Noite sem Fim

70 Uma nova fase - parte 3


As pessoas presentes no auditório ainda não entendiam a atitude de Gakusajin de retirar seu nome das prévias. Entre essas pessoas estava Kagome.


KAGOME – Mas por que ele fez isso?


TANUKI – Eu acho que sei. Eu vou atrás dele e...


KAGOME – Não Tanuki! Conta-me o que você sabe.


TANUKI – Depois Kagome. Depois, pois agora você tem muito no que pensar. (ele lança um olhar sério para ela) – Com Gakusajin fora da disputa, você será anunciada como candidata do partido trabalhista.


KAGOME – É verdade. Eu nem tinha me dado conta disso.


TANUKI – A bola está com você.


Tanuki se afasta de Kagome para seguir Gakusajin. Ele concluiu que o ex. prefeito iria para o hospital a fim de ver Botan e sabia também que ele só tomou a decisão de retirar seu nome para cumprir a promessa que fez á Botan de que se Momiji morresse, ele abandonaria as prévias. Com a renúncia de Gakusajin a convenção foi oficialmente encerrada e Benji, presidente municipal do partido, foi até Kagome.


BENJI – Espero que esteja preparada, minha cara. Agora é com você.


KAGOME – Eu sei.


BENJI – É provável que algum membro do grupo de Gakusajin não fique feliz com seu nome e tente indicar outra pessoa, mas para mim isso acabou. Você é a candidata e pronto.


KAGOME – E o que faremos agora?


BENJI – Vamos fazer uma reunião rápida onde seu nome será homologado.


Todas as pessoas presentes á convenção foram se retirando do auditório ordenadamente e, com exceção de Kagome, somente os membros da executiva municipal do partido se dirigiram para a sala de imprensa. No meio do caminho, eles passaram pela sala onde InuYasha, Shippou e Genku estavam. Kagome os viu e foi até eles, abraçando primeiramente Genku.


KAGOME – Como eu queria te ver, meu amorzinho.


GENKU – Eu fiquei com medo quando a senhora sumiu.


KAGOME – Eu também, querido, mas agora nada vai nos separar. (ela olha para Shippou) – E você como está, Shippou?


SHIPPOU – Feliz em ver que está viva. (ele a abraça) — Eu tenho tanta coisa para contar. Quando vi aqueles tiros pensei que nunca mais a veria de novo.


INUYASHA – Isso é para ver como você faria falta.


KAGOME – Não se preocupem. (ela sorri) – Vocês, todos, não se livraram de mim tão fácil.


Diante da presença dos filhos, Kagome e InuYasha se beijam, mas esse gesto é interrompido pela manifestação de Benji.


BENJI – Eu sei que está com saudades, mas poderá ficar com sua família depois. Não podemos perder mais tempo. Temos que fazer esse anuncio o mais rápido possível.


KAGOME — É claro senhor. (ela volta a olhar para o marido) – Eu tenho que ir, querido.


INUYASHA – Então vá. Estaremos aqui te esperando.


KAGOME – Eu vou sim.


Ela volta a beijar o marido para depois dar beijos nos dois filhos para assim ir com Benji á sala de imprensa. Vendo a mãe adotiva se afastando de sua vista, Shippou decide falar algo com InuYasha.


SHIPPOU – Kagome se tornou candidata oficial. É um dia muito feliz para ela.


INUYASHA – É sim. Não precisa falar. O que você está querendo dizer falando nisso?


SHIPPOU – Eu ainda não vou contar sobre Satsuki. Deixe-a comemorar no dia de hoje. Amanhã eu conto.


INUYASHA – Tudo bem, mas isso não pode ser adiado, entendido?


SHIPPOU – Perfeitamente. (ele olha para Genku) – Posso contar com você?


GENKU – Pode.


Shippou e InuYasha tinham entrado em um acordo para não contar á Kagome sobre a gravidez de Satsuki, pelo menos naquele dia tão especial e enquanto isso na Agência Imperial, Koharo estava retornando ao local com Abi.


