Notas iniciais
Estou postando isso da casa da minha amiga. Ela quer seriamente me bater por ficar terminando o capitulo no computador dela. Ah, e este é mais um capítulo que tinha ficado mais legal na minha cabeça.Por favor, não atirem e mim.

As semanas passavam sem grandes acontecimentos. Talvez fosse mais fácil assim. Era estranhamente confortável, depois de tudo. Ele fazia o que lhe era ordenado, mas também não era mais um escravo. Era estranho, mas ao mesmo tempo não chegava a ser ruim. Ele percebeu, depois de sua pequena aventura na Turquia, que preferia o movimento do navio à terra firme. Sua relação com os outros havia melhorado para, se não uma amizade, alguma relação de respeito mútuo. Os ingleses já não o provocavam tanto, talvez tivesse perdido a graça mexer com o americano prisioneiro. E ele já nem sabia se podia ser classificado como prisioneiro.

Ele tinha amigos para todas as horas: Sempre que queria se divertir, era bom passar algum tempo com Antonio e Lovino, sempre os dois ao mesmo tempo, já que eles não desgrudavam por mais do que alguns minutos. Não depois de Lovino, algumas semanas antes, ter voltado para o navio chorando e vestido de mulher. No dia do ocorrido, Antonio havia tido um de seus maiores ataques até ali, pulando no italiano e abraçando-o de modo a quase sufocá-lo. Lovino abriu um berreiro e distribuiu socos por todo o corpo do espanhol, que então prometeu cuidar melhor do seu pupilo.

Quando queria passar algumas horas de paz, ele ficava com Heracles e Kiku. Apesar de estar quase sempre dormindo ou cuidando de um gato, Heracles era inteligente e às vezes soltava algumas frases realmente filosóficas. Kiku era divertido de se estar junto, pois ele não se incomodava com o silêncio. Embora Alfred realmente preferisse conversar animadamente com todos, se quisesse ficar quieto, Kiku e Heracles eram a solução.

Também era divertido passar algum tempo com Gilbert. Alfred já não sentia vontade de espancá-lo a todo momento, pelo menos não mais do que o resto da tripulação sentia, afinal Gilbert era apenas um rapaz germânico sinceramente engraçado e um tanto violento, mas era uma boa pessoa no fundo.

Havia, entretanto, alguém com quem Alfred não conseguia se dar bem, não importa quanto tempo passasse. Francis. Por algum motivo, a personalidade sempre tranquilamente arrogante e o sorriso confiante do francês o irritavam profundamente. Talvez fosse uma coisa de francês, mas Francis sempre agia como se fosse superior a todos ali, mais bonito, mais inteligente, mais... Tudo! Francis também era o único membro da tripulação a chamar o capitão pelo primeiro nome, algo que realmente tirava Alfred do sério. Por que Arthur não se importava? Por que não mandava aquele francês pervertido por-se no próprio lugar e chamá-lo de capitão?

E havia Arthur. Aah, Arthur... Alfred considerava sua relação com o inglês como um tipo de promoção de escravo a algo parecido com o que Lovino era para Antonio. Tirando o fato de que Arthur não o abraçava, como Antonio frequentemente fazia com Lovino... E Arthur normalmente mandava Alfred fazer coisas mais difíceis e chatas, enquanto Antonio estava sempre fazendo tudo para que Lovino estivesse feliz, embora frequentemente reclamasse da inutilidade do pupilo. Certo, talvez não fosse tão parecido. Talvez Alfred fosse o único a querer que fosse.

- Alfred? Está se sentindo mal?

- Huh?

Alfred ergueu o olhar do oceano. Antonio estava encarando-o, ladeado por Lovino e Kiku.

- Você pareceum boboca olhando para as ondas tooodo melancólico. — riu-se o espanhol.

- Não quero ouvir de você que pareço um boboca. — retrucou Alfred, ao que o outro riu mais ainda.

- Eeeei, vamos dar uma voltinha. Quer ir também?

- Uma voltinha?

- Pois é... — deu de ombros Antonio — Você sabe, beber e essas coisas. Eu, o Gilb e o Francis.

- Eh? O Antonio-kun não vai com o Lovino-kun? — perguntou Kiku surpreso.

