Noite sem Fim

103 A morte de Satsuki - parte 2


Sem saber dos últimos acontecimentos, Kagome, na mansão de Opoku, tinha acabado de ler o relatório da pasta. Seja o que for o que tinha nele, era algo que chamou sua atenção.

KAGOME – Como o senhor conseguiu isso?

OPOKU – Eu já tive negócios com Goshink antes de saber que tipo de pessoa ele era por isso tenho certa afinidade pela ex-mulher dele. (ele respira fundo) – Quem conseguiu isso foi Botan.

KAGOME – Botan?! Mas ela está na minha equipe de campanha. Está dizendo que ela está me sabotando?

OPOKU – Não é nada disso, Kagome. Como contumaz investidor do partido, eu sempre peço uma investigação sobre os novos filiados. Com você não foi diferente.

KAGOME – Então como Botan me convidou para ingressar no partido, o senhor já estava sabendo de tudo isso.

OPOKU – Sim. Ela me contou também que a irmã ajudou.

KAGOME – Senhor, esse relatório não tem nada. É tudo circunstancial e...

OPOKU – Na política japonesa não basta ser sério. Tem que parecer sério. Na época do acontecido você trabalhava na Segurança Interna. Se isso vir à tona e o adversário souber distorcer os fatos, você poderá enfrentar problemas. Por isso acho prudente que não abra mão de usar os fatos graves contra Ryukosei.

KAGOME – Olha senhor Opoku, eu... (ela para de falar ao toque do seu celular) – Pode me dar licença, senhor?

OPOKU – Obviamente.

Kagome agradece a gentileza do velho senhor para depois se levantar e se afastar um pouco dele para poder atender o celular. Kagome viu que o numero era do celular de Sango, isso fez a esposa de InuYasha atender.

KAGOME – Sango?

SANGO – Oi Kagome. Sou eu mesma. (ela respira fundo) – Olha Kagome, eu não sei como vou falar isso então serei direta. Satsuki foi assassinada.

KAGOME – O que?! Isso é sério?

SANGO – Eu mesmo a vi. Sem duvida é ela. Acabei de falar com a Rin. Ela está falando nesse momento com o médico para ver se é viável falar com Sesshoumaru agora ou dar a notícia mais tarde.

KAGOME – Coitado do Shippou quando souber.

SANGO – É por isso que te liguei. Acho que você é a pessoa que deve dar essa notícia a ele.

KAGOME – Claro! Claro! Eu farei isso imediatamente. Coitado do Sesshoumaru também. Mas quem poderia ter feito isso? Será que tem a ver com algo da conspiração?

SANGO – Não Kagome! Isso foi obra do estrangulador. Satsuki foi mais uma vítima dela.

KAGOME – Não pode ser.

SANGO – Você sabe que como vamos investigar não poderei lhe informar dos detalhes, mas saiba que farei de tudo para pegar esse maldito.

KAGOME – Obrigada por me avisar.

Kagome, atordoada com a notícia que acabou de receber, desliga a comunicação com Sango. A esposa de InuYasha une forças para se recompor e voltar para junto de Opoku, que percebeu a expressão perturbadora em seu rosto.

OPOKU – Houve alguma coisa?

KAGOME – Sim. Acabo de receber a notícia de uma morte na família.

OPOKU – Eu sinto muito, Kagome.

KAGOME – Obrigada, senhor. Eu tenho que ir.

OPOKU – É claro. Conversamos em outra hora.

Kagome começa a se afastar de Opoku para sair da mansão, mas, de repente, dá meia volta para falar algo ao velho senhor.

KAGOME – Senhor Opoku, sobre nossa conversa, eu agradeço seu aviso, mas nem assim pretendo usar de ataques rasteiros nessa campanha.

OPOKU – Eu é que agradeço a sinceridade. Espero mesmo que seja nossa próxima prefeita.

KAGOME – Eu também. Agora tenho que ir.

Kagome volta a se afastar para poder sair da mansão e ir ao encontro de Shippou em seu trabalho e enquanto isso no Hospital Memorial, Sango, depois de falar com Kagome, voltou a andar nos corredores do hospital e viu Rin terminado de falar com o médico responsável pela operação no marido. Por isso foi até ela.

SANGO – O que ele disse?

RIN – Disse que Sesshoumaru deveria evitar fortes emoções, mas que clinicamente ele está bem.

SANGO – Eu posso contar se quiser e...

RIN – Já disse que eu conto.

