Noite sem Fim

87 Um novo crepusculo - parte 3


Já longe do esconderijo de Natsume e dirigindo o carro dos agentes da Segurança Interna, Ryukosei guiava o veículo em alta velocidade. Elisa, sua esposa, estava ao lado dele. Devido á revelação da traição, ele permaneceu calado durante todo o trajeto, situação que angustiava a primeira dama que finalmente resolveu se manifestar.

ELISA – Eu sei o que está pensando de mim. (olhando para ele) – Aposto que me despreza. (ela abaixa o olhar) – Saiba que não foi pessoal e...

RYUKOSEI – Chega.

ELISA – Todos nós somos soldados em uma missão. Você tem uma carreira ligada ao aspecto militar e...

RYUKOSEI – Eu já disse, CHEGA!

Ryukosei para bruscamente o veículo para em seguida encarar sua esposa, que embora assustada, queria saber o que o marido pretendia fazer com ela daqui para frente ou qual seria seus planos para o futuro.

RYUKOSEI – Vamos deixar uma coisa bem claro, aqui, sobre nós. O que existe agora entre nós é apenas negócios, ouviu? Negócios e nada mais. Não pretendo impedir seus planos, portanto você e seu amante podem ficar sossegados. Iremos continuar casados para manter as aparências, pois uma separação pode prejudicar minha candidatura. Eu ainda quero ser prefeito.

ELISA – Mas e depois?

RYUKOSEI – Vou usar uma expressão muito usada por vocês, americanos. O futuro a Deus pertence.

ELISA – O que está planejando, Ryukosei? Pois sei que não acreditou naquela história da carochinha do Naraku de que ele irá te poupar.

RYUKOSEI – É muito tocante sua preocupação, mas quanto a Naraku me preocupe depois, pois no momento tenho que criar um álibi para a morte dos nossos dois ‘amigos’ lá trás.

Os ‘amigos’ de que Ryukosei falava eram os agentes mortos por ele na entrada do esconderijo. Para não estragar o disfarce, o prefeito estava pensando em bolar uma encenação que pudesse enganar Rambari, chefe da Segurança Interna.

ELISA – O que pretende fazer com eles?

RYUKOSEI – Não se preocupe com isso. (ele da ignição no carro) – Tudo sairá bem se Naraku fizer a parte dele. E como tenho certeza de que ele vai fazer, está tudo bem. (o carro se movimenta) – Hank consegue entrar em contatos ainda hoje com os outros associados?

ELISA – Sim. Tantos os daqui quanto os que estão nos EUA.

RYUKOSEI – Ótimo! Assim todos nós ganhamos.

Elisa maneou a cabeça concordando com aqueles termos, mas ainda sim não se sentia confortável naquela situação, pois já não estava mais no controle e naquele exato momento seu celular começa a tocar chamando a atenção de Ryukosei.

RYUKOSEI – É Hank?

ELISA – Acho que não. Ele não chegaria na casa dele tão rápido. (ela olha no visor) – É Haruy. Deve ter algo sobre Gatenmaru.

RYUKOSEI – Coloque no viva-voz.

ELISA – Ta. (ela faz o que o marido pede e depois atende o aparelho) – Fale Haruy.

HARUY – Conseguimos identificar o homem que pegou Gatenmaru. O nome dele é Konshu.

ELISA – Quem é ele?

HARUY – Sabemos apenas que é um engenheiro estrutural, viúvo e, aparentemente, sem nenhuma ligação com Gatenmaru já que não aprofundamos a investigação e...

ELISA – Fazemos isso depois! Agora temos que pegar Gatenmaru. Você e seus homens têm carta branca para agir.

HARUY – Ok. Agora mesmo.

ELISA – E lembre-se, Haruy. O quero vivo. E se puder capture o outro vivo também. Quando conseguir, entre em contato.

HARUY – Sim senhora.