KOHARO – O que vai fazer com o frasco?


ABI – O enviei para uma analise a fim de certificar de que é mesmo o DDM-145. Caso contrário, você ficará detida.


KOHARO – Verá que é.


ABI – Mas isso nos leva a outra pergunta. Onde está Kuno? Você realmente não sabe?


KOHARO – Não.


ABI – Eu não acredito, mas se tudo confirmar, você e ele não me interessam. (ela vê um agente a chamando com gesto) – Eu tenho que ir.


Abi se afasta de Koharo, que fica observando a superintendente entrando em sua sala. Assim Koharo vê o capitão Azuma acabando de usar seu celular. Ela vai até ele.


KOHARO – Está ligando para a esposa?


AZUMA – Sim. Eu estava tranqüilizando Ayumi e meus filhos. Como foi tudo?


KOHARO – Abi já enviou a amostra de sangue. O DDM-145 está lá. (ela respira fundo) – E Guy? Como ele está?


AZUMA – Já está consciente, mas muito abalado. Aquelas drogas usadas nele fizeram um belo estrago.


KOHARO – Eu me sinto tão mal por isso e...


AZUMA – Agora já foi, Koharo. (ele coloca a mão no ombro dela) – Você quer vê-lo?


KOHARO – Eu posso?


AZUMA – Não vejo problema nenhum.


KOHARO – Eu vou sim e...


Koharo para de falar ao avistar Sango, Soten e Tamira. O fato delas ainda estarem lá era sinal de que a Agência Imperial ainda não tinha permitido a visita á Miroku.


KOHARO – Eu tenho um pouco de pena delas. Não pode fazer nada para ‘agilizar’ isso?


AZUMA – A Agência Imperial está no comando. Estou de mãos atadas.


Naquele momento Abi sai de sua sala, depois de falar com um subalterno, e se dirige á Sango, Soten e Tamira. Por isso, Azuma e Koharo se juntam á elas para ouvir as palavras da superintendente da Agência Imperial.


ABI – Como vocês já sabem, nós, da Agência Imperial, estamos investigando um caso sigiloso e por isso mantivemos Miroku incomunicável, mas concluímos que ele não tem envolvimento algum.


SANGO – Então ele está livre?


ABI – Ele cometeu alguns delitos, mas que não são da nossa alçada. Isso é assunto com o departamento de polícia.


AZUMA – Eu cuidarei do caso pessoalmente.


ABI – Então Miroku é seu. Ele já pode receber visitas.


KOHARO – Isso é maravilhoso.


SANGO – Não tem necessidade de todo mundo ir junto. Eu, Tamira e Soten vamos primeiro.


AZUMA – Como quiser. Eu tenho que fazer os preparativos para a transferência dele para o departamento de polícia.


KOHARO – E eu vou visitar Guy.


AZUMA – Eu vou com você.


E sendo assim, Koharo e Azuma foram para a enfermaria da Agência Imperial enquanto Sango, Soten e Tamira foram para sala onde Miroku estava. A cada passo que a aproximava da sala, Sango sentia seu coração disparar. Ela iria rever Miroku depois longos cinco anos. Estava confusa e tinha um pouco de medo do que iria sentir. Soten percebeu isso.


SOTEN – Está nervosa, não é?


SANGO – Muito. Desde o momento que soube que ele estava vivo, queria vê-lo.


SOTEN – Você ainda o ama, não? Mesmo estando noiva de Zakira, nunca deixou de amá-lo, não é verdade?


SANGO – Eu não sei. Eu só quero vê-lo para saber o que sinto. Ou se ainda sinto.


SOTEN – Eu também sinto a mesma coisa.


