No Pain, no Gain

10 A Volta do Turco Aleatório


Notas iniciais
Alguém reparou que a classificação da fic mudou? Agora é +18. Será que isso é contra as regras do site? É que eu decidi que vai ter lemon explícito, então tive que mudar. Será que alguém menor de 18 anos vai parar de ler? A propósito, tem algum maior de 18 anos aí? Acho que não. Juventude pervertida... Não que eu possa falar alguma coisa, não é? Esse capítulo quase não saiu porque eu simplesmente não tinha tempo de escreve, mas está aí.
Ah, eu fiz esse capitulo no desespero e usei algumas palavras que eu não sei se existem ou não. Autora incompetente detected.

- Vocês... São... IDIOTAS?! — Arthur berrou, furioso.

- Ahh desculpe, capitão. — Antonio fez beicinho — Estávamos bêbados, sabe como é, muitas garrafas de bebida alemã e...

- Eu vou te dizer o que fazer com as garrafas de bebida alemã, seu maldito viciado em tomate!

Antonio calou-se. Arthur estava furioso. Furioso. Mil vezes enfurecido e com vontade de cortar algumas gargantas. Havia uma quantidade considerável de tripulantes no convés, mais que o de costume, todos assistindo à cena. No chão, havia um turco ajoelhado com uma expressão aborrecida, para o qual quase todos estavam apontando armas como se apenas aquele turco oferecesse uma ameaça gigantesca. À frente do turco estavam Gilbert e Antonio, o primeiro parecendo irritado e ofendido e o segundo um tanto magoado, talvez por esperar que Lovino o estivesse defendendo, quando o italiano na verdade era o mais furioso. Arthur havia cruzados os braços com força como num gesto para impedir a si mesmo de sacar a espada e matar dois de seus melhores subordinados. Estavam numa situação tão ruim que mesmo Heracles os estava olhando com antipatia. E foi esta cena com que Alfred se deparou ao sair para o convés.

Ele encarou o turco que estava ajoelhado com mais de 10 lâminas prontas para decaptá-lo ao menor sinal de movimento. Era um homem de cabelos escuros curtos, pele morena, expressão aborrecida e barbicha. Foi a barbicha que fez Alfred reconhecê-lo. Não era aquele o turco contra quem Kiku havia lutado semanas antes? O turco que havia sequestrado Heracles, o pirata temido? O dito cujo que dera um trabalho infernal a Arthur e que Alfred não conseguia lembrar do nome?

- Eu só posso estar pagando pelos pecados da humanidade! — bradou Arthur atirando os braços para cima — Eu não sei onde estava com a cabeça quando aceitei os dois estúpidos na minha tripulação. Eu devia ter deixando você morrer afogado e você com suas awesomes brigas de delinquente juvenil inútil!

Havia muito tempo que não viam Arthur tão furioso. Mesmo Gilbert estava olhando para o chão como uma criança aborrecida por ter sido pega em uma travessura, que sabe que vai ser punida, mas não quer demonstrar o seu medo. Não importava que ambos fossem mais altos, pois pareciam ter encolhido sob o peso da fúria do capitão, cujos olhos verdes estavam escuros. Mesmo os que seguravam as armas apontadas para o turco — que parecia tão pouco amedrontado que talvez não soubesse do perigo que corria — pareciam assutados.

- Mas o que... ? — Alfred começou.

- Aaah... Eu não devia tê-los deixado sozinhos. — comentou uma voz macia ao lado do americano.

Ele quase pulou de susto. Não tinha notado que Francis estava ali. Tentou não lembrar que ainda estava aborrecido com o francês para olhá-lo interrogativamente. Francis sorriu despreocupadamente, parecendo ser o único que não estava amedrontado com a fúria de Arthur.

- Está vendo aquele turco? — Francis perguntou ao americano — Antonio e Gilbert trouxeram ele para cá.

- Por que?

- Quem sabe... Estavam bêbados, encontraram ele por aí e aparentemente ele pediu para vir. Mas Arthur não ficou muito satisfeito... Afinal, que tipo de subordinados saem para beber e voltam com um inimigo à tiracolo? Trazer você e o Lovino tudo bem, mas alguém que já sequestrou o nosso timoneiro já é demais.

Alfred soltou um monossílabo de entendimento e tornou a olhar para o turco. Inconscientemente afastou-se de Francis e aproximou-se de Arthur, que estava de costas para ele. Alfred também não parecia assustado com a ira do inglês. Impressionado talvez, amedrontado não. Nunca fora famoso por sua noção de perigo, afinal.

