Noite sem Fim

61 Aliança do mal - parte 4


Natsume guiava seu carro para seu esconderijo e Ryukosei, no banco do carona, se manifesta sobre algo que o incomodava.


RYUKOSEI – Quem é seu espião na minha gente?


NATSUME – Espião?!


RYUKOSEI – Alguém colocou um celular no meu gabinete. Só pode ter sido seu espião. Quem é ele?


NATSUME – Você logo, logo vai saber.


Natsume deu um sorriso sarcástico para Ryukosei, já que não queria revelar que Elisa era sua aliada, mas como uma pessoa precavida, Natsume já tinha tomado suas providências e enquanto isso Shippou e Soten olhavam para a tela do laptop enquanto o programa de rastreamento tentava localizar o local do celular de Eri.


SOTEN – Isso está demorando muito, não acha?


SHIPPOU – É assim mesmo. O programa está executando a triangulação. Já, já vai localizar e... (o celular dele toca e por isso ele atende) – Alô.


INUYASGA – Shippou, sou eu.


SHIPPOU – Olha InuYasha, eu estou meio ocupado e...


INUYASHA – Eu já sei que está tentando localizar o celular de Eri. Já conseguiu?


SHIPPOU – Ainda não e... (ele observa algo na tela) – Pronto. Já achei o local.


INUYASHA – Diga-me o endereço.


SHIPPOU – Rua River, 60.


INUYASHA – Ótimo! Eu estou na casa de Rin e estou indo para lá agora mesmo e quero que você e Soten sigam para o hospital e fiquem com Genku por lá.


SHIPPOU – Mas InuYasha, esse endereço é aqui perto (ele olha ao redor) – Fica uns dez minutos á pé.


INUYASHA – Não Shippou! Ryoma deve estar armado. Isso é perigoso. É para você e Soten irem para o hospital. Isso é uma ordem.


SHIPPOU – Desculpe InuYasha, mas você está muito longe do local. Mesmo á pé, chegaremos mais rápido.


INUYASHA – Não seja idiota, Shippou. Obedeça-me e...


SHIPPOU – Sinto muito, mas não posso obedecer a essa ordem.


Shippou desliga seu celular e olha para Soten que estava um pouco assustada com a atitude do rapaz em desobedecer ao pai.


SHIPPOU – Acha que estou errado?


SOTEN – Seu pai tem razão! Ryoma pode estar armado.


Shippou acaba se lembrando que Ryoma quase matou Soten mais cedo no restaurante de InuYasha e por isso era normal ela se comportar daquele jeito.


SOTEN – Eu não quero que nada aconteça com você, Shippou. Eu não suportaria.


SHIPPOU – Eu sei que passou horrores nas mãos daquele louco do Ryoma, mas eu tenho que ir lá por Kagome. Se Ryoma trabalha para Natsume, é possível que nos leve á ela.


SOTEN – Mas...


SHIPPOU – Não vou pedir que me acompanhe, mas fique sabendo que irei assim mesmo. (ele ia se afastando até que ela segura sua mão)


SOTEN – Eu vou com você.


SHIPPOU – Tem certeza?


SOTEN – Tenho. (ela abre um sorriso) – Vamos lá então.


Shippou retribui com outro sorriso e assim ambos vão correndo para a rua River que ficava ali perto e enquanto isso Rin tentava acalmar InuYasha, que estava entrando no carro dele.


RIN – Não faça nenhuma loucura, InuYasha.


INUYASHA – Loucura é o que Shippou está fazendo. (ele liga o carro) – Avise Sesshoumaru sobre o endereço.


RIN – Ta bom, mas tenha cuidado.


InuYasha da a partida no seu carro e vai embora rumo ao endereço que Shippou descobriu. Rin observa o veículo sumir no horizonte para em seguida pegar seu celular para fazer o que o cunhado pediu, mas antes que pudesse fazê-lo, Satsuki apareceu diante dela.


SATSUKI – Eu ouvi bem? O Shippou está junto com a Soten?