Soten segurou a mão de Sango em sinal de apoio, pois a jovem também estava querendo ver Miroku desde o momento que soube que ela era filha reconhecida dele. E mesmo muito sendo muito pequena, Tamira também estava ansiosa para estar com o pai. As três chegaram á porta da sala e o agente imperial, que as conduziu, se retirou do local. Sango e Soten ficaram paradas diante da porta. Talvez paralisadas pelo medo do que iam ver então coube á Tamira, sem permissão da mãe, abrir a porta e assim encontrar Miroku sentado em uma cadeira. Ele estava meio debilitado devido ao uso de drogas no interrogatório médico pelo que passou, mas como foi por pouco tempo, ele não ficou no estado de Guy. Ele ficou extremamente feliz ao ver a pequena Tamira correndo em sua direção.


MIROKU – Tamira?! (ele abre os braços)


TAMIRA – Papai.


Tamira se joga nos braços de Miroku sob os olhares emocionados de Sango e Soten que puderam presenciar como a menina se encantou com o pai mesmo nunca tê-lo visto pessoalmente.


MIROKU – Saiba Tamira que eu pensei em você desde o momento que soube que sua mãe estava grávida. (ele beija a testa dela) — Desde aquele momento não teve um dia que não imaginei como seria seu rostinho.


TAMIRA – Eu já vi fotos do senhor.


MIROKU – Mesmo?! Você parece bem inteligente para sua idade.


TAMIRA – E eu estou me sentindo melhor.


MIROKU – Claro que está. (ele passa a mão na cabeça dela) – Eu disse que ia ficar bem e disse também que assim que acordasse, o primeiro rosto que veria seria de sua mãe.


TAMIRA – É. (olhando para Sango para depois voltar á olhar para Miroku) – Mas o senhor disse também que ia me levar para tomar sorvete.


MIROKU – Claro, mas só se sua mãe deixar, lembra-se?


Tamira olha para Sango como se pedisse sua permissão e a detetive respondeu sem falar nada, apenas com um sorriso que foi plenamente entendido pela menina.


TAMIRA – Ela deixou.


MIROKU – Então estamos combinados. Assim que resolver alguns problemas, vou te levar para tomar um gostoso sorvete de chocolate


Sango admirou a alegria da filha. A menina estava feliz como nunca a mãe a tinha visto na vida e naquele momento Miroku olha para Soten e fica admirado como ela estava crescida e por isso lhe estende a mão, querendo que ela se aproximasse dele.


MIROKU – Os seus olhos são inconfundíveis, Soten.


SOTEN – Senhor Miroku. (ela vai até ele) – Eu...


MIROKU – Você se tornou uma jovem muito bonita, além de forte e batalhadora. Como pai, eu sinto orgulho.


SOTEN – Então o senhor vai me aceitar como filha?


MIROKU – E por que não aceitaria?


SOTEN – Bem, eu soube que o reconhecimento foi devido aos nossos sumiços e porque o senhor me levou para China. Não foi uma coisa planejada e...


MIROKU – Está enganada, Soten. Pode não ter sido do jeito que eu queria, mas te adotar estava no meu planejamento sim. Desde o momento que eu a trouxe para minha casa a fim de protegê-la da Ordem da Espada Morta, você entrou no meu coração.


SOTEN – Eu nem sei o que dizer.


MIROKU – Não precisa dizer nada. Apenas abrace seu pai.


Diante daquele pedido, Soten não resistiu e se jogou nos braços de Miroku para sentir, talvez pela primeira vez, o amor de pai. Ainda abraçados eles conversavam.


MIROKU – Eu soube que treinou com o Mestre Zhi.


SOTEN – Sim e eu fiquei bem forte.


MIROKU – Eu não duvido. (ele passa a mão na cabeça dela) – Eu sinto muito por não ter cumprido a minha promessa de trazê-la de volta e...


SOTEN – O senhor não teve escolha. Fez tudo isso por Tamira. (ao ouvir aquele relato Miroku cessou o abraço para olhar nos olhos de Soten)


MIROKU – Saiba de uma coisa, Soten. Você é tão importante para mim quanto Tamira. Faria a mesma coisa se sua vida estivesse em perigo.


