No Pain, no Gain

16 Problemas Emocionais Sob Pressão


Notas iniciais
Nem sei se isso vai dar certo com a manutenção do Nyah e tudo, mas eu espero que sim. Eu tenho postado todos os sábados e quero continuar até o fim. CONTINUAR ASSIM CHIBI MIDORI-CHAN!

Matthew Williams estava fazendo força para não chorar. Tentou pensar em como acabara daquele jeito... Sozinho... Quase sem dinheiro... Na Itália. Tudo havia começado com a morte de seus pais. Seu pai havia morrido pouco antes de seu nascimento, o que havia feito sua mãe mudar-se do Canadá para os Estados Unidos, onde casou-se de novo alguns anos depois. Ela teve mais um filho antes de morrer num acidente. Então, era apenas ele e o irmão. Os dois garotos, uma criança e um bebê, foram levados para os avós paternos do segundo, por quem foram criados. Ainda que gostasse do intolerante vovô Jones, Matthew não sentia que era parte da família. No que lhe dizia respeito, a sua única família era seu irmãozinho Alfred. O garotinho havia prometido a si mesmo que cuidaria dele, não importa o que acontecesse.

O tempo passou. Os irmãos cresceram. E Matthew passou a ser o protegido. Alfred era independente, corajoso e forte. Nunca precisara da proteção do irmão. Matthew sentia como se tivesse falhado como irmão mais velho e tentava usar a sua sensatez — que era algo que Alfred definitivamente não tinha — para ajudar o irmão sempre que possível. Depois da morte do vovô Jones, Matthew assumiu para si o posto de homem da casa, embora os pobres trabalhos que arrumasse não fossem muito úteis. Mesmo quando Alfred terminou a escola e começou a trabalhar, continuaram sendo muito pobres.

Alfred parecia sempre alegre, mas Matthew podia ver que ele não se sentia assim realmente. Se perguntasse qual era o problema, rercebia uma resposta vaga de interesse e logo o assunto era mudado. Matthew sabia que faltava algo na vida do seu adorado irmão e não poder dar a ele o matava.

Como estaria a sua vida se aquele fatídico dia não tivesse acontecido? Um belo dia, uma garota desconhecida aparecera na casa dos rapazes pedindo ajuda. Claro que Alfred, com seu maldito complexo de herói, não pudera deixar de ajudá-la. E então homens suspeitos vieram atrás de Alfred, todos mal encarados querendo saber que destino levara a garota cujo nome Alfred sequer chegava a ficar sabendo. Desesperado, Matthew pegou todas as economias que tinha e fez o irmao fugir para a Europa, no primeio navio que pode encontrar. Pediu que o irmão mandasse notícias sempre que possível e prometeu avisá-lo quando fosse seguro voltar para casa.

Alfred nunca voltou. Apenas uma carta foi enviada avisando que havia chegado à Itália e estava hospedado em uma pensão. Depois disso, a única família que Matthew jamais teve sumiu sem deixar vestígios.

Ele é meu irmão. Eu prometi cuidar dele. Eu o amo. Eu vou encontrá-lo.

Matthew repetia palavras de encorajamento para si mesmo, mas eram palavras vazias. Ele havia reunido todo o dinheiro que podia para ir à Itália em busca de seu irmão, mas mesmo este pouco dinheiro estava acabando. Era o sétimo dia em que Matthew ia para a rua com a única imagem que tinha do irmão perguntando a qualquer passante se não o havia visto. Eram poucos os que se dignavam a tratá-lo com gentileza, mas não queria perder as esperanças por isso. Era uma cidade pequena. Alfred chamava atenção. Ainda que um ano inteiro houvesse passado, alguém haveria de lembrar dele.

- Alfred? Você se perdeu do Lovino? — perguntou uma voz macia atrás dele.

O coração de Matthew quase parou. Virou-se para quem havia falado. Era um homem bem apessoado de cabelos louros ondulados, olhos azuis brilhantes e expressão preguiçosa, ao lado de outro homem bem mais assustador, com cabelos loiros arrepiados, sobrancelhas grossas, olhos verdes e expressão de quem podia cortar uma garganta a qualquer momento.

- Ah! Não é o Alfred! — exclamou o de olhos azuis, surpreso.

Matthew piscou. Aqueles homens o haviam confundido com seu irmão?

