Noite sem Fim
66 Contagem regressiva - parte 5
Depois de falar com InuYasha, dando-lhe o endereço onde Miroku estaria, Sango foi para fora do hospital. Ela tinha muito no que pensar. No desaparecimento da filha, ainda sem solução. Da tentativa de assassinato contra Momiji, que estava muito estranho. Do fato de não contar á senhora Higurashi o que aconteceu com a filha, pensando que ela já sofreu muito com o estado do filho. Sango saiu do hospital para respirar, pois tinha muito problemas e todos eles, aparentemente, sem solução imediata.
SANGO – Eu não sei se vou agüentar tudo isso.
Sango respirava fundo tentando buscar forças para enfrentar o que estava pela frente e naquele momento ela avista Shippou e Soten saindo de dentro de um carro para em seguida ir até ela.
SANGO – Chegaram rápido.
SOTEN – Pegamos uma carona com alguém que estava vindo para o hospital.
SANGO – Entendo. (ela olha para Shippou) — InuYasha me contou o que houve. Eu sinto muito pela Kagome. Sei que deve estar sofrendo.
SHIPPOU – É... (ele mal conseguia completar a frase)
SOTEN – Alguma novidade sobre Tamira?
SANGO – Não sabemos de nada ainda, mas isso pode mudar á qualquer momento. Miroku ligou para a polícia.
SHIPPOU – O que?!
SANGO – Isso que ouviu. Ele vai se entregar á polícia e deu até o endereço, mas...
SHIPPOU – Mas o que, Sango?
SANGO – Mas eu dei o endereço para InuYasha. Pela sua localização ele deve chegar primeiro do que a polícia. (ela percebe a incredulidade no rosto de Soten) – Eu sei no que está pensando. Acha que InuYasha vai matar Miroku pelo que ele fez com Kagome, correto?
SOTEN – Sim.
SANGO – InuYasha sabe que Miroku pode ter a localização de Tamira. Ele não arriscaria a vida da minha filha por vingança.
SHIPPOU – Eu também acho.
SOTEN – Vocês têm certeza mesmo?
SANGO – Sim, Soten.
SOTEN – Não duvido da bondade do senhor InuYasha, mas a esposa dele foi assassinada de maneira cruel e por motivos torpes. Eu acredito nele também quando diz que não quer se vingar, mas e quando ele se encontrar cara á cara com o senhor Miroku? Vocês garantem que ele não sentirá um ódio descomunal e ficará tentado á matar o senhor Miroku?
SANGO – Eu confio em InuYasha. (decidida) — Não quero mais falar nisso. (ela se afasta)
SHIPPOU – Aonde você vai?
SANGO – Eu ainda estou comandando a investigação sobre a tentativa de assassinato contra Momiji. Preciso ir.
SHIPOPOU – Acha que o que aconteceu com Momiji tem algo a ver com os acontecimentos recentes?
SANGO – As provas indicam que não, mas é muita coincidência Momiji ser quase morta em um dia como esse. (ela se lembra de algo) – Ah sim! InuYasha não quer que fale com a senhora Higurashi sobre o que houve com Kagome.
SHIPPOU – Entendo. Ele quer dar a notícia pessoalmente.
Depois disso Sango se afasta dos dois entrando no carro dela enquanto o jovem casal adentra ao hospital, mas ainda falavam no assunto abordado por Sango.
SOTEN – Acha que o senhor Miroku vai se entregar mesmo?
SHIPPOU – Eu não sei, mas porque a dúvida?
SOTEN – O senhor Miroku é um homem inteligente. Se entregar depois de matar Kagome não faz sentido.
SHIPPOU – Olha Soten, muita coisa que aconteceu hoje, não faz sentido.
SOTEN – Tem razão. Onde será que está Tamira?
Soten se fez essa pergunta, mas nem ela e nem Shippou poderiam responder e enquanto isso na clínica de aborto, Kuno ainda examinava Tamira aos olhos de Koharo.
KOHARO – Já tem algum prazo?