RIN – É! Eles estão juntos. Ambos foram ao encontro do perigo. Agora me deixe ligar para seu pai.


Depois de ouvir aquilo, Satsuki deixa a madrasta ligar para o pai e assim volta para o interior da casa muito irritada com o que ouviu e Maya percebe o que está acontecendo e vai falar com a amiga.


MAYA – O que foi, amiga?


SATSUKI – Sabia que Shippou está andando para cima e para baixo com Soten?


MAYA – Mas você não falou que ele iria terminar com ela?


SATSUKI – Mas ao que parece, ele ainda não fez isso.


MAYA – Em outras palavras, você está morta de ciúmes. (rindo)


SATSUKI – Não é ciúme. Só não quero ser passada para trás e...


MAYA – Não acha que está sendo um pouquinho hipócrita? (ela sussurra) – Afinal você disse que ele é o pai do seu filho e...


SATSUKI – Eu sei disso. (ela se sente mal) – Eu não mereço o Shippou e é isso que me martiriza.


MAYA – Eu te conheço há anos, minha amiga. Apesar desse seu jeito meio pragmático, sei que não vai levar essa mentira até o fim.


SATSUKI – Ta! Ta! Olha a Rin vindo aí.


Satsuki resolve encerrar aquela conversa com Maya por causa da aproximação de Rin, mas antes que a esposa de Sesshoumaru se manifestasse, seu celular toca, o que a obriga a atendê-lo.


RIN – Alô.


MOMIJI – Sou eu, Rin.


RIN – Onde se meteu? Tenho muitas novidades para te contar.


MOMIJI – Estou no meu apartamento. Você pode me contar as novidades depois, mas eu te liguei para dizer que estou com o prontuário médico de sua enteada.


RIN – Ah é? (ela fala isso olhando para Satsuki que subia para seu quarto junto com Maya) – Ótimo! E quando pode me mostrar?


MOMIJI – Eu ainda tenho que falar com uma pessoa, portanto não pode ser agora, mas depois eu apareço aí na sua casa e mostro. Claro desde que cumpra sua parte no acordo.


RIN – Claro. Pode vir


MOMIJI – Ótimo, então até mais tarde, futura colega.


Momiji desliga seu celular e fica olhando o prontuário médico de Satsuki. Ela até queria analisá-lo mais detalhadamente, mas o que a deixava mais intrigada eram as mensagens de texto que recebeu no seu celular com as palavras ‘cuidado com Elisa’. Ela ficava observando o visor do seu celular e tentando entender aquelas mensagens até que a campainha começou a tocar.


MOMIJI – Deve ser Elisa. (ela guarda o prontuário e olha através do olho mágico da porta) – Você?


Depois disso, Momiji abre a porta e vê Ling em sua frente. Momiji não esperava encontrar a secretária de Ryukosei, mas mesmo assim a puxa para dentro.


MOMIJI – Por que veio?


LING – A primeira dama me enviou no lugar dela. (ela começa a discar o celular que carregava)


MOMIJI – Elisa falou que viria pessoalmente para falar do meu pai. Não quero tratar com subalternos.


LING – Tem uma razão forte para minha presença aqui. Fale com a primeira dama.


Ling, com uma expressão séria, passa o celular para Momiji, que mesmo contrariada, resolve atender.


MOMIJI – Mas que estória é essa de enviar Ling até minha casa?


ELISA – É que houve algumas complicações. Preciso que esclareça algumas dúvidas.


MOMIJI – Que dúvidas?


ELISA – Eu fiquei sabendo que compartilhou com Sesshoumaru alguns estudos seus sobre o DDM-145. Isso é verdade?


MOMIJI – E se for?! Por acaso anda me investigando? O que tem esse DDM-145 a ver com meu pai?


ELISA – Para a segurança do seu pai, preciso que me diga o que contou á Sesshoumaru sobre o DDM-145.


MOMIJI – Eu contei o que sabia. Que era um projeto desenvolvido pelo governo japonês cujo Ryukosei foi um dos supervisores e que depois foi abandonado.


