Noite sem Fim

2 Recomeçar é preciso - parte 2


Depois de acabar de escrever sua coluna para seu blog, Sesshoumaru, ainda sentado á mesa na redação do jornal Diário da manhã, estava falando com a esposa através do celular.

SESSHOUMARU – Ela já voltou?

RIN – Sim! Acabou de chegar. (olhando Satsuki subir as escadas) – Ela inda parece meio nervosa, acho que seria bom não darmos a festa e...

SESSHOUMARU – Isso já está decidido! Nós já conversamos sobre isso.

RIN – Eu sei amor, mas acho que você tem que usar outra abordagem com ela! Satsuki vai fazer dezoito anos, não é mais uma criança que você coloca de castigo se não te obedecer.

SESSHOUMARU – Eu sei que ela faz dezoito anos, mas só por isso ela não tem que me ouvir?

RIN – E você a ouve?

SESSHOUMARU – Mas é claro que ouço.

RIN – Sim, você a ouve, mas não gosta do que escuta. (rindo) – Já que está decidido a dar essa bendita festa, pelo menos convide nossos amigos.

SESSHOUMARU – Estou indo almoçar no restaurante de InuYasha! Vou ver se tem a possibilidade dele ir até em casa, vai depender de como Kagome chegar.

RIN – Está bem! Eu vou falar com Satsuki e tentar convencê-la a participar da própria festa de aniversário.

SESSHOUMARU – Obrigado, amor! Sabia que podia contar com você. (ele olha para o relógio de pulso) — Agora tenho que ir! Vemos-nos mais tarde! Eu te amo.

RIN – Eu também te amo.

Depois de falar com a esposa, Sesshoumaru desliga o celular e quando gira a cadeira giratória para se levantar, percebe Momiji olhando fixamente para ele.

SESSHOUMARU – Quer alguma coisa? (se levantando)

MOMIJI – Sim! (se levantando também) — Que me respondesse uma coisa. (indo até ele) – Não pude deixar de ouvir parte de sua conversa e...

SESSHOUMARU – Olha Momiji! Estou com pressa, portanto se quer me perguntar algo, pergunte logo.

MOMIJI – Ta! (ela respira fundo) — Sempre diz para sua esposa que a ama?

SESSHOUMARU – Sempre que eu posso! Sinto a necessidade de mostrar á Rin o quanto ela é importante na minha vida. (ele sorri) – Agora me dê licença.

Sesshoumaru precisou desviar de Momiji, já que esta não se mexeu, ficando parada, observando o colega, inclusive a saída dele da redação, a jornalista não deixava de sentir um pouco de inveja de Rin, que tinha toda a dedicação de Sesshoumaru e enquanto isso na casa do jornalista, Rin subiu até o quarto de Satsuki e bateu na porta para se anunciar.

RIN – Posso entrar?

Rin coloca o rosto para dentro do quarto e percebe que Satsuki estava deitada na cama olhando para o teto, ato que a filha de Sesshoumaru deixa de fazer ao ouvir os sons da batida feitos pela madrasta.

SATSUKI – Eu não quero festa de aniversário. (volta a olhar para o teto) – Não percebe o quanto isso é infantil

RIN – Satsuki! (ela entra e se aproxima da enteada) – Talvez infantil seja o seu comportamento! Festa de aniversário não é coisa apenas para criança ou por acaso não se lembra que eu também tive festa de aniversário? Acho que uma festa de aniversário só vai me incomodar quando o preço das velas se aproximar do preço do bolo.

Satsuki, ainda olhando para o teto, esboçou um riso diante daquelas palavras de Rin, mas ainda sim estava reticente quanto á festa de aniversário que o pai dela queria.

SATSUKI – Mas eu não quero festa.

RIN – Satsuki! Apareça nessa festa! Faça a vontade do seu pai.

SATSUKI – E por que faria isso?

RIN – Porque talvez este seja o último aniversário que passem juntos! (Satsuki olha para Rin ao ouvir aquilo) — Você está prestes a entrar na faculdade! Logo, logo sairá dessa casa! Seu passado está aqui, mas seu futuro é em outro lugar.

SATSUKI – Eu vou pensar.

RIN – Já é um começo.

Rin se afasta de Satsuki para ir até a porta dom quarto e sair, mas antes que ela chegue a encostar a mão na maçaneta, Satsuki se manifesta.

