Noite sem Fim

69 Uma nova fase - parte 2


Depois de beijar o marido, Kagome foi para o local do discurso acompanhada de Tanuki. Eles conversavam durante o trajeto.

KAGOME – Os meus filhos ainda não chegaram?

TANUKI – Eles estão á caminho. (ele olha de relance para ela) – Não sei por que quer a presença deles em seu discurso de retirada da pré-candidatura.

KAGOME – Você verá.

Kagome e Tanuki chegam ao local do discurso que era uma espécie de teatro, com as dezenas de cadeiras ocupadas por dirigentes do partido trabalhista e mais um palco á frente. Kagome foi caminhando sozinha até lá sob os aplausos devido aos últimos acontecimentos. Aplausos que cessaram assim que ela pegou no microfone.

KAGOME – Boa noite á todos! Como já devem saber, hoje foi um dia agitado para mim, mas que, felizmente, está terminando de uma maneira satisfatória com a continuação da convenção para escolher o nosso candidato á prefeitura de Tóquio. (ela respira fundo) – Antes dos acontecimentos que se abateram sobre mim, fui aconselhada a desistir da pré-candidatura para unificar o partido a fim de enfrentar um inimigo maior, o prefeito Ryukosei.

Nesse momento pode-se ouvir, por parte dos vários dirigentes do partido trabalhista, vários gritos de ‘fora Ryukosei’ e outras coisas nada elegantes para o prefeito. Kagome esperou cessar esses pequenos arroubos para reiniciar o discurso.

KAGOME – Quero que saibam que quando foi feita essa proposta á mim, recusei-a na hora, mas fui convencida, por pessoas próximas á mim, de que isso era o melhor a se fazer. Por isso aceitei retirar meu no das prévias para apoiar Gakusajin.

Depois dessas palavras de Kagome foi instalado um silencio ensurdecedor no anfiteatro, pois os vários correligionários esperavam ansiosamente pela votação da convenção. Com a retirada do nome de Kagome das prévias, Gakusajin seria escolhido automaticamente. Observando o discurso da esposa, por uma TV na sala em que estava, InuYasha sentiu uma ponta de tristeza, pois sabia que sua amada estava abrindo mão de um sonho.

INUYASHA – A vida é assim mesmo, Kagome.

Ainda observando a TV, InuYasha pensou que aquilo era fim e por isso iria sair da sala, mas percebeu que Kagome ainda estava no palco como se fizesse suspense para depois reiniciar o discurso.

KAGOME – Eu aceitei isso hoje cedo, mas não posso fazer isso. Não posso retirar o meu nome das prévias.

Kagome fechou os olhos e soltou um sorriso, pois naquele exato momento ela se lembrou da conversa que teve com Miroku depois que ele a levou á um local seguro.

FLASH BACK

Kagome estava recobrando os sentidos e começou a olhar em volta e só viu Miroku sentado olhando para ela.

MIROKU – Finalmente acordou.

KAGOME – Miroku. Eu não estou morta e... (ela nota que estava sem a roupa de soldado) – Mas o que houve?

MIROKU – Está falando disso? (ele se levanta para pegar a roupa de soldado no chão e jogá-la para Kagome) – Observe você mesma.

KAGOME – Essa roupa é a que eu estava usando. (ela presta mais atenção no líquido vermelho) – Isso parece sangue, mas não é. Então foi uma armação?

MIROKU – Sim. Eu nunca iria matá-la para salvar Tamira. A vida da minha filha seria amaldiçoada.

KAGOME – Se foi uma armação, por que não me contou?

MIROKU – Eu não podia arriscar. Se Zuza percebesse algo, nós dois seríamos mortos pelos homens de Natsume. Eu tinha que ter certeza que Zuza não desconfiaria de nada e para isso ele tinha que ver o medo em seus olhos. Você ficou com muito medo quando disse que ia te matar, não é?

