Noite sem Fim

67 Contagem regressiva - parte 6


Dentro do seu carro e ainda estacionado em frente á clínica, Sesshoumaru pensava no que tinha acabado de descobrir. Nunca tinha passado pela cabeça que sua filha tinha utilizado os serviços da clínica. Um misto de decepção e surpresa invadiu seu peito e logo ele começou a ligar as coisas.

SESSHOUMARU – Aposto que foi Satsuki que deu o endereço á Rin.

Já refeito da surpresa, Sesshoumaru ligou a ignição do veículo para dar a partida nele e sair dali sob o olhar triunfante de Kuno, que logo em seguida voltou a adentrar na clínica e foi para a sala onde Koharo observava Tamira.

KUNO – Tudo resolvido. (ele volta a examinar Tamira) – Foi muita sorte a filha dele ter vindo aqui.

KOHARO – Eu não imaginava que Satsuki estivesse grávida e nem que tenha abortado.

KUNO – Se ela abortou não foi aqui. Ela veio com uma amiga fazer uma consulta, mas não voltou.

KOHARO – Isso não me interessa. Fale-me de Tamira.

KUNO – A bactéria está quase fora.

KOHARO – Isso está demorando muito. (ela se afasta um pouco) – Mas esse castigo está perto de acabar.

KUNO – Sei. (ele para de examinar Tamira para olhar para Koharo) – Você o ama de verdade, não é? Falo do Miroku.

KOHARO – Eu o amo sim, mas não é o que você está pensando. (ela volta a se aproximar dele) – No passado, eu era loucamente apaixonada por ele, mas hoje não é mais assim. Percebi que ele nunca vai me amar como ama a mãe de Tamira. O meu amor é mais parecido com agradecimento por tudo que ele me fez. É por isso que o ajudei.

KUNO – Não entendi.

KOHARO – Eu precisava ajudá-lo assim como ele me ajudou. Depois que isso acabar, estaremos quites. Sem dívidas. Sem culpas. E aí eu poderei ser livre para amar de novo.

KUNO – Já tem alguém em mente?

KOHARO – Tenho e infelizmente para mim ele terá que me perdoar por tudo que estou fazendo-o passar.

Kuno não entendeu direito aquela conversa, mas Koharo se referia ao detetive Guy, que tinha sido levado preso por Koharo ter entregado á Miroku o cartão dele. Certamente depois que descobrir a verdade o parceiro de Sango não vai gostar nada dessa história e enquanto isso a superintendente Abi acabara de retornar á Agência Imperial com outros agentes imperiais que conduziram Miroku até uma sala isolada. Depois de algemar o pai de Tamira, os agentes saem da sala deixando-o á sós com Abi.

ABI – Finalmente te pegamos, Miroku. Agora vai me responder algumas dúvidas.

MIROKU – Eu não tenho direito de um advogado? Ah sim! Eu sou advogado.

ABI – Aqui não seguiremos o protocolo habitual. O Imperador nos deu ‘carta branca’ para fazermos o que for preciso para arrancar a verdade.

MIROKU – Eu não entendo o interesse do Imperador sobre meu caso.

ABI – Acho que entende sim. Há sete anos dois protótipos do DDM-145 foram roubados das instalações do exercito. Já ouviu falar no DDM-145, não é?

MIROKU – Nunca.

ABI – Por que está mentindo? (ela o encara) – Sei que está trabalhando para Natsume. Sei que ela está por trás do roubo desses dois protótipos. E sei que seja lá qual for o plano dela, colocará em risco a segurança desse país. O imperador não irá permitir isso. Nós não iremos.

MIROKU – Então vocês estão casando a Natsume há sete anos e não a pegaram?

ABI – Não é bem assim. (ela se afasta um pouco) — Soubemos á pouco tempo, por uma fonte anônima, que existe um plano para desestabilizar a Monarquia Japonesa.

MIROKU – Isso é loucura.

ABI – Loucura ou não, sabemos que existe um plano, mas não sabemos quem e nem como farão isso, mas sabemos que tem uma ligação com Natsume. Então eu pergunto o que o rapto de Kagome e a libertação de Ryoma tem a ver com esse plano?

