Noite sem Fim
85 Um novo crepusculo - parte 1
InuYasha, Shippou, Miroku e Sango continuavam detidos no sistema prisional ainda sem saber quando seriam liberados, mas naquele momento eles tinham outras preocupações que tinham ligação os planos de Naraku como, por exemplo, o suicídio de Ryoma.
SHIPPOU – Está falando sério?!
SANGO – Sim. Ryoma quebrou um copo de porcelana e cortou, de maneira profunda, a própria jugular.
MIROKU – De acordo com a anatomia humana, isso não dá chance para recuperar.
INUYASHA – Ele queria morrer mesmo. (ele passa a mão no rosto) — Ryoma devia ter muito medo de Naraku para ter se matado na delegacia. Um homem que matou o próprio irmão gêmeo.
SANGO – Isso é apenas um sinal do quando Naraku é perigoso. Ele está cercado de pessoas desse tipo.
MIROKU – O que será que Naraku está aprontando?
INUYASHA – Eu não sei, mas dez anos em uma prisão é tempo demais para arquitetar um plano de vingança contra todos nós.
SANGO – Mas que droga! Estou aqui sem poder fazer nada. Não queria que minha filha passasse por isso de novo e...
MIROKU – Mas nossa filha está bem, Sango. (ele se aproxima dela e coloca a mão em seu ombro) — Ela está com Soten que deve estar agora com Kagome.
SANGO – Eu só queria que esse pesadelo acabasse.
SHIPPOU – Todos nós, Sango.
Sem muito que fazer os quatro apenas esperavam a liberação e enquanto isso no antigo laboratório de Kikyou, o cientista Baren continuava a estudar o fragmento da jóia de quatro almas sob a observação de Onigumo e Eri, que ao perceber que Kagome estava usando o celular para falar com alguém e que Midoriko, Koharo, Soten e Tamira estavam mais afastadas, resolve se manifestar.
ERI – Onigumo.
ONIGUMO – Sim?
ERI – Eu sei que não é um bom momento para falar disso, mas não sou ingênua para não perceber que está pintando um clima entre nós.
ONIGUMO – É. (ele olha para ela e sorri) – Eu percebi também.
ERI – Sei também que você não esqueceu totalmente sua ex. noiva, tanto que cuidou do laboratório dela, mas preciso saber o que posso esperar de os dois. Não estou querendo te pressionar, mas acontece que não somos adolescentes.
ONIGUMO – Concordo. Está sendo bem honesta no que disse e por isso vou ser honesto também. Eu não acho uma boa idéia nós dois ficarmos juntos.
ERI – Mas por que não?
ONIGUMO – É que estou começando a gostar de você. Falo gostar de verdade. Á amar de novo.
Á princípio Eri ficou muito feliz com aquela revelação, mas foi aí que ela percebeu a contrariedade daquelas palavras.
ERI – Desculpa. Agora acho que não entendi. Você acabou de dizer que acha que está começando a me amar, mas que não é boa idéia ficarmos juntos, é isso?
ONIGUMO – Entenda Eri. Até hoje só gostei mesmo de duas mulheres. Uma você sabe que é a Kikyou, que foi morta por uma conspiração depois de ter participado de outra. A outra é Kanna, que atualmente está presa e era uma das cabeças da primeira conspiração.
ERI – Ainda não entendi. O que isso tudo tem a ver comigo?
ONIGUMO – O que eu quero dizer é que já tive muito romance complicado. Sinto que não é seguro para você ficar ao meu lado.
ERI – Isso não deveria ser decisão minha?
ONIGUMO – Não! Essa é uma decisão de ambos e quando um não quer, dois não dançam. Eu sinto muito.
Antes que Eri pudesse argumentar qualquer coisa, Baren se manifesta dizendo que tinha acabado de estudar o fragmento da jóia. Isso fez com que Midoriko, Koharo, Soten e Tamira se aproximassem.
MIDORIKO – O que descobriu?
BAREN – Acho que tem um jeito de rastrear a jóia através de uma assinatura radioativa, mas o sinal dessa assinatura de rastreamento está codificado.
ONIGUMO – Pode decodificar esse sinal?
BAREN – Posso, mas vai demorar e vou precisar trabalhar em tempo integral.
MIDORIKO – Então faça o que tiver que fazer e... (o celular dela começa a tocar) – Com licença.