Depois de falar com sua chefa, Haruy desliga seu celular para em seguida se virar para o grupo de cinco homens que estava atrás dele.

HARUY – Temos ordens de pegar Gatenmaru vivo. Isso é prioridade.

Depois de detalhar as prioridades da missão, Haruy ordena que os homens se separem para cercar a casa e efetuar uma invasão silenciosa sem chamar a atenção da vizinhança e enquanto isso dentro da casa e ainda sem perceber o perigo, Konshu cuidava dos graves ferimentos de Gatenmaru, que estava deitado em uma cama todo enfaixado.

KONSHU – Aqui. (ele dá alguns comprimidos e um copo d’água)

GATENMARU – Obrigado.

KONSHU – Deu muita dificuldade retirar as balas, mas consegui. Dar esses comprimidos é o máximo que posso fazer já que não posso levá-lo para um hospital e...

GATENMARU – Não! Hospital não! Eles me encontrariam.

HONSHU – Está falando dos homens que atiraram em você?

GATENMARU – Sim. Se for para um hospital, eles me encontram e me matam.

KONSHU – Eu sei. Tome os analgésicos. (ele ia se afastando)

GATENMARU – Espere!

KONSHU – Quer mais alguma coisa?

GATENMARU – Nada a não se saber por que está me ajudando. Sou um desconhecido para o senhor.

KONSHU – Nada em especial. Quando te vi, todo ensangüentado e caído no chão tive que socorrer. Ajudar as pessoas faz parte da minha natureza. Não sei o que fez para merecer ser alvejado, mas seja o que for não podia ficar parado vendo um homem morrendo.

GATENMARU – Então o senhor não faz idéia de quem eu sou?

KONSHU – Por pior pessoa que seja, não é capaz de fazer nada de mal agora, ainda mais em seu estado. (ele sorri) – Sou apenas um velho solitário. Depois que se recuperar, pode ir quando quiser.

Konshu sai do quarto para deixar que Gatenmaru descansasse, mas o ex parceiro de Sango não estava disposto a descansar. Ele, com alguma dificuldade devido aos ferimentos, se levantou. Não queria mais ficar ali, pois se sentia mal abusando da bondade daquele senhor. Talvez por ficar perto da morte o arrependimento por seus atos começava a pesar em sua consciência. Gatenmaru estava naquele local desde que foi resgatado por Konshu no final do desfiladeiro onde na parte de cima tinha sido alvejado por capangas de Natsume em um plano de fuga ajudado por Takeshi, que fora morto na ocasião. Já consciente, Gatenmaru tinha acompanhado também, pela TV, que Naraku tinha sido libertado e também a mensagem ameaçadora de Natsume contra os inimigos de Naraku. Apenas um nome veio á sua mente.

GATENMARU – Kanna. Tenho que falar com ela de algum jeito.

Gatenmaru sabia que a prima era um dos principais alvos da ira e vingança de Naraku, mas naquele momento Kanna estava incomunicável devido à proteção da Segurança Interna.

Gatenmaru foi até a porta para poder sair do quarto e falar com Konshu para que ele deixasse usar o telefone, mas ao abrir a porta ele vê Konshu ser alvejado por um tiro. Não tinha dúvidas de que os homens de Natsume o tinham encontrado. Ele fechou a porta e imediatamente olhou para a janela do quarto, que estava fechada, e enquanto isso na sala Haruy estava irritado com o capanga que atirou no velho.

HARUY – Seu idiota! (se agachando e verificando se Konshu estava morto) — Por que fez isso? Morto ele não serve para nada.

CAPANGA – Mas pensei que ele estivesse armado e...

HARUY – Está vendo alguma arma?! (irônico e depois ele se levanta) – Vasculhem a casa. Gatenmaru deve estar por aqui.

Eles começaram a vasculhar todos os cômodos da casa até que um dos capangas, que foi verificar o quarto, chamou por Haruy, que imediatamente foi até ao quarto, mais precisamente na janela que estava aberta.