ELISA – Contou só isso?


MOMIJI – Sim. (ele olha para Ling) – Sesshoumaru não me contou o interesse dele no DDM-145. Qual o seu?


ELISA – A utilização desse projeto era uma das coisas que seu pai mencionou, mas como não disse nada de mais á Sesshoumaru e aos outros, acho que seu pai não corre mais perigo, portanto poderá se encontrar com ele. É por isso que enviei Ling. Ela te levará até seu pai.


MOMIJI – Isso é sério?


ELISA – Sim! Você a conhece. Foi ela quem a levou até mim.


MOMIJI – Verdade.


ELISA – Você e seu pai ficarão juntos. Vemos-nos depois então.


Elisa desliga a comunicação com Momiji que devolve o celular para Ling. A colega de Sesshoumaru queria muito ver o pai.


MOMIJI – Onde está meu pai?


LING – Eu vou te levar até ele.


MOMIJI – E por que não o trouxe para cá?


LING – Se fizer isso, poderemos ver pegas e...


MOMIJI – Mas o risco é o mesmo indo até onde ele está.


LING – Por favor, Momiji. Temos que ir antes que seja tarde.


Ling estava suando frio e Momiji estava desconfiada de que alguma coisa não estava certa em tudo aquilo e associado ás mensagens de texto que recebeu sua desconfiança só aumentava.


MOMIJI – Eu vou pegar minha bolsa no quarto.


LING – Ta, mas não demore.


Momiji se afasta de Ling para ir até ao quarto fechando-o logo depois para em seguida pegar seu celular para ligar para o celular de Sesshoumaru.


MOMIJI – Alô, Sesshoumaru? (falando baixo)


SESSHOUMARU – Momiji?! Por que está falando baixo?


MOMIJI – Você e sua esposa tinham razão. Essa gente com que me meti é muito perigosa. Venha para meu apartamento e eu te conto quem é minha fonte além de outras coisas.


SESSHOUMARU – Ok! Estou indo até aí.


MOMIJI – Não demore.


Momiji desliga seu celular, pega uma arma de choque que tinha na bolsa com a intenção de imobilizar Ling, mas ao chegar à sala não vê ninguém deixando a jornalista surpresa.


MOMIJI – Mas onde ela se meteu? Será que já saiu?


Com a arma em punho, Momiji avança até a porta e observa pela varanda, mas nem sinal de Ling. Pensando que a secretária de Ryukosei estivesse esperando lá embaixo, Momiji já ia para lá, mas de repente Ling aparece por de trás dela e a empurra pela varando fazendo-a cair de uma altura de três metros. Depois desse ato, Ling desce os andares até chegar onde estava o corpo de Momiji.


LING – Eu matei mesmo. (ela coloca a mão na boca para conter o pânico) – O que eu faço agora.


Ling ficou tão desesperada com seu ato que saiu correndo dali sem chamar a atenção de ninguém e enquanto isso no parque industrial abandonado, Miroku falava pelo celular com Koharo, que estava na casa de Kuno onde Tamira tinha sido operada.


MIROKU – Tem certeza que em uma hora o DDM-145 será expelido do corpo da minha filha?


KOHARO – Kuno deu essa previsão.


MIROKU – Isso é muito tempo. Tinha que ser mais rápido.


KOHARO – Também acho, mas não podemos fazer nada.


MIROKU – Obrigado por me informar, Koharo. Qualquer novidade me ligue.


KOHARO – Claro.


Miroku desliga a comunicação do celular para em seguida olhar para Zuza, que sorria sem parar.


ZUZA – Parece que as coisas não estão saindo do jeito que planejava.


MIROKU – Não enche, Zuza. Não enche.


ZUZA – Não importa o que faça, vai ter que matar Kagome se quiser salvar sua filha.


MIROKU – Deveria se preocupar com você porque depois que isso terminar, InuYasha vai caçá-lo.


ZUZA – E a você também. Não se esqueça disso. (rindo) – Vai vir atrás de você também.


