Noite sem Fim
49 Agonia do terror - parte 2
Ainda esperando pela chegada de Shippou á sua casa, Satsuki conversava com Maya enquanto desciam a escada até a sala.
SATSUKI – Vai Maya! Fica mais um pouco. O Shippou já deve estar chegando.
MAYA – Não! Não! Eu já esperei muito. Vai ter que se virar sozinha, amiga. Eu marquei de me encontrar com o Xolan mais tarde.
SATSUKI – Liga para ele e fale para esperar um pouco mais.
MAYA – Você vai se sair bem e... (ela para de falar porque campainha começa a tocar)
SATSUKI – Aí! Deve ser o Shippou.
Satsuki vai correndo até a porta para abri-la, mas, para surpresa da filha de Sesshoumaru, em vez de ser Shippou, quem apareceu foi Akin.
SATSUKI – Akin?
AKIN – Oi. Eu vim aqui para te ver. (ele a vê parada e sem reação) – Não vai me convidar para entrar?
SATSUKI – Ah sim! Claro. (ela da passagem para ele) – Entre, por favor.
AKIN – Obrigado. (ele entra na casa e vê Maya mais adiante) – Olá! Como vai?
MAYA – Bem. (ela olha para a amiga) – Eu vou indo, amiga e...
SATSUKI – Não vai não, amiga. (ela a puxa para uma distância de Akin) – Agora tem que ficar. Não vou conseguir falar com o Shippou se o Akin estiver aqui.
MAYA – Ta! Mas só um pouco.
Depois dessa rápida conversa, as duas voltam para junto de Akin, que estranhou um pouco aquele cochicho, mas por educação, preferiu não fazer nenhum comentário.
SATSUKI – Como conseguiu encontrar minha casa?
AKIN – Ser neto de um político tem suas vantagens. Eu podia ter apenas telefonado, mas soube que tinha ido parar no hospital depois da batida e resolvi vê-la pessoalmente.
SATSUKI – É muita gentileza sua. Achei que não íamos nos ver mais depois que foi seqüestrado.
AKIN – Por que achou isso?
SATSUKI – Sei lá! Pensei que ia ficar traumatizado.
AKIN – Meu pai pensou a mesma coisa e até ficou preocupado comigo.
MAYA – O seu seqüestro está sendo falado em todos os noticiários.
AKIN – Eu tive sorte por nenhum repórter ter me parado no meio do caminho. (sorrindo e voltando á olhar para Satsuki) – Mas o pior foi ter ficado preso durante o seqüestro.
SATSUKI – Eles te machucaram?
AKIN – Fisicamente não, mas passei por momentos terríveis. A tal de Natsume parecia uma psicopata e...
SATSUKI – Espere aí! Você disse Natsume? Você tem certeza de que esse era o nome da mulher que mandou te seqüestrar?
AKIN – Claro que sim! Eu estive lá e ouvi direitinho o nome dela. Meu avô disse que ela já foi advogada que é considerada foragida da justiça, mas por que do interesse de saber dela?
MAYA – É Satsuki. Você ficou meio pálida. Até parece que viu um fantasma.
SATSUKI – Só curiosidade. (ela se afasta um pouco) – Olha Maya! Fica fazendo sala para o Akin, pois eu me esqueci de pegar uma coisa no meu quarto.
MAYA – O que?
SATSUKI – Uma coisa. Já volto.
Maya e Akin se entreolharam sem entender a atitude de Satsuki, que foi correndo para seu quarto, fechou a porta e depois pegou seu celular para ligar para o pai, que naquele momento estava na redação do jornal Diário da manhã tentando acabar de escrever sua coluna.
SESSHOUMARU – Alô.
SATSUKI – Pai, sou eu.
SESSHOUMARU – Olha Satsuki! Não dá para ligar outra hora? Tenho que acabar de escrever minha coluna. Tenho que postá-la na internet antes de anoitecer.
SATSUKI – Mas é urgente, pai. Ouve-me.
SESSHOUMARU – Ta! Estou te ouvindo. Fale o que é tão urgente.
SATSUKI – O Akin está aqui em casa nesse momento e...
SESSHOUMARU – Ele não deveria estar na casa dele? E o que ele está fazendo aí em casa? Já que Rin foi para a terapia, você está sozinha com ele aí?
SATSUKI – Não, pai! A Maya está aqui também. Eu deixei os dois na sala porque o que tenho a falar é de extrema importância. Akin me contou que a pessoa que mandou seqüestrá-lo foi Natsume.
