Noite sem Fim
36 Aposta perigosa - parte 3
Ainda sem saber o que o filho adotivo estava aprontando, Kagome chegava á sede municipal do partido trabalhista e logo avista Tanuki, seu assessor político, indo até ele em seguida.
KAGOME – Tanuki! Preciso falar com você.
TANUKI – É sobre os vereadores? Pois todos eles já confirmaram para Ryukosei que seguiram seu voto.
KAGOME – Ótimo, mas não é esse o assunto que quero tratar com você. (ela olha em volta) – Vamos conversar em uma sala reservada.
Tanuki compreende que o assunto parecia urgente e por isso guia Kagome até a uma sala onde ambos adentraram e assim podiam conversar mais á vontade.
TANUKI – O que foi, Kagome?
KAGOME – Você sabia que Momiji é filha de Takeshi?
TANUKI – O que?! Está falando do mesmo Takeshi que fez parte do grupo ‘Vitória para a humanidade’? Mas eu achei que o pai de Botan fosse outro e...
KAGOME – Não! Não! Não! Eu disse só a Momiji! Ela e Botan não são irmãs de verdade, pois Momiji foi adotada, mas não sei como ela descobriu seu parentesco com Takeshi.
TANUKI – Ta! Isso é uma grande surpresa, mas explica por que ela não gosta do Ryukosei. Por que está me contando isso?
KAGOME – Eu falei com Momiji e abri o jogo com ela contando tudo, inclusive que todos nós achamos que a fonte dela tem alguma ligação com as pessoas que querem me matar.
TANUKI – Mas Kagome, isso foi muito arriscado e...
KAGOME – Eu sei, mas eu pude perceber que Momiji não tem nada com isso, apesar dela saber que a fonte dela é uma pessoa perigosa tanto que ela está disposta a contar o nome dessa fonte desde que achemos o pai dela e é aí que você entra.
TANUKI – Eu?
KAGOME – Sim! Há cinco anos Miroku te pediu para localizar o Takeshi. Você não pode fazer isso de novo?
TANUKI – Eu posso tentar.
KAGOME – Pois tente. Descobrir quem é a fonte de Momiji é a nossa única pista para chegarmos á Zuza.
Naquele momento os dois percebem uma aglomeração do lado de fora da sala. Ao saírem, Kagome e Tanuki percebem que as pessoas estavam vendo pelo telão um noticiário informando que Ryukosei irá colocar em votação o seu projeto de plano diretor para a cidade de Tóquio. Gakusajin e Botan, que estavam no meio da aglomeração, olham incrédulos para aquela notícia.
BOTAN – Ele ficou louco? Não tem votos suficientes para aprovar o projeto.
GAKUSAJIN – Será que ele conseguiu convencer o resto do partido dele a votar á favor do seu projeto?
BOTAN – Eu duvido senhor! O grupo ligado ao Primeiro Ministro é contra esse projeto e seus membros deixaram isso bem claro.
GAKUSAJIN – Seja o que for que o convenceu, em caso de derrota, sua imagem ficará desgastada. (depois ele olha para Kagome e Tanuki) – Botan!
BOTAN – Sim? (olhando para ele)
GAKUSAJIN – Tenho que verificar algo e preciso da sua ajuda. (ele começa a andar) – vamos.
BOTAN – Ta.
Gakusajin desconfiava da participação de Kagome naquele repentino desejo de Ryukosei de colocar o projeto em votação e enquanto isso Houjo e Yuka já estavam no quarto de hospital onde Souta e a senhora Higurashi estavam.
HOUJO – Eu não posso acreditar que Kagome tenha permitido que o marido dela te batesse, Souta.
SOUTA – Mas permitiu.
HIGURASHI – Olha Houjo! Não vamos mais falar nisso. Depois explico os motivos. Farei isso depois de ter uma conversa franca com minha filha.
HOUJO – Ta, mas seja qual for o motivo isso foi uma agressão. Kagome não devia ter permitido isso e muito menos concordado.