Miroku, de tão irritado com aquelas palavras, que deu um soco em Zuza, fazendo-o cair no chão e naquele momento o celular toca e Miroku atende imediatamente.


MIROKU – Sim?


KAGEROUMARU – Já teve a confirmação de que sua filha está boa?


MIROKU – Sim, mas o tempo é muito longo. Não era para demorar tanto.


KAGEROUMARU – O médico que contratou não deve ser dos melhores, mas seja como for sua filha ficará boa.


MIROKU – Só vou matar Kagome quando tiver certeza absoluta de que minha filha está salva.


KAGEROUMARU – Já disse isso várias vezes. Muda o disco, cara. (rindo)


MIROKU – Por que você está ligando? Onde está Natsume?


KAGEROUMARU – Ela está resolvendo outros assuntos. Até mais.


Kageroumaru desliga a comunicação com Miroku para logo em seguida ligar para o celular de Natsume, que estava em seu carro ao lado de Ryukosei, voltando para o esconderijo.


NATSUME – Alguma novidade?


KAGEROUMARU – Miroku já sabe que o DDM-145 sairá do corpo da filha.


NATSUME – Ryoma já foi informado disso?


KAGEROUMARU – Sim. Inclusive ele já cuidou de tudo, ou quase tudo, pois ainda falta localizar onde Koharo levou Tamira, mas logo o rastreamento fará isso.


NATSUME – Avise Ryoma assim que isso acontecer.


KAGEROUMARU – Ok! Mais alguma coisa?


NATSUME – Eu estou com o prefeito agora. Prepare os prisioneiros para essa visita. Passe-me os detalhes quando eu chegar.


KAGEROUMARU – Certo.


Kageroumaru desliga a comunicação com Natsume para em seguida olhar o programa de rastreamento que estava tentando localizar o endereço da casa de Kuno até que finalmente consegue.


KAGEROUMARU – Te peguei.


Cerrando os punhos, Kageroumaru fica feliz com aquilo e imediatamente liga para o celular de Ryoma, que naquele momento estava do lado de fora do armazém instruindo os capangas de Natsume. Ele atende o celular.


RYOMA – Fale.


KAGEROUMARU – Eu consegui localizar o endereço de onde estão Koharo e Tamira.


RYOMA – Passe-me.


KAGEROUMARU – Rua Soun, 58.


RYOMA – Eu e o pessoal estamos indo para lá e...


KAGEROUMARU – Não! Tem que ser só você. Quero que mande os outros de volta ao esconderijo. Natsume fará mudanças nos planos.


RYOMA – Espero que ela não esteja pensando em me deixar de fora.


KAGEROUMARU – Não se preocupe com isso. O que você está fazendo agora é um trabalho adicional. Você saberá o que Natsume tanto o quer na equipe.


RYOMA – Eu não entendi bem, mas desde que eu seja pago. Estou indo. Já que os outros vão voltar para o esconderijo, vou ter que usar o carro de Zakira.


KAGEROUMARU – Faça o que quiser.


Ryoma desliga seu celular para depois passar as novas ordens e assim os capangas entram no furgão preto para irem rumo ao esconderijo de Natsume. Já Ryoma entra no carro de Zakira para ir até a casa de Kuno, mas o que ele não percebeu era que Shippou e Soten observaram toda a cena do outro lado da rua atrás de uma mureta. Assim que os veículos vão embora, os dois saem.


SOTEN – Aquele é o cara que quase me matou.


SHIPPOU – É o Ryoma sim, mas o que me chamou mais a atenção foi outra coisa. O carro que ele entrou é do Zakira.


SOTEN – Tem razão. Eles estão trabalhando juntos.


SHIPPOU – Mas eu não vi Zakira. (ele olha para o armazém) – É possível que ele ainda esteja lá dentro.


Shippou e Soten atravessam a rua e adentram o armazém, mas ao fazerem isso eles encontram um local totalmente vazio, sem nenhum móvel, objeto, nada. Absolutamente nada.


SHIPPOU – Mas não tem nada aqui.