- V-vocês conhecem Alfred? — balbuciou em choque — Sabem onde ele está?

- Huh? — os olhos do homem de cabelos arrepiados se estreitaram perigosamente. — Você conhece o Alfred?

O homem tinha um sotaque inglês assustador. O canadense recuou um passo, sentindo os olhos arderem. O que havia de errado com aquele inglês? Por que ele desprendia uma aura ameaçadora tão forte? Só de olhar para os olhos dele, Matthew já se sentia amaldiçoado por um demonio. Antes que pudesse ter um verdadeiro ataque, o braço do homem de olhos azuis envolveu seus ombros.

- Pare com isso, Arthur. — reclamou ele — Olhe, você o deixou assustado com essa sua cara feia. Ei, você é uma gracinha, nem acredito que te confundi com o moleque do Alfred. Qual é o seu nome?

- M-Matthew. — murmurou, e em seguida mais forte: — Matthew Williams! Eu estou procurando por este homem.

Então mostrou a imagem de Alfred, em que o americano sorria animado com o corpo coberto de poeira depois de passar o dia cuidando dos animais da fazenda de seu chefe.

- Vocês o conhecem? — perguntou o canadense ansioso. — Sabem onde ele está agora?

- Novamente tenho que perguntar. — o inglês falou, fechando mais ainda a expressão — Por que motivo você estaria atrás do Alfred?

- Eeek! — Matthew se encolheu.

- Mon Dieu, Arthur! Desse jeito até eu vou chorar! Você é um demônio ou algo assim? Tudo bem ser possessivo, mas você dá medo.

Matthew sentiu-se envergonhado por estar daquele jeito, mas havia perdido seu único irmão há um ano, não tinha uma refeição decente desde que saíra dos Estados Unidos, há muito tempo ninguém o tratava com gentileza e então tinha um inglês com olhos de demônio que parecia ser o único a saber onde estava seu irmão. Alguém podia culpá-lo por sentir-se ao menos mínimamente reconfortado com o braço daquele completo estranho ao redor de seus ombros, uma vez que o completo estranho parecia disposto a demonstrar alguma gentileza? Nem se importou que estava sendo tratado como uma criança. Não devia estar muito bem das ideias.

- Então, Matthew... — disse o homem sorrindo afavelmente — Você parece meio desesperado. O irmãozão Francis pode ajudar?

- Eu... Este é meu irmão, Alfred. — o rapaz explicou — Ele teve que vir pra Itália alguns meses atrás e nunca mais mandou notícias. Eu o estou procurando para levá-lo de volta para casa.

O braço do homem chamado Francis afrouxou. Ele lançou um olhar preocupado ao inglês chamado Arthur, cuja expressão assustadora havia finalmente cedido lugar a uma expressão de surpresa. Matthew sentiu que os dois homens estavam recuando e sua preocupação cresceu ainda mais. Precisava apenas de uma pista minúscula, o que fosse para continuar sua busca... Se aqueles homens sabiam alguma coisa, não ia deixá-los ir facilmente.

Os homens trocaram um olhar significativo, como se conversassem um com o outro sem dizer nada. O inglês baixou o olhar, deixando a expressão vazia.

- Arthur... — Francis chamou e em seguida, começou a falar em francês. — Você não acha que ele escolheria isso, acha?

- Eu não tenho como saber. Ele é um pirralho estranho. — respondeu Arthur, também em francês.

Matthew franziu a testa. Eles estavam tentando fazer com que ele não entendesse? Pensou que talvez fosse pouco educado escutar a conversa dos outros quando estes outros querem claramente esconder e pensou em dizer que falava francês, também, mas achou melhor não. Era de seu irmão que estavam falando, não era?

- Ei... Você vai... — Francis começou.

- Ele não é mais um escravo. — Arthur interrompeu — A decisão é dele.

- Arthur. Você tem consciencia do que vai acontecer? Ele não é importante para você? Vai abrir mão...

- Matthew, eu sei onde seu irmão está. — Arthur voltou a falar em inglês. — Se vier com Francis, ele o levará até ele.

- Ah, o perfeito mártir de um romance épico. — Francis resmungou, em sua língua natal, e em seguida em inglês: — Como queira. Seu irmão está acompanhando nosso companheiro na visita à família, Matthew.