- Ah? Antonio e eu não somos grudados, maldição. — Lovino respondeu, bravo.

- Ah, perdão a minha intromissão. — Kiku pediu — Eu apenas estranhei, afinal vocês dois são nakama?

- Cama? — Antonio repetiu corando. — Ora, Kiku... Esse tipo de coisa, na frente do Alfred... Lovi e eu ainda...

- NÃO É ISSO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO, SEU VELHO TARADO! — berrou Lovino acertando um soco bem no estômago do espanhol.

Alfred desejou de todo o coração jamais descobrir o que diabos "nakama" podia significar em espanhol ou italiano ou qualquer que fosse a língua em que Antonio estivesse pensando. Enquanto Lovino ocupava-se de bater em Antonio, o americano voltou-se para Kiku:

- E você? Não vai também?

- Não. — havia um sorriso mínimo nos lábios do japonês — Estamos chegando na Alemanha, parece que tem muitos atrativos nos bares daqui, então muitos tripulantes vão à terra. É um descanso raro, mas não podemos permitir que o navio fique sozinho, então eu vou ficar responsável, junto com o Heracles-san.

Desde o chamado Incidente dos Turcos Aleatórios, Heracles adotora uma nova política de não sair do lado de Kiku a menos que fosse muito necessário. Francis afirmava para quem quisesse ouvir que Heracles estava convencido de que o tal turco Sadik Adnan havia se apaixonado por Kiku ao ser nocauteado por ele e não queria arriscar caso ele viesse pegar o japonês. Alfred não compreendia como uma pessoa podia se apaixonar por outra ao ser derrotado numa luta, mas há muito tempo havia desistido de entender seus companheiros de navio.

- Então, Alf... — Antonio havia se livrado do violento Lovino, que parecia muito aborrecido — Você vem?

- Sim. — respondeu, sem pensar.

Alfred gostava de bagunças. Para desespero de seu irmão Matthew, ele desde criança gostava de brincar de coisas radicais, experimentar comidas estranhas e fazer de tudo uma aventura. Se fosse perigoso, melhor ainda. Ele era esse tipo de homem, com espírito aventureiro acima de tudo, coragem desmedida, forte senso de justiça, amor incondicional pela liberdade e absurda falta de noção da realidade. Ao ter oferecida para si uma oportunidade de sair do navio para um tipo de festa, aceitou sem ao menos hesitar por um segundo.

Contudo, ele não podia dizer que estava entediado. Ele se achava impopular — pelo menos dentro daquele navio — até tomar conhecimento da quantidade absurda de inimigos feita pela tripulação inglesa através dos anos. Alfred estava pensando nisso quando chegou à terra com Antonio, Francis e Gilber. Havia um limite de pessoas que era possível aborrecer em determinado tempo, certo?

- Antonio. — chamou distraidamente — Há quanto tempo vocês são subordinados daquele inglês?

- Hm? — Antonio precisou pensar um pouco para responder a pergunta — Não sei precisar... Uns sete anos... Não sei. Acho que me aliei a ele em mil setecentos e noventa e alguma coisa. Em que ano estamos?

- Sete anos? — Alfred ficou surpreso. — Quantos anos vocês tem?

Não seria capaz de dar mais que 25 anos a nenhum deles.

- Eu tenho 29. — o espanhol respondeu sorrindo. — Gilbert tem 31 e o Francis... Bom... Ei, Francis, qual é a sua idade?

Francis, que caminhava alguns passos a frente dos outros três, respondeu sem virar-se:

- A mesma idade do seu capitão.

- Eu não sei nem a sua idade, como eu vou saber a daquele sobrancelhudo mal humorado!?

- Mais respeito, cabeça de tomate. — Gilbert zombou dando um tapa na cabeça do amigo. — Ou vai querer que o capitão te dê outra surra?

- Surra? — repetiu Alfred, interessado.

- Não quero falar sobre isso. — Antonio fez um bizarro biquinho de aborrecimento.

- Sete anos atrás — começou Gilbert com um sorriso perverso — o Antonio era só um delinquente espanhol que roubava tomates, mas o capitão se interessou por ele e tentou contratá-lo. Ele acabou embarcando num navio estranho que naufragou, mas mesmo assim o capitão o achou e salvou a vida dele. Mas o ingrato aqui deu uma de machão, não foi, Toni?