SOTEN – Tem sim. (ela vê um celular quebrado no chão e o apanha) – Esse deve ser o celular de Eri.


SHIPPOU – Tem razão, mas não há sinal de Zakira.


SOTEN – Vamos procurar lá fora. Talvez encontramos algo.


SHIPPOU – Certo.


Shippou e Soten saem do armazém para inspecioná-lo do lado de fora e enquanto isso nos corredores do Hospital Memorial, Sango acaba se encontrando com Azuma.


SANGO – Então já chegou?


AZUMA – Cheguei a pouco tempo com Houjo que foi falar com a senhora Higurashi. Como está Onigumo?


SANGO – Levando em conta que levou um tiro no ombro, ele está bem.


AZUMA – Já o interrogou sobre o que aconteceu?


SANGO – Sim, ele me falou que se feriu quando tentou resgatar Eri das mãos de Ryoma. Viu capitão o que seu chefe provocou? Libertou um bandido perigoso.


AZUMA – Sei. (ignorando a ironia dela) – O que Ryoma queria de Onigumo?


SANGO – O que você acha? Dinheiro? (ela não queria contar da jóia de quatro almas)


AZUMA – Eu acho que não foi isso. Acho que foi outra coisa. Acho que você sabe o que é.


SANGO – Está achando muita coisa, Azuma.


AZUMA – Eu não tenho tempo para esse ‘jogo’ de verdade e mentira. Ryoma matou os funcionários do restaurante de InuYasha e eu quero pegá-lo para levá-lo de volta a cadeia. Seja o que for que ele queria de Onigumo, não era apenas dinheiro. Com licença.


SANGO – Espere.


AZUMA – O que foi?


SANGO – Eu tenho uma dúvida. Por que ajudou Shippou á localizar onde Eri foi mantida como refém?


AZUMA – Eu tenho os meus motivos. (ele se afasta) – Vou falar com Onigumo e depois com a senhorita Eri.


Azuma se afasta ainda mais e Sango, ao ficar observando-o, fica pensando nas reais intenções de Azuma para ter ajudado Shippou e enquanto isso Elisa, que em vez de estar em casa, estava em um terreno baldio, olhava para o relógio de pulso como se estivesse esperando por alguém e de repente um carro aparece e de dentro sai Ling, secretária de Ryukosei, que estava vindo do apartamento de Momiji.


ELISA – Onde está Momiji?


LING – Houve complicações, senhora.


ELISA – Do que está falando?! Diga-me de uma vez.


LING – A jornalista. Ao que parece, ela descobriu tudo. Eu a ouvi falando com aquele outro jornalista pelo celular e aí eu não vi outra maneira se não empurrá-la na varanda.


ELISA – Está dizendo que ela morreu? É isso?


LING – Sim! Ela ficou lá estirada no chão. Mortinha da Silva. Eu matei uma pessoa. Não era isso que eu queria, mas fiz isso pelo meu marido.


ELISA – Mas é claro que sim. (ela sorri malignamente) – Não foi assim que planejei. Você deveria trazer Momiji aqui para que eu a matasse sem testemunha, mas Momiji está morta. É só isso que importa.


LING – Mas e eu?! Eu matei uma pessoa e...


ELISA – Não se preocupe com isso, Ling. Eu disse que resolveria as coisas e ainda farei isso.


LING – Quer dizer que posso ver meu marido?


ELISA – Sim, você e seu marido vão ficar juntos. (ela faz com que ela se sente no capô do carro) — Eu disse que se fizesse o que mandei, você teria seu marido de volta.


LING – E onde está meu marido? (olhando para a Lua)


ELISA – Bem, ele está morto.


Sem vacilar, Elisa pega uma arma e atira na têmpora de Ling, matando-a instantaneamente e depois disso a primeira dama, fria e calmamente, pega seu celular e começa a discar para o celular de Natsume, que acabara de voltar ao esconderijo, junto com Ryukosei.


ELISA – Natsume.