MIROKU – Eu já disse que não sei de plano nenhum.

ABI – Isso é o que veremos depois que passar pelo interrogatório médico.

Abi se afasta de Miroku para sair da sala e imediatamente avista Azuma indo á sua direção.

AZUMA – Sabia que meu detetive está muito mal? Guy precisa ser levado á um hospital e...

ABI – A Agência Imperial tem seus próprios médicos. Ele estará bem. Precisamos dele vivo caso Miroku não colabore.

AZUMA – E por falar nisso enquanto você tinha saído para buscar Miroku, eu tomei a liberdade de telefonar para alguns contatos meus dentro do exercito. (ele exibe um papel) — Eles apressaram os tramites para que o departamento de polícia tenha acesso á essa investigação.

ABI – O que?! (ela pega e o lê) – Isso é impossível!

AZUMA – É possível sim. (ele pega o papel de volta) – Agora que tenho a autorização, quero acompanhar o interrogatório de Miroku.

ABI – Mas isso não tem nada a ver com seu departamento e...

AZUMA – A senhora mesmo disse que o interrogatório de Miroku tem a ver com o de Guy, portanto são as mesmas coisas. Ou a senhora vai querer um conflito de agências?

Abi se zanga, mas nada disse e Azuma sorria, pois sabia que estava com a verdade e que Abi teria que colaborar e naquele momento InuYasha aparece no local, mas ele era impedido por agentes imperiais de se aproximar. Ao ver aquilo, Abi vai até lá.

ABI – Mas que bagunça é essa, senhor InuYasha?

INUYASHA – Eu quero falar com o Miroku.

ABI – O que?! Como sabe que nós estamos com ele? (ela olha para Azuma) – Foi você quem o avisou, não foi?

AZUMA – Eu não o avisei.

ABI – Mas aposto que avisou alguém que avisou á ele sobre a prisão de Miroku.

INUYASHA – Isso não importa. (ele continua sendo contido pelos agentes) — Eu preciso falar com Miroku e saber onde ele escondeu o corpo de Kagome.

ABI – Corpo?! Então quer dizer...

INUYASHA – Eu sei que ele matou Kagome. (ele tenta passar pelos agentes) — Quero saber o que ele fez com o corpo dela.

Diante de tal informação surpreendente, Abi ordena que os agentes deixem InuYasha se aproximar, mas a superintendente queria explicações.

ABI – Como sabe que sua esposa está morta?

INUYASHA – Eu andei fazendo minha própria investigação. Meu filho encontrou um armazém abandonado que foi usado como matriz de links digitais. Ele conseguiu os endereços deles, mas em um desses links, meu filho viu Kagome levar vários tiros de Miroku.

ABI – Eu quero o endereço desses links. Não deveria se intrometer em assuntos da Agência Imperial e...

INUYASHA – A Agência Imperial era responsável pela segurança da minha esposa e falharam então não me venha dizer que não deveria me intrometer.

ABI – Os endereços. (ela suaviza a voz) – Por favor.

Vendo que não tinha escolha, InuYasha escreveu os endereços dos dois lugares que Shippou conseguiu localizar. De posse dos endereços, Abi mandou que alguns agentes fossem para esses determinados lugares.

ABI – Melhor ficar aqui e...

INUYASHA – Eu quero falar com Miroku.

ABI – Isso não será permitido, mas...

INUYASHA – Mas?

ABI – Mas você poderá acompanhar o interrogatório. Se ele matou mesmo sua esposa, não vou permitir que fique sozinho na sala com ele. Precisamos dele vivo. (ela olha para Azuma) – Tem algo contra a presença dele?

AZUMA – Não.

ABI – Ótimo. (ela volta a olhar para InuYasha) – Poderá ficar conosco em uma sala ao lado da de interrogatório.

INUYASHA – Obrigado.

E assim InuYasha segue Abi e Azuma para a tal sala ao mesmo tempo em que agentes imperiais traziam as drogas que seriam usadas no interrogatório médico á que Miroku seria submetido e enquanto isso Ryoma acabava de chegar às montanhas, onde ficava o novo esconderijo de Natsume, que foi recebê-lo.

NATSUME – Demorou muito.

RYOMA – A culpa não é minha. Achar esse lugar não foi fácil.