SESSHOUMARU – Natsume?! Você tem certeza?
SATSUKI – Akin garante que foi esse era o nome da mulher que comandou o seqüestro. O senhor tinha razão em ter um mau pressentimento sobre esse seqüestro.
SESSHOUMARU – Obrigado filha. Essa informação me ajudou muito. Agora sei o que fazer.
SATSUKI – De nada, pai, mas tome cuidado, está bem?
SESSHOUMARU – E não tomo sempre? A gente se vê depois.
SATSUKI – Tchau, pai.
Satsuki desliga seu celular e fica feliz por ter sido útil ao pai, tanto que de repente cresceu nela o desejo de estudar jornalismo em vez de psicologia, como planejara antes. Isso ela poderia resolver depois e assim saiu do quarto para voltar á sala e conseqüentemente voltar a se juntar á Akin e Maya, mas para a surpresa dela, eles já estavam acompanhados por uma terceira pessoa.
SATSUKI – “Shippou” (pensando)
Ver a figura do primo/ex. namorado conversando com Akin e Maya fez o sorriso de Satsuki sumir subitamente, pois ela se lembrou do motivo de tê-lo chamado. Teria que continuar com aquele plano, mas o que mais tinha a surpreendido era o fato de estar com o coração disparado só de ver o ex., sinal mais que claro de que ainda tinha sentia algo por ele. Os três finalmente notaram a presença dela.
MAYA – Olha só quem chegou, Satsuki.
SATSUKI – Estou vendo. (ela olha para Shippou) – Como está, Shippou? Fez boa viagem?
SHIPPOU – Fiz sim. Obrigado por perguntar.
AKIN – Eu estava aqui dando á ele os parabéns por ter tirado o primeiro lugar no vestibular.
SHIPPOU – É.
Akin tentava mostrar bom humor, mas percebeu um clima estranho entre Shippou e Satsuki o que fez lembrar-se da conversa que teve com a jovem antes de ser seqüestrado na noite anterior.
AKIN – Eu acho que estou sobrando aqui. Melhor eu ir.
MAYA – Eu também tenho que ir. O Xolan está me esperando.
SATSUKI – Eu os acompanho até a saída.
Shippou fica observando, Satsuki acompanhando Akin e Maya. A filha de Sesshoumaru bem que queria que a amiga ficasse, mas já a tinha segurado por muito tempo. Já Akin acabou se manifestando.
AKIN – Olha Satsuki! Não pense que estou querendo cobrar nada, pois nos conhecemos na noite de ontem.
SATSUKI – E que noite, hein?
AKIN – É, mas o que quero dizer é que pensei que não queria mais ver seu primo depois de uma decepção.
SATSUKI – Mas é que as coisas mudaram na noite passada. É uma história longa.
AKIN – Eu percebi que vocês têm assuntos pendentes.
SATSUKI – É. Temos sim.
AKIN – Olha! Eu conversei um pouco com ele. Ele parece legal. (ele respira fundo) – Eu não vim aqui só para saber de sua saúde. Tinha esperança de quem saber pudesse ter algo mais entre a gente.
SATSUKI – Eu sinto muito.
AKIN – Eu também. (ele tentar forçar um sorriso) – Mas a gente pode ser amigos. Vamos todos estudar na mesma universidade.
SATSUKI – Isso vai ser legal.
AKIN – Eu vou indo. A gente se vê depois.
Satsuki apenas sorri enquanto observava Akin indo embora. Em seguida ela fecha a porta e volta sua atenção para Shippou, que estava de pé no meio da sala. Ela foi até ele.
SHIPPOU – Então ele é o cara que foi seqüestrado?
SATSUKI – Ele mesmo. Eu estava com ele quando o levaram, mas como bati a cabeça, acabei desmaiando e não vi nada.
SHIPPOU – Sei. (ele procurava palavras) – Ele é seu namorado misterioso?
SATSUKI – Do que está falando?
SHIPPOU – Do cara que foi responsável pelo termino do nosso namoro.
SATSUKI – Eu vou dizer três coisas para você, Shippou. Primeiro, Akin não foi ou é meu namorado, pois nos conhecemos ontem mesmo. Segundo, mesmo que ele fosse, isso não é da sua conta. E terceiro, o cara responsável pelo termino do nosso namoro é você mesmo.
SHIPPOU – Desculpe-me Satsuki. Eu não devia me meter em sua vida, mas é que vi tão íntima daquele cara e...