Midoriko se afasta do grupo para poder atender seu celular e no mesmo instante Kagome, junto com Genku, se aproxima do grupo depois de estar falando no celular.
KAGOME – Eu acabei de falar com Rin e parece que Sesshoumaru está fora de perigo.
KOHARO – Essa é uma boa notícia.
ONIGUMO – Kagome. (ele a afasta um pouco dos outros e começa a falar baixo) – Baren vai demorar a conseguir algo. Não acha melhor ir a outro lugar? Estou pensando nas crianças. Esse não é ambiente para elas.
KAGOME – Tem razão. Genku e Tamira devem ficar em um ambiente mais saudável. Portanto eu vou, mas tenho uma coisa a falar com você.
ONIGUMO – Diga. (eles se afastam um pouco mais para que ninguém os ouvisse)
KAGOME – É sobre Eri. Apesar de não vê-la muito tempo, gosto muito dela e não quero que a magoe. Se não esqueceu Kikyou é melhor não se envolver com ela.
ONIGUMO – Acredite. Já deixei isso bem claro para ela.
Naquele momento a promotora de justiça Midoriko se aproxima de Onigumo para falar algo.
MIDORIKO – Esse laboratório tem TV?
ONIGUMO – Tem. Ela está embutida nos equipamentos. Por que pergunta?
MIDORIKO – Depois eu te falo. Quero que você ligue a TV.
Sem entender o que estava acontecendo, Onigumo foi até aos equipamentos e fez com que um painel aparecesse. Era uma TV que fora ligada imediatamente e, para surpresa de todos, a tela mostrava Natsume mostrando um homem pálido no fundo que ela dizia que era Naraku, que ele estava vivo porque foi mantido prisioneiro pelo governo americano com conivência do governo japonês. Ela disse também que todos os inimigos de Naraku nunca mais dormirão em paz. Todos, á princípio, não acreditaram que pudesse ser mesmo Naraku, mas Onigumo sim.
ONIGUMO – Mas não pode ser! É ele mesmo.
KAGOME – Tem certeza?
ONIGUMO – Tenho sim. É ele mesmo.
MIDORIKO – Essa é uma gravação de um minuto que está sendo repetida várias vezes por todo o noticiário.
SOTEN – Esse Naraku não estava morto?
KOHARO – Deveria estar.
KAGOME – Eu estava no local quando ele foi morto pelo poder da jóia. Tinha muitas testemunhas.
MIDORIKO – Aposto que era isso que a Agência Imperial queria esconder e aposto mais ainda que resgatar Naraku era o plano mestre de Natsume.
GENKU – Mãe, o que está acontecendo?
KAGOME – Não é nada, filho.
TAMIRA – Por que todos vocês estão com essas caras? (ela olha para Soten) – Quero ficar com o papai e a mamãe.
SOTEN – Eles estão ocupados agora, Tamira.
ONIGUMO – Agora é melhor todos, nós, irmos embora. Conheço Naraku melhor do que qualquer um daqui. Se ele disse que vai se vingar de seus inimigos, ela vai se vingar.
KAGOME – Eu já disse que não vou me esconder. Se ele quer me pegar, então que venha, mas o medo não vai me dominar.
MIDORIKO – Eu vou voltar a procuradoria e tentar descobrir mais informações.
Midoriko se afasta dos outros para sair do laboratório e enquanto isso dentro do carro oficial da prefeitura á caminho de casa, Ryukosei e Elisa observam, através de uma TV portátil no veículo, as imagens de Natsume anunciado que Naraku estava vivo e que iria se vingar. Naquele momento Ryukosei falava, através do celular, com Rakusho.
RYUKOSEI – Estou vendo com meus olhos, Rakusho.
RAKUSHO – Isso é uma tragédia, senhor. E pode respingar em sua candidatura.
RYUKOSEI – E eu não sei disso? Esses desgraçados são me ferrar.
RAKUSHO – E quanto á sua esposa, senhor? Acha que ela sabia disso?
RYUKOSEI – Acho que não, mas mesmo assim continue com sua investigação particular. Mantenha-me informado.
RAKUSHO – Sim, senhor prefeito.
Ryukosei desliga seu celular e volta a observar a tela da pequena TV. Elisa também estava inconformada com a atitude de Natsume e Naraku.
RYUKOSEI – O que esses dois tem na cabeça? Querem ferrar todo mundo?
