No Pain, no Gain
13 Sentimento Nada Fraterno
Notas iniciais
(Por motivos técnicos de histeria, a nota de autora termina aqui)
Enquanto o garotinho conversava com seu pai adotivo, Alfred notou que Arthur havia entrado num tipo de estado de choque: Os olhos do inglês estavam fixos em Peter, como se nunca tivesse visto nada parecido e seu rosto fez-se branco feito nácar. Alfred podia apostar que ele estava tonto. A pergunta era: Porque a visão de um garoto conversando com o seu pai deixava Arthur daquele jeito? Era apenas um garoto, certo? Um garoto órfão que fora adotado por um homem alto e sério que morava numa casa grande na Dinamarca. O que havia de especial a ponto de deixar um dos maiores piratas da Inglaterra sem fôlego?
De repente, várias informações saltavam na mente de Alfred: Gilbert e Antonio comentando como a cerca de sete ou oito anos atrás tinham se tornado piratas... Há quanto tempo Peter havia dito que era órfão? Ou ele não tinha dito? Mas pela lógica, não seria logo antes de Arthur começar a reunir sua tripulação? Por que estes dois fatos pareciam conectados? Talvez porque Peter fosse tão arrogante e sarcasticamente parecido com Arthur ou por ele ter vivido a maior parte da sua vida na Inglaterra? Não, Peter não se parecia com Arthur apenas nas sobrancelhas. Ele também tinha o mesmo jeito mandão de falar, aquela impaciência de quem acha que é superior a todos e tem que conversar com seres inábeis. Era normal duas pessoas não-relacionadas serem tão parecidas? Eles mais pareciam...
Parentes.
– Peter... Est' é um am'igo meu, Arthur. — falou Berwald com sua voz baixa e grave.
– Prazer em conhecê-lo, Sr. Arthur. — Peter sorriu animado, aparentemente quase recuperado no machucado na perna.
– O... Olá, Peter. — Arthur abriu um sorriso trêmulo — Ouvi muito sobre você. Parece mesmo o garoto saudável e bonito que Berwald falou.
Peter sorriu em agradecimento ao elogio. Por um instante, pareceu que Arthur fosse estender a mão e acariciar a cabeça do garoto, mas recuou o braço antes disso. No lugar, virou-se para Berwald com a expressão carregada de uma emoção que Alfred não conseguiu identificar. A sua voz estava ligeiramente rouca quando ele falou:
– Obrigado, Berwald. Muito obrigado.
Berwald assentiu uma vez, mais satisfeito do que demonstrava no rosto sério. Alfred estava desesperado por algo que confirmasse sua teoria, qualquer pista, algo que obviamente não ia conseguir olhando para o rosto de Berwald. Olhou para Arthur em tempo de vê-lo dar as costas para a casa grande e passar por Alfred a passos largos sem dar sinais de tê-lo reconhecido ou sequer avistado. Sem parar para pensar, Alfred segui-o. Ouviu Peter chamá-lo uma vez, mas parou apenas para acenar para ele e voltou a correr para acompanhar seu capitão, que já estava vários metros na frente.
– Arthur! Ei, Arthur! Espere!
O inglês não diminuiu o ritmo de suas passadas largas ou virou-se. Alfred praguejava mentalmente contra ingleses malditos que ignoram as pessoas sem um motivo para isso e perguntava a si mesmo se não teria ficado invisível de repente quando ouviu a voz de Arthur, muito baixa, dizendo:
– Eu mandei dar uma volta pela vila. O que você estava fazendo lá?
– Eu estava ajudando o Peter. — defendeu-se. — Espere, droga! De onde você conhece o Peter e o pai dele?
– Não é da sua conta.
– Mas é da minha conta, sim! — gritou para as costas do inglês — Sou da sua tripulação, não sou? Por que não tenho o direito de saber nada? Aquele garoto se parece muito com você. Por que?
– Não precisa. Gilbert, Antonio, Kiku, Gupta... Nenhum dos meus subordinados mais importantes sabe qualquer coisa a respeito de Peter.