SANGO – Está bem. (o seu celular toca e ela olha o visor) – Com licença, Rin.

Enquanto Rin foi ao encontro do marido para dar a terrível notícia, Sango atende o celular sabendo que se tratava de Guy, que naquele momento estava nas redondezas do local onde Satsuki foi encontrada morta.

SANGO – Conseguiu descobrir algo?

GUY – Nada! Ninguém viu ou ouviu nada suspeito. Falei com quase todos os moradores das casas próximas. É uma região meio afastada do centro. (observando os peritos carregando o corpo de Satsuki) – Estamos levando o corpo para o departamento. Quem sabe a perícia nos de alguma luz.

SANGO – Não conseguimos nada com as outras vítimas. Por que acha que com Satsuki será diferente?

GUY – Pelo simples fato de Satsuki não combinar com as outras vítimas. Talvez vejamos algo que não vimos nas outras. E aí? Já falou com a família?

SANGO – Falei apenas com Rin. Ela vai contar ao marido enquanto liguei para Kagome para falar com Shippou. Aposto que todos vão para o departamento. Vejo-te lá.

GUY – Ok.

Guy desliga a comunicação com Sango para depois ficar olhando em volta do local onde o corpo de Satsuki foi encontrado até ser abordado pelo jornalista Raita.

RAITA – Detetive! Detetive! Posso lhe fazer uma pergunta?

GUY – Se eu falar que não vai fazer assim mesmo.

RAITA – Já identificaram a vítima?

GUY – Isso será feito no departamento. Em breve será revelado o nome dela.

RAITA – Como o departamento vai lidar com o aparecimento de mais uma vítima do estrangulador?

GUY – Você disse apenas uma pergunta. Essa já é a segunda. (ele respira fundo e decide responder) – Não! Não está confirmado que é mais uma vítima do estrangulador. Ainda vamos investigar.

RAITA – Claro que vão. (sendo irônico) – Até porque a reputação da polícia desta cidade está cada vez pior.

GUY – Não me interessa a sua opinião e... (ele para de falar ao perceber algo) – Espere aí! Como você soube que havia uma vítima aqui antes da polícia?

RAITA – Não posso revelar minha fonte, detetive. Sinto muito.

GUY – Tenho certeza que sente menos do que diz. Ainda mais que faz parte de uma imprensa sensacionalista.

RAITA – Posso escrever o que disse?

Guy nada fala e se afasta de Raita, que estava animadíssimo com o furo de reportagem que tinha conseguido, pois isso certamente iria contar pontos para ele no futuro no jornal e enquanto isso no Hospital Memorial, mais precisamente em um quarto, Sesshoumaru estava devidamente trocado, sem as roupas de paciente, para poder receber alta. O jornalista, abraçado á filha mais nova, aguardava a chegada do médico responsável pela sua operação enquanto Rin observava a cena. Ela ainda estava juntando forças para contar a terrível notícia ao marido e naquele momento Sango aparece na porta. Sesshoumaru se surpreende ao vê-la.

SESSHOUMARU – Sango?!

SANGO – Oi.

SESSHOUMARU – Que bom que veio me visitar. (ele deixa a filha e vai até a detetive) – O que faz aqui? Tem alguma novidade sobre a investigação da conspiração?

SANGO – Não é bem por isso que estou aqui.

Sango olhou para Rin e notou que ela ainda não tinha contado ao marido sobre o ocorrido com Satsuki. Como imaginara a detetive, a amiga ficou com receio em relação ao estado de saúde de Sesshoumaru, que estava estranhando aquele clima de suspense e a troca de olhares das duas.

SESSHOUMARU – O que está acontecendo? (ele olha para a esposa) – O que foi Rin?

RIN – Espere. (ela olha para o enfermeiro) – Pode levar a minha filha, por favor.

O enfermeiro atende ao pedido de Rin e leva a menina para outro local deixando só os adultos no quarto. Sesshoumaru sentia um aperto no peito ao observar as expressões nas faces de Rin e Sango.

SESSHOUMARU – O que está acontecendo, Rin?

RIN – Sesshy. (ela começa a chorar) – Eu nem sei como começar isso. Sango não está aqui por causa da conspiração e sim por causa de Satsuki.

SESSHOUMARU – O que?! Satsuki?! O que tem ela? (ele olha para Sango) – O que tem a minha filha?

RIN – Ela está morta.

SESSHOUMARU – Morta?!