- Eu não roubava tomates. E eu não me lembro, faz muito tempo. — mentiu Antonio corando.

- Ele se recusou a ser capturado a menos que o capitão o derrotasse num duelo. — continuou o germânico rindo quase sadicamente — Eu nunca vi alguém levar uma surra tão grande na minha vida. Ele precisou ter os dois pulsos torcidos e uma espada encostando na garganta para admitir que perdeu, não foi?

- Gilbert. — Antonio trincou os dentes — Por que não conta ao Alfred como você mesmo se juntou a tripulação e me deixa em paz? Você foi o segundo a se juntar ao capitão, não foi?

- Ahh não teve graça. — Gilbert continuou rindo, mais despreocupadamente. — Ele só ficou sabendo das incriveis habilidades de luta da minha incrível pessoa e me procurou. Eu não tinha nada melhor pra fazer, então aceitei.

- O segundo? — Alfred ficou mais interessado. — Quem foi o primeiro?

- Francis. — respondeu Antonio, aliviado por terem direcionado o foco para outra pessoa — Na verdade, quando nos conhecemos, eles pareciam já se conhecer há muito tempo. Até onde eu sei, o Francis sempre esteve com o capitão. Sempre.

Alfred encarou os cabelos loiros de Francis, a mais de dois metros de distancia. Ele não dava sinais de estar ouvindo ou prestando atenção na conversa atrás de si. O que Antonio queria dizer com desde sempre? Eram amigos de infancia? Então era por isso que Francis era exageradamente confiante e sempre tratava Arthur como a um igual?

Então eles entraram no bar e qualquer oportunidade de conversa foi completamente vetada. Havia algo a ser dito sobre as farras alemãs, Alfred teve de pensar. Em um ambiente muito iluminado com o maior risco de incêndio possível, dezenas de homens loiros e altos bebiam e falavam ao mesmo tempo, numa barulheira incomparável. Num dos cantos, uma banda tocava uma música animada, estrindente o suficiente para estourar os tímpanos de quem ousasse se aproximar demais. Várias mulheres cheias de curvas com decotes voluptuosos — quase todas tão altas quanto Alfred — circulavam entre as mesas servindo bebidas e eventualmente sorrindo para os clientes.

O resto da noite foi um tanto quanto indistinta. Música, barulho, bebida, risos, gritos e cheiro forte de alcool. Alfred não tinha de fato interesse em beber a cerveja alemã, que em sua opinião era um tanto forte, mas não podia dizer que estava entediado. As pessoas ali presentes eram todas parecidas com Gilbert, então riam, brigavam e abraçavam-se impulsionados por nada além do álcool que lhes havia subido à cabeça. O sol estava quase nascendo quando o americano deu-se conta de que não tinha ideia de onde estavam Antonio e Gilbert.

- Droga. — resmungou para si mesmo.

Então algo lhe chamou a atenção: Havia uma pessoa que não estava comemorando ou brigando. Uma pessoa caída junto ao balcão, alguém cujos cabelos loiros estavam desalinhados pela primeira vez desde que Alfred o havia conhecido.

- Ué? — Alfred aproximou-se — Você morreu?

- Bem que v'cê queria, seu moleque. — Francis resmungou.

- Ei... Se ficar aqui, vai ser pisoteado.

Francis abriu a boca para responder, mas então rolou para o lado e começou a tossir como se estivesse evitando um surto de vômito. Alfred fez uma careta.

- Levante, é melhor você voltar para o navio. — Alfred insistiu.

A resposta foi uma quantidade considerável de palavras emboladas em francês. Alfred sentiu vontade e chutá-lo e ir beber mais um pouco, para que aprendesse a não beber como um estúpido quando claramente não aguentava. Só pode ser um teste divino, pensou o americano, claramente dividido entre a antipatia que nutria pelo francês e seu instinto de herói. Onde diabos estavam Gilbert e Antonio quando eram necessários?

- Ouch... — gemeu Francis, massageando a garganta.