ELISA – Eles estão mandando um recado.
RYUKOSEI – Recado?! Para quem?
ELISA – Para todos que foram responsáveis pela prisão dele.
RYUKOSEI – Acha que ele pode estar falando de nós?
ELISA – Talvez, mas não creio. É provável que ele esteja falando de InuYasha e os amigos. Seja como for, meu amor, devemos contornar esse imprevisto. Precisamos falar com Hank.
RYUKOSEI – Ligue para ele.
Elisa pega seu celular para ligar para o principal financiador da campanha de reeleição de Ryukosei e enquanto isso, no hospital, Satsuki e Sara estavam sentadas em um banco de espera enquanto observavam Rin conversando com o médico responsável pela operação de Sesshoumaru e também mais dois homens de terno.
SARA – Você sabe quem são eles?
SATSUKI – Não. Nunca vi nenhum dos dois, mas parecem importantes. Estão falando algo com Rin e o médico.
SARA – Ei mana.
SATSUKI – Sim?
SARA – Quando o papai vai acordar?
SATSUKI – A sua mãe está falando com aquele médico para saber disso, mas pode apostar que nosso pai vai acordar rapidinho. (sorrindo) — Você vai ver.
O sorriso de Satsuki era meio forçado, pois ela sabia que a situação de Sesshoumaru era um pouco delicada, embora seu estado estivesse estável. Rin, depois de falar com o médico, se aproximou das duas.
SATSUKI – O que houve, Rin? (depois ela olha para os dois homens de terno) – Quem são eles?
RIN – São agentes da Segurança Interna. Eles estão aqui para a nossa proteção.
SATSUKI – Proteção?! Contra o que?
RIN – Eu não sei os detalhes, mas os agentes disseram que isso foi á pedido de Kagome.
SATSUKI – Mas o que a tia Kagome tem a ver com isso?
RIN – É o que eu vou tentar descobrir.
Sem perder mais tempo Rin pega seu celular e começa a discar a fim de ligar para Kagome que naquele exato momento estava dentro de um carro preto, mais precisamente no banco de trás ao lado do inspetor Rambari, chefe da Segurança Interna. A esposa de InuYasha atende o aparelho.
KAGOME – Alô.
RIN – Sou eu, Kagome. O que está acontecendo? Acabo de falar com dois agentes da Segurança Interna que me disseram que estão aqui para proteger a minha família e que foi a seu pedido.
KAGOME – Pela sua pergunta acho que não ficou olhando a TV. Vou procurar resumir em uma única frase: Naraku está vivo.
RIN – O que?! Vivo?! Impossível.
KAGOME – Não, não é. Natsume enviou um vídeo que está sendo reprisado toda hora. Nesse vídeo Natsume diz que a morte de Naraku foi forjada por americanos que o mantiveram preso durante esses dez anos. Eles tiveram ajuda do Imperador. Essa era a missão de Natsume. Libertar Naraku da prisão.
RIN – Isso é espantoso.
KAGOME – Eu sei disso. (ela olha para Rambari ao seu lado) – Agora eu preciso desligar, mas está tudo bem com Sesshoumaru?
RIN – Os médicos vão manter o coma induzido até que o coagulo desinche.
KAGOME – Entendo. Estou rezando por ele, amiga. Então siga as recomendações dos agentes.
RIN – Você tem razão, mas e você e os outros? Também irão a um local seguro?
KAGOME – Os outros sim, mas no meu caso serei levada a outro lugar. Depois nos falamos, amiga.
RIN – Certo. Até mais.
Kagome desliga o celular e depois olha para Rambari, que mantinha um olhar compenetrado no vazio e mesmo sem olhar para a esposa de InuYasha podia perceber a inquietação dela.
RAMBARI – Quando chegarmos ao local, a senhora saberá de todos os detalhes.
KAGOME – Por que eu, minha família e meus amigos precisamos passar por isso?
RAMBARI – Por que acreditamos que vocês todos estão no centro de tudo isso. Já estão envolvidos demais para ficarem de fora.
KAGOME – Eu sei o que é. Deixaram-nos de fora, mas agora precisam de nós, não é?