KUNO – Não. De alguma maneira, o DDM-145 foi modificado.
KOHARO – Ou Zakira não passou corretamente as instruções.
KUNO – Provavelmente ambos, mas o DDM-145 está saindo e...
Kuno não termina a frase, pois Hitoko, seu sócio, entra na sala surpreendendo os dois.
KUNO – O que foi, Hitoko?
HITOKO – Podemos conversar?
KUNO – Pode falar na frente dela.
HITOKO – Você sabe muito bem que não queria que isso aqui virasse uma ‘zona’. Discrição é essencial.
KUNO – Já sei disso, Hitoko. Fale de uma vez o que houve?
HITOKO – Tem um jornalista na recepção fazendo perguntas sobre o local. Ele sabe que essa é uma clínica de aborto.
KUNO – O que?!
HITOKO – O que vamos fazer?
KOHARO – Espere. Você disse jornalista. De quem está falando?
HITOKO – Aquele famoso do Diário da manhã e...
KOHARO – Sesshoumaru?!
HITOKO – O próprio.
KOHARO – Ele deve estar atrás de Tamira ou Kagome. (olhando para Tamira)
KUNO – Como ele descobriu esse lugar?
HITOKO – Isso não importa. O que realmente importa é o que faremos daqui para frente. Se a clínica for desmascarada, enfrentaremos processos em cima de processos.
KOHARO – Vamos com calma. O que ele disse exatamente?
HITOKO – Que quer falar com você, Kuno e que sabe que está aqui.
KUNO – Koharo. O que acha que devo fazer?
KOHARO – Mostrar Tamira agora ainda é muito arriscado. Se Sesshoumaru conseguiu chegar aqui, talvez algum espião de Natsume também tenha. (ela olha para Hitoko) – Senhor Hitoko, insista para ele que Kuno não está aqui.
HITOKO – Mas ele não vai acreditar. Ele ameaçou chamar a polícia.
KOHARO – Não se preocupe. Ele não vai chamar a polícia.
Diante dessa afirmação, Hitoko sai da sala onde estavam Kuno, Koharo e Tamira para voltar á recepção onde Sesshoumaru o aguardava ansiosamente.
SESSHOUMARU – E então? O senhor Kuno irá falar comigo?
HITOKO – Lamento informar que o senhor Kuno não se encontra no prédio.
SESSHOUMARU – Eu e você sabemos que isso é mentira. Se não me deixar ver Kuno, vou imediatamente ligar para a polícia. Já se esqueceu que sei que isso aqui é uma clínica clandestina?
HITOKO – O senhor já deixou isso bem claro, portanto vou jogar limpo com o senhor. Essa é realmente uma clínica de aborto, mas como pode ver não somos uma clínica de fundo de quintal. As mulheres que passam por aqui não correm risco de vida. Caso denuncie essa clínica, ela fechará, mas as mulheres que querem fazer aborto ainda existiram. Se não for aqui, elas farão isso em outro lugar infinitamente menos higiênico do que esse. Quer chamar a polícia? Vá em frente.
SESSHOUMARU – Seu comportamento indica que foi instruído a dizer isso. Provavelmente pelo próprio Kuno.
HITOKO – Não importa. Nada do que diz muda o fato de que o senhor não vai passar por aquela porta.
SESSHOUMARU – Ok, mas eu sei que estão escondendo algo. (ele sorri) – Vou pensar no assunto lá fora.
Sob os olhares de Hitoko, Sesshoumaru sai da clínica para ir até seu carro e posteriormente entrar no veículo. Ainda olhando para fachada da clínica, ele pega seu celular e liga para o celular da esposa.
SESSHOUMARU – Rin.
RIN – Descobriu alguma coisa?
SESSHOUMARU – Eu não sei como descobriu essa informação, mas acertou na mosca. Realmente é uma clínica de aborto. O tal Hitoko está muito nervoso e escondendo algo. Acho que Kuno está lá dentro.
RIN – E o que pensa em fazer?