YUKA – Por falar em Kagome, ela vai voltar para o hospital, não é? Eu quero vê-la.
HOUJO – Vai sim! Já que o maridinho dela está aqui.
HIGURASHI – Houjo! No telefone você me disse que Ayumi e os filhos vinham com você e Yuka. Cadê eles?
YUKA – Houjo deixou Ayumi no departamento de polícia. O marido dela é o capitão.
HIGURASHI – Entendo.
A senhora Higurashi olha para o nada tentando imaginar como teria aquela conversa com Kagome ainda mais depois que ela descobriu o segredo de família e enquanto isso no departamento de polícia onde Azuma conversava, em sua sala, com sua esposa, Ayumi, e seus filhos, Okko e Yuri.
AZUMA – Você podia ter ido direto para casa.
AYUMI – Eu até queria, mas esses dois queriam tanto te ver.
OKKO – Queria ver como o senhor comanda os outros por aqui. Dando ordens.
AZUMA – Mesmo? (sorrindo e depois olhando para Yuri) – E você, princesa? Queria ver como o papai trabalha?
YURI – É.
AZUMA – Mas que resposta simples e...
Ele para de falar ao notar a entrada intempestiva de Koharo na sala e pela fisionomia dela, o assunto parecia sério.
KOHARO – Preciso da atenção do senhor em um problema.
AZUMA – Mas eu estou com minha família. Não pode esperar?
KOHARO – Não, senhor.
Azuma faz sinal de positivo com a cabeça e assim Koharo sai da sala deixando o capitão á sós com sua família.
AZUMA – Viu como estou ocupado?
AYUMI – Acho que é a nossa hora de ir. (ela se levanta da cadeira e beija o marido) – Nos vemos mais tarde, amor. (ela olha para os filhos) – Despedem-se do seu pai.
Assim Okko e Yuri abraçam Azuma em sinal de despedida e em seguida se juntam á Ayumi para irem embora e assim Azuma vai até á mesa onde estava Koharo paras tratar do assunto dela.
AZUMA – O que foi desta vez?
KOHARO – Sango não atende as minhas ligações e você sabe que preciso relatar os passos dela para Rakusho.
AZUMA – Ela não está fazendo uma investigação de campo sobre o caso do estrangulador? Isso explicaria por estarem incomunicáveis.
KOHARO – Não, pois do contrário, seria relatado na investigação.
AZUMA – E Guy?
KOHARO – Ele também não atende.
Azuma entende as palavras de Koharo e imediatamente pega seu celular e começa a discar o numero do celular de Sango, que naquele exato momento estava, ao lado de Guy, em frente á concessionária de carros aguardando a chegada de Loki.
SANGO – Droga! (olhando para o celular tocando) – É o Azuma.
GUY – Melhor atender. Já fizemos muito em não atender as ligações de Koharo, mas com o capitão é diferente.
Diante daquelas palavras, Sango percebeu que teria que seguir os conselhos de Guy para não sofrer retaliações mais na frente e por isso atendeu o aparelho.
SANGO – Sango falando?
AZUMA – Onde diabos você se meteu?
SANGO – Estou em uma concessionária de carros porque recebi uma pista.
AZUMA – Sobre o estrangulador?
SANGO – Não! Sobre o homem que quase me matou hoje cedo.
AZUMA – Esse assunto não é prioritário e...
SANGO – Está enganado, Azuma! Esse caso é prioritário, pois essa pista pode nos levar á Gatenmaru e... (ela olha, pela janela, um carro estacionando á frente da concessionária) – Tenho que desligar. Eu explico tudo depois.
AZUMA – Mas...
Sango desliga seu celular antes que Azuma completasse a frase e assim a detetive olha para seu parceiro.
SANGO – Ele chegou. Vamos, Guy.
GUY – Vamos lá.
Sango e Guy observam o funcionário que os atendeu falando com Loki e depois disso, Loki vai até eles.
LOKI – Não precisavam esperar aqui fora. Podiam ficar na minha sala.
SANGO – Obrigada, mas não agüentamos esperar.
