Noite sem Fim

68 Uma nova fase - parte 1


InuYasha esfregava os olhos para ter certeza de que via o que estava vendo. Era verdade. Aquilo não era nenhuma encenação. Kagome estava viva e ele não conseguia esconder as lágrimas de felicidade. Abi ainda sim queria alguma explicação.


ABI – Você me disse que Miroku tinha matado Kagome.


INUYASHA – Eu sei. Foi meu filho que viu através de um link digital.


ABI – Pelo jeito você foi enganado, assim como seu filho. (ela respira fundo) – Acho que irá querer ver sua esposa, não é?


INUYASHA – Sim, mas quero antes falar com Miroku.


ABI – Está bem, mas só um pouco. Eu estarei observando tudo.


INUYASHA – Tudo bem.


E assim, InuYasha e Abi vão á direção da sala onde Miroku estava. Apesar de Kagome estar viva, ele ainda era considerado um criminoso. Enquanto Abi se junta a Azuma na sala ao lado, InuYasha entra na sala de interrogatório e fica observando Miroku, ainda algemado.


MIROKU – Você está com uma expressão mais serena, o que significa que já sabe da verdade.


INUYASHA – Sim. Eu vi Kagome na TV.


MIROKU – E então o que está fazendo aqui? Devia estar com ela nesse momento.


INUYASHA – Mas como você fez isso? Como conseguiu enganar todo mundo? Não poderia ter usado uma imagem falsa, pois isso enganaria somente Shippou, mas tinha Zuza em sua frente.


MIROKU – O traje de soldado que a obriguei a usar tem muito a ver com isso. Quanto aos detalhes, pergunte á Kagome quando se encontrar com ela.


INUYASHA – Então aquele aparelho piscando era um sinalizador?


MIROKU – Sim. Foi Koharo que mandou um sinal de que Tamira está bem e que já retiraram o DDM-145 do corpo dela. Koharo a está trazendo para cá.


INUYASHA – Isso é ótimo. Sango está vindo para cá também.


MIROKU – Que bom. Agora vá.


INUYASHA – Mas e o que vai acontecer com você?


MIROKU – Provavelmente serei processado, pois não importa meus motivos. Cometi crimes e tenho que pagar por isso.


INUYASHA – Mas quanto á Tamira e Soten? Como vai ser a vida delas sem você presente?


MIROKU – Tudo que fiz nos últimos cinco anos foi por elas. Elas estão vivas e bem. Isso é o que importa. Acho que isso que é paternidade, não?


INUYASHA – Eu sinto muito, meu amigo. (naquele momento um agente imperial entra na sala) – Acho que chegou a minha hora.


MIROKU – É.


INUYASHA – Novamente eu sinto muito.


InuYasha sai da sala e imediatamente vai para a sala ao lado falar com Abi na presença de Azuma.


ABI – Faremos outro interrogatório para coletarmos o que ele sabe, mas duvido que ele saiba de algo que nos ajude. Ainda sim merecemos algumas explicações.


INUYASHA – O que vai acontecer com ele?


ABI – Será processado e provavelmente condenado apesar de, aparentemente, não ter nenhuma relação com o caso em que estamos investigando.


INUYASHA – E é claro que você não vai contar os detalhes desse caso, não é?


ABI – Já fiz muito em deixá-lo falar com ele. Agora é hora de sair e ver sua esposa. (ela se afasta deles) – Conhece a saída.


Abi sai da sala deixando InuYasha á sós com Azuma. O marido de InuYasha ia sair, mas para ao perceber que Azuma ainda estava lá.


INUYASHA – O senhor vai ficar?


AZUMA – Sim. Tenho que ver a situação de Guy. Ele ainda está no ambulatório.


INUYASHA – Quando ele acordar agradeça-o por mim. Afinal ele também participou dessa operação que salvou todo mundo e...