SESSHOUMARU – Eu ameacei chamar a polícia, mas se fizer isso a Agência Imperial tomará conta do caso e não saberemos de mais nada. Talvez eu ameace com uma coluna que poderei escrever sobre o tema. Clínicas clandestinas. Isso pode amedrontá-los e...
RIN – Melhor não fazer isso, meu amor.
SESSHOUMARU – Mas por que não?! (ele estava intrigado) – Acho que está me escondendo alguma coisa. Acho que tem a ver como descobriu tão rapidamente a ligação entre Kuno e essa clínica.
RIN – Eu já disse que depois nós conversamos sobre isso.
SESSHOUMARU – Por acaso você já procurou essa clínica?
RIN – Já disse! Depois falamos disso. Quando tudo isso acabar, nós conversaremos.
Rin desliga o celular, pois não queria falar sobre a gravidez de Satsuki, pelo menos não naquele momento e enquanto isso no Hospital Memorial, Shippou já estava junto de Genku e os outros no quarto de Souta.
GENKU – A mamãe ainda não apareceu, mano Shippou.
SHIPPOU – Logo, logo teremos notícias dela.
SOUTA – InuYasha ainda está á procura de Kagome?
SHIPPOU – Está.
HIGURASHI – Shippou, eu sei que nunca tivemos uma relação plena de avó e neto, mas por favor, me diga a verdade. Aconteceu alguma coisa que devamos saber?
Shippou ficou com o coração apertado, mas ainda não era hora de contar sobre o que houve com Kagome. Iria transformar aquele quarto em um velório.
SHIPPOU – Não. Não que eu saiba.
SHIORI – Você não me parece bem.
SHIPPOU – Só estou um pouco cansado. É só isso.
Shippou tentava demonstrar firmeza, mas era muito difícil devido às circunstâncias e para sua sorte Soten adentrou no quarto percebendo que ele está acuado com o questionamento dos presentes. Eri estava junto dela.
SOTEN – Shippou.
SHIPPOU – Soten. (ele percebe os olhares curiosos dos outros presentes) – Ah sim! A maioria não te conhece ainda.
SOTEN – Alguns eu conheço. (ela olha para Souta e a mãe dele) – São seu tio e avó.
SHIPPOU – Isso mesmo, mas deixe-me apresentar o resto. (ele olha para Houjo) – Esse é Houjo que é afilhado da minha avó e muito amigo de Kagome.
HOUJO – Prazer.
SOTEN – Igualmente.
SHIPPOU – E essa é Shiori.
SHIORI – Muito prazer em conhecê-la, Soten.
SOTEN – Também, apesar de tais circunstâncias.
ERI – Se já acabou as apresentações, podemos falar?
SHIPPOU – Acho que já conhece Eri, que é uma antiga colega de Kagome, já que veio com ela para cá.
SOTEN – Ah sim! Isso me fez lembrar por que vim.
SHIPPOU – Então fale.
SOTEN – Onigumo quer vê-lo.
ERI – Ele me falou que é urgente.
Diante da maneira que Eri falou, Shippou não perdeu tempo e foi para o quarto onde Onigumo estava internado. Chegando lá, foi logo fechando a porta para não serem interrompidos.
SHIPPOU – Estou aqui. O que foi?
ONIGUMO – Acho que seu pai já te falou o que eu tentei fazer com a jóia, não é?
SHIPPOU – Sim, mas infelizmente Ryoma ficou com ela.
ONIGUMO – É esse o ponto que quero tocar. Sabemos que Ryoma trabalha para Natsume e isso significa que ela usará o poder da jóia.
SHIPPOU – E daí?!
ONIGUMO – Como e daí?! Provavelmente Natsume planeje um ataque com proporções grandiosas e nem sabemos qual o alvo.
SHIPPOU – E o que você quer que eu faça? (Onigumo percebe o nervosismo de Shippou)
ONIGUMO – Acho que tem algo te incomodando. O que houve?
SHIPPOU – Nada.