LOKI – Claro. Em que posso ajudar?
SANGO – Todos esses carros estão no seu nome? (olhando para os carros dentro da concessionária)
LOKI – Sim. É um procedimento padrão e depois da venda passo a documentação par o cliente.
GUY – O senhor por acaso tem um furgão preto com placa NRK8393?
Ao ouvir as palavras furgão preto e o numero da placa, Loki começa a suar frio, mas consegue não demonstrar medo diante dos detetives.
LOKI – Eu vou ter que verificar, mas qual é o interesse nesse furgão?
SANGO – Isso é assunto da polícia.
LOKI – Vou ter que verificar no meu banco de dados. Está na minha sala.
GUY – Então vamos.
Loki entra na concessionária e os detetives entram logo atrás e nenhum deles percebeu que estavam sendo observados de longe por Shippou, que estava muito surpreso com a coincidência.
SHIPPOU* – Mas que coisa! O traficante com quem Xolan tem negócios é o dono da Jetcar. É hora de agir.
Shippou, que tinha estacionado a moto, já estava vestindo o uniforme de Motoqueiro Noturno se aproximou sorrateiramente da concessionária sem chamar a atenção dos funcionários conseguindo chegar pelos fundos do estabelecimento e, através de uma janela semi aberta, ele podia ver e ouvir a conversa de Loki com os detetives. O dono da concessionária mexia no computador.
LOKI – Aqui está! (ele para de digitar) – O furgão foi roubado há três meses.
SANGO – E por que isso não apareceu nos relatórios policiais?
LOKI – Simplesmente porque não fiz queixa. Os roubos se tornaram seguidos e a seguradora não estava mais cobrindo esse prejuízo e por isso desistir de dar queixa. O veículo foi roubado aqui, mas eu não estava no momento.
GUY – Então quem estava?
LOKI – Um ex. funcionário. Ele não trabalha mais aqui porque desconfiei que ele ajudou no roubo, já que pediu demissão dias depois.
SANGO – Sabe onde esse ex. funcionário mora?
LOKI – Infelizmente não, mas posso dar uma olhada nos registros antigos.
SANGO – Faça isso, por favor.
Loki sorri e depois sai da sala deixando os detetives aguardando seu retorno. Nisso Shippou volta seus olhos para outra janela querendo saber que desculpa Loki iria arrumar, mas para sua surpresa ele vê Loki colocando um caixa em frente á porta da sala onde estavam os detetives e depois sai do local. Ao olhar para a entrada da concessionária, Shippou nota que Loki estava indo para seu carro e que todos os funcionários não estavam mais lá.
SHIPPOU* – O que está acontecendo?
Com um mau pressentimento, Shippou entra na concessionária, indo direto para a porta da sala onde estavam os detetives a fim de ver o que tinha na caixa que Loki deixou. Ao abri-la, vê que é uma bomba com contagem regressiva que indicava menos de vinte segundos para a detonação.
SHIPPOU* – Essa não! E não da tempo para desarmar. (ele abre a porta surpreendendo os detetives) – Vocês têm que sair daqui! Tem uma bomba.
SANGO – O que?
Shippou apenas mostra a bomba que estava dentro da caixa fazendo Sango e Guy acreditarem em suas palavras e assim os três começam a correr para fora da concessionária. Como estava na frente, Shippou conseguiu se esconder atrás do primeiro carro que encontrou para se proteger da eminente explosão, mas Sango e Guy não tiveram tanta sorte e quando houve a explosão, ambos foram jogados para longe.
SHIPPOU* – Por Kami.
Shippou foi até aos detetives para ver como estavam. Viu que Sango estava aparentemente bem, mas Guy estava muito machucado, embora consciente.
SANGO – Aquele desgraçado queria nos matar.
SHIPPOU* — Deu para ver. Eu posso ir atrás dele e...