AZUMA – Está enganado. Guy não participou de nada, mas agora é melhor você ir.


Mesmo sem entender o que Azuma queria dizer, mesmo triste pela situação de Miroku, InuYasha não conseguia esconder a alegria de saber que Kagome estava viva e por isso foi correndo para a saída da Agência Imperial, mas antes de sair ele acaba se encontrando com Sango, que fica surpresa com o sorriso dele.


SANGO – InuYasha?! Está sorrindo.


INUYASHA – Sim, minha amiga. Estou sorrindo de felicidade. Kagome está viva. Miroku não a matou. Foi tudo uma armação.


SANGO – Armação?! Mas que história maluca é essa?


INUYASHA – Não é maluquice não. E tem mais. Miroku disse que Tamira está viva e sem o DDM-145 no corpo.


SANGO – Isso é sério?! Você não está brincando?


INUYASHA – Eu nunca brincaria em uma situação dessas, Sango. Pode acreditar. Sua filha está bem. Koharo está vindo para cá com ela. Os detalhes você pode perguntar á Miroku. Agora eu tenho que ir para a sede do partido trabalhista. Kagome está lá.


SANGO – Mas como...


INUYASHA – Eu tenho que ir.


InuYasha não conseguia esperar mais em rever Kagome e saiu deixando Sango falando sozinha e enquanto isso em frente á sede do partido trabalhista, Kagome tinha acabado de dar uma entrevista coletiva sobre seu surpreendente resgate, mas ela preferiu não entrar em muitos detalhes, pois ainda tinha uma convenção para participar. Tanuki estava do lado dela. Então ambos entraram no prédio do partido.


TANUKI – Por que não contou tudo que aconteceu?


KAGOME – Você ainda vai ver os meus motivos.


TANUKI – Eu vou querer saber desses motivos. Miroku conseguiu enganar direitinho todo mundo.


KAGOME – Você melhor do que ninguém sabe o quanto ele é inteligente. Eu queria ver as caras de InuYasha e Sango. (sorrindo)


TANUKI – Eu também.


Kagome estava muito sorridente e naquele exato momento Gakusajin e Benji aparecem diante deles.


BENJI – Acho que falo por todos quando digo que estou feliz por você estar bem, Kagome.


KAGOME – Eu também. (ela olha para Gakusajin) – Eu queria agradecer ao senhor também. Tanuki me contou que o senhor não quis acabar com a convenção enquanto eu não voltasse.


GAKUSAJIN – Foi por respeito.


KAGOME – Eu sei. Mesmo assim eu agradeço. (ela volta a olhar para Benji) – Senhor presidente.


BENJI – Sim?


KAGOME – Estou pronta para fazer aquele meu discurso.


BENJI – Você quer mesmo fazer isso?


GAKUSAJIN – Podemos adiar a convenção para amanhã para você descansar.


KAGOME – Não há necessidade. Eu estou perfeitamente bem. Só queria um tempo, pois meus familiares estão vindos para cá.


BENJI – Tudo bem. Já adiamos por horas a convenção, podemos fazer por mais um tempo.


Kagome se curva em sinal de agradecimento e assim ela, junto com Tanuki, vai para uma sala reservada para ela e enquanto isso, Shippou e Houjo acabavam de retornar ao hospital e sem ainda saber sobre a mãe adotiva, Shippou estava temeroso em contar a ‘morte’ de Kagome para os familiares e quando adentrou no hospital foi logo recebido por um abraço de Soten na recepção.


SHIPPOU – Soten?! (surpreso)


SOTEN – Você não sabe o que nós vimos na TV sobre sua mãe.


SHIPPOU – Então já sabem que ela está...


SOTEN – Ela está viva.


HOUJO – Então ela foi encontrada?


SOTEN – Sim. Ela já apareceu na TV. Ela está na sede do partido trabalhista.


Houjo imediatamente foi para frente do balcão e ficou observando a TV enquanto Shippou tentava ainda processar a informação recebida.