Imediatamente, Alfred registou a falta de um nome importante no meio dos principais subordinados. A pessoa que demonstrara suspeita ao saber que estavam indo para a Dinamarca. A pessoa mais próxima de Arthur que qualquer outro pirata jamais sonharia em ser. Aquele que definitivamente sabia de alguma coisa. Alfred parou de andar e observou as costas de Arthur afastarem-se enquanto ele alcançava a praia.
– O Francis sabe, não sabe? — perguntou voltando a andar. — Ele sabe quem é aquela criança.
– O Francis é especial.
Alfred quase tropeçou. Estava correndo atrás — em todos os sentidos — de um inglês arrogante e antipático que não se dignava sequer a olhá-lo ou a parar de andar enquanto falava com ele apenas para ouví-lo dizer que outra pessoa é especial. Especial o suficiente para conhecer segredos que Alfred não tinha permissão de perguntar sobre. Aquilo era demais para sua paciência e orgulho. Alguém poderia culpá-lo por explodir um pouco? Por ficar furioso a ponto de gritar o que vinha à mente aos quatro ventos, sem se importar com o fato de estar revelando mais do que revelaria caso pensasse antes de falar? Não, ninguém podia. Ele seria sincero como Arthur jamais havia sido e provaria para aquele maldito britânico que não havia nenhum problema em deixar os próprios sentimentos claros.
– Eu odeio isso! — exclamou alto, furioso.
Pronto. Estava feito. Alfred F. Jones poderia ser famoso por muitas coisas, mas não seria por se reprimir. Ele era um herói. Ele não tinha medo de nada e tampouco de falar o que estava pensando. Se reprimisse a si mesmo demais, poderia acabar explodindo. Não era nada saudável. Se Arthur queria explodir por ser um reprimido, ele que explodisse sozinho trancado no próprio armário. E o grito de Alfred teve efeito. Arthur parou de andar e virou-se para o americano com os olhos ligeiramente arregalados.
– Porque sempre o Francis? — Alfred continuou — Eu odeio que ele saiba tanto sobre você quando você esconde quase tudo de todos. Não diga que não me interessa, porque só eu posso decidir o que é do meu interesse ou não e, mil vezes maldição, VOCÊ me interessa e muito!
Felizmente, a praia era longe o suficiente da vila e da casa grande para que não tivesse nenhum dinamarquês ouvindo aquele estrangeiro berrando aos quatro ventos que outro estrangeiro era de seu interesse. Arthur suspirou, sentindo o rosto esquentar um pouco. No fim, apenas alguém com aquele nível de idiotice para ter uma reação daquelas. Repreendeu-se por não ter notado antes, mas ao mesmo tempo admitiu que não poderia imaginar que aquele moleque burro estava tendo ideias tão absurdas. Retrocedeu alguns passos para poder ficar frente a frente com Alfred e encará-lo nos olhos.
– É nisso que você está pensando? Você é mesmo um pirralho problémático. — sussurrou, fazendo com que a expressão furiosa do americano se abrandasse numa careta constrangida.
– Não quero ouvir isso de um cara problemático como você — resmungou Alfred, corando.
Ele desviou o olhar, mas logo sentiu a mão de Arthur no lado esquerdo de sua face fazendo-o virar-se outra vez para poder receber um beijo nos lábios. Alfred não pode conter um suspiro quando as bocas entraram em contato. Depois de todos aqueles dias, então, o beijo de boa noite não havia sido um delírio provocado pelo álcool. Não sabia exatamente o que fazer, mas suspirou de satisfação ao ter sua boca invadida pela língua do inglês. Se o que Arthur queria era impedir Alfred de raciocinar e fazer mais perguntas sobre Peter ou Francis, ele havia obtido sucesso total: O americano estava completamente derretido com o calor de suas mãos em suas costas e estava ele mesmo abraçando-o, querendo-o mais perto. Mas então Arthur afastou o rosto ligeiramente.
– Tsc... — fez encostando a própria testa na de Alfred — Estou começando a achar que eu é que sou o idiota aqui.
– Hm? — Ainda atordoado pelo beijo.