Shippou desiste de seguir Loki ao ver o envelope de dinheiro na mão de Sango. Agora ele não tinha como rastreá-lo e só restou chamar uma ambulância para os detetives e enquanto isso um pouco longe dali, Loki estaciona seu carro perto do furgão preto. Ele sai do seu carro e abre a traseira do furgão preto. Ao fazer isso, vê Gatenmaru algemado.
LOKI – Você não tentou fugir?
GATENMARU – Hunf!
Agora ficamos sabendo que Loki além de ser o traficante que tinha negócios com Xolan, também era o homem que resgatou Gatenmaru do banco mais cedo. Loki pega seu celular e liga para Natsume, que estava em seu esconderijo.
NATSUME – E aí?
LOKI – Ainda estou com Gatenmaru e os detetives estão mortos.
NATSUME – Tem certeza?
LOKI – Á não ser que sejam imortais. Deu para ouvir a explosão daqui. Foi uma pena ter que desistir da minha concessionária.
NATSUME – Não se preocupe. Arranjaremos outro negócio para você, mas agora retorne ao esconderijo.
LOKI – Sim senhora.
Loki entra no furgão para dar a partida e sair dali com destino ao esconderijo de Natsume e enquanto isso Satsuki tinha voltado, junto com Maya, para sua casa e lá ainda era interrogada pela amiga sobre os motivos de dizer que Xolan nunca gostou dela.
MAYA – Vamos Satsuki! Fala-me por que Xolan não gosta de mim?
SATSUKI – Olha Maya! Eu disse aquilo de cabeça quente. Você é minha amiga e não quero vê-la envolvida com um marginal.
MAYA – Xolan não é marginal!
SATSUKI – Olha só! Você já está defendendo ele de novo.
MAYA – Satsuki! Pega leve com o Xolan, pois apesar de tudo eu gosto muito dele.
SATSUKI – Ok! Ok! Você já é grandinha para se cuidar, mas lembre-se. Quem avisa amiga é.
Naquele momento o telefone da casa começa a tocar e Satsuki imediatamente atende o aparelho enquanto era observada por Maya.
SATSUKI – Alô.
RIN – Satsuki! Sou eu! Estou te ligando porque estou no jornal para pegar Sara que está com seu pai.
SATSUKI – Ah sim. (ela sorri) – Então vai se encontrar com meu pai.
RIN – Não vem com insinuação, Satsuki! Eu ainda não perdoei seu pai pelo que me fez.
SATSUKI – Mas está quase, não é?
RIN – Engraçadinha você, hein?
SATSUKI – Eu sei. (sorrindo) – Mas se está no emprego do meu pai, significa que vai se encontrar também com aquela vadia da Momiji.
RIN – Eu sei, mas eu a encaro. Então até mais tarde.
Rin, que estava no elevador do prédio, desliga seu celular e quando a porta se abre, para sua infelicidade, Momiji aparece diante dela.
MOMIJI – Olha só que está aqui.
RIN – Com licença.
Rin simplesmente ignora Momiji e vai ao encontro do marido e da filha que estavam á uma mesa mais á frente. Momiji chegou a entrar no elevador, mas diante do comportamento de Rin, ela mudou de idéia e saiu do elevador antes que este fechasse a porta. Momiji foi até á mesa do colega que já tinha dado a filha para a esposa.
MOMIJI – Desculpe interromper o casalzinho feliz.
SESSHOUMARU – O que você quer, Momiji? Será que não se toca?
MOMIJI – Não se preocupe, Sesshoumaru! O assunto que vou falar é algo que une nós três. Já que Kagome sabe, uma hora vocês saberão mesmo.
RIN – Do que está falando? O que Kagome sabe?
Momiji começou a contar aos dois que ela era filha de Takeshi, que era membro do grupo ‘Vitória para a humanidade’ o qual também eram membros o pai de Sesshoumaru e os avôs de Rin. O casal ficou surpreso com aquela revelação.
SESSHOUMARU – Eu não sabia que era adotada.
MOMIJI – Sei disso há uns sete anos.
RIN – Isso foi três anos depois que ele fugiu do país com a ajuda de Miroku.