Shippou não queria falar sobre a morte de Kagome, por isso resolveu prestar mais atenção sobre as preocupações de Onigumo.
SHIPPOU – Eu não tenho idéia do que fazer. Você tem alguma?
ONIGUMO – Tenho sim. (ele se ajeita na cama) – Quero que vá ao antigo laboratório de Kikyou e pegue uma coisa para mim.
SHIPPOU – Que coisa?
ONIGUMO – É uma caixa. Ela está na gaveta sete. Quando abri-la, saberá o que é. Vá agora.
SHIPPOU – Ok, mas vou ter que pedir carona com alguém.
Depois de ouvir aquelas palavras de Onigumo sobre a tal caixa, Shippou volta até o quarto onde Souta estava internado e logo foi falar com os presentes.
SHIPPOU – Alguém aqui está de carro?
HOUJO – Eu estou.
SHIPPOU – Pode me dar um carona? Preciso ir á um lugar.
SOTEN – Aonde você vai?
SHIPPOU – Pegar algo para Onigumo. (ele olha para Houjo) – Podemos fazer isso agora mesmo se não for pedir muito?
HOUJO – Ta! Vamos lá. (ele olha para a senhora Higurashi) – Eu volto depois, madrinha.
E assim Houjo e Shippou saem do quarto de hospital enquanto os outros presentes continuavam a conversar.
SHIORI – Me diz aí, Soten. Você Shippou estão namorando?
SOTEN – Sim e não. É meio complicado.
GENKU – Mas eu pensei que fossem namorados. Você não gosta mais do mano Shippou.
SOUTA – Mas é claro que eu gosto, mas como eu mesma disse, é complicado. Logo, logo saberão do que estou falando.
A senhora Higurashi, Shiori e Souta se entreolharam por não entender aquelas palavras de Soten, que não queria falar sobre o fim do namoro dela com Shippou e enquanto isso InuYasha estacionou o carro á uma rua adjacente á rua que correspondia ao endereço fornecido por Miroku.
INUYASHA – Vamos lá. (ele sai do carro) – Chegou a hora, Miroku.
Depois de dizer essas palavras, InuYasha foi até ao numero 48 da rua Yazuri. Era uma pastelaria, um local estranho para se entregar á polícia, mas mesmo assim InuYasha procurou saber se Miroku estava no meio dos fregueses, mas não estava. Então perguntou ao gerente do estabelecimento se ele tinha visto alguém com as características físicas de Miroku. O gerente respondeu que sim e que ele tinha ido para o banheiro e que não tinha voltado.
INUYASHA – Quando foi isso?
GERENTE – Á uns dez minutos.
Sem perder mais tempo, InuYasha foi até ao banheiro e ao entrar nele, o fez com muito cuidado, se agachando para ser se tinha alguém utilizando os reservados, mas para a surpresa dele na tinha ninguém, o cômodo estava vazio.
INUYASHA – Não há ninguém aqui. Ele deve ter feito isso para despistar a polícia. (ele pega seu celular) – Preciso avisar Sango que isso foi um truque e...
InuYasha para de falar ao ouvir o som do gatilho de uma arma e ao se virar, ele vê Miroku apontando a arma contra ele.
MIROKU – Melhor não fazer isso, InuYasha. Não é nenhum truque. Vou mesmo me entregar á polícia.
INUYASHA – Como fez isso? O gerente disse que você entrou aqui.
MIROKU – Ele mentiu para á meu pedido.
INUYASHA – Então você o conhece?
MIROKU – Sim. Fiquei escondido no escritório dele no caso alguém, que não fosse da polícia, viesse a me procurar. Tinha o pressentimento de que você ou Sango ou ambos viessem aqui antes da polícia. E estava certo.
INUYASHA – Por que você fez aquilo com Kagome?
MIROKU – Se chegou até aqui, sabe o que Natsume fez com minha filha, não é? Eu tive que fazer uma escolha. Era Tamira ou Kagome. Eu gosto muito de Kagome. Ela foi uma das melhores amigas que tive, mas o sangue fala mais alto e não podia deixar que fizessem mal á Tamira.