SOTEN – Eu sei. Eu acredito. (ela olha para Tamira) – Agora eu tenho uma irmã mais nova.


MIROKU – Tem sim.


Soten percebe que Miroku não só olhava para Tamira, mais também para a Sango e por isso ela se manifestou para Tamira.


SOTEN – Como irmã mais velha é meu dever lhe dar alguns conselhos.


TAMIRA – Conselhos?! Que conselhos?


SOTEN – Sobre garotos, mas acho que sua mãe não vai gostar de ouvir isso, portanto vamos conversar lá fora.


TAMIRA – Ta.


Soten deu uma piscada para Sango para em seguida levar Tamira para fora da sala deixando a detetive, sozinha, na sala com Miroku.


SANGO – Acho que Soten fez isso de propósito. Para nos deixar á sós.


MIROKU – Eu também acho.


SANGO – É.


Diante do constrangimento daquele reencontro, um silêncio se estabeleceu na sala. Ambos passaram por muitas coisas nesses cinco anos que sinalizava que não eram mais as mesmas pessoas. Coube á Miroku quebrar o silêncio.


MIROKU – Acho que quer saber como sobrevivi á explosão do carro, não é?


SANGO – Isso me passou pela cabeça. (olhando de lado)


MIROKU – Sei.


Calmamente Miroku contou que, de algum jeito, Natsume soube que Gatenmaru estava no helicóptero, á mando de Toutoussai, para ameaçá-lo a fim de forçar InuYasha a entregar a prova contra Kanna. Ele disse que Natsume estava atrás de informações sobre Takeshi e que talvez encontrasse algo em seu corpo. Por isso mandou alguns homens no local onde o carro explodiu. Miroku contou que um pescador conseguiu tirá-lo antes da explosão, mas infelizmente eles foram encontrados pelos homens de Natsume, que se surpreenderam pelo fato do advogado estar vivo. Enquanto Miroku contava á Sango suas experiências nesses cinco anos, Azuma e Koharo já estavam na enfermaria da Agência Imperial para ver Guy, que embora consciente, ainda estava deitado e muito debilitado. Ele se surpreender em ver as duas figuras em sua frente.


GUY – Eu já sei de tudo. Abi me contou o que Miroku disse.


AZUMA – Então sabe que fui eu quem pegou seu cartão e o deu para Koharo para que ela ajudasse Miroku, não é?


GUY – Como puderam fazer isso comigo?


AZUMA – Eu assumo a responsabilidade, Guy. Mas fique sabendo que não imaginávamos que a Agência Imperial iria se intrometer e...


GUY – Mas ela se intrometeu! E olha o que fizeram comigo. Torturaram-me e eu não sabia o que dizer, pois não sabia de nada. Fui usado como ‘boi de piranha’.


AZUMA – Olha Guy, eu... (ele para de falar ao ouvir o toque de seu celular) – Eu tenho que atender. Já volto.


Azuma sai da sala a fim de atender o aparelho deixando Koharo á sós com Guy. Era visível o desapontamento dele pela atitude dela.


GUY – Você, Koharo, foi a pior de todas! Sabia o que eu sentia por você e usou isso. Usou minha afeição. Usou o meu amor.


KOHARO – Eu não fiz isso. Desculpa-me. Eu não sabia que seriam tão duros com você, mas é que...


GUY – Mas é que precisava ajudar o homem que é o grande amor de sua vida, nem que para isso usasse o ‘trouxa’ aqui.


KOHARO – Não fale assim, Guy. Eu nunca te considerei um ‘trouxa’.


GUY – Mas é isso que sou. Eu devia ter dado ouvidos á Sango quando ela me falou que você gosta de usar as pessoas. Eu sei que fez isso por uma boa causa. Salvar a filha do homem que ama, mas devia ter confiado em mim. Eu te ajudaria.


KOHARO – Eu não queria que se metesse em problemas e...


GUY – Não queria?! Olha só onde estou. Fui torturado por horas. Quer problema maior que esse?


KOHARO – Eu já te pedi desculpas e...


