conosco – o menor olhou pra mãe, hesitante sobre aquilo, mas seu olhar se derreteu. Nunca poderia ir contra sua mãe quando ele sorria daquele jeito tão amável.

– Está bem – virando-se, Masaki subiu as escadas para o segundo andar.

– Ele ama você — constatou Akashi.

– Masaki é meu universo inteiro. Eu já não sei como viver sem ele.

– Um pouco dramático...

– Diz isso, mas todo dia me liga para saber se Masaki está bem ou se precisa de algo — o ruivo desviou o olhar, um pouco constrangido.

– Você não falava desse jeito antes — comentou. — Você muitas vezes tremia e temia minhas reações.

– Muita coisa aconteceu, Akashi. Tanta coisa que você precisaria bem mais que um olhar para me fazer tremer — o silêncio seguinte foi com certeza constrangedor. Por isso o ruivo decidiu que era uma boa hora para perguntar sobre algo que vinha incomodando-o desde que olhou para Masaki.

– Os olhos dele... – Akashi olhou para Kouki, que se sentou na poltrona. O ruivo não questionou isso: o castanho claramente era adorado pelo pequeno Masaki e podia sim se sentar no lugar dele.

– Sim, foi complicado até ele completar quatro anos. Se assustava muito com qualquer movimento brusco próximo dele e febre era algo normal. Por isso não o coloquei numa creche e decidi leva-lo pro meu trabalho todos os dias. No meu escritório do orfanato, muita gente entra e sai, mas no máximo cinco pessoas ficam ao mesmo tempo ali. Com o tempo ele se acostumou e agora raramente enfrenta algum problema por causa de seus olhos.

– Entendo... – seu filho tinha herdado o Olho do Imperador, devia ser tão difícil para uma criança ter que lidar com isso.

– Mas, graças a isso, Masaki amadureceu numa velocidade espantosa nos últimos dois anos. Aprendeu a ler e a tocar piano pouco depois de completar cinco. Eu o auxiliei em ambos os aprendizados, mas a maior parte ele aprendeu quando se escondia dentro dos armários das salas de aula do orfanato. E vendo um dos professores tocar piano lá.

– Então Masaki passou a infância rodeado de órfãos?

– Masaki sempre foi muito amável, todos lá gostam muito dele. Talvez por lidar tanto com crianças que não tem pais que ele gosta de proteger quem ele ama.

– Mesmo ele crescendo sem mim ao lado dele... – Kouki se levantou e pousou a mão no ombro do ruivo.

– Ele está confuso e desconfiado, se aproxime com bons sentimentos e os olhos dele vão varrer qualquer dúvida que ele ainda tenha sobre suas intenções – o castanho ia se afastar quando Akashi segurou seu pulso.

– Me diga, Kouki. Porque desapareceu com Masaki? Porque... Porque não me contou nada? – se encararam por um tempo e naquele olhar Akashi pôde ter certeza de uma coisa: Furihata ainda sofria por alguma coisa relacionada a ele. Só não sabia o quê.

– Eu nunca desapareci.

– Não desapareceu? Você estava com meu filho no ventre e eu só soube disso sete anos depois!

– De fato, eu não cheguei a lhe contar, estava fraco em todos os sentidos e não queria enfrentar outro confronto que eu imaginava que teria o mesmo resultado — Akashi franziu o cenho. Outro confronto? Mesmo resultado? — Me mudei de casa, não de cidade, e não acho que isso seja considerado fugir de você, uma vez que seria capaz de me achar mesmo se eu fugisse do Japão, como afirmou tantas vezes sorrindo para mim. Então me deixe perguntar, Akashi: Porque só me procurou agora, sete anos depois?

Antes que Akashi pudesse organizar seus pensamentos para formular uma resposta, foram interrompidos.

– Mamãe? – chamou o pequeno e Kouki se endireitou.

– Vamos colocar a mesa juntos? – um olhar foi lançado para o ruivo, que o soltou. – Depois Akashi-san vai leva-lo pra escola enquanto eu preparo um delicioso bolo pra quando você chegar. O Noa vem aqui com o pai dele – o castanho caminhou até seu filho e se virou, sorrindo. – Você vem?

Sobre o olhar crítico de seu filho, Akashi levantou. Aquela pergunta tinha o tirado completamente do eixo, mas não ia pensar nisso agora. Deveria se esforçar e ser a pessoa mais confiável do mundo para Masaki.

– Sim, eu vou.

Akashi levantou-se e seguiu os dois menores para a cozinha, enquanto do lado de fora, alguém se dedicava a tirar fotos deles. O celular tocou e ele logo se escondeu atrás do muro de uma casa para não ser visto.

–Alô?

–Conseguiu o que pedimos?

–Acabo de conseguir. O boato estava certo.

–Ótima hora para esse bastardo aparecer. Traga essas fotos para nós, sua recompensa será grande.

A ligação acabou e o homem pulou pelo muro lateral, entrando num carro e desaparecendo daquela rua. Tinha terminado o trabalho que lhe foi ordenado, mesmo sem saber exatamente por quê tanto interesse em confirmar se Akashi Seijurou tinha um filho. E no fundo, desejava mesmo não saber.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado e agradeço novamente o tempo que dedicaram a ler minha fic. Até a próxima! Obs: Não sei o que aconteceu com as margens, mas não tenho como arruma-las pelo celular. Assim que eu puder, tentarei corrigir isso.