Noite sem Fim

54 Nervosismo extremo - parte 3


Ainda no porão do restaurante de InuYasha, Ryoma tinha amarrado Soten em uma cadeira e estava continuando a interrogá-la.

RYOMA – Anda, menina! Para quem você ligou aquela hora?

SOTEN – Eu não vou contar.

RYOMA – Chega de ser bonzinho. (ele tira uma faca das costas e a exibe)

SOTEN – O que vai fazer comigo?

RYOMA – Caso não saiba, eu já fui, por cinco anos, um agente imperial. Nesse período usei vários métodos de interrogatórios. Alguns muito doloridos. (ela lança um sorriso diabólico) — Para quem é interrogado, é claro.

SOTEN – Você é louco.

RYOMA – Sabe o que vou fazer? (ele segura o rosto dela) – Primeiro vou arrancar seu olho direito. Depois seu olho esquerdo. Você ficará cega, mas não morrerá. Se insistir em não contar o que eu quero saber, eu arrancarei todos seus dedos. Das mãos e dos pés. Um por um.

SOTEN – Não. (ela chora) – Não faz isso, por favor.

RYOMA – Então diga o que eu quero saber e pouparei sua vida. (Soten nada responde deixando-o furioso) – Eu não tenho tempo á perder.

Ryoma encostou a faca perto do olho direito de Soten e começou a fazer pressão e quando viu que ele estava falando sério, Soten se manifestou.

SOTEN – Eu falo! Eu falo.

RYOMA – Para quem você ligou e o que disse?

SOTEN – Foi para meu namorado. Essa é a casa dele. Eu vim aqui para vê-lo. Eu disse a ele que tinha alguém na casa dele e que matou os funcionários.

RYOMA – Você ouviu o que eu estava procurando?

SOTEN – Eu não disse nada! Eu juro! Eu juro. Por favor, não me machuque.

RYOMA – Está bem.

Ryoma notou, na expressão assustada de Soten, que ela estava falando a verdade e por isso guardou a faca, ficando de costas para ela e naquele exato momento o seu celular começou a tocar e ao ver no visor o numero do celular de Zakira, sabia o que tinha que fazer.

RYOMA – Tenho que ir. O perigo se aproxima. (ele saca sua arma) – Eu sei que tinha prometido poupá-la, mas sou um contumaz quebrador de promessas e...

Quando Ryoma ia se virar para atirar em Soten foi surpreendido pelo avanço desesperado da jovem, que estava com as mãos amarradas na cadeira, mas os pés estavam livre e assim ela conseguiu se jogar contra ele fazendo-o perder a arma. Apenas golpeando com as pernas, Soten dava vários chutes em Ryoma, mas este estava com os membros totalmente livres e por isso conseguiu pegar um pedaço de pau, acertando-o na cabeça de Soten, fazendo-a desmaiar.

RYOMA – Essa vadia sabe mesmo lutar. (ele pega de volta sua arma e a aponta contra Soten caída no chão) – Agora acabou para você, sua vaquinha e...

Ryoma ouve o som de um carro estacionando e logo presume que deveria ser Sango. Isso o obrigaria a poupar Soten já que tinha que sair dali sem chamar a atenção. O que não seria possível se a detetive ouvisse o som de um disparo e assim Ryoma se escondeu atrás do balcão do restaurante e enquanto isso Sango saía do seu carro e estranhava o restaurante fechado.

SANGO – Mas que coisa mais esquisita. Será que Soten veio mesmo aqui? (naquele momento o carro de Zakira estaciona também)

ZAKIRA – Sango! Eu...

SANGO – Fique aí, Zakira. (ela saca uma arma) – Tem algo de estranho por aqui. Eu vou entrar sozinha.

ZAKIRA – Então tome cuidado.