SATSUKI – Você não tem direito de sentir ciúmes, principalmente depois de estar junto com Soten.
SHIPPOU – Hã?!
SATSUKI – Isso mesmo! Eu já sei que vocês a encontraram na China. Rin me contou. Teve muita sorte. Conseguiu o que tanto queria, não é Shippou? Finalmente está com ela, com sua querida Soten.
SHIPPOU – Eu não vim aqui brigar. Você disse que queria falar comigo. Estou aqui. Qual é o assunto?
SATSUKI – Espere um pouco. Eu vou pegar algo no meu quarto para te mostrar.
Satsuki estava adiando a revelação na esperança de criar mais coragem para prosseguir com seu plano e naquele momento o celular de Shippou começou a tocar. Ele olha o numero no visor e não o reconhece.
SHIPPOU – Alô.
SOTEN – Oi. Sou eu.
SHIPPOU – Soten?! De onde está ligando?
SOTEN – É de um lugar que a Sango pediu que o noivo dela trouxesse a Tamira. Acho que se chama Instituto Petros.
SHIPPOU – Mas por que Sango pediu isso?
SOTEN – Primeiro que ela está ocupada e segundo porque o noivo dela disse que um médico daqui pode ajudar no problema de saúde de Tamira.
SHIPPOU – Espero que ajude.
SOTEN – Você está em casa?
SHIPPOU – Não! (ele faz uma pausa)
SOTEN – Onde está então?
SHIPPOU – Na casa de Satsuki.
SOTEN – Por que está aí?
SHIPPOU – Rin disse que Satsuki quer falar comigo. Eu não sei o assunto. Estou esperando ela descer do quarto dela.
SOTEN – Você não me disse que ela não queria vê-lo nem pintado de ouro?
SHIPPOU – Sim. É verdade. Eu estou tão surpreso quanto você. (ele sorri) – Mas não fique com ciúmes. Ela deve querer falar algo do vestibular.
SOTEN – Ta! (ela acaba se resignando) – Só estou te ligando para ouvir sua voz.
SHIPPOU – Já está com saudades? É bom também ouvir sua voz.
SOTEN – Mas não é só por isso. Eu queria saber se a gente podia sair, pegar um cinema ou algo assim? Lógico, depois que acabar tudo por aqui.
SHIPPOU – Parece bom.
SOTEN – É, mas eu acho que vou ter que levar a Tamira. Eu vou ser responsável por ela a partir de agora.
SHIPPOU – Quanto á isso não tem problema. Se você leva a Tamira, eu posso levar o Genku.
SOTEN – Ótima idéia, pois aí seria dois casais de namorados. Combinado então. Vocês nos pegam na casa de Sango daqui á duas horas.
SHIPPOU – Está combinado. Então até mais tarde.
Shippou desliga seu celular e nem tinha percebido a presença de Satsuki na escada. A filha de Sesshoumaru tinha escutado parte da conversa, o suficiente para confirmar suas suspeitas de que Shippou tinha reatado com Soten.
SATSUKI – “Droga! Quem eu estou querendo enganar? Eu ainda gosto dele e isso só torna ainda mais difícil o que tenho que fazer. Vamos Satsuki, vai doer só um pouquinho.” (pensando)
Satsuki subiu mais um pouco na escada para que Shippou não a visse. Ela ficou encostada na parede enquanto segurava na mão o papel que era o teste de gravidez esperando ganhar coragem para fazer o que planejara e enquanto isso no Instituto Petros, depois de falar com o namorado, Soten percorreu o corredor e viu Zakira saindo de uma sala.
SOTEN – Senhor Zakira.
ZAKIRA – Pode me chamar só de Zakira. Nada de senhor. (ele anda e ela resolve acompanhá-lo)
SOTEN – Como quiser, mas pode-me dizer como está Tamira?
ZAKIRA – Tikaru a está examinando nesse momento e logo, logo saberemos os resultados. Não se preocupe. Devemos só esperar.
Depois de sair da sala onde Tamira estava, Zakira se senta em um banco e Soten se senta ao lado dele.
SOTEN – Isso aqui não me parece um hospital ou clínica.
ZAKIRA – Por que não é, mas esse Instituto é responsável por muitos dos avanços da medicina japonesa. Tamira está em boas mãos.
SOTEN – Posso perguntar uma coisa?
ZAKIRA – Pergunte.
