Noite sem Fim

51 Agonia do terror - parte 4


Percorrendo os corredores do prédio onde era a sede do partido trabalhista, Kagome é abordada por Botan, assistente de Gakusajin.

BOTAN – Eu fiquei sabendo que minha irmã está vindo para falar com você. Isso é verdade?

KAGOME – É sim. Tem algum problema?

BOTAN – Olha Kagome! Eu aconselho a não falar nada sobre...

KAGOME – Sobre Miroku estar vivo? Acho que não será preciso. Por acaso não viu que a notícia vazou?

BOTAN – Eu fiquei sabendo.

KAGOME – Relaxa, Botan! Não farei nada que prejudique a campanha de Gakusajin. Até porque o assunto que tenho com sua irmã é outro.

Kagome deu um sorriso e depois olhou para frente onde viu dezenas de soldados que vestia roupas especiais e capacetes, fato que chamou a atenção das duas.

KAGOME – Isso tudo é por minha causa?

BOTAN – Eu acho que a direção nacional do partido pediu uma segurança extra devido á convenção. E isso só vai aumentar depois de saberem que Miroku está vivo.

KAGOME – Diante de tudo isso, não sei nem se seria uma boa idéia ficar com a vaga de vice, mas vemos isso depois. (ela volta para Botan) – Eu já vou indo e...

BOTAN – Esse outro assunto que irá tratar com minha irmã por acaso é a respeito do pai dela?

KAGOME – E se for?

BOTAN – A busca pela identidade do pai biológico é uma das coisas mais importantes da vida dela. Por favor, não vá magoá-la com esperanças falsas.

Kagome não disse nada e apenas assentiu com a cabeça para depois se afastar dela e enquanto isso Shippou ainda tentava decodificar a mensagem que seu laptop recebeu. Tudo sob a observação de InuYasha, que parecia ansioso.

INUYASHA – Não conseguiu nada?

SHIPPOU – Isso demora, InuYasha! Estou fazendo o máximo que posso e...

INUYASHA – Eu sei disso, Shippou.

InuYasha colocou a mão no ombro do filho ao se lembrar do drama que ele estava passando depois de receber a notícia da gravidez de Satsuki e naquele momento a campainha começa a tocar. O marido de Kagome foi atender e ao abrir a porta, dá de cara com Shiori.

SHIORI – Olá. (sorrindo)

INUYASHA – Shiori?! Mas que surpresa você por aqui.

SHIORI – Como surpresa?! (ela faz uma expressão de brava) — Eu vim aqui entregar, pessoalmente, o resultado dos seus exames depois que soube que retornaram de viagem. (ela volta a sorrir e exibe um envelope) – Aqui estão.

INUYASHA – Obrigado, mas não precisava vir. Eu os pegaria no hospital outro dia.

SHIORI – Eu só vim porque queria ter a certeza de que está bem. (ela percebe que ele andava normalmente) – E vejo que está bem.

INUYASHA – Não tive mais problemas. E eu lhe agradeço por isso, Shiori. Você foi dez comigo.

Shiori ficou um pouco corada, pois ainda nutria sentimentos pelo marido de Kagome. Por outro lado, InuYasha realmente estava agradecido á ela, pois embora soubesse que voltou á andar pelo poder da jóia, ele reconhecia que as sessões de fisioterapia também contribuíram para sua recuperação.

SHIORI – Eu vim também para ver como está Kagome. Foi uma surpresa para eu saber que aquele amigo de vocês está vivo e querendo matá-la, mas que loucura.

INUYASHA – Nem me fale. (ele respira fundo) – No momento estou tranqüilo porque Kagome está sendo protegida pela Agência Imperial. Ninguém vai chegar perto dela sem uma devida permissão.

SHIORI – Isso é bom.

INUYASHA — Shiori! Você não quer entrar? Eu te preparo algo.

SHIORI – Não precisa. Eu só vim entregar os exames, pois eu tenho um compromisso e...