Sango agradece com um sorriso e depois entra com cuidado no restaurante de InuYasha e estranha o silêncio do local. Passa pelo estabelecimento até chegar à casa, que estava toda revirada. Pensando que havia ocorrido um assalto, Sango decidiu procurar em todos os lugares da casa e foi assim que Ryoma aproveitou para sair do local sem ser visto pela detetive e do lado de fora, ele fica frente á frente com Zakira, que já estava fora do carro.

RYOMA – Onde está a equipe de apoio?

ZAKIRA – Devido á presença de Sango. Ela está na outra rua.

RYOMA – Certo.

ZAKIRA – Matou a menina?

RYOMA – Não. Eu ia matá-la, mas ela conseguiu me golpear e aí ficou em cima da hora para matá-la sem chamar a atenção de Sango, mas ela não sabe de nada.

ZAKIRA – Agora vá.

Ryoma se afastou de Zakira para ir ao encontro com a equipe de apoio enquanto o noivo de Sango foi para o interior do restaurante para ir ao encontro dela, mas o que nenhum dos dois percebeu foi que Shippou, escondido atrás de um poste, tinha presenciado a cena.

SHIPPOU – “Mas aquele é Ryoma de quem Soten falou, mas por que ele estava falando com Zakira?” (pensando)

Shippou, que veio correndo da casa de Satsuki até lá, estranhou muito tal cena e ficou parado por um tempo raciocinando e tentando entender o que estava acontecendo, mas depois se lembrou do telefonema de Soten e de sua voz assustada do outro lado da linha para ir correndo ao local e enquanto isso, Sango foi para o porão da casa, único lugar que não tinha procurado e foi aí que ela viu Soten desmaiada.

SANGO – Por Kami. (foi até a jovem e ficou aliviada por certificar que estava viva) – Ainda bem e...

Ela saca uma arma ao ouvir som de passos se aproximando. Era Zakira que apareceu na porta do porão.

ZAKIRA – Não atire em mim.

SANGO – Droga, Zakira. (ela guarda a arma) – Eu não te falei para ficar no carro?

ZAKIRA – Eu fiquei preocupado. Você não retornou e por isso vim até aqui. (ele olha para Soten) – Mas é Soten. (fingindo surpresa) – O que aconteceu com ela?

SANGO – Ela está desmaiada. Levou um golpe na cabeça. Provavelmente quem assaltou o local, fez isso com ela.

ZAKIRA – Deixe-me cuidar dela.

SANGO – Faça a acordar, por favor.

Sango deixou Soten sob os cuidados de Zakira e naquele momento Shippou aparece subitamente no local, chamando a atenção dos outros.

SHIPPOU – Soten não está...?

SANGO – Ela está bem. (ela estranha a presença dele) – Você não estava com InuYasha?

SHIPPOU – Não. (ele se agacha para ficar perto de Soten desmaiada) – Soten me ligou dizendo que Ryoma estava aqui e que matou os funcionários do restaurante. Os corpos estão atrás do balcão.

Depois de ouvir isso, Sango foi até o restaurante para certificar da informação dada por Shippou, que lançou um olhar cerrado para Zakira, sem que este percebesse, se lembrando da cena na frente do restaurante e enquanto isso no parque industrial, onde Kagome era mantida como refém, Miroku conversava, através do celular, com Natsume.

NATSUME – O antídoto está quase pronto. Para onde quer que eu o leve?

MIROKU – Diga para seu mensageiro levar o antídoto para a estação Million. Lá receberá mais instruções.

NATSUME – Quando entregar o antídoto, você matará Kagome?

MIROKU – Ainda não. Primeiro quero me certificar que o antídoto é verdadeiro e aí sim eu matarei Kagome. E nem adianta tentar rastrear essa ligação. Está bloqueada.

Miroku desliga o celular que usava para depois olhar para Zuza, que não estava entendendo que ‘jogo’ ele estava jogando.

ZUZA – O que você pretende?

MIROKU – Preocupe-se com suas coisas, Zuza.

ZUZA – Sei.