INUYASHA – Você não precisava fazer aquilo. Podia ter pedido ajuda á nós. Daríamos um jeito e...
MIROKU – Que jeito, InuYasha?! (gritando) – Como poderiam salvar minha filha se aqueles canalhas podiam ativar o DDM-145 á distancia? Diga-me como?
INUYASHA – Eu não sei, mas eu nunca sacrificaria uma pessoa para salvar outra, mesmo que a amasse muito. Você acabou desgraçando a vida de sua filha, caso tenha conseguido salvá-la.
MIROKU – O que veio fazer aqui?
INUYASHA – Zuza me disse que ele queria Kagome morta porque queria realizar o sonho de Kikyou de eu ser sempre o numero um da vida dela. (ele abaixa o olhar) – Aquele maluco interpretou o desejo de Kikyou de maneira distorcida. (ele volta a olhar para Miroku) – Eu devia ter ouvido seu conselho anos atrás sobre Zuza e como ele era perigoso, mas estava cego pelo ciúme. O que aconteceu com Kagome, de certa forma, é culpa minha também.
MIROKU – Onde está Zuza?
INUYASHA – Eu o matei.
MIROKU – Não devia ter feito isso.
INUYASHA – Ele merecia morrer.
MIROKU – Assim como eu? É por isso que está aqui?
INUYASHA – Saber o que fez com o corpo de Kagome.
MIROKU – Isso interessa agora?
INUYASHA – Como pode falar assim? Por acaso Kagome tem algum segredo militar no corpo dela que é de interesse de Natsume? Vamos! Fale-me.
MIROKU – Segredo militar?! Então é isso que pensa? Não deveria se preocupar com isso, InuYasha. Se for só isso que o trás aqui, melhor ir embora.
INUYASHA – Não! Estou aqui também pela sua filha. Eu sei que está tentando tirar o DDM-145 do corpo dela nesse meio tempo. Como já matou Kagome, já deve ter conseguido isso, estou certo?
MIROKU – Infelizmente não. (eles ouvem o som de sirenes se aproximando) – A polícia chegou.
INUYASHA – Não é a polícia e sim a Agência Imperial.
MIROKU – Eu sei.
Miroku sai do banheiro, coloca a arma no chão e em seguida se agacha colocando as mãos atrás da nuca em sinal de que não reagiria á prisão. Segundos depois, agentes imperiais entram no estabelecimento. Abi liderava a missão.
MIROKU – Demorou, hein?
ABI – Senhor Miroku, está preso. (ela olha para os outros agentes) – Algeme-o e o levem para a sede da Agência Imperial.
Miroku é algemado e conduzido para fora da pastelaria sob os olhares de InuYasha, que viu toda a cena pelo vão da porta do banheiro. Nenhum agente imperial o tinha visto no local. Depois que os agentes foram embora, levando Miroku com eles, InuYasha sai do banheiro e vai falar com o gerente da pastelaria.
GERENTE – Desculpe-me por enganá-lo, mas Miroku me pediu.
INUYASHA – Tudo bem, mas me diga uma coisa com sinceridade.
GERENTE – Pode perguntar.
INUYASHA – Por acaso, Miroku veio de carro até aqui?
GERENTE – Se ele veio, deixou o carro em outro lugar, pois não usou o estacionamento.
INUYASHA – Ok, obrigado.
InuYasha sai da pastelaria ainda intrigado com o comportamento de Miroku. O sumiço do corpo de Kagome ainda era um mistério e mesmo que a esposa estivesse morta, InuYasha não permitiria que violassem o corpo dela sob qualquer motivo e enquanto isso estando no carro de Houjo, á caminho do antigo laboratório de Kikyou, Shippou pouco falava, o que chamava a atenção do motorista.
HOUJO – Ainda está preocupado com Kagome? Ela vai ficar bem. Você vai ver.