A conversa dos dois é interrompida pela súbita aparição de Shippou diante deles.

SHIPPOU – Oi, Shiori.

SHIORI – Olá, Shippou.

INUYASHA – O que foi, Shippou?

SHIPPOU – Consegui decodificar a mensagem.

INUYASHA – E o que ela diz?

SHIPPOU – Fazia referência ao Instituto Petros. Venha ver.

InuYasha segue Shippou até ao laptop onde o rapaz começa a digitar para saber mais informações sobre o Instituto Petros.

INUYASHA – Eu nunca ouvi falar nesse instituto.

SHIPPOU – Mas eu já! E foi hoje mesmo. Soten e Zakira levam Tamira até lá para ser examinada por um médico.

INUYASHA – Eu não sabia que o instituto era um hospital e...

SHIORI – E não é. (ela aparece diante deles) – Eu não pude deixar de ouvir o que falavam.

INUYASHA – Conhece o Instituto Petros?

SHIORI – Um pouco. Ele tem acordos de cooperação com todas as entidades ligadas á saúde nesse país. Tanto que seus exames foram periciados por lá.

SHIPPOU – Mas é uma entidade particular, não? (ele continuava a digitar)

SHIORI – Em parte sim, mas o governo dá incentivos, como isenção fiscal, portanto podemos dizer que ele é um órgão particular, mas de caráter publico. (ela olha para InuYasha) – Por sinal é para lá que estou indo.

INUYASHA – Sério?!

SHIORI – Sim. Eu vou participar de um simpósio sobre fisioterapia que está sendo patrocinado pelo Instituto Petros, portanto eu pesquisei alguma coisa sobre ele. (sorrindo)

SHIPPOU – Isso é bom. (ele olha para ela) – Por acaso já ouviu falar em um programa chamado ‘destruidor molecular’?

SHIORI – Não! Eu nunca ouvi falar nisso.

INUYASHA – Por que a pergunta, Shippou?

SHIPPOU – A mensagem fazia referência á esse programa, portanto deve ter alguma importância.

INUYASHA – Ou pode ser uma armadilha, não se esqueça que sabemos agora que não foi Soten que enviou as mensagens.

SHIPPOU – E por falar em Soten, tenho que ligar para ela e desmarcar o encontro que programamos. (ele se levanta da cadeira) – Com licença.

Shippou vai para outro cômodo da casa deixando InuYasha e Shiori a sós. Ela percebeu certa preocupação no ambiente.

SHIORI – Saber sobre esse ‘destruidor de moléculas’ irá ajudar a proteger Kagome?

INUYASHA – Pode ser, mas por que o interesse?

SHIORI – Já que estou indo para o Instituto Petros, poderia descobrir algo para você e...

INUYASHA – Esquece isso, Shiori! Pode ser muito perigoso. Como disse ao Shippou, isso pode ser uma armadilha, portanto deixe para lá.

SHIORI – Você é quem sabe. (ela se curva) – Eu já vou indo, então. Diga tchau á Shippou por mim.

INUYASHA – Claro. Tchau.

InuYasha abre a porta para Shiori sair. Apesar de estar curioso em saber sobre o Instituto Petros, InuYasha não queria arriscar a vida de mais ninguém e enquanto isso no carro, que Zakira dirigia, Soten desliga o celular depois de falar com Shippou e depois devolve o aparelho ao noivo de Sango.

SOTEN – Obrigada.

ZAKIRA – De nada. (ele pega o celular de volta enquanto dirigia) – O que seu namorado queria?

SOTEN – Desmarcar o programa que combinamos. (depois ela olha para Tamira) – Os garotos vão dar ‘bolo’ na gente.

TAMIRA – Eu gosto de bolo.

SOTEN – Eu também, mas não é esse tipo de bolo que estou falando. (sorrindo) – Quando crescer, você vai entender.