KAGOME – Sim. (ela coloca a mão no peito) – Eu fiquei com o coração disparado, mas não por medo de morrer e sim por medo do que poderia acontecer com InuYasha e Shippou. Eles são muito sentimentais e poderiam fazer alguma besteira. Esse era meu medo.

MIROKU – Foi por isso que não contei nada a você. Eu queria que Zuza visse esse medo.

KAGOME – Mas e agora? O que pretende fazer?

MIROKU – InuYasha acha que você está morta, pois Shippou deve ter contado dos tiros que viu. Por isso vou me entregar á polícia.

KAGOME – E Tamira?

MIROKU – Ela está prestes a ser salva. Koharo está com um médico que está retirando o DDM-145 do corpo da minha filha. Assim que isso ocorrer, vou chamar Tanuki para que ele venha lhe buscar.

KAGOME – Então você quer que eu fique aqui até que seja seguro para Tamira?

MIROKU – Sim. Eu não sei o grau de influência de Natsume nas agências de investigação, mas sei que é bem alto. Se alguém do grupo de Natsume souber que você está viva, pode ativar o DDM-145 á distância.

KAGOME – Isso não vai acontecer, Miroku. (ela sorri) – Ficarei aqui aguardando ansiosamente o fim de todo esse pesadelo.

MIROKU – Obrigado, Kagome. (ele abaixa o olhar) – Eu sinto muito por isso ter acontecido em um dia tão especial para você.

KAGOME – Está falando da convenção? (ela volta a sorrir) – Se for isso pode ficar tranqüilo. Eu não serei candidata. O certo é que já até devem ter terminado a convenção e...

MIROKU – Pelo que soube, não terminaram não. Estão esperando seu aparecimento.

KAGOME – Mas isso é perda de tempo, pois Benji sabe que eu desisti. Fiz até um discurso de retirada pouco antes de você me seqüestrar e...

MIROKU – O que?! Você desistiu?! Não pode fazer isso, Kagome.

KAGOME – E por que não? A unidade do partido é mais importante do que pensar em mim ou na minha carreira política. Não é assim que deveria pensar?

MIROKU – A verdadeira unidade partidária não será conseguida se as pessoas têm medo da discussão. Somos pessoas e não robôs. Se fizermos isso vamos igualar o discurso de Ryukosei que prega a unidade de pensamento.

KAGOME – Mas eu não tenho chance de ganhar e...

MIROKU – Isso não importa. O que importa de verdade é o respaldo dos correligionários que são a verdadeira alma do partido. Se você desistir das prévias, irá desrespeitar aqueles que te apoiaram, aqueles que acreditaram em você. Eu te conheço Kagome. Se desistir agora, irá se arrepender depois. Eu quero que pense nisso.

Depois dessas palavras, Miroku se afastou de Kagome para sair do local e ir se entregar á polícia.

FIM DO FLASH BACK

Depois de recordar aquela conversa, Kagome abre os olhos e percebeu que os correligionários e outros dirigentes do partido trabalhista estavam esperando uma explicação para ter voltado atrás.

KAGOME – Um grande amigo me disse que não podemos conseguir a verdadeira unidade partidária com a falsidade intelectual. Não podemos nos comparar ao partido de Ryukosei. Temos que ser diferentes e tenho a mais absoluta certeza de que o ex. prefeito Gakusajin pensa o mesmo.

Gakusajin que estava nas primeiras fileiras do anfiteatro, apenas sorriu para Kagome. Um claro sinal de que ele concordava com a realização das prévias que seria a forma mais justa de escolher o candidato que iria enfrentar Ryukosei.

Kagome continuava a falar sobre o orgulho de ser do partido trabalhista, do orgulho do caminho que ela trilhou e essas palavras tocaram fundo no coração dos correligionários que começaram á gritar palavras de ordem á favor do partido e da realização das prévias e observando tudo isso pela TV na sala em que estava, InuYasha não pode conter o sorriso.

