Noite sem Fim

86 Um novo crepusculo - parte 2


Depois de algum tempo, Abi e Rambari detalharam, para InuYasha e Cia, todos os acontecimentos daquela noite desde a não fuga de Naraku para fora do país até a divulgação das ameaças dele pela TV.

INUYASHA – Eu sabia que deixar Naraku fugir não seria uma boa idéia.

RAMBARI – Nunca imaginamos que ele não quisesse sair do país.

MIROKU – De quem foi essa idéia?

ABI – Foi de Ryukosei.

Ao ouvirem o nome do prefeito como idealizador daquele plano todos se entreolharam com uma nítida expressão negativa.

KAGOME – Tinha que ser.

SANGO – Essa foi uma péssima idéia.

ABI – Eu também acho. Fui contra na hora, mas acabei sendo convencida de que era a melhor saída.

INUYASHA – Vocês pisaram feio na bola. Não estamos aqui para aplacar a culpa de ninguém. O que querem da gente?

RAMBARI – Não sei como, mas vocês mostraram mais competência que nós ao descobrirem a localização desse lugar. Precisamos que compartilhem o que sabem desse caso.

SANGO – Agora querem nossa ajuda? Vocês todos ficaram o tempo todo escondendo informação da gente.

ABI – Era questão de segurança nacional. A vida do Imperador podia estar em risco. (ela olha para o vazio) — E ainda pode estar.

MIROKU – Não acredito que Naraku queira fazer algo contra o Imperador.

SANGO – Pelo menos não diretamente.

SHIPPOU – Talvez Naraku esteja usando isso como camuflagem para esconder algo maior.

KAGOME – Assim como essa ameaça que ele fez através da TV.

INUYASHA – Se querem nossa ajuda precisamos saber detalhadamente a ameaça contra a vida do Imperador.

ABI – Isso não é possível e...

RAMBARI – Podem nos dar um minuto?

InuYasha e Cia maneiam positivamente com as cabeças e assim Rambari e Abi se afastam dele para terem uma conversa mais reservada.

RAMBARI – Tudo que eles estão argumentando faz sentido, Abi.

ABI – Mas...

RAMBARI – Você vê outro motivo para Naraku anunciar a intenção de se vingar que não seja esconder algo maior? Eles chegaram até esse lugar. Eles podem ver algo que a gente não está vendo.

ABI – Eu ainda não sei se é uma boa idéia.

RAMBARI – Se quer mesmo proteger a vida do Imperador, precisa compartilhar essa informação com eles. InuYasha e os outros já mostraram que são de confiança.

ABI – Está bem! Está bem!

Depois dessa conversa Rambari e Abi voltam para junto de InuYasha e Cia e enquanto isso o carro onde estavam Hank e Elisa chega ao esconderijo de Naraku e Natsume. Ao saírem do veículo Elisa olha para trás chamando a atenção de Hank.

HANK – O que foi?

ELISA – Não sei, mas tenho a sensação de que estamos sendo observados.

HANK – O esconderijo tem um detector de movimentação em um raio de 30 quilômetros. Devemos agradecer aos contribuintes americanos pelo uso do dinheiro para instalar essa parafernália. (eles começam a andar em direção da entrada do esconderijo) – Vamos, querida.

ELISA – Ainda sim estou com uma estranha sensação. Experiência profissional.

Assim que Hank e Elisa se aproximam da entrada do esconderijo a mesma se abre aparecendo Natsume diante deles. A amante de Naraku exibia um sorriso arrogante.

NATSUME – Já esperava por vocês. Entrem.

Tanto Hank quanto Elisa estavam com uma expressão de desaprovação em seus rostos diante da situação e Natsume da passagem para que os dois adentrassem no esconderijo para em seguida guiá-los até a outra sala onde estava Naraku, que estava sentado tomando um drink.

NARAKU – Ora! Ora! Então você é o Hank, o americano chefão de tudo? Saiba que é um prazer e...

HANK – Chega de papo! Tanto você quanto eu sabemos que não há prazer nenhum nesse encontro. Vamos direto ao assunto.

NARAKU – Eu queria curtir esse momento, senhor Hank. Lamento que não aprecie isso...