NATSUME – Esse esconderijo é excelente, mas não vamos falar nisso. Onde está ela? Deixe-me vê-la.

Natsume estava se referindo á jóia de quatro almas e entendendo isso, Ryoma a tira do bolso exibindo-a para sua chefa, que fica maravilhada com seu brilho, mas percebe algo que chama sua atenção.

NATSUME – Você quebrou a jóia?

RYOMA – O que?! (ele olha e nota a falta de um pequeno fragmento) – É isso?! Essa rachadura já estava aí quando eu a peguei.

NATSUME – Tem certeza?

RYOMA – Claro que sim! Tem algum problema faltar um pequeno fragmento?

NATSUME – Não, claro que não. (ela guarda a jóia em uma caixa) – Isso não vai interferir na missão.

RYOMA – E por falar em missão, você me disse que tem uma especial para mim. Qual é?

NATSUME – Logo saberá. Ainda temos tempo e...

RYOMA – Como quiser, mas agora quero saber do pagamento pelos meus serviços.

NATSUME – O dinheiro já foi depositado em sua conta secreta no exterior.

RYOMA – Vou verificar com meu representante. Trabalhar por mais de dez anos na Agência Imperial me favoreceu para obter contatos em bancos estrangeiros.

Depois disso, Ryoma se afasta para ir parar á outra sala falar com algum contato que ele tem em um banco da Suíça. Natsume, por sua vez, observa de novo a jóia de quatro almas. Aquela rachadura na jóia não iria impedir seus planos, mas a deixava intrigada.

NATSUME – “Eu me sentiria melhor se soubesse onde está esse fragmento.” (pensando)

Natsume guardou a jóia dentro da caixa mais uma vez e enquanto isso no antigo laboratório de Kikyou, que estava desativado, Shippou procurava, á pedido de Onigumo, uma caixa em uma gaveta. Ele era observado de longe por Houjo.

HOUJO – O que Onigumo mandou pegar?

SHIPPOU – É isso que vou descobrir. (ele procura pela gaveta sete) – Aqui. Numero sete.

Ao abrir a gaveta, Shippou acha uma caixa, como Onigumo havia lhe dito. Ao abrir a caixa ele vê um pequeno fragmento da jóia de quatro almas. Houjo se assusta ao ver o que era.

HOUJO – Isso é o que estou pensando?

SHIPPOU – Se está pensando em um fragmento da jóia, está certo sim.

HOUJO – Eu reconheceria esse brilho em qualquer lugar.

SHIPPOU – Por que Onigumo tem um fragmento da jóia? (ele olha para Houjo) — Será que ele arrancou quando InuYasha deu á ele?

HOUJO – Eu não sei.

SHIPPOU – Se ele guardou aqui, é porque pretendia explodir-la também. Vamos voltar ao hospital e falar com ele.

E assim Shippou, de posse do fragmento da jóia, e Houjo decidem, sair do laboratório e enquanto isso na sede da Agência Imperial, InuYasha e Azuma estavam em uma sala ao lado da sala de interrogatório. Separadas apenas por um espelho. Eles podiam ver Miroku, mas Miroku não podia vê-los.

INUYASHA – Interrogatório médico?

AZUMA – Eles vão usar drogas para fazer Miroku falar.

INUYASHA – Isso é meio radical, não?

AZUMA – É sim, mas eles têm respaldo do Imperador. Portanto eles podem ser radicais.

INUYASHA – Mas por que o Miroku está fazendo isso? Eu não entendo.

Azuma ia falar algo, mas antes que isso acontecesse, eles vêem, pelo espelho, a entrada de Abi e um homem de preto que carregava uma maleta.

Ao chegar perto de Miroku, que estava algemado, o homem de preto abre a maleta que continha drogas e algumas seringas.

ABI – O seu amigo detetive já passou por esse tratamento.

MIROKU – Está falando de quem?

ABI – De Guy. Ele está na enfermaria recebendo cuidados. Se não quiser acabar com ele, melhor falar tudo que sabe.

MIROKU – Não tenho nada para falar.