INUYASHA – Essa é minha garota.

Nesse momento, InuYasha percebe que não estava mais sozinho, pois ao olhar para trás, vê Shippou e Genku na porta da sala.

SHIPPOU – Ela está viva mesmo. (ele se aproxima da TV) – Isso não é um sonho.

GENKU – Mas é claro que a mamãe está viva.

INUYASHA – Está sim. A nossa Kagome está viva.

InuYasha dá um grande abraço em Shippou que corresponde da mesma forma. Eles estavam muito felizes com aquela situação. Era como se tudo daqui para frente fosse mais fácil e que o pior já tinha passado, mas no fundo sabiam que não era tão simples e enquanto isso na Agência Imperial, Sango sentada em um banco, observava Tamira, que estava em seu colo e naquele momento a menina abre os olhos para felicidade de sua mãe.

TAMIRA – Mamãe?!

SANGO – Ai Tamira. (ela abraça a filha) – Que bom que acordou.

TAMIRA – A senhora está chorando, mamãe?

SANGO – Sim filhinha. Estou chorando de felicidade. (passando a mão no rosto dela) — Como é bom ouvir sua voz.

TAMIRA – Eu senti muito medo, mamãe.

SANGO – Eu também, filhinha. Eu também. Nunca senti tanto medo na vida. Mas agora não vou deixá-la sair de perto de mim e...

Sango para de falar ao ver Soten entrando no local. A recém filha reconhecida de Miroku estava procurando por alguém ou algo. Logo vê a detetive segurando a filha no colo e assim vai até ela.

SOTEN – Sango! Tamira!

SANGO – Oi Soten. Como chegou aqui?

SOTEN – Houjo me trouxe até aqui.

SANGO – E por que não o vejo?

SOTEN – Ele preferiu ir á sede do partido trabalhista para ver Kagome. (ele olha para Tamira) – Que bom que foi encontrada, irmãzinha. (ela coloca a mão na cabeça da menina) — Ainda bem.

TAMIRA – Oi. Irmã.

SANGO – Koharo a trouxe. É uma longa história. Ela está sendo interrogada no momento. (ela respira fundo) – Miroku também está aqui.

SOTEN – Eu sei. É por isso que vim.

SANGO – Entendo.

Depois disso, Sango fica olhando para Tamira e, vendo que ela estava bem, coloca-a no chão. A menina percebe o olhar sério da mãe.

TAMIRA – O que foi, mamãe?

SANGO – Você precisa saber a verdade sobre seu pai. Ele...

TAMIRA – Ele está vivo.

SANGO – O que?! (se surpreendendo) – Mas como sabe disso?

TAMIRA – Ele mesmo me contou. E me disse também que sentiu muito não poder ficar com a gente. Ele disse também que ia me curar e que depois disso iria me levar para tomar sorvete.

SANGO – Sério?!

SOTEN – Miroku deve ter falado com ela através de um dos links digitais que Shippou descobriu.

SANGO – Deve ter sido isso mesmo e...

Sango para de falar ao avistar Koharo saindo da sala de interrogatório acompanhada de Abi. As duas estavam vindo á direção delas e Sango se manifestou.

SANGO – Koharo está sendo presa?

ABI – Isso é confidencial.

KOHARO – Chega desse papo de confidencial. A filha dela esteve envolvida nisso e por isso ela tem o direito de saber.

ABI – Está bem.

SANGO – O que tem Tamira?

KOHARO – Ela está bem, Sango. Não se preocupe. Estou sendo conduzida até meu carro, pois é onde está o DDM-145 que tiramos do corpo de Tamira.

SANGO – Mas como?!

KOHARO – Um médico fez uma espécie de hemodiálise para retirar a bactéria que estava alojada na corrente sangüínea. Agora ela está em um pequeno tubo de ensaio.