– Vamos voltar. Tem uma história que quero contar a você.
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O jovem francês atravessou os corredores da mansão com pressa. Seus cabelos louros e ondulados estavam prestes a soltar-se do laço que os prendia na nuca. As sobrancelhas bem desenhadas estavam franzidas de preocupação, embora estes pequenos descuidos não tornassem menos bela aparência do jovem Francis Bonnefoy, quem muitos diziam ser a perfeita encarnação de um príncipe de contos de fada, a despeito da baixa nobreza em sua família. Não que fosse um plebeu, longe disso... Apenas não era tão importante quanto o dono daquela mansão.
Sem bater, Francis entrou intempestivamente no quarto do fim do corredor. O quarto parecia vazio a princípio, tão grandioso era, mas havia um único jovem ocupando-o. Um jovem bem menos impressionante que Francis. Embora tivessem a mesma idade, o segundo jovem era mais baixo, seus cabelos loiros apontavam para todas as direções sem denunciar sua nobreza, o que era o normal para um rapaz que havia acabado de sair da adolescencia.
– Arthur. — Francis chamou. — Eu soube de tantas coisas que precisei vir até aqui para confirmar.
– Você soube, huh? — Arthur não afastou os olhos da janela. — Muitos boatos. Minha mãe teria ficado louca. Contudo... É natural que falem, não? Os Kirkland são muito conhecidos.
Arthur tinha razão. Não havia na Inglaterra um aristocrata ou burguês que não tivesse ouvido falar na família Kirkland. Eram famosos por seus saraus divertidíssimos, sua incrível riqueza e os casamentos consanguíneos. Todos os Kirkland eram parecidos, tanto em aparência quanto em personalidade: Eram todos loiros, com olhos azuis, sobrancelhas grossas e orgulhosos até os ossos.
Anos antes, contudo, havia nascido um garoto com olhos verdes brilhantes de um tom nunca visto na família. Para desespero da orgulhosa Sra. Kirkland, boatos correram por todos os nobres, sobre o herdeiro direto da família Kirkland ser um bastardo. Quem conhecia a Sra. Kirkland sabia que adultério seria a ultima coisa que ela faria. Não por amar demais ao marido, mas simplesmente por ser orgulhosa demais para rebaixar-se assim. Mesmo Arthur, que havia crescido ouvindo boatos maldosos a seu respeito, tinha bastante certeza de qum era filho e, apesar de todos os olhares tortos, nunca deixou-se abater pelas fofocas.
– Nós não nos vemos há um ano. — Francis comentou. — O que houve com você nesse tempo? Seu pai... ?
– Decaiu ao máximo. — Arthur confirmou — E no fim, tirou a própria vida.
Eis o triste fim da família Kirkland! Depois que seu segundo filho nasceu, o Sr. Kirkland passou a viver uma vida desregrada: Substituiu as festas e saraus da nobreza por jogos de azar e mulheres. Embora poucos soubessem, o Sr. Kirkland gastou cinco anos de sua vida jogando e trazendo ao mundo crianças bastardas filhas de meretrizes. Então as dívidas acumularam-se de modo que não foi mais possível esconder. A família Kirkland desmantelou-se. As riquezas estavam acabando e sendo perdidas em dívidas de jogo. Não podendo lidar com a vergonha, o Sr. Kirkland suicidou-se.
– E sua mãe, Arthur? O que houve com ela?
– Adoeceu logo depois da morte de meu pai. — Arthur suspirou. — Ela havia perdido todos os empregados e suas amigas da nobreza já não a queriam por ela ter empobrecido. Ela era uma velha chata, sabe? Apenas o dinheiro lhe garantia os privilégios. E os boatos... Ela era muito orgulhosa, a vergonha a estava enlouquecendo. Definhou de desgosto.
Francis observou no reflexo da janela um sorriso amargo se formar no rosto de Arthur, como se ele estivesse rindo da própria falta de sorte. O francês franziu o cenho por ver os olhos de seu melhor amigo — tão famosos pelo seu tom único de verde! — escuros e opacos como nunca. Um olhar sem nenhuma esperança.