SOTEN – O fato de Miroku estar vivo não te deixou preocupado? (Zakira fica nervoso com a pergunta)
ZAKIRA – Mas por que diz isso?
SOTEN – Ele e Sango tiveram um longo relacionamento e talvez ela tenha ficado mexida com a volta dele.
ZAKIRA – É disso que está falando? (ele respira aliviado)
SOTEN – E do que mais seria? (sem entender)
ZAKIRA – A verdade é que confio no ‘meu taco’! Eu me preocuparia se ele voltasse normalmente, mas agora que sabemos que ele é um bandido e que está querendo matar Kagome, duvido que Sango vá se interessar por ele.
SOTEN – Mesmo?!
ZAKIRA – Eu e Sango vamos nos casar em breve. Esse é um fato imutável.
Apesar de ainda estar chocada com o ressurgimento de Miroku, Soten ainda nutria bons sentimentos por ele e por isso custava acreditar que ele fosse capaz de querer matar Kagome ou cometer outro crime. Soten tentava buscar justificativas para tal ato, mas não conseguia encontrá-lo e enquanto isso na casa de Sesshoumaru, Shippou, cansado de esperar por Satsuki, subiu as escadas para saber o motivo da demora e para sua surpresa a vê chorando encostada na parede.
SHIPPOU – Satsuki?! O que houve? (ele vai até ela) – Está se sentindo bem?
SATSUKI – Na verdade, não.
SHIPPOU – Olha! Eu sei que esse não é o momento e nem foi para isso que vim, mas eu queria te pedir desculpas.
SATSUKI – Desculpas?! (enxugando as lágrimas)
SHIPPOU – Sim, pelo que fiz naquela noite. Quando transei com você, não fiz por amor e sim por raiva.
SATSUKI – Mas você mesmo disse que fez isso porque eu tinha te ignorado depois da primeira transa.
SHIPPOU – Sim, isso foi um erro, mas o meu foi pior. (ele abaixa a cabeça) – Eu me envergonho muito disso.
Satsuki não podia acreditar no que estava ouvindo. O rapaz que ela amava estava arrependido da maldade que fez e ficar ouvindo isso fazia a filha de Sesshoumaru se sentir cada vez pior e perdia cada vez mais a coragem de continuar seu plano, voltando a chorar.
SATSUKI – Por que está fazendo isso?
SHIPPOU – Do que está falando?
Shippou ficou sem entender a atitude de Satsuki e pensando que fosse algum efeito da estadia que teve no hospital, ele a ajudou a se levantar, mas ao fazer isso, a filha de Sesshoumaru deixa o papel cair no chão. Shippou o pega antes dela.
SHIPPOU – O que é isso? (ele olha bem)
SATSUKI – Não é nada. (ela tenta pegar, mas ele desvia)
SHIPPOU – Parece-me um histórico médico. (ele fica um pouco preocupado e olha para ela) – Você está com alguma doença? É por isso que me chamou?
SATSUKI – Me dá, Shippou! Isso não é seu.
SHIPPOU – Era isso que você foi buscar no seu quarto. Então é isso que veio me mostrar.
Shippou se afastou um pouco de Satsuki que viu que era inútil tentar impedir o rapaz de ler o papel. Shippou olhou arregalado para Satsuki depois de ler o registro médico.
SHIPPOU – Grávida?! Mas como?
SATSUKI – Você quer mesmo saber como?
SHIPPOU – Isso aqui é 100% verdade?
SATSUKI – Sim. Quando sofri o acidente ontem, o hospital fez muitos exames e um deles detectou minha gravidez.
SHIPPOU – Isso não podia ter acontecido. (com as mãos na cabeça)
SATSUKI – Mas aconteceu, Shippou e...
SHIPPOU – Mas quando transamos, você não disse que estava tomando pílulas? (cobrando)
SATSUKI – Sim, mas é provável que eu tenha tomado algum medicamento que anulou esse efeito e...
SHIPPOU – Ótimo! Maravilha! Agora vem essa ‘bomba’ para cima de mim.
Satsuki vê Shippou, totalmente desesperado, andando de um lado para o outro. Até chegou a sentir pena dele, mas era tarde demais para arrependimentos. Deveria seguir com o plano e o desespero de Shippou fazia parte dele.
SATSUKI – Shippou. (ela chega por trás dele) – Não precisa se desesperar.
SHIPPOU – Como não?! Um filho não estava nos meus planos. Ainda mais agora que...