ABI – Vamos logo! Quando estiver com o tubo, mandarei fazer um exame para certificar de que se trata do DDM-145. Vamos então.

KOHARO – Espera. (ela olha para Soten) – Desculpe por ter batido em você mais cedo. Espero que não fique ressentida e...

SOTEN – Tudo bem, Koharo. Agora entendo por que fez isso. Fez pelo senhor Miroku.

KOHARO – Sim.

SANGO – Agora que falou nisso. (ela olha para Abi) – Quando poderei vê-lo?

ABI – Assim que terminarmos de interrogá-lo.

E assim Abi conduz Koharo para fora da Agência Imperial sob os olhares de Sango, Soten e Tamira. De repente a detetive avista Azuma, ainda no local, falando com alguém pelo celular e por isso vai até ele.

SANGO – O que ainda faz aqui? Está esperando Guy ser liberado?

AZUMA – Também.

SANGO – Já contou ao prefeito o que houve por aqui?

AZUMA – Não, mas ele não vai demorar á saber. Eu estava ligando para o secretário Rakusho. Quero que ele me ajude a conseguir a liberação para poder falar com Miroku. A Agência Imperial não vai facilitar.

SANGO – Isso é verdade.

AZUMA – Mas não era só isso que falava com ele. Eu o informei de que já encontraram Ling.

SANGO – Mesmo?!

AZUMA – Sim e morta. Os policiais acham que ela se matou, mas eu ainda preciso ter certeza. O corpo dela está sendo trazido para cá.

SANGO – Por que para cá?

AZUMA – A Agência Imperial assumiu a investigação, se esqueceu? (ele respira fundo) — Eu vou ver como está Guy.

Azuma se afasta sob os olhares de Sango, que tinha mais um motivo para permanecer por lá e enquanto isso no Hospital Memorial, Botan estava na sala de espera, aguardando notícias sobre a operação que sua irmã estava sendo submetida e de repente a porta se abre e imediatamente o médico, responsável pela operação, aparece diante dela.

BOTAN – E aí, doutor? A minha irmã vai ficar bem?

MÉDICO – Sua irmã sofreu um traumatismo craniano e fizemos todo o possível para salvá-la, mas...

BOTAN – Mas o que, doutor? Ela vai morrer? A Momiji morreu?

MÉDICO – Infelizmente sim. (ele coloca a mão no ombro dela) – Eu sinto muito.

BOTAN – Não! Não! Não!

Ao ouvir aquilo, Botan adentra á sala de operação e vê o corpo inerte de Momiji sobre uma mesa de operação. A colega de Sesshoumaru estava sem vida. Botan nota isso se senta no chão e começa a chorar copiosamente. Naquele momento Botan se recorda de todos os momentos que teve com Momiji. A infância, da morte dos pais e de quando descobriu que elas não eram irmãs de sangue, o que as fez ficar um tempo sem se falar, a reconciliação anos depois. O médico a conduz para fora da sala.

MÉDICO – Não há mais nada o que fazer.

BOTAN – Como puderam fazer isso com a minha irmã?

MÉDICO – Foi crueldade mesmo. Eu queria poder ajudar, mas não posso. Tenho que ver outros pacientes. Você se sente bem para ficar sozinha?

BOTAN – Pode ir, doutor. Eu não vou fazer nenhuma loucura.

O médico se afasta e Botan continuava a chorar á morte de Momiji e de repente ela sente alguém a observando de longe. Então ela levanta o olhar e vê mais ao fundo do corredor, Rakusho, secretário de segurança publica. Nisso, ela se levanta e vai até ele.

BOTAN – O que veio fazer aqui?! Veio debochar da minha desgraça?

RAKUSHO – Claro que não. Eu soube o que aconteceu com sua irmã e...

BOTAN – A minha irmã acabou de morrer! Está feliz agora? Isso foi culpa da secretária do seu chefe. Vocês são todos uns desgraçados.