Soten brincava com a ‘irmã’ para tentar esconder o desapontamento por imaginar que Shippou tivesse outras coisas mais importantes do que ela e naquele momento o carro estaciona no prédio onde ficava o apartamento de Sango. Assim os três saem do veículo.

ZAKIRA – Já que as duas estão entregues, eu vou indo. Tenho que voltar para a clínica.

SOTEN – Obrigada novamente. Tamira parece bem depois de ser examinada por aquele médico.

ZAKIRA – Eu faço o que posso pela minha enteada. (acariciando o rosto de Tamira) — Se cuidem as duas.

Soten e Tamira, ambas de mãos dadas, observam Zakira entrando novamente no seu carro para ir embora e assim as duas entram no prédio, mas o que os três não perceberam era que Koharo, dentro de um carro e do outro lado da rua, observava toda a cena. Ao perceber que Zakira tinha ido embora e que Soten e Tamira tinham entrado no prédio, ela sai do veículo, atravessa a rua, chegando ao prédio. Nesse momento seu celular começa a tocar. Ela sabe que é Miroku.

MIROKU – Já está com minha filha?

KOHARO – Ainda não! O noivo de Sango acabou de trazer Soten e Tamira.

MIROKU – Koharo! Você precisa levar Tamira agora. A minha missão já vai começar.

KOHARO – Eu vou tentar e...

MIROKU – Não Koharo! Tentar não é suficiente. Você tem que conseguir, pois se não, tudo que eu fizer será em vão.

KOHARO – Ta! Eu consigo.

MIROKU – Ótimo! Quando conseguir e estiver segura que não está sendo seguida, pode ligar para esse numero. Aí não importa se Natsume sabe o que estou fazendo ou não.

Depois dessa informação, Koharo desliga seu celular e entra no prédio e no caminho fica pensando em algum plano para irar Tamira e enquanto isso na sede do partido trabalhista, Kagome falava com o marido pelo celular.

KAGOME – O que acha que tem nesse Instituto Petros?

INUYASHA – Eu ainda não sei, mas é o que eu e Shippou vamos tentar descobrir, mas acho que vamos deixar isso para depois. Ele tem um assunto urgente para resolver.

KAGOME – Assunto urgente?

INUYASHA – Eu estou indo até aí e te falo pessoalmente. É algo que você precisa saber. (sobre a gravidez de Satsuki)

KAGOME – Está me assustando, InuYasha! É algo sobre a conspiração?

INUYASHA – Não, mas é algo em relação ao futuro de Shippou, mas não é nada do outro mundo.

KAGOME – Ta! Momiji já deve ter chegado. Vou falar com ela e tentar convencê-la a dizer quem é sua fonte. (ela vê um soldado pedindo sua atenção) – Eu tenho que desligar, meu amor. A gente se fala depois. Quero saber o que está acontecendo com Shippou.

INUYASHA – Ta! Um beijo.

KAGOME – Outro.

Kagome desliga seu celular e vai ao encontro do soldado que estava gesticulando para ela.

KAGOME – Sim, soldado?

SOLDADO – A senhora precisa sair desse prédio.

KAGOME – Por quê?

SOLDADO – A segurança dele está comprometida. (ele a leva até uma sala) – Um funcionário encontrou um de nossos soldados desmaiado, sem falar que recebemos a informação que uma das câmeras de transito conseguiu a imagem de Miroku perto do prédio.

KAGOME – Acha que Miroku está aqui?

SOLDADO – Não sei, mas não podemos arriscar. (ele joga uma roupa de soldado nela) — A vida da senhora está sob nossa responsabilidade, portanto vista isso.

Como as roupas de soldados eram largas, Kagome não precisou tirar as dela e assim, já totalmente trajada, ela recebe um capacete dele para que o disfarce ficasse completo.

SOLDADO – Assim ninguém vai reconhecê-la. (ela coloca o capacete) – Fiquei incumbido da sua proteção.