SHIPPOU – Mas que brincadeira é essa, Soten?


SOTEN – Não é brincadeira! O senhor Miroku não a matou. Eu não sei como ele fez isso, mas ele fez. Todo mundo lá em cima está emocionado. Afinal o meu novo pai não é um assassino.


SHIPPOU – Eu estou tão feliz por você.


SOTEN – Eu também estou feliz por você.


Eles novamente se abraçam e quando percebem que seus rostos estavam tão próximos, um silêncio constrangedor se instalou entre eles, pois existia uma evidente atração, mas eles resistiram á ela.


SHIPPOU – Eu tenho que entregar isso á Onigumo. (mostrando a caixa)


SOTEN – Claro. (eles se afastam um pouco) – Melhor não demorar muito, pois acredito que quer ver sua mãe.


SHIPPOU – É o que mais quero.


Shippou e Soten foram ao encontro de Onigumo e enquanto isso Rin, Satsuki e Sara tinham assistido também, pela TV, a aparição de Kagome. Isso as tinha deixado muito contentes e naquele momento Sesshoumaru acabara de entrar na residência. Rin foi logo recebendo o marido com um beijo.


RIN – Ai, meu amor. Que bom que chegou.


Depois do beijo, Rin pega na mão do marido para puxá-lo para o sofá onde estavam sentadas suas filhas. Sara imediatamente vai ao encontro do pai, que a pega no colo.


SARA – O senhor demorou muito, papai.


SESSHOUMARU – Eu estive trabalhando muito, querida. (ele dá um beijo na bochecha dela) – Mas já estou aqui.


RIN – Não sabe da grande novidade.


SESSHOUMARU – Que novidade?


SATSUKI – A tia Kagome finalmente foi libertada.


RIN – Agora só resta saber sobre a filha de Sango. (ela respira aliviada) – Todos os problemas estão chegando ao fim.


SESSHOUMARU – É. (ele coloca a filha no chão) – Fique aqui, querida. Preciso conversar com sua mãe e sua irmã.


SARA – Mas...


Sesshoumaru mandou um olhar para a filha menor que a fez entender a seriedade de suas palavras e depois olhou para a esposa e filha maior para em seguida começar a andar até seu escritório particular. Rin e Satsuki também perceberam a seriedade daquelas palavras e assim seguiram o jornalista. Quando os três já estavam no escritório, ele fechou a porta e foi logo se manifestando.


SESSHOUMARU – Primeiro gostaria de falar que você estava certa no seu palpite, Rin. Aquela clínica de aborto era o local onde Kuno estava.


RIN – Isso é bom. Você chegou a ver Koharo ou Tamira?


SESSHOUMARU – Não, mas eu cheguei a falar com Kuno. Eu ameacei de desmascarar a clínica se ele não me deixasse entrar. Disse que iria fazer uma coluna sobre aquela clínica.


SATSUKI – O senhor vai fazer isso, pai?


SESSHOUMARU – Não. Sabe por quê? Porque teria que mencionar que minha filha utilizou os serviços dessa clínica.


Ao ouvir aquilo, Satsuki sentiu o chão sumir debaixo dela. Apesar de ter planejado contar sobre a gravidez ao pai, Satsuki não se sentia preparada para receber aquele olhar de reprovação e ao perceber isso, Rin se manifestou.


RIN – Tenha calma, Sesshoumaru.


SESSHOUMARU – Você quer que eu tenha calma?! Como?! (ele olha para a filha) – Quando planejava me contar sua pequena visita á clínica de aborto?


SATSUKI – Eu ia te contar, pai. Eu juro.


SESSHOUMARU – Eu sei que ia. (sendo irônico)


SATSUKI – Pai, me deixa explicar...


SESSHOUMARU – Eu não quero saber das suas explicações. Estou muito decepcionado com você, Satsuki. Achei que fosse mais esperta, mas acho que me enganei.