MOMIJI – Mais detalhes vocês falem com sua amiga vereadora. (ela se afasta) – Só queria que soubessem que nós três estamos unidos pelo destino. (ela sorri) – Quer queira, quer não.
Momiji entra no elevador para ir embora deixando o casal pensativo.
RIN – Qual é dessa moça?
SESSHOUMARU – Eu não sei, mas isso está ficando cada vez mais enigmático.
RIN – Seja como for, depois perguntamos á Kagome. (ela acaricia o rosto da filha) – Vamos embora?
SARA – Vamos.
RIN – Então vamos. (ela se afasta e Sesshoumaru se manifesta)
SESSHOUMARU – Rin!
RIN – Agora não, Sesshoumaru! Em casa nós conversamos.
Pelo visto saber que o pai de Momiji tinha uma ligação com o pai de Sesshoumaru deixou Rin um pouco chateada, pois isso fazia a frase de Momiji fazer sentido. Os três eram ligados pelo destino e enquanto isso na sede municipal do partido trabalhista, Kagome estava prestes a sair, mas é abordada por Gakusajin.
GAKUSAJIN – Agora me fale que isso é mentira.
KAGOME – O que é mentira?
GAKUSAJIN – Estou ouvindo boatos de que você e mais seus aliados irão votar a favor do projeto do novo plano diretor da cidade de Ryukosei.
KAGOME – Eu não tenho mais como negar. É isso mesmo.
GAKUSAJIN – Mas o partido decidiu votar contra! Está traindo o partido e...
KAGOME – Isso não é verdade, pois essa decisão de que fala partiu da direção nacional e esta é uma questão municipal. O diretório municipal liberou os membros a votar como quiser, portanto não estou traindo ninguém.
GAKUSAJIN – Você sabe muito bem que as coisas não são tão simples assim. Isso mostrará que o partido está dividido. Nesse momento devíamos ser unidos. Por que está fazendo isso?
KAGOME – Em sinal do meu respeito pelo senhor vou contar. (ela respira fundo) – Por dois motivos. Um é que eu acredito piamente que esse projeto, mesmo não sendo perfeito, é melhor do que o atual plano diretor. O segundo motivo é que Ryukosei vai reconhecer meu apoio e conseqüentemente vai alavancar minha candidatura.
GAKUSAJIN – Está jogando um jogo perigoso, Kagome. Tem certeza que é isso que quer?
KAGOME – Sim! É isso que quero. (o celular dela começa a tocar) — Com licença.
GAKUSAJIN – Toda.
Kagome vê Gakusajin saindo todo contrariado com aquela decisão e sorri diante daquilo e assim atende seu celular enquanto saía do prédio para ir até seu carro oficial.
KAGOME – Alô.
SANGO – Sou eu, Kagome.
KAGOME – Sango?! O que foi?
SANGO – Eu estou indo para o Hospital Memorial, pois eu e meu parceiro fomos vítimas de uma explosão durante uma investigação.
KAGOME – Mas vocês estão bem? (ela chega até o carro)
SANGO – Eu estou com algumas escoriações. Guy está muito machucado, mas vai ficar bem.
KAGOME – Olha Sango! Eu fico feliz que esteja bem, mas por que está me ligando?
SANGO – Porque fomos salvos graças ao Shippou.
KAGOME – Shippou?! (ela entra no carro) — Mas o que ele está fazendo aí?
SANGO – Ele me contou, mas é uma longa história. Ele está indo comigo e lá ele te conta tudo. Estou te ligando porque achei que gostaria de saber.
KAGOME – Ta, obrigada, Sango! Estava indo mesmo para o Hospital Memorial, mas o Shippou está bem, não é?
SANGO – Ele não sofreu nada! Está inteirinho. A gente se vê no hospital.
KAGOME – Ok.
Kagome desliga seu celular e manda Oli dirigir o carro até o Hospital Memorial e enquanto isso, depois de falar com Kagome, Sango vai até Shippou, que já estava sem o uniforme de Motoqueiro Noturno.