GUY – Eu quero que você e suas desculpas vão para o raio que os partam. (ele derrama algumas lágrimas) — Eu tenho verdadeiro desprezo por você.


Ouvir aquelas palavras doeu fundo na alma de Koharo. Ela sabia que Guy a amava, mas sabia também que o que ele passou mudava qualquer sentimento, pois agora ele a desprezava. Naquele exato momento Azuma retornou ao local.


AZUMA – Temos que ir, Koharo. Precisamos falar algo urgente para Sango e Miroku.


KOHARO – O que?


AZUMA – No caminho eu te conto. (ele olha para Guy) – Quanto á você, não vou ficar surpreso em receber seu pedido de demissão


GUY – Pode apostar nisso, capitão.


AZUMA – Mas saiba que o departamento precisa muito de seus serviços. Você é um dos responsáveis pela busca do estrangulador das meias de nylon. Gostaria que ficasse.


GUY – Embora o senhor tenha participado disso, nunca se fingiu de meu amigo. Vou ficar no departamento até encontrar e capturar o estrangulador, mas depois eu peço demissão.


AZUMA – Como achar melhor. (ele olha para Koharo) – Koharo.


KOHARO – Guy, eu queria que soubesse que...


Koharo não completa a frase porque Gay vira o rosto como se fingisse estar dormindo e como para bom entendedor, meia palavra basta, Koharo entendeu o recado e se retirou da enfermaria junto com Azuma e enquanto isso, Miroku acabava de contar, á Sango, os detalhes dos cinco anos que se fingiu de morto.


MIROKU – A intenção de Natsume era me torturar para que eu falasse o que sabia sobre Takeshi, mas horas mais tarde, ela soube que você estava grávida e...


SANGO – E decidiu usar isso contra você, não é?


MIROKU – Sim. Ela me chantageou implantando o DDM-145 em Tamira.


SANGO – Foi aquele miserável do Zakira. Como eu pude ser tão tola? Quase que me casei com ele.


MIROKU – Para ver o grau de influência de Natsume. Foi por isso que fiz o que fiz. Enganar todo mundo. Não poderia avisar nenhum de vocês sem colocar a vida de Tamira em perigo.


SANGO – Mas você confiou em Koharo.


MIROKU – Isso é diferente. Eu e Koharo já tínhamos planejado colocá-la como espiã. Com minha ‘morte’, apenas houve algumas mudanças no plano.


SANGO – Agora eu me pergunto o motivo de tudo isso. Por que Natsume fez tudo isso? Ela poderia usar outra pessoa em seu lugar sem se arriscar a ser traída.


MIROKU – Acho que isso é pessoal. É uma espécie de vingança pela morte de Naraku.


SANGO – Natsume nos culpa pela morte de Naraku?! Mas foi ele mesmo que decretou sua própria morte quando decidiu usar o poder da jóia de quatro almas nele mesmo. Sem falar que se tem alguém para Natsume culpar é a ex. filha de Naraku. Kanna tramou tudo.


MIROKU – Foi nisso que pensei durante esses cinco anos. O que motiva Natsume? Qual o interesse dela em Takeshi? Em Zuza? Mas primeiro eu tenho que resolver minha situação.


SANGO – É sobre isso que quero falar. Abi me disse que você ficará sobre a responsabilidade do departamento de polícia.


MIROKU – Isso é ótimo e...


SANGO – Não é! Acho que já sabe que Jinenji foi morto de forma cruel e que não descobrimos quem o fez, mas que, é pedido de Ryukosei, Azuma foi indicado para substituí-lo.


MIROKU – E daí?!


SANGO – Como e daí? Azuma é ligado á Ryukosei, portanto não confie nele. Eu o conheço bem.


MIROKU – Acredito que o conheça sim, pois foi com ele que você teve um caso e foi por isso também que seu pai encobriu aquele escândalo impedindo que fosse expulsa da polícia.


SANGO – Mas como você sabe que eu e o Azuma tivemos um caso?