HANK – Quer que me responda por que Diabo resolveu não sair do país e ainda divulgar aquela ameaça pela TV? O que você pretende fazer, Naraku?

NARAKU – Deveria se acalmar, senhor Hank. (ele toma um drink de uma vez) – Mas antes de contar as minhas verdadeiras intenções, devemos resolver outro problema.

ELISA – Do que está falando?

NATSUME – Ele está falando de um carro que seguiu vocês dois. (ela aponta para uma tela) – Veja vocês mesmo.

Hank e Elisa observam que o detector de movimentação do esconderijo apontou a presença de um veículo no raio de 30 quilômetros. Naraku e Natsume apenas sorriem e antes que comentem algo o detector de movimentação apontou outro carro se aproximando do primeiro.

NATSUME – Agora são dois. (ela olha para Naraku) – O que faço?

NARAKU – Nada. (ele olha para os americanos) – Provavelmente estão atrás deles e não de nós. Apenas procure saber quem são.

Depois de ouvir aquelas palavras, Natsume olha para o líder dos capangas e o mesmo sai para resolver o serviço. O que eles não sabiam era que o primeiro carro era do agente que seguia o casal americano e o segundo, que chegou depois, era com o outro agente e mais Ryukosei. Os três já estavam fora dos respectivos veículos.

AGENTE 1 – Senhor prefeito.

RYUKOSEI – Fale.

AGENTE 1 – Esse lugar é familiar.

AGENTE 2 – Para mim também. Caso não esteja enganado mais á frente é uma antiga base da Segurança Interna.

RYUKOSEI – Estão certos, agentes. Quando era ministro da defesa eu designei pessoalmente Toutoussai para cuidar da infra-estrutura dessa base.

AGENTE 1 – Eu sei que deve ser incomodo, senhor prefeito, que descubra que esteja sendo traído por sua esposa, mas temos um problema maior aqui.

AGENTE 2 – Também acho. (ele olha para Ryukosei) – Por que sua esposa levaria o amante dela para uma base secreta?

Ryukosei sabia o motivo de Elisa levar Hank para aquele lugar, mas ele não podia dizer isso aos agentes e por isso não respondeu á aquela pergunta permanecendo calado e assim o outro agente se manifesta.

AGENTE 1 – Não importa o motivo! Eles são estrangeiros e provavelmente são espiões. (voltando para o carro)

RYUKOSEI – Espere, agente.

AGENTE 1 – Não posso senhor. (entrando no carro) — É uma questão de segurança nacional. O senhor deve entender isso melhor do que ninguém.

RYUKOSEI – Claro que entendo, mas gostaria de saber uma coisa, agente. (ele o encara) – Você já falou com Rambari sobre isso?

AGENTE – Ainda não, mas farei isso imediatamente. (ele pega o rádio comunicador)

RYUKOSEI – É mesmo? (ele saca uma arma) – Eu acho que não.

Sem pestanejar, Ryukosei atirar, á queima roupa, no agente da Segurança Interna, matando-o imediatamente. O outro agente, horrorizado com a atitude do prefeito, levou a mão até a arma em sua cintura, mas não deu tempo de sacá-la já que Ryukosei foi mais rápido e atirou nele também, derrubando-o, mas não o matando. O prefeito foi até ao agente que estava caído no chão e com a boca cheia de sangue.

RYUKOSEI – Eu sinto muito agente. (ele se agacha) – Não é pessoal, mas não posso permitir que me destrua.

AGENTE 2 – Mas por quê?

RYUKOSEI – Ossos do ofício.

Ryukosei volta a se levantar para depois apontar a arma contra o agente e em seguida atirar contra o mesmo matando-o cruelmente desta vez. Depois dos dois assassinatos, Ryukosei começa a andar em direção ao esconderijo até que ouve o som do gatilho de uma arma e segundos depois o líder dos capangas de Natsume aparece diante dele.

LÍDER – O senhor? (ainda apontando um rifle)

RYUKOSEI – Quero ver seu chefe. (ele olha para trás onde estavam os corpos dos dois agentes) – Acho que temos assuntos a tratar. (ele volta a olhar para o capanga) – Não acha?

LÍDER – Sim. (ele abaixa o rifle) – Siga-me.