KAGOME – E para onde vou?

SOLDADO – A área está isolada. Se Miroku estiver aqui, não terá como sair.

O soldado guia Kagome por uma saída de emergência e a esposa de InuYasha percebe o corre-corre de soldados e agentes imperiais que tentavam encontrar Miroku no prédio. Assim ela e o soldado saem do prédio e vão para um carro estacionado mais á frente. Eles entram no veículo e o soldado liga o carro para saírem dali.

KAGOME – Por que Miroku está fazendo isso? Eu não entendo.

SOLDADO – Entendê-lo não é nosso trabalho. Prendê-lo sim.

KAGOME – Eu entendo, soldado. (ela olha em volta) – Não deveria ter mais soldados me protegendo? Vai ser só você?

SOLDADO – Sim, será só eu. Não se preocupe. Eu não tenho medo.

O soldado estaciona o carro em baixo de uma ponte para depois sair do veículo e pedir que Kagome fizesse o mesmo. A esposa de InuYasha estranhou aquilo.

KAGOME – Isso aqui é outra estratégia de segurança?

SOLDADO – É sim! Vamos trocar de carro. O grupo de Natsume tem muita influência e todo cuidado é pouco. (ele abre um outro carro) – Vamos.

KAGOME – Ah sim! (ela pega o celular) — Eu preciso avisar meu marido que estou bem e...

Kagome para de falar ao perceber que o soldado tinha sacado sua arma e estava apontando para ela e antes que a esposa de InuYasha questionasse do motivo para tal ação, o soldado retirou o capacete, revelando-se para espanto de Kagome.

KAGOME – Miroku?!

MIROKU – Eu mesmo. (ele se aproxima e pega o celular dela) – Não vai precisar disso, por enquanto. (ele joga o aparelho fora)

KAGOME – Por que está fazendo isso, Miroku? Pensei que éramos amigos.

MIROKU – É uma longa história, Kagome. (ele se aproxima dela) – Quero que fique de costas, com as mãos na cabeça com os dedos entrelaçados. Não quero atirar em você, Kagome, mas atiro se for preciso.

Percebendo que Miroku não estava brincando, Kagome, morrendo de medo, fez o que ele pediu e assim, ainda com a arma em punho, Miroku pegou um aparelho de dentro do carro para depois passar em volta do corpo da esposa de InuYasha. Depois disso Miroku pega seu celular e liga para Natsume.

MIROKU – Eu já a peguei.

NATSUME – Já verificou se ela tem algum rastreador?

MIROKU – Acabei de fazer isso. Ela está limpa.

NATSUME – Ótimo! Leve-a para Zuza e vamos acabar com isso.

Depois de falar com Natsume, Miroku vai até o carro, abre seu porta-malas e ordena que Kagome entrasse nele. Ela, com medo do comportamento dele, o obedece.

KAGOME – Por que está trabalhando com Zuza e Natsume? Isso não faz sentido.

MIROKU – Nos últimos cinco anos, muita coisa não faz sentido, Kagome. Agora entre.

Kagome entra no porta-malas e Miroku o fecha para depois ir á direção do veículo para que saíssem dali antes que alguém percebesse e enquanto isso na sede do partido trabalhista, no meio do corre-corre de soldados e agentes, Momiji conversava com sua irmã, Botan.

BOTAN – É irmãzinha, parece que perdeu a viagem. Vai ser difícil falar com Kagome com toda essa confusão.

MOMIJI – Eu não acredito que vim aqui á toa. (meio contrariada)

BOTAN – O que Kagome quer falar com você?

MOMIJI – É assunto meu, mana.

BOTAN – Tudo bem, não está mais aqui quem falou e...

Botan para de falar ao ver Tanuki se aproximando. Ele tinha uma expressão de preocupação no rosto.

TANUKI – Alguma de vocês duas viram Kagome?

MOMIJI – Claro que não! Eu vim aqui justamente para isso e...