SANGO – Então você veio por causa desse dinheiro? (ela exibe o envelope)
SHIPPOU – Sim! Eu tinha botado um rastreador.
SANGO – Sabe que vai ter que se explicar com seus pais, não é?
SHIPPOU – Sei.
SANGO – Então vamos.
SHIPPOU – Mas e a moto em que vim?
SANGO – Não se preocupe. Os policiais que chamei tomam conta. Agora vamos.
Sango e Shippou entram na ambulância onde estava Guy para irem ao hospital.
MAIS TARDE
Já de volta á uma espécie de base militar que era o esconderijo de Natsume em local desconhecido, Loki estava falando com ela enquanto Gatenmaru, ainda algemado, e Kageroumaru estavam mais atrás. Natsume informava que Sango e Guy estavam vivos.
NATSUME – É isso mesmo que ouviu.
LOKI – Mas não tinha como eles terem escapado.
NATSUME – Zakira falou com ela agora pouco e disse que o parceiro dela está no hospital, portanto você falhou.
LOKI – E o que vamos fazer?
NATSUME – Vamos ter que dar um jeito de mandá-lo para fora do país.
LOKI – Europa ou EUA?
NATSUME – Isso ainda vamos ver, mas por enquanto você fica aqui com a gente.
LOKI – E o garoto que com quem negociava? Vão cuidar dele?
NATSUME – Até poderíamos, mas é ‘gastar vela boa para defunto ruim’. Sango e o parceiro dela já viram seu rosto. (ela olha para Kageroumaru) – Leve-o para uma de nossas acomodações.
KAGEROUMARU – Ok! (ele olha para Gatenmaru) – E quanto á ele?
NATSUME – Deixa comigo.
Kageroumaru leva Loki para outra parte do esconderijo deixando Natsume a sós com Gatenmaru, que parecia feliz, pois não parava de sorrir.
NATSUME – Eu não sei por que está rindo. (ela pega o CD) – Agora que tenho a prova para poder chantagear Ryukosei, você é totalmente desnecessário.
GATENMARU – Isso não é tão simples, minha cara Natsume. Coloque o CD e veja por si só.
Natsume estranhou aquelas palavras e por isso colocou o CD em seu laptop para poder ouvir a gravação, mas para sua surpresa o CD exigia uma senha para poder liberar a gravação.
NATSUME – Seu miserável! O que você quer?
GATENMARU – Por enquanto quero que ligue para Yura e deixe o celular no viva-voz, pois quero que escute.
NATSUME – Ok! Quer falar com a namoradinha.
Gatenmaru estava muito sorridente e assim Natsume liga para o celular de Yura, que naquele momento estava em seu carro indo para o aeroporto.
YURA – Alô.
GATENMARU – Sou eu, Yura.
YURA – Gatenmaru?! Ainda está vivo? Pensei que Natsume já tinha dado cabo de você.
GATENMARU – Ela ainda quer, mas dei um jeito de conseguir me manter vivo, mas não quero falar disso e sim de nós.
YURA – Mas não existe ‘nós’! Você devia ter escapado, mas em vez disso preferiu ficar. É um idiota mesmo. (rindo) – Como no passado em que te enganei.
GATENMARU – O que tenho a dizer á você é rápido. Na verdade eu nunca me esqueci do que fez. Você é uma vadia de marca maior que passa nas mãos de muitos homens e por isso merece todo meu desprezo.
YURA – Quantos ‘elogios’! É só para dizer isso que me ligou?
GATENMARU – Sim, pois queria que ouvisse tudo isso antes de morrer.
YURA – O que? Você vai me matar agora? (rindo) – Como?
GATENMARU – Lembra da pulseira? Eu sei que ainda está com ela. Adeus, Yura.
Gatenmaru aperta um botão de sua pulseira que aciona o dispositivo de explosão da pulseira de Yura, que morre instantaneamente com a explosão fazendo o carro voar pelos ares. Gatenmaru sorria do outro lado da linha.