RYUKOSEI – Mas antes temos que desativar o rastreador do carro dos agentes.

O líder dos capangas maneia com a cabeça para depois ajudar o prefeito com aquela tarefa e enquanto isso no sistema prisional Abi e Rambari contaram, com detalhes, para InuYasha e os outros a ameaça ao Imperador.

INUYASHA – Pelo que vocês me contaram não é uma ameaça direta a vida do Imperador e sim ao sistema monárquico desse país.

ABI – Uma coisa não exclui necessariamente a outra, senhor InuYasha.

MIROKU – Se nem mesmo Kageroumaru, que era seu informante dentro do grupo de Natsume, sabia dessa conspiração contra o Imperador, como pode ter certeza de que ela exista?

RAMBARI – Um pouco antes de assumir a chefia da Segurança Interna eu já trabalhava nos bastidores sobre uma eventual conspiração contra o império monárquico que contava com a ajuda de empresários japoneses ligados com grupos estrangeiros, mas na época a Segurança Interna estava concentrada na conspiração da Ordem da Espada Morta.

KAGOME – Mas os dois casos têm ligação, pois havia um espião da Ordem da Espada Morta conseguiu o LPAP na Segurança Interna.

RAMBARI – Foi por isso que assumir a chefia da Segurança Interna no lugar de Toutoussai.

SANGO – Como policial eu entendo a gravidade da situação, mas se quer nossa ajuda não pode nos esconder informação alguma.

INUYASHA – E o que vamos falar para vocês dois deve ficar restrito aos dois e também que todos nós recebamos perdão por crimes e delitos.

Abi e Rambari se entreolharam diante daquela proposta para em seguida manearem positivamente a cabeça em sinal de que eles não tinham muita escolha. Tinham que aceitar a proposta de InuYasha.

ABI – Está bem.

RAMBARI – Ok. Tem nossa palavra.

InuYasha olhou para os outros e esses também deram um voto de confiança naquela promessa e assim ele voltou a se manifestar.

INUYASHA – Para começar saibam que eu estava com a posse da jóia nesses cincos últimos anos. Eu a usei para voltar a andar.

RAMBARI – Agora entendo porque pediu perdão antecipado, mas o que tem a jóia a ver com isso?

INUYASHA – O ataque á minha casa e ao meu restaurante foi obra de Ryoma. Ele estava atrás da jóia amando de Natsume. Ele não pegou a jóia lá, mas infelizmente matou meus funcionários. Por alguma razão, Ryoma soube que a jóia estava com Onigumo e aí ele seqüestrou Eri para obrigar Onigumo a entregá-la.

ABI – Entendo. Acho que Natsume quer a jóia para recuperar a saúde de Naraku, pois sei que os interrogatórios e torturas dos americanos eram pesados sem falar nos efeitos colaterais da primeira vez que ele usou o poder da jóia.

INUYASHA – É o que penso.

RAMBARI – Mas como tudo isso pode nos ajudar a achar Naraku?

MIROKU – Quando Onigumo usou a jóia para fazer InuYasha voltar a andar um fragmento da jóia se soltou.

INUYASHA – Anos antes de ser assassinada, Kikyou estava trabalhando em um projeto que consistia em localizar a jóia inteira com apenas um fragmento no caso dela ser roubada.

KAGOME – Nesse momento Onigumo está trabalhando nisso.

ABI – Certo! Vamos fornecer ajuda técnica á Onigumo sem entrar em detalhes. Vou fazer algumas ligações.

KAGOME – Também vou para falar com Onigumo.

E assim as duas saem da sala deixando os outros para trás. A conversa ainda não tinha acabado, pois mais uma coisa ainda intrigava InuYasha.

INUYASHA – Tem mais uma coisa, senhor Rambari.

RAMBARI – O que foi?

INUYASHA – Como deve saber fui eu quem matou Toutoussai, apesar dele ser meu padrinho. Ele matou Kikyou e participou ativamente da conspiração de Toutoussai embora ele fosse ligado á Ryukosei.

RAMBARI – Aonde quer chegar? Por acaso está levantando a hipótese de o prefeito Ryukosei estar participando disso?