As lágrimas começaram a cair pelo rosto de Satsuki devido ás palavras duras ditas pelo seu pai e assim e sai correndo do escritório para subir até seu quarto. Diante daquela situação Rin se manifestou.


RIN – Afinal de contas, o que está fazendo?


SESSHOUMARU – Agindo como um pai. (ele encara a esposa) – Você tinha ter me contado assim que soube. Era sua obrigação como esposa.


RIN – Escute aqui, Sesshoumaru. Eu sou sua esposa e não sua espiã. Satsuki confiou um segredo a mim e eu prometi guardá-lo desde que ela lhe contasse a verdade. Ela iria fazer isso, mas antes você surtou com esse discurso conservador, que apenas provou que eu estava certa em não ter te contado nada.


SESSHOUMARU – Belas palavras que não eliminam o fato da minha filha ter corrido risco de vida nas mãos desses ‘açougueiros’. Sabe se lá o que poderia ter acontecido. Mesmo contra a vontade dela, Satsuki vai ser levada á um médico de verdade para termos certeza que não ficou nenhuma seqüela e...


RIN – Do que está falando?! Você acha que a Satsuki fez um aborto?


SESSHOUMARU – E ela não fez? Eu falei com Kuno e ele me disse que ela apareceu na clínica dele e...


RIN – Ela fez uma consulta, mas não utilizou os serviços.


SESSHOUMARU – Espere aí! Então está dizendo que Satsuki...


RIN – Sim. Ela ainda está grávida. Ela não fez o aborto, mas ela estava decidida a fazê-lo. Por sorte, Shippou a convenceu do contrário.


SESSHOUMARU – Shippou?! Então ele e Satsuki...


RIN – Sim.


SESSHOUMARU – Mas eu achei que estavam separados e que não se gostavam mais.


RIN – Achou errado. Eles ficaram juntos duas noites na casa dele e o resto da história você já deve imaginar. InuYasha veio aqui mais cedo para dar apoio aos dois e...


SESSHOUMARU – InuYasha veio aqui? Então ele sabe que o filhinho dele engravidou a minha filha e não me contou nada?


RIN – Isso foi antes dele saber que Kagome foi seqüestrada. Acha que ele tinha cabeça para pensar em outra coisa? O que importa é que Shippou não fugiu de suas responsabilidades.


SESSHOUMARU – Ainda bem, pois se fugisse, eu iria atrás. Quer saber? Eu vou atrás dele e...


RIN – Você não vai a lugar nenhum. Kagome acabou de reaparecer. Deixe-o curtir esse momento. Falamos disso amanhã. O que você tem que fazer é falar com sua filha, mas primeiro tem que se acalmar.


SESSHOUMARU – Acho que está certa. (Rin vai até ele para abraçá-lo)


RIN – Não devia se sentir tão mal. Não é o fim do mundo. Essas coisas são mais corriqueiras do que imaginamos. Não se lembra? Eu tinha a idade da Satsuki quando você me fez mulher. Eu me lembro daquilo como se fosse ontem.


SESSHOUMARU – Eu também. Nunca vou me esquecer daquela noite.


Sesshoumaru e Rin se beijam ao se lembrarem da primeira noite juntos, á dez anos atrás, e enquanto isso no Hospital Memorial, Shippou estava diante de Onigumo em seu quarto onde exibia o fragmento da jóia de quatro almas.


ONIGUMO – Acho que amanhã terei alta do hospital, portanto é melhor você ficar com esse fragmento.


SHIPPOU – Mas qual é o plano com esse fragmento?


ONIGUMO – Amanhã a gente conversa com mais calma. Com toda a turma reunida. Agora você tem que ir á sede ver sua mãe. Sei que está louco para isso.


SHIPPOU – Estou sim. Então amanhã a gente se vê.