NATSUME – Sabe que eu estou com o prefeito agora. (olhando para Ryukosei) — Não devia ligar para mim nesse momento e...


ELISA – Saiba que o assunto Momiji já foi resolvido, mas houve complicações.


NATSUME – Desembuche logo. O que houve?


ELISA – Não fui eu quem matou Momiji e sim Ling. Ao que parece, Momiji desconfiou de algo e Ling, desesperada para ver o marido de novo, resolveu ela mesma matar Momiji a empurrando da varanda. Eu mesma matei Ling.


NATSUME – Esse não era o planejado.


ELISA – Não era, mas podemos tirar proveito disso. Eu atirei na têmpora de Ling e assim posso forjar um suicídio.


NATSUME – E que proveito nós tiramos disso?


ELISA – Vou fazer com que pareça que Ling matou Momiji por que ela descobriu que o marido dela tinha um caso com ela e também podemos dizer que o marido Ling é a fonte de Momiji e que também descobriu que Ling era a espiã sua dentro da equipe de Ryukosei.


NATSUME – Entendo. (ela olha para Ryukosei) – Isso certamente vai desviar a atenção dele.


ELISA – E eu estarei protegida. Vou cuidar disso agora mesmo.


Natsume desliga a seu celular para depois seguir junto com Ryukosei para uma espécie de elevador que dava acesso ao esconderijo. Ryukosei estava intrigado com aquele telefonema que Natsume recebeu.


RYUKOSEI – Aposto que era seu espião com quem estava falando. E parecia que algo não saiu como planejado.


NATSUME – Por que se preocupar com isso? Agora nós somos aliados.


RYUKOSEI – Se somos aliados, diga-me quem é seu espião dentro da minha equipe.


NATSUME – Por que não tenta descobrir?


Os dois saem do elevador e seguem rumo ao encontro com Kageroumaru, mas naquele momento o celular de Ryukosei começa a tocar. Ele vê no visor que era o celular de Elisa.


RYUKOSEI – É minha esposa.


NATSUME – Ela sabe o que está fazendo? (fingindo)


RYUKOSEI – Não! (ele olha bem para o celular) – Posso atender?


NATSUME – Mas não diga nada á ela.


Natsume se afastou um pouco ficando de costas para Ryukosei. Ela não conseguia esconder o sorriso com aquela armação que estava fazendo enquanto o prefeito atendia seu aparelho.


RYUKOSEI – Querida?! Está em casa?


ELISA – Não! E eu não podia estar. Você não sabe o que aconteceu.


RYUKOSEI – Eu estou ficando preocupado. O que houve?


ELISA – Você pode não acreditar, mas descobri que Ling era uma espiã de Natsume.


RYUKOSEI – O que?! (ele olha para Natsume que estava ainda de costas) – Tem certeza?


ELISA – Sim. Ela me ligou dizendo que trabalhava para Natsume e que Momiji descobriu tudo. Momiji disse que ia contar á polícia, mas Ling não deixou e a matou. Depois disse que ia se matar por não suportar a vergonha. Fui até onde ela estava e a encontrei morta com um tiro na cabeça. Ela se matou, Ryukosei.


RYUKOSEI – Por essa eu não esperava. (passando a mão na cabeça)


ELISA – Eu sei que é difícil de acreditar que Ling, sua secretária de tanto tempo, é uma espiã, mas é verdade e...


RYUKOISEI – Eu acredito, meu amor. (ele olha para Natsume) – Acredito mais do que pensa. Agora tudo faz sentido. Vemos-nos depois. Fique calma.


ELISA – Ta, mas onde você está?


RYUKOSEI – Depois eu conto o que estou fazendo. Agora chame a polícia, mas não sem antes mandar alguém ver as coisas na casa de Ling.


ELISA – Ta! Farei isso.


Ryukosei desliga seu celular e olha para Natsume, que já estava na companhia de Kageroumaru. A ex. amante de Naraku fingia estar surpresa com o olhar do prefeito.


NATSUME – O que foi? O que sua esposa queria?