SANGO – Isso é um absurdo?

RAMBARI – Claro que é, pois foi Ryukosei que arquitetou todo o plano para prender Naraku forjando sua morte. Se há alguém que Naraku deva odiar esse alguém é Ryukosei. (ele cerra os olhos) – Por acaso o senhor InuYasha não está querendo prejudicar a imagem do prefeito que é adversário de sua esposa na eleição.

INUYASHA – Não estou falando de política, senhor Rambari, e sim de caráter. Não confio em Ryukosei.

RAMBARI – Se sua desconfiança não é política então é o que?

INUYASHA – Antes de matar Toutoussai, ele me implorou por misericórdia alegando que tinha uma informação sobre a morte de Myuga.

RAMBARI – Myuga?! De quem está falando?

INUYASHA – Era amigo dos tempos da minha mãe e me ajudou por muitos anos na administração do restaurante. Ele morreu do coração há cinco anos. Pelo menos era o que eu pensava, mas depois disso não tenho certeza. Ate pedi uma autópsia, mas nada foi encontrado, pois se passou muito tempo.

SANGO – Eu e o antigo capitão Jinenji fizemos uma pequena investigação sobre essa morte e descobrimos que Myuga era agente free-lance da Interpol.

INUYASHA – O senhor deve saber que minha mãe foi agente da Interpol na época em que se casou com meu pai. Acho que foi aí que eles se conheceram e se tornaram amigos.

RAMBARI – Isso é surpreendente, mas o que tudo isso tem a ver com Ryukosei?

INUYASHA – Acredito que, por ser agente free-lance, de algum jeito Myuga descobriu que Naraku continuava vivo e que a morte dele foi forjada a mando de Ryukosei que na época era ministro da defesa, portanto chefe direto de Toutoussai. Coincidência? Eu não acredito em coincidências.

RAMBARI – Então quer que eu faça uma investigação sobre as atividades de Myuga com a Interpol pouco antes de morrer?

INUYASHA – Sim?

RAMBARI – Ok. Farei isso, mas veja bem senhor InuYasha. Além de ser adversário de sua esposa, Ryukosei também era inimigo político de seu pai. Não vou desconsiderar esses aspectos e, portanto, essa minha investigação será secreta e por minha conta. Se descobrir algo, entrarei em contato.

INUYASHA – Obrigado.

MIROKU – Agora estamos liberados?

RAMBARI – Ah sim! Estão liberados. Vou recomendar que um agente fique com cada um e...

MIROKU – Acho que isso é desnecessário, senhor Rambari, pois se Naraku quisesse nos matar agora já teria feito isso comigo e InuYasha horas atrás.

RAMBARI – Está louco?! Não quer proteção?

MIROKU – O que eu quero mesmo é ver, na integra, a ameaça que Natsume passou pela TV.

INUYASHA – Boa idéia. Precisamos também entender o que Naraku pretende fazer.

RAMBARI – Se faz tanta questão, isso será providenciado. (ele se afasta) – Com licença.

Rambari sai da sala deixando eles para trás e enquanto isso Ryukosei e o líder dos capangas adentram ao esconderijo. Hank e Elisa ficam surpresos em ver o prefeito no local. Elisa vai até ele, mas antes que ela pudesse beijá-lo ele desfere um tapa nela.

ELISA – Amor, o que é isso? (com a mão no rosto)

RYUKOSEI – Isso é por ter me enganado esses anos todos. (ele olha para Hank) – Já sei que os dois são amantes. Agora enxergo tudo com clareza. Vocês dois me usaram. Usaram os meus contatos. (ele volta a olhar para a esposa) – Aposto que era você a espiã de Natsume e jogou a culpa na minha secretária.

NARAKU – Finalmente você começou a usar o seu cérebro, Ryukosei. (rindo) – Já esperava por isso?

Ryukosei se afasta da esposa, passa por Hank e Natsume para finalmente encarar Naraku, que permanecia sorrindo e imóvel.

RYUKOSEI – É por isso que não se vingou em mim, não é? Sabia que quando eu soubesse que fui feito de idiota esses anos todos era a maior vingança que poderia ter, não?