Rambari não respondeu á Kagome, pois nem precisava já que ela estava certa sobre aquela afirmação. O fato de Naraku querer permanecer no país mesmo depois de sua fuga era algo que intrigava todas as agências de investigação e enquanto isso ao chegarem em casa, Ryukosei e Elisa se deparam com um carro da Segurança Interna estacionado logo em frente com agentes do lado de fora. O casal sai do carro.
RYUKOSEI – Agentes.
AGENTE 1 – Sinto muito pelo incomodo, senhor prefeito, mas temos ordens de levá-lo para um local seguro.
RYUKOSEI – Entendo. É sobre Naraku.
AGENTE 2 – Exato, senhor. (ele abre a porta traseira do carro) — Naraku lançou ameaças ás pessoas que o colocaram na cadeia e isso inclui o senhor.
RYUKOSEI – Então vocês querem que eu os acompanhe?
AGENTE 1 – Sim, senhor. É para sua segurança. (depois olha para Elisa) – E para a senhora também.
ELISA – Mas isso é realmente necessário? Que eu saiba a ameaça é somente ao meu marido e...
AGENTE 2 – Uma ameaça a uma autoridade se estende á sua família também. Eu sinto muito senhora, mas terá que nos acompanhar.
RYUKOSEI – Eles têm razão. Vamos, querida.
Um pouco contrariada, Elisa aceita aquela situação e entra na casa com Ryukosei e os agentes logo atrás. Já lá dentro a primeira dama da cidade pede ao marido que a acompanhe até o quarto deles e chegando lá ela fecha a porta para que os agentes não ouvissem a conversa.
ELISA – Sabe muito bem que não podemos ficar aqui.
RYUKOSEI – Foi Naraku que iniciou essa confusão ao divulgar aquela fita. Não podemos fazer nada e...
ELISA – Esse é mais um motivo para não ficarmos aqui. (ela fica de costas para ele) – Eu preciso falar com algumas pessoas e não pode ser por telefone.
RYUKOSEI – Pessoas?! Que pessoas?
ELISA – Contatos meus que estão trabalhando para encontrar algo contra Natsume. (ela volta a olhar para o marido) – Não podemos ficar na defensiva, amor. Precisamos atacar.
RYUKOSEI – Então você quer falar com um desses seus contatos?
ELISA – Sim.
RYUKOSEI – Está bem. (ele fica pensativo) — Eu concordo com você, mas os agentes não deixaram nenhum de nós sair e mesmo que deixe, será acompanhado a não ser que...
ELISA – A não ser o que?
RYUKOSEI – A não ser que só um de nós saia desde que o outro dê cobertura. (ele vai até o criado-mudo e pega algo dentro da gaveta) – Eu sou o alvo principal. Posso ficar aqui distraindo os agentes enquanto você sai pelos fundos. (ele dá uma chave para ela)
ELISA – Que chave é essa?
RYUKOSEI – É do carro reserva. Aquele que uso para driblar os jornalistas. Se sair com ele, não chamará a atenção de ninguém.
ELISA – Excelente idéia, amor. (ela dá um beijo nele) – Você é demais. Por isso é que eu te amo.
RYUKOSEI – Eu sei. (ele sorri) – Agora espere eu distrair os agentes para poder sair. E depois faça seu serviço.
ELISA – Ta.
Ryukosei abre a porta do quarto e vai até a sala onde estavam os agentes da Segurança Interna. Elisa, sorrateiramente, logo atrás, observa o marido conversando com os dois agentes e ai aproveita a distração de ambos para sair pelos fundos da casa para em seguida dobrar o quarteirão e encontrar o carro vermelho estacionado. E assim Elisa entra no veículo e da a partida para sair dali. Ela, crente que não seria percebida, passa em frente a casa onde estavam o marido e os dois agentes, mas o que ela não contava era que Ryukosei a observava pela fresta da janela.
RYUKOSEI – Ela já está indo.
AGENTE 1 – Senhor prefeito, tem certeza de que quer fazer isso?
RYUKOSEI – Se é eu que estou pedindo. Claro que tenho.
AGENTE 2 – Não sei por que quer que sigamos sua esposa. Esse não é nosso serviço e...
RYUKOSEI – Eu tenho os meus motivos, agentes. (ele os encara) – Vão me ajudar ou não?
AGENTE 2 – Tudo bem, mas um de nós vai ter que ficar aqui com o senhor. É para a sua segurança. E também terei que informar ao meu superior.
RYUKOSEI – Tudo bem. Eu falo pessoalmente com Rambari dos meus motivos. Agora qual de vocês vai?