SATSUKI – Rin!

RIN – Sim? (olhando para a enteada)

SATSUKI – Quando era pequena, sempre queria que meu pai passasse mais tempo comigo, mas ele nunca tinha tempo! Era trabalho, era compromisso, eram as namoradas! Sempre ficava em segundo plano, mas agora que eu cresci, ele não para de pegar no meu pé! Quer saber aonde vou, com quem vou.

RIN – Ele é seu pai! Isso é obrigação dele! Ele apenas quer o seu bem.

SATSUKI – O seu pai também era assim?

RIN – Ah sim! Era sim! Você tinha oito anos quando ele foi morto, acho que se lembra um pouco dele.

SATSUKI – Sim! Ele era detetive da polícia e parceiro de Sango! Lembro dele sim.

RIN – Meu pai era ótima pessoa! Amigo, compreensivo, companheiro, mas antes de tudo ele era pai! Agora imagine como ele ficou quando disse que estava saindo com seu pai, um homem dezesseis anos mais velho que eu! Meu pai quase enlouqueceu! Ficou furioso! Disse que iria prender seu pai por aliciar menores.

SATSUKI – Deve ter odiado seu pai, não?

RIN – Não! Pois eu sabia que ele estava fazendo aquilo porque me amava! Sabia que o nervosismo dele era porque ele tinha medo que eu me machucasse, mas ao invés de brigar com ele, como você faz com Sesshoumaru, eu sentei com meu pai e mostrei a ele as minhas justificativas para ir em frente com aquela relação, de forma adulta. (ela respira fundo) – Mesmo contrariado, meu pai aceitou e deu sua benção ao meu casamento com seu pai.

SATSUKI – Entendo.

RIN – Não entende não! Você dizer que entendeu não quer dizer que entendeu de verdade! O que estou querendo dizer, Satsuki, se quer provar aos outros que não é mais criança, não será recusando uma festa de aniversário ou enfrentando seu pai, mas sim se comportando de fato como uma adulta, argumentando com seu pai, colocando seu ponto de vista.

SATSUKI – OK! Eu vou aparecer nessa festa.

RIN – Ótimo! Sabe Satsuki? Não é só Sesshoumaru e Sara, você também é importante para mim.

Satsuki sorri diante da frase dita por Rin, que sai em seguida do quarto da enteada e enquanto isso no departamento de polícia, o capitão Jinenji recebia em sua sala o detetive Guy, que estava á frente da investigação do caso do ‘estrangulador das meias de nylon’.

JINENJI – Não há nenhuma pista mesmo?

GUY – Nenhuma! Ele não deixou digitais, fibras, vestígios! Nada! A equipe técnica disse que foi trabalho de profissional.

JINENJI – O que você acha?

GUY – O que vou falar é ‘chute’, mas é provável que esse estrangulador tenha tido treinamento militar, pois nem mesmo os bandidos do crime organizado são tão ‘bons’ nisso.

JINENJI – Eu também acho! Então faça uma lista com nomes de homens que foram expulsos da polícia, do exercito ou de qualquer outra agência.

GUY – Ok! Depois vou verificar quando deles usavam a internet para encontros amorosos, pois todas as vítimas do estrangulador faziam isso.

JINENJI – Ótimo! Bom trabalho, detetive.

GUY – Não senhor! Só vai ser bom trabalho quando pegarmos esse bandido. (de repente o telefone da sala toca) – Será que é quem estou pensando?

JINENJI – Esse é ano de eleições! Provavelmente é sim! Guy! Dê-me licença, por favor.

Guy sai da sala, nisso Jinenji pega o telefone para atendê-lo, achando que era o prefeito Ryukosei, o capitão teve a confirmação disso depois que atendeu o aparelho.

JINENJI – Senhor prefeito.

RYUKOSEI – Acabei de ser informado de que foi encontrado o corpo de mais uma vítima do estrangulador, isso é correto?

JINENJI – Sim senhor! O detetive Guy que está á frente do caso, acabou de me passar os detalhes.

RYUKOSEI – Por favor, capitão! Diga-me que tem alguma pista que possa localizar esse maníaco.

JINENJI – Infelizmente não temos nada, senhor! Seja quem for esse homem, é um profissional, pois não deixou nenhuma pista, como das outras vezes.