De posse da caixa que continha o fragmento da jóia, Shippou sai do quarto onde Onigumo ainda estava internado e acaba se encontrando com Soten do lado de fora. Ela parecia meio preocupada.


SHIPPOU – O que foi, Soten?


SOTEN – Um carro oficial do partido trabalhista está estacionado aqui em frente. Genku já está lá. Acho que foi á pedido de sua mãe.


SHIPPOU – Mas é claro que foi. Ela devia imaginar que eu não tinha como chegar até lá. Kagome pensa em tudo, mas por que está com essa cara de preocupação?


SOTEN – Sua avó. Ela disse que não vai. Ela acha que sua mãe ainda está chateada com ela, mas eu não entendo o porque.


SHIPPOU – Aconteceram algumas revelações as quais eu não tive tempo de te contar, mas Kagome ficou muito chateada, mas acredito que esse não é o momento para guardar raiva.


E assim Shippou foi até o quarto onde Souta estava internado. Ele, Shiori e Houjo tentavam convencer a senhora Higurashi a ir ver Kagome, mas ela se mantinha irredutível. Ao entrar, Shippou se manifestou.


SHIPPOU – Acho que devia vir com a gente, vó.


HIGURASHI – Shippou.


SHIPPOU – Se quer uma chance de refazer sua relação com Kagome, o momento é esse.


SOUTA – Ele tem razão, mãe.


HIGURASHI – Eu não sei. Eu não quero receber novamente aquele olhar reprovador. Eu não suportaria.


A senhora Higurashi estava de cabeça baixa até que percebe os pés de Shippou próximos á ela e assim ela levanta o rosto e vê o neto adotado lhe estendendo a mão.


SHIPPOU – Eu não estou pedindo que vá só por ela, mas por mim também e antes de tudo pela senhora. Diga á ela o quanto precisa dela.


HIGURASHI – Acha mesmo que ela vai me receber?


SHIPPOU – Eu não sei, mas no lugar da senhora, eu tentaria. Não podemos mudar o passado, mas podemos aprender com ele. Seja mãe dela. Mesmo que não admita, Kagome precisa da senhora.


Aquelas palavras gentis de Shippou, que ainda estava com a mão estendida, fizeram a senhora Higurashi esboçar um sorriso e assim ela segurou a mão de Shippou para juntos saírem do quarto, deixando Souta, Shiori e Houjo á sós.


SOUTA – Você não quer ir com eles?


SHIORI – Não precisam de mim. (ela passa a mão nos cabelos dele) — Eu prefiro ficar aqui com você.


SOUTA – Mas e você, Houjo?


HOUJO – Bem que eu queria ver Kagome, mas fica para outro dia. Eu tenho outra missão á fazer. (ele se afasta) – Vou deixar os pombinhos á sós.


Depois dessas palavras, Houjo sai do quarto, desce até a recepção onde encontra Soten.


HOUJO – Já foram?


SOTEN – Já! Podemos ir então?


HOUJO – Claro, mas eu pensei que queria ficar junto de Shippou. (eles saem do hospital)


SOTEN – Esse é um momento familiar. (eles vão á direção do estacionamento) — Não há espaço para mim e, além disso, tenho a minha nova família para ver.


HOUJO – Tem certeza de que quer ver Miroku depois de tudo que ele fez?


SOTEN – Eu não só tenho certeza disso como preciso também.


HOUJO – Ok.


Eles chegam ao carro dele para em seguida entrarem no veículo para que Houjo levasse Soten até a sede da Agência Imperial e enquanto isso na própria sede da Agência Imperial, Sango estava discutindo com Abi na sala dela porque ela não estava permitindo que ela visse Miroku.


ABI – Eu já disse, detetive. Miroku está incomunicável até que seja apuradas algumas dúvidas.


SANGO – Mas que dúvidas?


ABI – Isso é confidencial. (naquele momento a luz do interfone começa a piscar) – Se é só isso, detetive, pode-se retirar.