AGENTE 1 – Eu vou.
RYUKOSEI – Lembre-se agente. Minha esposa é uma ex-espiã bem treinada. Não a siga de muito perto. (ele da um aparelho para o agente) – O carro que ela está dirigindo tem um chip localizador. Com ele saberá onde ela vai estar.
O agente aceita o aparelho e assim sai da casa para seguir a primeira dama. Ryukosei queria saber que contato era aquele que Elisa tinha já que agora não tinha mais confiança nela e enquanto isso o carro, que levava Kagome e Rambari, estaciona em um local bem afastado do centro e assim ambos saem escoltados por outros agentes.
KAGOME – Que local é esse senhor Rambari?
RAMBARI – É um sistema prisional. (eles andam um pouco mais) — O mesmo onde Naraku deveria ficar.
KAGOME – Mas aqui só tem mato.
Eles chegam a uma passagem secreta que dava acesso ao sistema prisional e Kagome fica surpresa com a infra-estrutura do local.
KAGOME – Por Kami. Isso é uma prisão de segurança máxima.
RAMBARI – É bem mais do que isso. Tem investimento americano nisso aqui.
Eles andam pelos corredores do local e não demora muito para serem recebidos por Abi, que parecia muito nervosa.
ABI – Já espera pelo senhor. (depois olha para Kagome) – Mas vê-la agora é uma surpresa.
RAMBARI – Não deveria se surpreender devido aos últimos acontecimentos, não acha?
KAGOME – Que tal cortar o papo furado e me dizer logo o motivo de me trazerem aqui.
ABI – Vejo que Rambari não falou nada. (ela respira fundo) – Saiba que tivemos nossos motivos para fazer o eu fizemos.
Sem dizer mais nada Abi dá meia volta e começa a andar. Curiosa com a situação, Kagome a segue e o mesmo faz Rambari. Não demora muito e os três chegam na porta de uma sala que é imediatamente aberta por Abi. Era a sala onde InuYasha, Shippou, Sango e Miroku estavam presos. Ao ver o marido e filho, Kagome vai até eles e os abraça.
KAGOME – Que bom que vocês estão bem. Estava tão preocupada.
INUYASHA – Mas nós estamos bem.
SHIPPOU – Considerando as condições.
INUYASHA – Miroku e Sango também estão aqui.
Kagome estava tão feliz em ver o marido e filho que nem tinha percebido as presenças dos amigos no local, algo bastante compreensivo diante da inusitada situação. Miroku e Sango apenas acenaram para Kagome.
KAGOME – É ótimo vê-los. (ela se vira para encarar Abi) – O que significa essa palhaçada? Por que prendeu meu marido e meu filho?
ABI – Eu sugiro que a senhora se acalme e...
KAGOME – Eu sugiro que a senhora comece a contar a verdade. (ela olha para Rambari) – O que significa isso?
ABI – Tentarei resumir o máximo possível. (depois ela olha para os outros) – Para todos vocês.
Abi e Rambari começaram a explicar, com detalhes, a situação atual para todos no local e enquanto isso Naraku, totalmente recuperado da operação, observava Natsume falando, através do celular, com Elisa, que naquele momento estava dirigido um carro.
NATSUME – Você não tem direito de falar assim comigo, Elisa.
ELISA – Como não tenho? Você e seu querido Naraku complicaram minha situação. Onde estava com a cabeça em exibir aquela mensagem?
NATSUME – Não complicamos nada. Seu marido ainda será útil á nós. Queremos que ele se reeleja.
ELISA – Então por que tudo isso?
NATSUME – Já disse! São ordens de Naraku. Ele está no comando agora.
ELISA – Você me decepciona, Natsume. Achei que fosse uma mulher de fibra, mas agora vejo que é apenas um cachorrinho preso na cólera de seu dono que te obriga a fazer o que ele quer.
NATSUME – Eu não me importo com o que pense de mim, só faço isso pelo meu amor, pelo único homem que é capaz de nos tornar fortes. Tudo que fiz nesses últimos dez anos foi pensando nele, mas acho que uma como você nunca me entenderia.
ELISA – Ora sua...
NATSUME – Voltaremos a nos falar quando se acalmar.
ELISA – Não desliga na minha cara sua...