– Mas... Arthur, que será de você? E Peter?
A preocupação do francês aumentou. Qual era o problema daquele sorriso falso? Arthur não parecia normal, em nenhum momento desviou o olhar da janela ou apagou o sorriso doloroso de seu rosto. Francis reconhecia que devia ser um trauma muito grande perder os pais, a fortuna e o status social, todos ao mesmo tempo, mas simplesmente não sabia como agir. Não estava pronto para ver seu melhor amigo passando por tempos tão difíceis aos dezessete anos de idade.
– Eu já cuidei de tudo. Acabo de vir da corte. Resolvi-me com o Primeiro Ministro.
– Resolveu? — Francis aproximou-se — Que quer dizer? Pelo que eu soube, você e Peter herdaram apenas dívidas.
– O nome Kirkland está limpo. A coroa pagou toda a dívida que tínhamos.
– Verdade? — surpreendeu-se Francis — Espere... A troco de que?
– Entrarei para a pirataria. Cada serviço sujo que o governo precisar... Será clandestinamente feito por mim. Vou me tornar um pirata a serviço da coroa.
– Como!? Isso... Mas a marinha inglesa é... Bom, uma das melhores do mundo. — Francis admitiu a contra-gosto — Porque eles querem piratas?
– Para serviços que não devem ser associados ao governo.
– Francamente, esses ingleses sujos... Como pode concordar com isso, Arthur? E Peter? Ele tem cinco anos! Vai levá-lo com você num navio por aí fazendo serviços ilegais?
– Peter. — A voz de Arthur quebrou. O sorriso amargo desapareceu. — Ele é pequeno demais para entender. O ministro pessoalmente nomeou um tutor para ele, um homem de confiança chamando Berwald Oxenstierna. Peter será criado com ele sem saber que tem um irmão vivo e será feliz assim. Eu limpei o nome da família para que ele pudesse viver em paz.
Francis boquiabriu-se. Arthur, desde sempre, adorara o irmão mais novo e o protegera mais do que qualquer outro membro da família. Era de conhecimento geral que o primogênito Kirkland não se dava bem com os pais, mas ele havia cuidado de Peter como se ele fosse seu filho, apesar de ter apenas 13 anos quando o pequeno nasceu. E então ele estava abrindo mão da guarda do irmão para a proteção dele. Foi desta forma que Francis percebeu o quanto aquela decisão havia custado ao seu amigo... E também o tamanho da determinação de Arthur. Ele estava abrindo mão da própria vida.
O francês avançou um passo para ficar ao lado do amigo e segurou-lhe a mão. Ele viera da França ao saber que seu amigo enfrentava problemas, mas isso não parecia o suficiente. Francis tinha algo a dizer e ele disse olhando para a janela:
– Entendi. Vou com você.
– Francis?
Pela primeira vez, Arthur desviou o olhar da janela, surpreso.
– Não faça essa cara. Meus pais tem herdeiros o suficiente, nem vão notar se eu for embora. As coisas em Paris estão horríveis, aqueles jacobinos são uns terroristas. Vou com você.
Arthur continuou boquiaberto encarando o perfil de Francis. Os dedos do francês apertaram os seus, o que o despertou do transe e o fez corar. Tornou a desviar o olhar para a janela.
– Faça como quiser, idiota.
Arthur retribuiu o aperto na mão de Francis.
– Então... Peter é seu irmão caçula? Mas ele não lembra de você, certo?
Era a primeira vez que Alfred entrava na cabine do capitão: Ela consistia em um cômodo espaçoso ocupado por uma estante que ocupava toda a parede esquerda repleta de livros, uma escrivaninha de mogno cujo tampo estava completamente ocupado de papéis de aparência oficial e alguns instrumentos náuticos e uma cama espaçosa que parecia confortável, tudo previamente pregado com postigos no chão para não sair do lugar com o movimento do navio. Arthur e Alfred estavam sentados lado a lado no chão ao pé da cama, ambos descalços e cada um com um copo de bebida. Estava escurecendo e a única fonte de iluminação do quarto vinha da pequena janela logo acima da cama, por onde entravam os ultimos raios de sol do dia.