RYUKOSEI – A cidade está apavorada com esse bandido, as pessoas estão deixando de confiar na polícia e isso está afetando a minha candidatura á reeleição, portanto preciso que encontre esse meliante o quanto antes.

JINENJI – Sim senhor.

Estando em seu gabinete na prefeitura de Tóquio, Ryukosei desliga seu celular depois de falar com Jinenji para em seguida ficar olhando para Rakusho, seu secretário de segurança publica, que estava sentado á sua frente.

RYUKOSEI – Eu sei o que vai me dizer, Rakusho, mas ainda acho que não é hora de mudar de comando.

RAKUSHO – O senhor é o prefeito e deve saber o que faz, mas na minha modesta opinião, a saída de Jinenji do comando do departamento de polícia de Tóquio mostraria á população que o senhor está atendo ao medo dela.

RYUKOSEI – Ainda não! Jinenji está á frente do departamento há anos! A troca de comando poderia mostrar fraqueza e não firmeza como é minha intenção, sem falar que preciso de algo concreto para demiti-lo! Jinenji ainda estará á frente do departamento de polícia de Tóquio, isso está decidido. (ele se levanta de sua cadeira) – Agora vamos ao outro assunto! Adversários políticos.

RAKUSHO – A convenção do partido trabalhista deve indicar Gakusajin como candidato, certamente ele será seu adversário.

RYUKOSEI – Será ótimo derrotar aquele coitado como fiz quatro anos atrás. (rindo e depois ficando sério) – Acha que Gakusajin irá usar a não prisão do estrangulador?

RAKUSHO – Não sei! Usar isso é uma ‘faca de dois gumes’, pois só dará certo se não conseguirmos pegar até a eleição, mas se o capturarmos antes será um tiro pela culatra. (rindo) – Sem falar que na última pesquisa de intenção de votos, você estava mais de vinte pontos percentuais na frente dele.

RYUKOSEI – Isso me dá tranqüilidade, mas na política sempre pode pintar surpresas e você sabe muito bem que odeio surpresas.

RAKUSHO – Está falando do sumiço da mal fadada jóia de quatro almas?

RYUKOSEI – Sim! O sumiço dessa jóia é uma faca no meu pescoço! Eu quero que contate a Segurança Interna e procure saber se eles têm alguma notícia de Gatenmaru.

RAKUSHO – Acha que ele está com a jóia?

RYUKOSEI – Acho! A jóia estava em poder de Kanna, que não está mais com ela! Tenho certeza de que deu ao primo.

RAKUSHO – Vou cuidar disso agora mesmo, senhor.

Rakusho sai da sala, deixando Ryukosei a sós com seus próprios pensamentos, ele pensava que Gatenmaru tinha fugido com a jóia, mas na verdade a jóia está com InuYasha, que naquele exato momento estava recebendo Sesshoumaru em seu restaurante onde ambos estavam sentados á mesa, almoçando e conversando, algo que eles faziam com certa freqüência há cinco anos desde a morte de Miroku, naquele momento eles falavam sobre Satsuki.

SESSHOUMARU – Eu realmente não sei o que fazer com essa menina, ela anda muito rebelde.

INUYASHA – Como se na idade dela, nenhum de nós não fossemos. (sorrindo)

SESSHOUMARU – Mas não é só a rebeldia que me incomoda! Eu não sei bem o que é, mas parece que algo mudou dentro dela.

INUYASHA – Você não acha que o fim do namoro com Shippou é a causa disso.

SESSHOUMARU – Para ser sincero, no começo eu pensava que sim, mas agora, analisando melhor, acho que o fim desse namoro é apenas uma conseqüência do que causa.

INUYASHA – Ela ainda não vai ao psicólogo? Por que não conversa com ele?

SESSHOUMARU – O doutor Menoumaru?! Isso seria inútil! Há um segredo entre paciente e médico! Ele não vai me contar nada.

INUYASHA – Mas ele poderia ter dar pistas e...

InuYasha para de falar ao perceber a aproximação de Momiji, que vinha sorridente á direção dos irmãos, Sesshoumaru se surpreendeu com a presença dela.

SESSHOUMARU – Por acaso não está me seguindo, ou está?

MOMIJI – E se eu estivesse? (ela olha para InuYasha) – Posso me sentar?

INUYASHA – Claro! Vou deixá-los a sós e...

MOMIJI – Espere senhor InuYasha! É com o senhor que quero falar, tem um minuto?