Natsume desliga subitamente na cara de Elisa para depois olhar para Naraku que sorria para ela fazendo com que a mesma fosse ao encontro de seu amado e lhe beijasse.
NARAKU – Essa Elisa pode nos complicar?
NATSUME – Bem que ela tem vontade, mas Elisa não é burra. Não vai ganhar nada nos prejudicando. (ela enlaça o pescoço dele com seus braços) – Pretende mesmo usar Ryukosei?
NARAKU – Sim, mas nele penso depois. Tem alguma novidade sobre Gatenmaru?
NATSUME – A última informação que tive dele foi que Haruy tinha encontrado uma pista, mas Haruy é ligado ao grupo de Elisa e, portanto, não vai nos contar nada sem a permissão de sua chefa.
NARAKU – Não que Gatenmaru seja capaz de evitar minha vingança, mas eu o prefiro morto.
NATSUME – Tenho outra novidade e acho que essa vai te interessar muito.
NARAKU – Fale.
NATSUME – Eu também fiquei curiosa em saber como InuYasha e os outros chegaram tão perto de impedir nossos planos.
NARAKU – Então você descobriu como?
NATSUME – Sim. Eles tiveram ajuda. Midoriko, a promotora de justiça. Lembra-se dela, não?
NARAKU – Claro que me lembro. (ele se afasta um pouco ficando de costas para ela) – Então ela continua sendo promotora de justiça? Interessante.
NATSUME – Sabia que ia achar interessante. (ela se aproxima dele e coloca uma das mãos no ombro dele) – Eu me lembro que você tinha uma quedinha por ela.
NARAKU – Não posso negar isso. (ele coloca a mão em cima da mão dela que estava em seu ombro)
NATSUME – Sentia um pouco de inveja daquela vadia. (ela tira a mão do ombro dele) – Tenho sua permissão?
Naraku se vira para encarar Natsume e nada diz ficando com um olhar determinado soltando em seguida um sorriso diabólico. Natsume tinha absoluta certeza que aquilo significava uma permissão para agir e em seguida ela se afasta para ir a outro cômodo do esconderijo e enquanto isso Elisa estacionava o carro em frente a uma casa ao mesmo tempo em que falava com alguém pelo celular. Esse alguém era Haruy, responsável por liderar uma equipe que buscava capturar Gatenmaru.
ELISA – Espero que seja importante, Haruy. Estou muito ocupada.
HARUY – Acho que encontramos a casa do homem que recolheu Gatenmaru. É uma cabana isolada.
ELISA – Tem certeza?
HARUY – O carro estacionado tem rodas de pneus que combinam com as marcas deixadas no local da queda de Gatenmaru. (observando a cabana por um binóculo) – Mas nenhum sinal de Gatenmaru.
ELISA – Reconhecem o dono da cabana?
HARUY – Não. O homem é apenas um velho. Ainda estou tentando identificá-lo.
ELISA – Veja isso depois. (ela sai do carro) — O mais importante é pegar Gatenmaru, mas não o mate.
HARUY – Não?! Achei que tínhamos ordens de matá-lo e...
ELISA – A situação mudou. (ela chega á porta da casa observando ao redor para certificar que ninguém a estava observando) — Gatenmaru pode ser útil.
HARUY – Como quiser.
ELISA – Certo. E não passe mais nada para Natsume sem minha ordem.
Depois dessas palavras, Elisa desliga seu celular e em seguida toca a campainha da casa e segundos depois a porta se abre e Hank aparece diante dela.
HANK – Já esperava sua visita.
ELISA – Ótimo. Deixe-me entrar.
Sem perder mais tempo, Hank da passagem para que Elisa adentrasse em sua residência. Hank, que era financiador da campanha de Ryukosei e amante de Elisa, já estava ciente da situação.
HANK – Tem certeza que não foi seguida?
ELISA – Claro que tenho! Acha que sou uma amadora? (ela respira fundo) – Já ficou sabendo da mensagem que Naraku fez Natsume ler, não?
HANK – Claro que sim! Naraku é um bandido perigoso e as autoridades estão apavoradas.
ELISA – Sim. A Segurança Interna colocou dois agentes para tomar conta de Ryukosei.
HANK – Esses agentes recebem ordens explicitas de proteção. Como conseguiu sair dos olhos deles?
ELISA – Ryukosei me ajudou. Ele distraiu os agentes enquanto eu fugia pelos fundos. Os agentes já devem ter recebido ordens para me procurarem.