RYUKOSEI – Ela descobriu quem é seu espião. Ou melhor, espiã.


KAGEROUMARU – O que?! (surpreso, pois não sabia da armação de Natsume)


NATSUME – Do que está falando? Eu não sei o que sua esposa disse e...


RYUKOSEI – Foi muito esperta em colocar uma espiã sua como minha secretária. Assim podia saber dos meus passos. Mas deveria escolher alguém mais preparado, pois ela se matou quando foi descoberta.


KAGEROUMARU – Ling está morta? (o sorriso de Ryukosei confirmava isso)


NATSUME – Parece que sua esposa é muito esperta.


RYUKOSEI – Não achou realmente que iria me enganar o tempo todo, achou?


NATSUME – Agora que sabe quem é, ou melhor, quem foi a minha espiã, podemos seguir em frente com nosso acordo.


RYUKOSEI – Vamos lá.


KAGEROUMARU – Os prisioneiros estão aguardando.


NATSUME – Cuide do resto, Kageroumaru.


Os três voltaram a andar para irem até onde estavam Gatenmaru e Takeshi, que estavam conversando sobre a estratégia de fuga.


GATENMARU – Tem certeza que se eu fizer esse caminho, conseguirei fugir daqui.


TAKESHI – Tenho sim, mas você vai ter que contar com a sorte também.


GATENMARU – Eu não gosto de contar com a sorte. (ele olhava algo que tinha na mão) – Se esse negócio, que montou para mim, funcionar, não precisarei de sorte.


TAKESHI – Para seu bem, espero que minha filha esteja viva.


GATENMARU – Se ela for esperta como diz, está viva sim e...


TAKESHI – Quieto! Eles estão vindo.


Takeshi estava certo, pois se podia ouvir vozes se aproximando e de repente eles observam Kageroumaru, Natsume e Ryukosei indo na direção deles. O prefeito era o mais sorridente ao observar seu inimigo de tanto tempo.


RYUKOSEI – Há quanto tempo, Takeshi?


TAKESHI – Mais dom que eu gostaria, senhor prefeito.


RYUKOSEI – Sei. (depois ele olha para Gatenmaru) – E olha quem eu encontro também. Você conspirou tanto contra mim no passado.


GATENMARU – Eu não disse nada, senhor prefeito. Eles conseguiram me enganar e...


RYUKOSEI – Não interessa. Seu destino já está traçado. Como o dele. (olhando para Takeshi)


NATSUME – Eu odeio interromper esse reencontro um tanto emocionante, mas tenho compromissos inadiáveis. (ela encara Ryukosei) – Dê-me um novo esconderijo e pode fazer o que quiser com eles. (ela olha para Kageroumaru) – Volte á sala de informática e verifique como está o serviço de Ryoma.


KAGEROUMARU – Sim senhora.


Kageroumaru sai do local deixando Natsume e Ryukosei observando Gatenmaru e Takeshi. Nisso o prefeito estava pensando qual dos dois iria matar primeiro.


RYUKOSEI – Eu vou me livrar de você primeiro, Gatenmaru. Você me decepcionou muito.


GATENMARU – Não mais do que eu queria, senhor prefeito.


NATSUME – Aqui está. (ela entrega uma arma para o prefeito) – Acabe com os dois e depois nos livramos dos corpos.


RYUKOSEI – Boa idéia.


Ryukosei pegou a arma e estava pronto para atirar em Gatenmaru, mas este joga algo no chão que faz com que produza um brilho ofuscante, fazendo todos em volta fazendo todos não enxergarem nada e depois de alguns segundos a visão de todos começa a voltar ao normal, mas quando isso acontece, Natsume e Ryukosei percebem que Gatenmaru não estava mais lá.


RYUKOSEI – Onde ele está?


NATSUME – Desgraçado.


Natsume sai dali para acionar o alarme e Ryukosei fica olhando para Takeshi muito sorridente. O prefeito tinha certeza de que o velho tinha ajudado Gatenmaru a fugir.



Próximo capítulo = Contagem regressiva – parte 1