ABI – Tem sim. Já soubemos que matou Kagome. Além de ser pré-candidata á prefeitura de Tóquio, ela também é filha de um general que já teve alta patente no exercito. A pergunta é, o que fez com o corpo dela?

MIROKU — ...

ABI – Eu poderia deixar o marido dela lhe fazer essas perguntas, mas tenho certeza que ele te mataria. Eu quero você bem vivo, Miroku.

Abi olha para o homem de preto, que pega uma das seringas da maleta enchendo-a com uma droga líquida que é em seguida injetada no braço de Miroku, provocando neste muita dor.

ABI – Eu sei o que está sentindo, Miroku. Está sentindo todo seu corpo queimar por dentro. É o que essa droga faz.

MIROKU – Eu sei. (falando com dificuldade) – Eu não tenho nada a dizer.

ABI – Onde está sua filha? Onde ela encaixa em tudo isso? Vamos! Fale.

Miroku exibia uma expressão de dor causada pela droga, mas continuou irredutível. Ele não ia falar nada. Estava disposto a não arriscar a segurança da filha até ter certeza de que ela estava totalmente salva. Não sabendo disso, Abi achava que ele estava protegendo algum cúmplice na conspiração contra o Imperador.

ABI – Continue. Faça-o falar.

Depois de dar ás ordens ao homem de preto, Abi saiu da sala e foi para a sala ao lado onde estavam InuYasha e Azuma, que presenciaram tudo.

INUYASHA – Deixe-me falar com ele.

ABI – Eu não sei. (ela olha para Azuma) – O que acha?

AZUMA – Sinceramente não acho uma boa idéia.

INUYASHA – Por que não?!

AZUMA – Você mesmo disse que ele matou sua esposa. Acha mesmo que pode se controlar na frente do homem que fez isso?

INUYASHA – Eu consigo. (ele olha para Abi) – Eu juro que não vou matá-lo. Afinal ele sabe onde está o corpo de Kagome. Além disso eu sei como Natsume o está controlando.

ABI – Como?

INUYASHA – Com o DDM-145. De alguma maneira o grupo de Natsume teve acesso á esse projeto e o usou na pequena Tamira para ela ficar doente com muita freqüência.

ABI – Mas que eu saiba a função desse projeto é curar as pessoas e não fazê-las ficar doentes.

INUYASHA – Eles conseguiram modificar a configuração.

ABI – Deveria trabalhar na polícia, senhor InuYasha.

INUYASHA – Não fiz nada sozinho. Tive muita ajuda.

ABI – Ok, vamos fazer do seu jeito. (ela aperta um botão na sala permitindo que o homem de preto a ouvisse) – Espere, Kon. Vamos mudar um pouco a estratégia. Não continue com o interrogatório.

E assim Kon, o homem de preto, guarda as seringas na maleta para em seguida sair da sala deixando Miroku sozinho, mas não por muito tempo, pois segundos depois, InuYasha entra na sala e encara o pai de Tamira.

MIROKU – Já está aqui, InuYasha? Não perde tempo mesmo.

INUYASHA – Não quando se trata da minha Kagome. (ele respira fundo para se acalmar) – Eu não vou tentar arrancar nada de você. Os agentes imperiais farão isso.

MIROKU – Então o que você quer de mim?

INUYASHA – Te fazer algumas perguntas. Valeu a pena matar Kagome para salvar sua filha? É isso que vai deixar para ela? A mensagem de que um erro se conserta com outro?

MIROKU – Não seja ingênuo, InuYasha. Vai dizer que não faria algo contra Sango se as vidas de seus filhos não corressem perigo? Teria essa coragem?

INUYASHA – Eu daria um jeito de contornar as coisas. Já que conseguia se comunicar com Koharo, deveria pedir ajuda para nós. Eu, Kagome, Shippou, Sango. Todos nós te ajudaríamos de algum jeito, mas pode ter certeza que não mataria um amigo. Principalmente uma pessoa tão boa como Kagome.

MIROKU – Á cinco anos você me criticou por tentar descobrir quem estava por de trás das ações de Kanna, achando que simplesmente prendendo-a acabaríamos com a conspiração, mas não foi isso que aconteceu, não é? Toukaijin se matou, Kanna foi apenas para uma prisão domiciliar, mas e o resto? O resto está solto por aí.