SATSUKI – Que o que? Que reatou com Soten? Está pensando nela? E eu? Você não pensa na minha situação?
De repente Satsuki parou com as perguntas, pois estava ficando evidente seu ciúme e ela era orgulhosa demais para admitir isso.
SATSUKI – Shippou! Tanto eu como você admitimos que essa criança não veio em boa hora, portanto algo deve ser feito.
SHIPPOU – A criança já está na sua barriga. Não há nada que fazer.
SATSUKI – Claro que há.
Satsuki disse isso de maneira convicta e diante daquela afirmação, Shippou voltou á olhar para a prima/ex. namorada entendendo perfeitamente o que ela estava querendo dizer.
SHIPPOU – Está pensando em abortar?
SATSUKI – Sim.
SHIPPOU – Isso é loucura.
SATSUKI – Loucura é nós sermos pais nessa época. Pense bem, Shippou. Acabamos de passar pelo vestibular. Não podemos prejudicar nosso futuro, sem falar que meu pai irá nos matar. (ela o encara) – Ninguém precisa ficar sabendo.
SHIPPOU – Como não?! E o seu pai? Como vai explicar que não está mais grávida?
SATSUKI – Não vou explicar porque ele não sabe. Eu impedi o médico de revelar a minha gravidez, portanto pode ficar sossegado quanto á isso.
SHIPPOU – Então só nós dois sabemos dessa gravidez?
SATSUKI – A Maya também sabe. Ela conhece uma clínica que pode fazer esse ‘trabalho’. O problema é que é muito caro e eu não posso pedir ao meu pai.
SHIPPOU – Então foi por isso que me chamou? Para financiar isso?
SATSUKI – Sim! Se eu tivesse o dinheiro, você nem iria ficar sabendo dessa gravidez, mas não posso fazer isso sozinha. Preciso de sua ajuda.
SHIPPOU – Acha que eu tenho esse dinheiro?
SATSUKI – Eu não acho. Tenho certeza. Você ia dar uma boa quantia para que Xolan se livrasse daquele traficante, não é? Então acho que pode me emprestar. Depois eu pago e...
SHIPPOU – Acha que estou preocupado com dinheiro?! (se afasta irritado) – Eu estou preocupado com você. Acha que é seguro confiar sua saúde á esses ‘açougueiros’?
SATSUKI – Está preocupada comigo? Com minha saúde?
Shippou confirmou com a cabeça e com um olhar sereno, que fez Satsuki ficar comovida, mas quebrando o ‘clima’, o celular de Shippou começou a tocar e mesmo um pouco abalado, ele atendeu.
SHIPPOU – Alô.
INUYASHA – Sou eu, Shippou. Já resolveu o assunto com Satsuki?
SHIPPOU – Mais ou menos.
INUYASHA – Não importa. Preciso que volte para casa, agora.
SHIPPOU – O que foi?
INUYASHA – Estou na frente do seu laptop e a tela diz que você recebeu outra daquelas mensagens. Precisa vir aqui e decodificá-las.
SHIPPOU – Ok! Já estou indo.
INUYASHA – Shippou! Você está bem? Sua voz está estranha.
SHIPPOU – Não é nada, InuYasha. Estou voltando agora.
INUYASHA – Ta! Eu te espero.
Em sua casa, InuYasha desliga seu celular e volta a olhar para Onigumo, que ainda estava lá, mexendo no seu laptop.
ONIGUMO – Ele vem? (fala sem olhar para InuYasha)
INUYASHA – Vem sim, mas Shippou parecia estranho. Eu não sei o que é.
ONIGUMO – Espero que Shippou consiga algo com essas mensagens, pois eu fiquei em um beco sem saída. Não tem como rastrear o dinheiro da conta secreta.
INUYASHA – Continue tentando. Eu vou ver o que Genku está fazendo.
InuYasha deixa Onigumo sozinho na sala e vai até o quarto de Genku onde o menino, que estava sentado na cama, olhava para uma foto dele com Kagome. Ele percebe a presença do pai adotivo.
GENKU – A mamãe não vai mais ser prefeita?
INUYASHA – No mínimo tiraram a chance dela ser. (ele senta ao seu lado) – Isso é muito triste.
GENKU – Eu pensei que o senhor ia ficar feliz.
INUYASHA – Por que achou isso?
GENKU – O senhor sempre falou que não gosta do trabalho dela e...