RAKUSHO – Mas...

BOTAN – Sai daqui! Sai daqui!

Os gritos de Botan chamaram a atenção de vários enfermeiros e médicos também, que ao verem a confusão, pediram que Rakusho se retirasse do local para apaziguar o ambiente. Assim ele o fez e ao sair do hospital, ele usou seu celular para falar com Ryukosei.

RAKUSHO – Senhor prefeito.

RYUKOSEI – Descobriu algo?

RAKUSHO – Sim. Tenho duas novidades.

RYUKOSEI – Estou ouvindo. Pode falar.

RAKUSHO – A primeira é que acabo de saber que a jornalista Momiji acabou de falecer e...

RYUKOSEI – Você tem certeza? Isso não é nenhum truque?

RAKUSHO – Eu vi com meus próprios olhos a irmã dela chorando copiosamente. Acredite, senhor, não dá para fingir aquilo. Momiji morreu mesmo.

RYUKOSEI – Aquelazinha sempre me deu trabalho com suas reportagens cheias de ironia contra mim. Que a terra a leve de uma vez. Qual é a outra novidade?

RAKUSHO – Ah sim. A polícia conseguiu localizar Ling. Ela está morta.

RYUKOSEI – Morta? (fingindo surpresa) – Tem certeza?

RAKUSHO – Sim. Aparentemente ela se matou. O senhor quer que eu vá para a Agência Imperial?

RYUKOSEI – Não há necessidade. Já fez muito por hoje, meu amigo. Vá descansar.

Ryukosei desliga seu celular e imediatamente olha para Elisa, que tinha escutado toda a conversa.

ELISA – Fez bem em não contar toda a verdade á Rakusho, mas você me parece meio nervoso.

RYUKOSEI – É porque o corpo de Ling será levado á Agência Imperial.

ELISA – Não se preocupe, meu amor. (ela o abraça e depois o beija) – Eu fiz tudo direitinho. Não tem como desconfiar de que ela foi morta. Eles vão cair na história de que Momiji tinha um caso com o marido de Ling e como todos os três estão mortos e não podem rebater essa tese, não precisamos nos preocupar.

RYUKOSEI – Tem razão. A morte de Momiji foi um grande alívio. (ele da um beijo nela e depois se afasta um pouco) – Acha que devemos comunicar isso á Natsume?

ELISA – Sim, mas deixa que eu cuido disso. Você volte a acompanhar o encerramento da convenção do partido trabalhista.

RYUKOSEI – Tem certeza?

ELISA – Natsume não é a primeira marginal com quem lido. Eu vou me sair bem. Afinal de contas você me incumbiu de tratar diretamente com ela. Melhor começar a fazer isso o quanto antes, não acha?

RYUKOSEI – Me convenceu. Sabe o numero dela, não?

ELISA – Sei.

RYUKOSEI – Então cuide de tudo.

Ryukosei sorri e logo em seguida vai para o gabinete. Ao ver o marido saindo de sua vista, Elisa para outra sala e usa seu celular para ligar para Natsume, que estava instruindo Ryoma para a missão dele. Ela para o que estava fazendo para atender o celular.

NATSUME – Fale.

ELISA – Tenho boas notícias. Momiji morreu no hospital.

NATSUME – Excelente. Com essa não precisamos nos preocupar. Ryukosei não desconfia de nada?

ELISA – De nada! Nesse momento está entretido com a convenção do partido trabalhista. (ela fecha a porta da sala) – Já encontraram o corpo de Gatenmaru?

NATSUME – Ainda não, mas Haruy tem ordens de não voltar sem que tenha encontrado o corpo. Não quero dar sopa para o azar.

ELISA – Já falou com Ryoma sobre a missão dele?

NATSUME – Estava fazendo isso. Vamos iniciar toda a operação amanhã. Não pode haver falhas.

ELISA – Pode deixar.