INUYASHA – Eu, Kagome e Sango te ouvimos pelo celular. Não foi isso que disse pouco antes... Ora bolas! (sendo irônico) — Pouco antes de ‘morrer’. (ele o encara) – Como sobreviveu?

MIROKU – Eu não tenho que responder á isso.

INUYASHA – Uma última pergunta. Momiji falou que Takeshi estava com Natsume. Ela sofreu uma tentativa de assassinato. Sabe de alguma coisa?

MIROKU – Momiji?! Está falando da jornalista que é irmã de Botan?

INUYASHA – Dela mesma.

MIROKU – O que tem ela a ver com Takeshi?

INUYASHA – Na verdade Momiji e Botan não são irmãs de sangue. Momiji é filha de Takeshi.

MIROKU – O que?! Filha de Takeshi?! (surpreso) – Eu sabia que Takeshi tinha uma filha, mas nunca poderia imaginar que fosse a irmã de Botan.

Miroku começava a entender que Takeshi talvez estivesse querendo proteger Momiji ao mesmo tempo em que tentava guardar um grande segredo de Ryukosei. Vendo que Miroku realmente estava surpreso com aquelas revelações, InuYasha ia continuar a série de perguntas, mas naquele momento Abi entra na sala para retirar o marido de Kagome de lá.

INUYASHA – O que está fazendo? Eu estava chegando perto e...

ABI – Eu quero que me conte direito essa história de que Momiji é filha de Takeshi. (depois olha para Azuma) – Foi por isso que a detetive Sango se interessou pelo caso de Momiji. Na esperança de achar algo.

AZUMA – Não pode me acusar de sabotá-la. Eu disse sobre Momiji, mas você não se interessou.

ABI – Agora que sei que ela é filha de Takeshi e mantinha contato com ele e Natsume, passei a me interessar. (ela se afasta um pouco e fica olhando para os dois) – Acho que vocês sabem mais do que me disseram.

AZUMA – E isso é culpa de quem? Não fomos nós que começamos a esconder informação. Foram vocês da Agência Imperial.

INUYASHA – Isso mesmo! Vocês não ligam para o que aconteceu com Kagome. Não ligam para o que pode ter acontecido com Tamira.

ABI – Melhor termos uma conversa particular, capitão.

AZUMA – Também acho.

INUYASHA – O que vão falar?

ABI – Fique aqui, senhor InuYasha.

INUYASHA – Mas...

E assim Abi e Azuma saem dali para irem á outra sala, apesar dos protestos de InuYasha que estava inconformado com aquela situação e naquele momento seu celular começa a tocar. Ele atende ao reconhecer o numero no visor do aparelho. Era Shippou, que estava no carro com Houjo voltando para o hospital.

INUYASHA – Shippou. Já está em casa com Genku?

SHIPPOU – Não Aconteceu algumas coisas, InuYasha. Precisa saber.

INUYASHA – Estou ouvindo.

SHIPPOU – Quando cheguei ao hospital, Onigumo quis falar comigo para pedir que eu buscasse algo para ele no antigo laboratório de Kikyou.

INUYASHA – Que coisa é essa que ele mandou buscar?

SHIPPOU – Você não vai acreditar, mas é um fragmento da jóia de quatro almas.

INUYASHA – Mas eu pensei que Ryoma tinha roubado a jóia. (ele se certifica de que Azuma e Abi estavam ocupados)

SHIPPOU – E ele roubou, mas esse fragmento já estava solto antes disso. Acredito que ele se soltou quando Onigumo a usou a jóia para que você voltasse a andar.

INUYASHA – É provável, mas o que isso tem de importante? Um fragmento é apenas um fragmento.

SHIPPOU – Onigumo diz que pode ter um plano de encontrar a jóia antes que ela seja usada para algum ataque.

INUYASHA – Sem Kagome tudo parece tão insignificante para mim agora, mas você tem razão. Não podemos permitir isso. Se há alguma maneira de impedir Natsume, temos que fazer. Está voltando ao hospital?

SHIPPOU – Sim, eu peguei carona com Houjo.

INUYASHA – Ok. Você contou á ele sobre Kagome?

SHIPPOU – Não e aos outros também não.