Era dificil de acreditar. Ele nem queria acreditar. Mas estava carregando mais da metade o peso de Francis apoiando o braço do mesmo em suas costas enquanto embarcava. Você que nunca subiu num navio pirata com um francês bêbado a tiracolo, saiba aproveitar a sua sorte e nunca deseje passar por tal experiência. Durante todo o caminho, continuou repetindo para si mesmo que era um herói, um herói devia salvar a todos indiscriminadamente e que provavelmente sua boa ação seria devolvida pelo carma.

- Alfrred... — o sotaque francês parecia ainda mais forte — Você estava perguntando sobre mon Arthur, não era?

- O que?

- Você gosssta dele, não?

Um batimento cardíaco mais forte. Alfred sentiu o rosto corar.

- O... O que você quer dizer com isso? Aquele cara me prendeu.

- Eu vejo o que está havendo... Eu devia fazer alguma coisa, ou aquele inglês idiota nunca vai tomar uma atitude. O Arthur devia ter se livrado de você quando soube que você não ia contar onde nossa mademoiselle está. Mas ele não fez... E tudo porque você é tão... tãão parecido com o... Aah... Não é da sua conta, é?

Se não vai contar tudo, não comece, bastardo.

- Francis? O que há com você?

Aquela voz fez com que Alfred erguesse o rosto. Arthur. Não esperava encontrar ninguém acordado no convés, muito menos o capitão, que andara passando a maior parte do tempo trancado em sua cabine particular, afastado de tudo e todos. O que ele faria então ai, junto ao timão, no meio da noite... sozinho? De lá, ele olhava preocupado para Francis e Alfred.

- Ele bebeu demais. — Alfred respondeu, ajustando melhor o braço de Francis em seus ombros.

- Bebeu dem... Que absurdo é esse? — o inglês desceu as escadas — No dia em que esse wine addicted passar mal por beber, eu sou a Rainha Elizabeth. Ei, Francis, o que há de errado com você?

- Aaarthur, mon cher.

Um sorriso nada confiável abriu-se no rosto do francês. Ele equilibrou-se lentamente sobre os próprios pés — ainda que não de um jeito muito equilibrado — e arriscou um passo na direção de Arthur. Francis tropeçou nas próprias pernas. Arthur por reflexo estendeu os braços para ampará-lo. No instante seguinte, os lábios dos dois estavam grudados. Irritação. Raiva. Fúria. Inveja. E a mais bizarra sensação de desejo que Alfred já havia experimentado. Quando percebeu, sua mão havia mecanicamente agarrado a gola de Francis e puxado-o para longe.

Ponha-se no seu lugar, seu francês bastardo! Por que faz algo desse tipo? O que te dá esse direito!?

Arthur ficou parado de olhos arregalados, como se não soubesse o que tinha acontecido e nem onde Francis havia ido parar. Um dos punhos do inglês estava recuado preparado para acertar em cheio onde a instantes estivera o estômago de Francis. O rosto do inglês estava corado.

- Qual... bloody hell... É o seu problema, Bonnefoy?!- Arthur sibilou — Não me diga que a cerveja alemã é forte assim.

Ver Arthur arrastar Francis na direção das cabines fez com que Alfred o seguisse. Ainda estava paralisado com a violencia das emoções que sentia, a vontade de socar Francis até que ele aprendesse que devia livrar-se daquela personalidade horrível, aquela ousadia absurda. Tão odiável a ponto de despertar sentimentos tão negativos em Alfred, que não podia comparar o que sentia com nenhuma experiência pregressa. A satisfação perversa que sentia ao ver Arthur chutar Francis para dentro da cabine e fechar a porta sem muita cerimonia, o que significava? Por que era tão importante matar Francis por fazer uma coisa estranha como beijar Arthur? Por que era mais importante ainda que Arthur rejeitasse completamente aquele francês abusado?

O corredor não estava escuro, pois havia uma lamparina acesa na parede, embora sua iluminação fosse tão precária que servia apenas para ver para onde estavam indo. Quando Arthur fechou a porta, ainda estava resmungando sobre pessoas estúpidas e afeminadas que bebem mais do que deveriam e fazem coisas absurdas e mais alguma coisa sobre ser estranho Francis fraquejar por causa de álcool. Estava aborrecido e envergonhado, mas Alfred não prestava atenção a isso, pois sua mente estava cheia de pensamentos confusos e nada amigáveis.