HARUY – Encontrou Gatenmaru?

CAPANGA – Eu acho que ele fugiu, senhor.

HARUY – Droga! Com aquele velho morto e Gatenmaru escapando de novo a senhora Elisa vai me arrancar o couro. Ele estava machucado, não deve ter ido muito longe. Vamos atrás dele.

Depois dessa ordem, Haruy e os outros homens saem da casa para caçarem Gatenmaru novamente, mas o que eles nem desconfiavam era que Gatenmaru não tinha ido a lugar algum, pois estava escondido debaixo da cama. Ele deixou a janela aberta de propósito para que Haruy pensasse que ele fugiu.

GATENMARU – Agora é minha chance.

Ao perceber que todos os capangas tinham saído, Gatenmaru saiu debaixo da cama, saiu do quarto entrando na sala onde estava o corpo de Konshu. Ele não pode evitar de se agachar e falar algo.

GATENMARU – Eu sinto muito, Konshu. Perdoe-me por isso.

Depois desse pedido de desculpas, Gatenmaru voltou a se levantar para ir até a porta. Ele a abriu com extremo cuidado para verificar que os capangas estavam longe procurando por ele e foi nesse momento que Gatenmaru avistou o furgão. O mesmo que trouxe os capangas. Ele não pensou duas vezes e foi, sorrateiramente, até ao veículo que só tinha um homem, o motorista, que foi facilmente dominado pelo ex policial, que embora estivesse machucado, era forte o suficiente para abatê-lo sem chamar a atenção dos outros capangas. De posse da direção do furgão, Gatenmaru deu a ignição para partir com o veículo e isso sim chamou a atenção dos capangas que, ao perceberem que se tratava de Gatenmaru, começaram a atirar contra o veículo, mas para a infelicidade dos capangas, Gatenmaru consegue escapar e enquanto isso, já fora do sistema prisional, InuYasha, Kagome e Shippou observavam, de longe, Miroku e Sango saindo juntos do local e depois se separando.

SHIPPOU – Parece que aqueles dois se acertaram.

INUYASHA – Era questão de tempo.

KAGOME – Pelo menos uma coisa boa no meio desse pesadelo. (ela sorri) – Mas pesadelo mesmo para mim seria se algo acontecesse com vocês dois.

Kagome, que estava no meio dos dois, dá um beijo em cada um e naquele momento o celular dela começa a tocar, pois como estavam fora da área de bloqueio do sistema prisional, o aparelho voltara a ter sinal. Ela reconhece o numero que aparece no visor.

KAGOME – É Rin.

INUYASHA – Deve ser algo relacionado com Sesshoumaru.

E assim ela atende, mas o sinal estava ruim e por isso Kagome foi para outro local a fim de encontrar um sinal melhor, se afastando do marido e filho, que agora tinham a companhia de Sango.

INUYASHA – Onde foi o Miroku?

SANGO – Para o antigo laboratório de Kikyou. Ele vai pegar Soten e Tamira. Achamos por bem deixar Tamira dormir na casa dele. É mais seguro.

INUYASHA – Então foi isso que estavam conversando?

SANGO – Também.

SHIPPOU – Esse ‘também’ significa o que estamos pensando? (sorrindo)

SANGO – Mais ou menos.

INUYASHA – Eu sei que esse assunto só diz respeito á você e Miroku, mas saiba que ficaremos felizes se os dois se acertarem, pois ambos são amigos muito queridos.

SANGO – Eu sei.

Sango não conseguia esconder o sorriso pela eminente volta do relacionamento dela com Miroku, já que ela nunca tinha deixado de amá-lo e naquele momento um agente da Segurança Interna se aproxima dos três e dá a Shippou um CD para em seguida se retirar.

SANGO – Esse CD tem a mensagem de ameaça de Natsume?