- Alguém vai ouvir o que eu tenho a falar? — corajosamente, Sadiq manifestou-se.

- Calado, lixo! — Arthur sibilou — Estou falando com os meus subordinados estúpidos, mas chegarei a você.

- Capitão... — choramingou Antonio, parecendo um pouco envergonhado.

- Nós estávamos bêbados! Nos crucifique! Quem nunca fez uma coisa estúpida quando estava bêbado? — Gilbert explodiu — Me diga apenas que você nunca... Não sei, beijou uma pessoa estranha porque... OUCH!

Arthur plantou um chute na altura do estômago de Gilbert. O Gilbird piou indignado e começou a voar em círculos ao redor da cabeça do dono em protesto. Gilbert não sabia que tinha tocado em um ponto sensível de Arthur após certos acontecimentos.

- Eeeei. — Sadiq insistiu. — Quando vão me ouvir? Eu exijo uma audiência com o capitão!

Arthur sorriu. Antonio e Gilbert ofegaram e recuaram um passo. Não era um sorriso comum. Era um sorriso tão sádico a ponto de fazer criancinhas chorarem e mulheres derreterem dentro de seus vestidos. Ele estava extremamente parecido com um psicopata naquele momento. A espada foi sacada lentamente fazendo com que todos no convés ouvissem o barulho da lâmina passando pela bainha. Ele aproximou-se de Sadiq passo por passo ainda com aquele sorriso. Mesmo o corajoso turco que até então não demonstrara nenhum sinal de fraqueza estremeceu.

- Então... Eu sou o capitão, Sr. Adnan. Tenha sua audiência, já que você exige. — falou com a voz carregada de ironia encostando a lâmina no queixo de Sadiq, forçando-o a erguer o rosto.

- E... Eu... — Sadik precisou piscar forte para recuperar a linha de raciocínio sentindo o suor gotejar em sua nuca. — Vim oferecer meus serviços.

Longo silêncio.

- Você também é idiota ou está se fazendo?

- Não, droga, eu realmente quero entrar para a sua tripulação.

Arthur recolheu a espada e começou a andar de um lado para o outro tocando a ponta da arma com o indicador, enquanto fingia considerar a questão. A expressão pensativa parecia apenas ligeiramente menos perigosa que o sorriso cínico, mas os olhos ainda indicavam o mau humor.

- Então, é claro, um pirata relativamente conhecido com uma reputação medíocre vai desistir da própria tripulação e se tornar meu subordinado de repente. — zombou. - Não subestime a nossa inteligencia, desgraçado!

- Não é isso! Eu quero ser da sua tripulação!

- Por que!?

- Porque... — podiam jurar que a pele morena de Sadiq estava corando.

- O que está havendo? — perguntou uma voz discreta, passiva. Kiku havia acordado.

- Parece que Sadiq quer se juntar à nossa tripulação. — Heracles respondeu, pela primeira vez demonstrando alguma emoção que não fosse sono: Raiva.

O japonês olhou para Sadiq, para quem ainda estavam apontadas inúmeras armas, sem demonstrar nenhuma expressão. Todos no convés prenderam a respiração. Era verdade que Kiku era uma pessoa extremamente compassiva, mas já havia demonstrado que não ficava nada feliz quando mexiam com Heracles. Sabiam que ele havia sido piedoso com o turco por que a situação exigia uma fuga rápida, mas o que será que se passava na cabeça do japonês depois disso? Planos de vingança? Fúria indomável por terem machucado seu precioso Heracles-san?? Kiku caminhou na direção do turco e, ao emparelhar com Arthur, fez algo que ninguém esperaria dele, mesmo ele sendo o único pirata no mundo a usar uma yukata:

- Eu entendo. Desculpe-me por tê-lo nocauteado outro dia. — curvou-se — Bem vindo à tripulação, eu conto com você, Sadiq-san.

Longo silêncio realmente pasmo desta vez.

- Ei... Não aceite tão fácil. — reclamou Heracles sonolento, mas ainda irritado.

- Hm? Por que não?

- Porque... ele.. é o... inimigo. — Arthur enunciou lentamente, agora trêmulo de fúria. — No Japão é comum aceitar o inimigo no seio do grupo?

- Ah... — Kiku pensou — Bom, existe um gênero de histórias na minha casa recém-inventado, conhecido como shounen, no qual é comum inimigos derrotados se arrependerem e tornarem-se companheiros. Não é este o caso?