Zuza sorria malignamente para Miroku e depois se afastou deste para ir até a porta da sala onde Kagome estava presa. A esposa de InuYasha se assustou a ver a imagem do seu carrasco bem em sua frente.

KAGOME – O que você vai fazer comigo?

ZUZA – Por enquanto nada, pois tenho ordens de mantê-la viva. Por enquanto. (ele sorri) – Eu vou adorar ver Miroku matá-la. Será uma delícia.

KAGOME – Como conseguiu convencer Miroku a te ajudar? Explica-me.

Antes que Zuza pudesse responder, Miroku aparece ao lado dele e se manifesta.

MIROKU – Ela não tem que saber.

ZUZA – Ela vai morrer. Que diferença faz se ela souber ou não?

MIROKU – Eu não quero que ela saiba e pronto. Se quiser contar o seu motivo, fique á vontade.

Miroku volta a se afastar de Zuza, que volta a olhar para Kagome a fim de contar seus motivos para quer vê-la morta e logicamente depois de ouvir que o motivo era para fazer Kikyou voltar a ser a numero um na vida de InuYasha. Mesmo não sendo médica, Kagome deu seu diagnostico sobre Zuza depois daquele relato.

KAGOME – Você é maluco, pirado, louco de pedra.

ZUZA – É o que todos dizem.

KAGOME – O que você tem para Natsume fazer isso por você? Ela conseguiu tornar Miroku um bandido. Que poder é esse que você tem?

ZUZA – Uma informação valiosa, tão valiosa que Natsume me ajudou até onde pode. Informação que pode fazer esse governo ruir pela falta de credibilidade.

Depois de dizer isso, Zuza se afasta da porta e estando algemada, Kagome ficava imaginando que informação seria essa, ficava tentando imaginar também os motivos de Miroku estar ajudando Zuza e enquanto isso na redação do jornal Diário da manhã, Sesshoumaru falava, pelo celular, com a esposa, que estava dentro de um taxi á caminho de se encontrar com ele.

SESSHOUMARU – Onde você está, amor?

RIN – Estou presa no transito. Devia ter pego uma outra rota, mas já estou chegando. (ela olha para uma pasta em sua mão) – E estou com seus arquivos.

SESSHOUMARU – Mesmo assim demorou muito para encontrá-los, hein?

RIN – Você deixa as coisas fora do lugar.

SESSHOUMARU – Agora fico com fama de bagunceiro? Eu mereço. Eu tenho que desligar. Venha o mais rápido possível.

RIN – Estou indo até aí.

Sesshoumaru desliga seu celular para em seguida se levantar de sua cadeira para ir até a mesa de Momiji, que ainda parecia chateada por ter sido detida na sede do partido trabalhista.

SESSHOUMARU – Está vindo do partido trabalhista, não?

MOMIJI – Sabe que sim. (ela olha para ele) – Acho que deve saber o que está acontecendo com sua cunhada.

SESSHOUMARU – Kagome?! O que tem ela?

MOMIJI – Miroku conseguiu sequestrá-la.

SESSHOUMARU – Isso é sério?!

MOMIJI – Claro que sim. Tanto que a Agência Imperial não quer que essa notícia vaze. Por isso eles fizeram um acordo comigo. Me darão esclusividade caso eu mantenha isso em segredo.

SESSHOUMARU – Por que a Agência Imperial está fazendo tanto esforço para isso?

MOMIJI – Eu não sei, mas é algo que vou descobrir. (digitando algo no seu computador) — A liberdade de imprensa não é total nesse país. (ela percebe que ele ainda estava a observando) – Quer alguma coisa?

SESSHOUMARU – Na verdade sim. É algo que pode ajudar nós dois. Precisamos voltar a trabalhar naquele assunto sobre o LPAP que Juroumaru enviou para Natsume.

MOMIJI – Achei que concordamos que não iríamos mais trabalhar nisso juntos. (ela volta a digitar) – Depois do que aconteceu entre a gente.