SHIPPOU – Sim. Eu vou ver se tem alguma mensagem subliminar nela.

INUYASHA – Você vai ter tempo para isso?

SHIPPOU – Como assim?

INUYASHA – Se esqueceu de que arrumou um emprego e que tem que acertar os detalhes dele amanhã?

SHIPPOU – É mesmo! Mas não tem problema, pois posso fazer isso lá.

INUYASHA – Está bem.

InuYasha ainda estava com um mau pressentimento em relação á mensagem de Natsume e naquele momento Kagome volta para junto deles.

INUYASHA – Kagome! Rin falou como está Sesshoumaru?

KAGOME – Ele está estável, mas ainda está em coma induzido devido às graves lesões.

SANGO – Mas ele vai ficar bem, não?

KAGOME – Segundo Rin, os médicos disseram que ele não corre risco de morte.

SHIPPOU – Outra boa notícia.

KAGOME – Ah sim! (ela olha para o filho) – Shippou! Satsuki está no hospital junto com Rin. Ela falou que Satsuki quer falar muito com você, mas que você não atende o celular e...

SHIPPOU – Não atendo porque tomaram de mim quando fui capturado.

KAGOME – Pegue o meu. (ela da o celular dela) — Mas vá para aquele local. (ela aponta) – Pois o sinal aqui está horrível.

Shippou pega o celular e vai para o local apontado por Kagome onde o sinal do celular ficava melhor e assim começa a discar o numero do celular de Satsuki, que atendeu imediatamente.

SATSUKI – Shippou?

SHIPPOU – Sim, sou eu, Satsuki. Soube que seu pai está fora de perigo. Isso é bom.

SATSUKI – É bom sim. Não sabe o aperto que passei, mas o que houve com você? Tentei te ligar várias vezes.

SHIPPOU – Isso é uma longa história que tem a ver com o reaparecimento de Naraku. Uma loucura pura, mas eu acho que não é sobre isso que quer falar comigo, não? Aconteceu algo com você?

SATSUKI – Mais ou menos.

SHIPPOU – É sobre o nosso filho? Você passou mal devido ao estado do seu pai?

SATSUKI – Não é nada disso, Shippou. (ela acaricia a barriga) – O bebê está bem, mas é sobre ele que tenho que falar.

SHIPPOU – Então fale.

SATSUKI – Por telefone não. Precisamos nos encontrar amanhã. Tenho algo importante para te dizer.

SHIPPOU – Mas tem que ser amanhã?

SATSUKI – Eu queria me encontrar agora mesmo, mas está muito tarde. É algo urgente, Shippou.

SHIPPOU – Certo. Amanhã tenho que acertar os últimos detalhes do meu emprego, então podemos nos encontrar na hora do almoço.

SATSUKI – Ótimo! Encontre-me no parque Song ao meio dia e meia. É muito importante, Shippou.

SHIPPOU – Ok, estarei lá. Satsuki! Tem certeza que está tudo bem com você e nosso filho?

SATSUKI – Sim, Shippou.

SHIPPOU – Sua voz está estranha.

SATSUKI – Saberá do motivo quando falarmos amanhã. Apenas apareça. Eu te amo muito, Shippou.

Depois dessas palavras, Satsuki desliga subitamente a ligação sem esperar que Shippou dissesse também que a amava, talvez por achar que não merecesse ouvir aquilo. Satsuki estava sentada em um banco de espera e Rin se senta ao lado dela.

RIN – Você fez a coisa certa, Satsuki.

SATSUKI – Mas estou com medo da reação do Shippou.

RIN – Mas tem que agüentar as conseqüências, querida. Fez sua cama agora deita nela.

SATSUKI – Eu sei. (ela se levanta ficando de costas para a madrasta) – Sabe de uma coisa, madrasta? Eu já estou conformada em aceitar que eu e Shippou nunca ficaremos juntos.

RIN – Mesmo?