INUYASHA – Vamos deixar Sesshoumaru acabar de almoçar.

InuYasha manobra sua cadeira de rodas para se afastar da mesa onde Sesshoumaru almoçava, Momiji o seguiu até seu escritório, onde podiam conversar mais á vontade.

INUYASHA – Vamos senhorita Momiji! O que quer saber de Kagome? Pois que outra razão a traria até ao meu humilde restaurante?

MOMIJI – Tem razão! É sobre sua esposa mesmo! Obtive a informação de que Kagome pretende encerrar sua curta carreira política depois que cumprir o seu mandato de vereadora, isso é verdade?

INUYASHA – Kagome chega dentro de algumas horas, devia fazer essa pergunta a ela.

MOMIJI – Eu vou interpretar isso como um sim! (ela se aproxima dele) – Parece que não é muito fã de política, senhor InuYasha.

INUYASHA – Pareço não! Eu não sou fã! Não queria Kagome no meio desse mundo.

MOMIJI – Mas mesmo assim permitiu que sua esposa entrasse nesse mundo, isso não lhe parece estranho?

INUYASHA – Não! Pois, bem como disse, Kagome é minha esposa e não minha propriedade! A decisão de entrar na política foi dela.

MOMIMJI – Sei. (ele começa a desconfiar de algo)

INUYASHA – Estou curioso para saber por que uma colunista tão prestigiada como a senhorita está tão interessada em uma simples vereadora, que está em seu primeiro mandato, isso não lhe parece estranho?

MOMIJI – Desculpe senhor InuYasha, mas eu sou a jornalista aqui, sou eu que faço as perguntas! Obrigado pelo seu tempo. (ela se curva) – Eu já vou indo.

Sem dizer mais nenhuma palavra, InuYasha observa Momiji saindo pela porta, a jornalista, por sinal, acena para Sesshoumaru antes de sair do restaurante, ao perceber isso, Sesshoumaru, que já havia acabado de almoçar, se levanta á mesa e vai ao escritório de InuYasha falar com o meio irmão.

SESSHOUMARU – O que ela queria?

INUYASHA – Ela veio com uma conversa fiada de que queria saber se Kagome iria abandonar a política.

SESSHOUMARU – Acha que ela sabe das reuniões que fazemos mensalmente?

INUYASHA – Eu não sei, mas ela é mais esperta do que eu pensava! Devia tomar cuidado com ela! Momiji não pode desconfiar que estamos articulados! Se uma informação desta vazar para a imprensa, nunca saberemos a verdade sobre o grau de envolvimento de Ryukosei na conspiração e nem por que Juroumaru enviou aqueles dados para Natsume.

SESSHOUMARU – Seja quem for a fonte de Momiji, essa pessoa pode nos levar a verdade, pois isso, talvez, tenha que ficar mais próximo dela e...

INUYASHA – Mas cuidado para não ficar tão próximo dela assim, pois Rin pode não gostar.

SESSHOUMARU – Não sei do que está falando.

INUYASHA – Não sabe do que estou falando?! Ora Sesshoumaru, dá um tempo! Momiji é uma linda mulher e Rin sabe disso! Você está brincando com fogo e pode se queimar.

SESSHOUMARU – Foi você mesmo que disse que a conspiração não terminou com a prisão de Kanna! Jaken morreu por causa dessa conspiração! Satsuki quase morreu por cauda dessa conspiração! Eu mesmo quase morri! Nesses últimos cinco anos fiquei com um objetivo na vida! Desmantelar essa gangue que quase arruinou nossas vidas e farei o que for preciso para isso.

INUYASHA – Até colocar seu casamento em risco?

SESSHOUMARU – Eu não vou colocar meu casamento em risco.

INUYASHA – Ok! Discutimos isso na reunião de amanhã.

SESSHOUMARU – Ta! (ele ia se afastando até se lembrar de algo) – Ah sim! Posso contar com a presença de vocês na festa?

INUYASHA – Eu não vou garantir anda, Sesshoumaru! Kagome deve chegar muito cansada da viagem e não sei se Shippou irá querer estar presente, ainda mias depois da forma como ele e Satsuki se separaram.

SESSHOUMARU – Entendo.

INUYASHA – Talvez eu apareça lá somente com Genku.

SESSHOUMARU – Talvez nem haja festa! Eu já vou indo.