SESSHOUMARU – Mas eu descobri uma coisa interessante. Lembra-se do John que falei outro dia?

MOMIJI – Claro que sim. John, o ex. agente que matou Bankotsu e Jakotsu, mas pelo que eu sei, ele era ligado á Ryukosei e não tem nada a ver com Natsume e...

SESSHOUMARU – Pode até ser, mas o nome dele apareceu em uma de minhas anotações. Uma lista que fizemos de oficiais ligados á qualquer LPAP apareceu o nome dele. Duvido que isso seja coincidência.

MOMIJI – Estou entendo o que quer diser. LPAP quer diser localização de prisioneiro de alta periculosidade ou seja, está ligada á um prisioneiro que Natsume quer libertar e se observarmos as prisões que John fez quando era agente da CIA, talvez possamos identificar o prisioneiro.

SESSHOUMARU – É isso aí. (ele a encara) – Podemos colocar nossas diferenças de lado e trabalharmos juntos nisso de novo?

MOMIJI – Tudo bem, Sesshoumaru. Vou esquecer a cachorrada que fez comigo, pois tenho um interesse nesse assunto.

SESSHOUMARU – Ótimo! Rin está vindo para cá com minhas anotações e quando ela chegar, poderemos começar.

Momiji consente com a cabeça e Sesshoumaru volta para sua mesa e enquanto isso no Instituto Petros, mais precisamente no laboratório, Tikaru, depois de acabar de fazer o antídoto, falava, através do celular, com Natsume.

TIKARU – Estação Million? Mas por que lá?

NATSUME – Porque Miroku quer. Isso tem que ser feito, pois não conseguimos localizar Koharo.

TIKARU – Eu não estou gostando disso. Pode ser uma armadilha.

NATSUME – Pode, mas não temos escolha. Quero que você vá pessoalmente e leve sua equipe de segurança e...

TIKARU – Não vai dar. Aconteceu um problema.

NATSUME – O que houve?

TIKARU – Um acesso não autorizado no setor. Eu não sei o que houve, mas mandei que a equipe verificasse isso. Vou ter que ir sozinho á estação.

NATSUME – Melhor não! Você pode ser capturado e isso seria ruim. Mandarei uma equipe minha para te dar apoio na estação. Mande sua equipe cuidar de tudo.

TIKARU – Certo.

Tikaru desliga seu celular para levar o antídoto até a estação Million e enquanto isso, depois de vasculhar a casa de InuYasha e não encontrar nada, Ryoma já estava em fuga no furgão da equipe de apoio e naquele exato momento seu celular começa a tocar.

RYOMA – Fale.

NATSUME – Já chegou?

RYOMA – Estamos chegando. Tem certeza que a jóia de quatro almas está na casa de Onigumo?

NATSUME – Não tenho certeza de nada, mas é nossa melhor opção, pois descobrimos que foi ele quem ajudou InuYasha a usar o poder da jóia para voltar a andar.

RYOMA – Mas como o mundo dá voltas. Onigumo do lado dos mocinhos? Isso é ironia do destino.

NATSUME – Sei. Aproveite que ele está no trabalho e tente achar a jóia o mais rápido possível. Quando InuYasha souber o que aconteceu na casa dele, aposto que ligará as coisas, portanto apresse-se.

RYOMA – Já estamos chegando. (ele desce do furgão)

NATSUME – Tem outra coisa. Preciso que mande a equipe de apoio para a estação Million.

RYOMA – Assim vou ficar sozinho.

NATSUME – Eu sei, mas preciso da equipe de apoio na estação Million agora mesmo. Mande-os.

Sem desligar seu celular, Ryoma ordena que o grupo de quatro homens, que o acompanharam, vá para a estação Million. Depois de ver o furgão saindo de sua frente, Ryoma volta a dar atenção á Natsume.