SHIPPOU – Claro. (sem muita firmeza)
HOUJO – Vamos Shippou. Aconteceu algo?
SHIPPOU – Não aconteceu nada. Continue dirigindo isso.
HOUJO – Ok.
Houjo logo cortou o papo e percebendo que foi grosso, Shippou se sentiu horrível, pois mesmo sofrendo pela morte de Kagome, não era justo descontar em Houjo.
SHIPPOU – Por favor, me desculpa. Você está me dando carona e em troca eu te trato desse jeito, mas é que aconteceu muita coisa.
HOUJO – Eu entendo. Acho que tem a ver um pouco com aquela garota, não?
SHIPPOU – De certo modo é, mas eu mesmo resolvo isso.
HOUJO – Como quiser.
Shippou se surpreendeu um pouco com a maneira com que Houjo o tratava. No passado, o rapaz não tinha uma boa imagem do amigo de sua mãe adotiva, talvez influenciado pelo certo ciúme que InuYasha sentia dele com a esposa. Houjo tocou em um ponto que Shippou quase tinha se esquecido, pois o fim do romance com Soten estava diretamente ligado á gravidez de Satsuki. Naquele exato momento o celular de Shippou toca e por uma incrível coincidência, o numero que aparecia no visor era do celular de Satsuki, fazendo-o atender imediatamente.
SHIPPOU – Satsuki.
SATSUKI – Eu imagino que não é uma boa hora para ligar, mas tenho que dizer algo.
SHIPPOU – Tudo bem. Estou ouvindo. O que foi?
SATSUKI – Você nem vai acreditar na coincidência, mas lembra de um dos endereços que você conseguiu e que passou para Sango?
SHIPPOU – Sei. E Sango passou para seu pai. O que tem isso?
SATSUKI – O endereço em questão era de um médico chamado Kuno. Meu pai pediu á Rin que investigasse a vida dele e descobriu que ele era um infectologista renomado que foi expulso da comunidade por um erro médico.
SHIPPOU – Satsuki! Vá direto ao ponto.
SATSUKI – Eu estava presente quando Rin estava fazendo a pesquisa e quando vi a foto de Kuno o reconheci como um dos donos da clínica em que eu e Maya fomos para fazer o aborto.
SHIPPOU – O que?! Isso é sério?
SATSUKI – Seriíssimo. Eu contei tudo á Rin. O endereço e tudo mais. Meu pai deve estar lá nesse momento. É bem capaz dele descobri tudo.
SHIPPOU – Talvez seja melhor assim, Satsuki. Seu pai vai acabar sabendo mesmo.
SATSUKI – Mas é que eu queria contar á ele pessoalmente e não ele ficar sabendo pelos outros.
SHIPPOU – Eu entendo. (ele olha para Houjo) – Você não sabe, mas soube agora pouco que Miroku vai se entregar.
SATSUKI – Isso é maravilhoso. Quer dizer que a tia Kagome foi libertada.
SHIPPOU – Eu ainda não sei os detalhes, mas avise Rin sobre isso. Talvez ela fale com seu pai e talvez assim ele desista de investigar a clínica não descobrindo o que fez.
SATSUKI – Shippou. Eu não estou pensando nisso. Acho maravilhoso sim a tia Kagome estar sendo libertada. Ela já sofreu tanto. E você também.
SHIPPOU – É. Agora tenho que desligar.
SATSUKI – Ta. Olha Shippou, eu te amo.
SHIPPOU – Eu também te amo.
Shippou desliga seu celular e sabia que teria que dar algumas explicações á Houjo, que mesmo dirigindo, não demorou a se manifestar.
HOUJO – Mas que estória é essa de que Miroku foi se entregar?
SHIPPOU – Sango me contou. Ele ligou de algum lugar dizendo que iria se entregar.
HOUJO – Isso não me interessa. O que me interessa é saber onde está Kagome.
SHIPPOU – Sango disse que ele não falou nada dela. Quando for capturado, será levado á Agência Imperial.