Sesshoumaru se despede de InuYasha e em seguida sai dói restaurante, o jornalista estava com a cabeça cheia devido á sua preocupação com a filha e enquanto isso o ex. prefeito da cidade de Tóquio, Gakusajin, acabara de chegar á sede municipal do partido trabalhista acompanhado de Botan, sua assistente, ambos logo notaram o grande numero de pessoas no local, eram políticos, correligionários, militantes, era muita gente mesmo.

GAKUSAJIN – Eu não podia imaginar que haveria tanta gente apenas para uma simples convenção do partido.

BOTAN – Mas para mim não é surpresa! A cúpula do partido está reunida para escolher o nome do vice na sua chapa.

GAKUSAJIN – E toda essa gente está aqui por isso?

BOTAN – Sim senhor! (ela mostra um papel para ele olhar) – Segundo pesquisas encomendadas por nós, o senhor está mais de vinte pontos percentuais atrás de Ryukosei na corrida para a prefeitura.

GAKUSAJIN – Isso é só o começo da campanha! (ele devolve o papel á ela) – Temos tempo para reverter esse quadro.

BOTAN – Mas segundo os nossos analistas, seu nome já deveria estar em um nível melhor.

GAKUSAJIN – O que foi, Botan? Está com medo de Ryukosei ganhar no primeiro turno?

BOTAN – Estou sim! E a cúpula do partido também está! Por isso essa quantidade de gente! Acreditamos que o nome de seu vice deva ser de alguém capaz de ajudá-lo a reverter a vantagem de Ryukosei! Há muitos candidatos á esse posto.

GAKUSAJIN – Quais?!

BOTAN – Olhe o senhor mesmo.

Botan tira de sua bolsa um outro papel que na verdade era uma lista com o nome de mais ou menos dez políticos que pretendiam ser vice na chapa encabeçada por Gakusajin, que ficou olhando atentamente nome por nome, ele conhecia todos e assim, depois de olhar a lista, Gakusajin percebe a expressão de desanimo no rosto de Botan.

GAKUSAJIN – São bons nomes, mas algo me diz que você não gostou de nenhum deles.

BOTAN – Como o senhor mesmo disse, são bons nomes, mas...

GAKUSAJIN – Mas o que, Botan? Diga-me.

BOTAN – Mas nenhum deles acrescenta nada em sua chapa! Eles atingem o mesmo eleitorado que o senhor.

GAKUSAJIN – Tudo bem Botan! Eu concordo com você, mas o que sugere então?

BOTAN – Eu sugiro um outro perfil para seu vice! Uma cara nova e...

GAKUSAJIN – Chega de papo furado! Eu te conheço há anos Botan! Se está me dizendo essas coisas é porque já pensou em alguém! Quem?

BOTAN – Kagome! Estou pensando em Kagome.

GAKUSAJIN – Kagome?! Mas ela é uma novata.

BOTAN – Por isso mesmo! Ela é um rosto novo na política e como mulher ela pode atingir outro eleitorado, sem falar que ela sempre foi muito combativa durante a administração de Ryukosei.

GAKUSAJIN – Eu nunca pensara, á princípio, em Kagome como minha vice e nem sei se ela aceitaria esse desafio, abrindo mão de uma reeleição tranqüila para vereadora.

BOTAN – Acontece que falei com Kagome, antes dela viajar aos EUA, sobre essa possibilidade! Ela ficou de pensar e que me daria uma resposta na convenção. (ela olha para o relógio de pulso) – Quando descer do avião, ela virá direto para cá.

GAKUSAJIN – Mesmo que aceite a idéia de ser minha vice, Kagome terá que ser aprovada pela cúpula do partido disputando a indicação com outros dez candidatos.

BOTAN – Mas o senhor tem influência dentro do partido no âmbito municipal, pode usar essa influência para forçar os membros do diretório municipal á indicar Kagome como sua vice.

GAKUSAJIN – Botan! Sabe muito bem que não costumo usar minha influência para forçar ninguém a fazer o que não quer! A tarefa do diretório é indicar um vice, portanto deixarei isso nas mãos do diretório.

BOTAN – Com todo respeito senhor! Acho que está sendo omisso nesse caso! Isso lhe custou uma derrota esmagadora há quatro anos! Se não quer que isso se repita, tem que se envolver mais.