Sesshoumaru quase cai, mas, ainda que muito abalado, consegue manter-se de pé. Do seu jeito ele tentava digerir as palavras da esposa sobre a sua filha mais velha.

SESSHOUMARU – Isso é mentira! Vocês duas estão mentindo.

SANGO – Não estamos, Sesshomaru! Eu mesma vi o corpo de Satsuki. É ela sem dúvidas.

SESSHOUMARU – Não importa o que você diz! (gritando) – Minha filha não pode ter morrido. Eu preciso vê-la.

RIN – Você tem que se acalmar e...

SESSHOUMARU – Como posso me acalmar com uma notícia destas?! Não quero me acalmar. Quero ver a minha filha.

RIN – Sesshoumaru! Não grite. Esqueceu-se que você tem outra filha. Sara não pode ficar sabendo disso dessa maneira.

SESSHOUMARU – Eu quero ver Satsuki imediatamente.

SANGO – O corpo dela está sendo levado para o departamento e...

SESSHOUMARU – Então é para lá que eu vou.

Sesshoumaru sai do quarto com Rin e Sango logo atrás dele. Ele estava irredutível em ver a filha mais velha. Ele preferia acreditar que tinha um mínimo de esperança de que Sango tenha se enganado, mas no fundo sabia que a detetive não iria cometer um erro desses. O jornalista queria apenas ver a filha e não havia nada que o impedisse. Nem mesmo o médico que apareceu em sua frente.

MÉDICO – O senhor não pode sair. Não recebeu alta e...

SESSHOUMARU – Dane-se sua alta. Quero ver a minha filha.

MÉDICO – A sua saúde ainda está frágil. Pode ter uma recaída pior do que a ultima e aí não poderemos fazer nada e...

SESSHOUMARU – O senhor tem filhos, doutor?

MÉDICO – Tenho uma filha.

SESSHOUMARU – O que o senhor faria se soubesse que ela morreu? Não iria querer vê-la para ter certeza?

MÉDICO – Sim.

SESSHOUMARU – Então o senhor porque não poso me preocupar com meu estado de saúde?

MÉDICO – Eu falo isso porque o senhor tem outra filha. Se algo acontecer a ti, ela e sua esposa ficarão sem ninguém. Como médico não recomendo que saia e não te darei alta, mas como pai, entendo perfeitamente sua atitude e não vou impedir que saia.

Sesshoumaru segue em frente para ir ao departamento. Rin ia atrás dele, mas Sango a segura pelo braço, impedido-a de prosseguir.

RIN – O que foi, Sango?

SANGO – Você não deveria ir. Deixe que eu vá com ele. Você precisa ficar com sua filha e de algum jeito explicar a ela que não poderá mais ver a irmã.

RIN – Tem razão.

SANGO – Não se preocupe. Eu fico de olho nele.

Sango coloca a mão no ombro da amiga para em seguida se afastar dela a fim de levar Sesshoumaru até o departamento de polícia e enquanto isso Kagome chegava à escola de informática onde o Shippou era instrutor. Como candidata a prefeitura de Tóquio, a esposa de InuYasha já era uma celebridade e por isso chamou a atenção de todos os alunos quando entrou no local e foi indo até sala onde Shippou estava. Ele ficou surpreso ao vê-la.

SHIPPOU – Kagome? (ele sorri e olha para os alunos) – Essa é minha mãe, turma.

Os alunos a cumprimentam com gestos com as mãos. Eles estavam surpresos em ver uma política no local e estranharam um pouco o fato de Shippou chamá-la pelo nome, pois ignoravam que o rapaz já tinha esse hábito desde pequeno.

KAGOME – Oi a todos. Preciso do meu filho agora mesmo. (ela olha para ele) – Podemos conversar em um local reservado.

SHIPPOU – Claro. Podemos fazer isso aqui mesmo. (ele olha para os alunos) – Estão dispensados.

Todos os alunos saíram da sala não sem antes, pelo menos alguns deles, apertar a mão de Kagome. Depois que todos saíram, muito ainda ficaram olhando pela janela de vidro, pois estavam curiosos em saber o motivo daquela ilustre visita, mas Kagome, depois de trancar a porta, abaixou as persianas fazendo com que ninguém visse o interior da sala.

SHIPPOU – Por que todo esse mistério?

KAGOME – Eu tenho uma notícia terrível, Shippou. (ela se aproxima dele) – Você vai ter que ser muito forte, querido.