– Sim, ele é. — Arthur suspirou — Eu tinha dezessete anos quando nos separamos e Peter apenas cinco. Ele era muito novo e eu mudei muito, é natural que não me reconheça.
– Isso é... — Alfred tentou encontrar as palavras certas — Como seu governo pode fazer isso a vocês? Separá-los assim?
Arthur pousou o copo de bebida e encarou Alfred, muito sério:
– Servir ao governo era a única maneira de pagar a dívida do meu pai e um navio não é lugar para uma criança crescer. Peter está bem e feliz com Berwald. Eu só tenho a agradecer.
Alfred foi o primeiro a desviar o olhar. Nunca sabia como agir quando Arthur assumia aquele ar intenso.
– A princípio, achei você realmente parecido com ele, sabe? Com o Peter. Você tem os mesmo olhos, o mesmo cabelo e até a mesma expressão. Por isso, no começo, não consegui me livrar de você.
Isso fez o americano mexer-se de maneira desconfortável. Em uma situação normal, teria respondido que Peter não passava de um mini-Arthur com olhos azuis, mas algo no que o inglês falou o deixou incomodado: Então era assim que Arthur o via? Como alguém que lembrava seu irmão caçula? De todas as comparações que você quer ouvir da pessoa que você gosta, a ultima delas é uma comparação com o irmão mais novo.
– Entendo. — Alfred mudou o copo de mão sem encarar o outro — Então, para você, sou algo como substituto do seu irmão mais novo?
Não houve resposta, o que fez com que o americano erguesse o rosto para obter ao menos uma reação. Os olhos de ambos se encontraram e os de Arthur — que sempre exibiam aquele brilho tempestuoso — estavam cheios de um sentimento voraz impossível de ser identificado, mas que tinha o poder de enviar tremores de ansiedade pelo corpo do americano.
– Não... Eu disse a princípio, não tem como um pirralho burro como você se parecer com meu irmão. — Arthur aproximou o rosto do de Alfred e sussurrou: — Por que, Alfred? Sou um irmão mais velho para você?
Ele estava perto o suficiente para que as respirações de ambos se misturassem. Alfred sentia seus batimentos cardíacos acelerados e sentia-se ligeiramente sem fôlego.
– N-Não...
– Não o que?
– Você não é um irmão para mim...
Arthur o beijou fazendo-o soltar um suspiro baixo. Alfred passou os braços pelos ombros do inglês e abraçou-o pelo pescoço para trazê-lo para mais perto. Permitiu que ele invadisse sua boca com a língua e ele próprio ocupou-se em explorar o interior da boca do inglês com sofreguidão. Gostava da sensação dos braços de Arthur — tão quentes! — envolvendo-o num abraço apertado que ele não queria interromper por nada desse mundo. Alfred percebeu, com algum alarme, que não se importaria nem um pouco de ficar a noite inteira beijando Arthur daquela maneira.
Ele é homem, assim como você. Ele é inglês.
– Alfred...
Os lábios cálidos do mais velho traçaram um caminho dos lábios de Alfred para a pele da garganta fazendo com que Alfred sentisse arrepios por todo o corpo. Como aquilo podia ser tão bom? Não havia uma única parte dele que não desejasse mais de Arthur, sem se importar com qualquer outra coisa insignificante como em que país ele poderia ter nascido. E não era maravilhoso ouvir aquela voz grave falando seu nome com aquele sotaque britânico?
Ele tem alguma coisa mal resolvida com aquele francês pervertido.
Bom, este era um ponto a ser considerado. Especialmente porque Alfred já estava quase deitado no chão com Arthur por cima beijando-lhe o pescoço de um jeito que parecia capaz de sugar todo o oxigênio de seus pulmões. Era melhor tirar aquele assunto do caminho antes que partissem para algo mais elaborado.
– Art... Arh!
Como poderia falar alguma coisa?!