Depois de dizer isso, Botan se afasta de Gakusajin para ir para sua sala, a assessora de imprensa do ex. prefeito acreditava, piamente, que as chances de vitória de Gakusajin passavam pela indicação de Kagome como vice dele e enquanto isso em sua casa, Rin fazia as tarefas domesticas, mas para ao ver Satsuki descendo as escadas de mãos dadas com Sara e Tamira, uma de cada lado dela, por isso foi falar com elas.

RIN – O almoço está pronto! Só tenho que lavar as mãos e as acompanho...

SATSUKI – Eu já estou de saída, Rin, sinto muito.

RIN – Mas vai sair de estomago vazio, querida?

SATSUKI – Eu como algo na rua. (ela se agacha para acariciar Sara) – Rin! Sabia que Sara me viu me maquiando e pediu que a maquiasse também?

RIN – Mesmo?! (com as mãos na cintura) – Mas que danadinha! Vaidosa já nessa idade. (sorrindo) – Acho que ela quer ser tão bonita quanto você, Satsuki.

SATSUKI – É isso, Sara? Quer ser tão bonita quanto sua irmãzona aqui? (sorrindo também)

SARA – Que.

SATSUKI – Ok! (ela olha para Rin) – Talvez ela possa usar uma das minhas maquiagens velhas e...

RIN – Não! Não! Olha Satsuki! Ela ainda é muito pequena para usar maquiagem e sem falar que uma criança não é um adulto em miniatura, portanto ela não pode usar a mesma maquiagem que você usa.

SATSUKI – Tem razão! (ela da um beijo na testa de Sara) – Bem, eu já vou indo.

RIN – Aonde vai?

SATSUKI – Vou ao consultório do doutor Menoumaru.

RIN – Mas hoje não é seu dia de ir ao psicólogo.

TAMIRA – O que é psicólogo, tia? (se metendo na conversa)

RIN – Isso é meio complicado de explicar, querida.

Rin faz com que Tamira e Sara fiquem sentadas juntinhas no sofá para que ela pudesse conversar com Satsuki.

SATSUKI – Vou até lá para ele me encaixar em outro horário, já que agora arrumei um emprego e não posso ir aos dias marcados.

RIN – Vai Satsuki! Fique e come alguma coisa.

SATSUKI – Ok! (ela vai até a cozinha, pega uma maçã na fruteira e da uma mordida nela) – Até mais tarde.

Levando a maçã consigo, Satsuki sai pela porta deixando Rin a sós com Sara e Tamira, que ainda estavam sentada no sofá.

RIN – Que pena que ela teve quer ir.

TAMIRA – Por quê?

SARA – É, por quê?

RIN – Eu fiz torta para sobremesa! Azar dela! Sobra mais para nós.

Tanto Sara quanto Tamira riam da frase de Rin, assim a esposa de Sesshoumaru levou sua filha e a filha de Sango para a cozinha, embora mostrando bom humor, Rin estava preocupada com o comportamento de Satsuki e enquanto isso em seu restaurante, InuYasha, mesmo em uma cadeira de rodas, circulava pelo estabelecimento gerenciando seus funcionários e conversando com os clientes, que pareciam satisfeitos com o serviço prestado, isso deixava InuYasha muito orgulhoso de si mesmo, mostrava que ele aprendeu a administrar o restaurante herdado de sua mãe, naquele momento um funcionário do restaurante vêm á sua direção com o telefone sem fio na mão.

FUNCIONÁRIO – Senhor! É sua esposa.

INUYASHA – Ah sim. (ele pega o telefone) – Pode cuidar das coisas por aqui?

FUNCIONÁRIO – Claro senhor.

INUYASHA – Obrigado.

InuYasha, de posse do telefone sem fio, vai até seu escritório, onde Genku estava sentado á mesa escrevendo algo, quando entra no local, ele fecha a porta e atende o aparelho.

INUYASHA – Oi, amor.

KAGOME – Oi! Desculpa por ligar de novo, mas acabo de desembarcar no aeroporto de Tóquio.

INUYASHA – Já?! Pensei que ia chegar somente á noite.

KAGOME – Acontece que me enganei! O vôo que peguei não tinha escala.

INUYASHA – Mas isso é ótimo! Quanto mais cedo chegar, mais cedo Genku matará a saudade que sente de você, aliás, todos nós. (olhando Genku desenhando algo)

KAGOME – Coloque no viva-voz! Quero falar com ele.