- Não estamos numa história de ficção. — Definitivamente, aqui o capitão está se segurando para não cometer um assassinato.

- Eu achei que estivesse tudo bem, afinal é o primo de Heracles-san.

- Primo? — Francis também aproximou-se — Como?

- Eu não tinha dito? Ele é a parte vergonhosa da família. — comentou Heracles, tranquilamente.

- Quem é a parte vergonhosa, seu preguiçoso deserdado? — berrou Sadiq.

- Deserdado por sair de casa voluntariamente. — Heracles fungou — Pelo menos eu não sou um doido de barbicha que saiu para imitar o primo.

- Como se eu fosse, seu...

- SILÊNCIO, SEUS CÃES SARNENTOS DOS INFERNOS! — Arthur explodiu. Que Deus os proteja. — Eu estou cercado de idiotas, apenas idiotas, idiotas, sempre fazendo as idiotices mais idiotas e... DROGA, ISSO É TUDO CULPA SUA!

- Moi!? — Francis ficou chocado ao ter o dedo do capitão apontado para si.

- Você devia estar lá cuidando daquela dupla de imbecis! — Arthur apontou para Gilbert e Antonio. — E no lugar disso, o que estava fazendo? Estava sendo arrastado para o quarto pelo Alfred!

- Ooopa. — Antonio recuou. — Lovino... Volte para o quarto.

- Eu não sou babá deles. — Francis defendeu-se. — Seu pequeno mal agradecido, você está é irritado por eu ter tirado a sua inocên... PFFFF!

O rosto de Francis foi atingido pelo punho fechado de Arthur antes que pudesse insinuar para a tripulação que seu capitão tinha sido inocente até a noite anterior. O francês foi apanhado de surpresa pela violência e a repentinidade do golpe, caindo no chão. Cuspindo o cabelo loiro que tinha caido em seu rosto, Francis encarou o inglês de boca aberto.

- Seu... pequeno bastardo! Acertou meu rosto!

Inglês e francês se encararam como que de igual para igual. Se Arthur estivesse olhando daquela maneira pra qualquer outro tripulante, o pobre bastardo estaria correndo na direção contrária e evitando a todo custo o contato visual. Mas não Francis. Francis havia visto aquele maldito inglês chorar depois de ralar os joelhos. Não é fácil sentir-se intimidado por alguém que você conhece desde que usava fraldas — e também não costumava perdoar quem acertasse seu belo rosto — então levantou-se e enfrentou o amigo olhando-o nos olhos. Francis não ia deixar aquele pirralho inglês dar uma de superior. Ele revidou. E foi aí que começou um verdadeiro pandemônio no convés.

Antonio sorria bobamente, apesar de estar em farrapos. Algo a ser dito sobre quando uma briga começava naquele navio era que quem tentava separar, se envolvia. E envolvia mais alguém que envolvia mais alguém e no fim todos haviam levado pelo menos um soco, se não um corte feio em alguma parte do corpo. O fato era que ninguém era perdoado e o espanhol, sendo o primeiro a meter-se entre Francis e Arthur, havia sido o primeiro a apanhar. Contudo, para sua completa felicidade, Lovino estava lá cuidando dos novos hematomas do seu chefe com uma expressão aborrecida enquanto resmungava:
- ... bando de crianças provincianas... Como animais selvagens que não podem ver uma confusão sem se meter... Se quiser brigar, vá tomar um banho de água fria e sossegue, maldição, não saia se machucando a toa desse jeito...

- Ahh Lovi... — Antonio sorriu enquanto o italiano amarrava uma tira de tecido à guisa de atadura em seu pulso. — Será que você está preocupado comigo?

Lovino ficou rosado. Vermelho. Roxo de vergonha. E então, demonstrando toda a sua preocupação, plantou o pé no peito do mais velho com o máximo de força que conseguiu reunir.

- Não brinque comigo! Como se eu fosse ficar preocupado com um velho esquisito como você!

- Loviii~ — Choramingou Antonio do chão.