RYOMA – Pronto. Já os enviei.

NATSUME – Ótimo. Faça seu trabalho o mais rápido possível e...

RYOMA – Espere um pouco, Natsume.

Ryoma se esconde atrás de uma moita ao perceber a aproximação de uma moça no local. Era Eri, uma das antigas colegas de Kagome, que estava ali para ver Onigumo. Ela nem percebeu a presença de Ryoma.

RYOMA – Acho que conseguirei achar a jóia mais rápido do que pensei. Falo com você depois.

NATSUME – Certo. Cuide de tudo.

Depois de falar com Natsume, Ryoma desliga seu celular enquanto observava Eri e enquanto isso, InuYasha ao se aproximar de sua residência, percebe um cordão de isolamento em torno do restaurante e vê também, Sango, Zakira, Shippou e Soten do lado de fora do estabelecimento indo até eles, que explicam o que houve.

INUYASHA – Mas que tragédia. Depois do seqüestro de Kagome, agora isso.

SANGO – Eu só não entendo o que Ryoma queria aqui.

INUYASHA – Acho que sei. Dêem-me licença.

InuYasha se afastou de todos para usar seu celular deixando Zakira pensativo em saber para quem era a ligação, mas ele ainda tinha que fingir inocência para Sango.

ZAKIRA – O que faremos agora?

SANGO – Se o seqüestro de Kagome tem relação com o seqüestro de Tamira, precisamos seguir as pistas que temos.

Sango olha para Soten sendo amparada por Shippou para em seguida ir até ela.

SANGO – Conseguiu se lembrar da placa do carro?

SOTEN – Não.

SANGO – Droga, Soten! Você precisa se lembrar. É a vida da minha filha que está em risco.

SOTEN – Estou tentando, mas não consigo.

SANGO – Não está tentando o bastante. (ela agarra Soten pelos ombros) – Preciso que se lembre agora e...

SHIPPOU – Já chega, Sango. (ele se coloca entre as duas) — Assim não está ajudando. Não é assim que vai conseguir a informação.

SANGO – Não me venha tentar ensinar meu trabalho. (botando o dedo no peito dele) – É a minha filha que está desaparecida. O dia que você for pai, irá me entender, portanto saia da minha frente. Pelo que me consta ela pode ter até facilitado o rapto. Esse negócio de que ela passou cinco anos em um templo pode ser balela. Eu vou arrancar essa informação dela.

SHIPPOU – Não percebe o absurdo que está dizendo? (ele se coloca na frente dela) – Não vou deixar que toque nela.

Desesperada para conseguir qualquer informação que leve ao paradeiro da filha, Sango saca uma arma e aponta para Shippou, ação que fez InuYasha se manifestar, se colocando na frente do filho.

INUYASHA – Calma Sango! Não vai conseguir nada agindo desse jeito.

SANGO – É minha filha, InuYasha! Vou fazer o que for preciso para encontrá-la.

INUYASHA – Eu sei disso, Sango, mas não é desconfiando de Soten que vai conseguir, pois desconfiar de Soten é desconfiar da gente também. Fomos nós que encontramos Soten e não ela que nos encontrou. Agora abaixe a arma, por favor, Sango.

Sango olha para os olhos incrédulos de InuYasha e Shippou e depois olha para a expressão assustada de Soten e se dá conta do que estava fazendo.

SANGO – Me desculpem, por favor.

INUYASHA – Tudo bem. (ele a puxa para dar um abraço) – Todos nós entendemos seu desespero.

SANGO – Eu só quero Tamira comigo. A minha filhinha.

INUYASHA – Eu sei o que sente, Sango. Nós vamos encontrá-la assim como vamos encontrar Kagome. Acredite nisso. Tenho outra pista e...

SHIPPOU – InuYasha! Podemos conversar?

INUYASHA – Shippou! Nós não temos tempo. Quanto mais tempo a gente perde menos tempo temos de encontrar Kagome e Tamira.