SATSUKI – Sim. (ainda de costas para ela e acariciando a barriga) – Eu tinha medo de odiar essa criança por me separar do meu amor, mas á medida que se passa, eu a amo mais. (ela se vira ficando de frente com a madrasta) — Sinto que ela vai me fazer uma pessoa melhor.

RIN – Isso é muito bom, Satsuki. (ela se levanta e a encara) – A maternidade é um dom divino, mesmo quando essa gravidez não é planejada.

SATSUKI – Eu sei. (ela olha de lado) – Só queria que fosse possível voltar no tempo. Faria tanta coisa diferente.

RIN – Acho que todo mundo em algum momento da vida pensou algo assim, mas não existe máquina do tempo.

Diante da frase dita pela madrasta, Satsuki deu um leve sorriso. A filha de Sesshoumaru realmente não tinha muito que fazer naquela situação a não ser contar a verdade para Shippou e encarar as conseqüências e enquanto isso InuYasha, Kagome e Shippou, depois de se despedirem de Sango, entraram no carro para voltarem para casa, mas Shippou, no banco de trás do veículo, ainda estava intrigado com a conversa que teve com Satsuki. Kagome, no banco do carona, percebeu isso.

KAGOME – Que cara é essa, Shippou?

SHIPPOU – É Satsuki! A voz dela estava estranha. Quer conversar comigo urgentemente sobre nosso filho.

KAGOME – Mas está tudo bem com ela e com o bebê, não é?

SHIPPOU – Ela disse que sim, mas vou saber do que se trata amanhã.

INUYASHA – Se ela está bem, o bebê está bem e Sesshoumaru também, não deve ser nada grave.

Embora InuYasha mostrasse otimismo com aquilo, Shippou continuava intrigado, mas preferiu não se preocupar, pois tinha outros assuntos a resolver e enquanto isso no antigo laboratório de Kikyou, cuja entrada estava sendo protegida por dois agentes da Segurança Interna, Soten estava sentada junto com Tamira enquanto embalava o sono da irmã menor e naquele momento Koharo, de mãos dadas com Genku, se aproxima das duas.

KOHARO – Eu tenho novidades, Soten.

SOTEN – O que?

KOHARO – Acabei de falar com Sango. Ela, InuYasha, Miroku e Shippou estão bem. Eu não sei os detalhes, mas eles estavam em um local que não recebia sinal de celular, por isso não conseguíamos falar com eles.

SOTEN – Isso realmente é uma ótima notícia. Agora estou aliviada.

KOHARO – Eu sei. Apesar de não serem mais namorados, sei que ainda gosta muito do Shippou. (ela percebe que a jovem ficou meio inibida e por isso resolve mudar de assunto) – Sango falou que Miroku está vindo para cá para buscar as duas.

SOTEN – Sango não vem pegar Tamira?

KOHARO – Ela falou que Miroku a convenceu de que era melhor para as duas dormirem na casa dele. Eu também acho mais prudente. (ela observa os agentes na entrada) — Pelo menos até essa áurea de pânico acabar.

SOTEN – Ta, mas e você.

KOHARO – Bem. (ela olha para Genku) — Eu vou levar esse garotão comigo até á família dele.

SOTEN – Os agentes vão te deixar sair?

KOHARO – Vão sim. Parece que a proteção vai se estender apenas para aqueles que conspiraram para a prisão de Naraku.

SOTEN – Outra boa notícia. (ela olha para Genku) – Está feliz, Genku?

GENKU – Sim! Eu quero muito vê-los. (ele olha para Tamira) Pena que Tamira adormeceu. Eu queria me despedir dela.

SOTEN – Eu sei que sim.

KOHARO – Todos sabem. Vamos Genku.

Koharo e Genku se despedem de Soten para depois irem até a saída do local e enquanto isso no mesmo local, Onigumo e Eri observavam a cena.

ERI – Parece que houve um relaxamento na ordem de proteção. Será que pegaram Naraku?