Vendo que era inútil argumentar, Sango saiu da sala e ao ver isso, Abi aperta o interfone. Era um agente imperial querendo dar novas informações.


ABI – Pode falar.


AGENTE – Já verificamos todos os locais indicados por InuYasha, mas não há sinal de Natsume.


ABI – InuYasha disse que o filho conseguiu restabelecer links digitais. Qual é o outro local?


AGENTE – É a casa de um homem chamado Kuno. Ele não está na casa.


ABI – Ok. Eu vou descobrir qualquer coisa desse homem. Continuem investigando.


AGENTE – Sim senhora.


Ainda sentada á sua mesa, Abi usa o telefone para informar seus superiores sobre os progressos da investigação sobre uma conspiração contra o Imperador e enquanto isso Sango, que ainda não tinha saído da Agência Imperial, andava de um lado para outro á espera de notícias.


SANGO – “Droga! Isso está demorando uma eternidade.” (pensando)


Sango estava com uma ansiedade quase que incontrolável e naquele momento ela vê Koharo sendo conduzida por um agente imperial, mas o que chama mais a atenção de Sango é a menina que ela segurava no colo.


SANGO – Tamira!


Sem perder mais tempo, Sango correu até eles e viu que a menina ainda estava dormindo. Alguns agentes imperiais impedem a aproximação, mas Sango só queria saber da filha.


SANGO – Ela está bem? (sendo segura por um agente)


KOHARO – Ela está sim, Sango. Só está dormindo. (ela olha paras o agente que a conduzia) – Ela é a mãe da criança.


O agente até ia ignorar aquela informação, mas ele vê, de longe, Abi balançando positivamente a cabeça e assim ele permite que Sango se aproxime. A detetive logo pega a filha no colo e não consegue conter as lágrimas. Eram lágrimas de felicidade por rever a filha.


SANGO – Ai minha flor. Não sabe como senti saudades. (beijando a testa da menina) – Eu nunca senti tanto medo na vida.


Depois de verificar que a filha estava bem, Sango observa Abi se aproximando de Koharo.


ABI – Você está bem encrencada, Koharo. Seqüestro é um crime grave.


KOHARO – Eu sei disso.


ABI – Aposto que sei, mas... (ela olha para Sango) – Você só será processada se a mãe da criança prestar queixa. Como vai ser, detetive?


SANGO – Pode deixá-la.


ABI – Eu já esperava por isso. (ela volta a olhar para Koharo) – Mas mesmo assim quero que responda algumas perguntas. Não como suspeita e sim como testemunha.


KOHARO – Sim senhora.


Abi ordena que um agente imperial conduza Koharo para uma sala reservada, mas antes disso, Sango se manifestou indo até ela.


SANGO – Espere. Koharo.


KOHARO – Hum?!


SANGO – Eu te julguei mal. Agora sei que fez de tudo para salvar a minha filha. (ela estende a mão) – Muito obrigada.


KOHARO – Não foi nada. (sorrindo) – Já falou com Miroku?


SANGO – Ainda não. (ela olha para sala onde Miroku era interrogado) – E nem sei se vou vê-lo hoje.


KOHARO – Algo me diz que você vai esperar o quanto for necessário. (o agente olha feio para ela) – Agora eu tenho que ir. Boa sorte.


SANGO – Para você também. Eu nunca vou esquecer o que fez.


E assim Koharo é conduzida para uma sala reservada sob os olhares de Sango. A detetive ainda estava confusa em relação ao que poderia sentir ao rever Miroku. Era uma mistura de ansiedade e medo que aumentavam a cada segundo e enquanto isso depois de uma conversa breve com a esposa, Sesshoumaru estava mais calmo e por isso estava em frente a porta do quarto de Satsuki.


SESSHOUMARU – Sat! (ele bate três vezes na porta) – Posso entrar? Temos que conversar, filha.