BOTAN – O que houve, Tanuki?

TANUKI – Kagome sumiu! Ela devia estar na sala dela.

BOTAN – Mas como ela pode desaparecer? Será que Miroku conseguiu seqüestrá-la?

Tanuki tinha medo de responder a pergunta de Botan, pois tudo indicava que sim e enquanto isso, sem saber o que estava acontecendo com a esposa, InuYasha estava saindo de casa junto com Shippou e Genku.

INUYASHA – Precisa resolver esse assunto com Satsuki.

SHIPPOU – Eu sei.

INUYASHA – Eu te deixo lá no caminho e depois sigo para falar com Kagome.

SHIPPOU – Ela vai ficar furiosa.

INUYASHA – Ah vai sim.

GENKU – O que o mano Shippou aprontou? (sorrindo)

SHIPPOU – Isso não é conversa de criança.

GENKU – Você anda muito chato ultimamente.

INUYASHA – Deixa seu irmão em paz, Genku. Ele tem muita coisa para fazer. (ele olha para Shippou) – Tem certeza de sua decisão?

SHIPPOU – Absoluta.

INUYASHA – Certo. Fale com Satsuki e eu falo com Kagome. Tudo vai dar certo, filho.

Shippou sorri para InuYasha em sinal de confiança e assim os dois e mais Genku entram no carro do marido de Kagome, mas o que eles não sabiam é que estavam sendo observados por Ryoma, que ao perceber o carro saindo, pega seu celular e liga para Natsume.

RYOMA – Eles estão saindo.

NATSUME – Ótimo! Sabe o que deve fazer.

RYOMA – Natsume! Tem certeza que a jóia de quatro almas está na casa de InuYasha?

NATSUME – Sim. Um informante meu disse que os exames que InuYasha fez detectaram traços da substância derivada da jóia. Ele voltou a andar graças á ela. A jóia tem que estar aí.

RYOMA – Ok! Estou indo.

NATSUME – Ah sim! Tem que saber que vamos mudar de esconderijo, portanto depois que pegar a jóia, ligue para meu celular e eu lhe direi o endereço.

RYOMA – Ta.

Depois de falar com Ryoma, Natsume desliga seu celular e olha para Kageroumaru a fim de saber da mudança.

NATSUME – Está tudo limpo?

KAGEROUMARU – Sim. Os prisioneiros já estão na vã.

NATSUME – Ótimo! Não vamos mais perder tempo. Vamos embora e... (o celular dela toca) – Alô.

ZAKIRA – Sou eu. Tudo está bem e ninguém desconfia da doença da menina.

NATSUME – Está com ela agora?

ZAKIRA – Não! Eu deixei a menina sob os cuidados da tal Soten no apartamento de Sango.

NATSUME – Volte para lá.

ZAKIRA – Mas não posso. Tenho que ir á clinica. Minhas ausências estão começando a chamar a atenção e...

NATSUME – Isso é uma ordem, Zakira! Tem de ficar de olho na menina, pois Miroku já iniciou a missão. Agora volte.

ZAKIRA – Eu achei que isso não fosse necessário e...

NATSUME – Mas é! Por isso que você é um membro de terceira categoria, Zakira. Agora faça o que eu disse.

ZAKIRA – Sim senhora.

Depois de ouvir isso, Zakira, muito emburrado, desliga o celular para depois dar meia volta com seu carro e enquanto isso, no apartamento de Sango, tranquilamente Soten cuidava de Tamira até que ouve o som da campainha.

TAMIRA – É a mamãe.

SOTEN – Acho que não. Ela ligaria antes. Eu vou ver quem é. Fique aqui.

TAMIRA – Ta.

Soten se afasta de Tamira e vai até a porta e verifica, através do olho mágico, quem era. Soten vê Koharo e em seguida abre a porta.