HANK – Então temos que agir rápido. Quero me encontrar pessoalmente com Naraku. Leve-me até ele.
ELISA – Claro, mas antes tenho que ligar para Ryukosei e dizer que estou bem e...
HANK – Não!
ELISA – Mas por que não?
HANK – Os agentes podem ter grampeado o celular. Lembre-se que proteger seu marido é serviço dos agentes. Eles podem achar que foi seqüestrada por Naraku.
ELISA – Tem razão. Então vamos.
HANK – Vamos no meu carro.
Hank e Elisa saem da casa e vão em direção ao carro do empresário americano. Elisa parecia muito irritada com a situação que tinha fugido do seu controle. Hank percebeu isso e tentou acalmá-la.
HANK – Não fique assim, Elisa.
ELISA – Aquela Natsume me enganou. Eu sabia que ela era uma cobra e deixei que ela me mordesse. Como pude ser tão burra?
HANK – Imagino como deve estar se sentindo. (ele se aproxima dela) – Mas não fique assim. Vamos resolver tudo. Ainda temos nossos planos. Nada mudou.
ELISA – O que sinto é ter decepcionado você.
HANK – Vamos resolver tudo.
Hank coloca a mão no rosto de Elisa e depois faz com que o seu rosto se aproximasse do dela para lhe aplicar um beijo para mostrar a ela que eles estavam juntos naquela jogada. Em seguida ambos entraram no carro para partirem para o esconderijo onde estava Naraku, mas o que eles não desconfiavam era que um dos agentes da Segurança Interna estava observando toda a cena de longe através de um binóculo. O agente estava dentro do carro enquanto falava com Ryukosei através do celular.
AGENTE 1 – Infelizmente o senhor estava certo, senhor prefeito. Sinto informar que sua esposa está tendo um caso com seu financiador.
RYUKOSEI – Então Hank e Elisa estão juntos?
AGENTE 1 – Sim. Agora os dois sairão. O que eu faço? Quer que os siga?
RYUKOSEI – Não precisa. Acho que sei para onde eles vão.
AGENTE – Olha senhor, eu sei que não deve estar querendo ver sua esposa nem pintada de ouro, mas ela ainda pode ser um alvo de Naraku para atingi-lo. Não acha melhor eu ir até ela para forçá-la a voltar?
RYUKOSEI – Eu tenho uma idéia melhor, agente. Pode segui-los. O seu parceiro e eu estamos indo ao seu encontro.
Depois de falar isso, Ryukosei desliga seu celular e olha para o outro agente que tinha ficado com ele na casa.
AGENTE 2 – Isso não é uma boa idéia, senhor prefeito. O senhor é um alvo de Naraku e...
RYUKOSEI – Eu não dou a mínima para isso.
AGENTE 2 – Sei que deve estar furioso com sua esposa e...
RYUKOSEI – Você nem faz idéia, mas não estou indo lá para matá-la se é o que pensou. (ele o encara) — Acredite. Tenho os meus motivos.
AGENTE 2 – Tudo bem. Vamos, mas tenho que informar o senhor Rambari e...
RYUKOSEI – Escute, agente. Eu queria deixar isso fora dos olhos de Rambari. Acho que ele ficaria chateado pelo fato de usar os agentes dele para assuntos pessoais.
AGENTE 2 – Ele ficaria sim e é por isso que preciso ligar para ele e...
RYUKOSEI – Eu já fui chefe da Segurança Interna! Dediquei boa parte da minha vida naquela instituição e acho que mereço um pouco de gratidão, não acha, agente?
AGENTE 2 – Mas...
RYUKOSEI – Se ligar para Rambari, ele te dará ordens de ignorar meus pedidos. Por favor, agente. Não faça isso em nome dos anos que dediquei á Segurança Interna.
AGENTE 2 – O senhor está me colocando em uma situação difícil. (ele fica pensativo) – Tudo bem, mas terei que ligar para ele depois de levá-lo até sua esposa.
RYUKOSEI – Tudo bem. Podemos ir?
Ainda um pouco contrariado, o agente aceitar levar Ryukosei até ao encontro da esposa, mas mal ele sabia que Ryukosei tinha seus próprios planos para a esposa e o amante dela.
Próximo capítulo = Um novo crepúsculo – parte 2
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