O Sr. Vargas ria alto enquanto Alfred e Gilbert contavam as situações perigosas pelas quais haviam passado nos ultimos meses. Lovino limitava-se a ficar no sofá com uma expressão aborrecida fingindo que tinha participado ativamente das histórias que eram contadas. Aparentemente, o Sr. Vargas estava muito orgulhoso da nova vida fora da lei de seu filho de dezesseis anos. Ele parecia ter sido informado por Feliciano alguns dias atrás do paradeiro de seu filho mais velho e não podia ter ficado mais feliz. Ele não parecia nem um pouco com um pai normal, o que supostamente devia explicar a falta de juízo de Feliciano e Lovino: O primeiro herdada o jeito alegre do pai, o segundo herdara o jeito violento. Pena que nenhum dos dois herdar a força ou a coragem.

- Ahahahaha você tem companheiros muito divertidos, Lovino! — riu o Sr. Vargas — Mas e quanto ao espanhol? Feliciano me falou que tinha um espanhol sendo seu chefe?

- Ele... Ele é como meu tutor. — reconheceu Lovino corando — Mas não é grudado em mim, droga, eu posso andar sem ele.

- Só porque você saiu enquanto ele ainda estava dormindo pra não ter que trazê-lo. — resmungou Gilbert, baixinho.

Estando na Itália, Lovino não podia evitar ir ver seu pai, uma vez que havia encontrado Feliciano. Surpreendenemente, o Sr. Vargas não estava nada bravo com a fuga do mais velho e parecia bastante feliz com o fato de seu filho estar tomando o caminho que queria por conta própria. Lovino não queria demonstrar, mas estava feliz.

Antes que mais alguma pergunta pudesse ser feita, alguém bateu à porta e o Sr. Vargas levantou para atender.

- Seu pai é um cara legal, Lovino. — comentou Alfred sorrindo.

- Por que você não quis trazer o Antonio? — Gilbert perguntou. — Queria tanto assim mostrar ao seu pai que é independente? Não que eu me importe, mas o doido do tomate vai ficar um século chorando pelos cantos.

- "Eu queria muito conhecer o pai do Lovi" — zombou Alfred imitando o tom choroso com sotaque espanhol de Antonio.

- Pra que, Antonio? — Gilbert sorriu maldosamente. — Queria pedí-lo em casamento diretamente ao pai?

Alfred e Gilbert começaram a rir histéricamente e Lovino pensou que não poderia ter escolhido uma dupla mais insuportável para acompanhá-lo enquanto atirava violentamente nos dois todas as almofadas que estavam ao alcance, sentindo o rosto muito vermelho.

- Ah, Alfred? — chamou o Sr. Vargas da entrada. — Parece que tem alguém aqui querendo ver você.

Imediatamente, a guerra de almofadas cessou. Alfred levantou com um ar curioso e logo Gilbert e Lovino seguiram-no. O primeiro pensamento do americano foi que Arthur e Francis, que deviam estar resolvendo negócios na cidade, haviam vindo buscá-lo por precisarem dele por alguma coisa.

De fato, Francis estava no hall de entrada ao lado do pai de Lovino, mas com outro homem que definitivamente não era Arthur.

- Alfred! — berrou o rapaz correndo na direção do irmão e quase derrubando-o num abraço.

- M-Matthew? O que dia...

- Encontramos este rapaz fofinho sozinho na rua procurando por você, Alfred. — contou Francis — E Arthur me mandou trazê-lo até você.

O canadense se afastou e agarrou a frente da blusa do irmão, passando a sacudí-lo.

- Onde diabos você esteve? — gritou Matthew em tom agudo. — Eu achei que tivesse morrido! Achei que tivesse sido pego!

- Mas eu realmente fui pego! — respondeu Alfred, animado. — Só que os caras que me pegaram são legais, então está tudo bem agora.

- Tudo b... — A voz de Matthew falhou — Onde você esteve esse tempo todo?

- Num navio.

- Navio?

- É, eu sou um pirata agora.

Silêncio.

- Matthew?

- Ih rapaz... Acho que ele morreu. — comentou Gilbert, coçando a cabeça.

- ALFRED F. JONES, SEU IRRESPONSÁVEL!

Você sabe que o apocalipse está próximo quando um gentil e apagado canadense começa a tentar estrangular o irmão por quem procurava há meses. Mais uma vez, quem podia culpá-lo?