NARAKU – A vida é cheia de surpresas, meu caro prefeito. Deve ter sido um choque saber que o homem que o introduziu em uma conspiração para derrubar a Monarquia seja amante de sua esposa, mas a culpa não é só deles. É sua também. Sua arrogância e esse seu amor o cegou. (ele se afasta um pouco ficando de costas para todos) – Soube que você trouxe dois agentes da Segurança Interna para cá.

ELISA – O que?!

NARAKU – Não se preocupe, minha cara Elisa. Seu marido matou os dois agentes como prova de boa vontade.

HANK – Boa vontade?! De que?

NARAKU – De fazer um acordo. (ele se vira ficando de frente para todos e olha para Ryukosei) – Não é verdade, Ryukosei?

RYUKOSEI – Sim! Quero participar desse esquema.

NARAKU – E o que você me oferece, meu caro prefeito?

RYUKOSEI – Posso te dar acesso a uma lista quente de agentes americanos infiltrados nesse país. Muitos deles foram responsáveis por sua prisão assim como eu.

HANK – Está louco?! De jeito nenhum vou permitir que exponha meus agentes e...

RYUKOSEI – Cale-se! Não devo mais obediência a você. Duvido muito que faça isso, mas se quiser tirar seu apoio a minha candidatura à reeleição pode fazer. Eu não ligo mais. Posso vencer sem sua ajuda.

ELISA – Ryukosei.

Elisa olhava assustada para o marido que retribuía com outro olhar, mas esse bem maligno. Naraku e Natsume, que não tinham nada a ver com aquela crise conjugal, estavam ficando entediado daquilo.

NATSUME – Vocês revolvam isso depois. Agora Ryukosei, como podemos confiar em você?

RYUKOSEI – Do mesmo jeito que confio em vocês. (ele olha para Natsume) — Desconfiando. Sem falar que vocês podem lucrar com a queda da Monarquia. É só jogar as cartas certas.

NARAKU – Então ainda pensa em derrubar a Monarquia?

RYUKOSEI – Sim, se eu for reeleito prefeito, terei acesso a informações que ajudaram o grupo de Hank a ter a ‘Bola Imperial’.

NATSUME – Bola Imperial?

NARAKU – É uma metáfora, minha querida Natsume. A Bola Imperial é simplesmente um conjunto de informações ultra-secretas sobre decisões imperiais anteriores á Segunda Guerra Mundial.

NATSUME – Mas o que tem isso?

RYUKOSEI – Imagina o que aconteceria se o povo japonês soubesse que o Imperador sabia, antecipadamente, dos ataques á Hiroshima e Nagasaki e que podia ter evitado muitas mortes, mas não fez nada. Será um escândalo. As pessoas vão concluir que o império só pensou em sua própria sobrevivência a despeito das vidas dos milhares de habitantes dessas cidades.

NATSUME – Mas isso é verdade? O império sacrificou essas pessoas?

NARAKU – Não importa se é verdade ou não e sim no que as pessoas vão acreditar. Seria um golpe e tanto na Monarquia. Talvez aconteça algo parecido como a revolução francesa.

RYUKOSEI – Exato.

NARAKU – Mas Hank é seu superior se não estiver enganado, não?

RYUKOSEI – É sim, mas a operação chegou a tal nível que ele não poderá voltar atrás. As empresas dele entrarão em falência imediatamente com o fim do plano.

HANK – Você está jogando um jogo perigoso, Ryukosei.

RYUKOSEI – Não mais perigoso do que ter sido casado por anos com essa vadia. (olhando para Elisa e depois olha para Naraku) – Podemos todos lucrar com isso.

NARAKU – Tudo bem, Ryukosei. Acho que você será mais útil ao meu esquema sabendo de tudo do que ficando no escuro, mas antes temos que revolver o problema dos agentes que você trouxe para cá.

RYUKOSEI – Eu retirei o rastreador do carro deles, agora quanto aos corpos deles, eu tenho uma idéia. (ele olha para Elisa) – A minha bela esposa me ajudará nisso.

Ryukosei deu um pequeno sorriso e Elisa não entendeu nada e enquanto isso no sistema prisional, um dos agentes imperiais conduz InuYasha, Sango, Miroku e Shippou até á uma sala com um telão onde seria reproduzida a mensagem de ameaça feita por Natsume em nome de Naraku.