Natsume desliga seu celular e volta a olhar para Ryoma, que ainda estava curioso sobre a natureza de sua missão.

RYOMA – Eu não acredito que foi por isso que me libertou.

NATSUME – Considere-se com sorte. Você é o único que pode fazer esse serviço sem chamar a atenção.

RYOMA – E quando haverá a troca?

NATSUME – Logo, mas é provável que ele deva estar sendo vigiado pela polícia, desde o momento que você foi solto.

RYOMA – Ryukosei não pode ajudar nisso? Afinal ele comanda a polícia.

NATSUME – Sim, ele comanda, mas não pode controlar todas as ações dela, mas ele nos forneceu o itinerário da troca de policiais. Vamos conseguir. Agora tenho que resolver outros assuntos.

RYOMA – Espere, Natsume.

NATSUME – O que foi desta vez?

RYOMA – Eu preciso das coordenadas e o tempo exato de quando tenho que concluir minha missão.

NATSUME – Eu ainda não os tenho. Os meus superiores estão verificando essa informação com o código que Zuza nos passou. Apronte-se para a substituição.

RYOMA – Ok.

Ao que parece a missão de Ryoma era de substituir alguém, mas ainda não dava para saber como e porque disso, mas seja o que for era muito importante para os objetivos de Natsume, que naquele momento estava preocupada com outro assunto.

NATSUME – Lá vamos nós de novo.

Natsume decide usar novamente seu celular para ligar para Haruy, que estava encarregado da busca pelo corpo de Gatenmaru, coisa que ele estava fazendo com alguns subalternos.

HARUY – Alô.

NATSUME – Sou eu de novo. Alguma novidade?

HARUY – Não e também está difícil procurar, pois está muito escuro.

NATSUME – Isso não importa! Continuem procurando.

HARUY – Isso está ficando perigoso, senhora Natsume.

NATSUME – Eu não quero saber se está perigoso ou não. Você está sendo pago paras fazer esse serviço e tem que fazê-lo por completo.

HARUY – Eu não me arriscaria por nenhum dinheiro. O local é íngreme e escorregadio. A senhora conhece o local. Gatenmaru não conseguiria sobreviver a uma queda dessas e caso tenha sobrevivido, morrerá logo depois. O local é isolado.

NATSUME – Está bem, mas quero que durma aí e reinicie a busca assim que amanhecer. Eu pagarei o dobro do que pediu.

HARUY – Quer que eu durma aqui? Mas e quanto á entrega do ‘pacote’ para Ryoma? Segundo a senhora Elisa, alguém tem que entregar pessoalmente, pois a informação não poderia ser passada por celular.

NATSUME – Eu já pensei nisso. Assim que meus superiores conseguirem a informação correta, pedirei á Ozai que faça esse trabalho.

HARUY – Ozai?! Está falando daquele velho que você colocou como faxineiro do jornal para vigiar Sesshoumaru e Momiji? Ele não é profissional e...

NATSUME – Pode não ser profissional, mas graças á ele que soube que Momiji estava tramando com Sesshoumaru e os outros. O trabalho é simples. Ele leva a informação até Ryoma e pronto.

HARUY – A senhora é quem sabe. Então vou ficar por aqui. Amanhã procuro por Gatenmaru.

NATSUME – Ok! Ligue-me assim que tiver alguma notícia.

Natsume desliga seu celular para voltar a cuidar da missão á que Ryoma estava incumbido e enquanto isso na sede do partido trabalhista, Kagome tinha acabado de terminar seu discurso onde ratificou sua intenção de continuar a participar das prévias do partido. InuYasha, Shippou e Genku observavam por um telão em uma sala isolada.

GENKU – Por que não podemos ficar junto da mamãe?

INUYASHA – Ela está em um local onde só membros filiados do partido podem entrar.

GENKU – O que é filiado?