Antes que Miroku pudesse responder aquela pergunta, Azuma e Koharo aparecem na sala e nisso, Miroku vai até Koharo para abraçá-la. Ao ver isso, Sango sentiu um pouco de ciúmes por perceber que aqueles dois tinham uma ligação forte. E assim ela percebeu também que Soten estava certa. Ela ainda amava Miroku.


MIROKU – Obrigado por tudo, minha amiga.


KOHARO – Isso não foi nada.


MIROKU – Não diminua o que fez. Eu não conseguiria sem sua ajuda.


Depois de deixar de abraçar Koharo, Miroku olha para Azuma sob o olhar curioso de Sango, que ficava tentando imaginar o que aqueles dois estavam pensando, afinal ela teve um caso com um e foi noiva do outro, e de repente, para surpresa da detetive, Miroku e Azuma se abraçaram como se fossem amigos de longa data. Sango não agüentou aquilo.


SANGO – O que significa isso?! (encarando os dois) – Vocês se conhecem?


MIROKU – Claro que sim, Sango.


SANGO – Mas como?


AZUMA – Caso não saiba, eu e seu pai já fomos membros da ‘rede secreta’ que Miroku participou.


SANGO – Hã!?


MIROKU – Sango, como você acha que eu fiquei sabendo que tinha sido quase expulsa da polícia? Foi Azuma que me contou.


SANGO – Então ele te ajudou também nesse esquema?


MIROKU – Exato. Claro que eu não esperava que Ryukosei o colocasse no cargo de capitão, mas isso foi uma grata surpresa e facilitou bem o meu plano


SANGO – Ok. (ela olha para Azuma) – E por que você não me disse nada? Eu poderia ajudar.


AZUMA – Acontece que eu trabalhava diretamente com Ryukosei. Eu tive que fazer com que ele acreditasse que você não gostava de mim, que não confiava em mim. Caso contrário, poderia colocar a missão de Miroku em risco.


MIROKU – Aposto que esse foi um dos motivos para Ryukosei ter te contratado. Infelizmente não há nenhuma ligação entre ele e Natsume.


SANGO – A não ser a necessidade dela de querer informações sobre Takeshi, inimigo declarado de Ryukosei. (ela fica pensativa) – Ah sim! E também pelo fato da fonte de Momiji ser Ling.


MIROKU – Ling?!


SANGO – Sim, a secretária de Ryukosei. Ela é a fonte de Momiji sobre informações de Natsume. Infelizmente ela morreu.


AZUMA – Não foi só Ling que morreu. Fiquei sabendo agora pouco que Momiji também faleceu no hospital.


MIROKU – Isso é uma pena. Momiji poderia nos dar mais informações.


SANGO – A Agência Imperial está cuidando de toda a investigação. Já devem estar vasculhando a casa de Ling.


KOHARO – Eu não entendo o motivo do envolvimento da Agência Imperial. Por que eles estão investigando?


SANGO – Confidencial. É só o que ouvimos quando queremos saber de algo. Desista de tentar descobrir e...


MIROKU – Talvez não.


Miroku começa a andar e todos, curiosos em saber o que ele iria fazer, o seguem. Miroku vai até a sala de Abi, que ficou surpresa com tal aparição.


ABI – Achei que já estaria longe. (ela se senta em sua cadeira) – Quer mais alguma coisa?


MIROKU – Sim. Eu quero saber o real motivo do envolvimento da Agência Imperial.


ABI – Infelizmente isso é confidencial e...


MIROKU – Eu já ouvi esse papo! (ele bate na mesa dela) — Agora quero ouvir a verdade.


ABI – Melhor se acalmar, senhor Miroku a não ser que queira ser detido de novo.


MIROKU – Vocês já me investigaram e sabem que não estou envolvido com nada. (ele respira fundo) – Olha senhora Abi. Eu não estou pedindo detalhes da investigação, eu só quero saber a natureza do envolvimento da Agência. Parece algo grande. Se me contar, talvez eu ajude.