ONIGUMO – Claro que não! Se fosse assim já teria falado para você parar de trabalhar nesse projeto de localizar a jóia. O fim do pesadelo não é tão fácil.

ERI – Você conhece bem esse Naraku, não?

ONIGUMO – Sim. É uma parte do meu passado que não posso negar. Em lealdade á Naraku já fiz coisas horríveis.

ERI – Mas você não é mais assim. Agora é um novo homem e tenho certeza que InuYasha e os outros já te perdoaram pelo que fez, inclusive Sango.

ONIGUMO – Eu sei, mas perdão não é amnésia. Eu queria poder esquecer o que fiz, mas não posso. Faz parte de mim.

ERI – Eu não me importo com seu passado. O importante para mim é o quem você é agora.

Eri sorri e Onigumo sorri de volta, estabelecendo um clima, mas naquele exato momento o celular de Onigumo começa a tocar e ele vê o nome de Midoriko, a promotora de justiça, no visor do aparelho e assim ele atende imediatamente.

ONIGUMO – Alô promotora.

MIDORIKO – Oi. (ela dirigia o carro dela) — Eu só liguei para saber se Baren já teve algum avanço no projeto. (com uma voz nervosa e de vez em quando olhando para o retrovisor)

ONIGUMO – Bem. (ele olha para Baren nada animador trabalhando no projeto) — Está na mesma. Isso pode demorar dias e nem mesmo sabemos se vai dar certo.

MIDORIKO – Entendo.

ONIGUMO – Você está bem, promotora?

MIDORIKO – Sim, mas é que eu encontrei meu assistente morto no meu escritório.

ONIGUMO – O que?!

MIDORIKO – O que você ouviu. Eu acho que sei por que. Se lembra de Ozai?

ONIGUMO – Sim. O homem que espionava Sesshoumaru no jornal e que você descobriu que ele era titular de uma conta em que eu investigava. O que tem ele?

MIDORIKO – Como ele morreu na explosão da casa, achei que ele não tinha mais importância, mas meu assistente, a quem pedi que investigasse mais, conseguiu informações de que Ozai tinha ligação com grupos americanos de investimentos. Ele me mandou uma cópia através de um drive antes de ser morto.

ONIGUMO – Que tipo de ligação ele descobriu?

MIDORIKO – Pagamentos mensais. Nada de oficial e trabalhou para muitas delas de free-lance. Ele era uma espécie de faz tudo e recebia bem, pois era dono de uma bela casa. Ozai era um pau mandado.

ONIGUMO – Se levarmos em conta que Ozai ajudou Ryoma no plano de Natsume, significa que esses mesmos investidores americanos ajudaram a libertar Naraku?

MIDORIKO – Não só isso. Significa que provavelmente esses grupos de investidores americanos estejam ajudando a esconder Naraku aqui no Japão.

ONIGUMO – E você tem os nomes dessas empresas?

MIDORIKO – Sim. Eu usei o computador de bordo do carro para fazer a leitura do drive. São muitas empresas e...

ONIGUMO – Promotora Midoriko?! Promotora Midoriko?! Ainda está aí? Alô.

Onigumo percebeu que a linha caiu e que tinha acontecido alguma coisa com Midoriko e de fato houve, pois ela parou de falar de repente porque teve que desviar de um caminhão que entrou na contramão fazendo o veículo da promotora sair da estrada e bater contra um poste. Ainda dentro do carro, Midoriko estava meio grogue e com um corte profundo na testa.

MIDORIKO – Ai, minha cabeça.

Com a vista turva, ela viu um homem saindo do caminhão e indo até ela e quando ela pensou que ele estava lá para ajudá-la, de repente, para sua surpresa, o homem saca uma arma e atira no peito dela, matando-a imediatamente. Em seguida o home começa a vasculhar o interior do carro e depois o corpo da promotora procurando algo até achar o drive e assim esse home pega um celular e começa a discar para Hank, que naquele exato momento estava em sua casa.