INUYASHA – Ok. Eu estou na Agência Imperial para saber se eles conseguem fazer Miroku dizer onde está o corpo de Kagome. Eu acabei falando de coisas que a Agência Imperial não sabia e por isso acredito que não me deixaram sair daqui tão cedo, portanto quando retornar ao hospital, pode contar a todos o que aconteceu.

SHIPPOU – Tem certeza?

INUYASHA – Não tenho, mas é melhor contar assim mesmo. A gente se fala depois.

SHIPPOU – Ta.

Shippou desliga seu celular e fica olhando para o nada enquanto de que do lado dele Houjo notava sua expressão de preocupação.

HOUJO – Pode me chamar de metido, mas acho que você e seu pai escondem algo.

SHIPPOU – Logo saberá de tudo. (ele respira fundo) – No hospital eu te conto.

Houjo sentiu um aperto no coração ao ouvir aquelas palavras de Shippou já imaginando que não seriam boas as revelações que ele faria e enquanto isso no departamento de polícia de Tóquio, mais precisamente no laboratório do local, Sango falava com o chefe da perícia sobre as evidências de assassinato recolhidas na casa de Ling.

SANGO – Encontrou alguma digital de Ling na arma do crime?

PERITO – Não. Provavelmente usou luvas.

SANGO – Mas porque ela deixou a arma se tinha a intenção de matar Momiji também. Isso não está me cheirando bem. E o bilhete?

PERITO – Comparamos com algumas outras cartas, assinaturas de documentos. Parece que a letra é dela mesma.

SANGO – Ok. (o celular dela começa a tocar) — Continuem procurando qualquer coisa suspeita e me avisem imediatamente.

Depois de passar essas instruções, Sango se afasta dos peritos para atender o seu celular. Era Azuma que estava na Agência Imperial.

SANGO – Sango falando.

AZUMA – Sou eu, Sango. Vou colocar no viva-voz. Abi da Agência Imperial também está aqui.

SANGO – O que?!

AZUMA – Ela já sabe que Momiji é filha legitima de Takeshi e por isso se interessou pelo caso dela. E antes que me acuse de delatar, foi InuYasha que disse isso á ela.

SANGO – Tudo bem. Então InuYasha está aí por causa de Miroku, correto?

AZUMA – Sim e...

ABI – Miroku está sendo interrogado pelos meus agentes. O assunto que quero tratar com você, detetive, é outro. Quero imediato acesso aos detalhes de sua investigação sobre a tentativa de assassinato de Momiji.

SANGO – Tudo bem. Será enviado tudo que descobri.

ABI – Pode-me adiantar o que descobriu?

SANGO – Sabemos que foi Ling, secretária de Ryukosei, que empurrou Momiji. Fomos á casa dela e encontramos o marido morto e mais um bilhete que sugeria um caso dele com Momiji. Falei com Botan, irmã de Momiji, mas ela alega que a irmã não tinha caso nenhum.

ABI – Vamos, detetive. Sei que não acredita que foi isso que aconteceu, não é?

SANGO – Não acredito. Segundo os peritos, não foi encontrada nenhuma digital de Ling na arma que matou o marido, significa que ela deve ter usado uma arma, mas não explica por que ela não a levou para matar Momiji e nem porque empurrá-la na varanda.

ABI – Isso tem cheiro de armação. Só Ling pode explicar. Já a encontram.

SANGO – Ainda não.

ABI – Está bem. Detetive, por que não vem aqui para ver o pai da sua filha? Talvez vê-la o faça dizer algo.

SANGO – Eu já estava indo para ao mesmo.

Sango desliga seu celular para em seguida sai do laboratório e enquanto isso na Agência Imperial, Azuma, ao ver que Abi estava fazendo algumas ligações para seus superiores, saiu da sala dela para ir até a sala isolada onde InuYasha estava assistindo, através do espelho, o interrogatório médico á que Miroku era submetido pelos agentes imperiais.

AZUMA – Sango já está vindo para cá. (olhando para o espelho)

INUYASHA – Espero que Miroku fale onde Tamira está antes de Sango chegar. (também olhando para o espelho)

AZUMA – Eu sei que, igual á Sango, você não acredita muito em mim, mas confie quando digo que tudo vai acabar bem.