ABI – Como?


MIROKU – Eu tive ajuda de Takeshi para armar esse plano. Ele me deu um dispositivo que bloqueia a triangulação das chamadas de celular, impedindo sua localização. Esse dispositivo era só uma parte. Então o resto está com o próprio Takeshi.


ABI – Entendo. Com isso podemos localizar Takeshi e provavelmente Natsume. Esse aparelho deve estar dentro do celular que estava usando. Vamos tentar. (ela pega o telefone para falar com outro agente) – Mesmo me ajudando, Miroku, não posso contar o que você quer saber.


MIROKU – Nem mesmo se vier á publico o aparecimento do DDM-145 que se não me falhe a memória foi deixada sob responsabilidade de do Imperador. Se isso vier á tona será muito embaraçoso para o Imperador, não?


ABI – Nós já recuperamos o DDM-145. Se contar á imprensa, será sua palavra contra a nossa. Levando em conta o que você fez no dia de hoje, em quem acha que o publico acreditaria?


MIROKU – Abi se esqueceu de um pequeno detalhe. De uma pessoa, para ser mais preciso. Kuno.


ABI – Kuno?!


MIROKU – Vocês não o encontraram e garanto que não o encontraram. Foi ele que tirou o DDM-145. Ele tem o relatório médico e sabe o que estava no corpo da minha filha e o mais importante. Eu posso encontrá-lo.


ABI – Sabe que é um crime grave chantagear uma agente imperial, não sabe?


MIROKU – Eu não queria fazer isso, Abi, mas você não está me deixando escolha. Você não percebe? Se eu quisesse fazer algum mal ao Imperador já teria falado do DDM-145. Tem a minha palavra de que nunca saberão sobre essa bactéria se me contar a natureza do envolvimento da Agência Imperial.


ABI – Quer muito saber disso, não? (ela fica pensativa) – Ok! Acho que posso confiar em você e nos seus amigos.


Abi contou á Miroku que a Agência Imperial foi informada da existência de um plano da destronar o Imperador ou abalar a Monarquia daquele país. Abi não disse os detalhes, mas falou que a pista era fundamentada por uma fonte altamente confiável. Depois de ouvir tudo aquilo, Miroku saiu da sala para falar com o resto do pessoal que estava do lado de fora da sala.


SANGO – O que Abi falou?


MIROKU – Tem a ver com a vida do Imperador. Por isso o envolvimento, mas não acho que esse seja o plano de Natsume. O que ela quer é algo pessoal contra nós.


AZUMA – O que vocês pensam em fazer?


SANGO – Temos que nos reunir com o resto do pessoal e compararmos o que sabemos e descobrimos. Talvez algo saia daí e...


SOTEN – Tem um problema. (ela aparece de repente diante deles)


MIROKU – O que foi, Soten?


SOTEN – Se está se referindo á InuYasha e Sesshoumaru e mais os outros como resto do pessoal. (ela entrega Tamira á Sango) — Eles tem outras coisas para pensar.


SANGO – Do que está falando?


SOTEN – Satsuki está grávida de Shippou. É disso que estou falando.


MIROKU – Ok! Vamos dar um tempo, mas não pode demorar muito. Natsume ainda está por aí e certamente vai aprontar algo. Não devemos abaixar a guarda.


AZUMA – Seja o que for, devemos pensar nisso amanhã. Não há nada que possamos fazer hoje.


MIROKU – Acho que tem razão.


AZUMA – Infelizmente você terá que passar essa noite na cadeia do departamento, pelo menos até regularizarmos sua situação. Mas não se preocupe. Não será processado e nem nada.


MIROKU – Entendo, mas e quanto á Soten?


SANGO – Ela vai dormir na minha casa. Nós já combinamos que ela tomará conta de Tamira enquanto estiver trabalhando. E as coisas delas estão lá mesmo.


MIROKU – Obrigado, Sango. (ele se aproxima dela) – Eu quero que entre em contato com InuYasha, Kagome e os outros e conte o que o que falamos.