HANK – Pegou o drive?

HOMEM – Sim. Ele está comigo.

HANK – Destrua-o.

HOMEM – Sim. (ele joga o drive no chão e depois pisa nele) – Está feito.

HANK — Agora se livre das provas.

HOMEM – Inclusive o corpo?

HANK – O corpo da promotora é responsabilidade do grupo de Natsume. Você tem apenas que se livrar do veículo.

HOMEM – Sim senhor. Vim no caminhão para isso mesmo.

Depois de ouvir isso, Hank desliga seu celular para em seguida voltar para sala onde estava antes. Não era uma sala comum e sim uma sala que tinha uma grande tela com imagens de varias pessoas em tempo real. Eram links digitais para uma teleconferência de pessoas que estavam em vários pontos do mundo. Uma dessas pessoas se manifesta ao ver o retorno de Hank.

?????1 – Espero que tenha recebido uma boa notícia, senhor Hank.

HANK – Sim. Muito boa. A ameaça de Midoriko foi neutralizada.

?????2 – Matar uma promotora de justiça. Quando foi que essa operação começou a apresentar erros?

HANK – Isso foi uma pequena contingência.

?????3 – Pequena contingência?! A não saída de Naraku do Japão também pode ser classificada como pequena contingência?

HANK – Sim, mas...

?????1 – Erros foram cometidos aqui, senhor Hank. Sempre achei que o senhor era a melhor escolha para conduzir essa operação aí no Japão, mas acho que me enganei.

HANK – O que está querendo dizer? Por acaso pensa em me substituir? A minha empresa é a principal financiadora da campanha de Ryukosei. Se eu sair, a operação vai ruir e...

?????2 – Sabemos os riscos, Hank, mas é você que não parece ter ciência disso.

?????4 – Fomos informados que Ryukosei está se mostrando um pouco rebelde depois que descobriu o que o senhor andava fazendo com aquela vadia da esposa dele.

HANK – Eu reconheço que foi um erro meu escolher alguém íntimo meu para se aproximar de Ryukosei. Eu precisava de alguém da minha mais alta confiança nessa missão e Elisa preenchia todos os requisitos.

?????3 – Temos dois problemas, senhor Hank. Problemas que precisam ser resolvidos o quanto antes. Um é Naraku. A nossa intenção de libertá-lo era para que ele nos levasse até á outras células terroristas.

HANK – Acho que ele desconfiou disso. Por isso resolveu ficar no Japão onde tem mais poder, mas Naraku não sabe quem são vocês. Ele não pode tocá-los.

?????1 – Mas essa união entre Naraku e Ryukosei, mesmo que temporária, pode comprometer a operação.

HANK – Não vai comprometer nada e mesmo que isso ocorresse, somente Elisa e eu seríamos afetados.

?????5 – Talvez esse seja mais um motivo para tirarmos você da operação.

HANK – Isso seria um erro. Eu comando essa parte da operação desde o início. Estou em um nível operativo que nenhum outro membro desse grupo pode chegar.

?????1 – Tem razão, Hank. Ao cuidar de Midoriko, você mostrou valor, mas imprevistos como esses não podem mais acontecer. Naraku é um risco. Um risco que se ficar muito grande deve ser eliminado. Mesmo que isso custe sua segurança e a de sua amante. Ou você cuida dele ou cuidamos de você. Entendido?

HANK – Claro que sim. (ele respira fundo) – E o outro problema?

?????1 – Ah sim! Kanna.

HANK – Kanna?! Mas ela ainda está em prisão domiciliar. O que tem ela?

?????1 – Soubemos a pouco tempo que o pai biológico dela, o ex. Ministro da Saúde Toukaijin, antes de se matar, realmente enviou para ela uma lista de todos os operativos do esquema. Desde nomes até funções. Tudo com provas. Kanna não estava blefando.