Sesshoumaru acaba não obtendo nenhuma resposta e por isso toma a liberdade de abrir a porta o suficiente para colocar a cabeça e ver a filha. Ele nota que Satsuki estava na cama sentada abraçando as pernas. Notou também os olhos lacrimejados devido ao choro constante. Sesshoumaru acaba entrando no quarto indo até a cama se sentando ao lado da filha.


SESSHOUMARU – Eu fiquei sabendo que ainda está grávida.


SATSUKI – Sim. (ela volta a chorar) – Eu sinto muito, pai.


SESSHOUMARU – Não precisa chorar, querida. (ele acaricia o rosto dela) – Eu sei que fui duro com você, mas é que fui pego de surpresa.


SATSUKI – Eu te envergonhei, pai. Eu sinto muito.


SESSHOUMARU – Você não me envergonhou coisa nenhuma. (ele segura o rosto dela fazendo com seus olhares se encontrarem) – Ouça bem. Você nunca me envergonhou e nem vai me envergonhar.


SATSUKI – Obrigada, pai. Essas palavras significam muito para mim.


SESSHOUMARU – Elas são verdadeiras. (ele a abraça) – São do fundo do meu coração. (ele deixa de abraçá-la para se levantar) – Mas estou preocupado com seu futuro, filha. Um filho é muita responsabilidade.


SATSUKI – Eu sei, pai e...


SESSHOUMARU – Não sabe não! Se soubesse, teria se cuidado.


SATSUKI – Pai?! Eu pensei que estava me apoiando e...


SESSHOUMARU – Eu vou te apoiar, querida, mas não deixarei de lhe dar bronca quando errar. Esse é meu dever de pai. Foi isso que prometi a mim mesmo quando obtive sua guarda. Eu só quero que seja feliz.


SATSUKI – Farei o possível.


SESSHOUMARU – Não importa o quanto cresça, você sempre será minha menininha.


Depois dessas palavras Sesshoumaru beija a testa de Satsuki e se afasta para sair do quarto da filha, que se manifesta quando o pai coloca a mão na maçaneta da porta.


SATSUKI – Pai. (ele para e olha para a filha)


SESSHOUMARU – Sim? (ela se levanta e vai até ele)


SATSUKI – O senhor já parou para pensar que vai ser avô?


SESSHOUMARU – Já sim. (olhando para um ponto qualquer) — Vou ser um avô coruja que vai ‘estragar’ o neto. (ele volta a olhar para ela) — Ou neta.


SATSUKI – Ficar com cabelos brancos. (sorrindo)


SESSHOUMARU – Não vai demorar.


SATSUKI – Será o avô mais charmoso do mundo.


SESSHOUMARU – Mais que InuYasha?


SATSUKI – O tio Inu não chega nem perto.


SESSHOUMARU – Ok. (sorrindo) – Descanse, querida.


Sesshoumaru saiu do quarto e Satsuki ficou um pouco mais aliviada com aquela conversa, mas ainda sim se sentia incomodada em mentir para Shippou ao afirmar que o filho era dele e enquanto isso em seu mais novo esconderijo, Natsume olhava, por um telão, o noticiário sobre o aparecimento de Kagome. Ela comentava, pelo celular, isso com Elisa, que estava em outra sala na prefeitura para que Ryukosei não a visse falando.


ELISA – Parece que Miroku te enganou direitinho.


NATSUME – Mas mesmo assim eu consegui o que queria.


ELISA – O código que Zuza forneceu era válido.


NATSUME – Sim. A nossa missão pode começar amanhã mesmo.


ELISA – Agora com o apoio de Ryukosei, ficará mais fácil. (olhava Ryukosei pela fresta da porta) – Melhor eu desligar e...


NATSUME – Espere. Eu me lembrei que foram seus homens que ficaram incumbidos de procurar Gatenmaru.