HOUJO – E por que não contou isso aos outros?
SHIPPOU – Como disse antes, Miroku não mencionou Kagome. Não alimentar as esperanças dos outros... Ou a minha.
Houjo aceitou as explicações e assim continuaram a seguir seu caminho rumo ao antigo laboratório de Kikyou e enquanto isso dentro de seu carro, que estava estacionado em frente á clínica de aborto, Sesshoumaru falava com a esposa pelo celular.
SESSHOUMARU – Você tem certeza? Isso está confirmado?
RIN – Ainda não, mas por que Sango mentiria para Shippou?
SESSHOUMARU – É, faz sentido.
RIN – Se Miroku se entregou realmente, uma hora ou outra ele dirá onde está Tamira.
SESSHOUMARU – Concordo.
RIN – Agora que você não tem mais o que fazer aí, volte para casa. Eu e Satsuki temos uma coisa muito importante para te contar.
SESSHOUMARU – Coisa importante?!
RIN – Sim, Sesshoumaru.
SESSHOUMARU – Ok, já estou indo até aí. Um beijo.
RIN – Outro.
Depois de ouvir a voz da esposa, Sesshoumaru desligou seu celular. Ele estava prestes a dar a partida no veículo, mas seu instinto jornalístico lhe dizia que aquela clínica lhe proporcionaria uma grande reportagem. Sesshoumaru se lembrou também que já estava sendo questionado dentro do jornal Diário da manhã por causa do sucesso das colunas de Momiji. O jornalista não queria ficar para trás.
SESSHOUMARU – Essa é minha chance.
Sesshoumaru saiu do seu carro e foi para o interior da clínica e mais uma vez foi á recepção alegando que se não o recebessem, o funcionamento da clínica seria exposto. Nisso Hitoko apareceu diante dele.
HITOKO – O que pensa que está fazendo?
SESSHOUMARU – Eu sei que Kuno está aqui. Quero falar com ele ou os jornais irão aparecer aqui.
HITOKO – Senhor Sesshoumaru! O senhor é a favor do aborto?
SESSHOUMARU – Em certos casos sim.
HITOKO – O senhor vai prejudicar muita gente.
SESSHOUMARU – Então me deixe falar com Kuno. (naquele momento Kuno aparece)
KUNO – Pode deixar que eu falo com ele, Hitoko.
HITOKO – Kuno?! Mas o que está fazendo aqui e...
SESSHOUMARU – Eu sabia que estava aqui. O senhor precisa responder algumas perguntas.
KUNO – Como quiser. (ele olha para Hitoko) – Pode nos deixar a sós?
Mesmo sem entender o motivo do sócio em se expor, Hitoko atendeu á seu pedido e saiu da recepção deixando-o a sós com o jornalista.
KUNO – Primeiramente quero lhe dizer que não vou responder á pergunta nenhuma.
SESSHOUMARU – Então eu posso publicar essa resposta na minha coluna? (sendo irônico e sorrindo)
KUNO – Pode. (ele sorri também) – Também pode publicar uma foto da sua filha para combinar.
Ao ouvir a menção sobre a filha, Sesshoumaru desmanchar imediatamente o sorriso enquanto o de Kuno permanecia. O jornalista queria uma explicação e por isso avança em Kuno agarrando seu colarinho.
SESSHOUMARU – Do que está falando?
KUNO – Acho que sabe do que estou falando.
SESSHOUMARU – Está insinuando que minha filha esteve aqui procurando seus serviços?
KUNO – Eu não insinuo nada.
SESSHOUMARU – Então Satsuki...
KUNO – Exato. Acho que não vai querer fazer sua coluna sobre essa clínica agora, não?
Sesshoumaru, meio atordoado, larga o colarinho de Kuno se afastando do mesmo. Kuno volta para o interior da clínica enquanto Sesshoumaru volta lentamente para seu carro. Ele estava surpreso com aquela revelação.
Próximo capítulo = Contagem regressiva – parte 6
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