INUYASHA – Bem?! (ele olha para Azuma) – Minha esposa está morta! Como acha que isso vai acabar bem? Como pode chamar isso de bem?

Depois daquelas perguntas retóricas, InuYasha sai da sala deixando Azuma sozinho, que continuava a observar o sofrimento de Miroku e enquanto isso na clinica Koharo estava impaciente com a demora de Kuno em dar uma resposta sobre o estado de saúde de Tamira.

KOHARO – Já acabou?

KUNO – Está quase. Está quase. (ele observava o aparelho que controlava a corrente sanguínea da menina) – Pronto. Saiu.

KOHARO – Tem certeza?! Absoluta certeza?

KUNO – Tenho. Pode enviar o sinal.

Kuno, ao ver Koharo se afastando, começa o procedimento de retirada dos aparelhos de hemodiálise de Tamira, já que a operação tinha alcançado seu objetivo e enquanto isso, na Agência Imperial, Azuma saiu da sala para tentar falar com InuYasha, mas ao vê-lo percebe que ele estava sendo detido por agentes imperiais sob as ordens de Abi. Azuma foi intervir.

AZUMA – O que significa isso?

ABI – Recebemos uma nova ordem. (ela entregas um papel á ele) – Não temos mais que dividir informações com vocês.

AZUMA – E por que está detendo InuYasha?
ABI – Simples. Ele omitiu informações vitais á investigação. Queremos saber até que ponto ele sabe de todos os acontecimentos. (ela volta a olhar para InuYasha) – E sem falar que um dos agentes encontrou o corpo de um homem em um dos endereços fornecidos por você.

INUYASHA – A minha esposa foi morta! Ele foi o culpado.

ABI – Infelizmente não pode deixá-lo sair, senhor InuYasha. (ela olha para Azuma) – E nem o senhor, capitão.

AZUMA – Isso é uma arbitrariedade. Vou ligar par ao prefeito e...

ABI – Não vai ligar nada até contarem toda a verdade.

Abi estava desconfiadíssima de que tanto Azuma quanto InuYasha sabiam mais do que contavam e naquele momento um agente imperial aparece diante de Abi com um aparelho piscando.

AGENTE – Melhor ver isso, senhora.

ABI – O que é esse aparelho?

AGENTE – É de Miroku. De repente ele começou a piscar sem que mexêssemos nele.

ABI – Eu verei isso.

Abi pega o aparelho e em seguida entra na sala de interrogatório e ordena que o homem de preto e mais os agentes presentes saíssem da sala. Feito isso Abi e Miroku estavam sozinhos. O pai de Tamira já estava muito debilitado devido ao interrogatório médico que sofreu.

ABI – O que é isso, Miroku? (ela exibe o aparelho piscando)

MIROKU – Está piscando. (ele sorri) – Ainda bem.

ABI – O que é isso? Responda-me.

MIROKU – É o sinal.

ABI – Que sinal.

MIROKU – O sinal de que minha filha está bem e fora de perigo. Tudo bem, senhora Abi. Logo todos saberão da verdade. E vai ser dentre alguns minutos. Vai ver pela TV.

Abi fica intrigada pelo sorriso de Miroku e por isso foi imediatamente para a recepção da Agência Imperial onde ligou o primeiro televisor que encontrou e começou a zapear os canais até ver algo que chamou sua atenção.

ABI – Mas o que está acontecendo?

Depois de se refazer da surpresa com o que viu, Abi, com gestos, ordena que os agentes imperiais que estavam com InuYasha, o trouxessem até ela para que ele visse também o que ela viu pela TV.

ABI – Eu quero que me explique uma coisa, senhor InuYasha.

INUYASHA – O que?

ABI – Olhe a TV.

Primeiramente InuYasha estranhou tal pedido, mas acabou acatando e ao ver as imagens da tela da TV, ele percebe que era o noticiário sobre a convenção do partido trabalhista. No começo pensou que era para noticiar a morte da esposa, mas para sua surpresa reconheceu alguém que estava sendo mostrada na tela.

INUYASHA – Kagome?!

Próximo capítulo = Uma nova fase – parte 1