NATSUME – Realmente você não dá ponto sem nó. Preparou isso desde o começo. Nunca teve a intenção de fugir. Qual é a sua, Gatenmaru?
GATENMARU – Você ainda vai ver. (Natsume o encara)
NATSUME – Eu não sei que jogo está jogando, mas saiba que não sou tão fácil de enganar quanto Yura.
Gatenmaru nada fala e apenas sorri para em seguida ser conduzido por Natsume para sua prisão e enquanto isso no Hospital Memorial, mais precisamente em um quarto de hospital, Souta recebia a visita de Shiori, mas ela não vinha com boas noticias.
SHIORI – Tome. (ela tira o anel do dedo e oferece á ele)
SOUTA – O que significa isso?
SHIORI – Eu não posso mais me casar com você depois do que aconteceu.
SOUTA – Shiori! Eu sei que errei, mas eu ainda te amo e...
SHIORI – Não é isso, Souta! Sim, você errou. Sua mãe errou, mas eu também errei em aceitar namorar você gostando de outro homem.
SOUTA – Eu não ligo para isso, pois eu sei que posso fazê-la me amar. Eu vou me tornar um homem melhor e...
SHIORI – Chega Souta! Não torne as coisas mais difíceis. (ela coloca o anel no colo dele) – No fundo sei que é um bom homem e que merece encontrar uma mulher que o ame por inteiro.
Depois de dizer essas palavras, Shiori da às costas á Souta e começa a andar para sair do quarto passando pela senhora Higurashi, que ao entrar no quarto vê uma cena que parte seu coração. Ela vê Souta chorando copiosamente. O filho dela estava sofrendo pelo abandono da mulher que amava, mas ela sabia que ele também sofria de remorso pelo que fez á irmã. Ela sabia o que tinha que fazer e por isso saiu dali e enquanto isso, ali mesmo no hospital, Sango colocava Kagome e InuYasha á par de tudo que tinha acontecido com ela e também a participação de Shippou, que também estava presente na conversa.
KAGOME – Depois vamos ter uma conversa sobre isso, mocinho.
SHIPPOU – Sim senhora. (de cabeça baixa)
INUYASHA – Apesar de ter sido imprudente, ele salvou Sango e Guy. Isso não pode ser ignorado.
SANGO – E também quis ajudar um amigo.
KAGOME – Amigo o qual ele deve se afastar.
SHIPPOU – Olha Kagome! Tem todo direito de me punir e ficar brava comigo, mas nas minhas amizades não pode se meter.
KAGOME – Conversaremos á respeito disso.
SHIPPOU – Mal posso esperar.
Depois dessa ironia, Shippou se afasta deixando os três conversando sobre outro assunto pertinente á causa deles.
SANGO – Agora me fale, Kagome! Momiji é filha mesmo de Tanuki?
KAGOME – É sim.
INUYASHA – E você quer muito encontrá-lo, não é?
KAGOME – Sim! Momiji prometeu dar o nome da fonte dela caso encontremos o pai dela. Tanuki está tentando entrar em contato com ele, mas acho que vai ser difícil.
SANGO – Sabemos que Miroku se encontrou com ele na China há cinco anos. Essa é nossa única pista.
KAGOME – Está decidido! Eu vou para a China junto com você, InuYasha.
INUYASHA – Como quiser e...
InuYasha para de falar ao perceber que a senhora Higurashi estava se aproximando e é claro que Kagome não gostou nada disso, pois ainda tinha magoa pelo que a mãe e o irmão fizeram com ela esses anos todos.
HHIGURASHI – Precisamos conversar, filha.
KAGOME – Não tenho nada que conversar com a senhora.
Ela ia se afastando, mas é impedida pela mãe que segura seu braço de forma imperativa.
HIGURASHI – Escute aqui, Kagome! Eu preciso falar algo sério com você. Precisa me ouvir. Depois disso, mesmo com muita dor no coração, prometo nunca mais lhe dirigir a palavra. (Sango e InuYasha se afastam para que elas ficassem sozinhas)
KAGOME – Ok! A senhora venceu. Fale.