SANGO – Ta. Pode deixar. (ele segura a mão dela)


MIROKU – Obrigado de novo.


SANGO – Acho que é o mínimo que posso fazer depois do que fez por minha... quer dizer, nossa filha.


MIROKU – Nos vemos amanhã.


Miroku, junto com Azuma, se afasta de Sango e das outras. Ele ainda estava tentando entender o que Natsume queria com aquele código fornecido por Zuza, mas como não tinham nenhuma pista, nada poderia ser feito e enquanto isso, na sede do partido trabalhista, mais precisamente na sala de imprensa, Kagome e Benji acabavam de entrar para se sentarem um em cada cadeira. Ver a figura de Kagome foi uma enorme surpresa para a maioria dos jornalistas presentes na sala, pois esperavam Gakusajin.


BENJI – Vou ser o mais breve possível. Não houve a realização das prévias, pois Gakusajin resolveu desistir da disputa e assim acabamos de referendar o nome de Kagome como candidata.


KAGOME – Estou pronta para responder suas perguntas e esclarecer, se possível, suas dúvidas sobre minha candidatura.


Em meio á flashs de câmeras e celulares, Kagome era oficialmente reconhecida como candidata do partido trabalhista á prefeitura de Tóquio. Ela estava realizando sua primeira entrevista como candidata oficial. Levados á um local estratégico para que pudessem ver a entrevista, InuYasha, Shippou e Genku estavam muito orgulhosos de Kagome. Naquele momento o celular de InuYasha começa a tocar. Ele se afasta um pouco para poder atender o aparelho.


INUYASHA – Alô.


SESSHOUMARU – Sou eu, InuYasha. Precisamos conversar sobre nossos filhos. E é sério. E acho que sabe do que estou falando, não é?


INUYASHA – Quando está falando de nossos filhos, acho que não está se referindo á Genku e Sara. Então já sabe de tudo sobre Shippou e Satsuki?


SESSHOUMARU – Sei. É por isso que devemos conversar.


INUYASHA – Isso terá que ficar para amanhã. Kagome está sendo oficializada como candidata á prefeitura. Está na TV.


SESSHOUMARU – Então amanhã reuniremos a família para discutir essa situação e como deveremos lidar com ela daqui para frente.


INUYASHA – Concordo. Amanhã nos falamos.


Sesshoumaru desliga seu celular e volta para o sofá a fim de ficar sentado ao lado da esposa para em seguida ligar a TV no mesmo instante em que Satsuki estava descendo as escadas. Sesshoumaru percebeu isso.


SESSHOUMARU – Chegou em boa hora, querida.


SATSUKI – Mesmo?! (ela se senta ao lado dele) – O que foi?


SESSHOUMARU – Sua tia será candidata á prefeita.


RIN – Kagome conseguiu vencer as prévias?! Mais isso é surpreendente. Que maravilha. Minha amiga deve estar tão feliz.


SESSHOUMARU – Vamos ver isso pela TV. (ele olha para a filha) – Saiba que discutiremos a sua situação amanhã, ok?


SATSUKI – Ok.


E assim os três voltaram a prestar atenção na TV, pois, de fato, a entrevista estava sendo transmitida por várias emissoras de TV e portanto sendo assistida por vários telespectadores. Entre esses telespectadores estava Ryukosei, que estando em seu gabinete na prefeitura junto com Elisa, assistindo o resultado da convenção que definiu seu adversário.


RYUKOSEI – Então é Kagome a minha adversária?


ELISA – O que será que fez Gakusajin desistir?


RYUKOSEI – Eu não sei.


ELISA – O que acha?


Diante daquela pergunta, á princípio, Ryukosei não responde e apenas se levanta da cadeira e calmamente vai até a TV para desligá-la e depois novamente de maneira calma se vira para a esposa e sorri.


RYUKOSEI – Essa eu já ganhei.



Próximo capítulo = Uma grande decisão – parte 1