HANK – Que provas tem disso?

?????2 – Minutos depois que Natsume leu as ameaças de Naraku pela TV, muitos de nossos operativos receberam uma mensagem codificada com a frase ‘Eu sei que ajudaram Naraku’. Nossos técnicos rastrearam a origem da mensagem e ela veio da prisão domiciliar dela.

HANK – Eu aposto que Toukaijin começou a colecionar esse tipo de informação depois que ele virou uma ameaça para Ryukosei. Ele queria proteção. Antes de morrer a deixou para a filha como herança.

?????5 – Um lindo gesto de pai para filha, mas isso não interessa! O que interessa é que precisamos pegar essa lista e destruí-la.

HANK – E qual é o problema?! Vocês sabem onde Kanna está. Podem criar meios de vasculhar as contas dela. Ele deve ter guardado a lista em local seguro.

?????1 – Acontece que tudo foi verificado. A casa onde mora. Os cofres onde tem conta. Antigos colaboradores, mas nada foi encontrado. Não temos idéia de onde essa lista pode estar. Não podemos entrar em contato com ela agora, pois está incomunicável pelos agentes da Segurança Interna.

HANK – E vocês querem jogar essa responsabilidade para mim?

?????2 – Não precisamos fazer isso porque a responsabilidade já é sua, meu caro Hank. Deveria ter vigiado melhor.

?????1 – Isso mesmo! Agora trate de arrumar a bagunça que fez. Ou cuida disso ou cuidamos de você. Para sempre.

Depois dessas palavras, os vários links são fechados o que significava que a teleconferência tinha acabado. Hank afrouxou a gravada em um claro sinal de que estava mais aliviado, mas ao mesmo tempo sabia que sua capacidade de liderar aquele esquema já era questionada por grande parte do grupo. A ajuda que Ryukosei dava a Naraku ainda não era vista com bons olhos por ele, mas naquele momento nada podia fazer.

HANK – Espero que não estrague tudo, Ryukosei.

Hank sabia que tinha muito a perder se algo desse errado. Ele estava preocupado se Ryukosei e Elisa conseguiriam enganar a cúpula da Segurança Interna sobre a morte dos dois agentes encarregado da proteção do prefeito e enquanto isso dirigindo seu carro á caminho do departamento de polícia, Sango não tirava da cabeça a conversa que teve com Miroku. Mesmo em uma situação tão perigosa, com Naraku querendo vingança de seus inimigos, a detetive não parava de pensar na possibilidade de reatar com o pai de sua filha. O beijo que deram tinha um grande significado.

SANGO – Eu não posso pensar nisso agora. Tenho que acabar com essa conspiração. Por Kohako.

Os pensamentos de Sango são interrompidos pelo som do toque de seu celular. Mesmo dirigindo, ela atende o aparelho.

SANGO – Detetive Sango.

AZUMA – Finalmente atendeu. O que houve com você?

SANGO – É uma longa história, capitão. Estou voltando para o departamento e quando chegar lhe contarei tudo com detalhes.

AZUMA – Aposto que é sobre Naraku.

SANGO – Não tinha como não ser.

AZUMA – E aposto que é sobre isso que Abi vai me falar. Ela marcou uma reunião em teleconferência entre eu, ela e Rambari. Certamente para reunir esforços para localizar e capturar Naraku.

SANGO – Eu vou querer participar.

AZUMA – É por isso que estou te ligando. Sabia que ia querer. Está com os dados que Guy pediu.

SANGO – Estou sim. Com ele podemos pegar o estrangulador das meias de nylon.

AZUMA – Ótimo! Guy já está entrando em contato com outros departamentos para coordenar essa operação.

SANGO – Estou á caminho.

Sango desliga o celular para em seguida acelerar a velocidade de seu veículo. O cerco se fechava cada vez mais.

Próximo capítulo = Conjecturas – parte 1