SHIPPOU – Eu sei, mas isso é importante.

SANGO – Vá com ele, InuYasha. Vou falar com um dos policiais e ver se ele conseguiu alguma.

Assim InuYasha e Shippou se afastam dos outros para conversarem em um local mais isolado.

INUYASHA – Shippou! Eu sei o que vai falar. Que Ryoma veio aqui para pegar a jóia de quatro almas.

SHIPPOU – Eu sei disso. Por que mais Ryoma vasculharia nossa casa?

INUYASHA – Já até liguei para Onigumo. Isso só reforça o envolvimento do Instituto Petros, pois deve ter sido de lá que a conspiração soube do uso que fiz da jóia para poder voltar a andar. Shiori e Souta estão lá tentando conseguir algo sobre o destruidor de moléculas. Essa é a pista que preciso falar com Sango e...

SHIPPOU – Eu sei, mas não pode fazer isso na frente do Zakira.

INUYASHA – E por que não? Ele e Sango são noivos e á essa altura ela já deve ter contado tudo e...

SHIPPOU – Soten me ligou quando foi pega por Ryoma e assim vim correndo da casa de Satsuki até aqui e ao chegar vi Ryoma saindo do restaurante.

INUYASHA – E?

SHIPPOU – Ele chegou a trocar algumas palavras com Zakira.

INUYASHA – Ryoma deve ter conseguido driblar Sango e quando chegou lá fora se surpreendeu com Zakira e o ameaçou. Isso é uma conjectura sua baseada em uma visão de longe e...

SHIPPPOU – Eu sei o que vi e em nenhum momento Zakira parecia estar sendo ameaçado. Estou falando sério, InuYasha. Não seria tão irresponsável em dizer isso com Kagome seqüestrada.

INUYASHA – Ok! Vou deixar Sango fora disso.

SHIPPOU – Obrigado.

Shippou agradece com um sorriso e depois ele e InuYasha voltam para junto dos outros e vê que Soten falava algo com Zakira.

SOTEN – Eu me lembrei da placa do carro que nos seguia.

INUYASHA – SANGO! (chamando a amiga)

SOTEN – Era Dodger verde e o numero da placa era FIO4847.

SANGO – Ótimo. (ela pega seu celular)

ZAKIRA – Para quem está ligando?

SANGO – Para um conhecido meu que trabalha na empresa de engenharia de trafego. Lá eles monitoram a circulação de carros na cidade. Vão achar esse carro.

Sango se afasta para telefonar para esse amigo. Zakira não queria sair de perto para, assim que Sango descobrisse o paradeiro de Koharo, ele informaria Natsume imediatamente. InuYasha e Shippou falavam com Soten.

INUYASHA – Você está bem?

SOTEN – Sim, levando em consideração que quase fui morta.

SHIPPOU – Mas agora já acabou. Agora está tudo bem.

SOTEN – Só vai ficar tudo bem quando encontrarem Tamira e Kagome. Eu não acredito que mergulhei de cabeça em outra conspiração.

INUYASHA – É por isso que temos que acabar com eles. Caso contrário, isso irá nos perseguir para sempre. (Sango se aproxima deles)

SANGO – O meu amigo vai ligar assim que conseguir descobrir uma pista de onde está o carro.

INUYASHA – Já que está tudo certo, vou indo.

SANGO – Antes de sair, InuYasha. Fale-me da outra pista que tem.

INUYASHA – Depois eu falo e...

SANGO – Fale agora. Não estamos falando só da sua esposa, mas também de minha filha.

InuYasha bem que queria falar com Sango, mas se lembrou das desconfianças que Shippou tinha de Zakira e por isso não iria contar nada.

INUYASHA – Eu tenho que ir, Sango. Depois eu te falo.

SANGO – Mas...

INUYASHA – Depois.

InuYasha saiu correndo para entrar em seu carro e ir até o Instituto Petros deixando Sango sem entender sua atitude, atitude também que deixou Zakira intrigado.