Enquanto isso, o resto da tripulação juntava coisas que eventualmente haviam quebrado. Kiku podia ser visto na parte de cima do convés passando um sermão em Heracles e Sadiq, que estavam sentados no chão, extremamente machucados. Os dois haviam aproveitado a confusão para brigar um com o outro e o resultado era que estavam levando a maior bronca que já tinham levado na vida de um japonês que devia ter a metade da altura de cada um. Eles aceitaram o sermão com a expressão de duas crianças pegas em uma travessura.
Francis e Arthur trocavam faíscas pelos olhos a três metros de distância um do outro, ambos com expressões aborrecidas. O francês não parava de resmungar coisas na própria língua o que fazia Alfred desejar ter aprendido francês junto com seu irmão Matthew. Arthur parecia mal humorado, embora não fosse difícil dizer que estava arrependido de ter perdido a cabeça, mas era orgulhoso demais para admitir. E Alfred estava absurdamente sorridente, com seu esfregão em punho.

- É comum brigarem desse jeito sem motivo nenhum? — perguntou animado.

- Quem brigou sem motivo, droga? — Arthur bufou. — Você deve ficar quieto antes que eu bata em você também. E vá guardar este esfregão. Eu tenho trabalho para você.

- Ah... Certo. — fingiu que aquela não era a primeira vez que ouvia aquelas palavras. — E quanto ao tio turco?

- Tsc... Vou deixar que Kiku cuide dele. — do latim: não faço ideia do que fazer com um turco bizarro que se apaixonada depois de apanhar e vira perseguidor - Agora vamos. Vamos desembarcar.

Todos olharam enquanto Alfred seguia Arthur para o bote que usariam para chegar em terra. Era sem dúvida uma evolução... De escravo a algo parecido com o assistente do capitão. Nada foi dito. Pelo menos não enquanto Arthur ainda estava a bordo. Francis bufou de irritação ao ver os dois se afastarem.

- Ei... — Gilbert chamou-o — Vamos ver o meu irmão e o vati.

- Não estou com muita vontade.

- Ei, ei... — Antonio, que estava tentando não ser espancado novamente por Lovino, meteu-se na conversa. — Nós dois estamos em uma má situação com o capitão, Gilbert... E ele também parece estar bravo com o Francis. Não é melhor ficarmos quietos no navio até que ele se acalme?

- Vamos. — Francis mudou de ideia levantando. — Eeei, Kiku! Cuide das coisas, estamos saindo!

- EH?!

Antes que Kiku ou Antonio pudessem argumentar, Francis e Gilbert começaram a andar resolutamente, o primeiro com uma expressão rebelde e o segundo com o sorriso confiante de sempre.

- A minha única dúvida é... — Lovino suspirou e em seguida berrou: — Por que viemos junto!?

Antonio riu, sem graça. Depois de alguma luta, muita insistência e algumas pancadas na cabeça de Gilbert — mas a cabeça dele era tão dura que isso não era importante — Antonio e Lovino seguiram Alfred e Gilbert rumo à Alemanha. Lovino estava extremamente desconfortável: Não tinha paciência com Gilbert e Francis era tão pervertido que lhe dava medo. Por que aqueles dois tinham de ser justo os melhores amigos de Antonio? Ele poderia, é claro, ter ficado no navio assistindo Kiku ralhar com seus dois stalkers, mas ficara realmente assustado vendo Arthur brigar com Antonio mais cedo. Não queria que seu chefe estúpido se metesse em mais alguma encrenca. Não que pretendesse admitir aquilo em voz alta, oh não. Apenas pensar nisso era assustador demais. Que obrigação tinha de proteger aquele espanhol idiota? Nenhuma! Então por que não podia ficar quieto em seu quarto esperando que ele voltasse para ter o intestino arrancado por Arthur?

E também havia a ideia aterrorizante de conhecer o irmão de Gilbert. O germânico semi-hiperativo e violento que estava sempre dando incríveis risadas maníacas, se gabando de sua incrível pessoa, seu incrível pássaro amarelo bizarro e sua incrível qualquer-coisa-que-viesse-à-mente. O irmão mais novo de Gilbert devia ser uma segunda versão do mais velho, com os mesmos olhos assustadores e vermelhos, os cabelos louros quase brancos e a risada maníaca.

- Seja paciente. — pediu Antonio, baixinho. — Normalmente é o Francis quem toma conta de tudo, mas ele parece de mau humor hoje, então é melhor eu garantir que ele e o Gilb não façam nada estúpido.

- Falando nisso... — Lovino encarou as costas de Francis e Gilbert, que estavam alguns passos à frente — Qual é o problema dele?

- Não sei. — Antonio suspirou. — Ele é um pouco fechado, apesar de tudo. Mas eu o ouvi resmungando algo sobre o capitão ser ingrato.