INUYASHA – Onde está minha esposa, agente?

AGENTE – Ela está na sala com a senhora Abi aguardando a nossa chegada.

SHIPPOU – Tem certeza que os outros estão seguros?

AGENTE – O senhor Rambari da Segurança Interna cuidou de tudo. Há agentes tomando conta de todos seus amigos, tanto no antigo laboratório de Kikyou quanto no hospital onde está Sesshoumaru.

Depois de percorreram o trajeto eles finalmente chegam á sala onde realmente Kagome e Abi os aguardavam. Eles se juntaram á elas para começarem a assistir a mensagem que Natsume pronunciava e enquanto isso no Hospital Memorial os agentes da Segurança Interna estavam providenciando uma cama improvisada para que Sara deitasse. A filha de Sesshoumaru e Rin estava um pouco cansada de esperar pela recuperação do pai.

RIN – Obrigada, agente.

AGENTE – Não por isso, senhora. Temos nossas ordens de cuidar de todos vocês.

RIN – Mesmo assim eu agradeço.

Rin exibiu um tímido sorrido em sinal de agradecimento por aquela gentileza e depois voltou seus olhos para a enteada que estava com olhos fixos no quarto onde o pai estava internado. Apesar de toda a situação preocupante, Rin não tinha se esquecido da conversa que tinha que ter com ela sobre a gravidez.

RIN – Agente.

AGENTE – Sim?

RIN – Pode ficar de olho na minha filha? Tenho uma coisa a falar com minha enteada. É particular.

AGENTE – Tudo bem, mas não fique fora da minha vista.

RIN – Certo.

Rin se afastou do agente para depois se aproximar de Satsuki.

RIN – Precisamos conversar sobre uma coisa, Satsuki. Venha comigo

SATSUKI – Sobre o que?

RIN – Você vai saber.

Satsuki estranhou um pouco a forma fria como a madrasta a tratou, mas isso não a deixou menos curiosa para saber que motivo tão urgente era esse para se tratar naquele momento em que elas aguardavam notícias sobre Sesshoumaru. Assim Satsuki seguiu Rin até ao final do corredor, onde elas podiam ser vistas pelo agente responsável pela proteção. Chegando lá, Rin tira o prontuário médico e o dá a enteada. Satsuki lê atentamente e se assusta.

SATSUKI – Mas...

RIN – Reconhece isso?

SATSUKI – Mas isso é sobre mim. (ela volta a olhar para a madrasta) – Como você conseguiu?

RIN – Antes de ser assassinada, Momiji conseguiu isso para mim. Esse prontuário é bem esclarecedor, não acha? Principalmente em mostrar o tempo de gravidez.

Satsuki sentiu o mundo desabar, pois aquele pedaço de papel provava que o filho que ela estava esperando não era de Shippou tendo em vista que Rin sabia o dia que Satsuki e Shippou tinham transado. Um espaço de tempo menor do que o tempo de gravidez.

SATSUKI – Então você sabe?

RIN – Sim! Eu sei de tudo. (ela faz uma pausa antes de voltar a falar) — Por que está fazendo isso, Satsuki? Shippou está abrindo mão de muita coisa para assumir um filho que não é dele. Sem falar na deslealdade com InuYasha e Kagome.

SATSUKI – E acha que não sei disso?

RIN – Não! Eu acho que não sabe não, pois se soubesse não teria inventado isso. Estou tão decepcionada com você, menina. (ela fica de cosas para a enteada) – Depois que Shippou pediu você em casamento, depois da reunião familiar onde ficou definido o que vocês fariam da vida, tive vontade de contar.

SATSUKI – E por que não contou?

RIN – Eu achei que era porque não tinha conseguido coragem, mas... (ela se vira de frente para ela) – Mas acho que essa verdade deve ser dita por você. Era isso que eu queria falar mais cedo depois da reunião, mas aí a Kagome me chamou para ir a sede do partido.

SATSUKI – Contar ao Shippou?

RIN – Sim. Você não acha mesmo que vai levar essa mentira até o fim?

SATSUKI – Mas...