ZAKIRA – Com licença um minuto. Tenho que fazer uma ligação para a clínica.

SANGO – Ta!

Zakira se afasta para usar seu celular deixando Sango á sós com Shippou e Soten. O clima estava estranho depois do que houve agora pouco e Sango sabia disso.

SANGO – Shippou! Soten! Desculpem-me pelo que fiz, mas é que...

SHIPPOU – Nós entendemos, Sango. (olhando de longe para Zakira)

SANGO – Eu me envergonho do que fiz e pedir desculpas é o mínimo que eu posso fazer.

SOTEN – Espero que Koharo esteja naquele carro, assim minha informação ajude.

Enquanto os três conversavam, Zakira falava com Natsume, pelo celular. Ele estava desconfiado do comportamento de InuYasha.

NATSUME – Não se preocupe, Zakira. Acredito que ele esteja indo falar com Onigumo á respeito da jóia de quatro almas.

ZAKIRA – Isso não é problema?

NATSUME – Não. Ryoma tem a situação sobre controle. Continue monitorando Sango.

ZAKIRA – Pode deixar.

Zakira desliga seu celular e volta, tranquilamente, para junto dos outros e cada momento Shippou tinha mais certeza que suas desconfianças em relação ao noivo de Sango eram procedentes e por isso iria agir.

SHIPPOU – Soten está machucada. Acho que deve ser levada para o hospital.

SOTEN – Estou bem, Shippou. Só uma pancada na cabeça e...

SHIPPOU – Não! Não! Isso é serio. Não vamos arriscar. (ele olha para Zakira) – Poderia vir com a gente, Zakira. Sei que não é sua especialidade, mas seria bom ter sua companhia.

ZAKIRA – Desculpe, Shippou, mas pretendo ficar com minha noiva. Tamira é como uma filha para mim e...

SANGO – É comovente seu apego á nós, mas acho que deve ir com Shippou. Depois do que aconteceu aqui, isso está ficando perigoso.

ZAKIRA – Mas é perigoso para você também.

SANGO – Mas é meu trabalho. Está decidido. Você leva Shippou e Soten para o hospital e aproveita para ver como vai sua clínica.

Shippou sorriu ao notar que seu plano tinha dado certo e Zakira percebeu que não tinha argumentos para convencer a noiva para que continuasse a acompanhá-la.

ZAKIRA – Tudo bem, mas quero que me informe tudo. Se seu amigo localizar, quero que me ligue. Preciso ficar informado de tudo. Você e Tamira são importantes para mim.

SANGO – Claro. Farei isso.

Zakira dá um beijo em Sango para depois seguir com Shippou e Soten até seu carro a fim de irem para o hospital e enquanto isso no Instituto Petros, Souta e Shiori continuavam a procurar os arquivos sobre o programa destruidor de moléculas até que o irmão de Kagome viu, através de um monitor, que as pessoas estavam saindo do local.

SOUTA – Droga! O simpósio foi interrompido. Não temos muito tempo. Você precisa ir embora.

SHIORI – Mesmo? (ela olha o monitor) – Por quê?

SOUTA – Porque o simpósio acabou.

SHIORI – E daí?

SOUTA – Daí é que sabem que invadimos o local. Por isso eles interromperam o evento.

SHIORI – Pode ser um incêndio e...

SOUTA – Escute, Shiori! Eu sou do exercito! Já vi isso. O que eles estão fazendo é uma medida de segurança. Primeiro esvaziam o prédio, depois demarcam o perímetro para que nós não fujamos e em seguida os seguranças começam a convergir procurando sala por sala. É por isso que você tem que ir. Aproveite a saída dos populares e se misture na confusão.

SHIORI – Mas e você?

SOUTA – Eu fico. Preciso achar algo que ajude InuYasha a encontrar minha irmã. É o mínimo que posso fazer por tê-la enganado por tanto tempo.