Lovino começou a processar as informações. Arthur havia saído com Alfred, o que não era nada comum. Desde que havia chegado ao navio, Alfred o havia deixado apenas duas vezes: Uma para resgatar Heracles e outra na noite anterior, com os três patetas — que era como Lovino e Arthur carinhosamente apelidaram Antonio, Gilbert e Francis — e de repente, estava saindo com Arthur em uma de suas viagens à terra para receber ordens da coroa ou Deus sabe o que Arthur fazia nas ocasiões que raramente deixava o navio. Normalmente, o inglês fazia estas curtas viagens sozinho... Ou com Francis. O italiano ficou vermelho com a própria conclusão.

- Antonio... — puxou o chefe para mais perto de modo a poder falar muito baixo — Você acha que o Francis está bravo porque o capitão está trocando-o pelo Alfred?

- Oh... — o espanhol considerou — Agora você você falou...

- Certainement... — respondeu uma voz suave como chocolate.

Antonio e Lovino pularam quase trinta centímetros no ar ao ouvir Francis responder. Ambos coraram, um mais que o outro, fazendo jus ao seu apelido de "A dupla tomate". De repente, o francês veio para trás dos dois e passou o braço pelos ombros de Lovino.

- C-Certamente? — gaguejou o italiano — Você está admitindo?

- Pense comigo, Lovi... — Francis sorriu de um jeito simpático e pervertido que apenas ele conseguia — Eu estive por anos ao lado daquele simpático senhor britânico... Então chega algum moleque americano e rouba toda a atenção do meu brinquedinho... Não tenho motivos para ficar mau humorado?

- Claro. — concordou Antonio, puxando Lovino para longe de Francis.

O loiro sorriu e afastou-se, novamente andando na dianteira. Não era a primeira vez que visitava a família de Gilbert, então sabia o caminho. Lovino parecia ter congelado de medo, tanto que não se incomodou com as mãos de Antonio em seus ombros.

- Ei... Desse jeito dá pra pensar que ele tinha mesmo alguma coisa estranha com o capitão. — comentou Gilbert com um arrepio.

- Pelo visto, não é por falta de querer da parte dele...

- Mesmo? — Lovino agarrou o braço de Antonio.

- Aah claro que não, Lovi, o capitão e o Francis são apenas amigos de infância que brigam muito, ele está apenas rindo da nossa cara.

Alguns passos a frente, Francis riu, zombeteiro.

Lovino sentiu vontade de colocar Antonio nas costas e voltar para o navio correndo, mas considerando o seu tamanho e o tamanho do espanhol, não daria muito certo. A personalidade de Francis estava mais insuportável que nunca e ele não queria conhecer nenhum outro alemão. Os que conhecia já eram problemas suficientes... Lembrou de quando morava com seu pai e seu irmão mais novo. O sr. Vargas e Feliciano adoravam a Alemanha, afinal os melhores amigos dos dois eram alemães. O sr. Vargas vivia por aí com aquele homem estranho que, na opinião de Lovino, mais parecia uma mulher musculosa. Feliciano era outro que vivia para lá e para cá com o filho do melhor amigo de seu pai, um alemão extremamente detestável que servia apenas para roubar o irmão mais novo de Lovino... Aquele bastardo das batatas.

E depois havia Gilbert. Gilbert também não era um bom exemplo de pessoa com quem Lovino gostava de passar o tempo, então estava desenvolvendo algum tipo de xenofobia contra alemães. Ainda estava pendurado no braço de Antonio — que estava muito satisfeito com isso — quando atravessaram um vasto quintal bem cuidado para uma casa muito grande para pertencer à família de um pirata boca suja com um passarinho amarelo na cabeça. Já esperava o pior quando Gilbert bateu à porta: Talvez uma mulher grande, loura e assustadora ou o irmão mais novo, o Gilbert 2.0.

Então a porta foi aberta por uma pessoa muito diferente do que Lovino esperava: ela foi aberta por um rapaz de aparência infantil, cabelos castanhos escuros, expressão alegre e corpo franzino de um adolescente. Os olhos castanhos do rapaz passaram por cada um dos homens ali e congelaram em Lovino. Porque os dois eram extremamente parecidos... Eram quase idênticos. A pessoa que abriu a porta foi um italiano.

- Feliciano! — berrou Lovino, chocado.

- Fratello!?

Notas finais
Vati - Pai, em alemão
Fratello - Irmão, em italiano
Este foi apenas um capítulo de transição, prometo que o próximo vai ser mais interessante.