INUYASHA – Eu não gosto do ambiente em que é o trabalho dela, mas ainda sim estou triste porque ser prefeita era um sonho de Kagome e quando uma pessoa que a gente ama, não consegue realizar esse sonho, a gente fica triste.
GENKU – Então a mamãe vai ficar muito triste?
INUYASHA – Vai, mas sua mãe é uma das pessoas mais fortes que conheço. Ela supera essa tristeza em ‘dois tempos’. (ele passa a mão na cabeça do menino) – Você vai ver.
Naquele exato momento o celular de InuYasha começa a tocar, ele olha no visor e vê o numero do celular de Sesshoumaru.
INUYASHA – Sesshoumaru.
SESSHOUMARU – Eu soube que vocês já voltaram ao Japão.
INUYASHA – Mas não foi para saber como foi a viagem que você me ligou, não é?
SESSHOUMARU – Exato! Eu consegui uma informação importante. Sabe o seqüestro do neto de Rakusho?
INUYASHA – Claro que sei. Isso está em todos os noticiários, sem falar que soube que Satsuki estava com o rapaz quando este foi seqüestrado. O que tem esse seqüestro?
SESSHOUMARU – A mandante foi Natsume.
INUYASHA – O que?! Tem certeza?
SESSHOUMARU – Certeza eu não tenho, mas confio em minha filha. Satsuki conversou com Akin, neto de Rakusho, e ele disse que ouviu o nome de Natsume como comandante da operação.
INUYASHA – Então Natsume tem interesse em Ryoma. A questão é saber qual.
SESSHOUMARU – Eu preciso que veja isso para mim, pois vou concentrar forças em outro caso.
INUYASHA – Do que está falando?
SESSHOUMARU – Momiji!
INUYASHA – O que tem ela?
SESSHOUMARU – Ela deu a notícia de que Ryoma foi usado como moeda de troca. É mais uma prova de que a fonte dela está ligada á Natsume. Eu vou tentar convencê-la a contar e...
INUYASHA – Com todo respeito, Sesshoumaru, acho que ela não vai te ouvir em virtude do que fez á ela. Deixe isso com Kagome.
SESSHOUMARU – Mas por que ela?
INUYASHA – Ela tem uma informação importante para Momiji. Descobrimos também que o pai dela foi raptado pelo grupo de Natsume.
SESSHOUMARU – Tudo bem, mas mesmo assim vou falar com ela. Ligo-te depois.
Depois de falar com o irmão, Sesshoumaru, que estava na redação do jornal Diário da manhã, se levanta de sua cadeira e vai até á sala do editor chefe e enquanto isso o carro que Miroku guiava, acabara de chegar perto do prédio onde era a sede do partido trabalhista. Ele estaciona o veículo, fica olhando, de longe, para o prédio e em seguida usa seu celular para falar com Natsume.
MIROKU – Já cheguei ao local.
NATSUME – Ótimo.
MIROKU – Antes de prosseguir, quero saber como pode me garantir que não irá matar minha filha.
NATSUME – Eu não tenho nenhum interesse na vida de sua filha. Ela foi apenas um instrumento para te manipular.
MIROKU – Então me diga o nome do homem responsável pela saúde da minha filha.
NATSUME – Eu direi, no momento certo. Agora faça seu trabalho.
Miroku desliga seu celular e se sentia impotente diante daquela situação. Ele teria que agir com extremo cuidado para não arriscar a vida da filha e enquanto isso Shippou estava de saída da casa de Satsuki, não sem antes ouvir alguns apelos dela.
SATSUKI – Por favor, Shippou. Não vá contar nada para o tio Inu.
SHIPPOU – Eu não sei se consigo esconder uma coisa dessas.
SATSUKI – Consegue sim. A solução que dei é a melhor. Você tem que admitir.
SHIPPOU – Está decidida mesmo?
SATSUKI – Sim. Eu sei que é um método condenável. Sei que não vai ao encontro do que acredito, mas situações extremas exigem medidas extremas. Promete que não vai falar nada. Nem para o tio Inu e nem para a tia Kagome.
SHIPPOU – Ok! Eu prometo. O corpo é seu.
Depois de dizer essas palavras, Shippou sai da casa de Satsuki, que fica observando o primo/ex. namorado ir embora. A filha de Sesshoumaru se sentia a pior das mulheres por menti, mas sentia que não tinha outra saída, pois sabia que não teria ajuda do verdadeiro pai da criança, seja ele quem for.
Próximo capítulo = Agonia do terror – parte 3
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