As mãos de Arthur haviam partido por baixo de sua camisa e acariciavam sua coluna lentavamente removendo a peça de roupa então inútil. Alfred ficou tão surpreso ao ver-se desnudo da cintura para cima que não esboçou reação. A verdade era que não tinha a menor ideia do que estava fazendo, apenas tinha uma ligeira noção de que estava fazendo e a certeza de que queria fazer. Ele apenas deixou-se levar sem sequer suspeitar o que viria a seguir... Até sentir Arthur beijá-lo no peito. Ofegou.
– Arthur... O que você está fazendo?
– Hm? Qual o problema? Você não gosta?
Depois de perguntar, Arthur mordiscou o mamilo do americano. Foi uma sensação diferente de qualquer outra que já havia experimentado, como um choque elétrico que o fez arfar e atirar a cabeça para trás. Arthur começou a usar a língua e, antes que pudesse reprimir-se, um gemido baixo escapou por entre seus lábios. De repente, não era apenas calor, mas também uma pressão e ansiedade completamente incomuns em seu baixo-ventre. Como Arthur podia ser tão bom naquilo? Ele só podia ter... Muita experiência.
– Arthur... — Alfred arfou. — Você... O Francis...
Arthur interrompeu a carícia. E eis o completo dilema. Alfred absolutamente não queria falar de francês nenhum. Ele queria — ou melhor, precisava — que Arthur tornasse a abraçá-lo. E não podia continuar com aquilo sem saber. O único problema era: Dependendo da resposta, ele não poderia continuar de jeito nenhum. Ele realmente queria saber?
– Você quer realmente falar do Francis? Agora?
– Eu... Quero. — Não, não queria, não. — É só que... Você e ele parecem... Aaah droga, você e o Francis já fizeram algo assim, não?
Arthur suspirou com impaciência antes de erguer-se. Alfred quase gemeu em protesto quando o inglês o fez levantar, mas então Arthur o fez deitar-se na cama para em seguida ajoelhar-se por cima do americano. Alfred não ousou perguntar o que ele estava fazendo, pois ele começou a tirar a própria camisa. Para seu completo desespero, Alfred percebeu que talvez Arthur não pretendesse lhe dar uma resposta e, pior, vendo aquele corpo, Alfred sabia que o queria de qualquer jeito, não importando qual fosse a verdade. Só podia ter enlouquecido. Então, por cima da calça, Arthur acariciou o volume já muito notável entre as pernas de Alfred.
– Então... O que você fará se a resposta for "sim"?
Como diabos ele queria receber uma resposta coerente se continuava fazendo aquilo?
Alfred tinha de fechar os olhos e morder os lábios com força para reprimir um gemido alto. A agonia em seu baixo ventre aumentou mais e mais com o toque de Arthur, a ponto de Alfred não conseguir mais diferenciar o que era bom e ruim.
– Não. — conseguiu arfar.
– Não o que?
– Não permito ma-ais. — Estava fazendo o melhor que podia para ter coerência. — Eu não me importo com as idiotices que você já fez, mas agora você é meu e não vou mais permitir que você fique com o Francis.
Arthur arregalou os olhos... E então abriu um sorriso divertido. Com cuidado, removeu os óculos de Alfred.
– Você é mesmo um esquisito, não é? Achou mesmo que eu teria alguma coisa com aquele sapo?
– Ah! — A surpresa fez com que Alfred se esguesse — Mas vocês dois parecem tão...
– Shh, Alfred... — Arthur tornou a fazê-lo deitar-se — Francis é um amigo importante para mim, droga. Não tenha ideias estranhas.
E, para garantir que não houvessem mais protestos, tornou a acariciar no ponto sensível. Alfred ofegou. O aperto estava tornando-se quase insuportável quando ele sentiu que o inglês o estava ajudando a remover as ultimas peças de roupa deixando exposta a sua excitação, já molhado de líquido pré-seminal. Ele sentiu-se envergonhado ao mesmo tempo em que queria continuar com aquilo de uma vez por todas. Os desejos contraditórios estavam tirando seu juízo.