SHIPPOU – Está me assustando, Kagome. (ele percebe uma lágrima no rosto dela) – O que houve, mãe? Aconteceu algo com meu pai? É isso?

KAGOME – Não! Não é seu pai. (ela respira fundo) – É Satsuki.

SHIPPOU – O que tem ela?

KAGOME – Ela está morta.

Shippou sentiu como se o chão sumisse debaixo de seus pés tamanha foi a surpresa em receber aquela notícia. Ele mal podia acreditar que fosse verdade, permanecendo muito abalado e em silêncio. Vendo isso, Kagome, foi prontamente abraçá-lo a fim de confortá-lo.

SHIPPOU – Mãe. (ele cessa o abraço) – Satsuki está morta e meu filho também. (ele começa a chorar) – Meu filho.

KAGOME – Eu sei, querido. Eu sinto muito. Posso imaginar o quanto está sofrendo.

SHIPPOU – Como isso aconteceu? Quem fez isso?

KAGOME – Foi o estrangulador das meias de nylon. Pelo menos foi o que Sango afirmou. Ela disse que o corpo de Satsuki será examinado no departamento de polícia.

SHIPPOU – Eu quero ir para lá.

KAGOME – Acha que é uma boa idéia, filho? Você está perturbado e...

SHIPPOU – Mãe! A minha noiva, que esperava um filho meu, morreu! Claro que estou perturbado. (ele se afasta dela) – Vou agora mesmo para lá.

KAGOME – Então eu vou com você. Vamos no carro do partido.

SHIPPOU – Ta.

Shippou sai da sala, mas Kagome ainda fica mais um pouco, pois ela pegou seu celular e o usou para ligar para o celular de Miroku, que estava na sede do partido trabalhista em reunião com Tanuki e Botan.

MIROKU – Alô. Kagome?

KAGOME – Isso.

MIROKU – Como foi a reunião com Opoku?

KAGOME – Depois eu falo disso com você, pois estou ligando por outro motivo. Acho que não sabe o que aconteceu, não?

MIROKU – Do que está falando, Kagome? Aconteceu alguma coisa?

KAGOME – Como estou com pressa não vou poder contar os detalhes. (saindo da sala para ir até o carro) — Apenas saiba que Satsuki foi morta pelo estrangulador e que estou levando Shippou para o departamento.

MIROKU – Satsuki morta! (Botan e Tanuki se assustam com aquela fala) — Você está falando serio?

KAGOME – Seriíssimo! Se quiser saber os detalhes ligue para Sango, mas acho que deve falar antes com Soten em virtude do relacionamento dela com Shippou.

MIROKU – Pode deixar. Eu sinto muito pela sua perda, Kagome.

KAGOME – Obrigada. (ela olha Shippou já dentro do carro) – Miroku, mais uma coisa. (ela entra no carro também)

MIROKU – Nem precisa falar. Vou cancelar todos seus compromissos.

KAGOME – É isso aí! Eu vou ficar ao lado do meu filho.

Depois disso, Miroku desliga a comunicação com Kagome e, sentado em sua cadeira, fica pensativo. Tanuki e Botan queriam saber mais detalhes.

BOTAN – Eu ouvi você falando que Satsuki está morta? (ela olha para Tanuki) – Ela não é a filha de Sesshoumaru?

TANUKI – Sim e, portanto, sobrinha de Kagome. (ele olha para Miroku) – Acha que isso vai afetar a campanha dela?

MIROKU – Acha que ela está preocupada com isso?

TANUKI – Mas você deveria estar, porque é o chefe de campanha.

BOTAN – Tem que pensar nisso, Miroku. A morte da sobrinha de uma candidata vai causar repercussão.

MIROKU – Você nem imagina que pode ser bem pior que isso, pois parece que Satsuki foi morta pelo estrangulador.

TANUKI – Tem razão. Vai ser mais escandaloso ainda.

BOTAN – Kagome precisa se manifestar quanto a isso.

MIROKU – Eu sei disso. (ele se levanta da cadeira) – Quero que vocês dois trabalhem em outro discurso, mas não deixe isso vazar, pois Kagome ler e aprovar. Ela é a candidata e é ela que decide o que será divulgado. Entendidos?

Sem responder, Tanuki e Botan consentem com a cabeça e iniciam a tarefa de produzir um discurso para Kagome, pois mesmo com aquela tragédia abatendo á todos, havia uma eleição para ser ganha.

Próximo capitulo = A morte de Satsuki – parte 3