RIN – Não tem dada de ‘mas’, Satsuki! Você tem que contar. Você conta ou conto eu.

SATSUKI – Shippou vai me odiar. Isso é algo que não vou suportar, pois eu o amo.

RIN – Forma muito estranha de amar, não acha? E não é só Shippou que vai se decepcionar. Tem InuYasha e Kagome, sem falar no seu pai. Você viu como ele te defendia achando que o Shippou tinha abusado de você. Com que cara Sesshoumaru vai olhar para o irmão depois das insinuações que fez sobre Shippou?

SATSUKI – Eu sei que sou uma pessoa horrível e foi mais horrível o que fiz, mas é que eu estava desesperada e não sabia o que fazer.

Satsuki começou a chorar copiosamente se sentando no chão. Embora continuasse a achar que a enteada estava agindo muito mal, Rin não deixou de sentir pena dela, pois ela via que o sofrimento da jovem era real e que ela não estava fingido. E assim Rin se agachou para colocar a mão no rosto de Satsuki. Uma pergunta não saía da mente de Rin.

RIN – Me fale, querida. Quem é o pai dessa criança?

SATSUKI – Isso não importa, Rin! O pai dessa criança não presta. É um ordinário. É alguém que me convenceu de que o Shippou não me amava. Quando falei da gravidez ele me ignorou por completa. Como pude ser tão burra? Sem falar que ele tinha compromisso com outra pessoa. Por isso não posso falar quem é ele. Por favor não me obrigue. Vou magoar pessoas próximas de mim.

RIN – Tudo bem! Tudo bem! Se não quiser me contar quem é o pai, não conte. Isso pode esperar, mas tem que contar a verdade para Shippou. Ele tem que saber que não é o pai dessa criança. Isso não pode esperar.

SATSUKI – Eu não sei se vou ter coragem, pois acontece que quando comecei a sair com essa outra pessoa, nós ainda estávamos namorando.

RIN – Oh Satsuki! Mas o que deu em você? Shippou era um namorado perfeito e que te amava.

SATSUKI – Mas ele vivia dizendo que não deixaria de procurar por Soten. Como acha que me sentia vendo que meu namorado vivia me dizendo que não descansaria enquanto não achasse uma ex-namorada dele?

RIN – Então você acharia melhor se ele fizesse isso nas suas costas, sem te contar nada? Shippou jogou limpo com você ao ser honesto de suas intenções, mas você não foi honesta com ele.

SATSUKI – Eu sei disso. A Maya vivia dizendo isso para mim até que briguei com ela.

RIN – Você brigou com Maya?

SATSUKI – É. Foi por causa do Xolan, mas eu não quero falar nisso. (ela enxuga as lágrimas e se levanta) – Não se preocupe madrasta. Vou contar tudo ao Shippou amanhã mesmo.

RIN – Promete? (ela se levanta também)

SATSUKI – Prometo. Eu dou a minha palavra. Se ela valer alguma coisa para você.

RIN – Claro que sim, querida. (ela a abraça) – Sabe que gosto muito de você. Sei que no fundo é uma boa pessoa e somente tem que colocar um pouco de juízo nessa linda cabecinha. (ela encerra o abraça e continua de olho nela) – Eu e seu pai vamos ficar do seu lado te dando apoio. Não vai faltar nada a essa criança. (ela acaricia a barriga da enteada)

SATSUKI – Meu pai vai me odiar.

RIN – Seu pai nunca vai te odiar. Ele vai sim ficar muito decepcionado e até nervoso, mas odiar nunca. Tenha certeza disso.

SATSUKI – Mas o Shippou vai.

RIN – E você não pode culpá-lo, não é? (ela respira fundo) – Fale tudo com ele. Conte toda a verdade. Shippou é uma excelente pessoa, sem falar que é um rapaz amável e bem criado por Kagome. Talvez aconteça um milagre de ele te perdoar.

SATSUKI – Ah querida madrasta. Nem você é tão otimista assim.

Satsuki solta um sorriso amarelo e volta para o local anterior. Rin, embora tentasse demonstrar otimismo, sabia que a enteada estava com razão em temer a atitude de Shippou, pois o que a jovem fez foi uma traição e tanto na relação deles e enquanto isso em uma sala no sistema prisional, depois de verem várias vezes a fita com as ameaças de Natsume pela TV, InuYasha e os outros ainda não conseguiam entender o real teor daquelas ameaças.