SOTEN – O que faz aqui, Koharo? (ela vai logo entrando sem ser convidada)

KOHARO – É que a Tamira esqueceu um dos seus desenhos no departamento. (ela sorri) – E vim trazê-lo.

SOTEN – Você veio até aqui para entregar um desenho? Podia deixar isso para outro dia.

KOHARO – Sim, mas ganhei folga no departamento e como estava aqui perto, resolvi dar uma passada.

Koharo vai até onde estava Tamira e sorri para a menina, que retribui com outro sorriso. Soten não estava gostando daquela história, principalmente depois de uma conversa que teve com Sango.

SOTEN – Olha Koharo! A Sango me contou que você não é mais amiga dela e que está trabalhando para o prefeito de Tóquio, que é inimigo dela.

KOHARO – As coisas não são tão simples assim, Soten. Você ficou fora por cinco anos.

SOTEN – Mas você não se afastou só dela, mas sim de todos. Eles disseram que espionava para Ryukosei. Realmente as coisas não são tão simples. Melhor ir embora.

KOHARO – Está sendo injusta comigo, Soten. Por acaso se esqueceu que salvei sua vida há cinco anos?

Koharo estava se referindo ao caso onde um dos membros da Ordem da Espada Morta estava prestes a matar Soten e Shippou enquanto Hiro, filho de Gonshink, tentava estuprar Satsuki.

SOTEN – Eu não me esqueci, mas parece que foi você que se esqueceu de seus verdadeiros amigos.

KOHARO – Está bem. Eu vou embora. Só quero devolver o desenho para Tamira. (ela olha para a menina) – Isso aqui é seu, querida. (ela tira uma folha de papel da bolsa)

TAMIRA – É um dos desenhos que fiz. É eu e minha mamãe, mas agora vou ter que mudar.

KOHARO – Mas por quê?

TAMIRA – Porque agora tenho uma irmã.

KOHARO – Esse é um motivo e tanto. Agora vá para seu quarto e guarde o desenho.

TAMIRA – Ta! Obrigado moça.

Tamira dá um belo sorriso como sinal de agradecimento e depois vai para seu quarto deixando Koharo e Soten sozinhas na sala.

SOTEN – Já entregou o desenho. Agora vá embora.

KOHARO – Eu irei. (ela tira uma arma da bolsa e aponta para Soten) – Agora se vire.

SOTEN – O que pensa que está fazendo?

Soten fazia essa pergunta ao mesmo tempo em que ficava de costas e assim em vez de responder á aquela pergunta, Koharo dá um golpe na cabeça da jovem, fazendo-a desmaiar e naquele exato momento, Tamira retorna á sala e vê a ‘irmã’ caída no chão.

TAMIRA – O que houve com ela?

KOHARO – Acho que ela está muito cansada. Deve ser por causa da viagem.

Koharo, sob a observação de Tamira, começa a arrastar Soten para um dos quartos. A menina, por ter apenas quatro anos, não entende o que estava acontecendo. Assim Koharo coloca Soten na cama e depois olha para Tamira.

KOHARO – Já que sua irmã está dormindo, acho que eu terei que tomar conta de você.

TAMIRA – Vai ficar aqui?

KOHARO – Para falar a verdade, eu vou te levar para ver outro médico.

TAMIRA – Mais um? (ela fica com os braços cruzados) – Eu não gosto e...

KOHARO – Eu sei que é chato, mas temos que ir.

Sabendo que não tinha muito tempo, Koharo pega na mão de Tamira para levá-la dali e com muita pressa, ela tira a menina do prédio. Em seguida a coloca no banco de trás do carro em que veio.

TAMIRA – Eu quero ver a mamãe.

KOHARO – Você vai ver querida. (ela coloca o cinto nela) – Logo, logo vai ver sua mamãe.

Koharo acariciava o rosto assustado de Tamira. Ela não podia deixar de sentir pena daquela menina que mal sabia do perigo que corria e assim Koharo fecha a porta traseira para depois entrar no veículo e guiá-lo para fora dali e naquele exato momento aparece o carro de Zakira, que logo depois de estacionar o veículo, sai dele e correndo vai até o apartamento de Sango.