Para seu completo deleite, sentiu sua excitação ser envolvida pelos dedos de Arthur que iniciaram um movimento lento de vai e vem. Mordeu o lábio inferior até deixá-lo vermelho e inchado, sentindo a respiração perder o compasso enquanto seus olhos ficavam úmidos pelo estímulo contínuo. A sensação da mão de Arthur em um ponto tão íntimo o estava enlouquecendo. A velocidade dos movimentos aumentaram de modo que tornou-se impossível conter-se e Alfred soltou um gemido alto, tão sôfrego que custou a acreditar que ele próprio havia emitido tal som.
– Aaarh... Arthur... Não... Eu vou...
Não houve tempo para terminar o aviso. Ele havia chegado ao clímax com outro gemido alto, a prova de seu prazer sujando as mãos e o peito nu do inglês. Assim que recuperou parte da capacidade de respirar, Alfred pode notar o que havia feito. Seu rosto esquentou e ele tornou a sentar-se.
– Ah, droga... — praguejou baixo vendo a sujeira que havia feito. — Isso é sua culpa.
– Sei, sei. — Arthur dispensou as desculpas levando os próprios dedos aos lábios. — Mas você não está satisfeito apenas com isso, não é?
– Hah... — Alfred não pode responder. A visão de Arthur lambendo os próprios dedos lhe havia tirado a pouca capacidade de raciocínio que ainda lhe restava.
Ao julgar que os dedos estavam úmidos o suficiente, Arthur fez com que o americano abrisse as pernas e ajoelhou-se entre elas. A próxima coisa que Alfred sentiu foram os dedos de Arthur invadindo suas regiões vitais.
– AH!
Não era bom... Mas também não era incômodo, exatamente. Era uma sensação estranha ter seu corpo invadido daquela maneira. Então Arthur aumentou o número de dedos para três, causando um incômodo real. Alfred não pode evitar ficar tenso quando os dedos do inglês moveram-se dentro dele.
– Relaxe logo, ou você vai sentir dor.
– Não me mande relaxar. — resmungou — Está doendo agora.
– Não seja tão frouxo... — o inglês falou, baixinho — Sem dor, não tem ganho, certo?
Arthur tornou a beijá-lo intensamente, quase distraindo-o da dor que ele sentia, e então pressionou o mais longe que seus dedos podiam ir, preparando-o para a próxima etapa. Finalmente tocou num ponto que fez Alfred interromper o beijo de repente, ofegando alto.
– Hmm... Achei o que eu estava procurando. — Arthur lambeu os lábios — Desculpe, Alfred, não posso mais me segurar.
Arthur posicionou-se melhor entre as pernas de Alfred e então penetrou-o de repente. Aqui, Alfred gritou de dor e surpresa. A sensação era a de que estava sendo partido ao meio e, se não tivesse esquecido de como se formavam as palavras, teria dito a Arthur que era absolutamente impossível continuar lá dentro. E então Arthur começou a movimentar-se. A umidade nos olhos de Alfred transbordou com as investidas dolorosas. Ele sabia que Arthur havia dito que sem dor, não havia ganho, mas aquelas sensações o estavam enlouquecendo. Enquanto tentava acostumar-se a dor, sentia em seu interior Arthur tocando-o num ponto que o fazia ter a melhor sensação do mundo. Era mais elaborado do que ele havia pensado.
– Ar... Arthur, isso dói... E.. Hm. — tornou a morder os lábios.
– Espere... Vou compensar você aqui.
Arthur o trouxe para o colo, ainda de frente para ele com as pernas em torno de sua cintura, e voltou a acariciar o membro outra vez rígido de Alfred. O americano soltou um som que mesclava todo o deleite e a dor que sentia. Agarrou as costas de Arthur então fazendo-o ficar mais perto. Ambos estavam ofegantes e cobertos de suor quando tornaram a beijar-se com intensidade.
– Alfred... Ah, Alfred, eu vou...
O ritmo das investidas aumentou, bem como os movimentos da mão de Arthur e os dois alcançaram o ápice juntos, num gemido sôfrego em unissono.
Apesar de uma relação tão estranha com um início tão bizarro, ambos estavam completamente entregues.
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