SHIORI – Mas não adianta você encontrar algo se for preso. Isso é loucura.

SOUTA – Essa sala tem um fax. Eu envio para InuYasha se conseguir descobrir algo. (ele olha para ela) – Agora vá.

Shiori simplesmente ignorou os pedidos de seu ex. namorado e voltou a procurar os arquivos alegando que os dois ali, conseguiriam achá-lo mais rápido e naquele momento o celular dela começa a tocar. Para não chamar mais a atenção, ela atende logo.

SHIORI – Sim?

INUYASHA – Sou eu, Shiori. Conseguiu alguma coisa?

SHIORI – Nada ainda. Esse instituto tem muitos arquivos, mas essa não é nossa preocupação principal. O simpósio foi interrompido. Souta acha que eles descobriram nosso acesso irregular.

INUYASHA – Então saiam daí.

SHIORI – Sinto muito, InuYasha. Souta quer encontrar os arquivos para ajudá-lo a achar Kagome. E eu vou ficar também. Se descobrirmos qualquer coisa, mandamos para seu fax. Agora tenho que desligar.

INUYASHA – Não Shiori! Devem sair daí agora.

SHIORI – Sinto muito, InuYasha, mas vamos ficar.

Shiori encerra a ligação e percebendo o perigo que a amiga e o cunhado estavam passando, InuYasha resolve acelerar seu veículo para chegar o mais rápido possível ao Instituto Petros para ajudá-los e enquanto isso em seu carro, Onigumo retornava á sua casa depois de receber o telefonema de InuYasha sobre o ataque de Ryoma á procura da jóia de quatro almas.

ONIGUMO – Parece tudo bem, mas melhor não arriscar.

Onigumo abriu o porta-luvas do seu carro e de dentro dele retira uma arma e sai do veículo com ela em punho. Caso Ryoma estivesse por lá, teria uma surpresa. Ele percebe que a porta estava trancada como ele tinha deixado e ao entrar na casa, Onigumo percebe que tudo estava no lugar, sem nenhum móvel revirado. Ninguém esteve ali quando estava fora, mas ele ficou realmente tranqüilo quando abriu o cofre na parede e pode ver a jóia de quatro almas dentro dele.

ONIGUMO – Ótimo. Melhor levá-la para um banco. Acho que é mais seguro e...

Naquele momento o celular dele começa a tocar. Ele, calmamente, coloca a jóia em cima da mesa e atende o aparelho.

ONIGUMO – Alô.

ERI – Onigumo...

ONIGUMO – Eri?! É você, Eri?

RYOMA – Olá Onigumo. Há quanto tempo, não?

ONIGUMO – Ryoma?

RYOMA – Isso mesmo! Fico lisonjeado em saber que se lembra da minha voz, mas aposto que quer saber o que estou fazendo com sua amiga. Olhe pela janela.

Sem desligar o celular, Onigumo faz o que Ryoma mandou e ao olhar pela janela, ele vê um carro estacionado no outro lado da rua e dentro dele estavam Ryoma e Eri. Ele apontava uma arma contra ela.

ONIGUMO – Não ouse a tocar nela, seu miserável e...

RYOMA – Poxa Onigumo! Eu não conhecia esse seu lado sentimental. Essa moça deve ser mesmo importante para você para ficar tão nervoso.

ONIGUMO – O que quer, Ryoma?

RYOMA – A jóia de quatro almas.

ONIGUMO – Mas eu não estou com ela.

RYOMA – Eu não acredito e caso esteja dizendo a verdade, trate de achá-la. Para o bem de sua amiga. Ligo-te depois.

ONIGUMO – Ryoma! Espera...

Ryoma desliga seu celular e da a partida no seu carro saindo de lá. Onigumo apenas observava pela janela e se sentia impotente diante daquela situação.

Próximo capítulo = Nervosismo extremo – parte 4