INUYASHA – Ta! (ele aperta um botão do telefone colocando-o no viva-voz) – Genku! É a mamãe no telefone! (ele exibe o aparelho) — Fale com ela.

GENKU – Oi mamãe.

KAGOME – Oi, amor! Que bom ouvir sua voz! Estou com tanta saudade! Esses quatro dias sem vocês foi uma eternidade.

GENKU – A senhora já está voltando?

KAGOME – Estou sim, querido.

GENKU – A senhora comprou o brinquedo que falei?

KAGOME – Comprei sim! Então é só por isso que está feliz com minha volta? Pelo brinquedo que comprei?

GENKU – Também.

INUYASHA – Pelo menos ele é honesto. (sorrindo)

KAGOME – Ajudou muito dizendo isso. (sorrindo também) – Genku! O que está fazendo agora?

GENKU – Estou desenhando! É um trabalho que a professora pediu.

KAGOME – Isso é muito bom! Continue sendo um bom menino! Agora deixe-me falar em particular com seu pai.

GENKU – Ta.

InuYasha entendeu o recado da esposa e desligou o viva-voz do aparelho para em seguida se afastar um pouco do menino para voltar a falar com Kagome.

INUYASHA – O que quer falar comigo que o Genku não pode ouvir?

KAGOME – Não é nenhum segredo de estado! Quero que vá a sede do partido trabalhista e leve Shippou e Genku com você.

INUYASHA – Por acaso é sobre aquela sua decisão tão importante que vai afetar nossas vidas?

KAGOME – Sim! Preciso da presença da minha família nesse momento.

INUYASHA – Por acaso essa decisão é algo á respeito de sua desistência da política?

KAGOME – O que?! Onde ouvir isso?

INUYASHA – Hoje maus cedo aquela colega de Sesshoumaru esteve aqui insinuando que você poderia anunciar hoje sua desistência da política.

KAGOME – Colega de Sesshoumaru? Deve ser a Momiji! Não sei de onde tira essas informações.

INUYASHA – Então isso é verdade?

KAGOME – Mais ou menos! Ficará sabendo de tudo na sede do partido.

INUYASHA – Vou pegar um táxi para chegar até aí.

KAGOME – E não se esqueça de pegar Shippou também no trabalho dele! Quero a presença de todos.

INUYASHA – Ta bom! A gente se vê mais lá então.

InuYasha desliga o telefone e fica pensativo sobre que decisão era essa que Kagome faria que mudaria a vida deles e enquanto isso no aeroporto, depois de falar com o marido, Kagome vai até o estacionamento onde Tanuki, seu assessor, a aguardava encostado no carro.

TANUKI – Fez boa viagem, vereadora? (abriando a porta paras ela entrar)

KAGOME – Tanuki! Já disse que pode me chamar pelo nome! (ela entra e se senta no banco de trás do carro) — Não precisa dessas formalidades.

TANUKI – É o costume. (se sentando do lado dela)

KAGOME – Pois desacostume, sabe muito bem que não gosto dessas coisas.

TANUKI – Como quiser, Kagome. (ele olha para o motorista) – Podemos ir, Oli.

OLI – Sim senhor.

Oli, o motorista, da a partida no carro oficial do partido trabalhista enquanto Kagome e Tanuki conversavam no banco de trás.

TANUKI – Falou com InuYasha sobre sua decisão?

KAGOME – Sim.

TANUKI – E o que ele disse?

KAGOME – Eu ainda não contei tudo á ele.

TANUKI – Acho que ele vai ficar bastante surpreso! Tem certeza absoluta de sua decisão?

KAGOME – Tanuki! Nós já conversamos sobre isso! Foi você mesmo que me incentivou á essa decisão, por que está tão cético agora?

TANUKI – Não sei! Nervosismo. (ele esfrega as mãos) – Eu queria que Miroku estivesse vivo para presenciar esse acontecimento! Tenho certeza que esteja onde estiver, ele vai torcer por você.

KAGOME – Também acho. (ela pega na mão dele) – Vai dar tudo certo. (ela sorri) – Falou com Botan?

TANUKI – Sim! Ela vai estar te esperando para aquela conversa.

KAGOME – Ótimo! Vamos colocar os pingos nos is.

Seja qual fosse a decisão de Kagome, ela estava muito convicta dela e não se deixaria intimidar por nada.

Próximo capítulo = Recomeçar é preciso – parte 3