ZAKIRA – A porta está aberta.

Zakira estranha tal fato e entra no local com muito cuidado até que encontra Soten caída no chão, mas ao invés de tentar acordar a jovem, ele vai para outros cômodos procurar Tamira e quando percebe que a menina não estava, decide usar seu celular para ligar para Natsume.

NATSUME – Já chegou ao apartamento de Sango?

ZAKIRA – Já, mas aconteceu algo estranho. Eu encontrei Soten desmaiada sem a presença de Tamira.

NATSUME – O que está dizendo?

ZAKIRA – Isso que você ouviu. Alguém pegou Tamira. (ele anda pelo apartamento procurando alguma pista) – E não tenho idéia de quem foi.

NATSUME – Foi por isso que eu mandei você ficar o tempo todo de olho nela, seu inútil e...

ZAKIRA – A culpa não é só minha, Natsume. Mas agora isso não importa. O que faremos?

NATSUME – Eu não sei. Me deixa pensar.

ZAKIRA – Será que foi alguém do grupo de Sango?

NATSUME – Acho que não, pois não deixariam Soten desmaiada aí no apartamento. Eu já estou chegando ao novo esconderijo. Vou dar um jeito de descobrir o que está acontecendo e...

ZAKIRA – Espere. (ele vê Soten se mexendo) – Fique na linha.

Sem desligar seu celular, Zakira o coloca em cima da mesa e vai até Soten para ajudá-la a se levantar. A jovem, meio tonta, não percebeu a presença dele antes.

SOTEN – Ai minha cabeça.

ZAKIRA – Você está bem? (fazendo-a se sentar em uma cadeira) – O que houve?

SOTEN – Foi Koharo. Ela me bateu.

ZAKIRA – Koharo?! Está falando daquela que trabalha no departamento de polícia?

SOTEN – Sim.

ZAKIRA – Então foi ela quem levou Tamira e...

SOTEN – O que?! Tamira não está aqui? (ela se levanta para ir até o quarto da menina) – Essa não! Sango vai me matar. Ela confiou a segurança de Tamira á mim. (ela tenta reordenar as idéias) – Mas por que Koharo seqüestraria Tamira?

ZAKIRA – Eu quero que desça e pergunte ao zelador se ele viu em que carro Koharo estava.

SOTEN – Boa idéia.

Soten faz o que Zakira mandou e sai do apartamento para ir até a recepção deixando o pediatra sozinho no local e ele aproveita para falar de novo no celular com Natsume.

ZAKIRA – Você ainda está aí?

NATSUME – Sim.

ZAKIRA – Foi Koharo que levou Tamira. Sabe o que isso significa, não sabe?

NATSUME – Claro que sei. Significa Miroku.

ZAKIRA – Isso está ficando perigoso, Natsume. O que eu faço agora?

NATSUME – Aja naturalmente. Chame a polícia e denuncie o seqüestro. Se descobrir algo, me avise.

ZAKIRA – Certo.

Zakira desliga seu celular para em seguida usá-lo de novo para chamar a polícia e enquanto isso Miroku guiava seu carro para ir ao encontro de Zuza no parque industrial quando seu celular começa a tocar.

MIROKU – Sim?

KOHARO – Estou com ela.

MIROKU – Leve-a para o local designado e certifique-se que não está sendo seguida.

KOHARO – Natsume vai saber que eu estou ligando para você.

MIROKU – Eu sei. Eu conto com isso.

KOHARO – Está com Kagome?

MIROKU – Sim. A gente se fala depois, Koharo.

Miroku desliga seu celular enquanto dirigia seu carro, seu plano de salvar a vida de Tamira estava dando certo, pelo menos por enquanto.

Próximo capítulo = Nervosismo extremo – parte 1