HIGURASHI – Você pode pensar o que quiser de mim, mas saiba que seu pai era uma pessoa decente. Assim como seu irmão.
KAGOME – Ah sim! Tão decente que participou de um projeto que iria matar milhares de pessoas. Tão decente que se aliou á um patife como Ryukosei e...
HIGURASHI – Não foi nada disso, Kagome! Ele salvou sua vida.
KAGOME – Do que está falando? Que mentira ainda vai inventar?
HIGURASHI – Não é mentira. (ela se senta em um banco do corredor) – Seu pai não sabia da totalidade do projeto com a jóia de quatro almas, mas quando você comeu um daqueles chocolates, Ryukosei havia ordenado que matassem você e suas colegas. Quando soube disso, seu pai foi colocado á par de todo o projeto e como militar ele sabia que Ryukosei poderia ordenar tal execução.
KAGOME – Me matar?
HIGURASHI – O seu pai ficou desesperado e implorou para que não fizessem nada com você. Por isso em troca de sua vida, ele aceitou assumir a responsabilidade pelo projeto e conseqüentemente foi punido pelo exercito, que o exonerou confinando-o em Urawa junto com a família das suas colegas.
KAGOME – E a senhora quer que eu acredite nessa história?
HIGURASHI – Quero porque é a verdade. (ela tira uma carta da bolsa) – Essa carta é do seu pai. Acho que reconhece a letra.
Kagome pegou a carta e ao começar a lê-la, confirmou que era a letra do pai. Kagome se surpreendia com cada palavra escrita naquele pedaço de papel, pois aquela carta parecia um testamento onde o pai de Kagome confessava que tinha feito um juramento no exercito de que nunca contaria essa história, mas que não agüentou e resolveu escrever essa carta e contou também que se sentia envergonhado pelo que fez, mas que não podia voltar atrás.
KAGOME – Meu pai era muito orgulhoso. Ele não escreveria isso se não fosse verdade.
HIGURASHI – Tem outra coisa que você devia saber.
KAGOME – O que, mãe?
HIGURASHI – Depois que você fugiu com o Kouga para Tóquio, seu pai ficou dias sem comer fazendo sua saúde piorar. (ela abaixa a cabeça) – Foi por isso que te tratei tão mal no funeral dele. Eu te culpava pelo que houve com ele e por isso nunca te contei a verdade. (ela começa a chorar) – Eu me envergonho muito disso, filha. Não devia pensar mal do seu irmão, pois ele queria defender a honra do pai.
KAGOME – Há dez anos nós fizemos as pazes! Por que não me contou isso naquela época?
HIGURASHI – Eu estava tão feliz com nossa reconciliação que achei que isso poderia abalar nossa relação. (ela volta a olhar para a filha) – O que vai fazer agora?
KAGOME – A senhora tem razão! Apesar de o papai ter me tratado mal. Apesar dele não ter o direito de me esconder isso. Apesar de tudo, ele salvou minha vida jogando a carreira dele, no exercito, fora. Sim, pai era um homem decente. Meu irmão só teve um caráter frágil, mas como a senhora disse, ele só queria defender a imagem do papai. (ela abre um sorriso) — Eu estou feliz em saber disso e agradeço por ter me contado.
HIGURASHI – De nada, filha.
KAGOME – Mas isso não justifica as atitudes da senhora. O que fez comigo foi abominável.
HIGURASHI – Eu sei.
KAGOME – Não vou mais amaldiçoar meu pai. Vou até a voltar a falar com Souta. Mas quanto á senhora não vai dar. A senhora tinha a obrigação de me contar a verdade sobre minha infertilidade. Não só como mãe, mas também como mulher.
HIGURASHI – Filha.
KAGOME – Do fundo do meu coração, eu te perdôo, mas não quero que nunca mais me dirija a palavra.
Kagome se afasta da mãe, que sentada no banco, começa a chorar, pois tinha definitivamente perdido o respeito da filha.
Próximo capítulo = Surpreendente reencontro – parte 1
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