- Alfred?

- Huh?

- Você está fazendo uma cara estranha.

Nenhuma resposta. Arthur encarou o subordinado com desconfiança e ainda um resto de vergonha a colorir suas faces de rosado. Aquele garoto era um problema maior do que havia previsto desde o começo. Algo na expressão aborrecida dele traziam lembranças nunca vividas e a emoção negativa nos olhos muito azuis tão familiares faziam Arthur ser tomado por um instinto protetor absurdo. Não. Este é Alfred. Não é ele. É outra pessoa.

E não era esse o problema? Mesmo tendo plena consciencia disso, Arthur ainda se sentia incomodado por aquele americano infantil. Por que?

- Por que você voltou?

- O que?

- Não me diga que não passou pela sua cabeça fugir. — Arthur bufou, impaciente. — Quando Kiku me contou que você saiu para beber com os três patetas, achei que nunca mais tornaria a ver você. Se eles beberam a ponto do Francis ficar neste estado, não iam notar caso você tivesse ido embora.

Alfred abriu a boca e tornou a fechá-la. Porque a verdade era que não. Havia várias semanas — desde o incidente turco — que não pensava em nenhum plano de fuga. Não que já tivesse tido a oportunidade de colocar algum plano em prática para ter certeza de que dariam errado, ele tinha uma quantidade enorme deles em sua cabeça antes. Contudo, eram todos antigos. Desde aquele dia em que, num impulso impensado, havia salvo a vida do capitão, em nenhum momento lhe passou pela cabeça uma nova ideia para escapar do navio. Ele amava a liberdade, era verdade.

Mas se sentia livre ali mesmo.

- Eu ainda sou um prisioneiro? — Alfred perguntou — Eu... Eu não vou falar nada sobre aquela garota. Você vai livrar-se de mim?

- Ah... — mais uma vez, o rosto de Arthur tingiu-se de vermelho — Você... Tsc. Não cometo desperdícios, você é um bom capacho.

Ainda envergonhado, desviou o rosto, o que surpreendeu Alfred. Então... Mesmo o rei dos piratas, o frio e cínico Arthur Kirkland era capaz de demonstrar uma reação tão bonitinha? Era como aquele biscoito feito de bolachas e marshmallow derretido, o s'more... Crocante por fora e macio por dentro. Com esse pensamento, inevitavelmente Alfred sorriu.

- Então é isso? — perguntou ainda sorrindo.

- O que há com esse sorriso estranho? Está me assustando. — Arthur insistia em não olhar para Alfred — Apresse-se e vá dormir, amanhã tenho coisas a resolver e preciso que você vá comigo.

Tão rápido quanto brotara, o sorriso desapareceu. Aquela ordem lhe lembrou do porquê de estar tão irritado segundos atrás.

- Você não normalmente vai com o Francis, quando tem esses negócios a resolver?

- Do que você está falando? — surpreso, Arthur esqueceu da vergonha e encarou o mais novo.

- É só que... — foi a vez de Alfred corar. — Não sei explicar, mas não entendo por que vocês dois são tão próximos. No seu lugar, eu o mandaria para o inferno.

Arthur abriu e fechou a boca sem encontrar as palavras que queria dizer. Então era isso que estava deixando-o irritado? Alfred estava... ? Perguntas a parte, ele não pode deixar de notar que ele parecia ridiculamente adorável encarando os sapatos com as bochechas vermelhas. Não porque era parecido com aquela pessoa, mas porque Alfred era adorável. Naquele momento, não tinha nada a ver com aquela pessoa que, embora fosse importante, Arthur não via há tanto tempo que não saberia dizer como estava a aparencia dele agora. Tinha a ver com apenas Alfred F. Jones e Arthur Kirkland, ninguém mais.

- Alfred?

Sem pensar, ele fez. Segurou o queixo do americano entre o indicador e o polegar para fazê-lo erguer o rosto e o beijou. Nos lábios. Do lado de dentro do quarto, um francês muito sóbrio sorria, satisfeito com o próprio talento para cupido.

Notas finais
Nakama: Amigos, companheiros. (E eu peço perdão pelo trocadilho horrível)
Wine addicted: Doido do Vinho