ELISA – Ainda não encontraram o corpo dele?


NATSUME – Não. Isso não está me cheirando bem. Qual o nome do líder do grupo.


ELISA – Haruy. Vou deixá-lo a seu comando. (ela percebe que Ryukosei estava vindo) — Tenho que desligar. Cuido disso depois.


Elisa desliga o celular antes da chegada de Ryukosei, que parecia ansioso.


RYUKOSEI – O que está fazendo?


ELISA – Eu estava colocando em alerta meus contatos sobre nossa aliança com Natsume. Eu não queria te incomodar.


RYUKOSEI – Você sempre pensando na frente.


ELISA – Fazer trabalhos internos na CIA me treinou a sempre ficar preparada.


RYUKOSEI – Venha comigo. (ele pega na mão dela) – Vamos acompanhar juntos, o encerramento da convenção do partido trabalhista.


ELISA – É isso aí. Vamos.


Ryukosei e Elisa voltam para o gabinete central da prefeitura de Tóquio e enquanto isso na sede municipal do partido trabalhista, Kagome estava em uma sala preparando seu discurso e naquele momento alguém abre a porta. Para a alegria de Kagome era seu marido.


KAGOME – InuYasha?! (ela larga no chão tudo que estava escrevendo)


INUYASHA – Kagome.


InuYasha vai correndo para abraçar a esposa que logicamente corresponde ao gesto para em seguida selarem com um grande e apaixonado beijo onde eles externaram toda saudade que sentiram um do outro.


INUYASHA – Eu te amo, Kagome.


KAGOME – Eu também te amo.


INUYASHA – Eu nunca senti tanto medo na minha vida. (ele a abraça forte) – Eu pensei que tivesse morrido. Não sei como agüentei.


KAGOME – Deve ter sofrido muito.


INUYASHA – Mas como conseguiu escapar? Shippou tinha certeza de que viu Miroku atirando várias vezes. Eu cheguei a perguntar á Miroku como ele enganou todo mundo, mas disse para perguntar a você.


KAGOME – Foi a roupa de soldado.


INUYASHA – Ele me disse isso, mas o que tem essa roupa?


KAGOME – Ela tinha um colete á prova de bala e um recheio de uma mistura de sangue com xarope de groselha. Foi por isso que pareceu uma poça de sangue.


INUYASHA – Então você sabia do plano do Miroku?


KAGOME – Não. Segundo ele, eu não poderia saber do plano com a presença de Zuza lá. Ele poderia perceber. Apesar de eu estar protegida pelo colete, os tiros me fizeram desmaiar. Foi por isso que Miroku atirou tanto. Ele queria que eu não levantasse e nem me mexesse.


INUYASHA – Foi um plano bem ousado.


KAGOME – E que bom que deu tudo certo, mas eu vou estar feliz quando puder ver meus filhos. Eles já devem estar vindo. Eu pedi á Tanuki que enviasse um dos carros oficiais do partido para buscá-los. Infelizmente talvez não dê tempo de eles estarem presentes ao meu discurso.


INUYASHA – Kagome. Não seria melhor voltar para casa? Por que veio aqui?


KAGOME – Eu tenho algo a fazer aqui, meu amor. Vou fazer aquele discurso e quero que esteja aqui para me ver.


INUYASHA – Claro. (ele volta a beijá-la) – Vou ver seu discurso de retirada da pré-candidatura. Quero que saia por cima.


InuYasha sentia muito orgulho da esposa e naquele momento, Tanuki entra na sala.


TANUKI – Chegou a hora, Kagome.


KAGOME – Já estou indo. (ela volta a olhar para o marido) – Eu tenho que ir, meu amor. (ela o beija) – Eu te amo muito.


Depois desse beijo Kagome se afasta de InuYasha para seguir Tanuki até ao local do prédio onde estava sendo realizada a convenção do partido.



Próximo capítulo = Uma nova fase – parte 2