SHIPPOU – Ele quer dizer que só políticos entram lá. Como nenhum de nós somos, não podemos entrar.

INUYASHA – A sua mãe também está doida para te ver. (ele olha para Shippou) – Os dois.

SHIPPOU – Eu também.

Mesmo diante da alegria em saber que a esposa estava viva, InuYasha não perdeu seu senso de observação e por isso notou que o filho segurava uma caixa.

INUYASHA — O que é isso, Shippou?

SHIPPOU – Ah sim! Quase me esqueci de te mostrar isso. (ele abre a caixa exibindo o fragmento da jóia) – É isso.

INUYASHA – Então esse é o fragmento de se soltou depois que Onigumo usou o poder da jóia em mim? Guarde muito bem isso.

SHIPPOU – Certo.

Shippou fecha a caixa e eles voltam a acompanhar a convenção pelo circuito interno do prédio. Naquele momento o presidente nacional do partido estava discursando e no meio disso, o celular de Gakusajin começa a tocar. Para não atrapalhar a convenção, ele se levanta de sua cadeira e vai para um local isolado a fim de atender o aparelho.

GAKUSAJIN – Alô.

BOTAN – Senhor Gakusajin, sou eu.

GAKUSAJIN – Botan. Estava ansioso por seu telefonema. Como está sua irmã?

BOTAN – É por isso que liguei, senhor. Ela... Ela morreu, senhor. A minha querida irmã morreu.

GAKUSAJIN – Botan. Eu não tenho palavras. Eu sinto muito. Qualquer coisa que precisar, pode pedir. Qualquer coisa.

BOTAN – Obrigada, senhor. Essas palavras significam muito para mim.

GAKUSAJIN – Tenha meus pêsames por sua irmã e novamente eu sinto muito, minha querida. Tenha força. Estarei sempre com você.

Gakusajin, um pouco abalado com a notícia da morte da irmã de sua assistente de imprensa, desliga seu celular e volta pensativo para o local onde estava sentado, mas não ficaria sentado por muito tempo, pois Benji, presidente do partido, o chamou para iniciar seu discurso para assim depois se inicia a votação das prévias. Gakusajin foi até o palco passando por Kagome e Tanuki, que perceberam a expressão triste dele.

KAGOME – O que houve com ele?

TANUKI – Eu não sei, mas estou com um mau pressentimento.

KAGOME – Sabe se Shippou e Genku já chegaram?

TANUKI – Já sim. Eles estão em uma das salas com InuYasha. Você poderá vê-los depois do fim da convenção.

KAGOME – Está bem. Já vai começar o discurso.

Kagome disse isso porque Gakusajin já tinha pegado o microfone para iniciar seu discurso, mas estranhamente ele fez um silêncio, que durou alguns segundos. Era como se estivesse pensando no que ia falar. Finalmente ele começa a se manifestar.

GAKUSAJIN – Quando fui derrotado por Ryukosei á três anos, me senti um fracassado e pensei seriamente em abandonar a carreira política, mas naquele momento uma jovem entrou na minha sala dizendo que eu não poderia fazer isso e que o partido precisava de mim. Eu não sei ao certo se, o partido, precisa tanto de mim assim, mas aquela jovem me mostrou um discurso meu de vinte anos atrás onde eu falava que o mal sempre prevalece quando as pessoas de bem se omitem. As pessoas de bem podem até não cumprir todas suas promessas, por um motivo ou outro, mas sempre mantém sua palavra. A jovem em questão é minha assistente Botan. Uma moça que tenho como filha. É por ela que tomo a decisão de retirar o meu nome das prévias, pois vou manter a minha palavra. Logo saberão dos meus motivos. Obrigado á todos.

Depois dessas palavras, Gakusajin deixa o palco para sair do auditório deixando todas as pessoas no auditório muito surpresas com tal ato que significava o fim da convenção do partido trabalhista.

Próximo capítulo = Uma nova fase – parte 3