INUYASHA – A única coisa que entendi é que a real razão de Naraku permanecer no país é para se vingar daqueles que o colocaram na cadeia.

SANGO – Isso deveria excluir á nós, pois não tivemos participação alguma nisso.

KAGOME – Pode ser, mas não significa que ele tenha se esquecido da gente. Nós estávamos lá quando Naraku sofreu com os efeitos colaterais do poder da jóia.

SHIPPOU – Talvez ele ache que temos alguma participação nisso. Afinal a conspiração que o colocou lá era muito abrangente.

ABI – Todas as ameaças proferidas por Natsume são genéricas. Por isso abrangemos a proteção ao máximo de pessoas possíveis, mas continua nesse nível é surreal. Precisamos pegar Naraku o quanto antes.

MIROKU – Tem uma parte da ameaça que me chamou a atenção.

INUYASHA – Que parte?

MIROKU – Quando Natsume diz que os algozes de Naraku sofreram exatamente a mesma dor insuportável que ele sofreu. (ele fica pensativo) – O que Natsume quis dizer com isso?

INUYASHA – Eu também achei um pouco estranha essa parte, principalmente quando usou a palavra ‘exatamente’, mas fiquei mais incomodado com a frase onde ela disse que Naraku quer arrancar o coração ainda pulsando daqueles que o prenderam.

SANGO – Natsume tem esse jeitinho com as palavras.

KAGOME – Naraku ficou preso por dez anos. Será que ele quer prender alguém por dez anos?

SHIPPOU – Posso ficar com uma cópia dessa fita? Talvez tenha uma mensagem subliminar dentro dela e talvez possa encontrá-la.

ABI – Minha equipe tem técnicos trabalhando nisso, mas se quiser posso arranjar uma. (ela se levanta da cadeira) – Vocês estão liberados.

Abi se afasta deles e quando está prestes a passar pela porta da sala, InuYasha se manifesta para ela.

INUYASHA – Senhora Abi.

ABI – Sim?

INUYASHA – Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para pegar Naraku.

ABI – Eu sei que sim. (ela sorri e dá um bip para ele) – Tome.

INUYASHA – Para que isso?

ABI – Quando tocar ligue-me imediatamente. Sua ligação cairá em uma linha segura.

INUYASHA – Ok.

Abi sai da sala deixando os cinco sozinhos. Eles se preparavam para irem embora daquele sistema prisional até que Miroku coloca a mão no ombro de Sango, segurando-a enquanto InuYasha, Kagome e Shippou seguiam em frente.

MIROKU – Espere Sango.

SANGO – O que foi?

MIROKU – Eu queria te fazer um pedido.

SANGO – Qual?

MIROKU – Em virtude de tudo que está ocorrendo, das ameaças e de tudo que ouve no dia anterior, eu acho mais prudente que Tamira durma na minha casa.

SANGO – Na sua casa?! Por quê?

MIROKU – A minha casa ainda tem o sistema de segurança ativado e será mais fácil para os agentes da Segurança Interna. Estou falando do bem estar da nossa filha. Tenho certeza que se sentirá mais tranqüila se souber que nossa filha está segura, não?

SANGO – Sim. Eu entendo.

MIROKU – Será bom também que você durma lá. A casa é grande e Tamira se sentirá melhor em sua companhia.

SANGO – Então isso só tem a ver com Tamira?

MIROKU – Não! Não só Tamira, mas também Soten. Elas são minhas filhas e quero protegê-las. Também quero seu bem, Sango. (ele passa a mão no rosto dela) — Mas sei que não ficará parada sem fazer nada, sem se expor aos perigos.

SANGO – Eu só queria acordar desse pesadelo.

MIROKU – Eu também. Queria que tudo acabasse para podermos ficar juntos.

Os rostos de Sango e Miroku se aproximam até que eles finalmente se beijam sob os olhares de InuYasha, Kagome e Shippou, que preferiram não interromper aquele momento.

Próximo capítulo = Um novo crepúsculo – parte 3